CAPÍTULO II

Quatro anos se passaram. Nephele, que mesmo sabendo de sua história, chamava Enid de mãe.

_ Nephele! Venha! O jantar está esfriando, meu anjo!

_ Já estou indo mamãe! Quero achar o que acabei de perder! – gritava a menina, apalpando o sofá.

_ Ô, minha querida, depois do jantar eu te ajudo a procurar.

_ Mas, mãe!, é uma surpresa!

_ Então não me deixe descobrir! - sorria Enid, enquanto colocava os garfos na mesa. – Mas eu posso esperar até depois do jantar, então, venha comer, minha linda!

O telefone toca. Toca de novo. E de novo.

_ Nephele, atenda para mim, por favor! – gritava Enid da cozinha, com as panelas na mão.

A garotinha vai até o telefone vagarosamente, para não tropeçar em nada.

_ Alô?

Não responderam.

_ Alô!! – insistia a menina.

_ O jogo... acabou. – desligaram.

A voz do outro lado do telefone parecia enfurecida. Nephele tem uma visão. Fica estática por alguns minutos e o telefone escorrega de suas pequenas mãozinhas.

Preocupada com o silêncio constante na sala, Enid sai da cozinha e encontra Nephele encolhida perto da escada, "olhando" para o nada sem piscar.

_ Nephele! – Enid sai correndo em direção à menina e a abraça, acariciando seus cabelos. – O que houve, meu anjo??

_ Eles... eles estão... vindo... Estão vindo!! – Nephele parecia hipnotizada. - Fuja, mamãe! Fuja! Fuja!!

A porta é arromabada. Um exército de homens encapuzados entra na casa atirando.

_ MAMÃE!! Fuja!!!

_ Neph...! – a voz de Enid é silenciada com um tiro.

Nephele fica em silêncio, esperando ouvir de novo a voz da mãe que a acolheu. Mais um tiro. Mais um. E mais um. E a voz de Enid se cala para sempre.

_ MAMÃE!!! – a menina sai andando tentando encontrar o corpo da mãe adotiva. Até que encontra.

_ Mamãe!! Fale comigo, mamãe! – gritava Nephele, aos prantos.

"Vou cuidar de você..."

Eu te amo, meu anjo..."

A menina se lembrava de cada momento que passaram juntas. E seu coraçãozinho frágil aperta em seu peito.

_ Não... MAMÃE!! _ Nephele abraça Enid muito fortemente. – A senhora vai ficar bem! Não morra!

_ Ela já morreu, garota.

A garotinha vira-se para o homem que proliferara tais palavras e, por um instante, parecia enxergar seu rosto. Correu, sem medo de cair, em direção a ele e o perfurou na perna com o ohashi com que sua mãe prendia o cabelo.

_ MALDITA! Peguem essa pirralha! E a torturem!

Sete homens foram em direção à menina e a prenderam com várias correntes.

_ Quem são vocês, seus vermes imundos? – berrava Nephele, tentando escapar.

_ Eu? Quer mesmo saber? Sou aquele de quem te roubaram. Confesso que não queria ser pai de uma menina, ainda mais sendo ela cega. Mas hoje eu vim buscar o que é meu.

_ EU NÃO SOU DE NINGUÉM, SEU HOMEM RUIM!

Nesse instante, a menina leva um choque elétrico por todo o corpo e desmaia.