Capítulo 2: O tempo traz a mudança
Durante uma semana pensei em toda a minha vida. Em tudo o que tinha vivido, em tudo o que tinha acontecido. Destino ou não, a conclusão era óbvia. Com o passar do tempo, mudanças acontecem na nossa vida, umas vezes boas, outras vezes más. Mas todas elas ditam o nosso rumo.
Olhava o porto pela janela do antigo escritório do meu pai. O mar estava calmo, ouvindo-se o canto das gaivotas. Tinha pensado muito na proposta de James. Estava completamente dividida em duas. Mas ao fim de todo este tempo, eu tinha uma resposta. Se me iria arrepender ou não, isso o tempo me diria.
- Vejo que este é um dos seus sítios preferidos. – a voz de James Norrington soou atrás de mim.
- As pessoas evitam os locais que lhe trazem saudade e tristeza. Para mim, são esses mesmos locais que me fazem ter saudade sim, mas de momentos felizes. – disse, continuando com os olhos fixos na janela. – Não há nada pior do que estarmos longe de quem amamos e das coisas que lhes pertenceram.
- O seu pai era um bom homem, Elizabeth. – James disse.
- Efectivamente. – levantei os olhos. – Talvez por isso o prendessem e o matassem.
- Eu lamento por tudo. Se eu soubesse o que Lord Beckett iria fazer…
- Eu sei que defenderia o meu pai. – olhei para si e sorri fracamente.
- Sempre admirei a sua capacidade para achar que até o ladrão mais reles é um bom homem.
- Refere-se a Jack Sparrow? – sorriu mais abertamente e encarei James. – Jack é de facto um bom homem. Uma criatura difícil, incompreensível por vezes, louco o bastante, mas com bom coração.
James nada disse e eu voltei a fixar a janela. Talvez se Jack aparecesse no horizonte eu tivesse alguma chance de ser feliz. Mas agora que o Pérola se encontrava na mão de Barbossa a minha esperança tinha-se desvanecido completamente. Já não faria parte de uma história de piratas.
- Will também é um bom homem. – James disse.
- Sim. Ele prometeu salvar o pai e assim o cumpriu. Terá tempo de sobra para reparar o tempo perdido com Bill Turner. – esperei que James dissesse algo como "Mas deixou-a a si sozinha". No entanto, permaneceu calado. Soube então que o momento que temia tinha chegado. – O prazo acabou portanto?
- Como? – James olhou-me interrogativo.
- O prazo para a sua proposta. – disse, sentindo a boca seca.
- Eu não lhe dei um prazo. Apenas lhe pedi para que pensasse no assunto. – James chegou-se à janela fixando o mar, numa tentativa de me ignorar.
- Eu já tenho uma resposta. – vi que continuava impávido e sereno, embora tentasse disfarçar um certo nervosismo. – Eu irei ser perseguida até ao fim da vida. Will não me poderá valer e já não vejo solução no horizonte.
- Pensa portanto que se o Sparrow aparecesse, estaria segura ao seu lado? Ao lado de um pirata procurado por todas as marinhas? – James perguntou.
- Não se trata de segurança, mas sim de liberdade e felicidade. – disse, não tirando os olhos dele. – James, quer queira quer não eu irei ser sempre uma pirata. Mesmo que não vá para alto-mar, mesmo que não roube ou pilhe, eu pensarei sempre como um pirata. É isso que quero que compreenda.
James olhou para mim sério e ao mesmo tempo confuso.
- Eu aceito a sua proposta. – disse suspirando.
- Mas… acabou de dizer que é uma pirata! – James exclamou.
- Por isso mesmo. Se fosse por mim, eu pediria para que me colocasse em lugar seguro até tomar um rumo na minha vida. Só que eu não estou mais sozinha. Carrego um filho do Will. E é nessa criança que tenho de pensar. Eu aceito casar consigo James.
- Por esse filho? – James olhou-me directamente.
- Sim. Numa coisa você tem razão. Se eu quiser dar uma vida decente a esta criança, eu terei de me reintegrar na sociedade. E você é inevitavelmente a única pessoa de confiança que me resta.
-Eu vou fazer de tudo para que não a julguem, nem a prendam. – James disse.
- Eu sei. Mas eu quero deixar três coisas claras. – disse.
- Eu sabia que iria colocar alguma condição. – James colocou as mãos atrás das costas.
- Em primeiro em quero que saiba que para mim este casamento é apenas um contrato e não uma união entre um homem e uma mulher. – engoli em seco. James continuava com uma expressão indecifrável. – Eu nunca poderei ser uma mulher a sério para si.
- Há muito tempo que deixem de ter qualquer ilusão. Por isso já sabia que iria pedir isso. – James disse.
- A segunda condição tem a ver com o filho que carrego. Eu quero que ele saiba quem é o seu pai. Não lhe vou esconder nada, muito menos o seu verdadeiro nome.
- Justo, embora doloroso. Vai contar que ele é filho de um pirata amaldiçoado? – James perguntei e notei um pontinha de troça.
- Vou tentar fazer os possíveis para que ele compreenda. – fiz uma pausa antes de avançar com a última condição. – Por último, há uma coisa que eu quero propor e espero que me compreenda. Se daqui a 10 anos, quando Will aparecer, ele não concordar com esta situação e me garanta que pode dar um jeito de ficarmos juntos, eu peço para que me deixe partir.
James fitou-me durante um longo período e depois deu algumas voltas na sala.
- A vida é sua. Longe de mim prendê-la como uma simples dona de casa. Sei eu que isso é quase impossível.
- Obrigada por compreender. – disse mas James continuava com a mesma cara.
- Espero que daqui a uma década, Will cumpra com o prometido, com o mesmo afinco que você Elizabeth. – James disse retirando-se e deixando-me sozinha.
Duas semanas depois…
- Não aperte tanto o espartilho. – pedi à costureira.
- Mas é a última moda. Qual noiva deseja ir no seu casamento sem uma cinta de vespa? – a costureira perguntou.
- Eu. – disse, enquanto me olhava ao espelho. Tinha pedido uma cerimónia simples e consequentemente um vestido sem grandes atributos. Cor de salmão, possuía um corpete de cordões atrás. Embora continuasse com o ventre liso como uma tábua, notava que o meu peito tinha aumentado assim como a cinta. E isso reflectia-se na hora de me vestir. Ninguém sabia que estava grávida a não ser James, o médico e uma das criadas de confiança. Era impossível esconder da última quando se passava o tempo todo vomitando.
- Nunca pensei que este dia chegasse finalmente. – a costureira observou terminando de amarrar o corpete e inspeccionando qualquer falha no vestido.
- Como assim? – arqueei a sobrancelha.
- Port Royal esperava com grande ansiedade o casamento entre a senhorita e o Comodoro James Norrington. Um casamento como há muito não se via.
- Pois então. Que eu saiba, a última vez que aqui estive foi no dia do meu casamento o qual fizeram questão de arruinar. – disse, sentindo-me enfurecida.
- Eu sei. E seria um lindo casamento senhorita Elizabeth. Mas tem ver que todos contavam ver a filha do governador casada com alguém importante e não com um ferreiro. – a costureira olhou-me indirectamente.
- Acho que já estou suficiente arranjada. Deixe-me um momento sozinha. – tentei conter a fúria. Quem eram aqueles insolentes para dizerem com quem me deveria casar? Mal sabiam eles que Will era agora o homem mais poderoso dos sete mares.
Deixe-me cair na cama e acariciei o meu ventre. Não queria chorar. Já tinha me debulhado em lágrimas o suficiente em mais de dois meses. Entre ir parar à forca ou ter de voltar à antiga vida de sociedade, preferia mil vezes a segunda.
- E tudo por ti. – disse, olhando a minha própria barriga.
Desci as escadas lentamente até chegar à entrada. O casamento iria ser na capela da mansão. Não havia ambiente para mais. A população sabia do enlace e ao chegar à porta de entrada vi um bando de curiosos espreitarem por entre os portões da casa, contidos por uma guarnição de soldados.
- A menina importa-se que eu a leve? – Gill, o mordomo fiel daquela casa surgiu na minha frente. A sua pergunta fez com que caísse na realidade. Não tinha ninguém que me levasse ao altar. Não fazia questão. Para mim não era um casamento. Era uma fuga à morte certa. Mas não deixava de sentir o coração apertado.
- Por favor Gill. – enfiei o braço neste. Gill conhecia-me desde miúda e era um bom homem. – Não quero fazer isto sozinha.
- Talvez não seja tão mau assim. A felicidade surge onde menos se espera. – Gill disse, enquanto me conduzia à capela. Olhei-o pelo canto do olho e vi que este sabia o que se passava. – Conheço a menina à muito tempo. Sei que isto é tudo menos um passo dado por livre e espontânea vontade.
Em vez de me colocarem mais em baixo, aquelas palavras deram-me um certo sossego. A capela era pequena. Possuía um altar feito em pedra e talha dourada. Olhei os presentes um a um. James tinha cumprido com o acordo. Só os empregados da mansão estavam presentes, além do escrivão do Governador. Olhei para um dos cantos e sorri. O capitão Ross estava presente assim como a sua mulher e filho. Se não fosse ele, não estaria aqui e provavelmente teria me metido em confusões. Por mim e pela criança que carregava estava eternamente grata àquela família que me acolhera.
Gill entregou-me a James. Estava vestido como oficial. Embora Beckett o tivesse nomeado Almirante, James tinha voltado ao seu cargo de Comodoro. Dizia que não pactuava com cargos dados por interesse. Achei essa atitude louvável. Sempre fora um homem de apresentação notável e enquanto o padre dizia o sermão matrimonial pensei na possibilidade de tudo ser diferente se Will não existisse ou não me tivesse apaixonado por ele.
O Governador tinha uma coisa que poucos pais com cargos importantes tinham. Amava a sua filha mais que tudo. Fora criada por ele e tinha sido um excelente pai em tudo. Porém, eu sabia que chegaria o dia em que me teria de casar. Desde que me apaixonara por Will, não pensava noutro cenário senão dizer o sim àquele homem. Mas com o passar do tempo, comecei a desconfiar que a sua condição de simples ferreiro não iria ajudar nada. E descobri isso quando James me pediu em casamento. Se há coisa que sei é que o meu pai nunca me iria obrigar a casar com quem não queria. Mas como Governador da Jamaica tinha uma posição a manter e sabia que James Norrington era o melhor para mim. Com o tempo, ele acabou por aceitar Will, mas soube sempre que a sua preferência estava em James.
- Miss Swann? – a pergunta do padre fez-me voltar à realidade. – Aceita James Norrington como seu legítimo esposo?
Engoli em seco. Se Will não existisse, talvez tivesse aceitado James. Sempre o achara demasiado formal, mas ao mesmo tempo simpático e engraçado. Mas ninguém vai contra o destino. E o meu destino tinha nome: Will Turner.
- Elizabeth? – James implorou por uma resposta e olhei para si. Vi que estava mais nervoso que eu. Sabia que este ainda me amava. Estava escrito na sua cara. Mas também sabia que não tinha esperanças. Ele era um amigo. Um bom amigo que me estendia a mão quando estava mais desamparada.
- Sim, aceito. – disse finalmente. Tremi com as minhas próprias palavras. Será que tinha dado o passo certo?
Ao sair da capela de braço dado em James esperava-me um dia longo, que começaria com as felicitações e acabaria num jantar em que inevitavelmente teria presente os homens mais importantes de Port Royal.
- Elizabeth, suas feições denotam certo cansaço. – James chamou-me próximo da hora do jantar. – Será melhor recolher-se.
- Eu estou bem. Apenas um bocado enjoada. – disse. Se havia coisa que não me apetecia era olhar para as caras das esposas dos convidados. Aposto que estariam a conjecturar mil e uma coisas para justificar o meu casamento com James.
Foi com grande paciência e calma que encarei todas aquelas máscaras de simpatia, felicitando-me pelo casamento e parecendo esquecer que há uns meses atrás estava presa, prestes a ser condenada à morte por auxílio à pirataria. Acaba por ser fascinante a rapidez com que os escândalos na alta sociedade são esquecidos, quando os interesses falam mais alto.
Vendo o meu ar enfadonho, James percebeu e teve a amabilidade de me aconselhar a descansar, prometendo uma boa desculpa aos convidados.
Senti um alívio imediato quando despi aquele vestido. Habituei-me de tal maneira a calças e blusas leves que qualquer vestido me fazia aflição. Então quanto mais rico se era, mais pesado ficavam as vestes ao ponto de pesarem mais do que se levassem um carregamento de armas à cintura.
Vesti a camisa de dormir e sentei-me na cama, lendo um livro. A criada entrou duas vezes, uma para me trazer um chá, outra para ver se estava tudo bem. Perguntei se os convidados tinham ido embora.
- Todos já foram à excepção de dois homens que quiseram falar a sós com o Comodoro.
- Falar a sós? Sabes quem eles são? – perguntei com uma sobrancelha arqueada.
- Um deles é dos comerciantes mais ricos e o outro é o Juiz. – Estrella explicou.
- Estranho. – comentei repousando uma mão no ventre. Estrella era a única das empregadas que sabia da minha gravidez.
- Quando pensa revelar essa gravidez, senhora? – Estrella perguntou.
- No tempo apropriado, porquê?
- Porque as senhoras comentaram todas sobre o seu recolhimento e acharam-na meia adoentada. Eu acho que as mais velhas desconfiaram. – Estrella avisou.
- Elas que se metam nas suas vidas sem graça. – disse e Estrella saiu com minha permissão.
Tinha combinado com James de só revelar a minha gravidez quando completasse três meses. Depois, as pessoas que tirassem as suas próprias conclusões.
Passado uns minutos ouvi passos no corredor e decidi levantar-me. Vi James caminhar até ao seu quarto com uma vela na mão.
- James. – chamei e este virou-se de repente, surpreso por me ver.
- Algum problema, Elizabeth? – perguntou caminhando até mim.
- Não. Eu apenas… Estrella disse que você ficou a conversar com o Juiz. – olhei James nos olhos e ele percebeu onde queria chegar.
- Não vou mentir. O Juiz quis saber como ficará a sua situação daqui para a frente. Afinal, ele ainda tem a ordem para a prender.
- E vai-me prender? – perguntei e James colocou uma mão no meu ombro.
- Não. Eu redigi um pedido para o rei que seguiu no navio de guerra que zarpou na semana passada. É um pedido de perdão. – James explicou.
- Perdão do rei? Disse que se eu casasse consigo isso bastava para me manter segura. – disse com ar sério.
- E assim é. Acha que se não tivesse casado o Juiz viria cá fazer apenas uma visita de cortesia? – James perguntou fazendo-me engolir em seco.
- Desculpe. Eu ainda estou brava com tudo o que aconteceu e acabo por não reconhecer o quanto está a ser bom para mim.
- Não lhe peço reconhecimento, apenas que tente ser feliz. – James sorriu. – Boa noite, Elizabeth.
Fiquei vendo James desaparecer na escuridão até fechar a porta. Só gostava de saber o quanto iria ser diferente a minha vida a partir daqui.
Oito meses depois…
O chilrear dos pássaros era o coro perfeito para uma tarde sossegada no jardim de casa, lendo um livro e apreciando o dia ensolarado. Ajeitei-me na cadeira. A partir do sexto mês a minha barriga tinha crescido substancialmente e sentia-me bastante pesada. O discurso das criadas irritava-me. Às vezes queria logo que o meu filho nascesse, outras morria de medo do parto. E a contagem dos dias por parte das restantes mulheres da casa não ajudava. Senti um leve desconforto e desviei a atenção do livro para o meu ventre.
- Quando é que vais decidir nascer? – perguntei pousando uma mão e sentindo o bebé mexer.
Os meus olhos fixaram os muros da casa. Não deixava de pensar o que seria se tivesse optado por uma vida no mar. Se me recolhesse poderia conseguir aguentar a gravidez toda, mas no meio de uma batalha. Afastei esses pensamentos. Se eu mal aguentava em terra, quanto mais no mar.
- Não sei qual o fascínio que têm por essas obras revolucionárias. – James aproximou-se e sentou-se na cadeira ao lado da minha.
- Acusar um romance de ser revolucionário é um bocado ingrato. – observei pousando o livro.
- São revolucionários no que toca a mentalidades e cultura.
- Não sabia que era assim tão conservador. – sorri. – Parece que ainda não o conheço totalmente.
- Nenhum ser humano pode ser descoberto na totalidade. – James sorriu. – Como se tem sentido?
- Bem. Embora acordasse com um certo desconforto. – disse. – O que é que esse povo fala acerca da minha gravidez?
- Pensam que está de seis meses e não de quase nove. – James disse. – Eles não se atreveram a apontar o dedo mesmo que o saibam.
- Aposto que dizem que Will me abandonou. – disse e baixei o olhos.
- Mr. Turner nunca a abandonaria. Nenhum homem no Mundo a abandonaria, Elizabeth. – James observou e olhei para si.
- Você é um bom homem. – falei. Efectivamente, durante todos estes meses, James revelou-se um ombro amigo e um excelente companheiro. A nossa relação era apenas e só baseada na amizade e tinha esperança de James contentar-se com isso. Mas sabia que lá no fundo continuava a gostar de mim. Talvez o respeito fosse a grande arma de James.
- E completamente devoto a si. – James completou.
O meu receio confirmou-se com a frase deste, mas a minha atenção desviou-se para a contracção que atravessou o meu corpo.
- Eu… - disse, respirando fundo. - …acho que vai nascer.
- Como? Tão cedo? – James olhou-me em pânico ajudando-me a levantar.
- Cedo? Está no tempo certo, James! – exclamei e gemi quando outra contracção veio.
- Estrella, Gill! Acudam aqui! – James berrou e quando dei por mim este já tinha pegado ao colo levando-me rápido para o meu quarto.
Foram três longas horas que me pareceram um autêntico calvário há medida que as contracções ficavam mais fortes. Tive a percepção que os meus gritos eram audíveis na cidade e só queria que aquilo acabasse.
- Mais uma vez. Puxe! – a parteira pediu.
- Eu não consigo. – disse, completamente encharcada e agarrando os lençóis com toda a força que tinha.
- Uma mulher como você não tem força? Vê-se mesmo que é o primeiro filho. – a parteira riu debochada. – Já coloquei muita criança neste mundo e não vai ser esta que vai escapar. Faça força!
Respirei fundo e reuni toda a força que tinha. No meio gritei o nome de Will. Só queria que ele estivesse aqui. Que apertasse a minha mão com força. Que ajudasse o nosso filho a vir ao mundo. A dor e ansiedade desapareceram quando um choro encheu o quarto e provavelmente todos os aposentos da casa.
- É um menino. – a parteira disse enquanto olhava maravilhada o meu filho gritando a plenos pulmões.
- Eu quero pegá-lo! – exclamei de braços abertos e a parteira cortou o cordão umbilical e embrulhou o pequeno ser numa toalha branca.
- É um menino saudável, senhora. – Estrella observou.
- É o meu filho. – disse enquanto inspeccionava cada detalhe daquela criança. – Tem os olhos do pai. – disse rindo e chorando. – O Will iria ficar tão contente.
A parteira saiu depois de dar banho no meu filho, entregando-me de novo para que este pudesse mamar pela primeira vez.
- Quer que chame Mr. Norrington? – Estrella perguntou depois de o pequeno se alimentar.
- Sim. – disse, não conseguindo tirar os olhos daquela criança. – Entra James. – quando o vi na soleira da porta.
- Soube que é um menino forte. – James disse com um sorriso.
- Sim. E a cara do pai. – disse, enquanto James se sentava na beira da cama.
- Já sabe o nome que lhe irá dar? – James perguntou.
- Espero que não fique incomodado mas queria que ele tivesse o nome do pai, William. – disse e tentei decifrar a expressão de James.
- Não sou eu quem se vai opor. – James disse. – Ele é seu filho e tem o direito de lhe dar o nome que quiser.
- Obrigada. – disse sorrindo. – Quer pegar nele?
- Eu… nunca peguei num ser tão pequeno. – não deixei sequer James acabar o seu discurso colocando o pequeno Will nos braços deste. - Tem razão, o seu filho é lindo. – James disse sorrindo.
- Todas as mães dizem isso. – sorri rolando os olhos.
- Vai ser uma excelente mãe, Elizabeth. – James observou.
Sorri em retribuição e vi que James estava enternecido com o pequeno Will. E aí vi. Infelizmente, aquela criança só conheceria o verdadeiro pai dali a dez anos. Mas até lá teria uma figura de exemplo ao seu lado. E pela primeira vez em muitos meses, senti-me verdadeiramente feliz.
Continua…
Oi Leitoras e Leitores! Aqui vai o segundo capítulo desta short fic. Espero que gostem!
Vitoria Del'amore: Olá! Obrigada pela sua review! Fico super feliz que esteja gostando da minha fic. O destino da Lizzie depois do que aconteceu ao Will ficou sempre no meio da bruma, por isso decidi escrever como seria se James estivesse vivo. E claro, também James merecia ser feliz. Espero que goste deste capítulo! Bjs!:D
Saudações Piratas! :D
JODIVISE
