HARRY POTTER E RACHEL BLANE

Ao descer, Rony bateu a dianteira do carro no muro de uma casa e Hermione ralhou com ele em silêncio, sabendo que qualquer barulho podia chamar a atenção. Antes de sair, os garotos se cobriram com a capa de invisibilidade para evitar que alguém os visse, principalmente se um Comensal da Morte fosse enviado a vigiar Godric's Hollow por se Harry Potter fosse aparecer por ali para visitar sua velha casa. Tudo estava obscuro e silencioso.

– Me lembre que nunca mais devo sair de carro com Rony – murmurou Hermione e o ruivo a olhou de cara amarrada.

Invisíveis, caminharam uns metros até que viram uma casa no final da rua, quase totalmente destruída e de um andar. Harry se deteve, fazendo que os seus amigos colidissem com ele. Desfez-se da capa e se aproximou à porta. No momento em que pisou o degrau que dava a casa, um fino raio de luz saiu da sua varinha, parou sobre a madeira da porta e formou a seguinte inscrição: "Aqui é o local onde um menino sobreviveu à pior maldição, onde dois pais inocentes se sacrificaram pelo seu único filho". Harry sentiu um peso no coração e, com a mão tremendo, girou a maçaneta e abriu a porta. O interior estava cheio de pó e alguns papéis estavam jogados pelo chão. Ninguém deve ter entrado ali há anos... Parte do telhado não existia mais e as paredes pareciam a ponto de cair. Rony e Hermione deram a capa a Harry e os três começaram a olhar o lugar com cuidado.

– Harry, vem ver isso – disse Hermione, que tinha puxado um tapete e encontrado uma argola pregada no chão. Ela se agachou pra vê-la de perto. – Parece que é o alçapão de um sótão – indicou. Harry foi até ela e pegou a argola de metal, puxando-a, mas estava muito pesada, conseguindo levantá-la só quando Rony o ajudou. Os três olharam para o buraco recém aberto, mas estava muito obscuro. Harry olhou os seus amigos e desceu pela escada que estava pendurada da borda do alçapão.

Lumus – murmurou Harry. Da ponta da sua varinha saiu uma luz e viu que se encontrava em um amplo sótão. – Tudo em ordem, podem descer.

Rony desceu seguindo a Hermione e analisou o lugar com os olhos. Haviam vários estantes cheios de livros empoeirados e, no fundo, uma porta estava trancada com correntes e cadeados. Hermione fez aparecer quatro tochas que se posicionaram nas esquinas.

– Uma pergunta – começou Rony, olhando Harry. – Por que diabos viemos aqui?

– Não sei, acho...

Alguma coisa se mexeu atrás dos garotos, e eles se olharam assustados antes de se virarem. Ali estava, furioso por ter sido acordado tão repentinamente, um animal com o corpo, as patas e o rabo de leão, mas a cabeça e as asas eram de águia: um grifo. Harry olhou ao seu redor tentando encontrar de onde tinha surgido aquela coisa.

– Que bicho é esse? – exclamou Rony, com a voz carregada de pânico.

Harry viu o animal fazer um movimento brusco.

– Cuidado, Hermione! – berrou.

A garota pulou para um lado meio segundo antes que o grifo pulara até o lugar onde ela estava. Hermione tirou a varinha, mas, com um rugido, o animal bateu com o rabo a mão da jovem e a varinha voou longe. Rony tirou a sua e apontou com ela ao grifo e Harry fez o mesmo.

Incarcer... – começou a conjurar Rony, mas se interrompeu quando uma flecha voou frente a ele, passando de raspão pelas costas do grifo e caindo perto dos pés de Hermione. Todos levantaram os olhos até a escada. Por um instante, Harry pensou que vira ali, debaixo do buraco do alçapão, à sua mãe Lílian, mas logo percebeu que não era. A jovem desconhecida levantou um arco, levando a mão direita para trás, como se segurasse uma flecha invisível. Ao soltar os dedos, uma flecha de fogo surgiu do nada e foi diretamente até uma das patas do animal, que rugiu ao mesmo tempo em que a garota ruiva gritou de dor.

– Ah, não! – exclamou Hermione, levando uma mão à testa. Rony e Harry a olharam como se pedissem uma explicação. – O grifo está baixo o encantamento reflexo: tudo o que acontecer ao animal, também vai senti-lo seu atacante!

– Temos que ajudá-la – completou Harry, segurando forte a sua varinha.

– Não! – berrou Hermione. – Se você matar ao grifo vai matar a si mesmo.

Harry levantou o olhar à garota ruiva, que estava muito ocupada tentando matar ao grifo e não se deu conta do encantamento armadilha. Tinha cortes, ofegava e sangrava muito e o grifo não estava diferente. A jovem tinha-se colocado na frente do trio; o grifo estava debilitado e estava acontecendo o mesmo com ela. Ao garoto de olhos verdes lhe ocorreu uma idéia arriscada, mas que podia funcionar. Com um pulo, ficou na frente da garota, baixou-lhe o arco porque ia disparar e levantou sua varinha.

Evanesco!

Da sua varinha saiu um raio de luz e o grifo começou a desaparecer. A jovem desconhecida levantou sua varinha apontando a Harry, e Rony e Hermione ficaram sem reação.

Aparecium... –murmurou ela e caiu ao chão com um baque. Harry então percebeu que estava começando a desaparecer e a garota só fez reaparecê-lo. Hermione se aproximou e, com muito esforço, ajudou-a a se levantar. – Obrigada – ofegou a ruiva. – Nunca vi gente como vocês... – admitiu logo em seguida. Harry a olhou, mas ela desviou os olhos castanhos, se queixando em voz baixa. – Gente que ajuda a outra sem conhecê-la.

– Então... – começou Rony, ajudando a Hermione levá-la fora da casa –, de que mundo você vem?

Todos riram. A desconhecida se sentou sobre a calçada, ofegante e muito cansada. Caía sangue pela sua mão e pingava no chão.

– Obrigada de novo, mas eu fico aqui. Não se preocupem, podem ir.

– Você precisa ir ao St. Mungus – falou Hermione num tom que mostrava preocupação.

– Tranquila, eu estou bem, é sério – disse a ruiva tentando ficar de pé, mas seu estômago reclamou de fome e ela fez uma expressão de dor. Harry sorriu e a conduziu até o carro voador invisível.

– H – P –

Os quatro garotos chegaram à Toca quando já estava amanhecendo. O sol ainda não tinha saído, mas pintava o horizonte de uma cor avermelhada. Os meninos tinham acabado de chegar ao pátio quando a senhora Weasley saiu da casa muito furiosa e espantando as galinhas, coisa que fez a Harry se lembrar de uma situação muito similar uns cinco anos atrás. Ela começou sua bronca e não se deteve até que viu a jovem ferida. Entre Harry e Hermione, a levaram até o quarto de Gina, dizendo que tinham saído para conversar e a viram jogada no chão, aparentemente atacada por alguém. A senhora Weasley se apiedou dela e a cuidou. Rony pensou que ela podia ser uma Comensal da Morte, mas Hermione discordou, dizendo que se fosse uma, não os teria ajudado e sim, matado eles ali mesmo.

Umas horas depois, Harry, Rony e Hermione foram levar um café a jovem desconhecida.

– Você ainda não disse seu nome... – disse Rony ainda um pouco desconfiado.

– 'Brigada – agradeceu a jovem quando Hermione lhe entregou a xícara de café. Tomou um gole e olhou a Rony. – O meu nome é Rachel Blane e não direi mais nada até que vocês digam quem são – completou antes que Rony fizera outra pergunta.

– Bom – começou Harry –, ele é Rony Weasley, ela é Hermione Granger e eu sou Harry Potter... Você está bem? – perguntou ao ver que a jovem se engasgou com o café ao ouvir o nome do garoto. Ela deixou a xícara de lado e, com um pulo, ficou de pé e apontou ao garoto de olhos verdes com a sua varinha. – Harry Potter? – repetiu, agora olhando bem ao garoto e viu a sua cicatriz pela primeira vez.

Alguma coisa se mexeu num canto do dormitório e Rachel viu um rato. Murmurou uma maldição, mas o roedor escapou. Harry pensou em seguida que fosse Rabicho, mas Rachel o distraiu dos seus pensamentos.

– Já não lhes devo mais nada – disse ela, pegando a sua mochila e saindo do quarto. Harry a seguiu.

– Espera – chamou-a ele desde a porta. Ela se deteve. – Por que você mudou depois de ouvir o meu nome?

Ela o olhou por encima do ombro e sorriu.

– Será melhor que você não saiba.

E não voltou a olhar para trás. Depois de descer a escada, tropeçou com o último degrau, mas antes de cair espatifada no chão, alguém a segurou. Ela levantou os olhos e viu a um ruivo de físico forte e o rosto castigado pelo sol, cheio de sardas, e ela o achou muito atrativo. Ele a olhou preocupado, a segurava forte, e ela sentia em seu braço a sua mão áspera do trabalho. Rachel, como lhe pareceu isso incômodo, ficou tão vermelha como o seu cabelo.

– Você está bem? – indagou o ruivo ao ver que ela não se mexia.

– Hã? É... Sim, bem... – falou ela sem saber o que dizia, soltando-se e sentindo-se um pouco constrangida.

– Que bom! Me preocupei com você – disse ele sorrindo. – Você deve ser a garota que foi atacada. Meu nome é Carlinhos Weasley – apresentou-se.

– Eu sou Rachel Blane – lhe disse ela, apertando a mão enorme que lhe estendia o ruivo. Carlinhos viu aos garotos que estavam de pé no final da escada e piscou-lhes um olho.

– Já ia embora? – perguntou logo, olhando novamente a Rachel. Ela desejou que Harry, Rony e Hermione tivessem sido engolidos pelo grifo.

– Não – mentiu ela rapidamente. – Só ia pegar outra xícara de café.

Harry cotovelou a sua amiga e os três foram até o quarto de Rony, onde Gina estava pegando o livro Voando com os Cannons da mesinha de cabeceira de Rony. "Sai daqui!", ralhou o seu irmão e ela foi embora fazendo biquinho. Harry se sentou sobre a sua cama, pensativo.

– Que estranho – disse Hermione, se sentando do lado do seu amigo. – Parece que ela já te conhecia e pelo o que parece, você não é do agrado dela.

– Mione, pensa! – disse Rony abrindo os braços como se isso fosse o mais óbvio do mundo. – Lembra que o nosso amigo aqui é Harry Potter, claro que o conhece! É um bruxo de reconhecimento mundial!

Harry pensou que o que Rony dizia era verdade, mas não pode pensar no motivo pelo qual Rachel parecia odiá-lo. Lembrou do jeito como ela tinha olhado pra ele com olhos frios e penetrantes. Ela seria de essas famílias de bruxos puro-sangue que estavam contra ele? Não entendia, mas acharia a resposta. Os três garotos estavam descendo junto a Gina até a cozinha quando a senhora Weasley chamou-lhes a atenção.

– Harry, Rony, Hermione e Gina, vou até o Beco Diagonal – anunciou, aproximando-se a eles. – Me dêem a lista de seus livros para comprá-los.

A seguir, ninguém se mexeu de seus lugares e três pares de olhos se voltaram até Harry. O garoto pensou por uns segundos e logo, com lentidão, se aproximou à senhora Weasley e lhe entregou a carta do colégio.

– H – P –

Ao meio dia, a mesa da Toca estava repleta de ruivos, exceto por Harry e Hermione. O senhor Weasley parecia muito cansado, se queixando que o Ministério da Magia estava sendo controlado por Comensais da Morte, mas que ninguém parecia se importar, presos pelo medo. A senhora Weasley enchia a Rachel de perguntas de todo tipo, mas ela, sem tirar os olhos da comida visivelmente incômoda, respondia vagamente com um "sim" ou "hum". Carlinhos ouvia com atenção cada palavra dela, George suspirava e Percy arrugava o nariz. Harry viu que ela revirava os olhos quando alguém se dirigia a ela.

– Tem certeza que você não é da nossa família? Os Weasley são tão numerosos que posso até esquecer alguém... – voltou a perguntar a mãe de Rony. O senhor Weasley levou os olhos até a desconhecida. – Além do mais, seu cabelo é vermelhinho...

– Não – disse ela, mas sua voz não demonstrou seguridade.

Ficou de pé e se dirigiu ao dormitório de Gina. Harry, pouco depois, disse que tinha que ver uma coisa no seu quarto e foi trás ela. Queria perguntar por que ela tinha ido à casa dos seus pais aquela noite. Ao abrir a porta do quarto, viu que ela estava juntando suas coisas na mochila e, ao perceber que Harry tinha entrado, virou-se para ele num gesto brusco.

– Potter... – disse ela, voltando a remexer a mochila novamente, mas, na pressa, cortou a mão com alguma coisa. Tirou-a e apertou o pulso, se queixando em voz baixa.

– Você está bem? – indagou o garoto ao ver que ela estava sangrando.

– Por que as pessoas adoram fazer essa pergunta idiota? – disse ela com impaciência e vendando o corte com a sua varinha. – O que você quer? – perguntou num tom agressivo.

– Quero saber por que você foi à casa dos meus pais.

– Isso não te interessa. – E continuou juntando a suas coisas.

– Claro que é do meu interesse! – disparou Harry furioso pela ousadia da garota. – Era a casa dos meus pais!

– Era, no passado, eles morreram – respondeu ela sem um pingo de sensibilidade. Colocou a mochila sobre as costas e virou-se até ele.

– Exijo respostas – ordenou Harry. Agora segurava sua varinha no bolso dianteiro da calça jeans.

– Escuta garoto: a mim ninguém me exige nada – falou ela, com os olhos furiosos e segurando a varinha com força ao lado do corpo. – Você não sabe com quem está falando, então cai fora daqui.

– Então me diz com quem estou falando – resmungou Harry impaciente. Já estava começando a pensar que Rony tinha razão ao desconfiar dela. Agora, Rachel parecia ameaçadora.

– Está falando com uma pessoa maior que você e melhor que você – respondeu ela encarando-o e levantando a varinha para apontá-lo num gesto intimidador. – Cai fora se não quiser que te faça uma azaração.

– Por que você me odeia? – perguntou Harry tentando parecer calmo, mas estava muito irritado.

– Não te odeio, só não gosto de pirralhos chatos – disse Rachel sem paciência. – E se você não vai por bem, vai por mal. – E o empurrou para fora do quarto. – E cai fora!

Rachel fechou a porta do dormitório na cara de Harry, quem não gostou nadinha que Rachel o tenha chamado de "pirralho", e ainda por cima "chato". Chegou à cozinha e viu como Percy e Carlinhos brigavam em voz alta. Gina estava sentada com o queixo apoiado na mão, e Harry lhe perguntou o que estava acontecendo ali.

– Percy não aprova que Blane fique aqui e começou a implicar – explicou a ruiva. Hermione estava sentada ao lado e Gina, observando a briga muito perplexa, com a boca aberta.

– Você é um tonto! Como pode deixar a uma completa estranha entrar em casa? – gritou Percy com o pescoço vermelho. Gina suspirou.

– E Carlinhos a defende - continuou ela, vendo como seus irmãos se olhavam feio.

– Estava ferida e a trouxeram... Grande coisa que você fique ai preocupado! – berrou Carlinhos em resposta.

– E até se bateram, olha só o olho inchado de Percy – indicou Rony, que se sentou ao lado de Hermione e também acompanhava a briga de perto. Harry viu que aquilo era verdade, o olho esquerdo de Percy estava começando a ficar roxo. Nesse momento, ouviram uns passos na escada e viram a Rachel descendo por elas, mas a jovem ficou paralisada quando percebeu que todos ali a estavam olhando com diferentes expressões. Carlinhos abriu a boca para dizer com voz afligida:

– Já vai, Rachel?

– Sim, tenho que ir. Não quero dar mais trabalho.

E com um gesto decidido, despediu-se de todos com um aperto de mão, acrescentando ao saudar a Carlinhos um beijo na bochecha, fazendo que ele ficara vermelho. Harry foi o último a se despedir dela e Rachel apertou sua mão forte demais, na opinião do garoto. A senhora Weasley estava quase chorando (pelo o que Gina disse, sua mãe queria que Rachel ficasse porque ela era simpática e uma ótima pretendente para Carlinhos). Percy não se despediu dela e foi a seu quarto triunfante e Jorge ficou na cozinha suspirando.

– Eu não confio muito nela – disse Rony depois que ela foi embora. – Um, ninguém sabe o que foi fazer na casa dos teus pais, Harry; dois, quando soube o teu nome mudou o humor; e três, ao conhecer Carlinhos, ficou um pouquinho mais. É estranho...

– H – P –

Na manhã do dia primeiro de setembro, a Toca estava num pequeno corre-corre para colocar os malões de Harry, Hermione, Rony e Gina, além das gaiolas de Edwiges e Pichitinho, ao Bichento, e os garotos dentro do novo carro do senhor Weasley, que estava com o botão de invisibilidade ativado. Harry fora transformado novamente no ruivo trouxa, ao qual tinham posto o nome de Johnny.

O Expresso de Hogwarts estava com a metade de passageiros do que de costume e rapidamente encontraram uma cabine vazia. Harry, já transformado en si mesmo e em segurança dentro dos domínios do castelo, pressentiu que Hogwarts não era tão segura como antes.

Quando chegaram ao Salão Principal, este estava decorado como de costume para a festa de abertura do ano letivo, mas o ambiente não era aquela alegria esperada. As quatro mesas estavam com a metade de alunos cada uma. Na mesa de professores, a professora McGonagall, agora diretora, estava no lado direito da cadeira vazia que antigamente pertenceu a Alvo Dumbledore, e Harry percebeu que era como uma espécie de homenagem ao ancião professor. Quando a cerimônia de seleção acabou, a nova diretora ficou de pé, indicando que começaria o seu discurso.

– Bem vindos ao Colégio Hogwarts. Em poucos minutos o professor de Defesa Contra as Artes das Trevas chegará, então vamos começar a ceia e logo farei um pequeno discurso.

Harry achou aquilo estranho até que percebeu que estava faminto. Todos comeram com vontade. Em uma hora a ceia acabou, e a professora McGonagall se pôs de pé novamente, com o rosto sem expressão.

– Bom. Agora fiquem de pé e repitam depois de mim – disse ela colocando a mão esquerda sobre o lado direito do peito. – Juro, pelo o que me respeita ser um bruxo ou feiticeira, que o que se escute ou veja não será dito a ninguém fora do Colégio Hogwarts e seus terrenos.

Ao acabar de pronunciar aquelas palavras logo depois da professora, Harry sentiu um ar frio e estranho passando por seus cabelos e cara. Tinha acabado de fazer um juramento impossível de quebrar.

– E aqui está o novo professor de Defesa Contra as Artes das Trevas... – continuou McGonagall, olhando a um homem que entrava correndo pelo Salão Principal, beirava os trinta e oito anos de idade, tinha o cabelo castanho e curto e os seus olhos pretos não mostravam emoção. McGonagall levantou uma sobrancelha perplexa com a chegada triunfal do novo professor. – O senhor Félix Fox.

– Boa noite – disse ele ofegante, sentando-se e fazendo barulho com a cadeira ao lado do professor Flitwick, quem lhe atirou um olhar incisivo. Mas em seguida, como se tivesse lembrado que tinha que fazer suas apresentações, Félix Fox ergueu-se com um pulo. – É uma honra estar neste colégio hoje e pelo o resto do ano, claro – disse com um amplo sorriso. – Espero que em minhas aulas não se sintam pressionados, pois neste ano são para alguns os N.O.M.s e para outros os N.I.E.M.s – Harry pensou que ele queria assustá-los –, mas não se preocupem, porque saberão de defesa mais que qualquer outra pessoa ou pelo menos vou tentar. – E se sentou.

A diretora McGonagall apontou então para uma anciã que tinha cara de avó boazinha.

– E a nova professora de transformações, a senhora Marie Lockwood – apresentou a diretora. A senhora Lockwood, sorrindo, levantou a mão para saudar. – Bom, agora ditarei as novas medidas e segurança...

Essa noite, Harry dormiu muito bem, estava muito cansado e nem teve pesadelos. Na manhã seguinte, se vestiu, pegou sua mochila e foi, junto a Rony e Hermione, ao Salão Principal a tomar o café de manhã. O seu amigo ruivo estava pálido, e a castanha estava preocupada com ele, perguntando o que estava acontecendo.

– Sonhei com Blane... Que tinha se casado com Carlinhos! – respondeu ele com a voz tremula. – Me mandava fazer um monte de coisas! Até me fez cozinhar sem magia!

Hermione soltou um risinho y Rony atirou-lhe um olhar fulminante. Harry levantou uma mão para silenciá-los e eles, obedecendo ao sinal, o olharam confusos. O garoto de olhos verdes parecia muito pensativo, ainda não havia tocado na sua comida.

– Quero lhes dizer – começou Harry, abaixando o tom da voz. Hermione, por debaixo a mesa, fez um feitiço para que ninguém os ouvisse. – Preciso a ajuda de vocês para sair do castelo por algumas horas. Quero voltar à casa dos meus pais, preciso saber o que há do outro lado da porta que estava trancada no sótão e quero saber o que Rachel estava fazendo lá.

Nesse momento, a professora Lockwood passou pela mesa da Grifinória e entregou-lhes os horários das aulas. A conversa sobre a saída de Hogwarts pareceu ser esquecida pelo momento.

– Não é tão mal – comentou Rony olhando o seu horário com um olho só. – Temos transformações, uma livre, dois de poções, outra livre... – e começou a comer.

– Eu não entendi por que tivemos que fazer esse juramento – atirou Hermione de repente, e Harry e Rony a olharam.

– Tal vez seja pelas cosas estranhas que podem acontecer, por que seguramente a professora McGonagall está debaixo da maldição Imperius, vai mandar Comensais da Morte para nos matar e os que sobrevivam não vão poder contar nada – explicou Rony num tom macabro, com os olhos brilhando.

– Temos uma matéria nova – anunciou Harry antes que sua amiga respondesse à idéia maluca de Rony.

– Qual? – perguntou Hermione inclinando-se sobre a mesa pra poder ver o horário de Harry.

Psicomagia, e Félix Fox vai ensiná-la – disse Harry, terminando de tomar o seu copo de leite. – Vamos ou chegaremos tarde.

As aulas não foram tão divertidas como esperavam. A professora Lockwood mandou um monte de deveres e as suas classes pareciam as do professor Binns. Na hora livre, os três garotos se reuniram no pátio e Harry aproveitou para planejar a saída do colégio.

– Vou sair na noite do Halloween – concluiu. – Todos estarão ocupados e não me vão ver sair.

– Correção – interveio Rony. – Nós sairemos.

– Mas preciso que alguém me dê cobertura.

– Neville ou Gina? – sugeriu Hermione, sacudindo a mão como se isso não importasse. – Ou Luna? Nenhum terá inconvenientes em vir.

– Ok – disse Harry um pouco aborrecido. – Vou pedir ajuda a alguém... Depois.

A primeira semana passou muito lenta, e Harry não podia conter a vontade de que o dia de Halloween chegasse.

– R – B –

Esse era, sem dúvida, o pior lugar que Rachel havia entrado na sua vida, mas ela não se surpreendeu porque ela já esperava isso: cheio dos piores ladrões e criaturas mágicas horripilantes; ela se aproximou a uma mesa solitária no fundo do local. O bar era sujo, precariamente iluminado com umas velas que pareciam estar acesas há anos, o ar estava cheio de odores masculinos, cigarro e bebida. Os que estavam ali, a maioria encapuzada, a olhavam com interesse e com desejo, alguns com desconfiança.

– Deseja alguma coisa, senhorita...? – perguntou o garçom, um duende de chapéu pontudo e sujo de alguma coisa que Rachel não quis saber.

– Nada – disse a jovem. – Só uma pergunta: se alguém quer... Acompanhar-me – terminou secamente, observando a cada um dos que estavam ali, como se esperasse uma resposta por parte de algum deles.

– Olha a garotinha... Quer um guarda-costas – caçoou um homem, de dentes tortos e aparência grotesca, sentado numa mesa próxima. Rachel pensou que ele tal vez fosse um humano meio ogro.

– Não, um escudeiro – disse ela firmemente, estreitando os olhos em uma expressão de desafio.

– Então... Você veio ao lugar exato – cochichou um vampiro no seu ouvido, passando a língua pelos caninos observando o tentador pescoço da ruiva.

– Mas não quero um escudeiro que depois vá me matar. – Rachel empurrou o vampiro com as duas mãos ao se colocar de pé. – Nem ninguém que seja um traidor por dinheiro ou coisa assim. Sei disso.

Uma sombra se mexeu perto dali, alguém que estava escutando toda a conversa com atenção, com um cachimbo preto na boca e envolto em nuvens de fumaça esverdeada: era Mundungo Fletcher.

– Escuta garota, você não devia estar aqui – grunhiu ele. – Este não é lugar para as princesas que querem ser super-heroínas.

– Um pouco de respeito com a menina, Dunga – riu o meio ogro, com um copo de uísque de fogo na mão. – Não vê que ela pensa que somos o máximo?

Rachel bufou como um touro enfurecido e, com um gesto brusco que chamou a atenção de todos os que estavam ali, levantou a manga do suéter. Os presentes a contemplaram com a boca aberta, alguns retrocederam e outros ficaram paralisados por vários segundos.

– Quem se dispõe a me acompanhar? – disse Rachel, mas essa pergunta só os fez retroceder mais. – Bem... – murmurou descendo a manga. – Vou ter que procurar em outro lugar.

Pegou a sua mochila, colocou-a sobre as costas e se dispôs a sair, mas se deteve ao ver na esquina mais obscura do bar, a dois bruxos bêbados baterem sem parar a um jovem de uns vinte anos. Olhou o jovem e se aproximou com passo rápido, pegando a sua varinha do bolso.

– Ei! – gritou ela, apontando-os com a varinha. – Deixem-no em paz!

Um deles observou a garota dos pés à cabeça, detendo o olhar nos peitos escondidos debaixo do suéter e da blusa preta. Ela o olhou com nojo e os atacou com um feitiço que lembrava muito o sectumsempra de Severo Snape. O jovem que tinha apanhado abriu um sorriso tremulo para Rachel e, se pondo de pé, fez uma profunda reverencia, agradecendo-lhe.

– Obri... Brigado – disse ele, se endireitando e ficando vermelho. – Muito obrigado... – repetiu, inclinando-se em outra reverência. – Como posso agradecer? Faço qualquer coisa!

Rachel não precisou muito tempo para responder:

– Vem comigo.

– Claro! Mas primeiro tenho que tomar um banho...

– H – P –

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