1º Dia
N/A: Itálico – Rodolphus. Normal – Bellatrix.
Se ela quisesse mudar com certeza que nunca o conseguiria fazer. Ela precisava de adorar alguém. Esse ponto era extremamente crucial. Assim como tinha venerado Tom Riddle na escola, ela precisava urgentemente de arranjar alguém que o substituísse nesse ponto. Ele tinha viajado, ele queria conquistar o mundo. Bellatrix admirava-o por isso... Ele era digno de admiração. Algo nele dizia, gritava, ao mundo que ele ia ter sucesso.
Ela olhou o seu reflexo no espelho e ajeitou cuidadosamente os cabelos pretos.
Cabelos pretos, roupas pretas, alma preta.
Tudo nela era absorvente.
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A rua nunca pareceu ser tão convidativa como naqueles últimos dias.
O cinzento dos seus olhos transpunha-se no nevoeiro da cidade canadiana. Nada que lhe dissessem o ia fazer sentir menos perdido. Estava ferido, incompleto, aberto. Nada poderia continuar a ser como antes.
Nada poderia ser tudo. Nunca.
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Ela sempre desejou voar e elevar-se acima do mundo.
Sorria debilmente quando via as tentativas frustradas das pessoas para realizar o seu sonho. O único problema é que ela tinha medo demais de tentar. Ela não admitia a hipótese de fracassar mas o medo consumia-a. O medo queimava, descia pela garganta e impedia-a de perseguir o seu sonho.
Era um medo idiota. Era um medo realista.
Suspirou no check in. Ela precisava de voar.
Olhou para a Walburga que conversava com Narcissa perto das portas de embarque.
Suspirou outra vez. Ela preferia fazê-lo sozinha.
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Nada lhe dava mais prazer do que aproveitar para ir até ao planetário de Vancouver. Entrou sorrateiramente e ocupou o seu lugar na sala circular. Estavam a falar de Orion e das suas estrelas. Sentia-se intrigado com Betelgeuse mas mesmo assim conseguia achar mais fascinante Bellatrix com o seu brilho acima da média mas não demasiado chamativo.
Ele queria guardar um pouco daquele brilho num frasco para afastar o nevoeiro da sua vida.
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Desfolhava distraidamente o livro que tinha no colo.
Não estava minimamente interessada na história romântica por detrás de tudo. Achava tedioso a maneira poética como os protagonistas se amavam e prometiam ficar juntos apesar de todas as contrariedades. Revirava os olhos a histórias demasiado Romeu e Julieta em que o amor comandava a vida. Que coisa mais irreal e improvável.
Olhou para ao lado e viu os cabelos loiros que tão bem conhecia e tão diferentes dos dela. Narcissa estava com os olhos fechados e uma expressão sonhadora no rosto.
Sorriu. Aqueles romances idiotas eram perfeitos para Narcissa.
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Precisava de sexo.
Precisava de sentir uma mulher tremer nas suas mãos. Precisava do suor, dos gemidos, dos toques, da libertação.
Ele precisava urgentemente de tudo isso mas ninguém lhe interessava a esse ponto. Ninguém era suficientemente interessante ao ponto de valer a pena.
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Continuava presa no cinzento torturante daquele tédio. Estava farta daquele livro, daquelas texturas, daquele método de impressão. Era tudo tão aborrecidamente igual que chegava a dar sono. Chegou até a cogitar a ideia de dormir um pouco como a sua irmã antes de achar uma perda de tempo.
O céu era tudo o que queria.
Quis sentir o vento na cara.
Era o seu limite.
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Rabastan.
Ainda hoje se lembrava da razão que motivou a sua obsessão pelo céu. Ela começou quando percebeu que Rabastan podia ser mais do que demonstrava. Ele era muito mais que tudo. Rabastan herdara o nome de uma estrela, de um pedaço do paraíso que nunca seria tocado.
Nunca ninguém o tocaria.
Nem mesmo ele tocaria o paraíso.
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Um misto de alegria e tristeza invadiu-a quando o avião aterrou. Queria gritar, obrigar a voltar, queria correr até desfalecer.
Ela estava vazia. Era pouco mais de uma concha.
Bellatrix precisava de encontrar uma maneira de continuar a viver.
Mas ela não queria.
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Gostava do som dos aviões a descolar. Queria urgentemente sair dali mas não podia, não deixavam.
Estava tão preso que sentia que se quisesse levantar as mãos, elas estariam agarradas ao chão.
Levou as mãos ao pescoço e marcou-o de vermelho com os dedos brancos.
Estava farto de cinzento! Ele não aguentava mais aquelas cores, aqueles sons. Ele necessitava de mais. Ele precisava do seu paraíso, mas o seu paraíso nunca abriu o seu mundo.
Rodolphus precisava de muito mais. Foi quando a viu.
N/A: Aham, eu sei que foi um pouco esquisito HAHAHAHA o POV foi misto porque eles não se encontram no mesmo local, não se conhecem e esta foi a maneira que me ocorreu HAHAHAH Eu sei que isto pode levar a pensar em Rodolphus/Rabastan e quem sou eu para negar? O:)
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