Título: A noiva da Serpente
Autor: Reiko
Tradução: Topaz Autumn Sprout do cap 12 até o final.
Betagem: Estrela Potter
Classificação:M
Pares: Draco e Gina
Gênero: Drama/ Romance
Disclaimer: Esta fic não infringe direitos autorais nem gera lucro, é puramente diversão.
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A noiva da Serpente XIII - Soro anti-Vampírico para um Vampiro
Olhando novamente o frasco de vidro escuro que espalhava uma fraca luz em seu rosto, teve a certeza de que era um frasco da poção de Xiphias.
Ginny olhava o frasco contendo o líquido venenoso com incredulidade, chorando sem parar. Instantaneamente, memórias de uma determinada manhã voaram dentro de sua cabeça. Ela lembrou-se do café envenenado, de Puffy... Sentiu seu lábio inferior tremer assim como suas mãos, e a mais horrível conclusão brotou em sua mente, antes mesmo de pensar como é que o colar foi parar naquele lugar.
"Então foi ele?" A razão perguntou.
"Não."Ela disse em voz alta. Balançando a cabeça. "Não, não pode ser!" Disse ela novamente, disposta a acreditar no que seu coração estava dizendo, querendo acreditar que não tinha encontrado o frasco dentro da gaveta secreta do marido.
"E por que você acha que ele iria escondê-lo em algum lugar onde você provavelmente nunca notaria?"
Com isso, os pensamentos agitaram-se em sua cabeça. O raciocínio estava certo. Se não fosse ele o autor, então por que é que Draco colocaria a poção dentro de um compartimento secreto? Além do mais, por que ele tinha a poção de Xiphias em mãos? Possuir uma coisa perigosa como esta não era nada normal mesmo num lar bruxo, correto?
"Normal? O que é normal para ele? Ele é um Malfoy!" Seu cérebro insistia. Ginny fez uma careta enquanto lembranças dos terríveis acidentes ressurgiam em sua mente inundando seus pensamentos. Não foi ele a primeira pessoa que viu a carruagem, quando ela e Narcisa saíram para fazer as compras de Natal? Aquela em especial que quase acabou com a sua vida? E sobre a poção Xiphias? Tirando o fato de que ela encontrou o frasco dentro de sua gaveta, os ingredientes para fazer este tipo de poção só podiam ser comprados na Travessa do Tranco. Mas ela o viu sair daquele lugar duas semanas antes do Natal, certo? No mesmo dia em que a carruagem foi sabotada! "Isso não é verdade." Ela ouviu seu coração dizendo. "Porque você será a herdeira de 201 milhões de galeões, sua idiota!"
"Mas por que ele faria uma coisa dessas? Por que ele me quer morta?"
Ginny soluçava enquanto uma nova torrente de lágrimas descia pelo rosto. Tudo estava ficando muito claro agora. Talvez Draco estivesse planejando um acidente para acabar com ela, então choraria e lamentaria sobre como foi doloroso perder a mulher, ganhando a simpatia de Vladimir. Depois, o patriarca à beira da morte certamente não pensaria mais sobre suas ressalvas em deixar o restante de sua fortuna para Draco. Com ela fora do caminho, Draco iria ficar com tudo para ele e Blaise! Tudo estava se encaixando! Ele esteve brincando com ela durante todo o tempo!
Seu peito imediatamente ficou apertado com uma dor excruciante, e sentou-se ali entorpecida, com os olhos vidrados enquanto fitava o nada.
Afinal ela estava certa? Tudo o que viveram foi um sonho em meio desta peça pavorosa que estavam encenando? As conversas rápidas que tiveram, a maneira como ela colocava a cabeça sobre o colo dele, que ficava brincando com seus cabelos enquanto cada um lia seu livro... A gentileza e carinho das noites em que eles atendiam ao suave chamado de seus corpos... Tudo era somente parte do plano! Ele havia mentido para ela! E pensar que havia se apaixonado por ele. Este pensamento mandou outro espasmo de dor que atravessou seu coração.
Ela apertou o peito e fechou os olhos. Nunca acreditou na fábula de pessoas que diziam ter o coração despedaçado. Agora ela constatava a veracidade da lenda ao sentir seu coração literalmente ficar em pedaços. Era tão doloroso que poderia morrer! E só de pensar em como ela foi crédula e estúpida acreditando que os dois partilhavam o mesmo sentimento, fez seu peito apertar-se ainda mais com o extremo pesar.
"Se você não pular fora, certamente será morta!" Seu cérebro sibilou furiosamente.
Ginny piscou. "Oh meu deus, ele vai me matar!" Ela disse em voz alta, finalmente saindo de seu transe. Juntando toda a coragem que restara, ela atirou o frasco vazio da poção dentro do armário e forçou-se a sair do chão. Precisava sair de lá! Não havia sentido em ficar ali, esperando os olhos secarem. Do que adiantaria ficar chorando, se mais tarde ela poderia estar morta? Haveria muito tempo para chorar as mágoas! Mas agora teria que se salvar!
Seus olhos viajaram para o par de relógios na parede. Um marcava as horas "Bruxas", enquanto o outro marcava as horas "Trouxas". Ela concentrou sua atenção no relógio Bruxo e ficou ainda mais nervosa. O ponteiro que tinha o nome de Draco indicava que o marido estava provavelmente a caminho de casa. Instantaneamente, o pânico dela aumentou, fazendo-a esquecer a dor temporariamente.
"Vinte minutos." Ela murmurou enquanto percorria o armário freneticamente. Agarrando a primeira bolsa que encontrou, a encheu com algumas das suas roupas, deixando as vestes pesadas e alguns de seus vestidos caros atrás, levando apenas o que era necessário. Em seguida, foi para o quarto, pegando o que podia carregar nas mãos e colocou na bolsa. Deu um longo olhar para a coleção de livros e apressadamente fechou a bolsa. Então abaixando-se olhou para debaixo da cama.
"Querida!" Ela chamou. Tateando o espaço escuro e quase vazio na frente dela. "Querida, você está aí?"
Instantaneamente, um miado alto ecoou de dentro do quarto enquanto a gata emergia lentamente do esconderijo, bocejando e se alongando, completamente alheia ao estado de sua dona. Ginny imediatamente agarrou o animal de estimação, o que resultou em miados altos e aterrorizados. A gata lutou e tentou soltar-se das mãos da dona.
"Shh, não tão alto! Narcisa pode nos ouvir." Ginny ralhou com a gata baixinho e de forma enérgica colocando-a na gaiola. Uma vez presa, a gata subitamente emitiu um som sibilado e alto que fez os cabelos da nuca da ruiva se arrepiarem de susto. A gata a fitava com seus olhos brilhantes e irritadiços. Ginny fez uma expressão de desagrado pelo comportamento anormal do seu animal de estimação e fechou a porta gaiola.
De repente, lembrou-se de Narcisa e foi varrida por uma nova onda de dor. O que a gentil e solidária mulher diria quando soubesse que Ginny havia desaparecido? Deveria dizer adeus à sogra?
"Não seja idiota!" Seu cérebro sibilou novamente.
Ginny chacoalhou a cabeça e forçou os pensamentos perturbadores para longe, pegando o manto e a varinha. Com tudo resolvido, a sacola na mão direita, o gato na gaiola do outro lado, a varinha segura dentro do bolso, ela correu para a porta rapidamente. Foi bom ter deixado a Firebolt atirada na sala da frente. Dessa forma, ela não teria a ir até a sala das vassouras novamente, o que a faria perder um tempo precioso. Estava prestes a sair pelas portas abertas, e deu um profundo suspiro. Ela parou e virou-se.
Pela última vez, deixou seus olhos vagarem pelo quarto, o lugar onde tinha se entregado de corpo e alma, onde ela se deu ao homem que algum tempo atrás considerava como seu pior inimigo. O seu marido. O homem que ela tinha aprendido a amar. As memórias dos momentos felizes, das pequenas coisas do dia a dia, cada canto repleto das lembranças de tudo que haviam compartilhado. Com os lábios travados, as mãos trêmulas, um grande aperto no peito e os olhos umedecidos, ela se virou rapidamente e saiu pela porta sem olhar para trás, temendo que as memórias pudessem fazê-la mudar de ideia.
O marido a deixou sem nenhuma alternativa.
"Adeus, Draco." Disse ela enquanto corria para as escadas, com lágrimas caindo sem cessar, assim como a chuva desabava de um céu tempestuoso.
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Um sorriso de verdadeira felicidade lutava para sair de seus lábios.
"Ginny!" Draco chamou quando colocou os pés na mansão. Ele subiu pela escadaria larga, ignorando o empregado que esperava para pegar seu casaco. "Ginny!" Ele chamou novamente enquanto subia as escadas de dois em dois degraus sem perceber a poça de neve derretida que estava criando a cada passo. Então, como se tivesse levado uma eternidade, ele chegou finalmente às enormes portas dos seus aposentos. E estava prestes a abri-la quando parou.
Seria sensato deixar que ela o visse todo desarrumado, com a camisa manchada de bebida cuja nódoa estava ficando de uma feia cor amarelada, ou sentir seu hálito cheirando a álcool? O que ela acharia se ele de repente declarasse seus sentimentos por ela neste estado? O loiro balançou a cabeça. "Não seria inteligente." Pensou. Além de ser um choque terrível para Ginny, ela certamente acharia que tudo que ele dissesse seria apenas por causa do álcool. E não iria acreditar em uma única palavra.
Então, voltaram-lhe à mente suas atitudes com Blaise, mais cedo neste mesmo dia. Certamente Ginny os vira sair juntos e aquelas imagens tilintariam naqueles neurônios teimosos. Seu estado de embriaguez e arrependimento certamente provocariam nela a última coisa que ele poderia querer agora, que era fazê-la ficar furiosa. Justamente quando ele havia descoberto seu amor por ela.
Com isso, Draco foi para seu refúgio particular a fim de se recompor e curar a bebedeira. No estúdio ele fechou a porta e foi direto para o jarro de água, que descansava em cima da pequena mesa de madeira, ao lado do sofá. Em seguida, tirando do bolso o lenço sujo, ele molhou o tecido, torceu-o e limpou o rosto. Fazendo o processo duas vezes antes de se dar por satisfeito. Enrugando as sobrancelhas com irritação, ele tirou o casaco e o jogou de qualquer jeito no sofá. Então pegou a varinha e fez um feitiço para limpar a camisa, praguejando contra Blaise o tempo todo. Quase imediatamente, a mancha amarela desapareceu para sua satisfação.
"Ah, as maravilhas da magia." Ele pensou dirigindo-se para a escrivaninha a fim de pegar a poção anti-ressaca, ele sempre tinha uma garrafa daquele líquido saturado de cafeína em seu estúdio. Era sempre útil quando ele vinha para casa bêbado. Não era hábito seu aparecer em frente à sua mãe embriagado. Então, sem um momento de hesitação, ele abriu a tampa e engoliu o líquido de cor marrom escura em dois goles, torcendo o rosto com repugnância por causa do gosto amargo da poção, que descia pela língua e escorria pela garganta.
Quando a cafeína misturada com a potente Poção anti-ressaca , cuja fórmula tinha a maior concentração de ingredientes permitida bateu em seu estômago, Draco instantaneamente sentiu suas entranhas queimando enquanto o sangue corria rápido, como se preenchendo seu corpo inteiro. Lentamente, sensação da cabeça leve desapareceu e as imagens desfocadas pararam de dançar diante de seus olhos. A poção provou estar funcionando bem, já que o cheiro de álcool sumiu completamente de seu hálito. Após alguns segundos de espera, ele se espreguiçou sentindo-se renovado. Estava prestes a largar a garrafa vazia quando algo subitamente piscou em sua mente. Depois, sem uma palavra, ele encontrou-se debochando de si mesmo. Em seguida, o deboche transformou-se em riso. Um riso divertido e alto.
Desde quando ele fazia tanto barulho quando se tratava de mulheres? Desde quando ele se interessava se uma mulher iria gostar dele ou não? Bem, isso estava fora de questão, uma vez que as mulheres sempre gostavam dele. Mas pensando nisso... Bem, ele nunca havia ganhado um "não" como resposta de qualquer maneira, então ele nunca precisara se preocupar com esta questão.
Mas com Virginia foi tudo diferente! Com ela, Draco encontrou desafio! Antes, era apenas um jogo! Um jogo sujo de satisfação do seu ego masculino. E antes que ele se desse conta, ele estava caindo ... descuidadamente ... profundamente ...
Balançando a cabeça dirigiu-se até a porta e saindo do estúdio, foi direto para o quarto. Para sua surpresa, ele se viu de mãos trêmulas e parou diante da porta do quarto cheio de hesitação. E se ela não se sentisse da mesma forma? E se Ginny jogasse algo nele no momento que entrasse no quarto? Sem dúvida, algo pesado ou frágil, algo que iria machucá-lo. E outra coisa: ele não era bom em demonstrar suas emoções, muito menos falar o que sentia. E se as palavras erradas saíssem da sua boca? Ele iria parecer estúpido. Pior, ele poderia até mesmo perdê-la. Pensando nisto, o medo se espalhou dentro dele, e o pensamento de fugir parecia sedutor. Então, por mais que quisesse fugir, a onda de emoções dentro dele estava ficando muito difícil de lidar! Ele iria estourar se não colocasse tudo para fora!
"Então, fale com ela e acabe com isso." Seu cérebro xingou.
"Mas eu não sei como!" Pensou, passando a língua pelos lábios. "Eu não sei o que dizer." Xingou-se novamente. Draco encontrou-se fazendo uma careta. "Diga o que você sente."Draco deu um suspiro profundo. Se ele quisesse alguma paz de espírito, então ele teria que dizer a ela e esperar a resposta. Se ela dissesse que sim, então seria ótimo! Se fosse não, então: "Ei, ninguém diz não a você, lembra?" Seu ego gritou repentinamente. Draco sorriu. "Certo." Ele murmurou enquanto girava a maçaneta.
A porta abriu e Draco entrou silenciosamente, enfiando primeiro a cabeça, e entrando no aposento. Ele amarrou a cara quando notou a peculiar quietude do lugar. Seus olhos voltaram-se para a cama vazia.
"Gin?" Ele chamou suavemente, andando até a cama. "Ginny?"
Quando nenhuma resposta veio, ele caminhou até a parede que separava os quartos. Talvez ela tenha decidido ir para o próprio quarto, ele pensava. Ele empurrou de leve, esperando que estivesse trancado, mas quando a parede cedeu facilmente ele fechou o semblante. "Virginia"? Ele chamou entrando no local. Ele viu a cama vazia e arrumada.
Silêncio.
Ele nem sequer ouviu o miado automático do maldito gato sempre que ele chegava em casa!
Com o semblante fechado sentiu o pânico tomar conta dele. Sabendo do grande perigo que Ginny corria, Draco ficou frenético, pensamentos horríveis se formavam rapidamente dentro da sua cabeça. E se ele de repente a descobrisse sangrando ou flutuando, sem vida, dentro da banheira? Oh, Meu Deus, ele não seria capaz de suportar! Por isso, ele rapidamente correu para o banheiro e deu um suspiro de alívio após não ver nada lá dentro. Correu de volta para seu quarto só para certificar-se, mais uma vez, que não havia ninguém ali. Ele estava prestes a sair do aposento quando notou a bagunça do quarto.
Olhou ao redor e viu o armário de portas abertas, as capas e vestidos de qualquer jeito espalhados no chão, criando uma piscina de cetim de seda a seus pés. Parecia que a maior parte dos vestidos mais simples e roupas leves sumiram. Ele virou-se para a penteadeira notando as gavetas também abertas. As escovas, pentes, pós, poções cosméticas e soluções estavam espalhadas diante do espelho. Então os olhos dele passaram para sua própria escrivaninha vendo seus papéis e pergaminhos, penas e frascos de tinta todos fora das gavetas.
Draco franziu a testa, pensativo.
A aparência era de que houvera um assalto. Por um momento, ele sentiu um suor frio pensando nos importantes documentos de Zabini dentro de suas gavetas. E se o Victor Zabini houvesse planejado tudo isto utilizando Blaise para atraí-lo para longe da casa? Bem, afinal, ele era um Comensal da Morte e um crime desses era bem possível. E sua esposa? E se ele... Draco imediatamente foi até a escrivaninha, e rapidamente abriu uma de suas gavetas.
Ele deu um suspiro de alívio quando viu que as pastas estavam fechadas e empilhadas ordenadamente da maneira como havia deixado. Então ele fechou o semblante novamente. Se Victor Zabini não estava por trás disso, quem seria? Se fosse um assalto, por que não havia sumido nada? Bem, isto é, tirando algumas roupas de Virgínia. Então ele parou. Algumas das roupas da sua esposa estavam faltando. Outros pensamentos perturbadores correram por sua cabeça. Teria Ginny...
"Não, ela não faria uma coisa dessas." Tentou se convencer. "Talvez ela só tenha ido para a ala leste ou esteja com minha mãe."
Ela provavelmente decidiu se mudar para a ala leste, e deixá-lo sozinho para sofrer com a "frieza" da noite e depois voltar para ele como um bônus. Com esta conclusão estúpida ele virou-se para sair, quando de repente reparou que o compartimento secreto estava aberto.
"Que diabos..."
Ele agachou-se e estava prestes a inspecionar quando um pedaço de pergaminho chamou sua atenção. Ele pegou-o do chão e concentrou os olhos no rabisco quase legível no papel. Após um momento sentado lá lendo, uma raiva louca e ciúme se misturavam dentro dele. Era de Harry! E de acordo com o estado do quarto de Ginny e a falta das roupas, Draco suspeitou que talvez...
"Não, ela não faria uma coisa dessas!" Ele disse em voz alta novamente, seus dedos já amassando a carta de Potter em silenciosa fúria.
Claro, eles tiveram uma grande briga, mas Ginny não era o tipo de mulher de fazer uma coisa horrível dessas, ele se convenceu. "Será que ela?" Perguntou seu cérebro. "Sim." Pensou. Mas, bem no fundo, por que ele sentia-se tão assustado e inseguro? Afinal, ele tinha sido desprezível com ela. Mas ainda assim, devia haver uma razão realmente muito forte por trás de tudo isto! Se ela tivesse fugido com Harry... Então em seguida ele encontrou a tal razão, quando seus olhos acidentalmente passaram pela gaveta secreta que se encontrava aberta.
Dentro dela havia uma caixa de veludo preto e o frasco da poção de Xiphias, bem à vista. Ele fitou o objeto de cara feia, fixando o olhar nos reflexos purpúreos emanados pelo vidro escuro. Após alguns segundos de reflexão, ele blasfemou em voz alta, entendendo as implicações.
Ginny provavelmente havia concluído que ele era a pessoa que estava tentando matá-la! Talvez achasse que ele desejava sua morte por causa da fortuna... E ela o vira sair com Blaise mais cedo. Sua esposa provavelmente concluiu que eles estavam conspirando contra ela. Então, dados os fatos, ela ia presumivelmente ficou apavorada e sem pensar decidiu fugir dele! E correu para o quatro olhos em busca de refúgio e segurança!
"Que coisa estúpida para fazer!" Draco rosnou irritado.
Todos achavam que o assassino provavelmente estivesse escondido, esperando por uma oportunidade como esta! E se fosse o próprio Potter? Afinal, ele tinha uma ideia bastante boa sobre como Harry devia estar sentindo agora. Perder a garota que amava para seu nemesis poderia seguramente enlouquecer um homem de ciúmes e raiva! Bem, embora admitisse que suspeitar do grifinório era um pouco estúpido, ainda assim, neste tipo de situação, todo mundo era suspeito! Mesmo ele! Mas Ginny suspeitava dele? Era realmente um absurdo!
"E você pode culpá-la?" Ele se xingou. "Afinal, você tinha todas as "razões válidas" para querer a morte dela."
Toda a preocupação, ansiedade, pânico, raiva e inveja revolveram-se dentro dele. Onde diabos poderia encontrá-la? Certamente, se Potter pretendia acabar com ela, iria levá-la para algum lugar bem distante de Godric's Hollow, seu torrão natal. Ele fechou os olhos momentaneamente, sentindo-se mais impotente a cada minuto. E por que ela escolheria Harry? Ele encontrou-se perguntando inconscientemente. Levantando-se e prestes a chamar dois empregados para ajudar na busca, ele lembrou-se do broche.
"Sim." Murmurou entusiasmado, lembrando o estranho objeto que ela lhe dera no último Natal. "É possível."
Ele pegou o broche do bolso e segurou-o diante dele, as pétalas vermelhas emitiam réstias brilhantes de luz contra a pele pálida de seu rosto. Desde que ela o havia presenteado com o broche, Draco sempre sentia aquela "coisa", sabendo como ela estava se sentindo ou onde ela estava. Ele supôs que o colar da serpente funcionava da mesma forma, assim talvez tenha sido deste modo que ela ficou sabendo que ele havia estado na casa dos Zabinis! Confuso como estava, Draco não dava a mínima do por que as heranças de família faziam coisas misteriosas como aquela. Neste momento, aquilo era a sua única chance de encontrar Ginny.
Concentrando-se, ele segurou o broche na sua frente e o fitou. Ele libertou a mente de toda ansiedade e obrigou-se a pensar só em Ginny. Ele esperou o familiar baque em seu peito, mas após alguns minutos de pé e realmente sentindo-se muito estúpido, ele não viu nada. Ele não viu nada! Em seguida, ele lembrou-se da caixa preta, que vira dentro de uma gaveta.
"Maldição! Ela não levou o colar com ela!" Draco disse em voz alta.
Talvez por esse motivo é que não havia funcionado, ela havia deixado o colar! Mas isso era... Xingou em voz alta, sentindo-se patético. Sem um momento de hesitação, ele correu para fora do quarto gritando por seu criado.
Ao ouvir a trovoada da voz zangada de Draco ecoando no silêncio salas da mansão, passos silenciosos e rápidos imediatamente soaram na entrada, enquanto vários fantasmas e empregados humanos começaram a sair de seus aposentos. Instantaneamente, a pacata sala encheu-se com murmúrios de confusão e ansiedade, uma vez que viram o olhar ameaçador de seu mestre sobre eles.
Draco olhava em volta enquanto caminhava pela escada da varanda. "Hammilton!" Gritou novamente.
"Sim, jovem mestre?" O fantasma imediatamente perguntou enquanto flutuava diante dele. Surpreendentemente, havia um tom de desculpa no seu habitual tom monocórdio e baixo.
Assim que respondeu, Draco virou-se e notou um grande número de criados da família, todos olhando para ele apreensivamente. Quando ele teve certeza de tinha a atenção de todos, limpou a garganta ruidosamente.
"Uma situação constrangedora aconteceu esta noite." Começou, os olhos dele estreitando-se em fendas. "Sua senhora desapareceu e..." Ele parou enquanto sussurros de confusão e perplexidade, imediatamente reverberaram dentro do enorme salão. Draco gritou bem alto para que todos ficassem quietos. Quando o último murmúrio cessou, ele inalou profundamente.
"Vocês estão todos cientes do grande perigo que ronda sua Senhora certo?" Draco perguntou abruptamente. Quando os empregados responderam num coro de "sim" e "certo", ele balançou a cabeça. "Então por que raios ela desapareceu?" Gritou, seus olhos estreitos de raiva. Com isso a tensão atingiu a todos dentro da mansão. "Eu dei instruções específicas para proteger o local, de forma que ela não pudesse sair até que o inquérito estivesse terminado!"
"Mas, senhor, nós não a vimos sair." Respondeu William, seu guarda-caça. "Eu estava guardando os portões da frente, juntamente com Avner e Oliver! Estávamos ali, patrulhando as terras e não vimos sequer uma sombra da jovem Senhora!"
"Mestre Draco, uma das vassouras está faltando!" Uma das empregadas gritou repentinamente. "Eu chequei a sala das vassouras e descobri que a Firebolt se foi!"
Draco passou os dedos cansadamente através do seu cabelo e deu um suspiro impaciente. Ele estava prestes a gritar de novo, quando um suave tom de voz soou ao lado dele.
"Draco, o que é este barulho todo?"
Ele virou-se. Narcisa tinha uma expressão confusa e caminhava lentamente para ele. Sentindo o clima tenso, ela apertou seu manto sobre si e apressadamente dirigiu-se para a balaustrada vendo a multidão de criados olhando para cima freneticamente. Sua expressão ficou pesada.
"Draco, o que é isto? O que..."
"Virgínia sumiu, Mãe." Ele respondeu sem rodeios.
Os olhos de Narcisa arregalaram-se. "O quê?" Ela falou agudamente. "Mas por quê? Aonde ela foi?" Perguntou nervosa. Obviamente, ela estava igualmente ciente do perigo que Ginny corria.
"Isso é o que estamos tentando descobrir." Sibilou Draco e voltou a sua atenção para seus servos. "Todos vocês ouçam!" Gritou. "Todo mundo vai procurar Virginia esta noite! Ninguém vai parar até que ela seja encontrada! Olhem em todos os lugares! Nos campos, na floresta, por todo o lado! Agora que uma das vassouras está faltando, ela poderia ter voado daqui. Não vou limitar a procura apenas nas terras da mansão! Procurem por toda a parte, dentro e fora! Eu não me importo se levará toda a noite! Tudo o que eu quero é que ela seja encontrada!" Ele então se virou para William. "Você, William, irá formar a sua própria equipe de busca! Três ou quatro devem ser o suficiente. E todos homens! Tenham suas varinhas prontas e vão procurar lá fora! Avner e Oliver, façam o mesmo!"
"Sim, senhor!" Os dois homens concordaram e imediatamente começaram a chamar os nomes. Uma vez que o grupo de busca foi formado, saiu rapidamente para executar a tarefa.
Então, Draco virou-se para o seu mordomo fantasma. "Hammilton, você e os outros fantasmas vão cuidar do quarto. Ficarão surpresos com a bagunça reinante."
"Claro, senhor." O idoso fantasma assentiu com a sua cabeça transparente. Quando Draco o dispensou, Hammilton então saiu levando os quatro fantasmas restantes com ele.
"E você vai ajudar os homens e mulheres na busca mais tarde!" Draco falou enquanto flutuavam para longe dele. Ele então voltou a sua atenção aos empregados restantes.
"Agnes!" Ele chamou uma mulher de meia-idade no meio da multidão.
"Sim, senhor?" A mulher respondeu rapidamente.
"Divida o restante das mulheres de modo a formar grupos de busca também. Você precisará de todas, pois temos um total de 23 quartos, excluindo todas as saídas e passagens secretas." Ele ordenou austero. "Vocês vão procurar dentro da casa, deixem o lado de fora com os homens! Converse com os retratos e abra cada quarto incluindo os calabouços no porão! Não deixe um só quarto para trás! Eu dou-lhe permissão para entrar no meu estúdio particular!"
"Sim, senhor!" Agnes respondeu e começou a chamar os nomes de todas as mulheres e as levando com ela.
"Emma!" De repente chamou.
"Sim, senhor?" A menina que o havia interrompido dizendo que a firebolt havia sumido, parou abruptamente após ouvir da voz do seu mestre chamando seu nome. Ela virou-se e esperou suas ordens, sendo deixada para trás pelas outras mulheres.
"Venha até aqui." Disse ele, fazendo um gesto para que ela viesse até ele. A jovem subiu as escadas e correu até ele.
"Vá com a minha mãe até o mapa das passagens secretas." Disse ele suavemente. "Um mapa é extremamente necessário para ativar as portas ocultas. Depois disso, escolha a coruja mais rápida do corujal e envie uma mensagem para o Ministério da Magia, no Departamento de Direito e Execução das leis Mágicas para ser exato. Informe-os sobre a atual situação. Enderece a carta ao adjunto do Departamento, o nome dele é Higgs, Terence Higgs. Use o selo da família e ele saberá que a carta é confidencial."
"Agora mesmo, senhor." Respondeu Emma enquanto Narcisa usava sua varinha e convocando o casaco do filho, que certamente iria deixar a mansão, para cuidar de algo pessoal. Após um momento, o tecido do casaco pesado flutuou para fora do estúdio e fez o seu caminho até eles.
"Você acha que é sensato não informar ao irmão mais velho dela, Ronald, sobre isso, Draco?" Narcisa perguntou subitamente, entregando-lhe o casaco.
"Não." Admitiu Draco. "A última coisa que precisamos é do irmão dela vir aqui correndo e tentar me matar, cortando minha cabeça com um machado e me acusando de não cuidar da irmã, antes que eu possa fazer alguma coisa." Acrescentou sem emoção. Ele balançou a cabeça cansado. "Mas a senhora não precisa se preocupar. Vou avisá-los."
"E seu avô? Eu realmente acho que ele deveria ser informado sobre isso."
Draco olhou para o outro lado de cara feia. "Sobre isso..." Ele começou enquanto vestia o casaco que sua mãe entregou-lhe. "Eu vou cuidar de tudo pessoalmente." Então ele olhou ao longe. "Depois de Potter e eu acertarmos as contas." Ele pensou carrancudo.
"Muito bem." Disse Narcisa.
A senhora percebeu o olhar pensativo do filho e rapidamente leu sua mente. Ela estava realmente ciente de que ele estava arriscando tudo, pois as passagens secretas da mansão não deveriam ser conhecidas pelos servos. Mas vendo o olhar de preocupação em seu rosto e a óbvia ansiedade dele, não podia fazer nada mais do que confiar no filho. Afinal, eles poderiam se dar ao luxo de alterar as passagens secretas, uma vez que isso tudo acabasse. Assim ela suspirou e imediatamente chamou Emma para segui-la.
Com as duas mulheres a caminho do quarto de sua mãe para pegar o mapa, Draco guardou a varinha e fez o seu caminho no sentido da sala das vassouras, vendo o lugar vazio da Firebolt , ele pegou sua velha e confiável Nimbus 2001 e saiu para a noite escura.
Se havia uma pessoa que poderia dizer-lhe onde sua mulher poderia estar, sem dúvida, seria Harry Potter.
"Jovem Senhora!"
"Preciso falar com o avô, Fields." Disse Ginny na soleira da mansão de Vladimir mais tarde. Ela enrolou-se em seu manto, para não bater os dentes por causa do frio.
O criado fantasma olhou para ela por um tempo, e seus olhos quase saltaram do rosto transparente ao ver a vassoura flutuando atrás dela, com uma bolsa e uma pequena gaiola, com um gato meio congelado dentro olhando para ele. Virou-se para Ginny notando o cabelo despenteado e ficou chocado ao notar o manto amassado e arruinado, os cabelos brilhantes com flocos de neve e o rosto muito pálido por conta do ar extremamente frio. Como poderia a Senhora da Mansão Malfoy parecer assim... tão... selvagem?
"O que na face da Terra..." Ele parou quando a mulher jovem bateu o pé impacientemente.
"Fields, está frio aqui fora!" Ginny reclamou com desagrado. "Você não vai me deixar entrar?"
Com isso, o fantasma imediatamente ficou de lado e deixou a mulher enregelada entrar "Evidentemente, Senhora."
Ele então pegou a vassoura e o restante das coisas colocando-as ao lado da porta, enquanto Ginny rapidamente entrava, dando um suspiro agradecido pela sensação de calor do ambiente em contraste com sua pele gelada.
Ginny tirou o manto e entregou a pesada peça para ele. "Onde está o avô, Fields?" Ela perguntou enquanto caminhava para o hall bastante iluminado da mansão de Vlad. "Preciso falar com ele."
O fantasma imediatamente postou-se na frente tentando pará-la, para sua surpresa. "Mestre Vladimir está atualmente... er, indisposto, Senhora."
Ouvindo isto ela fitou a forma flutuante com suspeita. Desde quando Fields aprendera a dizer coisas de maneira informal? E ele realmente gaguejou? Ela o fitou, seus olhos se estreitando questionadores. "Tenho certeza que o avô, não se importaria se eu for vê-lo a esta hora da noite." Disse ela, enquanto dava um passo para o lado. Em seguida, com um último olhar, ela rapidamente prosseguiu seu caminho.
Vendo o olhar de determinação obstinada de Ginny, Fields sacudiu a cabeça tragicamente. Em seguida, percebendo o que devia ter feito, ele limpou a garganta e de repente levantou a cabeça. "Talvez, a jovem Senhora queira ficar aqui esta noite?" Ele perguntou formalmente enquanto flutuava rapidamente ao seu lado.
"Não Fields, eu só vim para ver o Avô. Vou sair em pouco tempo." Respondeu Ginny ignorando suas tentativas de fazê-la parar. Agora que ela pensava sobre a situação, algo estava definitivamente acontecendo. Fields estava agindo de forma estranha e incomum. Seu desejo de ver Vladimir ficou mais forte. "Isto é muito, muito importante."
"Estou certo de que a Senhora não se importará de esperar até amanhã pela manhã." Insistiu o fantasma após observar Ginny, já no meio do corredor do segundo andar. "Um quarto será imediatamente preparado, evidentemente, se a jovem Senhora desejar passar a noite."
Ginny não respondeu e acelerou a marcha, até a entrada pouco iluminada dos aposentos de Vladimir. Quando ela estava prestes a chegar à porta de carvalho maciço da velha sala, imediatamente Fields passou por ela, bloqueando a sua entrada pelas portas de madeira brilhante.
"Eu me desculpo profundamente, Senhora." Disse Fields, a sua voz num tom de meia desculpa e meia súplica. "Mas o mestre ordenou especificamente nada de visitantes esta noite."
Ginny fixou o olhar nele, braços cruzados, pés batendo contra a pedra chão. Em seguida, após um momento tenso ela decidiu, e finalmente passou pela forma gelada, para completo choque do fantasma. Instantaneamente sentiu os dentes baterem. Era como caminhar através de uma nuvem de fumaça congelada, a substância gasosa batendo contra ela, retirando todo o calor de seu corpo. Ela esfregou as mãos tentando livrar-se da sensação de congelamento do fantasma contra sua pele. E ignororando o serviçal segurou as pesadas maçanetas da porta.
"Eu tenho certeza que ele não vai se importar, Fields." Disse ela vigorosamente, girando o pulso e ouvindo o som da fechadura abrir-se.
"Jovem Senhora!" Fields chamou enquanto Ginny marchava diretamente dentro do quarto escuro. "Jovem Senhora!"
Ginny ignorando as chamadas desesperadas do empregado de Vladimir, que flutuava rapidamente atrás dela, deu alguns passos rápidos chegando numa enorme cama coberta por um cortinado, onde um homem estava deitado. Sua boca abriu-se lentamente quando viu aquele rosto tão velho e cansado. Ela diminuiu o ritmo e reparou na pele, mortalmente pálida e branca. E deixou escapar um suspiro, quando reconheceu que o ser doentio que dormia era ninguém menos que o avô de Draco!
"Fields, o que significa isto?" Ginny perguntou alarmada, fitando o fantasma e rapidamente voltou-se para Vladimir. "Ele está doente? Está morrendo?"
"Jovem Senhora."
"Há quanto tempo ele está assim?" Ela perguntou nervosa, automaticamente pousando a mão sobre a pele vincada de sua testa. "Bom Deus, ele está tão frio!"
"Quem está aí?"
"Você ligou para o médico, ou alguém?" Ginny falava freneticamente. "Por que nós não fomos informados? Quão mal ele está?"
"Senhora, eu..."
"Fields, quem está ali? Ele está aqui?"
Ginny parou de andar, quando ouviu a voz muito fraca que saiu dos lábios finos de Vladimir. Ela olhou para baixo e o viu abrir os olhos devagar. Quando o olhar desfocado de Vladimir chegou ao seu rosto, ele fez uma série de ruídos sufocados. Ela deu uma espécie de suspiro angustiado. Este não era o Vladimir que ela conhecia.
"O que é que ela está fazendo aqui, Fields?" Ele perguntou fracamente. "Não te disse que não quero visitantes?"
"Sim, meu Senhor, mas a jovem senhora insistiu que precisava vê-lo." Respondeu o fantasma, dando a Ginny um olhar mortal.
"Por que você não falou disto em suas cartas?" Ela falou carrancuda.
"Eu acho que não é de sua alçada, o que eu decido ou não fazer, mocinha." Ele respondeu num tom afiado, mesmo em seu estado enfraquecido. Então os seus olhos dirigiram-se para o empregado. "Deixe-nos."
"Como quiser, Mestre." Respondeu Fields apressadamente, e rapidamente afastou-se deles, deixando-a sozinha com Vladimir.
"Então, é verdade?" Ginny perguntou uma vez a sós com ele. "Você está morrendo?"
"O que lhe parece?" Grunhiu Vladimir.
"Para um homem tão doente, você não se esforça nem um pouquinho para ter a simpatia alheia. Sugiro que você diminua os bufos e rosnados. Acredite em mim, isso cansa." Cortou Ginny de repente, cruzando os braços sobre o peito Quando ela ouviu o rosnado de descontentamento quase saindo de seus lábios, ela balançou a cabeça cansadamente e decidiu mudar de assunto. "Diga-me, é verdade que você precisa de sangue?"
"Eu jurei não me alimentar de sangue humano enquanto vivesse." Rebateu Vladimir. "Mesmo que eu morra, não vou beber sangue humano!"
"Por quê?"
"Não é da sua conta!"
Ginny tentou permanecer calma e lembrar que ela estava falando com um homem doente e realmente teimoso. "Então como é que sobreviveu, após todos estes anos, sem sangue humano?" Perguntou ela sabiamente. "É o alimento da sua espécie, não é?"
Vladimir rosnou novamente.
Ginny suspirou impaciente.
"Sangue de animais certo?" Ela perguntou.
"Eles não são suficientes para sustentar a minha fome desumana." Ele falou duramente após um espasmo de tosse e sufocamento. "Demasiado frio para o meu tipo de preferência."
Ginny sentou-se pensativa. Após um momento, ela falou. "E se você beber sangue humano agora? Qual o tempo que levará para rejuvenescer?"
Com a pergunta súbita, os olhos de Vladimir dilataram-se raivosamente. "O inferno que vou!" Ele gritou, apesar da sua voz trêmula. Ele bateu o seu punho violentamente contra as almofadas fofas da sua cama, para mostrar sua indignação, se não através da voz, o faria através de suas ações. "Prefiro morrer a beber sangue humano!"
Em vez de responder, Ginny chacoalhou a cabeça, levantou-se e dirigiu-se para a escrivaninha. Ignorando os bufos e rosnados frenéticos de Vladimir, ela abriu habilmente sua enorme gaveta pegando um pergaminho, pena e tinta. Em seguida, sentou-se, tirou a sua varinha e tocou uma pequena lamparina no canto da mesa acendendo-a. Quando a fraca luz alaranjada refletiu em sua veste, ela começou a escrever, fazendo o leve barulho da pena deslizando sobre o papel e recarregando a pena de tinta de tempos em tempos.
"Que raios você está fazendo aí?" ele latiu fracamente. "O que está escrevendo?"
"Algo que seria de muita utilidade para nós." Disse ela prontamente elevando o pergaminho até o rosto e soprando levemente contra ele para a tinta secar. "Você deveria ter me contado sobre a sua condição antes."
"Então o quê? Você e o imprestável do meu neto entrariam correndo aqui e ficariam me pajeando?" Vladimir rosnou enquanto Ginny cuidadosamente enrolava o pergaminho.
À menção do nome de Draco, Ginny sentiu seu peito se apertar mais uma vez. Ela olhou para longe, a fim de não demonstrar a dor recente que apertava seu peito, quando as memórias voltavam. Em vez disso, ela limpou a garganta e chamou Fields.
"Chamou Senhora?" O fantasma respondeu. Ele rapidamente passou através da parede e até ela pode detectar a urgência em sua voz.
"Sim." Respondeu Ginny suavemente, e entregou-lhe o pergaminho enrolado. "Entregue isto. Preciso de uma resposta de imediato."
"Muito bem, minha senhora." Disse Fields, e flutuou rapidamente para fora do aposento.
Ginny fez seu caminho de volta para a mesa, reparando num abridor de cartas ornamentado sobre a mesa. Sem pensar, ela pegou a afiada e brilhante lâmina e dirigiu-se para a cama.
"É uma carta para seu marido, certo?" Grunhiu Vladimir. Seus olhos negros estreitaram-se com raiva. "Não o quero marchando até aqui e comemorando a minha morte!"
"Por que você diz isso?" Ginny perguntou enquanto ficava ao lado da cama, com o abridor de cartas atrás dela.
"Porque, se souber que vou morrer em seguida, isso significaria que ele, tanto quanto você, iriam finalmente herdar a minha fortuna!" Ele respondeu. "Eu simplesmente não quero vê-lo saltar de alegria ao ver o meu estado enfraquecido! Não quero que ele me veja neste estado!"
Uma risada suave e desconsolada saiu dos lábios de Ginny. "Então, você terá um violento despertar, avô." Disse ela, enquanto levava o abridor de cartas para perto de seu rosto. "Mas, primeiro..." Ela parou quando Vladimir deixou sair uma risada seca.
"Você vai me matar, mulher?" Bufou ele, vendo o objeto letal direcionado para ele perigosamente.
"Não." Disse Ginny simplesmente. Ela levantou seu braço direito acima
da cabeça de Vlad e passou a lâmina pela pele. O metal frio raspou a pele branca e morna de seu braço. "Eu vou te alimentar!"
Percebendo o que ela estava prestes a fazer, os olhos de Vladimir brilharam com raiva. "Você vai parar imediatamente este disparate!" Ele gritou. "Eu já fiz uma promessa!"
"O inferno que você fez!"
E com isso, Ginny rapidamente cortou o braço com a lâmina, até sua pele se abrir horrivelmente. Uma ferida profunda e vermelha tornou-se bastante visível ante o rosto horrorizado Vladimir. Ela deu um suave silvo de dor, enquanto o sangue saía da ferida aberta. Forçando-se a não estremecer, ela jogou a lâmina no chão e a ferida aberta um pouco acima dos lábios ressequidos de Vladimir. Ela apertou seu braço direito com a mão esquerda para forçar o sangue a sair.
Quando sua boca sentiu o líquido vermelho e espesso saindo da jovem mulher, a imensa fome imediatamente agitou-se dentro dele, o corpo e alma. Ele abriu mais os lábios contra sua vontade, e a boca encheu-se com o líquido vermelho vibrante de vida, matando a sede e a fome insatisfeitas que seu corpo meio-mortal estava gritando por tanto tempo. Era uma fome que ele nunca sentira antes! Uma fome que o lembrou das doces e belas mulheres que ele muitas vezes mordera. Ele preferia as ousadas debutantes antigamente, tinham um sabor jovem, fresco e saboroso. Era o tipo de sangue que gritava de vida e vigor! Era uma mistura revestida de inocência e ardente desejo físico. E nada parecia mais delicioso! Ele não podia resistir!
Ginny esta respirando assustadamente quando Vladimir, bruscamente, puxou seu braço para a boca. O medo aumentou ainda mais quando ele rosnou de maneira selvagem, um rosnado animal quando ela tentou puxar o braço. E antes que ela entendesse, uma dor intensa e ardida caiu sobre ela enquanto sentia duas pontas afiadas e duras atravessando sua pele.
Vladimir deu um muxoxo baixo e obrigou-se a sentar, a boca não deixando a sua fonte de vida. Ele chupou avidamente o braço e o segurou rapidamente, quando sentiu que ela tentava se afastar. Quando o sabor ferroso e doce do sangue entrou em seu sistema, uma enorme onda de força e calor imediatamente espalhou-se por seu corpo, preenchendo cada parte faminta de seu corpo e da sua alma, revivendo-o enquanto ele deixava para trás os últimos resquícios de sua essência mortal. Ele pressionou o braço ainda mais, apertando sua mão, apertando para que mais sangue fluísse até que um grito o tirou de seu devaneio.
"Basta!" Ginny gritava enquanto se retorcia, tentando livrar o braço do aperto, e seu rosto ficando pálido. Ela lutou para se manter consciente enquanto a tontura tomava conta dela. "Basta!"
Mas Vladimir não a libertou.
"Já é o suficiente!"
Ginny puxou seu braço com força. Em seguida, para seu absoluto choque, Vladimir jogou a cabeça para trás e deixando sair um suspiro alto de satisfação, sangue escorrendo por seu queixo e lábios, pingando e manchando o pijama branco. Ela afastou-se rapidamente ao ver dois dentes pontudos aparecendo em sua boca aberta. Então os olhos dela arregalaram-se ao ver a mais extraordinária transformação diante de seus olhos.
Do estado enrugado e decrépito, a pele de Vladimir tornou-se suave e quase etérea. Seu tom mais pálido do que o de costume, mas com uma translucidez luminosa, muito diferente daquilo que estava habituada a ver. Diante de seus olhos ela o viu ficar mais forte, o Vladimir que ela conhecera ressurgia do homem velho e moribundo, que ela havia visto um pouco antes. Quando os olhos de ambos se encontraram ela respirou profundamente fascinada ao ver seu rosto mudar drasticamente! O sangue lentamente desapareceu de seu rosto e do pijama. Ele estava rejuvenescendo diante de seus olhos, a boa aparência se tornando mais visível, os olhos negros tornando-se brilhantes e intensos, as pupilas diminuindo até se tornarem pequenos pontos. Ele parecia saudável e mais jovem. Foi como se retirassem vinte anos de sua idade real. Ficou claro para Ginny que ele não era o mesmo Vladimir que ela conhecia.
"Menina tola!" Vladimir admoestou após um momento, sua voz baixa e rascante. Com a transformação veio a sua imortal crueldade. "Olhe o que você fez!"
E com isso, ele imediatamente saiu da cama numa velocidade extraordinária e foi atrás de Ginny. Ela já estava muito fraca e tonta para lutar ou fugir devido à enorme perda de sangue, tropeçou e caiu diretamente nos braços fortes. Vladimir, finalmente perdeu o controle de si mesmo, apertando os braços em torno de sua presa. Quando ele viu a cor verde clara, das veias salientes e provocativas de seu delicado pescoço branco-leitoso, jogou a cabeça para trás e suas presas de vampiro imediatamente brotaram dentro da boca. Ele rudemente virou a cabeça dela para o outro lado e expondo o pescoço diante de seus dentes. Estava prestes a enterrar o par longo e afiado de caninos na pele do pescoço de Ginny, quando de repente a porta foi aberta com um estouro.
"Expelliarmus!"
Vladimir foi instantaneamente lançado para longe, com um jato de luz vermelha que veio do nada, antes que ele pudesse perfurar o pescoço dela. O homem-vampiro bateu na parede atrás de sua cama com um duro golpe e caiu no chão com um baque forte, inconsciente.
Sem forças para manter a luta por mais tempo, Ginny caiu molemente sobre o sofá de couro macio, quando uma profunda voz masculina soou na quietude do quarto.
"Não estou muito atrasado, não é?"
Ginny sorriu fracamente, enquanto lutava para se manter consciente. "Professor Snape." Ela sussurrou.
DGDGDGDGDGDGDGDGDGDGDGDG
"Potter!"
Draco gritou furiosamente em frente à casa de dois andares bonita, mas modesta de Harry. Ele socou a porta de madeira violentamente várias vezes, sem pensar na brisa gelada de inverno soprando contra ele, e sem se dar conta de quão baixo ele estava agindo. Na verdade ele poderia sacar a varinha e fazer um feitiço para abrir a porta, mas no seu estado de fúria ele realmente se sentia melhor socando alguma coisa ou alguém neste momento. Usar mágica estava fora de questão. Ele bateu na porta novamente, desta vez mais alto.
Era perto de meia-noite e ele sentiu-se cansado, tanto física como emocionalmente. Godric's Hollow ficava a quilômetros e quilômetros de distância da Mansão Malfoy, o que levou quase duas horas de vôo, para não mencionar, os trinta minutos de procura antes de encontrar a casa de Potter.
Ele amaldiçoou em voz alta quando ninguém abriu a porta. Após alguns segundos batendo na porta loucamente, Draco deu um passo para trás temendo que talvez Harry estivesse em sua casa trouxa no presente minuto. Ele se lembrou de Ginny falar sobre Harry estar alugando um apartamento em algum lugar da Londres trouxa. Em seguida, seu peito se apertou, quando as memórias sobre Ginny passavam por sua mente.
Ele agitou a cabeça.
"Potter! Saia neste instante!" Draco repetiu, desta vez gritando ameaçadoramente, sem prestar atenção aos sussurros e olhares curiosos de todos os vizinhos de Harry, olhando a cena de suas casas e janelas.
Ele estava prestes a socar os punhos contra porta mais uma vez, quando de repente uma luz acendeu-se em uma das janelas da casa. Ele deu um passo para trás, quando de repente a porta abriu-se revelando um sonolento, bocejante e não barbeado Harry Potter, com cara de quem foi arrancado da cama olhando-o com uma curiosidade irritada. Ele esfregou os olhos, que estavam livres dos óculos redondos e coçou a cabeça.
"Sai da frente!" Draco gritou, e antes de Harry pudesse fazer ou dizer algo, ele entrou na casa gritando para que Ginny aparecesse.
O rosto de Harry estava sem expressão, sem ter certeza se ele estava sonhando ou não. "O que é isto?"
"Sr. Potter?"
Harry olhou para o lado, vendo um de seus vizinhos olhando para ele meio incerto do que fazer.
"Está tudo bem?" Perguntou o vizinho, olhando para sua casa. Sua carranca aprofundou-se quando Draco fez um barulhão batendo a porta da sala.
Quando seu cérebro começava a concentrar-se, ele reconheceu imediatamente a voz furiosa vibrando dentro de sua casa. Não, ele não estava sonhando. Isto era real. Infernalmente real! Enrolou-se mais no roupão e se obrigou a forçar um sorriso. "Sim, Sr. Wilkins, está tudo muito bem, obrigado." E com isso, Harry imediatamente entrou em sua casa e fechou a porta com um estrondo.
"Ginny! Não me faça ir até aí!" Draco gritou, enfiando o pé direito num caminhão de brinquedo. Então xingou em voz alta, quando o brinquedo trouxa não saía do seu pé. Ele agitou o pé para soltar o maldito caminhão brinquedo, criando uma poça de lama e sujeira ao redor dele.
"Ei!" Harry gritou irritado, ouvindo os gritos histéricos do outro homem, com os olhos já focados. Ele fechou o semblante com aborrecimento, ao ver a avantajada forma de Draco prender o pé no caminhão de brinquedo, parecendo muito bobo. Mas na situação atual, Harry tinha outras coisas para pensar do que rir dele. Ele praguejou em voz alta ao ver Draco criando uma grande confusão dentro da sua casa, em seu carpete recém-limpo. "Ei!
"Onde está a minha esposa, Potter?" Draco rosnou enquanto finalmente jogava o brinquedo no chão, que fez um barulho alto ao cair no piso de madeira.
"Normalmente eu te diria para se mandar daqui, mas visto que você já invadiu minha casa, bagunçou tudo e fez o possível para arruinar o nosso sono, o que, aliás você conseguiu." Disse Harry irritado. Então seu rosto endureceu. "SAIA DA MINHA CASA!"
"Onde está a minha esposa, Potter?" Draco repetiu, desta vez, levantando a voz furiosamente, sem notar que Harry realmente gritara com ele.
"Ela não está aqui!" Harry respondeu de volta. Seu olhar encontrou o do filho sentado no topo das escadas, olhando para eles, com aqueles enormes e curiosos olhos verdes, vestido em seu pijama azul claro de ursinhos. "Olhe o que você fez! Você acordou meu filho!"
"Não me importo se eu acordei a porcaria do bairro todo!" Draco respondeu alto. "Traga-me a minha mulher ou eu vou me certificar que você vai realmente desejar nunca ter nascido!"
"Você está me ameaçando?" Harry perguntou, seus olhos meio desfocados estreitando-se em fendas. Ele sorriu afetadamente. "Porque se você estiver, então não está funcionando."
"Sim." Draco parou e pegou sua varinha . O loiro olhou para ele ameaçadoramente. "Eu pareço estar ameaçando você, Potter?" Ele perguntou perigosamente.
Harry o fitou e notando o olhar de fúria assassina em seus olhos, balançou a cabeça rudemente. Ok, ele provavelmente achava que sim, mas, no entanto...
"Eu te disse, ela não está aqui!" Harry gritou furiosamente, ignorando o olhar mortal que outro homem lhe deu. "Você é surdo ou simplesmente estúpido?"
E com isso, Draco amaldiçoou em voz alta. Ele caminhou para as escadas com passos furiosos sem sequer pedir licença, não acreditando nas palavras do outro. Harry arregalou os olhos com descrença, enquanto Nathan saía fora do caminho de Draco, que se dirigia pelo corredor iluminado para o quarto de casal. Atingindo a porta, ele a abriu e viu uma enorme cama de dossel, com as cobertas pesadas reviradas e nada da mulher de cabelos vermelhos por ali.
"Potter!" Berrou ele, se virando e fazendo o seu caminho de volta para a sala. Ele desceu a escada, e seu casaco pesado esvoaçava em torno dele. Seus olhos dirigiram-se de imediato para a sala de estar, vendo Harry caminhar de um lado para o outro, não muito certo de como reagir aos súbitos eventos e seu filho, agora totalmente desperto, se ocupava brincando com o caminhão de brinquedo, que quase fora quebrado. Sentindo a presença do outro, ele parou e virou-se.
"Que mer..." Harry imediatamente parou ao ver seu filho sentado no chão, brincando. Ele deu um profundo suspiro irritado, mas reformulou as palavras. "Quem diabos disse que você pode entrar no meu quarto, desse jeito?"
"Onde ela está?" Draco exigiu. Ele estava bastante tentado a arruinar a cara de Harry com uma ou duas azarações, mas vendo o menino se refreou, contentando-se em dar-lhe o pior, o mais frio e cruel olhar que ele podia.
Como resposta, Harry virou-se para o filho. Ele curvou-se e acarinhou o cabelo castanho escuro de Nathan. "Nathan, filho, vá para o seu quarto." Ele ordenou suavemente.
O garoto de dois anos de idade, olhou para Harry e para Draco, duas vezes e novamente para Harry durante algum tempo. Vendo a expressão séria nas faces dos dois homens diante dele, ele deu a seu pai um sorriso doce e obediente. "Ok, papai." Disse ele em sua voz infantil, e imediatamente correu até as escadas levando o caminhão de brinquedo.
Por um momento, Draco suavizou o olhar enquanto seguia o pequeno menino com verdadeiro fascínio. Em seguida, seu pensamento inconscientemente voltou-se para Ginny mais uma vez. Seria possível que ela estivesse grávida? A probabilidade era bem grande. Afinal... ele fez uma careta. Se ela estivesse o que seria? Uma garota? Um menino? Ele preferia um menino, mas... Porra, que diabos ele estava pensando?
"Você já se livrou do carrinho,sabia?"
Draco piscou vendo Harry olhar para ele com inegável confusão e irritação. Ele retornou o olhar de forma direta. "Você não mentiria para mim, Potter." Disse ele com uma ameaça velada. "Eu sei que você esteve com Virgínia há poucas horas. Eu vi a sua carta."
Então, para espanto de Draco, a firme expressão de Harry tornou-se de absoluta confusão. "Sim, mas ela voltou para você." Ele respondeu pensativamente, a simples ideia de Ginny ter sumido, fez toda a vontade de jogar ou chutar Draco para fora de sua casa se esvair. "Ela estava com pressa, na verdade."
"Ela não está na Mansão." Disse Draco seco, o pensamento de Ginny saindo com Harry completamente ignorado. De alguma forma, vendo Harry confuso enviou uma onda de medo e ansiedade profunda para seu estômago.
Os olhos de Harry se arregalaram. "O que você quer dizer com ela não está na mansão?" Ele perguntou. "Ela foi embora?"
O homem mais alto estreitou os olhos. "Não, na verdade ela está deitada na minha cama e eu simplesmente não tinha nada melhor para fazer, por isso, resolvi dar uma passadinha por aqui! Claro, que ela foi embora!" Draco exclamou. "Eu não estaria aqui se ela não tivesse sumido!"
"Eu não sei onde ela está." Disse Harry de forma séria.
"Você foi a última pessoa que falou com ela." Disparou Draco de volta.
"Eu te disse, ela correu de volta para você!" Harry exclamou. Com isso, Draco andou para longe dele e começou a andar de uma lado para o outro, murmurando e rosnando. "Eu juro, sobre o túmulo de meus pais, que não sei onde ela está!"
No entanto, Draco não parava de andar, pensativo. De alguma forma, ele acreditava em Harry. Realmente estranho, mas ele acreditava.
Harry deixou escapar um suspiro irritado. "Se você não parar de andar neste instante, eu vou colar seus pés no chão e acredite em mim quando eu digo que eu não vou me importar de ter um panaca grudado no meu chão, desde que faça você parar. " Disse ele irritado. "Você está me deixando tonto!"
"Isso é porque você não está usando seus óculos, criatura pouco inteligente!" Draco cuspiu de volta, finalmente parando. Então ele olhou para Harry pensativamente e percebeu que esta era realmente a primeira vez que ele via Harry Potter sem os óculos. Ele balançou a cabeça, dispensando o estúpido e inútil pensamento. "Tudo bem, esqueça isso. Tem certeza que você não é um psicopata, maníaco homicida que gosta de manter garotas bonitas, com cabelos vermelhos chamadas Virgínia no seu porão?"
Os olhos de Harry arregalaram-se incredulamente. Ele não estava certo se Draco falava sério ou se estava sendo um idiota total.
Draco caminhou lentamente para ele. "Porque se você for, eu juro que vou matar você, Potter." Ele rosnou, nivelando seus olhos com os do outro. "E eu não vou me importar, mesmo se eu for para Azkaban por isso."
Agora, Harry estava certo de que ele falava sério. Mortalmente sério.
"Você é louco, Malfoy." Disse Harry, sem pestanejar. Ele empurrou Draco para longe dele rudemente, mas não o provocou. "Ela não quis nada comigo. Eu te disse." Então ele olhou ao longe. "Ela realmente correu para você. E acredite em mim quando digo que nada, nem ninguém neste mundo poderia impedi-la de ir até você." Disse lembrando a última conversa deles.
"O que você quer dizer?" Draco perguntou torcendo as sobrancelhas.
"Isso significa que mesmo que eu tenha pedido a ela para fugir comigo, ela não faria isso!" Harry exclamou. Havia uma nota de amargura em sua voz. "Ela me deu aquele olhar quando seu nome foi mencionado, igual ao de Cho quando eu perguntei se ela casaria comigo."
Draco não disse nada.
Harry deixou sair um suspiro exasperado. "Olha, você quer que eu beba Veritaserum? Porque se você quiser, eu faço! Não tenho nada a esconder!" Ele exclamou. "Por mais que eu... Goste da Ginny, eu nunca pensaria em levá-la contra a vontade!" Então ele afastou-se, exibindo um olhar de desgostosa aceitação. "Eu não a teria sabendo que ela estaria pensando em outra pessoa."
Draco olhou para ele momentaneamente, seus olhos prateados fixos no outro homem, como se pudesse ler o que se passava em sua mente. "Tudo bem." Ele finalmente disse. Ele girou e dirigiu-se para a porta. "Eu vou voltar, então."
Silêncio pairou enquanto Harry olhava o homem, que se retirava tomado de emoções variadas. Ele não sabia se deveria sentir-se feliz, triste ou preocupado à cerca dos acontecimentos. Parte dele estava injuriada por Ginny ter escolhido Draco, outra parte dele sentia-se feliz pela evidente preocupação que Draco estava sentindo pelo fato de Ginny ter sumido. Mas a maior parte dele sentia-se preocupado pelo súbito desaparecimento de Ginny. Especialmente agora que alguém estava lá fora tentando pegá-la.
Ele foi atrás de Draco, que estava prestes a abrir a porta da frente. "Malfoy, acho que..."
"Malfy".
Tanto Harry quanto Draco pararam quando a vozinha de Nathan vibrou dentro da casa. Eles olharam, confusos.
"O que foi isso?" Draco perguntou, fazendo uma careta, enquanto fitava o menino de olhos arregalados sentado nas escadas.
"Ginny." Disse Nathan com um pouco de dificuldade.
Draco virou-se para um Harry perplexo atrás dele. "Seu filho tem o dom?" Perguntou, lembrando a forma como o menino conseguiu avisar Ginny, antes das facas a atingirem no último Natal.
"Que dom?" Harry perguntou, completamente alheio. Então ele olhou para cima. "Nathan, o que está dizendo, filho?"
Draco estreitou os olhos. "Vidência." Ele respondeu, exasperado. Então ele atirou as mãos para cima e olhou para o moreno desgostoso. "Honestamente, Potter, você deveria saber! Ele é seu filho, por amor de Deus! Os sintomas estão aí! Você não vê? Como é que você conseguiu se formar em Hogwarts?"
"Oh, olha quem está falando Sr. Eu-tenho-um-filho-então-sou-um-especialista." Cuspiu Harry sarcasticamente.
"Você não tem que ter um filho para saber disso, seu idiota." Disse Draco impaciente. "Você tem consciência de que as coisas que as crianças de nossa espécie dizem, não importa o quão peculiar e estranhas possam ser, não devem ser ignoradas? As coisas funcionam diferentes das comunidades trouxas. As possibilidades são infinitas!"
"Bem, se você não sabe, eu fui criado no mundo trouxa e não tenho a mínima ideia sobre as coisas que você acabou de dizer até agora!" Harry atirou de volta. Então ele virou-se pensativo. "Não sei. Talvez um pouco. Afinal, eu era uma porcaria na aula de vidência."
"Nada surpreendente, realmente." Draco murmurou deliberadamente. "A única coisa que você era bom mesmo, era voar."
Harry sorriu torto para ele. "Considerando que você era terrível nisso?" Ele perguntou sarcasticamente.
Draco amarrou a cara para ele, como se ele tivesse dito alguma coisa errada. "Que drogas você está usando, Potter?"
"Você deveria saber, Malfoy!"
"Malfy".
"O que o seu filho está dizendo?" Draco gritou irritado. "Não faz nenhum sentido!" Ele estava prestes a virar-se e abrir a porta, quando um súbito pensamento acertou-o.
"Malfy?" Perguntou-se, ficando pensativo. "Ginny? Seria possível?" Então ele esfregou as mãos, lembrando do apelido que Sylvia colocara no seu avô. "É isto!" Ele gritou.
"O quê?" Exigiu Harry. "O que é? Onde ela está, Malfoy?"
Desta vez, os olhos de Draco estreitaram-se. "O que te importa, Potter?" Ele perguntou. "Por que eu deveria dizer? Por tudo que eu sei, você pode estar tentando matá-la."
Harry revirou os olhos. "Ora! Pare com isto!" Ele gritou. "O que isto me traria de bom?"
"Quem sabe?" Draco deu de ombros e virou-se. "Quero dizer, afinal, você é uma aberração da natureza, cicatriz". Ele abriu a porta e estava prestes a sair, quando de repente Harry chamou por ele. "O quê?" Ele perguntou impacientemente. "Eu não tenho tempo para isso!"
"Eu vou com você." Respondeu Harry, esquecendo completamente o insulto.
Draco parou bruscamente e virou-se para ele de modo determinado. "O quê?"
"Eu disse que eu vou com você." Harry repetiu virando-se e se dirigindo a escada para o quarto dele, sem dúvida, a fim de se trocar e pegar seus óculos. "Pelo que eu sei todos são suspeitos, inclusive você. E não vou confiar a segurança de Ginny a você!"
"E se fosse o contrário?" Draco falava atrás dele. "E o que te faz pensar que eu iria deixar você vir comigo?" Ele perguntou enquanto Harry descia as escadas rapidamente, já vestido e barbeado, evidentemente com uma pequena ajuda de sua varinha.
"Oh, eu não esperava realmente que você me permitisse ir." Respondeu Harry quando saiu para pegar a sua vassoura.
"Ok, vamos começar pelo início, Potter." Disse Draco enquanto Harry vestia o manto. Ele levantou o dedo em frente ao seu rosto "Eu não confio em você."
"Bem, eu não confio em você também." Disse Harry com o rosto inexpressivo.
Draco rolou os olhos e deu um passo para trás. "Ótimo, nós não confiamos um no outro. Fazemos uma boa equipe." Ele falou sarcasticamente, agitando os braços no ar. "Eu lhe disse que o meu pai não confiava em Voldemort? E olha onde isto o levou."
"Cai na real, Malfoy. Eu nem sequer chamaria isto de equipe" Disse Harry, enquanto se fitavam teimosamente. Então ele suspirou cansado. "Não estou fazendo isso por você ou por mim, eu estou fazendo pela Ginny. Deus sabe quantas vezes eu a ignorei e foram erros de minha parte." Ele parou e se afastou do olhar estreito de Draco, lembrando da conversa que teve com Ginny há pouco tempo.
Então ele olhou para trás. "Foi duro aprender com meus erros, e eu não tenho intenção de cometer outros, então gostando ou não, eu vou com você, ajudarei Ginny e fim da história!"
Draco o fitou momentaneamente, pensando e decidindo. Finalmente, ele deu um suspiro de relutante aprovação.
"Sutil, não é mesmo?" Draco perguntou cansado.
Julgando pelo olhar de determinação de Harry, o loiro não teve nenhuma outra alternativa senão a de render-se. Foi um olhar que dizia "eu não me importo com merda nenhuma do que você diz." Era o olhar que ele estava acostumado a ver quando eles ainda jogavam Quadribol por suas respectivas casas. Harry tinha este olhar sempre que via o pomo. E xingar, gritar ou mesmo bater naquela cara teimosa, neste momento era impossível. Mas neste momento até que era bom. Ele não se preocupava com Harry. Harry não se preocupava com ele. Mas ambos se preocupavam com Ginny. Pelo menos eles tinham algo de "útil" em comum.
"E seu filho?" Draco perguntou, depois de pensar por um breve momento. Quando Harry deu-lhe um olhar que dizia "uh-oh, eu esqueci", Draco virou os olhos para o céu com exasperação. "Seu imbecil! Você não pode andar por aí sem compromisso como antes. Você não pode deixá-lo sozinho aqui!"
"Eu sei! Cale a boca! Estou pensando!" Harry exclamou, olhando pensativamente para Nathan.
Draco bufou. "Agora, isto é novo!" Disse ele. Então os olhos dele abriram-se gozadores. "Você está realmente pensando."
"E você não está." Rebateu Harry incomodado. "Pensar não funciona com você. É como combinar verde com laranja. Um terrível choque, realmente."
"Você está errado. Eu já pensei em algo." Disse ele. Então ele olhou para o menino, com uma expressão ilegível. "Vamos levá-lo conosco para a Mansão de Vlad. Meu avô ficaria mais do que feliz em cuidar dele."
"Mansão do Vlad?" Harry perguntou, perplexo. "Que Mansão do Vlad?"
"É a residência do meu avô." Disse Draco. Ele tirou um pequeno isqueiro, prata do bolso. "Estou bastante certo que Ginny está lá."
"Você não acha que Nathan vai nos atrasar?" Harry perguntou. Então ele amarrou a cara, quando Draco abriu a tampa do isqueiro. "E é absolutamente proibido fumar dentro da minha casa e na frente do meu filho, Malfoy!"
Com isto Draco fez uma cara feia. "O que você é? Estúpido?" Disse ele, irritado. "Esta é uma chave de portal que estou segurando e não um isqueiro! Bem, embora seja um isqueiro, eu não vou usá-lo para acender um cigarro! E eu não seria louco o suficiente para deixá-lo voar com o seu filho! É perigoso e sem dúvida nos atrasaria." Ele olhou para longe e testou o seu não-tão-funcional-isqueiro, enquanto murmurava e rosnava. "Porcaria de coisas trouxas!"
"Então, seu avô tem um ponto de portal em sua mansão?" Perguntou Harry bastante surpreso. Ele pegou seu filho, subiu e o trocou antes de Draco rosnar um sim. Após alguns segundos olhando e esperando, Harry abriu a boca novamente. "E o que te faz pensar que Ginny está na casa do seu avô? Ela podia ir direto para A Toca ou para o seu apartamento trouxa."
"Vale a pena tentar e tenho fé nas habilidades de seu filho, Potter. É a hora de testar e provar o dom dele." Disse Draco, de frente para o moreno. "E, além disso, Ginny suspeita de mim. Ponha-se no lugar dela. Ir direto para A Toca ou a Londres seria muito estúpido. Estes seriam os primeiros lugares que eu iria, segundo o pensamento de Ginny, e ela não quer que eu a encontre." Ele deu um sorriso atravessado quando Nathan desceu as escadas, vestido e trazendo seu pequeno manto nas mãos. "Mas então, eu tenho certeza que você não tinha pensado nisso, certo?"
"Não força, Malfoy!" Harry disse, em tom de aviso, enquanto se ocupava colocando o manto sobre os ombros do filho. Então ele virou-se para Draco com suspeita. "E por que Ginny suspeita de você?"
"É uma longa história." Respondeu Draco de forma curta. Quando viu o olhar desconfiado que Harry deu a ele, ele suspirou. "Vamos lá, Potter, não me faça contar tudo! Vai levar a noite toda!"
"Eu não me importo se levar a noite toda."
"NÃO QUERO MATÁ-LA, CERTO?"Draco gritou. "Tenha certeza que eu não quero que ela morra!"
"Dê-me uma boa razão." Harry estacou, cruzando os braços obstinadamente sobre o peito. "Porque eu posso fazer você ir para o inferno, com apenas uma simples balançada da minha varinha Malfoy, e você bem sabe que eu posso fazer isso."
Draco desviou os olhos para longe e deu uma olhada petrificante para o sofá. "É pessoal, tá bem?" Ele finalmente admitiu. "E se eu for a pessoa que está atrás de Ginny, te dou total permissão para mandar um Avada Kedavra em mim, sem delongas."
Harry o fitou por um longo tempo antes de anuir em aceitação. "Tudo bem." Ele finalmente disse. Em seguida, limpou a garganta e mudou de assunto. "Qual seria a vantagem de Ginny em ficar na Mansão de Vlad?"
"Oh, você verá em breve." Disse Draco misteriosamente, enquanto se posicionava em frente aos dois, empunhando o isqueiro. "Prontos para ir?"
"Você sabe algo que eu não sei?" Harry perguntou enquanto Draco murmurava um fraco "Accio" para chamar a sua própria vassoura.
"Talvez." Respondeu Draco. "Afinal, ele é meu avô, certo? Só eu sei o quão louco aquele velho pode ser. Seu filho está acostumado a usar chaves de portal, Potter?"
"Oh, não é novidade. Eu posso ver a relação estreita entre vocês." Disse Harry sorridente. Quando Draco decidiu ignorá-lo, ele virou-se para o seu filho, que chegava perto do isqueiro. "Sim, ele está acostumado. Eu sempre o levo aos meus jogos e muitas vezes via chave de portal.
"Você podia ter dito somente o sim." Disse Draco enquanto revirava os olhos irritado.
E com isso, os três seguraram o isqueiro com força, vassouras na mão e desapareceram num piscar de olhos.
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"Eu deveria ter adivinhado!" Disse Snape enquanto agitava sua varinha, lançando um potente feitiço de amarração, para segurar um forte Vladimir sobre a cama. O pocionista olhou para Ginny muito pálida e bruscamente continuou: "Que algo tão estúpido como isto, seria obra de um dos amigos do Potter".
"Tire isto de mim, bastardo!" Vladimir gritou.
Snape o ignorou. De qualquer maneira ele era muito mais forte do que Vladimir.
Ginny deixou sair um fraco sorriso enquanto fitava Snape, que arrumava suas coisas, cuidadosamente compiladas, no interior do pequeno estojo de couro que ele havia trazido junto. "Bem, eu não poderia deixá-lo assim, podia?" Ela perguntou, seus olhos se dilatando fascinados enquanto olhava o conjunto de frascos de vidro e recipientes com líquidos multicoloridos.
Ele os colocou cuidadosamente na cama e tirou outro frasco do seu bolso. Em seguida, dirigindo-se a Vladimir, ele abriu os lábios do vampiro e forçou a poção sonífera em sua boca, sem se importar com a série de maldições que Vlad cuspiu em seu rosto. Momentos mais tarde, seus olhos foram se fechando até que ele finalmente caiu no sono.
"Você deveria ter pensado melhor ao tentar algo tão estúpido como isso." Disse Snape desagradavelmente, enquanto ele pegava uma seringa de tamanho médio do seu kit. "Você não tem a menor idéia do que poderia te acontecer se ele tivesse conseguido?
"Eu sei, nós estudamos vampiros no DCAT durante o meu sexto ano." Respondeu Ginny enquanto pressionava um pano sobre o seu braço ferido. A despeito do fogo alto da lareira dos aposentos de Vladimir, Ginny sentia-se gelada e ligeiramente enfraquecida. "Eu também tive este assunto incluído numa de minhas aulas avançadas."
"E pelo que vejo, você não aprendeu nada." Ele concluiu antipático, enquanto enchia a seringa com o líquido escuro e roxo. Virou-se para a luz e cuidadosamente mediu a solução.
"É bom que você tenha chegado aqui em tempo. Vejo que recebeu a minha coruja mais cedo do que eu esperava." Disse Ginny enquanto assistia Snape injetar cuidadosamente, a agulha na pele de Vladimir, visando a veia mais próxima possível do coração. "O que é isso?"
"Falando honestamente, eu não recebi sua coruja, Srta. Wea... erm... Sra. Malfoy." Disse sucinto, empurrando lentamente o líquido roxo para o corpo do homem mais velho. "Para sua informação, Vladimir já tinha agendada uma consulta por causa da sua medicação, enquanto o seu pedido..." Ele parou e virou-se para ela desagradavelmente "Foi puramente produto de uma sorte enorme".
Ginny ficou em silêncio, sentindo-se uma garotinha idiota e patética de escola tomando sermão. Ela fitou o chão e esperou que Snape continuasse com suas habituais críticas, inclementes e incrivelmente doloridas. Ela teve de admitir que ele estava certo, apesar de tudo. Afinal, ela não estava usando o cérebro nesse momento.
Quando Snape viu a reação sóbria pelo canto dos olhos, ele deu um suspiro quase inaudível e magoado. "Trata-se, a propósito, do meu soro anti-vampírico." Ele falou. "Comecei a fazer este um ano após a descoberta da Poção Mata-cão. A mais recente, evidentemente."
"Soro Anti-vampírico?" Ginny repetiu, seus olhos o fitando com grande admiração, apesar de sua condição enfraquecida. "Então, posso entender que, na realidade, elimina o desejo da alma do vampiro de sugar sangue fazendo-o voltar a ser mortal? Como é feito?"
Snape encontrou-se sorrindo com muito apreço pela curiosidade de sua antiga aluna. Efetivamente, Virgínia Weasley-Malfoy não tinha mudado nada. Curiosidade. Esse era um dos fatores que movia seu ser, fazendo dela uma de suas melhores alunas em todas as turmas de poções de Hogwarts.
"Os mesmos ingredientes da Poção Mata-Cão." Disse Snape inexpressivamente enquanto descartava cuidadosamente a seringa usada. "A única diferença é que este soro contém uma grande quantidade de extrato de alho, limalha de prata e um pouco de água benta. Eu também incluí as mesmas combinações anti-demência do Mata-Cão". Ele parou e a fitou por um longo tempo. "Melhor ter certeza." Ele murmurou enquanto entregava a ela um termômetro. "E, naturalmente, uma grande quantidade de suco Murtisco. Isso dá a cor púrpura. E é mais eficaz quando injetado." Ele prosseguiu.
Ginny concordou e colocou o termômetro na boca sem pensar, como se fosse a coisa mais normal a fazer. De alguma maneira, ela havia notado uma pitada de orgulho na voz habitualmente sem emoções de Snape. "Mas o suco de Murtisco em grandes quantidades é muito perigoso, não é?" Ela perguntou pensativamente. "Será que não é perigoso para ele"?
"Para bruxos comuns, sim." Respondeu Snape, enquanto olhava para o relógio. "Mas para os que são como eles, não. Lobisomens e vampiros têm uma forte resistência a grandes quantidades de suco de Murtisco, devido à sua natureza inumana. E uma grande quantidade deste suco é necessária para sustentar o efeito anti-demência. Creio que você sabe perfeitamente que tentáculos de Murtisco quando comidos, produzem uma forte resistência a pragas e azarações, não é mesmo?"
"E assim a poção erradica o vampirismo num vampiro?"
"Não, a fórmula apenas o controla." Respondeu Snape. "Assim como a poção Mata-Cão, o soro anti-vampírico reduz o desejo de sangue humano. Não se trata, contudo, de retirar seus poderes. Durante a transformação, ele vai ficar sossegado, pálido, com os caninos afiados, bebendo vinho ou água em lugar de sangue humano. "
"Brilhante." Sussurrou Ginny através do termômetro que saía de sua boca. Então ela deu um suspiro. "Eu o transformei num verdadeiro vampiro, não é?"
Snape voltou o rosto sisudo para dela. "Francamente falando, ele precisou apenas de quatro colheres de seu sangue para completar sua transformação." Explicou. "Vladimir nasceu um meio-vampiro. Ele vinha bebendo sangue humano desde o dia que começou a falar. Então, ele parou por razões desconhecidas, portanto, impedindo a completa transição. Realmente creio que esta é a maneira pela qual os meio-vampiros transformam-se em vampiros verdadeiros. Eles não precisam ser mordidos, apenas têm de beber sangue humano quente. "
Ginny anuiu e eles permaneceram calados durante alguns segundos. Ela olhou reparando que Snape, vestindo o usual e pesado manto preto, estava de pé e agitava a varinha em direção às mãos amarradas de Vladimir, libertando-o do feitiço. "Ele vai acordar em poucos minutos, totalmente inofensivo." Falou sem expressão. Ginny fez uma careta.
"Por que você usa um termômetro trouxa?" Ela perguntou curiosamente quando Snape tirou-o de sua boca. "O que tem demais, em utilizar um termômetro?"
Snape a fitou friamente. Finalmente, ele decidiu falar, ignorando a segunda questão. "Os termômetros trouxas são mais precisos do que os nossos feitiços para temperatura." Ele respondeu trazendo o termômetro contra a luz. "Nós dependemos de magia, enquanto eles dependem inteiramente da ciência. Gostando ou não, nós, bruxos e trouxas temos a mesma temperaturas corporal. É mais aconselhável utilizar o termômetro trouxa em casos como este." Só então ele falou suavemente. "Ha! Justamente como eu esperava!"
E antes que Ginny pudesse proferir outra pergunta, ele tomou seu braço ferido, e encostou a varinha contra ele enquanto murmurava um encantamento curativo. Quase imediatamente, os dois pontos perfurados lentamente fecharam-se diante de seus olhos, deixando manchas de sangue seco à sua volta. Depois disso, Snape afastou-se dela e reabriu seu kit revelando um outro conjunto de frascos diante deles. Após uma cuidadoso raciocínio, e seleção, ele pegou um pequeno recipiente de vidro com um líquido vermelho-púrpura no seu interior e entregou a ela.
"Aqui, beba isso."
"O que é ?" Ginny perguntou curiosa, embora já tivesse aberto a tampa do frasco.
"É um soro que vai fazer seu coração bater um pouco mais rápido por alguns minutos, para compensar a perda sanguínea de seu corpo." Explicou. "Eu também incluí uma pequena gota de soro anti-vampírico sem o Murtisco, é claro. Depois de ser mordida por Vladimir, eu não sei realmente o efeito que isto pode ter em você."
"Ah." Disse ela antes de colocar o frasco contra os lábios, tapar o nariz e beber tudo num gole. Seu rosto torceu-se com repugnância imediatamente, pelo sabor amargo-azedo do líquido em sua língua. "Eca! Este gosto é pior do que a poção Polissuco!" Ginny exclamou parecendo muito imatura, depois de engolir a poção vermelha. "Por que você não nos ensinou a fazer isso antes?"
Snape apenas sorriu sem humor e tomou o frasco vazio que ela lhe devolveu. "Você não quer me colocar para fora dos negócios, não é?"
"Você costuma recomendar este soro para vítimas mordidas por vampiros?" Perguntou ela depois de um momento.
"Não, esse soro é apenas para casos especiais, como o seu." Disse Snape enquanto rapidamente reunia e arrumava suas coisas. "Nem todos estão, erm..." Ele parou e virou-se para Ginny, elevando as sobrancelhas parecendo incerto do que falar. "Creio que o meu trabalho aqui está feito." Ele finalmente falou. "Agora, se você me desculpar, eu tenho outras coisas para fazer." E com isso, virou-se bruscamente e dirigiu-se para as portas do quarto, estava prestes a abri-las, quando de repente Ginny chamou o seu nome. Ele virou-se, com as sobrancelhas levantadas interrogativamente.
"O que é agora?" Perguntou irritadiço.
"Obrigada." Disse Ginny, dando o sorriso mais doce que ele já tinha visto. "Obrigada por ter vindo aqui. Obrigada por toda sua ajuda."
Severus Snape deixou escapar um pequeno suspiro. Afinal, ela era sua melhor aluna. Era realmente difícil dizer não a Virgínia Weasley, mesmo quando ela ainda era uma Grifinória. "Apenas não faça nada estúpido novamente." Ele rosnou. Então, sem outra palavra, saiu e fechou as portas atrás dele.
Ginny balançou a cabeça, com um pequeno sorriso no canto de sua boca. Ele ainda era o mesmo Severus Snape que ela conhecia, mas não deixou de notar o ensaio de sorriso que escapou dos lábios sisudos, quando ela expressou sua gratidão. Isto a fez pensar por que Snape decidiu ser tão solícito e desprendido, considerando que ele odiava o fato dela ser sua melhor estudante e ainda por cima uma Grifinória.
"O homem tem um coração afinal!" Ela pensou, sorrindo suavemente. Um dia, ela pensou, gostaria de encontrar uma maneira de retribuir a sua bondade não-tão-bondosa . Com isso, ela se levantou dirigindo-se para a janela, quando uma voz fraca soou na quietude do quarto.
"Espero que você tenha aprendido a lição, Virgínia."
Ela virou-se e viu os olhos de Vladimir já abertos, mas sem o toque de crueldade. Foi realmente estranho ver um vampiro em sua plena forma parecendo tão gentil e inofensivo. Cautelosamente, ela sentou-se na cama enquanto Vladimir lutava contra a tonteira, seu belo rosto iluminado pela lua e pelo fogo crepitante, criando uma fina, e brilhante luz prateada refletida nas bochechas pálidas.
"Tenho uma confissão a fazer." Disse Virgínia suavemente, de frente para ele.
Vladimir levantou friamente suas sobrancelhas como resposta, esperando.
Quando Virgínia teve certeza de que a conversa não poderia ser adiada, ela respirou profundamente tentando se acalmar. "Nós estivemos te enganando o tempo todo." Ela começou. E com isso, contou tudo a Vladimir. Sobre o jogo de Quadribol onde tudo começou, o acordo que ela fez com Draco, sobre o orfanato e tudo sobre o a pavorosa peça que eles estavam pregando por causa da herança. A expressão de Vladimir não tinha se alterado durante o fluxo da história, continuava fria e calculista.
"Foi errado e eu estou plenamente ciente disso." Disse Ginny após contar tudo para o avô de Draco. "E, por isso, me desculpo do fundo do coração." Ela piscou os olhos furiosamente para impedir-se de chorar.
Vladimir optou por permanecer em silêncio.
Ela fungou suavemente. "Eu não poderia te culpar de ficar furioso comigo e me odiar." Disse ela. "Mas eu só quero que você saiba que, depois de tudo , eu não quero seu dinheiro. Só... deixe tudo para Draco, ele merece cada sicle. Afinal ele é o seu único herdeiro. E pode ficar descansado que depois disso, eu nunca mais vou importunar você ou a sua família novamente."
Silêncio.
Ginny levantou o olhar. "Deus, eu me sinto tão terrível." Ela falou baixinho. "Depois de ser tratada com toda a bondade por você e Narcisa... Falando sinceramente, você se tornou o avô que nunca tive! E participar deste jogo cruel, acredite ou não, me machucou muito! E eu..."
"Você deve sentir-se terrível." Disse Vladimir, cortando-a de repente.
Ginny parou e olhou para ele timidamente.
"E eu deveria estar com raiva."
Ginny concordou. Ela fitou o chão envergonhada e mordeu o lábio.
"No entanto..." Ele parou enquanto uma risada alta e rouca escapava de seus lábios.
Ginny virou-se para ele, horrorizada com a súbita e inesperada reação. Mas o que diabos Snape lhe dera? Seria um efeito colateral do soro anti-vampírico? O vampiro virava um bobo alegre? Agora as coisas estavam ficando cada vez mais estranhas a cada segundo! Um vampiro rindo com alegria verdadeira?
"Você realmente acredita que eu engoli a porcaria de história Eu-estou-apaixonada-por-Draco?" Ele exclamou. "Vamos lá! Com certeza você não me acha estúpido, não é?"
Ginny ficou de boca aberta, de maneira nada elegante, enquanto uma estranha sensação de déjà vu a varria. Ela fitava a face risonha de Vladimir, completamente atônita.
"Eu sabia todo o tempo! Eu mudei o testamento, não foi? Só para chateá-lo!" Ele falou alto, parecendo presunçoso e egoísta, deliciado ao ver a expressão atônita dela. Então deu outra risada alta e barulhenta. "Você devia ter visto a cara dele! Eu te conto! Foi inestimável! E a maneira como ele..." Vlad parou repentinamente ao ver a expressão chateada, sem graça e sarcástica que ela lhe deu. Limpou a garganta sentindo-se desconfortável e ficou sério. "Eu já fui mimado como este menino está agora Virgínia."
"Então... Então por que você não falou nada?" Ginny exigiu quando finalmente encontrou sua voz. "E nem fez nada! Você deixou a coisa correr para se divertir?" Ela cobrou zangada. "Você não está ciente de que..."
"Ah, Virgínia, querida, não me interprete mal." Vladimir falou rapidamente. "Eu teria dado a minha fortuna para Draco, mesmo que ele não tivesse casado com uma mulher de personalidade como você." Então ele gargalhou novamente. "Mas na ocasião, sim, tudo foi realmente só para o meu divertimento! Uma diversão em nome do meu maldito e conivente neto! Pensou que ele poderia ser mais esperto que eu, certo? Ha! Eu provei o contrário!"
Com isto, Ginny não podia fazer nada, a não ser sacudir a cabeça de forma cansada. "Oh, e para quê tudo isto?" Ela pensava, vendo o claro olhar de satisfação e revoltante velhacaria na face do vampiro. Então ela fechou os olhos, os dedos voando até suas têmporas, sentindo o início de uma enxaqueca agitando-se dentro de sua cabeça. "Oh, oh, eu sinto...me sinto..."
"O quê? Estúpida? Enganada?" Vladimir ajudou. Ele olhou para ela com uma fome escarnecedora. "Trapaceada? Crédula? Como uma imbecil? Podre?"
Ginny emburrou. "Ok, para com isso. Isto é um abuso à palavra insulto, que não vou tolerar!" Ouvindo isto, Vlad imediatamente parou. Ela o olhou parecendo miserável. "Você poderia facilmente ter denunciado ao Ministério ou-ou- tomado uma medida legal contra mim ou qualquer coisa do gênero. Por que você não fez isto?"
"Ah e eu poderia dizer que estava esperando também, que uma mulher como você mudasse aquele maldito garoto?" Ele perguntou. Ela virou-se para ele perdendo o prumo. "O quê?" Estou falando sério! " Vlad exclamou. Quando Ginny o fitou duramente, ele limpou a garganta ruidosamente e decidiu adotar um tom mais "sério".
"Tenho grandes esperanças em Draco, na verdade." Ele disse lentamente. "É por isso que o escolhi para ser meu sucessor e não o pai dele. Na tenra idade de oito anos, ele já demonstrava uma extraordinária habilidade e conhecimento do universo bruxo, coisa não muito normal para os meninos da idade dele, sabe. Ele sabia o que as pessoas queriam, o que as pessoas precisavam, e o que as pessoas comprariam. Sempre teve uma mente inquisitiva tanto para mercadorias trouxas quanto bruxas." Ele balançou a cabeça. "Foi uma pena que o meu maldito filho o fizesse voltar-se para a Artes das Trevas. Porque, eu ouvi que ele fechou o negócio das terras de Zabini com sucesso, comprando tudo a um preço realmente muito baixo! Este menino tem uma mente brilhante para negócios! "
Como resposta, Ginny olhou para baixo, quando o nome de Zabini foi mencionado. Vladimir notou isso e brincou.
"Oh vamos lá, moça! Eu não estou zangado com você! E a muito, certamente, eu não te odeio! Você é demasiado especial para se odiar, mesmo que tenha uma natureza descuidada. Na verdade, eu estava realmente feliz quando ele te escolheu como esposa. E teria dado uma parte do meu dinheiro de qualquer maneira. Como diabos você ainda consegue lidar com o gênio miserável daquele rapaz? Até agora, eu não podia fazer nada a não ser imaginar." Ele divagava, obviamente sem ter conhecimento da situação atual. "E, além disso, você salvou a minha vida. Eu te devo uma!"
Ginny ainda não olhava para ele. Ah, por que Vladimir tinha que dizer essas palavras agora? "Eu vim aqui por um motivo, na verdade." Ela obrigou-se a falar depois de um momento. "Preciso de um favor, muito, muito grande."
"Qualquer coisa, Virgínia, qualquer coisa." Disse Vlad sem pensar por um segundo.
Ginny lentamente olhou para cima. "Eu preciso de você para fazer o feitiço Fidelius em mim." Ela disse calmamente. "E tirar meu nome do testamento." De qualquer maneira ela não queria o dinheiro. O que lhe traria de bom todo aquele dinheiro, se Draco estivesse constantemente tentando matá-la? Por mais que ela se importasse, Draco poderia ficar com tudo, nadar nele e danar-se com a fortuna! Dinheiro, este foi o motivo que iniciou toda a confusão!
O sorriso de Vladimir sumiu subitamente. "Por quê?" Perguntou, os olhos do vampiro se estreitando repentinamente. "Será que algo de ruim aconteceu entre você e meu neto?"
O lábio inferior de Ginny tremeu, enquanto uma nova torrente de lágrimas ameaçava cair, à menção de Draco. "Não tem nada a ver com ele" Ela mentiu pateticamente. Vladimir ficou em silêncio, e ela sabia que era uma mentira muito fraca. "Por favor?"
Vladimir deu um profundo suspiro e a fitou por um longo tempo. "Sei que não é da minha alçada e você pode ou não me contar, mas por que eu?" Ele perguntou depois de um longo momento de silêncio. "É o que você realmente quer? Porque se eu fizer isso, não há como voltar atrás, Virgínia."
Ela olhou ao longe parecendo miserável, o pensamento de Draco, o simples pensamento de não vê-lo nunca mais, trazendo uma nova onda de dor ao seu coração. Não havia ninguém a culpar a não ser ela mesma de qualquer forma. Desde o início, ela estava bem consciente de que era apenas uma peça, um acordo, nada pessoal, apenas puro negócio. Mas então ela quebrou a primeira e única regra do jogo de faz-de-conta. Ela se apaixonou, profundamente, sem medidas. Este era o preço a pagar por quebrar uma estúpida, mas simples regra. Ela respirou profundamente e endureceu o coração.
"Sim." Respondeu ela finalmente, enquanto duas grossas lágrimas escapavam de seus olhos e escorriam pelo rosto.
O vampiro momentaneamente ficou sentado lá, ponderando silenciosamente. Então ele fechou o semblante. "Você realmente confia em mim?" Perguntou, desafiando-a. Então ele olhou para ela de forma significativa. "Eu sou, afinal, a família dele."
"Você me deve." Respondeu Ginny estóica.
Após vários minutos olhando e pensando, Vladimir finalmente deu um suspiro resignado. "Considere-o feito." Disse ele levantando-se e pegando sua varinha no interior da escrivaninha. Em seguida, caminhando de volta para a cama, ele apontou sua varinha para ela.
"Tudo bem, Virgínia." Ele sussurrou enquanto fazia volteios com sua varinha diante dela, criando faíscas amarelo claras no ar. "Basta fechar os olhos e relaxar, e quando você abri-los, tudo vai ficar bem. Muito bem..."
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"Molly, querida, rápido ou vamos nos atrasar!" Arthur Weasley falara nesta mesma noite. Ele levou sua mala escada abaixo e deixou escapar uma leve maldição ao ver a hora. "A convenção do Ministério terá início às oito da manhã de amanhã e a essa altura, dezenas e dezenas de bruxos pegarão as melhores acomodações que os hotéis irlandeses podem oferecer! Eu não quero passar a noite numa pousada!"
"Em um momento, querido!" Molly respondeu de seu quarto. "Pare de tagarelar este monte de besteiras, Arthur. Você é o primeiro Ministro, é claro que vão reservar as melhores acomodações para você!"
"Oh blá-blá-blá e todas estas bobagens !" Arthur bufava enquanto caminhava de um lado para o outro pela sala. "Rápido! Eu quero sair já!"
Momentos depois, pesados passos ecoaram dentro da sala, quando a forma generosa de Molly apareceu descendo rapidamente as escadas, com sua maleta na mão. Arthur imediatamente pegou a mala adiantou-se até a porta, sendo seguido por Molly.
"Foi uma coisa boa ter construído um ponto de aparatação para chaves de portal no fundo do quintal." Disse Arthur para ninguém em especial, enquanto seguiam até a porta. "Você tem de admitir que a caixa de correio dos trouxas que eu coloquei ali ficou uma beleza, não é?"
Molly ignorou a animada conversa fiada de Arthur, sobre correspondência e caixas de correio trouxas, e estava prestes a abrir a porta, quando ouviu uma suave batida. Ambos se olharam surpresos.
"Quem poderia ser a esta hora da noite?" Arthur perguntou quando Molly avançou para abrir. Então o que viu diante dela fez seus olhos arregalarem-se de surpresa. Parada na frente deles estava uma Ginny meio congelada, de olhos inchados e vermelhos, com uma vassoura flutuando ao lado dela, uma bolsa na mão direita e a gaiola da gata na outra.
Ginny, ao ver o olhar espantado dos pais, sentiu os lábios tremendo. Então, sem uma palavra, ela desatou a chorar, largando suas coisas no chão, sem se dar conta dos miados aterrorizados da gata, cuja gaiola bateu no chão com toda a força.
"Qual é o problema, querida?" Molly perguntou suavemente, imediatamente recolhendo a filha chorosa, num abraço forte e reconfortante. Ela acariciou seus cabelos para acalmá-la e a trouxe para dentro de casa. Ela olhou para o marido de forma desafiadora. Arthur entendeu de imediato e trouxe os pertences da filha para dentro de casa. A convenção Ministerial temporariamente esquecida. Com a bagagem dentro da casa, fechou a porta suavemente. "Querida, o que há de errado?"
"Mãe, eu ..." Ela parou quando vários soluços doloridos escaparam de seus lábios. "Eu não... Tinha nenhum outro lugar para ir, então..."
"Shh, tudo está bem, bebê." Acalmou Molly. Ela a puxou a filha para o sofá e deixou-a chorar livremente em seus braços. "Tudo vai ficar bem."
Ginny chorou e chorou, colocando para fora a dor e todas as emoções de uma vez. Ela chorou como um bebê nos braços de sua mãe. Ela chorou, como se as lágrimas não tivessem fim, como se não houvesse amanhã. Ela nunca chorou tanto antes! E nada poderia machucar mais Molly do que ver seu bebê chorar daquele jeito, tremendo e soluçando em seus braços.
Molly e Arthur, por sua vez, se olhavam, sem ter certeza do que dizer ou perguntar. Seja lá o que fosse, eles estavam certos de que tinha relação com Draco e o casamento.
Ginny se permitiu chorar por mais dez minutos, antes de olhar para os rostos compreensivos de seus pais, que a pajeavam. "Você estavam saindo para algum lugar?" Ela perguntou, entre uma série de soluços.
"Ah, não é nada, querida. Só..." Arthur falou, acenando com a mão.
"Não quero prender vocês." Disse Ginny rapidamente, escapando do abraço de sua mãe. Então se obrigou a sorrir. "Eu acho que essa viagem é importante para o papai."
Arthur deixou escapar um suspiro. "Na verdade querida, sim. É a convenção Ministerial e..." Ele parou e olhou para Molly de maneira significativa. Quando sua esposa lhe deu um sinal de compreensão, ele bufou e jogou a outra mão para o ar. "Sabe o quê? Podemos sempre participar da próxima vez, certo Molly querida?"
Molly estava prestes a dar um "sim, você está certo querido", quando Ginny sacudiu a cabeça vigorosamente. "Não, papai." Ela falou. "Vão. Quero dizer, vocês não têm nada com que se preocupar. Eu..."
"Mas querida..."
"Por favor." Ginny implorou suavemente. "Só preciso de um lugar para ficar temporariamente, e..." Ela parou e virou-se para os pais. "Por favor, não me façam sentir pior de novo, por vocês não irem."
Então, Molly suspirou. "Devo admitir que é muito importante para o seu pai." Ela disse. Então a senhora ficou preocupada. "Você tem certeza que vai ficar bem, estando sozinha?"
"Sim, mãe, eu vou ficar bem." Ela respondeu. Afinal, não importava o que Draco fizesse, ele não seria capaz de encontrá-la. Ela confiava em Vladimir. Ele não iria contar o seu paradeiro, afinal tinha uma dívida bruxa para com ela. "Vão e divirtam-se."
"Eu ainda não tenho certeza."
"Então, esteja certa de que em seguida, um dos meus irmãos virá ficar comigo." Sugeriu Ginny, enquanto esfregava os olhos secos. "Onde estão Ron e Hermione, a propósito?"
"Estão passando feriado na casa da Hermione." Respondeu Arthur. Então ele virou-se para Molly. "Talvez devêssemos escrever e pedir a eles que voltem para casa?"
Molly ainda parecia relutante. "Eu não sei, Arthur." Ela olhou para Ginny. "Eu não sei realmente..."
"Quantas vezes vou ter de falar até convencer você, mãe?" Ginny perguntou. "Eu realmente não me importo. Está tudo bem." Disse ela novamente. Na verdade, neste momento, ela realmente queria estar sozinha.
Molly deu um profundo suspiro. "Tudo bem, querida. Se você insiste." Disse ela enquanto Arthur levava suas coisas até seu antigo quarto.
"Posso usar o meu antigo quarto?" Ginny perguntou suavemente, enquanto abria à gaiola e deixava o gato sair. O animal de estimação, por sua vez, correu alegremente para fora da cozinha.
"Claro, querida! Que tipo de pergunta é essa?" Molly exclamou. "Você pode ficar aqui o tempo que quiser."
Com isso, Ginny sorriu e lentamente subiu a escada. Uma vez dentro do seu quarto, ela caiu na cama, de bruços, sem sequer se incomodar em acender a luz e ficou assim por cerca de uma hora ou mais, pensamentos sobre Draco rolando infinitamente dentro da cabeça. Já era meia noite e meia quando o esgotamento e a extrema fome se abateram sobre ela. Então, como uma resposta à sua oração, Molly entrou em seu quarto com um prato de biscoitos e um copo de leite quente. Ginny imediatamente sentou-se, enquanto sua mãe acendia o abajur.
"Eu escrevi uma carta para Ron, querida." Disse ela enquanto colocava a comida em cima do criado-mudo. "Ele respondeu e disse que vai voltar para casa amanhã."
Ginny deu um sorriso forçado. "Ah, por que o Ron?" Ela pensava com consternação. A última coisa que ela precisava agora era ver o olhar de eu-te-disse do Ron e aturar quando ele começasse a discursar sobre o que aconteceria, sobre o quão miserável era o Malfoy, e aturá-lo rosnando, berrando e prometendo cortar o corpo do seu marido em pedaços. De preferência arrancando a cabeça em primeiro lugar, depois os braços e, em seguida, os pés... ooh, ela poderia falar vá em frente! Pegando um biscoito do prato e mastigando rapidamente, ela se perguntava do por que, pelos infernos, ela precisava comer como se não houvesse amanhã!
"Você tem certeza que vai ficar bem aqui?" Molly perguntou depois de um momento, muito surpreendida com o repentino apetite da filha. Então ela suspirou. "Oh bem, talvez por causa da depressão."
"Sim, mãe." Ela disse depois de engolir a comida. Não muito tempo depois, Ginny terminou seu primeiro biscoito. Ela mordeu o lábio e pegou outro biscoito, antes de tomar um gole do leite.
Com a resposta, Molly a fitava querendo desesperadamente saber o que realmente acontecera. Mas vendo a filha de olhos inchados e vermelhos, ela decidiu não perguntar. Com o tempo, pensava, ela iria se abrir. "Bem, acho que vamos indo." Disse ela enquanto Ginny terminava o segundo biscoito. "Não estou realmente certa de deixar você sozinha aqui, mas..."
"Mãe, por favor. Nós já conversamos sobre isso." Disse Ginny entre mordidas nos biscoitos com gotas de chocolate. "E, além disso, Ron e Hermione estarão aqui amanhã, por isso não se preocupe." Ela pediu.
Com isto, Molly finalmente sorriu. "Certo, querida." Beijou-a na testa. "Nos veremos em três dias."
"Tudo bem, mãe! Divirta-se!" Ginny disse com alegria forçada.
Molly levantou-se e saiu do quarto dela. Uma vez sozinha, Ginny parou de comer, os olhos dela acidentalmente caindo na mão esquerda, onde ela usava seu anel de casamento no dedo anelar. E mais uma torrente de lágrimas caía de seus olhos, enquanto ela lentamente tirava o anel e o colocava dentro da gaveta.
Após um momento sentada lá, chorando, afogada em auto-piedade, e pensando sem parar, finalmente foi até a própria cama e chorou até dormir.
"Ginny."
Já era uma e meia da manhã.
Ela estava sozinha na casa vazia.
Fez uma careta em seu sono, quando ouviu uma voz suave e melodiosa em sua cabeça, chamando seu nome. Não tinha certeza se estava sonhando ou não, virou de lado, esperando a voz ir embora.
"Ginnnnyyy!"
Relutante, ela obrigou os olhos a se abrirem e viu uma sombra de pé na frente dela agitando uma varinha, olhando-a diretamente. Lentamente ela sentou-se, esfregando os olhos e focando o vulto encoberto pela escuridão, reconheceu imediatamente a sombra.
Ela torceu o rosto.
"Therese?" Ela perguntou. "O que você está fazendo aqui?"
A mulher sorriu, seus felinos olhos azuis brilhavam em meio à escuridão do pequeno quarto, o cabelo quase branco brilhava contra a fraca luz do luar.
Seus lábios vermelho sangue abriram-se num frio e misterioso sorriso.
"Miau!"
Fim da Parte 13
Nota da Autora:
No caso de se perguntarem quem diabos é Therese: ela era a secretária de Ginny no mundo trouxa. E a razão por que ela de repente apareceu de novo na história? Bem, isso é o que vocês irão descobrir! :: risos maldosos::
DGDGDGDGDGDGDGDGDGDGDG
Nota da Topaz:
Oi Pessoal! Obrigada por lerem, enviarem reviews ou simplesmente por favoritarem a fic.
Pois é, eu sou uma criatura teimosa, mas de coração mole quando se trata de fic do universo HP, e parece que valeu à pena dar ouvidos e cérebro aos pedidos da Estrela que é apaixonada por esta fic.
Aviso mais uma vez que a tenho traduzida até o final e já estou no final do primeiro capítulo extra. Por quê? Well, eu acredito que várias coisas ficaram no ar, que o Draco e a Ginny juntos soltam faíscas ( sim, já estou com ceninhas hot deles girando na mente!) e meu querido grifo ( como já falei, eu amo os Potters!) merece seu momento de felicidade.
Como já dizia o REI, serão tantas emoções...
Haann... Leitores me perguntaram sobre o link da fic da NOIVA traduzida pela Vanillaa.
Na barra superior do site do fanfiction tem uma janelinha SEARCH e é só fazer o copiar, colar com o nome do autor desejado ou com o título da fic.
No google também é só digitar A NOIVA DA SERPENTE que aparece o link.
O link direto: retirem os negritos e substituam pelas pontuações indicadas, certo?
wwwPONTOfanfictionPONTOnetBARRAsBARRA1454416BARRA1BARRAA_Noiva_da_Serpente
