Cartas para você.
Capítulo 2 – Uma luz
Sentado dentro de uma quente e confortável cafeteria, no canto mais longe, o britânico de cabelos cor-de-areia mexeu sua colher preguiçosamente sobre a xícara, equanto repousava seu rosto sobre sua outra palma. Ele havia dobrado suas mangas por causa do calor e olhava disfarçadamente para a janela da frente enquanto as pessoas passavam. O homem pousou seus olhos verdes sobre sua xícara e estudou as folhas negras que sobraram de seu chá. A garçonete passou e deixou a conta silenciosamente na ponta de sua mesa, dando um pequeno sorriso quando ele a olhou em agradecimento.
Ele havia corrido para o pequeno estabelecimento assim que ele deixou o parque, achando que seria necessário dar um tempo e se acalmar com um delicioso chá. Inglaterra ficou sentado por pelo menos duas horas, tomando várias xícaras de chá, olhando para a carta dobrada na sua frente. A ponta estava agora manchada com uma marca marrom de chá e diversas marcas apareceram de tanto que ele dobrou de desdobrou a carta. Seus olhos semicerraram e ele a pegou da mesa de madeira, enfiando-a novamente em seu bolso.
O que ele deveria fazer? Seguir as instruções de Francis? Era realmente irritante que ele não poderia se decidir. Não havia motivos para ele agir como uma menininha estudante desesperada. Arthur grunhiu ao pensamento e pegou sua carteira, tirando o dinheiro exato e colocando na pequena pasta negra onde estava a conta.
Ele se levantou da mesa, colocando o casaco enquanto olhava para fora. Ele iria encarar o desafio de Francis. Ele não iria correr não importa que diabos ele estava fazendo. Não, Arthur não iria... Mas isso não significa que ele não iria embora assim que ele avistasse o francês.
Ele tinha o direito de estar com raiva! Ele franziu suas grossas sobrancelhas e encarou o frio ar de primavera, puxando seu casado. Inglaterra contorceu seus lábios e olhou para o paque. Francis o deixou esperando por muito tempo. Ele continuou em pé, lá, no meio da calçada, contemplando o parque. Ele se assustou quando seu telefone vibrou em seu bolso em silêncio.
Inglaterra o procurou por algum tempo, então o pegou e abriu, colocando-o contra seu ouvido – Hello?
Arthur! Hey! O que tá pegando?
Inglaterra suspirou, virando seus olhos para o chão. – Estados Unidos. À que devo a honra de sua ligação? – Ele revirou os olhos.
Houve um som abafado no fundo e Arthur percebeu enojado que ele estava comendo no telefone. – Na verdade eu tenho uma dúvida aqui sobre nossos contratos de troca, aquele que acabamos de assinar?
Arthur esfregou os olhos praguiçosamente enquanto ouviu o som dele bebendo algo – Alfred. Será que isso não poder esperar até segunda? Não te disse que era meu dia de folga? Não estou nem em casa... Você vai ter que esperar até mais tarde. – O único dia que Estados Unidos realmente ligava por causa de algo importante.
- Huh? Ah... É. É, acho que você me avisou sim. Sorry, Artie.
- Não me chame assim – Mexendo o seu pé e forçando-o contra o chão, Arthur ficou em silêncio. – Alfred, o que você faria se precisasse tomar uma decisão, mas não consegue se decidir?
- Ahn. Jogar uma moeda? Meio estranho perguntar logo pra mim, right? – Alfred pausou, sua voz estridente no telefone – Bem... Desculpa aí te incomodar. Te ligo depois então.
- Goodbye – Em um instante, Arthur desligou seu telefone. Uma moeda? Isso era ridículo. Ele balançou a cabeça, sem acreditar no que ele ia fazer e pegou o troco que estava no seu bolso. Pegando uma de dez centavos, ele a observou por um tempo. – Cara, vai para a biblioteca, coroa, esquece tudo. – Ele murmurou baixo e jogou a moeda no ar.
Quando ele estava prestes a pegar a moeda, uma mulher passou correndo atrás de seu filho de cinco anos e esbarrou nele, fazendo-o perder a moeda e obersvá-la rolar pela rua e cair dentro de um ralo. A mulher murmurou um pedido de desculpas e continuou a correr, finalmente pegando o menino. Ele encarou o ralo.
Então... O que aquilo significava?
Arthur suspirou e deu um passo à frente, se projetando para o meio da multidão.
O local era imenso. Feito de pedras antigas; o que antes foi uma igreja com seus vidros manchados nas janelas davam um ar de tranquilidade à silenciosa biblioteca. Artur admirou as portas de madeiras tão familiares e entrou. Estava escuro, e o cehiro de pergaminhos antigos encheu suas narinas. Com um sorriso cansado para a antiga biblioteca, Inglaterra começou a vagar pelo seu satuário tão conhecido.
O que ele estava procurando? Outra carta? Ele olhou para a parte mais alta da biblioteca, para o teto da catedral, quase esperando que um francês estivesse ali. Com uma careta em seu rosto, Arthur escapou daquele misto de novos e velhos livros até a antiga parede dos fundos. Nada de ordniário. Nada chamava sua atenção.
Depois de procurar por meia hora na biblioeteca sem achar nada, Arthut franziu o cenho e foi sentar-se em seu local favorito. Era uma pequena e gasta cadeira de couro escondida atrás de uma estante e em frente à uma extensa parede de vidro. Estava escondida na seção de matemática e raramente alguém vagava por lá a não ser um estudante realmente querendo estudar. Enquanto ele se encaminhava para o local, ele pausou para pegar um livro – um que ele sabia só pelo peso e pelo tato – e nem sequer olhou para checar se era esse mesmo. Já que ele estava aqui, seria bom um pouco de leitura.
Ele se acomodou na cadeira e colocou o livro em seu colo. As obras completas de William Shakespeare, lia-se na capa tingida em ouro. Ele tateou o couro vermelho parando por um segundo e depois abriu o livro, procurando por uma página para ler. Ele hesitou quando um espaço se fez presente, algo estava preso em uma das páginas.
Inglaterra piscou quando um envelope creme apareceu, gentilmente colocado em uma página dos múltiplos sonetos. Franzindo, ele a pegou e encarou-a. Ele olhou para o soneto em que ela estava. Soneto 29. Arthur olhou novamente para o envelope e o abriu vagarosamente.
Arthur,
Parece que você decidiu fazer minha vontade - apesar de que eu sei que esse é seu livro favorito e você vai pegá-lo eventualmente, mesmo que você tenha me ignorado e rasgado as últimas cartas. Talvez você esteja fazendo isso agora com essa carta assim que você viu a minha caligrafia, mas se não – Eu queria escrever para você novamente.
Sabia que esse é um dos meus locais favoritos? É um lugar simples, tirando as partes remanescenetes da antiga igreja, mas não são esses milhões de livros que se agrupam nesse local que o fazem tão especial. Se tornou um santuário para mim, talvez tanto quanto é para você. É mágico para mim.
Eu esperei por você diversas vezes aqui, você lia enquanto esperava por mim e eu esperava até que você terminasse de ler para finalmente aparecer. Não importa o que aconteça, eu sempre poderia contar que iria encontrar você aqui, lendo um livro sob as luzes suaves do vridro. Eu poderia estar me sentindo miserável, magoado, enraivecido, angustiado... Qualquer coisa- Mas eu viria aqui, ver você ler e saber que sempre haverá pelo menos uma beleza constante em minha vida.
Foi aqui também que eu percebi que queria estar com você. Por quanto tempo eu puder te ter em meus braços.
Não houve nada no dia em que eu vim te visitar aqui. Estou certo que eram tempos de paz e eu estava procurando por você por entre as estantes. Incapaz de te encontrar (você costumava sentar do outro lado naquela época) eu fui para o segundo andar ver se conseguiria te econtrar lá em cima. Subindo as escadas, eu virei para admirirar o magnífico vidro manchado que cobria o fim da biblioteca, quando algo também magnífico me chamou a atenção.
Você estava sentando atrás da estante, o romance em suas mãos aparentemente muito extraordinário para que você se sentasse em uma cadeira propriamente, você estava sentado no chão e lia fervorosamente. A luz do tarde se derramava pelo vidro e você estava coberto em uma luz suavemente rosa. Era como se os pintores do renascimento tivessem se unido para tentar criar um anjo. Você não faz idéia de quão apaixonante você estava. Seus lábios partidos enquanto você pronunciava as palavras, a luz te deixando parecer ruborizado. Seu cabelo estava alinhando e em tufos, e seus olhos pareciam que haviam sido feitos do mais fino vidro. Nenhum anjo poderia ser mais magnífico, mon chéri.
E desde então se tornou meu local favorito para esperar por você, e eu esperarei até o fim do mundo se for preciso.
Angleterre, não há uma rosa para eu te dar aqui, pois a sua beleza sob os vidros a envergonhariam. Vá para a loja de chá se ainda quiser ouvir o que eu tenho a dizer. Eu percebo que minhas palavras podem soar arrogantes agora, mas eu escolhi esse soneto por um motivo.
Eternamente esperando.
Francis
Inglaterra pressionou seus lábios e olhou para a janela de vidro antigo. Ele nunca havia notado a luz colorida que emanava dali, talvez porque ele estava muito ocupado no impressão em sua frente para dar atenção aquilo. Ele lambeu os lábios contra o ar seco e olhou novamente para o soneto em seu colo.
Soneto 29
Quando, malquisto da fortuna e do homem,
Comigo a sós lamento o meu estado,
E lanço aos céus os ais que me consomem,
E olhando para mim maldigo calado;
Vendo outro ser mais rico de esperança,
Invejando seu porte e os seus amigos;
Se invejo de um a arte, outro a bonança,
Descontente dos sonhos mais antigos;
Se, desprezado e cheio de amargura,
Penso um momento em vós logo, feliz,
Como a ave que abre as asas para a altura,
Esqueço a lama que o meu ser maldiz:
Pois tão doce é lembrar o que valeis
Que esta sorte eu não troco nem com reis.
Piscando novamente, Arthur encontrou sua voz presa na garganta. Ele estava tocado, completamente dessa vez. Apesar de literatura sempre ter sido seu ponto fraco, a carta era tocante de maneira a arrancar um coração. Havia um zumbido em sua mente, gritando para que ele continuasse irritado, mas ele encarou a carta sem se mover. Ousaria ele seguí-la?
Traçando seus dedos contra as palavras, Arthur deixou escapar um suspiro e observou a brilhante janela acima. Merda, aquele maldito sapo. Ele se levantou e colocou o livro no lugar e saiu silenciosamente da biblioteca para a rua lá fora.
- X - X - X -
Olá, aí! \õ
Postando logo o segundo capítulo. O terceiro deve sair só semana que vem, mas espero que estejam gostando até aqui. Realmente amei essa fanfic.
Aliás, o soneto eu peguei a tradução pela internet (Não sou louca de tentar traduzir isso!) E Angleterre = Inglaterra em francês (Acho tão lindo!)
Anyway, reviews, por favor :D
