Naruto pertence à Kishimoto-sensei, no entanto, essa fic é criação minha.

For Sale

Capítulo II: Companhia a mais

Em um minuto, havia alguém ali e no minuto seguinte desaparecera levando consigo os irritantes insetos.

Sai piscou os olhos diversas vezes na tentativa de fazer a imagem voltar – ou de se convencer que ela nunca esteve ali – mas o quarto estava o mesmo de sempre. Pensou em acordar Sakura, mas achou melhor deixá-la dormir e descansar também. Aquilo tudo devia ser cansaço.

Não teve problemas para adormecer e seu sono foi tranqüilo, como se nada houvesse acontecido.

Na manhã seguinte sentia-se renovado. Espreguiçou-se antes de abrir os olhos ônix e encontrar a cama vazia. Ficou em silêncio para ver se ouvia Sakura por perto e foi então que ouviu a música baixa e o liquidificador funcionando na cozinha.

Levantou da cama macia e foi até o banheiro da suíte para fazer suas necessidades fisiológicas e banhar-se. Assoviava uma canção antiga enquanto sentia os cabelos voarem por causa da brisa que entrava pela janela entreaberta do banheiro.

Despreocupado, entrou no chuveiro e ligou o mesmo, esperando a água cair por seu corpo. Estranhou quando não se sentiu molhado e olhando para cima viu que nada saia do chuveiro. Desligou e ligou novamente, mas nenhuma água saia.

Foi então que ouviu barulho no cano do chuveiro e teve a impressão de algo estar saindo pelo mesmo. Num minuto havia aquele barulho e no minuto seguindo uma barata caia sobre o rosto alvo de Sai.

Em um movimento brusco tirou a barata de seu rosto fazendo a mesma cair no chão e correr para o ralo, onde desapareceu. Sai teve que respirar fundo algumas vezes para se acalmar. Por alguma razão, imagens de um homem misterioso lhe observando veio a sua mente.

Ignorou tal coisa e concentrou-se no seu banho, visto que finalmente começara a sair água do chuveiro.

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"Bom dia dorminhoco." – Cantarolou Sakura indo beijar o amante

"Você que caiu da cama, feiosa." – Constatou retribuindo o beijo

Sai aceitou o copo de vitamina que Sakura lhe entregava e foi fazer torrada para ambos. Os dois funcionavam muito bem em conjunto para tudo, em especial, organizar uma casa e viver juntos.

Enquanto comiam Sai observou que Sakura evitava usar uma das mãos. Olhando mais de perto viu um dos dedos dela avermelhado e com um ponto esbranquiçado.

"O que houve?" – Perguntou atraindo a atenção dela e apontando com o queixo a mão machucada

"Aquele broche, lembra? Me espetei com ele e agora está assim." – Analisou a ponta do dedo – "Já limpei, mas desisti de fazer um curativo. É muita coisa pra algo tão banal."

Sai piscou enquanto observava Sakura sorrir e desdenhar o machucado. Adorava ver ela sorrindo, os olhos semi cerrados e os lábios rosados entreabertos. Sentiu uma enorme vontade de beijá-la.

Já aproximava seu rosto do de Sakura quanto viu uma mão deslizar pelo ombro desnudo da garota e ir em direção ao pescoço da mesma, apertando levemente. Sakura começou a tossir como se houvesse engasgado e Sai recuou uns passos devido ao susto.

Não demorou a Sai se recuperar e quando estava indo ajudar Sakura a mão que ali estava se transformou em um besouro e Sakura parou de tossir.

"Não se mecha." – Ordenou enquanto tirava o besouro da pele da garota e o matava

"Isso é muito nojento." – Disse Sakura tossindo mais uma vez e tomando um gole da vitamina para aliviar a garganta

Sai concordou com a cabeça e meditou se devia ou não contar a amante o que acontecera ontem a noite e naquela manhã mais cedo, mas achou melhor não amedrontá-la com coisas bobas.

Em um silêncio calmo terminaram o desjejum, sem tocar no assunto do fantasma adquirido ou dos insetos invadindo a casa.

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Admirava em silêncio o rosto concentrado dele enquanto colocava tinta sobre a tela, formando uma pintura que haveria de ficar absolutamente divina.

"Estou começando a ficar com frio." – Sentenciou Sakura sem se mecher

"Só mais um pouco." – Retrucou Sai desviando o olhar da tela e mirando Sakura enquanto dava um sorriso sincero

Sakura retribui o sorriso e rapidamente voltou à expressão facial que adotará para a pintura. Era a primeira vez que posava para Sai. Ele já havia feito telas suas, mas eram todas memórias de como ele a via.

Por incrível que pareça, não se sentia desconfortável estando nua. Com a perna levantada, sua coxa tapava qualquer parte mais íntima de seu corpo, enquanto os braços tapavam os seios.

"Essa tela vai ficar aonde?" – Pediu Sakura extravasando sua curiosidade desde que aceitara posar

"No jardim, para espantar os texugos e corvos." – Retruca Sai observando a garota franzir o cenho – "Eu tinha pensando no quarto."

Sorrindo, sentiu ser inundada por felicidade. Sentia-se honrada de ter o seu amado tendo o trabalho de eternizá-la em uma tela – mais uma vez – e querer por a mesma no quarto.

Mais alguns minutos se passaram e finalmente Sai largou o pincel e observou atentamente a tela e sua musa, para ver se faltava algo. Sorriu para a tela e levantou-se de onde estivera sentado para aproximar-se de Sakura e roubar-lhe um beijo.

"Já posso me vestir então?" – Pede com um tom de falsa inocência na voz

"Não, tenho outros planos." – Retruca enquanto acaricia o rosto da amada

Beijaram-se ardentemente sem ao menos adicionar toques mais íntimos durante o beijo. Era raro terem um momento de ternura pura daquele jeito, geralmente a luxúria dominava os momentos íntimos deles.

"Eu te amo meu branquelo."

"Também te amo minha Feiosa."

Sai estava aproximando seu rosto novamente para beijar a amada quando sente a mesma ficar tensa e se afastar.

"Quem é aquele?" – Pede com medo na voz

Virando-se bruscamente Sai vê a poucos passos de onde estavam um jovem com ar misterioso. O rapaz pálido sabia que conhecia aquele que atrapalhava sua intimidade e estava decidido a esclarecer as coisas de uma vez.

"Quem é você?" – Pediu com a voz saindo mais grave que o normal enquanto puxava um cobertor e cobria Sakura

Não houve respostas e o ser misterioso apenas inclinou a cabeça para frente, sendo possível visualizar um pouco mais de seu rosto.

A pele branca tinha um tom pálido e quase transparente. O rosto parcialmente coberto pela gola grande da blusa que usava e óculos escuros arredondados impedia de ver seus olhos.

Sakura sentia um certo pavor crescer dentro de si. Com o cobertor cobrindo seu corpo, foi dando passos para trás enquanto segurava a mão de Sai o obrigando a recuar um pouco também.

O ser misterioso então deu alguns passos para frente, no entanto, não se pode ouvir o som de seus passos ou o movimento claro de suas pernas, era mais como se ele houvesse flutuado. Levantando os braços, vários insetos começaram a sair de dentro de sua roupa, passar por suas mãos e voar na direção do casal.

Com um gritinho, Sakura começou a correr acompanhada de Sai enquanto os insetos os seguiam. Era uma cena incrivelmente bizarra.

Correram para fora da casa e quando estavam há alguns metros da mesma, pararam e se viraram para ver se os insetos ainda os seguiam.

Foi com alívio que notaram que não havia nenhum animal de asas atrás deles. Porém, na porta da casa estava o mesmo ser misterioso que com uma reverência, sumiu diante de seus olhos.

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"O que era aquilo?" – Pediu Sakura andando de um lado para o outro na frente da cama

"Não tenho certeza." – Respondeu baixo – "Mas acho que compramos um fantasma realmente."

A garota sentiu um arrepio passar por sua espinha e se encolheu rapidamente, mas sem nunca parar de andar. Ainda sentia um pouco de medo daquele fantasma voltar a aparecer na sua frente.

"Pode parar de andar?" – Uma certa irritação era visível na voz de Sai

"Claro." – Respondeu parando imediatamente e sentando-se ao lado dele na cama

"Desculpa." – Falou o rapaz massageando as têmporas – "Mas temos que nos livrar desse fantasma e isso está me irritando profundamente."

Ficaram alguns minutos em silêncio apenas tentando achar uma solução. Não poderiam passar o resto de suas vidas fugindo de insetos, comprando inseticidas e vendo na sua frente um fantasma totalmente bizarro.

Sai não era de ficar abalado com coisas assim, na verdade sempre havia curtido coisas sombrias e estranhas, mas daquela vez havia passado do limite. E para piorar, havia envolvido Sakura naquilo também.

Olhando de canto de olho para amada, a viu suspirar algumas vezes, certamente tentando achar uma solução para aquilo e fracassando. Observou ela mexer suas mãos e analisar o dedo furado pelo broche. Estava ficando cada vez pior e agora ele tinha certeza que era culpa do fantasma.

"O bilhete." – Balbuciou a garota de cabelos róseos enquanto dava mais uma olhada para seu dedo ferido – "Que veio com o broche."

"Aonde eu o deixei?" – Perguntou Sai ficando eufórico

"Cozinha." – Respondeu levantando seu olhar para os orbes ônix

Sakura observou Sai levantar rápido e ir na direção da porta. Foi ai que percebeu que ele estava indo até a cozinha buscar o tal bilhete e sentiu seu coração bater tão forte a ponto de quase saltar de seu peito.

"Espera." – Quase gritou com a voz esganiçada vendo Sai parar de imediato – "Vou com você, não quero ficar sozinha."

Sai nunca admitiria, mas sentiu-se mal por Sakura e seus orbes brilhando em lágrimas. Segurou na mão dela tendo cuidado de não encostar no dedo ferido e foram juntos até a cozinha, onde acharam facilmente o bilhete em cima do balcão.

Ambos leram o bilhete que tremia nas mãos de Sakura. A garota mordia o lábio em duvida se seria o certo fazer o que o bilhete aconselhava, enquanto Sai apenas pensava quem poderia querer o broche.

Foi então que o telefone começou a tocar interrompendo o silêncio. Como o casal continuava imóvel sem dar sinais de atender, logo a secretária eletrônica atendeu e surgiu uma outra voz no local.

"Testuda, sei que está ai, atenda isso." – A voz feminina soava impaciente e irritadiça – "Okay, não vai atender mesmo né?! Só quero lhe lembrar que amanhã é minha festa de aniversário. Preciso de uma garçonete a mais, então venha para assustar os convidados com sua testa enorme. Beijinhos." – Após a fala, ouve-se um suspiro – "Pronto Gaara, já convidei eles, satisfeito?"

Então tudo voltou a ficar silencioso, mas na cabeça dos amantes a voz feminina ao telefone parecia um eco sem fim.

"Vamos a festa." – Disse Sai contemplando a imensidão verde nos orbes da amada – "Seu vestido vermelho combina perfeitamente com o broche."

Uma faísca de entendimento iluminou os olhos de Sakura por um instante e então ela assentiu com a cabeça.

Logo estariam sozinhos novamente, mas não naquela noite.