Não, eu não possuo Naruto, eu possuo todo o resto do universo, dominando espaço e tempo, mas Naruto não me pertence, ainda...
É mais uma das fic da Li, isso é: Yaoi. Se não gosta, não leia, possivelmente haverá relações entre pessoas do mesmo sexo, possivelmente um pervertido Itachi corrompendo um puro e inocente Naru-chan. Por isso, se não curte, não continue.
Também notei que esqueci de mencionar que é UA (Universo Alternativo), por isso, desculpem-me pelo lapso.
Naru-chan
Em seu primeiro sopro de ar, ele soube quem ele era, e o que ele viria a ser. O amor de seu chichiue era como uma manta quente, como uma cauda aconchegante a acarinhar seu pequeno corpo. Nascera com a forma de um kitsune, para orgulho e pesar de seu chichiue, pois nascera com o sangue dos caçados, dos proscritos, sobre o signo do pesar.
Não tinha nem aberto seus olhos, e já sabia que seu chichiue sofria, não pela dor de seu parto, não por ele ser meio-humano, mas por seu to-chan, que jamais veria. Os kitsunes, como as raposas, eram muito ligados aos seus companheiros e seu to-chan estava morto. O cheiro de seu sangue não chegava a eles, mas no coração de chichiue, aquela luz que brilhara imensamente desde que conhecera seu to-chan, se apagara para sempre.
E foi por isso que, pela primeira vez em sua longa existência, seu chichiue chorou. Chorou por ele, seu lindo filhote indefeso, que jamais teria um porto-seguro, que jamais conheceria a luminosa presença do homem que unido a ele criara a maravilha que aquele filhote era. Chorou por estar condenando seu filhote à vida nômade, daqueles que não tem parada, que não podem ter parada, e o abençoou antes de entregá-lo ao humano que lhe apresentara seu companheiro, que contava com sua confiança. O sangue do humano não era ruim, não era nefasto, ele não tinha sido tocado pelo mal, sua mente não tinha sido corrompida pela ganância e apesar das diferenças obvias de fisiologia e poder, ele via a todos os seres vivos como iguais e essenciais para o equilíbrio do mundo.
E foi nos braços desse homem, ou melhor, dentro de seu kimono, embalado pelo som de seu coração batendo, que ele dormiu pela primeira vez desde que nascera, ainda com o gosto do leite quente e nutritivo de seu chichiue em sua boca, ainda com o eco de suas últimas palavras para ele em seu coração, e a certeza de que nunca mais o veria, de que seria, muito em breve, um completo órfão.
Nascera com a forma e inteligência de um kitsune, mas era um hanma, um meio demônio e não havia lugar para ele que não fosse entre as caudas quentes de seu chichiue, e o humano que se tornara seu guardião sabia disso, como ele sabia. O mundo era grande, extenso, mas não o suficiente para impedir que aquele que os perseguia um dia os alcançasse. E haviam inimigos, humanos e youkais, que sentia sua existência ou desejavam a morte do humano que o protegia, mas por durante doze anos, eles conseguiram fugir. Doze anos carregando o poder puro de seu chichiue dentro de si, sem despertá-lo por medo de revelar sua localização ao inimigo. Doze anos com uma única cauda para ostentar quando estava em sua forma natural, e nenhuma quando usava a forma humana, que começara a experimentar aos sete anos.
Era hanma, nascido não de um kitsune comum, não de um demônio ordinário ou youkai, mas de um verdadeiro demônio. Seu chichiue era Kyuubi no Youko, o Bijuu de Nove Caudas, a Grande Raposa, mais poderosa de todas as bijuus, o ser mais poderoso de todo o mundo. E seu to-chan era um humano com sangue de Tenshi (anjo), um sangue desgastado e diluído, mas mesmo assim o poder espiritual estava ali, e corria nas veias da cria meio-humana que o amor que sentira por um bijuu criara. Teria sido grande sozinho, depois de anos para aprimorar o sangue que carregava e os poderes que vinham com ele, mas o sacrifício de seu chichiue, sentido alguns dias depois que tinham se separado, lhe legara todos os poderes de Kyuubi no Youko, toda sua sabedoria também, por isso, mesmo sem seu guardião falar, conhecia sua história, e a ligação dele com o inimigo. Também sabia que seu chichiue não mais existia, que tinha partido, usando o pouco de energia que lhe restava para lançar uma maldição que ecoaria para sempre, até ser desfeita, não apenas por sua dor, mas por ele, o filhote, a cria daquele amor.
Se tornara Kyuubi no Kitsune, mesmo sendo tão jovem, mesmo tendo apenas uma pequena cauda, que ainda não sabia usar muito bem. Os kitsunes, como todos os demônios e youkais, ganhava uma cauda a cada cem anos, nove eram o máximo que podiam acumular, e os kitsunes ficavam quase sempre dourados ou prateados, ganhando o poder da onisciência. Ele já nascera dourado, com a pelagem idêntica aos cabelos de seu to-chan, e seus olhos azuis. Nascera para um dia se tornar um Kyuubi no Kitsune, mas muito antes de poder fazer isso, já possuía os poderes de seu chichiue, poderes que lhe legariam alguma liberdade, dados para que jamais caíssem nas mãos imundas do inimigo, que poderia corrompê-los para sempre, de modo que nem mesmo Kami-sama pudesse os redimir.
Nos doze anos de fuga, onde jamais ficavam muito tempo em lugar nenhum, conhecera pessoas, fizera amigos, ganhara memórias suas, que o embalariam por todos os anos em que tinha ficado selado, sozinho no escuro. Claro que o eco dos sentimentos de seu protetor e do inimigo o perseguiam, a coragem contra a cobiça, a lealdade contra a ganância, o acompanhariam e quase o enlouqueceriam nos primeiros anos de solidão. E durante todos aqueles anos, a incerteza sobre a vida daquele que o protegera tão bravamente, mas falhara, o acompanhara em sua solidão.
Mas aqueles anos todos em que estivera sozinho, depois de vencer o medo que o paralisava, depois de entender completamente a maldição se seu chichiue e o que ele vira em seus últimos momentos, se dedicara a ele mesmo. Dormira muito, mas fortalecera seu corpo e mente na solidão, no escuro, moldara seu poder crescente, primeiro isolando o de seu chichiue. Sozinho, não procurava um lugar para sair, uma forma de romper o selo, sabia que de dentro jamais conseguiria fazê-lo. Mas sabia que um dia seria libertado, porque o peso da maldição assim requeria, um Uchiha tudo lhe tirara, um Uchiha tudo lhe devolveria, pagando pelos erros de Uchiha Madara, o assassino de seus pais.
E enquanto ele treinava e refinava seu próprio poder, ele conheceu e aceitou o poder que seu chichiue lhe dera. Era o ser mais poderoso do mundo, e no entanto, estava preso sem previsão de liberdade. Mas ela viria, e sua fé nisso, sua esperança no dia em que veria novamente o sol, em que sentiria novamente o vento, o mantinham são enquanto treinava, enquanto dormia, enquanto esperava.
E o selo se desfizera rapidamente, tão rápido quanto tinha sido feito. Sem entender bem, ele fora destruído, e o mundo que o cercava não era mais como era em suas lembranças. Um mundo assustador, era o que encontrava, um mundo onde não podia sentir ou perceber a existência de outros seres como ele, apenas humanos. Eles tinham vencido? Tinham tomado o mundo e destruído todos aqueles que ele conhecera e amara? Izuna não vivia mais, ele sabia, isso ele sabia, assim como sabia o nome daqueles Uchiha todos que tinham vindo depois de Izuna e que tinham dedicado suas vidas a encontrá-lo, que tinham realmente acreditado nele.
Por isso sabia que muitos e muitos anos tinham se passado, o suficiente para ele ter desenvolvido muitas caudas, se ainda pudesse ou precisasse desenvolvê-las. Escondeu seu poder e usou sua forma de kitsune, e então os herdeiros de Izuna e Madara o encontraram. Não havia neles verdadeira fé em sua existência, mostrando que aquela era uma época cética, mas não havia maldade neles, embora eles pudessem ser ruins quando devidamente provocados, como ele mesmo podia.
Mesmo assim tentou fugir deles e teria conseguido facilmente se fosse apenas o mais jovem deles, mas o mais velho o pegou rapidamente, e não queria usar ainda seus poderes, não contra aqueles que possuíam a face de Izuna e o brilho de sua inteligência e bondade. Amara Izuna, um dos únicos humanos que fora bom e gentil com ele, que o vira como um filho, ou como uma criança que precisava de sua proteção. Amara Izuna e os Uchiha que tinham morrido durante todos aqueles anos, que tinham o procurado e tentado lhe dar liberdade, e cujos rostos estavam gravados em seu coração, provando que aquele sangue poderia tanto ser cruel quanto bondoso.
E seu desejo de não ferir aqueles que tinham o rosto de Izuna se mostrou correto, eles tinham lhe tratado como bondade, mesmo sem perceberem que ele não era um filhote de raposa. Tinham lhe lavado com carinho, como Izuna lhe lavara quando era pequeno e tinham lhe alimentado com um alimento gostoso, com carne que a muito não provava e leite como o que Izuna conseguira para ele no passado.
Tinham falado entre si e com ele, tinham lhe acarinhado e lhe ensinado muito da era em que estava, mesmo sem perceberem, tinham partilhado com ele seus conhecimentos naturais, acumulados por gerações diante das mudanças que o tempo e sociedade humana tinham criado. Agora sabia que ele e aqueles como ele, eram lenda ou mito. Que ninguém mais acreditava realmente em deuses ou deusas, e que só os procuravam quando em necessidade.
E então fora levado para o quarto principal, um quarto em que estivera apenas uma vez, antes de ser selado, o quarto de Madara, onde ele tentara dominá-lo e usurpar seu poder e corpo, e como não conseguira, o aprisionara para sempre. Claro que o quarto tinha mudado, assim como toda a casa, se modernizado, era assim que diziam agora quando melhoravam alguma coisa antiga e ele era quase tão antigo quanto aquela casa. O Uchiha que o capturara não o tocara de nenhuma forma imprópria, não sabia mesmo que ele não era o que aparentava ser, e o deitara sobre um macio travesseiro, que parecia uma nuvem, muito diferente de seu ninho antigo.
O Uchiha adormecera ao seu lado, pensando na chuva que cairia, pensando em coisas mais concretas e importantes para ele, como seu irmãozinho. Aquilo que ligava aqueles dois irmãos Uchiha, os segundos que conhecera em sua vida longa e curta, eram ligados pela confiança e amor, completamente diferentes dos dois primeiros. O que ligara Madara e Izuna era a desconfiança e o ódio, mais da parte de Madara do que da de Izuna, mas mesmo assim, uma ligação completa e recíproca.
E então um vulto aparecera, e ele estava pronto para se proteger, pois sabia que aquele ser não era humano, e também não era youkai, era um eco e Madara era um eco. Relaxou ao ver Izuna, o seu lindo Izuna, mais velho do que se lembrava, o que assegurava que ele sobrevivera à luta com Madara e vivera uma longa e plena vida. E Izuna lhe recebeu como se o tempo não tivesse passado, ou melhor, como se ele tivesse sido ainda mais longo e todos os Uchiha, presos pela maldição de seu chichiue e obrigados a continuar, assistindo os erros e acertos de seus descentes até que a maldição de seu sangue tivesse fim, estavam ali para recebê-lo, para honrá-lo.
E então fora levado para fora, guiado e acalentado por aqueles que conhecia pelo nome, cujos rostos estavam em seu coração e que estendiam suas mãos espectrais para acariciá-lo, para sentir seu pelo macio e serem abençoados e abençoarem, dando e pegando forças para a nova jornada que se iniciava. A maldição teria fim, logo, ou pelo menos logo para eles, cujo tempo não era mais contado, que não regia mais suas vidas. Alguns partiriam, finalmente descansariam, depois de longa vigília, outros continuariam, esperando a conclusão. E então uma mulher que não conhecia, que jamais vira em seus sonhos com os Uchiha que viviam e que o procuravam, o pegou. Ela não queria sua benção, ela queria apenas agradecer pelo riso que gerara, pela união que sua presença criara entre os filhos dela. Essa mulher, que também tinha a aparência de Izuna, o carregara com carinho materno, e seu marido a acompanhara respeitoso, igualmente agradecido, embora sempre tivesse sido e sempre seria mais contido.
E então eles tinham se despedido, depois de lhe mostrarem o caminho onde era esperado, onde era querido, onde seria amado e amparado para aquela nova jornada, naquela nova realidade.
Sentiu o vento em seu rosto, a terra abaixo de suas patas, o fogo que ardia dentro dele e lhe esquentava o sangue, a água que começava a cair das nuvens, e o poder do relâmpago distante e se tornou um com eles, enquanto os cães usados para proteção paravam a poucos metros dele, reconhecendo-o não como presa, mas como senhor.
Sua única cauda não estava mais sozinha, mas outras oito a acompanhavam, enquanto seu tamanho de filhote ainda indefeso ia se modificando. Fora aprisionado com doze anos humanos, e aqueles todos em que ficara selado não tinham passado para ele como tinham passado lá fora, modificando apenas um pouco sua aparência, mas seus poderes estavam maduros e completos e ele sentiu o relâmpago soando por sua vontade, a água e o vento respondiam a ele, assim como a terra vivia abaixo de seus pés. Os humanos tinham destruído os youkais, ou os afastado para longe, para lugares cada vez mais distantes e os acovardado, tinham esquecido dos deuses, mas eles ainda estavam ali, assim como os elementos que o aceitavam agora.
Era Kyuubi no Kitsune, Senhor dos Bijuus, herdeiro do Grande Demônio Raposa. Era senhor de si mesmo, dotado da sabedora das espécies de seus pais, de seus dois pais. Todo o conhecimento dos demônios, onis ou youkais agora era dele, assim como todo o conhecimento humano era-lhe entregue também.
E enquanto ele corria para a luz que brilhava para ele, para guiar seu caminho, uma luz cercada de esperança, ele se voltou para a casa em que ficara selado por séculos, não com ódio ou pesar, mas com sabedoria, e apagou daquelas mentes humanas a sua existência, a sua presença. Haveriam de se encontrar novamente, não como humanos e raposa, mas como iguais. Não havia espaço para sua forma real naquele mundo novo e excitante e os Uchiha precisavam lhe devolver o que tinham tirado. A memória do pequeno kitsune poderia confundir, corromper ou atrapalhar isso, era desnecessária neles, mas ele guardaria aquelas memórias preciosas em seu coração, guardaria a generosidade e carinho com que o tinham tratado.
Era Kyuubi no Kitsune, completo e inteiro em si mesmo e no sangue de seus pais, jamais esquecia um ato de bondade feito a ele, assim como aprendera a jamais esquecer um ato de crueldade, não era mais o filhote inocente que acreditava em tudo e todos, que não conseguia impedir que lhe ferissem àqueles que amava. Mas não se corromperia, não se tornaria irracional e cego como aqueles que tinham lhe magoado no passado, tão permitiria que maculassem aquilo com que de mais importante nascera, o seu coração de Tenshi.
Naru-chan
E o filhotinho de raposa fugira realmente, durante a noite, deixando apenas o leve aroma de leite e mel que exalava. Os cães estavam silenciosos, dormindo embaixo de uma árvore próximos ao portão da casa, por isso sabia que o filhote tinha conseguido fugir para a floresta, para sua casa e se um dia quisesse, voltaria pelos mesmos caminhos que usara para partir.
Havia algo na noite, Itachi sabia, havia algo novo no ar, algo que o chamava, pensou quando um trovão iluminou o céu, quando as primeiras gotas começaram a cair. Estranhamente sonhara com a história que contara a Sasuke, com mais detalhes, como se a visse acontecer.
Acordara para sentir o travesseiro em que a raposinha dormira frio, ainda atormentado pelas emoções que sentira em seus sonhos. E inquieto, andara até a janela francesa que davam para a varanda daquele quarto, abrindo-as e saindo para a noite, sentindo o cheiro de ozônio e chuva no ar. Fechou seus olhos, tentando serenar e os abriu novamente depois de algumas respirações profundas.
Quando abriu os olhos, não lembrava mais do sonho que o fizera acordar inquieto e emocionado, assim como não lembrava mais do filhote de raposa que ele e Sasuke tinham encontrado no sótão. Olhou confuso para si mesmo, vendo seu pijama já úmido pelas gotas de chuva que eram trazidas pelo vento até ele e então olhou para a cama, estranhando o travesseiro estar naquela posição. Estava quase entrando novamente no quarto quando seus olhos ficaram vermelhos e olhou a noite, nenhuma memória do sonho ou da raposa, mas uma única certeza:
Algo o chamava, algo chegara para ele e o pegaria, estivesse pronto ou não!
Naru-chan
Umino Iruka decidira não esperar mais, mesmo temendo tempestades como aquelas, ele resolvera enfrentar seu medo em prol de seus alunos, e de sua curiosidade. Saíra de casa com seu pequeno carro super-econômico, motivo pelo qual o comprara para início de conversa, já que era um luxo quase desnecessário ali em Konoha. Munido de sua carteira, um guarda-chuva, um casaco quente e impermeável e a ficha dos três novos alunos. Queria ver, queria conhecer Uzumaki Naruto, pois começava a pensar que ele não existia, começava a pensar que a história contada por Shimura Sai e Sabaku no Gaara não batia.
Sim, sabia que existiam pessoas que não apenas ignoravam seus filhos, adotivos ou não, que os feriam e destruíam. Sabia que o sistema não era livre de falha, mas quais as chances de três dessas crianças terem se encontrado e se unido contra o mundo, sendo que duas delas, além de caírem em péssimas casas de adoção, tivessem também grandes fortunas deixadas por seus pais biológicos. E as impossibilidades de os três terem ficado órfãos antes de completarem um ano de vida?
E quanto à incapacidade de conseguir arquivos antigos de escolas, ou qualquer outra coisa mais velha do que cinco anos. Era como se eles tivessem surgido do nada, forjando seus documentos antigos, e sabia que isso era impossível, ou então alguém muito mais velho e influente do que seus dois alunos conhecidos estava por detrás disso. Quem sabe o programa de proteção a testemunha? Pensou preocupado, usando isso como combustível contra o medo que ameaçava paralisá-lo.
Guiou com cuidado até a bela casa construída há doze anos, quase incrustada na floresta, parecendo um chalé de contos de fada. Aquela casa fora construída por amor, um amor que jamais se realizara, ou pelo menos era o que diziam depois que ela fora concluída para não abrigar ninguém. Ninguém até seus três alunos.
Um relâmpago iluminou a casa, fazendo com que ela parecesse intimidadora, e então voltava a ser apenas uma bela casa, saída de um conto de fadas e que abrigava três jovens sofridos. Saiu de seu carro e seguiu para a entrada, puxando o colarinho de seu casaco para ocultar seu pescoço da chuva fria.
Bateu duas vezes na porta e então ela se abriu, revelando um Shimura Sai que jamais vira, dado o brilho em seus olhos, quase eufóricos, como o de uma criança quando chega o natal. Sai lhe sorriu amplamente, como se o esperasse e deu espaço para que entrasse, e Iruka entrou confuso demais ao sentir as mãos de Sai abrindo seu casaco pesado e o pendurava perto da porta. Indicou então a porta que levaria a sala de estar, o único cômodo iluminado da casa, cuja luz proveniente da lareira acessa atraia Iruka.
Aparentemente, o abastecimento de luz tinha sido interrompido em alguns pontos de Konoha devido à tempestade que se formara e caíra sem aviso.
Iruka caminhou para a sala, vendo que era tão bem decorada quanto o vestíbulo onde tivera seu casaco retirado, Sabaku no Gaara estava sentado em uma poltrona de aparência antiga, mas muito cômoda, parecendo completamente relaxado, como Iruka jamais pensara em ver o delinqüente da escola, título que Gaara fizera por merecer naqueles poucos dias em que estava em Konoha.
- Gaara, Naru – Sai chamou de detrás de Iruka, mas passou correndo por ele, quase saltitante, indo se ajoelhar aos pés de Gaara – Iruka sensei veio nos visitar.
Gaara ergueu seus olhos e Iruka, entrando na sala, pode finalmente ver o que estava em seu colo, os cabelos rebeldes e dourados que caiam soltos entorno do belo rosto do terceiro, sobre as pernas de quem Sai ia repousar sua cabeça, deitando sobre o felpudo tapete diante da lareira.
- Umino sensei – a voz rouca de Gaara soou como conhaque pela sala, acompanhada do crepitar das toras no fogo – o que o trás aqui em uma noite como essa?
- Eu...eu queria...eu queria ver se estavam bem – Iruka gaguejou – e conhecer meu aluno desconhecido. Você é Uzumaki Naruto?
- Hai – o adolescente loiro sorriu para Iruka, erguendo sua cabeça do colo de Gaara, que lhe afagava os cabelos.
Iruka ofegou diante da beleza de Naruto, cuja pele azeitonada brilhava pelo fogo da lareira quase que misticamente. Os cabelos eram rebeldes, caindo entorno do rosto perfeitamente oval, ressaltado pelo queixo delicado, pelas bochechas altas e arredondadas, narizinho levemente arrebitado e testa delicada. A franja levemente mais curta caia sobre seus olhos, sendo afastada pela mão de Gaara, revelando os grandes olhos azuis de Naruto. Olhos expressivos, que mostravam alegria e carinho pelos seus, e curiosidade sobre Iruka. A boca era talvez larga demais para o rosto delicado, com o lábio inferior mais carnudo que o superior, que ostentava um perfeito arco de cupido e parecia feito para sorrir ou amuar sem magoa. Sobre as bochechas, descansavam seis riscos, três de cada lado, perfeitamente simétricos, Iruka reconheceu cicatrizes antigas, como a que tinha levemente mais clara que sua pele azeitonada sobre a base de seu nariz, um acidente de infância que deixava seu rosto mais travesso. As cicatrizes no lindo rosto eram levemente mais escuras do que a pele normal de Naruto, e não lhe tiravam a beleza, apenas a deixavam mais vulpina, mas Iruka odiou a pessoa que a causara, que cortara aquela criança luminosa e inocente.
O corpo, sentado no chão, com as costas apoiadas nas pernas de Gaara, era tão delgado quanto o de Gaara, igualmente tonificado, com quadris e pernas mais roliças, quase ostensivamente sensuais. O que em Gaara indicava perigo, no loiro indicava aconchego, e era isso que Gaara e Sai refletiam agora. Aquela era uma aconchegante noite em casa, aproveitando a companhia um do outro, como família, como irmãos, mesmo que não partilhassem sangue, mesmo que a vida tivesse tratado de uni-los e não a genética.
Mas o que intrigou Iruka era que nada em Uzumaki Naruto mostrava algum tipo de debilidade física, ele exalava uma vitalidade e energia que nada tinha de convalescente ou doentia. Jamais vira alguém que pudesse passar tanta saúde em sua vida e essa confusão se mostrou em seu rosto, fazendo o esquivo e hostil Gaara rir baixinho.
- Naru-chan se recuperava de uma doença do espírito, e não do corpo – foi Sai quem falou, quem explicou a situação a Iruka – seu corpo sempre esteve bem, mas sua mente estava presa no passado, sofrendo sozinha por todo esse tempo.
Um trauma, pensou Iruka condoído, não importava mais se eles estivessem ali no sistema de proteção a testemunhas, se o passado deles tinha sido apagado, o importante é que estavam ali e que estavam juntos e que agora Naruto estava melhor, tinha se recuperado e voltado para seus irmãos. Protegeria aqueles meninos, pensou Iruka fervorosamente, porque eram seus alunos, e porque podia ver que eles tinham tido pouquíssimas alegrias em suas vidas. Mereciam uma vida normal, e se Gaara extravasava as dores de seu passado batendo em idiotas que pensavam que podiam provocá-lo, e Sai o fazia em suas pinturas e desenhos, que não nomeava e que não permitia que tocassem, ele os apoiaria e intercederia por eles diante de todos os demais professores.
Sem perceber, ele se ajoelhara no único canto que Sai não ocupava e estendia as mãos para o rosto de Naruto, tocando com cuidado ambas as bochechas marcadas, quase como que temendo que ele se desfizesse em bruma, que fosse uma ilusão, ou que seu toque, que suas mãos tão acostumadas ao trabalho, pudesse ferir a delicada pele que sentia. Quente, pensou sorrindo, macio, puro e inocente, como um bebê recém-nascido. Os cabelos eram como fios de seda, que Iruka afagou com lentidão antes de perceber o que fazia e retirar suas mãos e corar.
- Eu estava preocupado com vocês, com você principalmente, Naruto – Iruka falou, controlando as emoções que aquele menino loiro gerava dentro dele, os anseios que ele trazia ao seu coração – mas agora vejo que estava apenas sendo impaciente e desconfiado. Eu me desculpo por ter vindo e invadido a intimidade de vocês. Mas se pudesse, eu gostaria que me dissesse quando posso lhe esperar na escola.
- Naru vai estar pronto para nos acompanhar amanhã, Umino sensei – Gaara falou, aproveitando para afagar novamente os cabelos de Naruto agora que Iruka tinha retirado suas mãos. Observara muito bem o professor, e não vira qualquer intenção maléfica ou maliciosa nele quando tocara seu irmãozinho dourado. Se tivesse sentido, ou imaginado, qualquer uma dessas coisas, teria atacado Iruka, o afastado e iriam embora dali. Protegeria Naruto com toda sua vida e ser, assim como sabia que Sai faria, mas Iruka mostrara que era uma boa pessoa, como poucas existiam naqueles dias e muitas menos no passado deles.
Naruto tinha aquele dom, de atrair pessoas boas, coisas boas, mas nascera com o mal em seu encalço, e esse mal quase os havia separado completamente. Não deixaria que Naruto saísse do campo de sua visão novamente, não permitiria que ele fosse ferido, não permitiria que ninguém o tirasse dele. Dele e de Sai, pensou olhando o moreno que sorria enquanto segurava uma das mãozinhas de Naruto e a examinava.
- Sabe, eu sou órfão também – Iruka se viu revelando seu passado, algo que nenhum de seus alunos sabia, a menos que suas próprias famílias revelassem – meus pais morreram quando eu tinha doze anos. Mas eu tive sorte, eu fui muito amado por eles enquanto eles viviam e fui amparado por um antigo professor de meu pai, Sarutobi Hiruzen, que foi meu tutor. Jamais fui ferido, a não ser pelas memórias e saudade, pela perda de meus pais, mas eu sei que eu tive muita sorte. E vou fazer por vocês o que Hiruzen fez por mim, vou cuidar de vocês, como puder, sempre que puder.
- Você é um bom homem, Iruka sensei – Naruto falou e Iruka sorriu para ele, corando pelo elogio e o que isso implicava, algo que não pensava merecer – e eu ficarei muito feliz de lhe ter velando por mim, assim como o Gaa-chan e o Sai-chan. Por favor, Iruka sensei, cuide bem de mim.
Iruka sorriu para Naruto e então olhou Sai e Gaara, que sorriam levemente, entendendo a dinâmica daquela família. Naruto era o centro, o dono de todos os bons sentimentos dos dois outros. Naruto era o que protegia seus corações e que por isso tinha total dedicação dos demais, era o mais jovem e mais protegido, e Iruka os conquistara ao tratar Naruto como seus irmãos achavam que ele merecia.
- Eu vou fazer meu melhor – Iruka falou emocionado e então se ergueu – sei o caminho, por isso não se preocupem. Descansem bem essa noite, e nos veremos amanhã.
- Até mais, Iruka sensei – Sai falou e sorriu quando ouviu a porta batendo – ele é um bom homem mesmo.
- Hai – Gaara sorriu para Naruto, que tornara a encostar a cabeça em seus joelhos – sua preocupação é um reflexo de sua bondade, de seu afetuoso coração. Agora eu percebo porque não conseguia ignorá-lo antes, ele se assemelha a Naruto, apenas um pouco, mas eu vejo.
Naruto apenas sorriu para Gaara, bocejando levemente e fechando seus olhos.
- Durma, kitsune – Gaara sussurrou – eu velarei por você.
- Durma também, tanuki – Naruto falou sonolento – assim como o neko deve dormir.
Sai se ergueu, pegando Naruto no colo e surpreendendo o sonolento loiro, enquanto Gaara se erguia também. Sem precisarem de palavras, os três subiram para o quarto principal, deixando Naruto sobre a ampla cama no centro deste e tirando suas roupas silenciosamente, deixando-as no chão antes de Gaara tirar o kimono pesado que Naruto vestia. Logo estavam os três nus, tapados pelas gostosas e quentinhas cobertas, sentindo a maciez dos lençóis de puro algodão. Só o melhor fora escolhido naquela casa, só o melhor, esse era o projeto de Gaara e Sai, e juntos tinham feito tudo para que o momento em que Naruto retornasse para ele fosse perfeito. Sabiam das preferências de Naruto, o que gostava de comer, de vestir, de ver e tinham feito um refúgio, um santuário cheio das melhores coisas. Apenas as melhores cores, os melhores tecidos, só o melhor para tocar naquela delicada pele. Os travesseiros ficaram onde estavam, ignorados, nenhum deles precisaria, usariam uns aos outros como apoio.
Juntos, sem malícia, sem qualquer maldade, eles dormiram entrelaçados. Aquela era a primeira de muitas noites relaxantes e tão necessárias para curar os corações fragilizados pela longa preocupação. Os relâmpagos tinham cessado, agora era apenas a chuva batendo na janela, como que cantando uma suave canção de ninar para os três adormecidos, principalmente para Gaara, que não dormia há muito tempo.
Naru-chan
- Agora, você pode entrar – Iruka falou depois de fazer a chamada, todos os alunos estavam em aula, até mesmo o esquivo Sabaku no Gaara.
A porta deslizou aberta e o rapaz loiro entrou, vergando um engomado uniforme masculino negro que adotavam na escola, com a gravata vermelha praticamente solta, ouvira ele reclamando com Sai que aquilo parecia uma coleira, Iruka achara divertido e combinava com o loiro o tom mais despojado. A verdade é que todos os instintos de proteção de Iruka se acionaram ao ver Uzumaki Naruto, ao falar com ele. Fora preciso muito auto-controle para não abraçar o menino e apertá-lo bem em seus braços.
Sasuke observou o loiro entrar e parar ao lado da mesa de Iruka, o loiro ergueu seus grandes olhos azuis e sorriu, foi como se o sol tivesse finalmente nascido, ninguém mais poderia reclamar do dia chuvoso e cinzento lá fora, tinham um sol próprio dentro da sala de aula. Piscou atordoado diante do que sentia em seu coração diante daquele sorriso, uma parte dele queria sorrir de volta, estender a mão e assegurar que o protegeria com sua vida, outra desconfiava daquele sorriso, não pensando que ele poderia ser sincero, que alguém como aquele loiro pudesse realmente existir.
- Olá, sou Uzumaki Naruto – o loiro falou animado – por favor, cuidem bem de mim!
- Eu vou cuida...ah! – Kiba perdeu todo o ar de malícia que tinha, caindo dolorosamente no chão, aos pés de Sabaku no Gaara, mas fora Shimura Sai quem o atingira.
- Não suje com meu irmão – Sai falou baixo, ameaçador.
- Você será menos que pó se apenas pensar – Gaara rosnou igualmente enfurecido.
Kiba pensou que aqueles eram seus últimos momentos sobre a terra, os olhos de Sai prometia dor intensa, os de Gaara eram tão assustadores que nem poderia imaginar os tormentos que o ruivo lhe aplicaria. Estava completamente perdido, e ainda era virgem! Foi então que a voz do anjo loiro rompeu o silêncio tenso e viu os olhos de Gaara abrandarem, se deslocando dele, a tensão passou, sua morte não era tão iminente, ainda. Tinha que se lembrar de manter sua boca grande fechada e seus pensamentos e mãos longe do loiro. Sim, podia fazer isso, por sua vida.
- Ano sa, ano sa – Naruto estava ainda na frente da sala, olhando os "irmãos" com uma certa confusão – poderiam me dizer...
- Nada não – Sai sorriu para Naruto, se erguendo e indo para junto dele – só há uma carteira vazia, você vai ficar nela, ela é sua por todo o ano.
- Toda minha? – Naruto perguntou parecendo impressionado, o que fez as meninas o acharem muito fofo e os meninos muito atraente.
- Sim, toda sua – Sai falou puxando a cadeira e acomodando Naruto antes de prender a pasta escolar dele no gancho específico para aquilo – gostou do seu lugar?
- É na janela – Naruto sorriu e então olhou para Sasuke, que estava atrás dele – prazer.
- Hn – Sasuke resolveu não se mostrar muito comunicativo, mas tinha um pequeno sorriso no canto da boca.
Então aquele era o irmãozinho de Gaara, o que fazia seus olhos ficarem menos frios. Entendia um pouco do porque de Gaara se mostrar tão mais relaxado a simples menção de seu irmãozinho, ele era lindo de se ver, e parecia uma criança pura, não um adolescente de quase dezessete anos. Agora, mais de perto, podia ver as pequenas imperfeições naquele rosto, assim como a sincera emoção naqueles olhos cerúleos. Uzumaki Naruto era alguém que mostrava tudo que pensava e sentia em seu rosto, principalmente nos olhos. Mesmo assim, ainda causava tumulto dentro de Sasuke, o que o confundia, por isso fora pouco simpático, contido em sua resposta ao cumprimento do loiro.
Naruto pareceu completamente inume a pouca simpatia de Sasuke, apenas sorriu amplamente antes de olhar para o lado, onde Sakura estava.
- Oi, sou Naruto – falou animado enquanto Sai voltava para seu lugar, depois de ganhar um afago de Naruto em seu braço.
- Haruno Sakura – Sakura foi hostil, o loiro tinha conseguido uma reação instantânea de Sasuke, uma boa reação, coisa que ela até então não conseguira.
Desde aquele incidente na antiga casa da família Uchiha ali, Sasuke nem olhava na direção dela, e sempre que tentava falar com ele, ele a ignorava completamente, como se não existisse. Tentara tocar nele e recebera um tapa dolorido em sua mão, mas Sasuke nem a olhara, apenas continuara seu caminho. E alguns idiotas que tinham visto essa cena tinham tido a coragem de rir dela, o que lhe mostrava as indignidades que tinha que passar, as concessões que precisaria fazer por amor.
Naruto deu um sorriso menor, os olhos mais cautelosos, e Sakura teve calafrios ao sentir os olhos de Sai, Sasuke e Gaara fixos nela com olhares tão frios e sujos que quase desmaiou. Naruto então olhou para a menina a sua frente.
- Oi – falou tocando com a ponta do dedo no ombro da menina, que se virou corada para ele – sou Naruto.
- O-o-o-lá – Hinata só conseguiu falar isso, os olhos do loiro eram tão azuis, e seu sorriso era tão amistoso, ele era tão bonito, e estava olhando para ela, como se realmente estivesse interessado nela.
- Ela é Hyuuga Hinata – Sakura rosnou – um ratinho medroso, e cale a boca, está interrompendo aula.
Naruto fez um leve bico ao ouvir Sakura, mais precisamente por seu tom, por suas palavras, feitas para insultar, feitas para ferir e intimidar. É, não gostava da garota de cabelos cor-de-rosa, ela era exatamente como Sai descrevera. Alguém com pouca beleza externa, e nenhuma beleza ou profundidade interna, alguém que se sentia muito superior rebaixando os outros, uma iludida que não se importava no que pisava para subir, para ter o que desejava. Ela não era nenhuma ameaça, jamais seria forte o suficiente para isso, mas não gostava dela. Mas seus pensamentos, rápidos como eram, catalogaram e excluíram Sakura rapidamente, deixando apenas a garota a frente dele, corada e insegura. Ela parecia ter um coração bondoso, uma força sutil, uma personalidade generosa, tudo escondido atrás da timidez corrosiva, nenhuma auto-estima e um pouco de depressão. Mas pensou que poderia gostar dela, quando a conhecesse melhor, e como ela parecia feliz por ele ter simplesmente lhe cumprimentado, resolveu ser mais insistente e se abriu um pouco para ela.
- Hinata – Naruto falou baixo, e então sorriu para Hinata, que corou ainda mais – é um lindo nome, quer dizer que você é luminosa.
Sakura riu desdenhosa, Hinata era tudo, menos luminosa. Era um idiota que só tinha um bom nome, se não fosse uma Hyuuga, ninguém olharia para ela. Ou melhor, pensou desdenhosa, com um sorriso duro em seus lábios pintados de rosa claro, Hinata era uma Hyuuga e ninguém olhava para ela, ninguém ligava para ela, era como se não existisse, completamente patética!
- Não acho que seja um ratinho – Naruto falou ignorando o desdém de Sakura, conhecia bem demais o desdém e não gostava dele – acho que você ainda não encontrou a sua própria força, mas quando achar, vai ser tão luminosa quanto o sol.
Hinata quase desmaiou pelo elogio, Shino, ao lado dela, sorriu um pouco, tinha gostado do loiro pela apurada definição de Hinata. Ela era sua amiga desde a infância e fazia o que podia para protegê-la, era uma das poucas pessoas que a conhecia realmente e ela era linda, doce e gentil, e era luminosa sim, não como o loiro, que poderia desbancar o próprio sol, mas mesmo assim dona de luz própria.
- Cale a boca, idiota – Sakura rosnou, não gostando da forma como os lábios de Sasuke tinham se repuxado, como se ele quisesse sorrir, isso que não podia ver o quanto os olhos negros de Sasuke tinham ficado ternos ao ver o loiro tratando bem a tímida garota Hyuuga.
- Sakura – Iruka repreendeu, não estava gostando nada do comportamento de Sakura, que estivera monitorando enquanto observava Naruto interagir com seus visinhos de classe – Naruto, terá tempo para conhecer seus colegas no intervalo, agora eu realmente preciso começar a aula.
O tom de Iruka ficara bem mais brando quando sua atenção se voltou para Naruto, o que fez Gaara sorrir para Sai, que concordou de leve com a cabeça, confirmando que também via semelhanças entre Naruto e Iruka, e que podiam confiar no professor para cuidar de Naruto se não estivessem por perto.
- Desculpe, Iruka sensei – Naruto falou lançando um olhar de profundo arrependimento a Iruka, que tremeu – é que eu estive sozinho por tanto tempo, sem ter nada para ver ou fazer que tudo me fascina agora. Sai e Gaara me disseram para ser silencioso como um ratinho, mas eu sou irrequieto como uma raposa e...
- Naruto – Gaara falou baixo, notoriamente divertido, o que espantou a todos, menos a Iruka, que nem ouviu, estava junto à carteira de Naruto, acariciando os cabelos macios do menino.
Naruto fez uma cara ainda mais arrependida por tagarelar e ergueu os olhos para Iruka, querendo ver se ele estava bravo, foi agarrado em vez disso e a menos que as punições tenham se modificado muito naqueles anos todos, estava sendo abraçado.
- Pobre Naruto – Iruka murmurou acariciando os cabelos e costas de Naruto antes de se dar conta do que fazia e se afastar, se recompondo um pouco corado. Parecia ser incapaz de controlar seus movimentos e sempre agarrar o loiro quando o via, o que o constrangia, por mais que não tivesse malícia alguma, Naruto era uma criança para ele, uma criança pura, que deveria ser amparada e protegida – eu entendo. Turma, Naruto passou muito tempo doente, então sejam delicados com ele.
- Obrigado, Iruka sensei – Naruto agradeceu baixinho pelo abraço.
Iruka sorriu acariciando os cabelos loiros e então foi para frente da classe.
- Bem, agora vamos ter uma prova surpresa e...
- Mas Iruka sensei – Sakura interrompeu, não estudara nada desde que Sasuke lhe mandara devolver a pulseira, como se ela fosse uma ladra comum e não sua alma gêmea – o novo aluno...
- Conversei com Naruto antes da aula e ele não se mostrou avesso a isso – Iruka sorriu superior, gostando de ver que ninguém estava mostrando mais medo do que Haruno Sakura – por isso, peguem uma folha e passem as demais.
Sasuke recebeu sua folha, vendo que o loiro parecia muito interessado na que possuía, logo a mão pequena segurava com cuidado a caneta e o loiro começava a responder as questões com rapidez. Começou a responder suas próprias questões, pensando que não estavam difíceis realmente, mas o loiro deveria ter estudado enquanto convalescia. Estranhamente ele não parecia alguém que estivera doente, transbordava muita energia, seu cabelo, pele e olhos brilhavam. Se lhe perguntassem, diria que jamais vira alguém mais saudável em toda sua vida. E havia um profundo elo entre ele e Gaara, o que interessava Sasuke.
Os minutos foram passando em silêncio, por isso alguns, os mais concentrados ou preocupados, se sobressaltaram quando a voz de Naruto soou, Sakura pulou na cadeira, olhando amedrontada do loiro para o relógio e voltando a suas questões resmungando.
- Terminei – Naruto anunciou – o que eu faço agora?
- Pode me entregar – Iruka falou sorrindo – eu vou corrigir enquanto seus colegas fazem a prova.
- Então eu leio, posso ler? – Naruto perguntou mostrando o livro que tirara de sua pasta, um volume grosso e antigo.
- Claro – Iruka sorriu.
Naruto se levantou rapidamente e correu para a mesa de Iruka, entregando a ele sua prova e sorrindo amplamente antes de voltar a sua cadeira e abrir o livro que estava lendo. Era um livro interessante, como muitos dos livros que descobrira na biblioteca que Gaara tinha criado na casa em que viviam. Gostava muito de ler, principalmente em dias como aquele, frios ou cinzentos, em que não se podia ir para o jardim e brincar, ou simplesmente ficar ao sol.
- Terminei – Gaara falou se erguendo e entregando a prova a Iruka também.
Sasuke estava impressionado, ou eles tinham errado algo, ou eram realmente inteligentes. Gaara também pegou um livro na pasta, quando voltou para seu lugar, era um livro pequeno, com letra tão miúda que poderia dar dor de cabeça a qualquer outra pessoa. Antes de abrir seu livro, Gaara lançou um olhar a Naruto, dando um leve sorriso ao notar que ele mordia o canto esquerdo do lábio inferior, como fazia sempre que estava achando algo interessante. Depois de constatar que Naruto parecia bem, seus olhos vagaram sozinhos para o moreno atrás de Naruto, Uchiha Sasuke, a quem observava desde que tinham começado a escola. O Uchiha o observava muito, mas jamais parecera inclinado a testar a superioridade do estilo de luta dos Uchiha com ele, o que o intrigava. Havia algo de diferente nos olhos daquele Uchiha quando o olhava, algo que o fazia ficar quente e confuso, e que fizera Naruto sorrir misterioso quando lhe contara na noite passado. Então voltou seus olhos para as páginas diante dele e começou ele também a ler, querendo esquecer os olhares de Uchiha Sasuke, mesmo que seus olhos traidores sempre se deslocassem para ele quando podiam.
Iruka estava espantado ao terminar a correção das duas provas, nota máxima, havia um ou dois erros gramaticais em cada uma, para que não fosse realmente perfeito, mesmo assim era nota quase máxima para os dois. Então viu mais uma prova, Sai lhe deu um pequeno sorriso e voltou ao seu lugar, pegando o caderno de desenho e se voltando para Naruto, começando mais um esboço do loiro.
Sasuke finalmente terminou sua prova e foi entregar a Iruka, que terminava de constatar que Sai recebera 99 pontos. Sasuke se impressionou, sabendo que Iruka era um professor exigente, os três deveriam ser realmente inteligentes, pensou Sasuke. Sorriu pensando na competitividade que isso geraria, fazia muito tempo que não tinha nenhuma nota próxima a sua no quadro de notas de seu ano.
Nota da Li:
Desculpem pela demora, mas o site estava com problemas, pelo menos para mim. Estava tentando, quase que desesperadamente, postar esse cap, por isso vou até agilizar os proximos e tentar colocar tudo junto, só Kami-sama sabe quando, como e porque o site entra em pane!
Muito obrigado, mais uma vez, a todos que comentaram, foi muito importante para mim, muito mesmo, e espero que continuem gostando. Os próximos caps trarão mais sobre a história de Uchiha Izuna e Kyuubi no Kitsune, a ligação deles no passado e o que Madara destruiu.
Assim como trará outros personagens, que vão incrementar a trama, não porque são necessários, mas porque eu adoro trabalhar com eles.
Obrigado aqueles que vão comentar, e aqueles que simplesmente apreciaram, tem meu agradecimento também.
Até o próximo comentário e,
Beijos da Li.
