"Por que Emmett tinha de morrer"? O major Edward Cullen estava parado diante da imponente construção de pedra, as gotas de chuva escorrendo por seu rosto enquanto ele fitava a imponente fachada de pedra. Não queria entrar.

Tinha adiado sua vinda, permanecendo em Londres o máximo que pudera, encontrando-se com o advogado e com os banqueiros que cuidavam das finanças de Paul, providenciando todos os detalhes da sucessão... e odiando cada minuto. Cada "Pois não, milorde" era como se outro pedaço de sua vida lhe fosse roubado.

Graças a um ladrão italiano anônimo, ele era agora o marquês de Knightsdale. Não podia continuar parado ali, indefinidamente. Logo tia Elizabht chegaria para preparar a festa, com suas carruagens cheias de criados e sua gata peluda e enjoada. No dia seguinte, uma horda de moças solteiras aristocráticas e suas mães invadiriam Knightsdale. O medo rasgou-lhe as entranhas, e suas mãos começaram a suar, como sempre acontecia antes de cada batalha que ele tivera de enfrentar na Espanha. Queria dar meia-volta e sair correndo. Mas bateu na porta.

— Bom dia, milorde.

— Será mesmo um bom dia, Laurent?

Charles permitiu que o mordomo o ajudasse com o sobretudo encharcado. Já fazia dez anos que ele não via o homem. Desde o casamento de Emmett.

Edward tinha acabado de sair da universidade na última vez que estivera em casa. Agora estava com trinta anos, porém envelhecido pela tragédia da guerra.

— Poderia mandar alguém cuidar do meu cavalo, por favor?

— Certamente, milorde. Lady Elizabeth veio com o senhor?

— Não, eu vim na frente. Eu... Que barulho foi esse?—Edward jurou ter ouvido o que parecia ser um estrondo distante de artilharia.

— Creio que seja a Srta. Swan, milorde ,com lady Emma e lady Claire.

— O que elas estão fazendo? — Eduard seguiu em direção à escadaria. O barulho vinha do andar superior.

— Creio que estão jogando boliche, milorde. Na galeria principal.

Ele arqueou as sobrancelhas ao ouvir outro estrondo, um grito agudo e um latido. Alguém estaria ferido? Edward disparou, subindo dois degraus de cada vez. A galeria principal, se ainda lembrava-se bem, tinha vários bustos de mármore muito pesados dos antepassados dos Cullen. Se algum tivesse caído sobre uma das meninas... E aquele latido? Havia um cachorro, também?

O que a tal da Srta. Swan estava pensando? Seria ela a governanta? Swan era o sobrenome do reverendo, o que o levou a concluir que as sobrinhas estavam em boas mãos.

Edward chegou ao corredor bem a tempo de ver um pequeno ierrier malhado trombando com o pedestal do busto do tio-avô Randall.

Isabella Swan deu um salto para amparar a estátua no exato momento em que um homem berrou da escadaria. A surpresa ao ouvir uma voz masculina foi tanta que ela quase caiu sobre a escultura. Seria possível que o Sr. Laurent tivesse permitido que um maluco entrasse na casa?

— O que acha que está fazendo, permitindo que esse animal corra solto dessa maneira? Uma das meninas poderia ter sido esmagada pela estátua de mármore!

Bella enrijeceu. Quem era aquele homem para entrar de repente, esbravejando e repreendendo? Ela ajeitou os óculos sobre o nariz. Seria alguém conhecido? A voz parecia levemente familiar. Se ao menos pudesse vê-lo mais de perto...

Os ombros largos e a fisionomia autoritária indicaram que se tratava de alguém acostumado a dar ordens. E se ele se mostrasse ameaçador? Se gritasse, será que alguém viria socorrê-la?

— Prinny não pretendia machucar ninguém, senhor. — Atrás de Bella, a valente Emma encarou o intruso.

— É claro que ele não tinha intenção de ferir ninguém. — A pequena Claire abraçou o cão.—Você é um cachorro bonzinho, não é, Prinny?

O cão latiu e lambeu o rosto da menina.

— Prinny pode ser um cachorro bonzinho — disse Edward —, mas dentro de casa não é lugar para ele ficar correndo.

— Senhor! — Bella sentiu alívio ao perceber que sua voz soara firme. — Senhor, tenho de pedir que se retire imediatamente.

— E eu peço que seja a senhorita a se retirar agora mesmo. Bella engoliu em seco. Céus, o homem estava se aproximando!

— Emma, Claire, venham para cá. Edward parou.

— Emma e Claire?

— Sim. — Bella ergueu o queixo com altivez.

Agora ele se encontrava próximo o suficiente para que ela pudesse vê-lo melhor. Seu rosto era bronzeado, os cabelos castanho-claros cacheados, bem curtos. Mais velho, mais forte e mais seguro do que o rapaz que Bella vira de longe no casamento do falecido marquês. Mesmo assim o reconheceu. Nunca teria se esquecido daqueles olhos: verdes emeralda.

Edward Cullen, o jovem que ela idolatrara e por quem suspirara, estava de volta a Knightsdale.

— Estas são as minhas sobrinhas? — Edward olhava para as meninas. A mais velha, Emma, estava perto de completar nove anos. Era miúda e tinha cabelos lisos e loiros e os mesmos olhos verdes de Emmet. A outra, Claire, ainda tinha as formas arredondadas de um bebê e os mesmos cabelos cacheados do tio.

Claire pôs as mãozinhas nos quadris.

— O senhor é um homem mau?

— Claire! — Bella a admoestou. — Este é seu tio Edward, o novo marquês de Knightsdale.

Edward observou a governanta. Com ela sabia quem ele era? Bem, os criados deviam estar esperando por sua chegada. Tinha enviado uma carta, informando que estava a caminho com tia Elizabht, portanto, não era preciso ser um gênio para descobrir sua identidade. A princípio, porém, não sabia de quem se tratava, ou não teria pedido que se retirasse.

Bella se manteve firme, tomando o partido das meninas. Muitos soldados empalideciam diante de uma ordem do major Cullen, mas não a Srta. Swan.

Edward avaliou melhor o rosto da moça. A Srta. Swan era pouco mais alta que Emma e tinha cabelos castanho-escuros ainda mais cacheados do que os seus, algumas sardas no rosto e olhos castanhos, emoldurados por longos cílios.

—Tampinha?—Edward conteve o riso ao reconhecer Isabella Swan, a filha do reverendo, a magricela chorona que não saía do seu encalço como se fosse um cãozinho perdido. Os outros garotos caçoavam de Edward por isso, mas ele nunca tivera coragem de mandá-la embora. — Queira me desculpar, Bella. Você não é a governanta das crianças, então?

— Não, milorde. A governanta, a Srta. Marloy, foi chamada de repente para cuidar da mãe, que adoeceu. Estou apenas substituindo-a durante a ausência dela.

Um delicado rubor surgiu nas faces de Bella. Seus olhos nem ousaram se erguer. Já os de Edward eram penetrantes. E ele gostou de imaginar que ainda pudesse existir uma sombra da idolatria que Bella nutrira por seu herói de infância.

Ela havia se tornado uma moça atraente. Talvez fosse a solução para o seu problema. E se ele a pedisse em casamento? Pior do que estava, sua situação não ficaria. Se tivesse uma resposta antes da maldita festa, não seria obrigado a passar os próximos dias fugindo das casamenteiras.

Edward sentiu Claire puxando a manga de seu paletó.

—A Srta. Marloy tem medo que a mãe dela morra.—Um par de olhinhos castanhos olhava fixamente para ele. — Minha mãe morreu em uma montanha na Itália.

— Itália. Sua mãe e seu pai morreram em uma montanha na Itália.

Edward teve de dar uma tossidela para disfarçar o riso. Nunca simpatizara muito com Rosale, a esposa de Emmet. Considerava-a bonita e superficial, como a maioria das damas da sociedade. Ele deslizou os dedos entre os cachos de Claire e olhou para Emma. As meninas não pareciam tão tristes para quem perdera os pais recentemente. O que não era de surpreender. Pelo que seus amigos, o duque de Alvord e o conde de Westbrooke, haviam lhe contado, Emmet e Rosale não eram pais muito afetuosos. O casal costumava passar a maior parte do tempo em Londres ou viajando ao redor do mundo.

— O senhor é o nosso pai agora?

— Claire, não seja boba! — Emma ralhou. — Tio Edward não vai querer ficar conosco. Ele quer ter a própria família.

Edward ouviu Bella suspirar. Ele também sentiu como se tivesse sido golpeado no estômago. Era verdade que nunca pensara muito nas meninas, mas isso não era o mesmo que não querer ficar com elas.

— Eu sou seu tio, Emma. Irmão de seu pai. Portanto, vocês duas são a minha família, e esta é a sua casa. Claire está certa, agora sou como um pai para vocês.

Ele sorriu. Com certeza, podia ser um pai para as sobrinhas, tanto quanto Emmet fora.

— Conte-me sobre Prinny. Foi você que lhe deu esse nome? — Tudo o que Edward podia ver do cãozinho branco e preto era o rabinho agitado e as patinhas traseiras. O restante estava escondido entre o pedestal da estátua do tio-avô Randall e a parede. — Ei, garoto, saia daí!

Prinny parou de se esfregar na base da pilastra, espirrou e saiu para investigar as botas de Charles.

— Prinny é da Srta. Bella, papai.

— Claire, querida, lorde Knightsdale é seu tio, não seu pai. Claire fez beicinho.

— Mas eu não quero um tio. Eu quero um pai!

Edward se ajoelhou para que seu rosto ficasse no mesmo nível do da sobrinha.

— Algumas pessoas podem ficar confusas se ouvirem você me chamar de papai, Claire. E seria injusto esquecer do seu verdadeiro pai, não seria?

O lábio inferior de Claire tremeu, e os bracinhos se cruzaram apertados contra o peito.

— Eu quero um pai. Por que o senhor não pode ser meu pai? E a Srta. Bella minha mãe?

Edward se sentiu como à beira de um precipício. Um passo em falso, e Claire poderia se desmanchar em lágrimas.

— E se você me chamar de tio Edward na frente dos outros, e de papai quando estivermos em família?

— Em família?

— Quando estivermos somente eu e você, Emma e a Srta. Swan. Você concorda?

Claire abraçou Edward pelo pescoço. A pele da menina era macia como a de um bebê. Os cachinhos roçaram o queixo de Edward, que sentiu uma estranha sensação de derretimento no peito.

— Concordo, sim, papai Edward — Claire respondeu, antes de soltá-lo para, em seguida, abraçar Prinny.

Charles olhou para Emma.

— Você também pode me chamar de papai, Emma, se quiser.

— Eu tenho nove anos, tio. Não sou mais um bebê.

— Não é mesmo... Você se incomodaria se eu pegasse a Srta. Swan emprestada só um pouquinho? Preciso conversar com ela sobre alguns assuntos.

— É claro que não — Emma respondeu. Bella pareceu esconder um sorriso.

— Emma, você poderia levar Claire de volta à sala de brinquedos?

— Sim, Srta. Bella.

— Podemos levar Prinny conosco, mamãe Bella? Edward mordeu o lábio para não rir da expressão de Bella.

Ela ficou claramente constrangida com o novo título que Claire lhe conferiu, mas não disse nada para não ferir os sentimentos da menina.

— Está bem, podem levá-lo, contanto que ele não incomode Nanny.

— Prinny não cômoda Nanny.

O cão deu dois latidos e lambeu o rostinho de Claire.

— Nanny gosta de Prinny, Srta. Bella — Emma afirmou. — Ela só finge estar incomodada.

A voz de Claire ecoou no corredor enquanto as irmãs se distanciavam:

—Acho que papai Edward será um ótimo pai, você não acha, Emma? Ele tem olhos bonitos e os cabelos iguais aos meus. Edward sorriu, olhando para Bella, que estava ruborizada.

— Peço desculpas, milorde. Claire ainda é muito pequena. Tenho certeza de que seus modos vão melhorar.

— Oh, não estou ofendido. Meu cabelo é mesmo cacheado. Igual ao seu. — Seus olhos passearam pelos cachos de Bella. Ela ficou ainda mais corada, e de uma maneira muito atraente. — Quanto aos olhos bonitos, não tenho nada a dizer. Você acha os meus olhos bonitos?

— Milorde! — O rubor mudou de rosa para vermelho forte. Edward sorriu, oferecendo o braço.

— Vamos até a biblioteca? Eu gostaria que você me contasse um pouco sobre as minhas sobrinhas. Como pôde perceber, não sei muito sobre elas.

bella desceu a escadaria de braços dados com Edward, rumo à biblioteca. Suas emoções eram confusas. Havia se assustado quando ele gritara na escada, mas, ao reconhecê-lo... bem, não sabia mais o que sentia.

Deveria estar brava ainda. Afinal, se sentira profundamente magoada durante os últimos quatro meses, tempo em que Edward nem se dera ao trabalho de se deslocar de Londres para fazer uma visita às sobrinhas, que haviam ficado órfãs. Não que as meninas tivessem sentido falta, já que estavam acostumadas a ser negligenciadas pelos próprios pais. Mesmo assim, Emma admitiu para si mesma, enquanto desciam os degraus da longa escadaria, que se decepcionara, e muito, com a atitude dele.

Sim, Edward tinha vindo mostrar seu pesar durante o velório. Havia sido por apenas algumas horas, pois assim que o marquês e a marquesa foram enterrados no mausoléu da família, ele partira. E desde então nunca mais voltara. Por quê? O que tinha acontecido com Edward? Será que a guerra o transformara tão drasticamente? Com certeza o menino que ela conhecera não teria ignorado as sobrinhas daquela maneira.

Bella se lembrava do dia exato em que o conhecera. E guardava a recordação como um tesouro que desenterrava todas as vezes que se sentia solitária, triste ou desanimada.

Tinha seis anos, na época. Seu pai acabara de assumir a paróquia de Forks, e ela sentia saudade da velha casa, dos amigos, de tudo que lhe era familiar. Bella havia encontrado um bom galho de árvore para se sentar, próximo ao riacho que corria perto do vicariato, e ali ficou chorando até não ter mais lágrimas.

E então Edward invadira seu mundo assobiando. Ela o ouvira antes de vê-lo. Ele parara à sua frente e apoiara as mãos nos quadris, olhando-a.

Charles era apenas quatro anos mais velho que Bella, um menino magrelo de cabelos castanhos cacheados, mas, naquele momento, aos seus olhos parecera um ser encantado da floresta. Edward fizera ares de complacência e então tirara um lenço amarrotado do bolso e o estendera.

— Pare com isso — dissera, enquanto enxugava as lágrimas de seu rosto. — Pare de chorar. Você não quer que pensem que é um bebê, quer? Venha me ajudar a encontrar uma salamandra.

Naquele momento, Bella se apaixonara por ele, e nunca mais o esquecera.

Bella olhou para a própria mão, apoiada no braço dele. O calor que emanava do tecido da manga afetou sua respiração de uma maneira estranha. De repente, ela sentiu vontade de entrelaçar os dedos com os dele.

Mas Edward estava fora de seu alcance, e Bella sabia disso. Sempre soubera, desde os tempos em que o perseguia pela floresta, dezeseis anos antes. Charles era filho de um marquês, e ela, filha de um clérigo. Mesmo assim o perseguira nos tempos de infância, feliz por receber um pouco de atenção. Quando ele havia partido para estudar fora, ela chorara novamente, e mais uma vez as lágrimas não ajudaram a conter a dor.

Em seguida, sua mãe havia morrido, e Bella precisava cuidar da irmã, Alice, e do pai. E não tinha mais tempo para sonhos românticos e tolos.

Quando chegaram ao vestíbulo, ela observou pelo canto dos olhos o perfil de Edward. Embora não tivesse tempo, continuara sonhando, mesmo assim.

Bella tinha dezesseis anos quando Edward esteve em Forks pela última vez. Ainda era jovem demais para ser convidada para o baile em comemoração ao casamento do novo marquês, o irmão mais velho de Edward. Mas não tão jovem para não querer muito ir e, quem sabe, dançar com Edward.

Foi então que fizera a coisa mais ousada de toda sua vida. Pulara a janela de seu quarto, que dava para o bosque, e se escondera nas sombras das árvores, observando os homens em seus trajes de gala e as mulheres cobertas de jóias e vestidos coloridos.

Passado algum tempo, Bella vira Edward saindo ao terraço acompanhado de uma dama de Londres. O vestido que ela usava realçava cada curva do corpo bem-feito, e o decote proporcionava uma generosa visão dos seios fartos. Era uma moça muito bonita. E, então, Edward a abraçara e a beijara, enquanto deslizava as mãos livremente por aquele corpo que se contorcia nos braços dele.

Aquilo fizera Bella se sentir ofegante e desconfortável. Envergonhada, fraca e acalorada. Ela voltara correndo para casa, com se o demônio em pessoa estivesse em seu encalço.

Bella revira aquele beijo em seus sonhos um milhão de vezes depois. Mas, nos sonhos, ela era a mulher nos braços de Charles.

Bem, já deveria estar curada daquela afeição infantil. Por isso, afastou a mão do braço de Edward quando eles entraram na biblioteca.

— Bella, sinto muito se a assustei há pouco. — Edward indicou a poltrona ao lado da lareira, para que ela se sentasse, mas Bella preferiu permanecer em pé, forçando-o a fazer o mesmo.

—Milorde, já faz quatro meses que seu irmão e sua cunhada faleceram, deixando órfãs as suas sobrinhas. Por que demorou tanto a vir para casa?

Edward deu de ombros.

— Casa? — Ele baixou o olhar para a escrivaninha. Quando olhou para cima, seu rosto estava inexpressivo. — As meninas estavam em boas mãos. Falei com seu pai no funeral. Por que elas iriam querer ver um tio que não passava de um estranho? E realmente pensei que ainda fossem bebês de colo.

— Como pôde pensar isso? Emma tem nove anos, e Claire, quatro.

— Eu tinha apenas dezenove anos quando Emmet teve a primeira filha. Só pensava em me divertir nas noites de Londres. Também fiquei desapontado por ele não ter conseguido um herdeiro varão. Confesso que não pensei muito no assunto. E então fui para a guerra. Claire nem tinha nascido quando parti para a Espanha.

— E pretende abandoná-las novamente, agora que as viu? Bella podia ver, pela expressão de Edward, que era exatamente isso que ele estava planejando.

— O senhor não pode fazer isso, milorde! As meninas já viveram muito tempo aos cuidados dos criados. Elas precisam de um parente na casa. O senhor viu quanto Claire deseja ter um pai! E Emma também, apesar de ser mais reservada.

— E quanto a uma mãe, Bella? Tem certeza de que as meninas não precisam de uma mãe talvez até mais do que um pai?

—Bem, é claro que elas precisam de uma mãe, mas não existe nenhuma à disposição no momento.

— Não? — Edward sorriu. — Que tal você?

Bella sentiu como se o ar tivesse sido sugado de seus pulmões. Charles se esforçava para conter o riso. Emma estava boquiaberta.

—Seria a solução perfeita. As meninas precisam de uma mãe, elas a conhecem e a apreciam, e você mora aqui perto. Sendo assim, teria o conforto da sua família sempre à mão.

E eu acho por demais deliciosa a possibilidade de ir para a cama com você! Bella sorriu, tentando imaginar como Emma reagiria se soubesse o que ele estava pensando. Fazia anos que não pensava nela, mas, ao vê-la agora...

Essa seria a solução perfeita para os seus problemas. Afinal, Edward não pretendia passar muito tempo ao lado da esposa, uma vez que não planejava permanecer em Forks. Já tinha encontrado algo útil para fazer em Londres e viria de vez em quando ao campo para cuidar de suas responsabilidades de herdeiro.

Sim, viria para se deitar com a esposa. Para tirar aquele vestido sem graça que encobria o belo corpo. Para enterrar o rosto nos seios macios. Para...

— Você tem um namorado, ou pretendente?

— Bem, não, mas...

— E me desculpe por eu dizer isto, mas você já passou um pouco da idade de se casar, não é mesmo? Já deve estar com vinte e quatro, se não me engano.

— Sim...

Edward fitou-a, percebendo o rubor e os seios arfantes. Então ergueu o olhar e seus olhos se encontraram. Talvez não devesse ter comentado sobre o fato de ela ser uma solteirona, mas isso com certeza seria um fator importante na hora de Bella tomar uma decisão.

—Não pretendo ficar no seu caminho. Passarei a maior parte do tempo em Londres. Você só terá de me tolerar durante minhas visitas ocasionais.

— Por que se dar ao trabalho de fazer as visitas, afinal? O senhor se manteve afastado durante todos estes anos de Forks.

Será que Bella não tinha percebido o óbvio? Como ele não tinha notado antes o quanto ela era desejável? Ou o quanto aqueles lábios eram sedutores, mesmo apertados como estavam agora...

— E há a questão do herdeiro — disse Edward.

— O que o senhor quer dizer, exatamente?

— Precisarei de um herdeiro, agora que sou o marquês. E não poderei ter um se minha esposa estiver morando em Forks e eu em Londres, poderei?

Edward se abaixou quando um cachorrinho de porcelana passou voando sobre sua cabeça e se espatifou contra a porta.

— Estou interrompendo alguma coisa?

Nesse momento, três plumas cor de laranja surgiram pela porta entreaberta, seguida por cachinhos grisalhos e um rosto muito redondo com os mesmos olhos azuis de Emmet.

— De forma alguma, tia Elizabht — respondeu ele. — Por favor, entre.

Bella ajeitou os óculos, seu ataque de ira substituído pela surpresa ao ver a silhueta arredondada de tia Elizabht, trajando um vestido vermelho com listras cor de laranja.

A mulher entrou, evitando os cacos espalhados no carpete.

—Não vai me apresentar à moça, Edward?—Elizabeth ergueu o pince-nez.

— É claro, tia. Esta é a Srta. Bella Swan, filha do reverendo Swan. Srta. Swan, minha tia, lady Elizabeth.

— Lady Elizabeth. — Bella fez uma mesura. — Prazer em conhe... Oh!

Bella engasgou e saltou para o lado. Algo tinha roçado seu tornozelo. Elizabht riu.

— Não se assuste, minha querida. É apenas Bess.

Uma enorme gata alaranjada subiu com um salto na cadeira ao lado de Bella e se acomodou sobre o assento. Edward riu.

— Acho que Prinny não irá aprovar Bess, tia.

— Não me diga que você convidou aquele idiota gordo, Edward. Ele certamente não estava na minha lista de convidados.

— Nem na minha. Estou me referindo ao cachorro da Srta. Swan.

— Você tem um cachorro chamado Prinny? Que gracinha!

— Na verdade ele pertence à minha irmã, Alice.

—Ah. Bem, então, mal posso esperar para conhecer sua irmã. —Elizabeht avançou pela sala.—Existe algum motivo específico para estarmos em pé, Edward?

— Eu estava esperando que Bella se sentasse, mas ela não se mostrou... propensa.

— Oh, bem, eu estou propensa, apesar de ter vindo sentada de Londres até aqui. Agora que você é o marquês, Edward, terá de providenciar uma carruagem melhor. Juro que senti cada pedra do caminho.

Elizabeth se sentou com graciosidade, o que era uma proeza, Bella pensou, para alguém de formas tão avantajadas.

— Venha, Bella, sente-se. Bess lhe cederá a cadeira, não é mesmo, Bess?

A gata, porém, não parecia disposta a se mover.

— Com licença. — O braço de Edward roçou o de Bella quando ele se inclinou para pegar a gata. Ela sentiu o contato acidental como se um raio tivesse passado entre ambos. Observou as mãos grandes e gentis apanhando a gata, e esperou que Edward não tivesse ouvido seu suspiro profundo ou notado o modo como ela enrijecera.

Quando olhou de novo, Edward já estava colocando Bess no colo da tia, que analisava Bella detalhadamente.

— Obrigada, Edward. Meu sobrinho é um verdadeiro herói, não é mesmo, Bella?

Bella sorriu sem jeito e caminhou em direção à cadeira, agora desocupada. Antes de se sentar, tentou limpar discretamente os pêlos alaranjados da gata. Deu uma olhada para Edward, que se inclinou e sorriu.

— Faço o possível, tia, para salvar as donzelas ameaçadas por dragões e por todos os tipos de gatos.

— Hum. — Elizabht acariciava a gata e estudava o sobrinho. Bella nem se mexia enquanto os olhos da mulher a examinavam. — Esta donzela precisa ser salva de algo em particular, Edward?

— Não que eu saiba, tia. — Ele se recostou na cornija da lareira. — Por que pergunta?

— Porque tive a impressão de ouvir alguma coisa sendo atirada contra a porta e se quebrando, logo antes de entrar aqui.

Bella esperava era que seu rosto não estivesse tão vermelho quanto ela sentia.

— Creio que eu disse algo que desagradou a Srta. Swan.

— É mesmo? Bem, qualquer um se perguntaria, então, o que seria tão desagradável a ponto de levar uma moça bem-educada a jogar um bibelô e quebrá-lo.

Emma concluiu que já era hora de se retirar.

— Acho melhor eu voltar para as meninas, milorde, lady. Elas já devem estar cansando a pobre Nanny.

— Não vá, Bella — lady Beatrice falou. — Nem tivemos tempo de conversar para nos conhecermos melhor.

Bella voltou a se sentar.

— Não há nada de muito interessante a saber sobre a minha pessoa, lady elizabht.

Beatrice ergueu uma sobrancelha.

— E exatamente isso que estou tentando descobrir.

— Tia, pare com isso. Bella está apenas fazendo a gentileza de substituir a Srta. Marloy, a governanta das meninas, que foi cuidar da mãe doente.

— Entendi. E ela está hospedada em Knightsdale? — Os olhos azuis de Elizabeth examinavam Bella dos pés à cabeça.

— Que... conveniente.

— A Srta. Swan e eu estávamos justamente retomando a velha amizade de infância quando a senhora chegou, tia.

— Retomando, Edward? Então você e Bella já foram... amigos ou algo assim?

— Não. — Bella se levantou, prestes a deixar a sala sem se importar com o que Edward e a tia pudessem pensar. — Lady Elizabeth, posso lhe assegurar que...

— Por favor, não precisa, minha criança. Sente-se. Peço desculpas se a ofendi.

Bella se sentou, mas na beira da cadeira, pronta para sair ao primeiro insulto.

— Não estou acostumada a esse tipo de tratamento, lady Elizabeth. Espero que não se repita.

Elizabeth riu.

— Você não tem papas na língua, não é mesmo? Isso é bom. Então me conte por que atirou aquele bibelô na porta.

Bella corou.

— Era um cachorro de porcelana, lady Elizabeht.

—Ah, é mesmo!—A mulher esfregou as orelhinhas da gata.

— Bess provavelmente a apoiaria. Ela não gosta muito de cães. Bella olhou para Edward em busca de socorro. O safado estava com a mão sobre a boca, encobrindo uma risada.

— Não era minha intenção quebrar o bibelô.

— Não? Então, qual era a sua intenção?

— Eu queria acertar a cabeça de lorde Knightsdale.

—É claro. E o que você fez para merecer tal castigo, Edward?

— Eu apenas pedi a Srta. Swan em casamento. Mas, pelo visto, ela recusou.

Elizabht demonstrou surpresa.

— Sei. Mas um simples "não" não seria suficiente?

— Aparentemente, não — respondeu Edward.

— Lady elizabeth, peço desculpas — disse Bella. — Não tenho como explicar minha reação.

— Então é melhor nem tentar, querida. Algumas coisas são inexplicáveis e outras se esclarecem com o tempo. Só nos resta esperar para ver em qual categoria o episódio de hoje irá se enquadrar. Você disse que vocês já se conheciam? Edward sorriu.

— Bella e eu somos amigos de infância, tia. Quando a senhora chegou, estávamos nos reencontrando, depois de anos sem nos ver.

— Anos, Edward? Quantos anos? Ele encolheu os ombros.

— Talvez mais de dez. A tia fitou o sobrinho.

— Você não vê esta moça desde que eram crianças e mesmo assim acabou de pedi-la em casamento?

— Sim.

Elizabeth meneou a cabeça.

— Bella, minhas desculpas. Eu compreendo perfeitamente a sua reação. Da próxima vez atire um objeto mais pesado e mais de perto.

Charles observava a conversa das damas. Laurent tinha trazido chá e bolo e um pires de leite para Bess.

— Você disse que tem dormido aqui na casa, não foi, Bella? — Elizabht se serviu de uma fatia de bolo.

— Sim. A Srta. Marloy teve de se ausentar de repente na última semana, e achei melhor me mudar para cá para ajudar Nanny. Ela está com muita idade.

— E verdade. E sua família pode se ajeitar sem você? Bella fez uma pausa, e Edward se inclinou para a frente.

Havia uma sombra naqueles olhos encantadores, escondidos atrás da armação dos óculos?

— Oh, sim. Minha irmã já tem dezesseis anos, por isso não precisa mais dos meus cuidados. E ela nem quer minha supervisão diária.

— Hum. E creio que sua mãe tenha falecido há muitos anos, não foi?

— Pouco tempo depois que Alice nasceu. — Bella sorriu, mas Edward viu de novo a sombra em seu olhar. — Eu criei Alice e cuidei da casa, mas as coisas mudaram. O fato é que posso cuidar das meninas sem problema durante a ausência da Srta. Marloy.

Edward viu Bella mordiscar um pedaço de bolo. Ela tinha uma boca bonita, lábios carnudos... beijáveis. Ele olhou a pontinha da língua rosada saindo para capturar uma migalha errante, e sentiu um calor surgindo em uma parte específica de sua anatomia ao imaginar as coisas deliciosas que aquela língua seria capaz de fazer.

— Você não concorda, Edwad?

— O quê? — Ele desviou sua atenção dos lábios de Bella para encontrar o olhar fixo da tia. — Desculpe, tia. Mas acho que estava divagando.

— É assim que vocês chamam aquilo, agora? — lady Elizabeth zombou. No meu tempo...

Edward deu uma olhada para a fisionomia assustada de Bella.

— Tia, a senhora poderia nos poupar de mais um embaraço e apenas repetir a pergunta?

— Tudo bem. Eu estava tentando convencer Bella a participar dos festejos que faremos para comemorar seu novo título, Edward.

— Uma excelente idéia! — Ele deu um sorriso radiante.

— Mas, milorde, eu não posso simplesmente me juntar aos convidados — argumentou Bella.

— Por que não?

— Eu sou a governanta.

— Governanta temporária. — Elizabeth ofereceu um pedacinho de bolo à gata. — Seu berço é impecável. Seu pai é filho de um nobre, se me lembro bem.

— A quarta geração — Bella corrigiu.

— Não importa. Tem sangue azul suficiente. Bella bateu a xícara sobre o pires.

— Suficiente para quê?

— Para a sociedade, Bella. — Elizabht colocou na boca um pedaço de bolo. — Não me lembro de vê-la nos salões de baile de Londres. Você não debutou?

— Não. Quando eu tinha dezessete anos, Alice ainda era criança. Eu não quis sair de perto de minha irmãzinha, e acho que meu pai não queria muito que eu fosse a Londres. Creio que até poderia ter pedido a uma das minhas tias que me acompanhasse, mas achei que não valeria a pena. Elizabeht assentiu.

— Sim, agora me lembro de suas tias, lady Gromwell, a condessa, e lady Fanning, a baronesa. Perfeitamente aceitável. — Ela se serviu de outra fatia de bolo. — Você disse que sua irmã tem dezesseis anos? Ela também recusou a viagem a Londres?

— Sim. Papai até lhe ofereceu uma oportunidade. Lady Eliza, irmã da duquesa de Alvord, estava debutando, e Alice poderia ter ido com ela a Londres. — Bella suspirou. — Acho que Alice não se interessa muito por vestidos e babados. Ela gosta mesmo é de caminhar no campo em busca de plantas para a sua coleção.

Bella fez uma pausa, olhando para a xícara de chá. Edward percebeu mais uma vez uma sombra na doce fisionomia.

— E as coisas estavam um pouco... incertas lá em casa.

O que estaria incomodando Bella? Ele queria ver apenas alegria naqueles olhos, ou o brilho da paixão, e não tristeza.

—Parece-me que sua irmã está precisando de um polimento, Bella — disse Elizabeht. — Sugiro incluirmos o nome dela na lista de convidados, Charles. Será a oportunidade perfeita para introduzir a moça na sociedade.

— Ótima idéia, tia. E Bella estará aqui para acompanhar a irmã.

— Lady elizabeth, não sei...

— Nós insistimos. Não é mesmo, Edward?

— Sem dúvida. Eu a acompanharei à sua casa hoje, Bella. Para entregar o convite pessoalmente.

— Mas...

— Tenho certeza de que seu pai não irá se opor — Elizabeht insistiu. — Ele ficará contente em ver que a filha, ou melhor, as filhas terão uma oportunidade de alcançar uma boa posição social.

Bella abandonou a xícara de chá e se recostou, seus olhos parecendo soltar faíscas.

— Lady ...

A outra ergueu a mão.

— Não seja teimosa. O que você tem contra um pouco de divertimento? Uns joguinhos de cartas, um ou dois piqueniques, um baile?

— Preciso cuidar das meninas.

— É claro, mas não o dia todo. Tenho certeza de que Nanny pode ficar de olho nas duas um pouco, não pode? — Elizabeht olhou para Edward.

—Certamente. — Ele sorriu.—Na verdade, ela está cuidando das meninas agora. E as duas já não são mais bebezinhos. Emma me pareceu muito responsável.

— De fato, ela é — Bella concordou. — Mas precisa se dedicar aos estudos.

-— Tenho certeza de que Emma o fará. — Edward vislumbrou a sorte a seu favor. — Farei uma visita à sala de estudos e ajudarei, contanto que você não me peça para ensinar a pintar com aquarela. Não sei pintar, nem desenhar, nem qualquer coisa do tipo.

— Hum...

— Então, está decidido. — Elizabeht pegou a última fatia de bolo. — Vá apanhar seu chapéu, Bella, e Edward a acompanhará até sua casa agora mesmo.

— Mas...

Bella olhou para Edward, que riu da mistura de ira, frustração e resignação que havia em seu rosto. E esperança? Haveria mesmo uma pontinha de esperança? Ele suspeitava que já fazia muito tempo desde a última vez que aquela moça se permitira um pouquinho de diversão.

Edward estava determinado a mudar isso. E achou que adoraria dar a Bella um pouco de prazer; prazer glorioso, quente, doce; tarde da noite e de manhãzinha. Ele observou o movimento gracioso dos quadris se movendo em direção à saída da sala.

— Decidiu-se por ela, não é?

Edward encolheu os ombros, voltando-se para a tia.

— Desde a morte de Emmet a senhora vem insistindo que eu tenho de me casar. Bella Swan servirá muito bem.

— Você pode escolher entre as muitas damas que virão para os festejos.

— Já conheço todas.

—Ah, mas elas estão muito mais interessadas agora que você é o marquês de Knightsdale.

Edward sentiu um nó no estômago. Aquela era justamente uma das coisas que ele mais abominava em sua situação atual: a bajulação. Pessoas que nunca tinham se importado com o major Cullen agora se acotovelavam para cumprimentar lorde Knightsdale.

— Esse é o charme de Bella, tia. Acho que ela não liga nem um pouco para o meu título.

Bom espero que gostem a historia e linda é perdoem os erros :)