Chicago - 2009

Ela resmungou, virando para o outro lado de sua pequena cama, quando seu despertador tocava.

Tacou a mão nele, sem nem abrir os olhos e resmungou se enrolando mais na sua manta e se afundando na cama quente. Tudo que queria era ficar ali o dia todo enrolado naquela manta vermelha e feia, mas infelizmente não podia, era segunda feira, o dia de arrumar seu pequeno apartamento.

Isabella Masen se levantou, espreguiçando seu corpo, olhando ao redor.

Morava em Chicago, a maior cidade do estado de Illinois nos Estados Unidos, em um dos bairros mais pobres, seu prédio de três andares era velho e colado a outros do mesmo estilo. Seu apartamento era pequeno, um quarto, com uma pequena cama de solteiro, um guarda roupa que ela havia comprado em uma loja de móveis usados, mas que estava conservado.

Sua sala tinha uma televisão grande, mais daquelas antigas que pareciam ter um nódulo atrás dela, mas pelo menos era colorida e funcionava em cima de uma mesinha, tinha um único sofá cama de dois lugares.

Bella, como gostava de ser chamada, às vezes preferia dormir ali a dormir na sua pequena cama de solteiro. O que separava a sala de sua cozinha era apenas uma simples bancada e a cozinha de Bella, era composta apenas por uma geladeira antiga que fazia mais barulho que tudo, um micro-ondas que ela havia comprado recentemente e ainda estava pagando, um filtro de barro e uma pia. Nada de fogão, quando Bella queria cozinhar alguma coisa, ela ia para o apartamento de sua vizinha, uma senhora viúva, já com seus setenta e nove anos e que morava sozinha na companhia de um gato, elas até que se davam bem.

Bella até tinha comprado um fogão usado, só que era velho e quebrou meses depois da compra e como ainda estava pagando algumas das coisas que tinha comprado ainda não havia conseguido comprar outro.

Seu banheiro era simples nada luxuoso, mas seu chuveiro havia queimado e como ela estava tentando economizar dinheiro, para pagar o aluguel que havia aumentado aquele mês, ainda não havia chamado alguém para consertar.

Tirou o grosso moletom que usava e suas meias, como não tinha um edredom ou um aquecedor e fazia muito frio em Chicago, chegando às vezes a menos de 8 graus negativos, dormia com várias roupas e às vezes até de luva, para não ter uma hipotermia e morrer, se enrolava com sua manta grossa, mas isso não era o bastante.

Muitas noites, durante a madrugada, acordava com dor no corpo por causa do frio.

Mas naquele dia o clima parecia que daria um pouco de sossego e o sol começava a clarear o dia que estava nublado e chuvoso há semanas. Ela sorriu, amava sentir o sol aquecendo sua pele. O calor.

Escovou seus dentes e penteou seus cabelos, abriu sua geladeira suspirando, precisava fazer compras e logo, mas com o aluguel mais caro, não sabia se teria dinheiro suficiente para isso.

Pegou a última maçã que tinha ali e comeu lentamente, se deliciando com o gosto doce da fruta.

Depois começou a arrumar seu apartamento o que não demorava muito, limpou seu quarto, depois o banheiro pequeno, sala e cozinha. Limpando cada canto que pudesse ter alguma poeira e sujeira.

Apesar de tudo que havia sofrido, de toda dor que sentia por ser sozinha, sem família ou amigos por perto, por toda a humilhação que já havia passado, ela não deixava nada a abater.

Era uma jovem determinada, teimosa e que lutava até o último segundo pelo o que achava certo, dificilmente uma pessoa mudava sua opinião. Preferia ser humilhada e viver miseravelmente a fazer coisas erradas, como muita gente já havia oferecido para ela drogas e até o mundo da prostituição. Felizmente Bella era madura, tinha consciência e não foi para nenhum dos dois lados.

Uma vez havia ouvido um povo falar de Deus e gostava de pensar que se esse Deus realmente fosse real, teria mesmo um proposito para sua vida. Apesar de não ser religiosa, tinha fé em Deus. Tinha esperança que sua vida se transformaria em algo melhor e por isso, mesmo com todo seu sofrimento e com sua vida medíocre, antes de se deitar se ajoelhava no chão e agradecia a Deus por sua vida, pelo dia que tinha tido e pedia força para aguentar mais um dia, sabia que tinha pessoas em uma situação pior que a dela.

Bella terminou a faxina umas duas horas depois, iam dar dez horas da manhã, tomou um banho e já vestiu seu uniforme de trabalho, uma calça jeans, tênis e uma blusa de botões com as cores, o slogan da cafeteria e seu nome bordado.

Olhou-se no espelho enquanto fazia um coque em seus longos cabelos castanho avermelhado. Bella estava na altura média das mulheres, sua pele era tão branca que parecia até uma albina, contrastando com seu cabelo escuro. Seu rosto tinha um formato de coração, seus lábios eram um pouco cheios sendo o superior um pouquinho maior que o inferior, e seus olhos eram tão comuns, segundo ela mesma achava, castanhos sem nada especial.

Bella fechou seu apartamento, escondeu a chave no vaso da Sra. Gomez como sempre, não a levava, tinha perdido uma e aquela era a ultima, precisava fazer logo uma cópia dela. Bella na verdade não levava nenhuma bolsa, não via necessidade já que não tinha celular nem nada.

Bateu na porta de sua vizinha e a senhora sorriu quando a viu. Tinha cabelos brancos e olhos azuis brilhantes escondidos atrás de grossas lentes de óculos de grau, tinha dois filhos, mas ambos haviam se casado e visitavam a mãe só uma vez por ano e olhe lá, seu marido já havia morrido há anos e sua única companhia era um gato branco chamado Alf. É incrível como uma mãe consegue cuidar de seus filhos e faz tudo para ele, mas na hora que é ela que precisa de cuidados, muitos filhos mal se importam.

Mas Sra. Gomez não deixava a tristeza a abalar, e ela era muito energética para alguém de sua idade, participava de um grupo de idosos e às vezes até viajava com eles.

— Bom dia, senhora Gomez, tudo bem? — Bella disse educadamente.

— Oh, minha querida estou bem. Já está indo trabalhar? — a sua voz era rouca e baixa, mas firme.

— Sim, você precisa de alguma coisa?

— Não estou ótima, meu filho me ligou — ela disse com um sorriso grade.

Bella ficou feliz, pelo menos eles ainda se lembravam que tinha uma mãe.

— Isso é bom. Então eu estou indo trabalhar, amanhã você vai querer que eu faça uma faxina no seu apartamento? — ofereceu.

— Isso seria ótimo, minha menina. Agora vá antes que perca o metrô.

— Sim, até mais, senhora Gomez.

— Vá com Deus, minha querida.

...

Bella trabalhava em uma cafeteria muito popular que ficava no centro da cidade. Os donos eram os pais da única amiga que Bella havia feito no orfanato que ela morou desde os três anos de idade, mas ao contrário de Bella, a menina havia conseguido ser adotada com nove anos de idade, mas ela impôs uma condição para os pais.

Sim. Disse que só moraria com eles, se eles permitissem que visitassem Bella, sempre que ela quisesse, o casal era bondoso e já era a segunda criança que adotavam, eles acharam graça do pedido e se encantaram pela amizade das duas, pensaram em até a adotar Bella, mas não o fizeram e cumpriram a promessa para a filha.

Quando Bella havia completado seus dezoito anos e deixou o orfanato, Alice, a amiga, chamou Bella para trabalhar na cafeteria de seus pais e Bella mesmo não querendo se aproveitar disso, não podia dizer não. Sabia que precisava ganhar algum dinheiro, não tinha nada naquele momento, a não ser aquela pequena caixa que guardava com o maior cuidado do mundo.

Já havia mais de um ano que Bella trabalhava lá, no começo havia morado com Alice, mas sabia que aquilo não poderia durar para sempre e precisava arrumar um lugar para morar, Alice foi contra, mas Bella não podia ficar ali. Ainda mais que sua amiga tinha passado em uma universidade e se mudaria para outro estado, Bella até sentiu medo de ser demitida, mas felizmente isso não aconteceu.

Bella precisava andar quatro ruas para chegar à estação de metrô que felizmente a deixava bem no centro da cidade e ela só precisava atravessar uma avenida e andar mais alguns metros para chegar ao local de seu trabalho. O problema era só quando voltava que já era tarde, mas felizmente nunca havia acontecido nada. Bom é claro, exceto uma vez que um cara tinha abordado ela com uma faca, mas como Bella quase tirou a roupa para mostrar que não tinha nenhum dinheiro, o homem foi embora sem fazer nada.

Bella finalmente chegou ao seu trabalho faltando menos de meia hora para começar seu horário, Ângela Weber, uma moça morena e alta estava atendendo no balcão ela e Bella eram boas colegas de trabalho.

A cafeteria era grande e espaçosa, tinha uma pequena área para as crianças brincarem, vários computadores com acesso à internet, no centro formando um círculo, a área das mesas e um balcão onde podia se ver vários doces, salgados, cokkies, bolinhos, bolos, tortas.

— Oi Anggie — Bella cumprimentou-a.

— Oi, Bella — Ângela disse sorrindo.

Elas conversaram rapidamente, mas logo um cliente chegou, Bella foi assinar seu ponto e cumprimentou seu outro colega de trabalho Mike Newton, ele era baixo se comparado a outros homens, loiros de olhos azuis, Bella não se sentia muito confortável perto dele, mas ele parecia ser uma boa pessoa.

— Oi Bella — ele disse beijando sua bochecha macia.

— Oi — ela disse simplesmente, já pegando sua bandeja e seu bloco de anotação.

A cafeteria não era muito movimentada à tarde, os principais clientes, eram estudantes, ou algum casal, ou parentes, que marcavam de encontrar ali. Ficava mais movimentada na parte da manhã e lá pela seis da tarde.

Bella estava tendo um dia bem tranquilo, atendendo apenas uma mesa, quando ele entrou.

O ar de poder que emanava dele a cada passo mudou o clima da cafeteria e alguns clientes ficaram em silêncio olhando-o e cochichando entre si.

Ele usava um terno preto extremamente caro, seus cabelos de uma cor de bronze incomum, estavam perfeitamente penteados para trás com gel, mas alguns fios rebeldes começavam a despentear seu penteado.

Ele era alto, bem alto, Bella chutaria que ele tinha quase um metro e noventa de altura, o terno que ele usava tinha um caimento perfeito em seu corpo, como se tivesse sido feito para ele. Seu rosto era másculo, seu maxilar quadricular forte, seus lábios eram finos e seu nariz proporcional ao seu corpo. Mas o que sempre chamava a atenção de Bella, não era o segurança forte que entrava atrás dele ficando plantado ao lado da porta, eram os olhos do homem.

Verdes. Pareciam duas esmeraldas preciosas.

E eram.

Não era a primeira vez que Bella o via. Ele ia praticamente todos os dias a cafeteria e já havia se tornado um cliente regular dela.

Bella sabia que ele era um importante executivo, havia ouvido Ângela falando que tinha lido sobre ele em uma reportagem de revista. Bella se espantou quando ela disse que ele é um dos homens mais rico do Estado, se não o mais rico. Tinha uma fortuna quase incalculável.

Mas, Bella mesmo, não sabia muito mais que isso.

Sabia o que ele sempre pedia quando ia ali. Um cappuccino e algum salgado ou doce, ele sempre revezava.

Ah, é claro, sabia seu nome também. Edward Cullen, conhecido como o magnata de Chicago.