P.O.V. Harry Potter

Eu olhava Malfoy de canto de olho, tentando saber se ele iria fazer alguma gracinha, ou até mesmo alguma pegadinha, mas nada.

Ele apenas ficou rabiscando em seu caderno, como se eu nem estivesse ali.

Estávamos livres para mexer em toda a biblioteca, sem supervisão de nenhum professor. Dumbledore ainda deve manter a esperança de que vamos conviver civilizadamente. Bufo indignado, desde que eu cheguei Malfoy faz o inferno na minha vida, não tem como aturá-lo.

— Potter, eu sei que você pode parecer um touro, mas não precisa ficar bufando como um, tem uns que fazem seu dever de casa.

— E você é o aluno exemplar, desculpe, senhor. – Falo sarcasticamente.

— Bem melhor do que você, que ao invés de fazer algo produtivo está bufando para as paredes.

— A culpa é sua, eu deveria estar em Hogsmead agora.

— Você que é impulsivo.

— Ah, o melhor que eu posso fazer é te ignorar.

— Ignore, Potter, mas sou algo que não pode ser ignorado. – Ele falou, dando um sorriso presunçoso. O que eu mais queria era tirar esse sorrisinho com um soco.

Me virei de modo que ele não pudesse me ver, então peguei meu caderno e comecei a desenhar táticas para o jogo da próxima semana, justamente contra a Sonserina. Eu gostaria muito de dar uma cotovelada em Malfoy, mas eu não devo receber nenhum cartão no jogo.

— Sabe, Poty, você é uma muito melhor quando fica calado, chega traz uma paz interior. – Ele provocou. Respirei fundo e me virei com um sorriso sarcástico.

— E você é uma pessoa muito melhor quando está há quilômetros de distância, eu adoro quando isso acontece.

— Igualmente, Poty.

Me virei novamente para o caderno, mas sem sucesso para inventar alguma coisa nova. Decidi deixar para depois, fui passando pelas estantes da biblioteca e achei um livro que parecia interessante, algo sobre bruxos, escolhi ele para passar o tempo.

Voltei para minha mesa e comecei a ler, até que era interessante.

— Malfoy, talvez você devesse ser um bruxo em algum Universo Alternativo, você iria finalmente encontrar seu papel perfeito como vilão.

— E você seria o quê? O mocinho? Que encorajador, aposto que seria prazeroso lhe lançar um feitiço.

— Oh, eu daria um jeito de achar um feitiço para inimigos e lançá-lo em você, Doninha. – Provoquei de volta.

— Não se eu te lançasse primeiro.

— Como você consegue ser tão irritante? – Eu perguntei exasperado.

— Você que começou, eu estava quieto no meu canto, ser irritante é um dom que você domina melhor do que eu.

— Eu?

— Sim, agora cale-se que eu estou tentando fazer meu dever. – Rolo os olhos, voltando para o livro.

Confesso que o silêncio dele me incomoda, eu sentia a necessidade de deixá-lo falando, mas não vou dar esse gostinho a ele, vou ficar bem quieto.

Consegui me concentrar no livro por tempo suficiente, quando percebi, Draco estava levantando e saindo da biblioteca. Quando olhei o relógio vi que nosso horário havia acabado. Voltei para meu quarto e me deitei, olhando para o teto, ele será todo meu até o dia seguinte, que é quando o pessoal vai voltar de Hogsmead.

Suspiro pesadamente. Sozinho até amanhã, que legal.

P.O.V. Draco Malfoy

A tarde na biblioteca foi simplesmente entediante, Potter estava distraído em um livro e eu estava fazendo meus deveres, as partes interessantes aconteceram quando pude aproveitar e provocar ele um pouco, mas nem esses momentos aplacaram todo o tédio.

Quando o horário acabou eu fui para meu dormitório guardar os meus livros, depois fui para o campo de futebol treinar um pouco alguns pênaltis, corri ao redor do campo e me exercitei, quando eu vi já tinha escurecido totalmente, com certeza já era a hora do jantar.

Quando eu estava indo para o vestiário, Potter apareceu, vindo com as mãos nos bolsos.

— Não sei o que está fazendo, mas vai perder a hora do jantar. – Ele falou, resmungando.

— Já estou indo, Poty, não precisa se preocupar com o meu bem-estar. – Respondo.

— Eu não estou, fui mandado aqui. Então faria um favor se fosse comigo. – Ele falou irritado. Uma das coisas que mais gosto em Potter é que ele se irrita rápido, e isso pode ser bem divertido.

— Que seja, mas a não ser que queira me ver nu eu acredito que deva ir na frente, mas se quiser ficar não tenho problemas com telespectadores. – Falo debochadamente, vendo ele ficar vermelho. Se era de raiva ou constrangimento eu não sei.

— Eu dei o recado, pronto, você que sabe. Eu que não quero ver uma Doninha Albina tomando banho. – Ele falou, virando-se e indo embora.

— Medo de gostar, Poty? – Gritei para ele, que me mostrou o dedo do meio.

Eu apenas ri da atitude dele, provocar ele é uma das coisas mais divertidas que tem a se fazer em Hogwarts.

Tomei meu banho, quando cheguei no salão do jantar não havia muitas pessoas, o que foi fácil para achar Potter ali, eles já estavam se servindo então fui me servir também.

De vez em quando eu sentia o olhar dele me fulminando, o que me deixou louco para provocá-lo novamente. Comi rapidamente e esperei ele terminar, esperando ter a chance de mexer com ele de novo. Deu certo, quando ele levantou eu segui atrás, quando fiquei bem próximo eu falei baixinho só para ele ouvir:

— Boa noite, Potter, sonhe comigo. – Disse em tom de provocação.

— Só se eu quiser ter pesadelos. – Falou irônico.

— Tenho certeza de que iria apreciar. – Digo e não dou chance dele responder, corro para meu dormitório rindo, lembrando da cara mal-humorada dele. Às vezes eu até sinto pena dele, mas é tão bom ver ele irritado que é inevitável.

Obrigada a todos que comentaram. Bjs. Haha