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Capítulo 2
Quando Travis lhe informou, que ela deveria ir para Las Vegas, ela de início, não sabia como reagir. Nunca pensara em sair de São Francisco; por outro lado, seria ótimo pertencer ao CSI. Ela sabia que eles tinham o melhor laboratório de criminalística do país. Ao fim do expediente, foi arrumar suas coisas. Esperou Richard, que ainda morava com ela.
Ele não estava encontrando moradia fácil, e Sara não achava empecilho, neles morando na mesma casa. Podiam não sentir amor, um pelo outro, mas tinham uma amizade, que continuava, e eles concordavam que não deveriam ter se casado. Eles se davam bem, como amigos e eram péssimos, como um casal.
Sara contou a Richard que havia sido promovida: iria a Las Vegas, trabalhar como CSI. Ele ficou feliz por ela. E, por ele também: afinal, poderia ter uma residência fixa, só sua...Para trazer quem bem entendesse...A hora que quisesse.
- Fico, se pagar um aluguel! – Declarou querendo ser o mais decente possível.
Ela achava bobagem: afinal, alguém ficava guardando a casa. Ele insistia, no aluguel, afinal não teria de pagar se fosse morar em outro lugar? Alguns argumentos mais tarde, ela concordou e foi arrumar as malas.
Malas prontas, despedidas feitas, ela voou para Las Vegas. Travis até que gostava dela, mas ela causava muita dor de cabeça: era rebelde, desobedecia a regras e era anti-social.
Com o endereço na mão, ela foi se encontrar com Ecklie; já não foram com a cara um do outro, à primeira vista. Ela não era bem o que ele esperava. Enfim, ela trabalharia à noite, Grissom teria de se ver com ela, e que diabo, um diploma de Harvard, não era coisa de se desprezar. Dava status, ao laboratório.
Catherine e Nick estavam por lá, aquela tarde. Ecklie resolveu apresentá-los. Catherine, que estava mais à mão, foi a primeira. A loira mediu-a de alto a baixo. Tendo uma vida muito sacrificada, tendo estudado fora de hora e de tempo, ela tinha uma bronca sentida, de "filhinhos de papai", que estudavam em boas universidades, achando tudo fácil na vida.
Se Catherine soubesse da verdadeira história de Sara, se tornariam boas amigas. Contudo, não foi assim que as coisas ocorreram. A vida gosta de complicar. E anos se passaram até elas poderem realmente, se chamar de amigas. Cada uma conheceu o pior lado da outra e assim perderam muitos anos se hostilizando à toa, pois estavam no mesmo lado.
Já o seu entendimento com Nick Stokes, foi imediato. Tinham quase a mesma idade, e ambos eram muito emotivos, tomando as dores das vítimas para si. Trabalhavam bem juntos e muitas vezes, estavam em parceria, resolvendo casos. A sensibilidade foi o fator determinante, para que uma grande amizade florescesse entre eles.
Nick foi seu cicerone: apresentou-a ao pessoal do laboratório. Sara gostou de imediato de Doc e seu ajudante David; dupla do necrotério, com quem ela se encontraria com frequência.
Conheceu Greg, o rapaz de cabelo estranho do DNA. Ele sentiu imediatamente, uma atração, pela bela morena. Sara, contudo, escaldada com Richard, deixou essa história de atração de lado e tinha pelo rapaz muito carinho e amizade, só.
Quando ela voltou, para o turno da noite, Nick apresentou-a a Warrick. O novo companheiro gostou da moça, mas tinha-lhe reservas. Depois do que havia acontecido a Holly Gribbs, ficara um pouco paranoico, achava que todo mundo estava ali para vigiá-lo.
E então ela conheceu... Gil Grissom, o Supervisor do noturno. Aquele que seria seu novo chefe... Esse conhecimento causaria um impacto profundo, nestes dois seres, que eles só aquilatariam, ao longo dos anos. De imediato, sentiram uma taquicardia e um frio na barriga. Grissom pensou novamente, se estava enfartando e Sara tentava se lembrar se tinha comido ou não.
Ao serem apresentados e darem-se as mãos sentiram como que um choque, seguido de um arrepio, do alto da cabeça, até o dedão do pé. Os olhos se encontraram e não se largaram mais, encantados, com o que viam.
Foi algo tão intenso, tão repentino, tão inexplicável... Que os assustou... Por um instante sentiram o chão lhes faltar, e eles flutuaram sem o peso dos corpos, junto às estrelas... Ecklie veio trazê-los novamente à realidade.
- Ótimo! Vejo que já se conheceram!
Grissom ao ouvir a voz do outro, saiu do seu quase transe, e soltou a mão de Sara.
- A partir de hoje Gil, Sara Sidle faz parte do turno da noite! – Continuou Ecklie. - A partir de hoje, ela é sua nova subordinada! Trate-a muito bem, pois ela veio de São Francisco, muito bem recomendada..
.- Ah, então é de São Francisco, Sara? – Perguntou Grissom, feliz por achar um assunto neutro para conversar.
- Sou. – Respondeu Sara, olhando pro chão, pois não queria se arriscar a trombar com aqueles olhos azuis, novamente.
- Como veio parar aqui? – Indagou o curioso Nick.
- Fui transferida para cá! Meu trabalho em São Francisco era muito parecido com o que vocês fazem aqui!
- Então, era uma Perita Forense? - Perguntou Warrick.
- Não, propriamente...
- O trabalho é duro: exige um alto grau de disciplina, inteligência, e por que não? Estômago forte também – alfinetou Catherine.
- Espero corresponder...- respondeu Sara ainda de olhos baixos.
Satisfeito, Ecklie deixou a sala. Os olhos baixos de Sara, não deixaram ver os sinais de rebeldia, ao responder para Catherine. Davam-lhe uma aparência de modéstia, que foi uma impressão falsa e precipitada, mas que trouxe um ar de satisfação a Ecklie.
- Que bom, que estão reunidos, assim posso lhes passar as tarefas... Nick e Warrick, vão investigar o roubo de um colar no Mandelay, Sara acompanha Cath e eu, num corpo encontrado numa caçamba, no Charleston Boulevard.
- Aí, hein, Sara! Já começa em grande estilo! Ao lado do chefe! – Brincou Nick.
- E processando um cadáver... Começou prestigiada! – Foi a vez de Warrick.
- Vamos ver quanto ela vale; o quanto sabe fazer... – interrompeu-os Catherine.
Sara não decepcionou: sua mente brilhante e seu espírito observador fizeram dela, uma ótima parceira, para Grissom. Ela conseguia entender as observações estranhas dele e, responder a contento suas perguntas.
Mesmo a exigente Catherine, teve de concordar que a novata tinha tudo para ser uma excelente CSI. E verdade seja dita, a loira foi a primeira a perceber, que atrás daqueles olhares, havia algo, e que Sara poderia ser a companheira ideal, para o solitário perito.
Reconhecia a dificuldade em achar um par que combinasse com o excêntrico amigo. Tão cheio de qualidades... Mas de esquisitices também... Em muitas coisas, Sara parecia combinar muito bem com Grissom: pareciam o dedo e o dedal, se completavam.
Grissom era tudo, menos estúpido. Sabia muito bem, que tinha caído de quatro, pela morena. Mas logo se pôs a pensar, nos diversos entraves, que via no caminho. Ecklie, sempre vigilante, quanto à política do departamento, era seu primeiro obstáculo. Conhecidos por terem visões diferentes de tudo, ele sabia que se Ecklie soubesse, de uma relação entre um supervisor e uma subordinada, não iria ficar quieto.
E ele não estava pronto a jogar fora, uma carreira conseguida, em anos e anos de trabalho. Não que Sara não valesse à pena; Valia; se ele tivesse certeza do amor dela. Em sua opinião, ela estava equivocada; simplesmente, não podia estar apaixonada assim, por alguém tão mais velho.
Sara sabia que amava seu chefe a questão era QUANTO? E ATÉ QUANDO? Ela tinha ficado escaldada, com seu casamento, que não deu certo. Embora fosse mais determinada, e mais atirada que ele,conduzia aquele caso, com cautela. Ficaram quase um ano, dançando esse bolero enjoado: dois pra lá, dois pra cá.
Durante esse tempo, os papéis de divórcio dela, chegaram. Ela assinou, suspirou aliviada, e mandou-os de volta, ao advogado em São Francisco. Via tudo, como mais uma coisa que não dera certo em sua vida. Agora era seguir em frente, e não olhar para trás.
Quando estava a poucos dias, de completar um ano na equipe, ela estava esperando começar o expediente, lendo um livro, na sala de descanso. Catherine contava a Warrick, a última de Lindsey, quando Nick entrou correndo na sala.
- GENTE! Está passando na TV. Sam Phelps foi solto! Parece que a mulher apareceu viva na Califórnia!- Buscava uma tomada, para ligar uma pequena TV portátil.
- Depois de tanto tempo... - exclamou Warrick, surpreso.
- Ele tinha cara de culpado... – falava Catherine, olhando fixamente as imagens na TV. – Grissom já sabe?
- Sei o quê? – Perguntou o chefe, parado na porta.
- Nossa, Gil! Você está cada vez mais silencioso... – pondo a mão sobre o coração, como se levasse um grande susto
– Sam Phelps!
- O que t em ele?
- Foi solto, Gil! Depois de quase quinze anos! Um tempão. Está nos noticiários de todos os canais. Acharam sua mulher viva na Califórnia... – Falou Nick, empurrando-o para frente do aparelho...
- Foi o que eu disse! Não fica com um pouquinho de medo, cara? – Perguntou Warrick.
- Não, por que deveria? Quem deveria estar preocupado, era o juiz Peters! – Respondeu impassível, o forense.
A âncora do noticiário, dizia a notícia: "Foi libertado hoje, Sam Phelps, 45 anos preso há quase quinze anos, na Penitenciária de Nevada, pelo assassinato de Anna Lee Phelps, descoberta com vida, na Califórnia, recentemente. Julgado, num clamoroso caso, considerado o pior erro judicial americano, dos últimos anos, nosso repórter perguntou a Sam, se ele guardava mágoa de quem havia sido responsável, por sua prisão, respondeu:
- Não guardo rancor de ninguém. Ninguém tem culpa do que me aconteceu! – Apareceu um homem moreno, quase engolindo os inúmeros microfones, apontados para ele, com barba por fazer e olhos cinzentos, finos e frios como uma faca.
A âncora retomou a notícia: ele não foi tão generoso com o estado de Nevada, a quem está processando em dez milhões, por danos morais...
Grissom desligou a TV, sob o protesto de todos. Catherine repetiu mais uma vez;
- Sei que a esposa está viva! Mas que ele tem cara de assassino tem!
- Tenho de concordar com Cath; ele tem algo de falso na expressão. E um ar malévolo, também... - Disse Sara, que tinha se arrepiado ao olhar para a telinha!
- Chega, vocês duas! É por isso, que eu digo sempre: devemos seguir as evidências; elas não nos deixam na mão, como as impressões, por vezes fazem... Aliás, ele perdeu quinze anos de sua vida, por causa de "impressões". E vamos nós, que o trabalho nos espera.
Sara iria trabalhar junto com Nick, no caso estranho de um solteirão, que morrera eletrocutado no banho. Antes de entrar na SUV, Sara que iria dirigindo aquela noite, perguntou;
- Afinal, quem é Sam Phelps?
