II

SCORPIUS MALFOY

Albus estava a olhar a sua imagem no espelho, ainda tinha a cara branca, mas já não tanto como quando saíra da Estufa 2. Correra a toda a velocidade, cambaleando ligeiramente, pelos corredores de Hogwarts na esperança de não desmaiar antes de chegar à casa de banho. Agora que recuperava um pouco os sentidos, tinha a impressão de que chocara com um ou dois alunos mais velhos, mas não ligou muito.

-Por esta altura já devem estar a comer.- Exclamou Albus, mais para se acalmar do que propriamente outra coisa. Aproveitou para olhar em volta, a casa de banho era feita de mármore, o que dava um tom branco à divisão. No centro encontrava-se um conjunto de seis lavatórios e os espelhos correspondentes, Albus colocou os braços sobre um deles e deixou cair a cabeça para pensar naquilo que se sucedera no final da aula de Herbologia.

Acerca do homem que vira, Albus tinha a certeza que não o conhecia, no entanto o rosto à primeira vista não era desconhecido. Lembrava-lhe alguém que já vira, mas não sabia onde. Depois...os nomes, reconhecera dois deles; Harry, por ser o nome do seu pai e Albus, por ser o seu próprio nome; quanto a Tom e Frederic, conhecia um ou outro trabalhador no Ministério com esse nome, mas não conseguia estabelecer um contacto nem consigo nem com o seu pai.

Albus ouviu a porta da casa de banho abrir e olhou-se rapidamente ao espelho, não havia mal, a cor já voltara quase por completo à sua face, quem quer que fosse não iria gozar nem meter-se com ele.

-Cheira a menino famoso...cheira a...oh, Potter.- Albus enganara-se, havia alguém que iria gozar e meter-se com ele.- Albus Severus Potter, o menino prodígio dos Gryffindor.

A única pessoa que gozaria com ele era Scorpius Malfoy, filho de Draco Malfoy, um antigo Devorador da Morte que, segundo o seu pai, era um cobarde que fugira da Batalha de Hogwarts para salvar a própria pele. Scorpius era em tudo parecido com Draco, tinha o cabelo loiro platinado até aos ombros e vestia uma camisa preta por baixo do manto, o que lhe realçava a gravata verde. Albus não gostava de Scorpius, não sabia se por um factor hereditário, se por ser ele próprio. Era alguém desprezável e com quem Al não queria manter qualquer contacto. Mas, infelizmente, Scorpius era um bom feiticeiro e era o único aluno que acompanhara Albus na disciplina de Defesa Contra as Artes Negras e, como tal, era quem se sentava ao seu lado na aula e era quem fazia par com ele.

-O que é que tu queres Scorpius?- Albus estava com a cabeça ainda um pouco à roda, como tal, a sua paciência para Scorpius e as suas piadas provocatórias estavam no limite.

-Calma, calma. Não queremos provocar baixas nas nossas equipas, pois não? Vim simplesmente à casa de banho.- Dirigiu-se a um cubículo onde estavam as sanitas. Albus seguiu-o com o olhar e quando Scorpius parou à frente da porta verde, Al sabia que ia haver problemas.- Mas não pude deixar de reparar que estavas um bocado pálido na tua corrida para aqui. O que se passa? O Professor Neville ameaçou-te que mandava uma coruja ao papá e à mamã?

-Ao menos eu tenho um pai que enfrentou o que devia. Deves saber exactamente o que é isso, basta imaginares o teu pai sem ser um cobarde.

Atingira o ponto fraco, Scorpius virou-se rapidamente e colocou a mão dentro do manto, Albus fizera o mesmo e, em menos de nada, ambos os alunos estavam com as varinhas apontadas um ao outro. Abateu-se um ambiente pesado na casa de banho e, durante algum tempo, Al pensou que iria ter um duelo ali, mas quando Scorpius baixou a varinha e sorriu, percebeu-se que ele não estava interessado em destruir aquela sala.

-Eu não gosto de ti, tu não gostas de mim. Que tal mantermos uma certa distância e só nos encontrarmos nas aulas de Defesa Contra as Artes Negras? Que me dizes?- Scorpius estava já colado a Albus, falando frente a frente com um sarcasmo evidente.

-Desde que te mantenhas longe de mim e eu não tenha de ver a tua cara perto de mim nos corredores, tudo bem.

Scorpius lançou o sorriso irónico e saiu da casa de banho. Albus guardou a varinha no manto e olhou-se, pela última vez, ao espelho. Os nomes, o homem desconhecido, estava disposto a descobrir qual a ligação entre as duas coisas. Mas o estômago a dar sinais de vida impediu-o de virar à direita quando saiu da casa de banho, em vez disso, a curva à esquerda levava-o para onde precisava de ir, o Salão Nobre.