MOMENTOS

EPOV


Pela primeira vez em 24 horas, Bella e eu estávamos sozinhos. Desde que nossa família descobriu que minha cirurgia tinha sido bem sucedida eles tiveram que se apresentar mais uma vez. Nossos amigos saíram ontem por volta da uma da manhã e meus pais dormiram no sofá da sala. Eles finalmente foram descansar no hotel há 20 minutos atrás.

Bella deitou devagarzinho na cama com algo nas mãos – "Quer começar agora?" – ela sorriu pra mim.

"Começar o quê?" – eu perguntei alcançando as mãos dela. Era uma revista.

"Bem... cores, objetos... essas coisas. Eu não sei por onde começar." – ela encolheu os ombros e veio mais pra perto de mim. Passei um braço nos ombros dela e puxei-a pra cima jogando o cobertor em cima de nós – "Se você quiser, claro..."

"Tudo bem por mim." – falei ajeitando os óculos. Eles eram diferentes dos meus óculos antigos. A armação era prata e fina, ou pelo menos foi o que me disseram. Bella escolheu para mim. Alice ficou impressionada por ela ter escolhido um modelo de um designer chamado Ferragamo. Eu já ouvi esse nome antes mas não fez a mínima diferença para mim.

Bella abriu a revista e começou a me mostrar várias coisas. Algumas eu já estava começando a reconhecer mas as cores ainda eram um grande mistério para mim. Eu me sentia um estúpido por não saber algo tão fácil. – "Isso é tão estranho." – falei baixinho.

"Você esperava algo diferente?" – ela perguntou

"Eu não sabia o que esperar. Na verdade eu ainda não sei." – eu falei suspirando e deitando na cama – "É tanta coisa para aprender! Como você consegue?"

"Eu só tenho mais prática. Mas você vai se acostumar igual a mim." – ela falou calma, me dando um beijinho nos lábios.

"Bem, eu sei que tem uma coisa que eu não vou me acostumar..." – falei deixando as palavras morrerem, beijando seu pescoço.

"E o que seria...?"

"Olhar para você... você é maravilhosa." – sorri enquanto aproximava meu rosto, lentamente, do dela para beijá-la. Eu ainda estava me acostumando a profundidade e distância entre corpos. Fechei os olhos mas lembrei do médico dizendo que eu devia largar os antigos hábitos. Eu precisava me acostumar a fazer as coisas com os olhos abertos. Eu já bati o rosto no nariz de Bella tentando beijá-la pelo menos umas 3 vezes na última hora, mas ela parece não se importar.

"Quantas mulheres você viu até agora?" – ela atiçou.

"Eu não preciso ver nenhuma mulher para saber que você é linda. Você é a mulher mais linda do mundo. Você vai ser a esposa mais linda..." – falei sorrindo. Devagar, peguei a revista de suas mãos e coloquei na cômoda ao lado da cama.

"Pensei que você queria começar a estudar..." – ela falou com pequenos gemidos.

"Já, já meu amor... eu quero falar com você antes, enquanto ainda estamos a sós." – falei me virando para ela. Eu estava me divertindo tanto observando as expressões dela. A linguagem corporal... eu posso passar o dia todo estudando-a. Todo dia.

"Sobre o que você quer falar?" – ela perguntou docemente, os dedos nos meus cabelos.

"Nosso casamento."

"O que, sobre o nosso casamento?" – ela perguntou olhando para mim, as mãos agora nas minhas pernas.

"A data, para ser mais exato. Eu não quero esperar muito..."

"Como assim?" – a cabeça dela pendeu para um lado, confusa.

"Eu não quero esperar um ano para casar com você, Bella. Não quero esperar o período da faculdade terminar. – pausei por um segundo – "Eu não quero uma festa grande, e você?"

"Não e você sabe."

Me sentei na cama e peguei-a no colo. Segurei o rosto dela, cuidadosamente, nas mãos e olhei em seus olhos – "Meus pais estão aqui. Nós podemos trazer seus pais para cá relativamente rápido. Eu não quero esperar o fim das aulas. Deus, eu não quero esperar nem o próximo verão. Eu te amo e quero estar com você o resto da vida. Como seu companheiro. Como seu marido."

"Edward, você não acha que é muito rápido?" – ela baixou os olhos. Segurei seu queixo e levantei seu rosto para olhar em seus olhos.

"Bella, eu esperarei por você pelo tempo que você quiser e precisar. Se você quiser esperar, nós esperamos." – falei meio desapontado. Eu tentei ao máximo não demonstrar, mas era difícil.

"Edward, eu quero me casar com você. Eu só... eu preciso pensar." – ela respirou fundo e deitou no meu peito – "Não encare isso como um não, mas sim como um eu quero ter certeza primeiro, ok?"

Meneei a cabeça e beijei sua testa levemente – "Se você vai pesar os prós e os contras, posso adicionar mais um fato?"

"O que?"

"Nós vamos sair em lua-de-mel mais cedo."

BPOV

Eu não consegui fazer outra coisa a não ser rir do último comentário de Edward. Ele estava certo. Isso definitivamente seria colocado na lista dos prós. E claro que esse não seria o único item dessa lista, mas a lista dos contras não seria tão pequena. Eu fiquei feliz por ele não ter me pedido em casamento antes. Eu não teria aceitado. E eu não queria magoá-lo.

Os pontos positivos seriam: se casássemos agora eu teria uma boa desculpa para um casamento simples. Quanto mais tempo eu demorasse, mais tempo as mulheres da minha vida teriam para planejar o casamento e a festa. A lua-de-mel aconteceria mais cedo e isso obviamente é muito bom. Eu queria estar com Edward pelo resto da minha vida; então casar hoje ou daqui 6 meses não fazia diferença.

Os contras não pesavam tanto mas existiam. Contar aos meus pais seria um problema. Meu pai lidaria bem com a novidade, já minha mãe.. ela seria um problema. Apesar da relação dela com Edward ter melhorado ela não era uma grande fã dele ou do nosso relacionamento. Todo mundo acharia que eu estou grávida e eu não estou. Casamento entre jovens não é tão bem visto.

Parei de pensar bem aí. Percebi que os contras eram baseados na opinião de outras pessoas. Fechei os olhos e pressionei o nariz no peito de Edward, respirando o doce aroma de sua pele. Por não ter tido uma boa noite de sono nos últimos dias meu olhos pesaram. Eu já contava os segundo para voltarmos para casa e para nossa cama. Eu com certeza pensaria melhor e mais claramente depois de uma boa noite de sono.

Como se o médico lesse meus pensamentos ele entrou no quarto com a papelada para a saída de Edward, do hospital – "Pronto para ir para casa Senhor Cullen?" – ele falou alegre.

"Você não imagina o quanto!" – Edward falou respirando fundo.

"Eu tenho aqui uma lista de coisas que você não deve fazer. Também uma receita com os medicamentos que deverão ser tomados em casa." – e então puxando um par de óculos do bolso do jaleco ele continuou – "Esses são os óculos que você tem que usar sempre que sair a luz do dia. Sempre. Se você tiver qualquer dúvida ou sentir algo fora do normal me ligue imediatamente. Sua revisão já foi marcada para próxima semana." – ele falou entregando um cartão com a data e a hora da consulta e alguns papéis. - "Só mais algumas assinaturas e você poderá ir."

Enquanto eu preenchia mais alguns papéis, Edward foi ao banheiro trocar de roupa. Peguei o resto das coisas dele que estavam pelo quarto e decidi ligar para Esme para avisar que estávamos indo embora.

"Alô." – Esme atendeu sonolenta

"Oi Esme, estou ligando para avisar que estamos deixando o hospital. Nós só vamos dar um pulo na farmácia para comprar alguns remédios e vamos para casa." – eu falei sorrindo

"Que notícia ótima. Você quer que eu vá aí e ajude?"

"Não, não precisa. Vamos no Walmart rapidinho, comprar os remédios e algo para o jantar. Vocês serão bem-vindos."

"Isso, vamos colocar o garoto na primeira página do jornal..." – Edward falou voltando para o quarto, abusando do sarcasmo. Eu peguei os papéis que precisavam ser assinados por ele, balancei-os no ar e joguei para ele. Os papéis bateram no peito dele em cheio e caíram no chão. Ele olhou para o peito, onde os papéis bateram, um sorriso no rosto. Lentamente ele abaixou e pegou os papéis, levantou os olhos na minha direção e me olhou com uma expressão sapeca no rosto. Depois de uma risadinha e de observar brevemente do que se tratavam os papéis, os atirou de volta. Graças a mira impecável os papéis passaram por cima da minha cabeça.

"Isso seria ótimo. Você quer que levemos algo para o jantar?" – eu quase esqueci de Esme no telefone e, infantilmente, dei língua para ele. Pendendo a cabeça para um lado ele me olhou confuso, provavelmente não entendendo o porquê de eu mostrar a língua. Sorri balançando a cabeça lentamente e ele sorriu de volta. Nossas conversas silenciosas seriam interessantes...

"Não, não.. estou cansada de comida de restaurante. Eu vou cozinhar algo para Edward hoje."

Ao ouvir seu nome ele veio até a cama e se sentou ao meu lado. Ele beijou minha testa e começou a brincar com as mechas do meu cabelo.

"Então ligue avisando quando vocês chegarem em casa. Carlisle e eu vamos descansar mais um pouquinho." – Esme falou com um pequeno bocejo.

Eu dei uma risadinha – "Acho que vamos tirar uma soneca também."

Depois de mais 2 minutos de conversa eu desliguei o telefone e deitei a cabeça no ombro de Edward – "Como você está?" – ele perguntou, as mãos correndo minhas costas.

"Pronta para ir pra casa." – falei me levantando e pegando os óculos que o médico pediu que ele usasse quando saísse na rua. Eles eram enormes e escuros – "Feche os olhos." – eu pedi antes de posicioná-los em seu rosto.

"Uau, que diferença!" – ele falou. Eu peguei sua mão e guiei-nos para fora do quarto.

Essa foi a primeira vez que andamos juntos desde que ele voltou a enxergar. Eu podia dizer que ele estava tentando não contar os passos, mas era um hábito. Ele fazia isso inconscientemente na maioria das vezes. Eu ficava maravilhada com como ele conseguia se concentrar em tantas coisas ao mesmo tempo. Ele ainda não dava passos muito firmes e cambaleou em alguns momentos, algo o doutor o advertiu que poderia acontecer. Ele ainda estava em medicamento de dor e a percepção dele seria algo que ele teria que constantemente trabalhar até que ficasse natural. Os olhos dele iam freneticamente de ponto a ponto observando tudo no alcance de sua visão e era perceptível o quão confuso ele ficou. Ele tinha tanto para aprender...

Quando finalmente saímos do hospital o sol estava bem quente sem uma única nuvem no céu de Louisiana. Edward cobriu o rosto e virou-o contra o sol bruscamente – "Ai.."

"Vem, vamos comprar seus remédios e nosso jantar e te levar pra casa." – fale abraçando-o. Ele deixou que os olhos se ajustassem a claridade mesmo sob os óculos escuros lentamente. Guiei-nos para meu carro e abri a porta do carona pra ele. Ganhei mais um olhar confuso e esperei alguns momentos até que ele entendesse que aquele era o meu carro. Ele fez um som de surpresa e entrou no carro.

O Walmart ficava literalmente do outro lado do rua. Essa é uma loja daquelas que você encontra de tudo. Eu estacionei junto a parte da loja que tinha a farmácia e desliguei o motor.

"Pode ir, eu te espero aqui." – ele falou baixinho ainda olhando para todos os lados. Ele estava tão assustado.

"Você está louco! Está muito quente para ficar dentro do carro. Vem, não é tão ruim.." – falei sem dar a ele escolha. Ele teria que aprender a lidar com isso.

Ele meneou a cabeça e suspirou saindo do carro. Dei a volta no carro ao seu encontro e segurei firme sua mão guiando-o para dentro da loja. Ao entrarmos eu tirei os óculos de seu rosto – "Você não vai precisar deles aqui dentro.".

Eu peguei um carrinho e fui até a farmácia. Edward grudou em mim como uma criança assustada. Os braços cruzados sobre o peito e os olhos frenéticos, de um lado para o outro.

"Eu não faço ideia do que essas coisas são... tantas coisas..."

"Meu amor, você não pode querer saber tudo de uma hora para outra. Vai levar um tempinho." – falei tentando acalmá-lo. Entreguei a receita a balconista da farmácia e ela nos informou que demoraria uma hora para manipular todos os remédios. Bom, assim teríamos tempo de procurar os ingredientes para o jantar.

"O que você quer para o jantar?"

"Nada em especial..." – ele encolheu os ombros.

"Que tal algo leve então? Salada de frango para o jantar e salada de frutas pra sobremesa?"

"Parece ótimo" – ela falou sorrindo

Comecei a andar para a parte de mercado e fui direto aos vegetais e frutas. Comecei a pegar o que precisava, colocando numa bolsa e depois no carrinho.

"As coisas são diferentes e parecidas ao mesmo tempo." – ele falou – "Aqui por exemplo" – ele falou segurando dois tipos de maçã.

"Oh, as duas são maçãs. Só que uma é a maçã vermelha, mais doce e a outra é a Granny Smith, também conhecida como maçã verde." – falei pegando as maçãs e colocando cada uma num saquinho diferente.

Ele pegou uma outra maçã verde e falou pensativo – "Vou ter que aprender tudo isso, né.."

"É... mas acho que você vai gostar. Tem tanta coisa que eu quero te mostrar..."

Ele me tomou nos braços e me beijou docemente – "Obrigado. Eu não sei o que faria sem você..."

"Eu também não saberia viver sem você..." – falei carinhando seus cabelos e andando para a seção de coberturas – "Que cobertura seus pais preferem?"

"Crianças..." – Edward falou para ele mesmo. Me virei para ele, confusa com sua resposta. Foi então que percebi, uma mulher andando na nossa direção, uma criança pequena sentada no carrinho e outra andando ao seu lado. As crianças olhavam maravilhadas para Edward. A menininha sorriu abertamente para ele. Edward deu um tchauzinho.

"Fofos, não?" – falei

"Fofos..." – ele falou sonhador.


Aê... tudo de volta ao normal =)

Respondendo a umas das meninas.. O certo é eu postar uma vez na semana, sexta-feira, mas como eu tô meio atolada pode vir no sábado ou no domingo.. mas vem =p

E aí, como será que o Ed vai lidar com todo esse excesso de informação, hein?

Todo mundo no 3...2...1...