Capítulo 2:

—Quem você acha que eu sou?

Por longos momentos, eles se encaravam.

—Não... ninguém. Eu me enganei. –ele respondeu, soltando-a. –Desculpe-me.

Ela demonstrou uma certa surpresa no olhar, como se o reconhecesse, mas logo o belo rosto voltou a ser frio. Então a moça falou, em voz baixa:

—Se veio procurar alguém, chegou tarde. Eles partiram faz um tempo.

—Desconfiava que sim. Procurava por eles também? –ele ainda mantinha uma postura desconfiada em relação a desconhecida, mantendo-se em alerta.

—Sim. Uma pessoa. Mas já partiu também.

Ele se aproximou e comentou:

—Do que você chamou aquela coisa que eu derrotei? Um Caído?

—É uma longa história. Aqui não é o lugar apropriado para falarmos disso.

—Creio que aqui não seja um local apropriado para muitas coisas. Esse que mais parece um túmulo. -ele a analisou. –O que faz uma mulher andando sozinha nesse buraco?

—Poderia dizer o mesmo sobre você. Creio que pela sua armadura não seja um turista. -ela riu, mostrando deboche nas palavras.

—Tenho a impressão de que sabe mais do que quer me contar. -Saga ignorou o comentário, pois era óbvio que ela sabia o que aquele lugar significava. Talvez estivesse aliada aos seus inimigos.

—Não faz ideia do quanto.

—Já esteve na Grécia?

—Muitas vezes. Por que me olha assim?

—Achava que a conhecia de algum lugar. Mas deve ser apenas uma impressão minha.

—Com certeza. Eu não o conheço.

—Isso! -ela não respondeu e Saga acrescentou. -Quando a vi, pensei que fosse uma escultura, de uma mulher que viveu aqui há milhares de anos. Talvez tenha vivido aqui no passado. -depois quis chutar a si mesmo pelo comentário bobo.

—Talvez tenha vivido. -ela disse com uma expressão indecifrável.

—O que faz nesse túmulo?

Ela lhe deu as costas, deixando Saga curioso, parecendo mais interessada nas gravuras do que no Cavaleiro.

—Esse lugar não é um túmulo. -ela disse alisando as gravuras.

Saga reparou que ela usava um crucifixo, a Cruz de Malta, esculpida numa peça de prata.

—Era chamado de Câmara dos Sonhos. -a jovem prosseguiu. -Um ser que caiu dos Céus ordenou ao faraó que o construísse em um local onde não poderia ser profanado por ladrões de túmulos. O faraó fez exatamente o que ele pediu, pois achou que estivesse diante de um mensageiros de seus deuses pagãos. Tudo o que está nessas paredes foram cuidadosamente feitos de acordo com as instruções daquele ser. Um aviso às gerações futuras sobre o que está para vir. Depois de ter construído a Câmara, ela foi selada. Mas ao longo dos séculos foi profanada.

Ela continua a tocar a parede, seguindo com os dedos a história que contava.

—Elas narram uma visão assustadora... O Apocalipse... mas a data real dele não deve ser revelada. Mas alguém pretende antecipá-lo. -ela se vira para ele. - Aqui conta sobre a Primeira Rebelião, quando Lúcifer foi banido dos Céus junto de seus seguidores pelo Arcanjo Miguel e seus Anjos a pedido do Criador. Quando apareceram os homens, a batalha que tinha havido no Céu passou para a Terra. Lúcifer, que também é chamado Diabo ou Satanás, e os Anjos caídos, que se chamam demônios, tentam os homens para os levarem a pecar e não irem gozar do Céu. Fazem isto por ódio a Deus e por inveja dos homens.

—Essa história eu já conheço.

—Mas, ninguém sabe sobre Haziel sua tragédia. -ela diz.

—Haziel? -Saga pareceu interessado. -Fale-me sobre esse tal Haziel?

—Um dos anjos mais poderosos do céu, que pertencia aos Querubins, de notável beleza e uma prerrogativa especial de comunicar a Luz Divina à toda criação. -ela aponta para as gravuras que narravam a história, onde há a figura central de um anjo de três asas. -Ela amava Lúcifer, que era seu irmão e Superior, mas amava Deus seu criador com todas as suas forças. Mas assim mesmo, traiu a ambos que tanto amava. Com a derrota dos Caídos, veio a punição. O Arcanjo Gabriel, a pedido de Deus, puniu Haziel duramente, dividiu sua alma e a condenou a vagar pela eternidade até o Juízo Final onde finalmente deixaria de existir.

—Dividiu sua alma?

—Um modo bonito de dizer. Anjos não tem almas. Por isso invejam os homens. –ela o fitou. –Pode-se dizer que dividiu o que Haziel possuía que era parecida com uma alma.

—Conte mais.

–Uma dessas metades tornou-se o Anjo Negro que acompanhou Lúcifer e tornou-se sua aliada, Leviatha é como passou a se chamar. Está ao lado dos outros Príncipes no governo do Inferno. E a outra metade... passou a vagar pela Terra desde então, sem rumo. Amaldiçoada por se sentir incompleta e indigna de retornar para casa.

—Não imaginei mesmo que tivesse um final feliz essa história. Diga-me, ruiva. Essa história tem algo a ver com os recentes acontecimentos envolvendo o Santuário?

—Sim.

—E você? –estreitou o olhar, cruzando os braços. –Tem algo a ver com isso também? Talvez seja uma aliada dos inimigos do Santuário.

—Se eu fosse já o teria matado.

Saga deu um meio sorriso:

—Teria dúvidas se conseguiria isso.

—Talvez eu te mostre todas as maneiras que poderia usar para te dominar. -ela disse isso em um tom malicioso, fazendo o coração de Saga acelerar e imaginar que fosse alguma indireta. -Se lembra quando Lúcifer atacou o Santuário tempos atrás?

—Eu não estava presente. –respondeu. –Estava... incapacitado, mas sei que Lúcifer foi derrotado!

—Exatamente! -ela continuou a falar e o encarou com um olhar indecifrável. -Sem um líder, o Caos tomou conta do Inferno. O Anjo Negro, Leviatha tomou o trono e se auto proclamou a Rainha do Inferno. É ela quem está causando tantos problemas. Por séculos, sua outra metade a deteve, impedindo-a de se fortalecer como queria...depois com a ajuda de outros, um verdadeiro exército a auxiliou na luta contra os demônios liderados pelos Caídos e por Lúcifer.

—Outros?

—Esse Anjo Caído sussurrou nos ouvidos de nobres reis e cavalheiros medievais, ordenando que a Ordem dos Cavaleiros de Deus fosse criada. Eles fizeram parte da ordem mais importante da Idade Média, formada com o objetivo de impedir os anseios do Inferno. Durante séculos eles tentarão ascender à Terra e dominar tudo. Por anos, foram rechaçados pelos Templários e pelo Santuário. Os Templários, deixaram as guerras e passaram a agir secretamente nos dias atuais, seguindo ordens do Vaticano agora. -calou-se e depois acrescentou triste. –Restam poucos agora, fui negligente.

Saga achava difícil de acreditar nessa história. Anjos, demônios, rebeliões nos céus, Templários. Mas a misteriosa jovem dizia tudo com tanta convicção que era quase impossível não concordar com ela. E o próprio Santuário vivenciou uma luta com tais criaturas uma vez.

Ele se aproximou mais dela, ficando com os rostos bem próximos. Saga pode examinar os traços da mulher mais bela que ele já vira. Os olhos pareciam lagos de ouro, os cabelos vermelhos como chamas e os lábios cheios pareciam pedir beijos.

—Não me apresentei como deveria, Sou Saga de Gêmeos, Cavaleiro de Ouro do Santuário de Atena. Diga-me, qual é o seu nome?

Ela não respondeu, com calma, apontou para a parede destruída, por onde Kreoth atravessou.

—Um conselho. Ao enfrentar um Caído, certifique-se de que esteja realmente morto.

O Cosmo de Kreoth aumentou ameaçadoramente e ele reapareceu, com um sorriso maléfico. Sua armadura intacta e sem nenhum ferimento.

—Hora de morrer pelas mãos de Kreoth, Cavaleiro!

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—Senhora? -perguntou Olivier, o Caído de cabelos e olhos azuis, ao notar que sua mestra para de repente.

—Ela está aqui. -ela sorri deliciada, tocando no local onde está seu coração . -Depois de tanto tempo...

Leviatha estava vestida como uma mulher comum, trajava um caríssimo vestido negro, que cobria todo o seu corpo, mas que a deixava sensual. Quem a visse passeando pelo deque de seu iate imaginaria que era apenas uma mulher rica passeando pelo exótico Nilo. Como sempre seus cães a acompanhava, inclusive o seu servo humano Hori.

—Ordenou a alguém que esperasse qualquer visitante inesperado à Câmara dos Sonhos? -indagou a Olivier.

—Sim. Ordenei que Kreoth fizesse o que bem quisesse com qualquer intruso. E a senhora sabe o quanto Kreoth pode ser terrível e sanguinário! -fala com um sorriso maldoso. – Ah...Virine está com ele também, só para observar e não deixá-lo estragar tudo.

—Ora, Olivier. Você sabe que Celeste não morre facilmente. Mas será divertido imaginar como ela se sairá com Kreoth. -e Leviatha gargalha. -Fez muito bem, querido Olivier. Outra coisa... -ela o encara com um brilho estranho no olhar. -O que descobriu sobre o paradeiro do Terceiro Selo?

—Infelizmente, senhora...descobrimos tarde demais que a humana que tinha o poder do Terceiro Selo teve uma morte natural, e... não localizamos o paradeiro do novo escolhido.

—Essa notícia me desagrada e muito, Olivier. -Leviatha diz friamente, fazendo o Caído estremecer.

— Não se preocupe, senhora...seu desejo não será negado.

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Saga instintivamente se colocou diante da misteriosa mulher, pretendendo protegê-la.

—Isso é impossível! -Saga não acreditava.

—He, he, he. -Kreoth ria. -Minha vez. GRANDE ABISMO!

O golpe vai à direção aos dois. Para a surpresa do Cavaleiro, a jovem salta com grande agilidade, e fica agarrada no braço de uma estátua, escapando de ser atingida. Saga encara o golpe e é jogado contra vários pilares, destruindo-os e termina atingindo uma estátua de Osíris e caindo ao chão.

O gigante avança a uma incrível velocidade, para alguém de seu tamanho, e desfere um soco no rosto de Saga. O Cavaleiro é arremessado novamente contra outra parede, mas inesperadamente ele gira e apoia os pés na mesma, usando-a para impulsionar- se contra Kreoth como um projétil.

Kreoth é atingido em cheio e cai ao chão. Mal seu adversário se levanta e Saga aplicou-lhe um golpe com o pé certeiro em seu rosto. Ele rodopiou, incapacitado de fazer mais do que se defender do inesperado assalto.

Equilibrando-se nas pernas, conseguiu endireitar o corpo, mas Saga não lhe deu trégua. Aproveitando-se da desvantagem inicial, arremeteu novamente, desferindo um soco energizado pelo seu Cosmo, com tanta fúria e precisão que o Anjo caiu de costas, indefeso.

Na cidade acima, as pessoas assustadas sentem tremores de terra e pensam que um pequeno terremoto havia ocorrido, nem sequer imaginam a batalha há metros abaixo de seus pés.

A jovem misteriosa desce da estátua caindo ao chão com graça felina, observava a tudo friamente e em silêncio. Desviou o olhar para um canto escondido pelas sombras. Havia um segundo espectador. Por enquanto, ela decidiu que não faria nada, mas por precaução, pegou um objeto de brilho prateado que estava oculto atrás de um pilar.

Saga reúne novamente seu Cosmo e se prepara para desferir um de seus golpes, mas o Anjo levanta-se e sorri maldoso.

—Kreoth sabe quando está em desvantagem. Mas Kreoth sabe o que fazer. -o Anjo direciona seu golpe contra o teto da Câmara dos Sonhos. -A cidade está bem acima de nós, estamos bem no Centro. Muitos homenzinhos andam por ali agora...Quantos Kreoth matará com esse golpe.

—NÃO! -Saga grita.

Kreoth desfere o golpe, mas um vulto, com um movimento rápido o desvia contra um conjunto de pilares, derrubando grande parte das paredes. O vulto que deteve o golpe de Kreoth revela-se ser a jovem ruiva, com uma lança prateada em mãos. Ela se coloca entre Saga e o gigante.

—Deveria ser mais rápido, Cavaleiro. -ela diz com muita serenidade, como se tivesse a experiência de inúmeros combates. -Ou não conseguirá proteger sua deusa Atena. Para enfrentar os mestres desse monstro e seus aliados, deverá ser mais impiedoso e forte do que já é. Olhe e aprenda como se mata um dos membros das Legiões Infernais.

—Fala bonito, moça ruiva. – o Caído sorria, mas depois ele estreita o olhar como se a reconhecesse. O gigante de repente fica pálido e recua alguns passos, depois sorri e gargalha satisfeito. –É a mulher que a mestra odeia. Se Kreoth matar aquela que a mestra odeia será recompensado pela mestra. Nome de Kreoth virará lenda entre os seus companheiros.

—Kreoth...-ela dizia. -Não deve estar se lembrando do nosso último encontro, não é? Desculpe se você ficou com a mente afetada depois disso. Devia ter sido piedosa e te matado rápido daquela vez.

—Kreoth não lembra muito... Mas sabe que você machucou Kreoth. Mestre Olivier disse para não ter piedade da moça ruiva. -o gigante fala com raiva pelo comentário de Celeste. -GRANDE ABISMO!

O golpe vai na direção a Celeste, que o repele com apenas um movimento de sua lança.

—Infelizmente não uso armaduras. Não preciso delas. Mas nunca saio sozinha sem minha lança. Ela tem sido minha companheira há eras. É uma extensão de meu corpo. -ela coloca a lança atrás de seu corpo e o braço direito à sua frente, assumindo uma posição que mistura defesa e ataque. -Ela foi feita para destruir Leviatha, e é muito eficiente para eliminar vermes como você Kreoth!

Saga observou Celeste. Seria mesmo um anjo com milênios de anos de vida?

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Aeroporto Internacional de Atenas, naquela mesma hora.

Saori Kido, ou se preferirem deusa Atena, esperava acompanhada por Seiya e Hyoga a chegada de Hilda e dos Guerreiros deuses. Eles observavam quando os passageiros do voo atravessaram a plataforma de desembarque, esperando se encontrarem com eles.

—Estão vendo eles? -Seiya perguntou a Hyoga.

—Ainda não... -Hyoga estreita mais o olhar e avisa. -Lá estão eles!

—Atena, que bom revê-la! -A senhora de Asgard disse se aproximando dos três, com um sorriso amigável.

—Hilda! Também estou feliz em vê-la. -as duas se cumprimentam amigavelmente.

—Seiya, Hyoga. -Siegfried os cumprimenta.

—Siegfried! -Seiya estava satisfeito em ver o guerreiro deus vivo e bem.

—E esta jovem? Quem é? -Atena perguntou.

—Vou fazer as apresentações. -disse Hilda. -Atena, Seiya e Hyoga esta é Aud, uma boa amiga e noiva de Bado.

—Noiva? -eles estavam admirados, deixando Aud e Bado corados.

—Meus parabéns, Bado. -Atena falou, depois se virou para Hilda, falando mais seriamente. -Na carta que me enviou disse que era urgente. O que foi? Poderia ter ido até Asgard e...

—Na verdade. -interrompeu Hilda. -Se tornou necessário nossa vinda aqui. Para ajudá-los a proteger algo que está no Santuário.

—Como?

—No caminho terei o prazer de contar tudo o que sei. -Aud foi logo se pronunciando, depois coloca a mão sobre o estômago. -Depois que eu me recuperar... Bado vá se lavar, tire essa colônia...-e sai correndo de novo até o toalete com a mão na boca.

—Mas o que está havendo com ela? -Bado estava ficando desesperado.

—Gostaria que eu chamasse um médico do Hospital da Fundação? -Atena ofereceu.

—Não será necessário agora. -Hilda estava sorrindo. -É passageiro.

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Subterrâneos da Cidade do Cairo.

Saga estava admirado. O Cosmo dela era muito poderoso! Não o sentiu antes porque ela o ocultava, mas agora o percebia muito bem!

Ela não usava armadura, sua única defesa era a arma que empunhava e lutava com o maldito com muita habilidade e mantinha um olhar calmo. Kreoth ao contrário, se empenhava em derrubar Celeste, mesmo que isso significava derrubar a Câmara dos Sonhos sobre suas cabeças.

Saga corre com a intenção de ajudá-la, mas tudo acontece rápido demais. Um ataque vindo de um lugar que ele não pode identificar o obriga a saltar e se proteger.

Olhou para cima, na direção de uma das poucas estátuas que se mantinham em pé. Alguém os observava, e seu cosmo não era nada amigável. O vulto se ergue e desaparece em seguida.

A explosão distraiu Celeste tempo o suficiente para que o ataque de Kreoth a force a largar a lança. Ela recebe logo em seguida todo o poder do golpe de seu adversário. Saga a vê cair ao chão, numa enorme mancha de sangue. Ela tenta se erguer, mas não consegue. Kreoth caminha em sua direção, mas um poderoso Cosmo Dourado o repele, jogando-o através de uma parede.

Era Saga que aparece furioso. Kreoth reaparece, sedento por sangue.

—Kreoth quer levar o coração da mulher para a mestra. Cavaleiro de Ouro não vai atrapalhar! Vai morrer!

O Cavaleiro de Gêmeos o encara, a fúria estampada em seus olhos, que ficaram vermelhos. Por um momento, deixou seu lado negro aflorar. Sentia um ódio mortal por Kreoth.

Leviatha estava se concentrando, procurando "ver" a luta em sua mente. De repente, ela abre os olhos e lança um olhar misterioso em direção a Cidade do Cairo que estava muito longe dali.

—Interessante. -ela murmura. -Um homem com a alma atormentada. Almas assim são fáceis de serem usadas. Esse Saga pode me ser muito útil, melhor...sua outra metade será essencial aos meus planos.

—Senhora, não seria apropriado enviar alguns de seus leais servos ao Santuário primeiro? Para testar o real poder dos Cavaleiros de Ouro, que tanto se gabam de serem os mais poderosos? E se não forem grande coisa... Seus servos trariam a Espada Sagrada até a sua presença.

—Tem razão, Olivier. Isso será no mínimo, divertido!

De volta à Câmara...

—Kreoth, prepare-se para morrer! -ameaçou Saga, aumentando assustadoramente seu Cosmo.

—Você é quem vai morrer, homenzinho. -e o Caído avança sobre ele.

—EXPLOSÃO GALÁCTICA!

Desta vez, o golpe atinge um incrédulo Kreoth, que não imaginava que Saga ainda fosse adversário para ele. O gigante voa vários metros, atravessando o teto da Câmara, abrindo um gigantesco buraco no meio da rua do centro da cidade do Cairo e assustando os transeuntes e motoristas que ali estavam.

Antes de Kreoth cair no chão e ser arrastado levando o asfalto da rua com ele, Saga já havia saltado atrás do Caído. As pessoas corriam procurando se manter longe da luta que se desenrolava, enquanto outros tiravam fotos e filmavam com os celulares, indagando se a cidade era o cenário de algum filme de ficção.

Kreoth então reaparece, com a armadura danificada, Saga o olha com desprezo.

—Kreoth não morre fácil. Sou um dos fiéis servos do Grande Olivier, o mais forte de todos os Generais Demoníacos e das Legiões. -ele avança e defere um golpe em Saga.

O Cavaleiro fica estupefato. O Anjo parecia estar mais forte do que antes!

—Maldito! -Saga vocifera, se erguendo, sua Cosmo energia dourada brilhava com tanta intensidade que fez Kreoth recuar. -Já chega! Mandarei você direto ao Inferno! EXPLOSÃO GALÁCTICA!

Saga em fúria dispara seu golpe contra Kreoth, ele tenta conter o ataque com as mãos, mas a energia desprendida é muito forte e começa a destruir a sua armadura.

Com os olhos arregalados pelo espanto e pavor, a força do impacto joga o Anjo Caído a metros de distância dele. Ele atravessa algumas construções próximas e cai ao chão inerte. Depois desaparece em uma névoa negra. O inimigo fora derrotado.

Embora houvesse vencido, ele não se sentia bem.

—Muito bem. -a voz feminina de Celeste acompanhada por palmas o faz virar-se estupefato em sua direção. -Nada mal mesmo!

Saga continuava a observá-la, não parecia que havia sofrido um ferimento grave.

—Antes de voltar ao Santuário, Saga de Gêmeos. -ela acrescenta.-Venha comigo, quero que leve algo para Atena.

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Na mansão de Saori Kido, na cidade de Atenas.

Saori, Seiya, Hyoga, Shun e Shiryu ouviam os relatos de Hilda e Aud sobre o que aconteceu em Asgard.

—Estou surpreso! -falava Seiya com um tom preocupado. -Esses tais Generais Demoníacos roubaram a Espada Balmung? Por quê?

—Suas reais intenções não sabemos ainda. -Hilda respondeu. -Sabemos apenas que eles querem outras Espadas que também são consideradas sagradas e destruir os tais Selos.

Saori olhava preocupada pela janela da sala de visitas. Era observada pelos seus leais Cavaleiros de Bronze, como se esperassem que ela respondesse as suas dúvidas.

—Os Selos? -murmurou Shun. -Será que eles são os responsáveis pelo o que está havendo no clima do mundo? Os céus vivem constantemente escuros, nublados. O sol é raramente visto agora.

—Leviatha. -Saori pronuncia o nome com pesar. -Não esperava que ela alcançasse tamanho poder!

—Saori, você sabem quem é Leviatha? -Seiya se aproximou. -Fale-nos sobre ela.

Saori fecha os olhos e suspira, depois se vira e começa a falar.

—Desde antes da era mitológica o mal vem ameaçando esse mundo. Leviatha era um dos Anjos que caíram em desgraça perante Deus e foram banidos para o Inferno. Sempre esteve ao lado de Lúcifer e os deuses chegaram a enfrenta- lá uma vez...

—Como? -todos se espantam.

—Incrível! -Shiryu comenta.

—Tivemos uma noção do poder desses Anjos Caídos em Asgard. -Siegfried comenta.

—Se os servos tinham aquela força... Imagino a mestra! -completou Bado.

—Pelo menos, sabemos que levaram apenas uma destas Espadas. -Hyoga comentou.

—Levaram duas Espadas Sagradas. -a voz de Ikki entrando na sala causa uma grande surpresa a todos.

—Ikki! -Shun foi o primeiro a cumprimentar o irmão. -Por que não nos avisou que vinha!

—Desculpe, Shun. -Ikki estava realmente feliz de ver o irmão caçula. -Tivemos que sair às pressas.

—Tivemos? -Saori espantou-se. -Quem veio com você?

Ikki puxa a mão de Lana, e ambos entram na sala. Ela usava um vestido branco simples e estava corada.

—Lana! -todos os cavaleiros de bronze sorriram ao vê-la.

—Que bom que veio. -cumprimentou Shun, recebendo um abraço dela, depois olha para a sua barriga. -Está grávida? Ikki meus parabéns! Parabéns aos dois!

—Ikki, que demais! -falou Seiya. –Vou ser tio!

—EU que vou ser tio, Seiya! –Shun corrigiu e começaram a rir.

Os outros os cercavam, dando os parabéns também.

—Então você é Lana? -Saori se aproximou sorrindo. -Bem vinda!

—Obrigada, senhorita Atena. -respondeu humildemente.

—Por favor. Aqui me chame de Saori. -ela pediu.

Ikki ao perceber quem mais estava na sala, estreitou o olhar desconfiado:

—Hilda e os Guerreiros-deuses. Que surpresa!

—Ikki. -Bado cumprimentou com um gesto discreto com a cabeça.

Aud olhava atentamente para Ikki e Bado, sentindo a tensão no ar e deduziu que deviam ter tido algum tipo de desentendimento no passado. Depois seu olhar repouso sobre Lana e com um sorriso, exclamou:

—Será um lindo menino!

—Hã?!-todos a olharam admirados.

—Que foi? Disse apenas que ela terá um lindo menino. -depois colocou o dedo sobre os lábios e disse pensativa. -Só que terá a personalidade do pai, será mais paciente.

—Quem é a senhorita? -indagou Lana.

Aud agarra o braço de Bado e responde com um largo sorriso.

—Me chamo Aud Haydn. Sou a noiva dele.

—Aud é uma feiticeira. -respondeu Hilda. -Ver fatos que acontecerão no futuro é uma de suas habilidades.

—E você também ter o dom da Terceira visão. -Aud disse séria para Lana. -Mas seu dom não é como o meu... a faz sofrer, é como uma maldição.

—E é uma enxerida que lê as auras das pessoas. -falou Bado com deboche.

—Depois te mostro a enxerida. -ela respondeu com um sorriso falso.

Após breves apresentações e saudações. Ikki coloca os amigos a par dos últimos acontecimentos na Ilha Aurora.

—Então, teremos de descobrir onde está a terceira Espada antes dos tais Generais. -acrescentou Shiryu.

—Mas já sabemos onde a Terceira Espada está. -falou Siegfried.

—Onde? -indagou Seiya.

—Na Décima Casa Zodiacal. -respondeu Aud. -É a verdadeira Excalibur!

—A verdadeira Excalibur! -Shiryu ficou surpreso.

—Ela está na Casa de Capricórnio? -Seiya estava surpreso. -Tem certeza?

—Absoluta. -Aud confirmou. -Tive uma visão de quando Merlin entregou a espada para Atena e... -diante dos olhares curiosos de todos parou de falar.

—Que foi? -Bado perguntou erguendo a sobrancelha.

—Estou sem jeito com tantas atenções. Não sei o que dizer.

—Então deve ser a primeira vez! -Bado disse com um sorriso. –Aaaiii! -Aud lhe dá um beliscão.

—O que faremos Saori? -Shun perguntou preocupado, observando Ikki, Seiya e Shido tirarem um sarro da cara de Bado.

Após uma pausa, ela responde:

—Os Cavaleiros estão espalhados pelos quatro cantos do mundo. Usei todo o meu Cosmo para trazê-los de volta e dar-lhes a chance de terem uma vida de paz! Diante de um inimigo tão poderoso e perigoso, terei que realizar a União Dourada, e que todos os Cavaleiros de Ouro compareçam ao Santuário em dois dias. -disse com convicção. -Não apenas eles, mas todos os Cavaleiros!

Continua...