Na manhã seguinte, por mais frustrado que Snape estava, ele não pôde evitar de aparecer na mansão Malfoy. Afinal, ele havia prometido a Draco que voltaria para conversar com sua mãe.

Por sorte, a mulher em questão não estava em casa. Assim, ele pôde pensar sobre a noite passada. Era irônico pensar que agora que ele sabia que Hermione nutria sentimentos por ele, já não estava disponível para correspondê-la.

Quando Narcisa finalmente chegou, não se surpreendeu ao encontrar Severus esperando por ela.

- Como você está? - Ela perguntou, soando preocupada.

Ele definitivamente não parecia bem.

- Estou bem. – Ele respondeu em troca.

- Severus, você está certo que quer fazer isso?

- Confie em mim, Cissa, eu não estaria aqui se não fosse o caso. – Ele mentiu, mas se forçou a dar um sorriso.

- Se é assim, temos muito o que fazer. – Por um momento, ele achou que ouviu ansiedade em sua voz.

- Como o quê? - Ele perguntou.

Ela deu a ele uma rápida lista do que teriam que fazer para a cerimônia. Ele ficou satisfeito quando terminou. Sua cabeça estava começando a doer. E a única coisa que ele conseguia pensar, era na mulher que ele havia quebrado o coração na noite passada.

- Oh, não. – Disse verificando sua bolsa. – Esqueci minhas novas vestes na madame Malkin, terei que voltar lá.

- Bom para você. - Ele disse, com um sorriso genuíno.

Ouvi um enorme barulho e um pequeno estrondo.

- O que foi isso? – Perguntou arqueando uma sobrancelha.

- Draco e Astoria. Virou quase rotina. Toda a semana é a mesma coisa. – Disse ela severamente. – Um dia desses eles vão acabar se machucando.

- Não conversou com eles?

- Mas é claro que sim, mas foi o mesmo de não ter dito nada.

- Eles vão sobreviver?

- Ele ficará bem.

De repente, ouvi um súbito silencio e a porta batendo.

- Dizem que a reconciliação é a melhor parte.

- Severus. - Ela o repreendeu, mas riu.

Severus não sabia o que dizer para puxar assunto. Ele não estava acostumado a passar tanto tempo conversando com qualquer outra mulher que não fosse Hermione ou Minerva. Ele estava começando a se sentir desconfortável.

- Severus, o que você sabe sobre Lucius e suas constantes visitas ao prostíbulo na

Travessa do Tranco?

Severus franziu a testa.

Narcisa sorriu, mas era um sorriso doloroso.

- Imagina minha surpresa quando sua suposta amante me procurou. – Ela sorria, mas tinha um pouco de rancor em seus olhos.

- Eu nunca soube que Lucius fosse disso. – Disse sinceramente.

- Não é o que parece. Aparentemente estou sendo coagida pela amante do meu falecido marido.

- O que você acabou de dizer? - Ele perguntou, sem acreditar em seus ouvidos. – Você tem certeza sobre isso?

(...)

Era quase meio dia quando Hermione despertou, mas não por conta própria. Luna insistia que ela deveria aproveitar o dia.

- Não, por favor.

- É um bom dia. – Disse uma Luna muito bem vestida e com um olhar sonhador no rosto. - Há uma partida de quadribol entre os professores. Será uma verdadeira festa, Hermione.

- Não tenho a mínima vontade de assistir quadribol hoje, Luna. Sinto muito. – Disse cobrindo o rosto com as cobertas. - Agora, se você me desculpar, eu voltarei para meu sonho.

- Ah, Hermione. Vamos, será divertido. Algo me diz que você precisa se distrair.

Hermione lhe deu um olhar suplicante, mas não foi suficiente para que Luna desistisse. Reconhecendo que sua amiga não seria dissuadida, ela aceitou. Mesmo estando destruída, ela foi.

Elas caminharam pelos jardins de Hogwarts até que chegaram ao local da partida. Era estranho a ideia de ter os professores se preparando para o jogo enquanto poucos funcionários e a maioria dos alunos aguardavam para assistir. Por um momento, ela deixou-se ser distraída.

Internamente, ela agradeceu a Merlim por não ter sido sorteada para jogar. Neville parecia um verdadeiro galã perseguindo o pomo de ouro. Ela teve que admitir que era extremamente engraçado ver a professora de adivinhação fugindo do balaço. Ela sorriu quando viu Luna sendo distraída pelos formatos das nuvens.

Infelizmente, como tudo que é bom dura pouco, não demorou muito para que, na arquibancada em frente a ela, Narcissa, Draco e Severus se sentassem.

Uma fadiga profunda tomou conta de Hermione. Seus olhos rapidamente encheram de lágrimas. Ela não podia suportar aquela dor. Murmurando desculpas para Luna, ela desapareu entre as fileiras.

Observando-a do outro lado, Severus queria ter ido até ela. No entanto, com Narcisa ao seu lado, optou por ficar onde estava.

(...)

No almoço do Grande Salão, Hermione não pôde ser vista. Por dentro, ele agradeceu. Parecia que Narcisa queria criar um pouco de intimidade com ele e não perdia a chance de tocá-lo. Ele estava ficando desconcertado e, além disso, estava ficando difícil ouvir a conversa que ele tanto queria ouvir do outro lado da mesa.

- Oh, venha agora, Padrinho. – Draco chamou sua atenção.- Não me diga que não esta com fome. Mal tocou na comida.

Ele examinou o rapaz ao seu lado com um olhar indignado, mas vendo que o jovem parecia preocupado com sua falta de apetite, não falou o que gostaria.

- Simplesmente estou sem fome Draco.

Se recusando a participar daquela conversa, ele voltou a atenção para seu prato e, novamente, tentava ouvir o que Minerva e a Professora Lovegood diziam.

- Parece que a senhorita Granger não estava muito bem, Luna.

- Não, não estava. – Disse calmamente. – Alguns problemas pessoais, Diretora.

- Oh? E o que seria isso? – Perguntou curiosamente.

Severus observou que a menina não respondeu de imediato, apenas suspirou.

- Eu não acho que eu possa dizer. - Disse ela sinceramente.

- Eu não a via assim desde os dias da escola. Quando estava sofrendo pelo Senhor Weasley.

- Creio que dessa vez seja bem mais profundo que uma paixãozinha da escola, Minerva.

- Em todo caso, a senhorita Granger é jovem. Tenho certeza que ela vai superar.

Saindo da mesa apressadamente, o único pensamento de Severus, era ir atrás de Hermione. No entanto, se restringiu a mandar um elfo doméstico com um almoço decente para ela. Se ele não podia ficar com ela, cuidaria para que ela estivesse bem.

(...)

UM MÊS DEPOIS

Com o passar dos dias, Hermione parecia ter se recuperado. Acordou cedo. Deu uma caminhada pelos terrenos de Hogwarts. Ela realmente precisava limpar a mente.

Durante toda a semana, Severus havia procurado por ela, porém, ela não estava pronta para encontrá-lo. O que para ela parecia ser infantil, já que eles não estavam em um relacionamento. Na verdade, não tinha passado de um beijo inocente. Mas amá-lo não a ajudava.

Ela havia decidido que não adiantaria chorar pelo leite derramado. Ela devia seguir em frente. Ela já não tinha o direito de escolher o próprio marido por ter passado do prazo. Ela podia não amar a pessoa que o Ministério decidiria que deveria ser o marido dela. No entanto, ela já tinha ouvido falar em vários casamentos que foram feitos sem amor, mas que com o tempo eles deram mais do que bem.

Quando chegou em seus aposentos, lá estava a carta do Ministério esperando por ela. Ela realmente achou que teria mais tempo.

Sem pensar muito, pegou a carta e abriu-a. Quando leu o nome que ali estava exposto, sentiu um nó formar em sua garganta e lágrimas formarem em seus olhos.

Seu último pensamento antes de cair em um único baque no chão e ficar tudo escuro era que, talvez, era cedo demais para achar que ficaria tudo bem.