Capitulo II – Uma terrível verdade

— Oh, Céus! Como isso pode acontecer? – esmoreceu a jovem mulher abandonando seu pequeno corpo totalmente cansado contra a poltrona luxuosa.

— Eu que lhe pergunto Matsuri? Como pode mandar à senhorita Hyuuga levar as crianças para um passeio a cavalo. Não lhe ocorria que ela não soubesse cavalgar? – vociferou o senhor Inozuka vermelho de raiva.

A senhora Inozuka encolheu os ombros, envergonhada diante do marido que parecia um cão raivoso.

— Ela não me disse nada. Prontificou-se para o serviço sem nenhuma reclamação – se defendeu sentindo-se ofendida – por favor, não grite comigo. Ela nem tem família para reclamar. – deu de ombros com um biquinho.

— Quem te disse que não?

— Na escola nunca iam procurá-la. Todos diziam que era órfã.

Bebericou seu chá tranquilamente como se não havia dito nada de mais. Kiba ficou desolado com a atitude mesquinha da esposa. Matsuri era meio desmiolada e mimada, mas não era uma pessoa cruel, no entanto aquelas atuais companhias a estavam mudando muito. A jovem se apresentava a seus olhos mais fútil e insensível do que normalmente era e isso não lhe agradava.

— Sim, ela é órfã de pais, mais ainda tem uma irmã mais nova que está casada e um primo.

— Ah!, Está me dizendo que a irmã dela casou e ela não!. – surpreendeu-se Matsuri com sua voz estridente – pobrezinha, agora entendo por que é tão amargurada.

— Matsuri! – repreendeu Kiba, mais desgostoso ainda. – o primo dela é um amigo meu não gostaria que soubesse que sua prima se feriu em minha casa.

— Desculpe querido, nunca foi minha intenção que ela se ferisse.

— Eu sei.

— Por favor, milorde Inozuka, não precisa exaltar os ânimos, o médico já está atendendo a moça. Não há do que se preocupar, com certeza não foi nada. – comentou uma mulher velha de porte elegante.

O senhor Inozuka sorriu um pouco desgostoso com a intromissão e a inconveniente presença da baronesa Yakito e sua coquete filha na sala. Ao saber do ocorrido elas se recusaram a sair, em grande verdade elas não pareciam muito preocupadas com o acidente. Eram de uma classe superior a dele, ostentando um titulo de baronesa, Yakito era uma dama e fazia parte da nobreza. Por isso compreendia o fascínio e a adoração que sua singela esposa tinha para com aquela mulher altiva e elegante. Ao contrário de Matsuri que viera de uma família burguesa que enriquecera com a exportação de produtor dos Estados Unidos não tinha nenhum titulo de nobreza na família, ele não se importava com isso apesar de se orgulhar do seu titulo de Sir, mas não tinha nenhuma ambição de participar do seleto e esnobe circulo da nobreza ao contrario da sua desmiolada esposa. Mas afinal como culpá-la quando se vivia em uma pais que se tinha marcado a presença da realeza.

— O importante é que seus filhos estão bem. – continuou a baronesa - E é bem verdade incabível que uma jovem nos dias de hoje não saiba andar a cavalo. Minha pequena Shion é uma incrível amazona.

— Oh! Isso é verdade. – concordou Matsuri animada esquecendo o tema central da conversa. - há vi cavalgar no parque na temporada passada. Todos ficaram encantados. Dizem que até mesmo o duque Uzumaki.

A delicada Shion corou enquanto sorria sem jeito.

— Sim, minha Shion foi um sucesso na temporada do ano passado e com certeza esse ano será também. Teve vários pretendentes, e alguns olhares do Duque. – gabou-se a baronesa altiva e nada humilde. Kiba estalou os dentes o que menos agradava na sociedade londrina principalmente na nobreza era como as mulheres eram tradas como troféus.

— Quem sabe não se torna a nova Duquesa Uzumaki. – sorriu Matsuri, animada ignorando totalmente o ar desgostoso do marido.

Kiba revirou os olhos farto e deixou a sala com as animadas damas com suas conversas frívolas tinha coisas mais importantes naquele momento como saber se a senhorita Hyuuga se encontrava bem.

….

— Sente alguma dor?

Hinata piscou os olhos tentando se acostumar com a luz ambiente. Notou em sua breve avaliação que estava em um quarto e a ausência de cor indicava ser o seu, isso e mais a dor e no corpo que sentia revelava que ainda estava viva. Com dificuldade tocou a testa dolorida.

— A senhorita levou uma pancada feia na cabeça. – respondeu a voz rouca e velha a quem Hinata logo relacionou ao médico da cidade.

— Há quanto tempo estou aqui Doutor? – perguntou a morena num sopro de voz, a cabeça doía muito.

— Algumas horas. Você sabe quem é? – indagou o médico apreensivo observando cada movimento e nuance das linhas do rosto de Hinata.

A mulher franziu a testa surpresa e respondeu:

— Sim, Sou Hyuuga Hinata. Por que a pergunta doutor?

O homem suspirou aliviado.

— Bem minha cara, é comum pessoas ficarem desmemoriadas depois de uma pancada forte na cabeça. Pelo que vejo foi muita sorte a senhorita ter sobrevivido aquele tombo sem perde as lembranças. Ouvi dizer que o cavalo corria muito e a senhorita em momento algum gritou. Foi muito corajosa.

Sim, o animal parecia possuído pelo demônio. E não, ela não era uma mulher corajosa, estava com tanto medo que ficou paralisada, não conseguia gritar.

— Por sorte não teve aparentemente nenhum ferimento sério.

— Como assim aparentemente?

O homem ergueu a sobrancelha, apreensivo.

— Bem, existem casos de pancadas em cabeças que produzem amnésia como havia dito ou que evoluem para problemas mais sérios, mas ainda é cedo para se afirmar alguma coisa, daqui alguns dias eu voltarei para ver como a senhorita está. Por favor, não se preocupe e descanse muito.

Hinata estreitou os olhos tentando perguntar mais, no entanto, uma brisa fresca a embalou como um bebê levando-a novamente para o mundo dos sonhos.

Durante alguns dias por ordem do Senhor Inozuka, Hinata manteve-se em repouso absoluto. Fora uma benção ficar no quarto lendo seus livros e desenhando as paisagens além da janela, seus passatempos prediletos. No entanto, era desconfortável receber o olhar de reprovação da senhora Inozuka que recebera uma reprimenda do marido por sua negligência. Mas o que a incomodava era o fato de que depois da queda ainda lhe doía muito à cabeça, o médico havia lhe dito que sentiria dor por algum tempo, mas que logo passaria, porém, a dor não passava.

Sentia que algo muito errado estava acontecendo.

— Você deveria ir ao doutor, pequena. Isso não é normal. – comentou a governanta, a única amizade que Hinata tinha na casa.

— Eu não sei, acho que é do trabalho. Cada dia essas crianças ficam mais agitadas.

— Isso é verdade. Mas logo Rui vai para o colégio interno, e as crianças menores são mais fáceis de lidar.

A morena concordou com a cabeça, mais achava cruel mandar uma criança tão nova para um colégio interno, Matsuri e Kiba mal passavam o tempo com ele. Ela até entendia o motivo de Rui ser tão agitado, ele queria atenção, queria que seus pais o notasse, lhe dessem carinho.

— Ele é um bom menino, vou sentir saudades.

— Você é muito boa. Sei que ele também vai sentir sua falta, ele ficou preocupado quando a encontram desacordada. Ficou amuado e me perguntou se você ia viver. – riu a mulher – ia todos os dias te ver

— Eu sei. Ele foi muito gentil – sorriu Hinata

Ritsu era uma mulher vivida e bem educada, trabalhava há anos para família e tinha uma perspicácia invejável. Em apenas uma olhar ela decifrava uma pessoa.

— Você será uma boa mãe.

— Seria, mas já foi minha chance - sorriu sem jeito. – se bem que nunca tive uma chance. – murmurou Hinata pensativa.

— Não? – surpreendeu a mulher erguendo as sobrancelhas. – então não diga que seria, pois ainda vai ter sua chance. Ah! Havia me esquecido, chegou uma carta pra você.

Hinata pegou o envelope que a mulher lhe estendia, abrindo-o. Leu por algum tempo em silêncio e depois voltou o olhar para a mulher

— É uma carta da minha irmã. Ela diz que está grávida. – sorriu tristemente.

A mulher entreabriu a boca para falar, mais não soube o que dizer. A morena dobrou a carta com cuidado e a guardou no bolso. Não queria falar com ninguém. Silenciosamente se levantou resolvendo então visitar o médico do povoado. A mansão Inozuka ficava alguns quilômetros da vila e a caminhada seria perfeita para aquele momento. Enquanto observava o lindo céu azul Hinata se perguntava por que se deixava abater, já estava cansada de saber que nunca poderia ser mãe, nunca ninguém havia se interessado por ela muito menos com intenção de casar ou ao menos de tê-la como amante. Estremeceu com tal pensamento, alguns anos atrás acharia inadequada quase uma blasfêmia pensar nisso, mas com o tempo, idade e o que presenciou por ai começou a ser mais freqüente tais pensamentos, mas não passavam disso. Não tinha nem o poder de fazer alguém pensá-la como uma amante.

Hinata sempre foi uma mulher dedicada, desde seus catorze anos trabalhava em pequenos empregos, como balconista de loja ou ajudando em uma modista, mesmo morando na casa do tio não queria que a considerasse um estorvo, pois ela e a irmã eram órfãs, os parentes pobres que moravam de favor. Foi uma menina frágil antes da morte repentina dos pais, mas após a dura realidade ela decidiu não ser dependente de ninguém e na dor e solidão ela se fortaleceu. Determinada nunca havia pedido nada, conseguiu sozinha a bolsa na academia para moças onde se formou como professora. Quando sua irmã conheceu Konohamaru ela lhe deu a pouco dinheiro que seu pai havia lhe deixado para a irmã, para que esta tivesse um dote descente e o jovem a considerasse a altura dele. Os dois se amavam e Hinata mesmo feliz por eles sentia inveja. Nunca teria tal sorte.

— O doutor está? – perguntou a recepcionista ao entrar no prédio do médico.

— Só um minuto. – pediu uma moça adentrado o escritório de onde saiu alguns minutos depois – pode entrar, o doutor irá lhe atender.

— Bom dia senhorita Hyuuga, o que lhe traz aqui? – saudou o homem apertando com energia a pequena mão da Hyuuga.

— Bom dia, Doutor. Eu vim aqui por que ainda estou sentindo muita dor na região da pancada.

O homem velho encostou-se à poltrona ajeitando o jaleco branco sobre a barriga avantajada.

— Entendo, vejo que não há nem cicatriz, porém lhe dói? – perguntou se levantando da cadeira. Por alguns segundos examinou a mulher e depois voltou a se sentar.

— Sim, doutor. Estou um pouco apreensiva, nunca tive dores de cabeça fortes antes e agora elas estão me matando. Não consigo dormir direito e ando muito cansada. Será que é algo relacionado com o acidente?

O médico olhou a Hyuuga por um minuto por cima dos óculos e depois voltou sua concentração para o que estava escrevendo. Hinata estranhou tal comportamento, geralmente o médico era gentil e atencioso, mas naquele momento parecia distante. Depois de alguns minutos em silêncio o homem estendeu um pedaço de papel para Hinata.

— Esses são nomes de algumas ervas para você fazer um chá. Não se preocupe senhorita Hyuuga. A dor de cabeça deve ser por toda situação traumatizante pela qual passou. Esse chá irá fazer bem e amenizará as dores.

— Obrigada doutor – agradeceu ainda não convencida com aquela resposta.

— Por nada minha jovem. Fique tranqüila.

Hinata se levantou e seguiu em direção a mercearia da cidade quando percebeu que havia deixado no consultório do médio suas luvas.

Quando voltou bateu na porta, porém ninguém atendeu.

— Com licença. – chamou timidamente ao notar que porta da recepção estava semi-aberta, a recepcionista, uma jovenzinha de uns dezoito anos e de cabelos negros e olhos azuis, não se encontrava no balcão. Hinata adentrou um pouco mais a sala até localizar as luvas em uma mesinha de canto próximo a porta do consultório do médio, havia deixado ali quando olhava o quadro sobre a mesa. Se sentindo uma intrusa ela logo se adiantou para apanhar as luvas e sair do local quando ouviu:

— A Hyuuga já saiu?

— Sim doutor. – respondeu a recepcionista. – e já fechei o consultório.

— Que bom, não sei o que faço.

— É muito sério doutor?

— Se é serio? Não tem mais salvação. – o homem respondeu num tom de voz sombrio.

— Oh, por Kami! – exclamou a jovem horrorizada.

— Eu também estou desolado Mio. Ela é uma mulher tão jovem.

— O senhor contou para ela? – indagou a mulher curiosa.

Hinata apertou as luvas contra o peito com muita força, sem respirar. Não era educado ouvir a conversa alheia, mas seus pés simplesmente não saiam do lugar.

— Não. – o homem coçou os cabelos brancos, inquieto. – ela estava na minha frente com tanta esperança, não tive coragem de lhe dizer que vai morrer.

Hinata entreabriu a boca surpresa enquanto os olhos começavam a nublar com as lagrimas.

— Eu lhe disse que não precisava se preocupar com as dores que elas iriam passar com chá de ervas. Mas sinceramente não há mais salvação, nenhum remédio poderia salva-la. Sinto-me um maldito e impotente diante de tais situações. Pergunto-me por que estudei para isso se nem ao menos posso salvar uma vida. – esmurrou a mesa, irritado assustando a jovem moça e Hinata.

— Quanto tempo de vida ela tem?

— Uns seis meses.

Hinata sentiu o chão desabar sobre seus pés enquanto suas pernas fraquejavam. Ela iria morrer. Iria morrer dali seis meses! Sem querer esbarrou em um vaso fazendo-o cair no chão o barulho chamou a atenção dos ocupantes da sala que saíram para verificar o que havia acontecido. Hinata apavorada e desnorteada saiu correndo de lá.

— Era a senhorita Hyuuga? - exclamou Mio olhando o doutor – será que ela ouviu.

— Acho que sim. – comentou o médico pensativo.

— Não é melhor ir atrás dela doutor?

O homem coçou a barba branca e suspirando deu as costas para a porta voltando para o escritório.

— Melhor não. Talvez seja bom que ela tenha ouvido.

A jovem chamada Mio olhou o médico e a porta visivelmente confusa.

Espero que tenham apreciado o capitulo *.*