Capítulo 2: Isaac

(Hyoga's POV)

Eu gosto de ajudar as pessoas. Não apenas para ser útil, eu realmente gosto de fazer a diferença. Esta minha atitude sempre deu um ótimo retorno, até o momento em que me deparei com alguém que não quer ser ajudado. Como posso fazer a diferença, para uma pessoa que nem mesmo me quer por perto?

Isaac! Está em casa? – eu grito assim que entro no apartamento dele.

São dez horas da manhã de sexta-feira, e ele ainda está deitado. Acho incrível como consegue permanecer embaixo das cobertas, mesmo com o dia tão quente.

Está dormindo? – paro na porta de seu quarto, esperando alguma resposta. Como ela não vem, concluo que realmente está adormecido.

Ao invés de acordá-lo, começo a arrumar o caos que está sua casa. Garrafas de bebida jogadas para todos os lados, móveis empoeirados, roupas espalhadas, uma caixa de pizza vazia e até dois cigarros de maconha. Suspirei, imaginando o que eu faria para refrear aquele impulso destrutivo dele.

Uma vez que a casa estava apresentável, voltei ao seu quarto.

Isaac, acorda! – puxei suas cobertas e me debrucei sobre ele. – São quase onze da manhã, não vai se levantar?

Ele resmunga alguma coisa e cobre o rosto com as mãos.

Levanta! – repito, indo até a cozinha para preparar um café.

Eu sinto que estou me perdendo. Já não consigo lidar com a depressão dele, pelo menos não com a mesma paciência de antes.

Bom dia! – Isaac surge na cozinha.

Você deu uma festa ontem à noite? Por que a casa estava um verdadeiro caos… - eu estava irritado demais, não conseguiria fingir que nada aconteceu.

Alguns amigos vieram aqui. Está irritado por quê? – Isaac puxou uma cadeira e se sentou, enquanto eu lhe servia café.

Eu não sou sua babá! Está na hora de parar com estas festinhas, Isaac.

Não foi uma festa. Uma reunião simples, nada demais.

Sentei-me de frente para ele, sem encará-lo.

Talvez eu não venha aqui amanhã… Você poderia ir lá pra casa a noite… - eu disse, preparando terreno para revelar meu almoço com Ikki.

O que você vai fazer amanhã? – ele me pergunta, deixando-me embaraçado.

Vou almoçar com um amigo.

Alguém especial? – pelo olhar dele, sei que está sugerindo um encontro sexual.

Não, é somente um amigo. – respondo e me levanto, sentindo minha irritação crescer.

Quem?

Ikki.

Então é um encontro! – ele afirma com tanta convicção que me faz olhá-lo com raiva. – O que foi? Nós dois sabemos que você adora um vilão regenerado…

Sabe, talvez fosse mais fácil se você me vendesse no ebay! – retruquei.

Eu só estou te oferecendo uma opção, Hyoga!

Uma opção que eu não quero! Eu não preciso sair com outras pessoas, Isaac.

Você diz isso agora, quero ver depois!

Por que não procuramos outro médico? Um tratamento alternativo, ou algo assim… - sugiro pela milésima vez, tendo certeza de que ele não me ouvirá.

Coloca uma coisa na sua cabeça, de uma vez por todas: o meu problema não tem solução.

Eu me aproximo e acaricio seu rosto. Tento beijá-lo, mas ele me empurra.

Você está tão convicto em me afastar, Isaac, que vai acabar conseguindo.

Dizendo isso, eu vou embora. Sentindo-me muito pior do que quando entrei ali.


Continua...