Estrela Polar
Ginny assim continuou, por duas ou três semanas, a ajudar aquele desconhecido, apenas para ocupar o seu tempo, para ser útil aos outros e, talvez, para aprender um pouco mais. Mas, naquele dia, algo iria mudar.
Ainda não tinha entrado no Salão Principal quando ouviu a voz de Draco Malfoy no corredor.
- Aquela Sangue-de-Lama acha-se muito superior... Devia sofrer alguma coisa, não achas, Crabble?
O gigante domado que o acompanha sempre grunhiu um sinal afirmativo e caminhou rapidamente para o pequeno-almoço, derrubando a pequena Ginny Weasley com a pressa.
O que se passou depois é complicado de explicar e, curiosamente, apenas os dois envolvidos se lembram dela. O cabelo ruivo de Ginny esvoaçava no sentido oposto ao do chão, contrariado a gravidade, numa queda abrandada pelo relógio. Malfoy dera dois passos rápidos para a frente, dobrara o joelho esquerdo fazendo a sua capa estender-se no chão e colocara a mão direita sobre as costas da jovem, impedindo-a de cair no chão de pedra frio.
Draco Malfoy nunca mais esquecera o olhar da Gryffindor quando ambos se levantaram. O loiro era uns dez centímetros mais altos que ela e, mesmo assim, os seus olhos pareciam encontrar-se ao mesmo nível. No primeiro momento, os brilhantes olhos cor de mel de Ginny olharam-no com ternura, agradecidos pelo acto de extremo cavalheirismo; no momento seguinte, ao notarem quem a havia salvo de uma queda certa, abriram-se de espanto e a tês dela começou a ficar cada vez mais encarnada, disfarçando o início do cabelo. No terceiro momento os pés da pequena Weasley rodaram rapidamente e ela esgueirou-se para o meio da confusão de alunos que tomavam a primeira refeição do dia.
Draco ficou ali, parado, olhando na direcção dela. Tudo se havia passado incrivelmente rápido para o comum dos mortais embora, na mente dos dois jovens, aqueles segundos tivessem parecido horas.
- Draco...! – chamou Goyle, levantando a enorme cabeça do prato.
- Sim, já vou... – respondeu sem conseguir desviar o olhar da mesa escarlate.
Durante o resto do dia foi deveras complicado para o jovem Malfoy concentrar-se nas aulas. Durante Transfiguração transformou Goyle num coelho, em vês de o fazer ao estranho objecto de esponja que tinha na secretária; em Poções derrubou vários frascos e frasquinhos que estavam equilibrados na secretária de Pansy, fazendo-a soltar gritinhos agudos que quase haviam partido os óculos do Potter. Felizmente para Draco, e todos os que se encontravam nas imediações, as seis da tarde haviam chegado a galope e, apressadamente, o jovem loiro dirigira-se às masmorras, onde tomou banho, colocou a mascara negra na mala, juntamente com alguns livros e mapas celestes e descera para o jantar. Comera rapidamente, sem saborear a comida, de olhos fixos na mesa na outra ponta do Salão, sem que ninguém percebesse, tentando ver todos os movimentos de uma certa jovem ruiva.
- DM? – perguntou a voz suave de Ginny, mesmo ao seu lado, quando entrou na biblioteca naquela noite.
- Eu mesmo... – murmurou para a jovem na sua frente.
Sentia borboletas no estômago sem razão aparente e o coração a bater mais forte. O que se passava ali?
- Hoje vamos estudar o quê? – perguntou com um sorriso a ruiva sentando-se despreocupadamente na cadeira. Aquilo havia-se tornado uma rotina para ambos, tratavam-se como dois amigos e agora, por vezes, o misterioso rapaz ajudava-a nos trabalhos de poções.
- Hum... Faltam-me umas estrelas num mapa estelar... Será que mas podes ajudar a encontrar? – perguntou atirando a mala para a mesa. Sem querer, durante o movimento, o capuz da capa escorregara-lhe por alguns centímetros, na cabeça, revelando os cabelos loiros. Disfarçadamente, e pedindo a Merlin que Ginny não tivesse visto o cabelo que o denunciaria, puxou-o de novo para cima e sentou-se ao lado dela, abrindo o mapa.
- Ah! Falta-te a Estrela Polar! – descobriu rapidamente a Weasley.
- Oh... É essa... – respondeu. Na realidade havia-a deixado por desenhar de propósito. Ginny adorava astronomia e ele gostava que ela lhe ensinasse o nome das estrelas, como só ela sabia fazer. – Onde a devo colocar?
- Estás a ver aqui? Esta constelação? Chama-se Ursa Menor, bem na sua cauda, estás a ver as três estrelas em linha? – enquanto falava ia apontando com o dedo as estrelas de que falava e Draco, com o suposto intuito de as ver melhor, ia-se aproximando dela, sentindo o seu perfume suave a lavanda. - Uma delas é o canto de um quadrado... Bem, no final da cauda tens de acrescentar a Estrela Polar, também conhecida como Estrela do Norte.
- Ok... – respondeu rabiscando-a no mapa. – Porque é que ela tem esse nome?
- Porque é a que aponta para o norte, se te guiares por ela descobres sempre o norte... – respondeu olhando os olhos cinzentos do jovem. Ele havia-se aproximado de tal forma que ela sentia o seu hálito fresco a mentol e ele conseguia contar todas as suas sardas, sob a luz das estrelas. A sua voz ia abrandando à medida que ia explicando, os seus olhos semicerravam-se. – Ela parece ser o centro do universo, sobre o qual todas as outras estrelas giram. À noite ela é a estrela...
- Que mais brilha no céu – concluiu Draco, beijando-a. Os seus lábios encostaram-se docemente e Ginny arrepiou-se com os lábios frios do Slytherin. Enquanto o beijo durava, as mãos da ruiva iam subindo pela cara do loiro, retirando-lhe calmamente a mascara.
Neste momento já não importa... pensou Malfoy, sentindo os dedos da jovem retirando-lhe docemente a mascara da cara, revelando as suas feições à luz da lua. Ou ela sai a correr ou continuamos aqui, a beijar-nos... Tanto faz mesmo!
No momento em que a mascara saiu Ginny afastou-se do beijo e olhou-o por momentos. Tu estás louca, Ginny Weasley disse para si mesma, voltando a fechar os olhos e a beijar Draco, quem ela sempre acreditara odiá-la.
N/A: Olá! Não, não me atirem pedras... Eu sei que poderia ter sido mais difícil de eles entenderem-se, mas imaginem que vocês têm um amigo que não sabem que é, só o conhecem pelas suas acções e que, quando finalmente o conhecem, estão a beija-lo. Complicado? Well, eu escrevi e depois fiquei a pensar, mas a fic é minha e eu gosto assim!
Anyways, esta parte da fic é dedicada a... hum... a mim própria! É isso mesmo! É só para mim! faz carra de birra, agarra na fic e vai-se embora
Aviso já que só coloco online o 3º capitulo quando este tiver, pelo menos, dez reviews, portanto toca a escrever!
Kiss
