Mais uma primavera
A iluminação do templo de Atena podia ser vista ao longe. O salão principal estava devidamente enfeitado, com brilho e requinte. Mesas, dispostas pelo ambiente, traziam belíssimos vasos, cobertos por rosas vermelhas. Garçons iam e vinham, com uma grande variedade de comida e bebida. As pessoas? Devidamente trajadas com smoking e longos vestidos. Antes, onde era o trono, trazia um painel com uma lindíssima fotografia da anfitriã, no auge de seus quinze anos.
Todos haviam chegado, desfrutando da musica ao som de um dj.
- O salão de Atena reduzido a uma boate. – murmurou um homem acima dos trinta anos. Apesar do tempo que se passou e, levando em conta a sua idade total, (mais de 270 anos), conservava a mesma expressão de juventude. Os cabelos continuavam verdes e os olhos violetas brilhantes.
- A noite é dela, Mestre. – brincou um quarentão, que ainda não tinha se acostumado que Shion não era mais o representante de Atena na Terra.
- Diz isso por gosta de festas, Afrodite.
- Também deveria gostar, Mestre Shion. Não é todo dia que temos festa de 15 anos. Quanto mais, quando a maioria tem mais de 40 anos. – sorriu. Os cabelos outrora compridos, estavam curtos. Vaidoso ao extremo, escondia os fios brancos a base de tinta, um segredinho que apenas Trista, Amanda e Ana sabiam.
- É... por falar em festa, e o Renzo?
- Tinha assuntos particulares a tratar na Áustria. Aquele menino, desde que se tornou Cavaleiro de Peixes, passa mais tempo fora do que aqui.
- O culpado é você, por te-lo escolhido. – sorriu.
- Kiki é a mesma coisa.- o olhou com desdém – e foi o Mu que o treinou.
- Não falo nada! No meu tempo o santuário andava na linha, agora....
Numa mesa a parte, Saga, Kanon e Aiolos conversavam, ou era essa a idéia, já que o geminiano pai estava com a cara amarrada, olhando atravessado para alguns rapazes que fitavam a foto de Trista.
- Qualquer gracinha eu os mato.
- Relaxa maninho, a Trista sabe se cuidar. – Kanon levava uma taça a boca. Ao contrario do irmão, que já tinha algumas mechas brancas, seus cabelos continuavam num intenso azul. Dizia que a genética o havia favorecido, mas a verdade era que os tingia escondido.
- Tenho que ficar de olho. – os olhos penetrantes corriam o salão, algumas marcas de expressão o conferia um ar ainda mais sério, mas não menos charmoso, o que deixava as amigas de Trista suspirando. – e por falar nela, que demora!
- Mulher demora mesmo, Saga. – disse Aiolos observando a pista de dança. Os cabelos ganharam uma tonalidade mais clara, ele deixou-os crescer um pouco, batendo nos ombros. Para a festa, prendeu-os num rabo. O olhar determinado, continuava o mesmo de quando lutou em Hades e, agora, andava mais sério, depois que se tornou o Mestre do Santuário, deixando a Casa de Sagitário sobre a responsabilidade de Urin, seu discípulo. Shion era, agora, seu ajudante.
- Quando junta Atena, Ana, Amanda e Trista, pode sentar e esperar. – brincou Kanon.
- É. – Saga cruzou os braços. – e por falar na Amanda, cadê o pai irresponsável dela?
- Por aí.
Começaram a procurá-lo, encontrando-o sentado, sozinho, numa mesa afastada, com alguns copos.
- Já está bebendo. Se fizer alguma coisa, acabo com ele.
- Que implicância, Saga. – Deba aproximava ,com uma bandeja nas mãos. – é o padrinho dela, e você vai ter que aceitar. – o taurino puxou uma cadeira, se juntando ao grupo. A expressão bondosa continuava a mesma, os cabelos crescidos, presos num rabo, traziam algumas mechas grisalhas.
- Não aceito e, jamais ,vou aceitar. Ana tinha que ter escolhido outra pessoa. Ele é uma péssima influencia para ela.
Aiolos e Deba deram de ombros, enquanto Kanon concordava plenamente com o irmão.
- Aldebaran, cadê a Clarice?
- Foi ao toalete.
- Quando sai o casamento?
Aldebaran só não corou, devido a sua pele ser muito morena.
- Ah... eu... eu não sei.... – disse desconsertado.
- Casal enrolado. – Kanon sorriu diante da indecisão do amigo. – olha a idade!
- E você pode falar muito.
- Serei um eterno solteiro.
- E seus discípulos, Deba? – indagou o novo Mestre. – ainda não os vi.
- Não podia fechar o restaurante e, não podia deixar de vir a festa. – deu um sorriso maroto. – na semana passada eles andaram aprontando, então... estãotrabalhando hoje.
- Você é mal.
- É para Thomas e Giovanni aprenderem a se comportar. E está falado.
Se comportar era a palavra que ecoou na cabeça de Saga, ao voltar o olhar para a mesa do Cavaleiro de Cancer.
MM tomava mais um copo de vinho. Detestava essas festas que tinha que se vestir como ingomadinho, mas pela afilhada fazia qualquer coisa.
- Só por ela, também... – levou o copo a mesa. – cadê aquela menina? – Pensava alto referia-se a filha, enquanto percorria o olhar pelo salão. – mandei ficar do meu lado. – apesar da idade, o olhar pervertido continuava o mesmo. Tinha algumas mechas grisalhas e, com um cavanhaque bem cortado, tirava o sono de muitas mulheres.
Mulheres estas, que também tinham olhos para outros Cavaleiros, como era o caso dos Cavaleiros de Libra e Capricornio.
Shura e Dohko só faltavam quebrar o pescoço, devido as viradas de cabeça, quando alguma garota passava. Miro estava com eles, mas não dava a mínima. Shura não era tanto quanto foi no inicio da fase adulta, mas a perversão ainda continuava. Os cabelos com algumas mechas davam-lhe um ar ainda mais charmoso, no qual Shina, a ex Amazona de Cobra, passava maus bocados com ele. Tinham um caso há anos e era o mais enrolado de todos, entre separações e voltas.
Dohko, com os cabelos ,também, um pouco grisalhos, preservava um ar sério, mas depois de muito conviver com Kanon e Shura, mostrava suas garrinhas. Transformou-se num solteiro convicto e, passando a responsabilidade de treinar o novo Cavaleiro de Libra para Shiryu, aí, é, que não se preocupou mais. E por falar neles, estavam em Rozan completando o treinamento.
- Cada menina linda. – Shura suspirava, lógico com o devido cuidado de Shina não aparecer de repente. – olha Miro. – o cutucou.
- É mesmo... – disse sem se importar.
- Miro, de uns tempos para cá, anda muito chato, nem sair connosco sai mais. – disse Dohko.
- Está ficando um quarentão mesmo.
- Não me amolem. – pegou seu copo, e saiu.
Realmente Miro estava diferente, não apenas fisicamente, com os cabelos mais curtos e grisalhos e expressão mais madura, mas também psicologicamente.
Não era mais o Cavaleiro de Escorpião, havia treinado um substituto, Marco irmão mais novo de Elena, e, agora, era, sim, um professor de grego numa escola próxima. De uns anos para cá andava mais sossegado, não saia muito, a rotatividade de mulheres é chegou a ter relacionamentos que duraram cerca de um ano, entretanto, nos últimos dois anos não estava com ninguém. Todos estranhavam, mas não faziam idéia do que realmente se passava no coração dele.
Miro amava alguém, mas tinha certeza que não seria correspondido, afinal a diferença de idade era gritante, aliado ao desejo que ela fosse feliz, depois de tudo que tinha passado. Sim, ele era apaixonado por Trista e, o único a ter as memórias dos fatos ocorridos 12 anos antes.
Fizesse o que fizesse, seus pensamentos iriam parar sempre naquela menina, que hoje, completava quinze anos.
Lá estava ele se perguntando, como Trista estava.
A jovem aniversariante, mordia os lábios, de tão nervosa que estava. Esse costume havia herdado da mãe, que a ajudava com o vestido.
- Ficou perfeito, filha.
- Sei não, mãe... – olhava para si. – Me sinto esquisita.
- Está linda! – bufou uma jovem, que estava sentada na cadeira, de frente para as duas. – Para de reclamar!
- Feia! – mostrou a língua para ela.
- Magricela! – devolveu o gesto, sorrindo – Está linda, Trista.
- Todos os homens vão cair aos seus pés. – disse Ana.
- Se o papai não mata-los antes.
- Bem lembrado. – sorriu a senhora Myles. Ana conservava seu rosto jovial, os cabelos estavam mais curtos e presos por uma elegante tiara. Usava um vestido puxado para o vinho, sua cor favorita.
- Se dependermos deles ficaremos encalhadas.
- Também não é assim, Amanda.
- É sim, tia Ana.
- A Nanda tem razão mamãe, papai e o padrinho são uns carrascos. – Trista abotoava a sandália.
- Principalmente meu pai. – disse Amanda, uma jovem de cabelos arruivados longos e encaracolados nas pontas. Seus traço finos, eram herdado de sua mãe e, seus olhos extremamente azuis, felinos e a pele bronzeada, traços puxados do pai. – tenho 19 anos e nem um namorado que tenha sobrevivido. – Seu corpo tinha curvas bem acentuadas, seios fartos, cintura fina, ao qual chamava muita atenção do sexo oposto. O panico de MM e Kenon. Usava um vestido de uma alça só, azul claro, com um bordado que começava pouco acima do seio esquerdo e descia até a barra.
- São pais, meninas. É normal eles serem ciumentos.
- Não é. – Responderam, as duas ao mesmo tempo.
- Parem de fofocar e vamos logo. – Atena abria a porta. – Estão todos esperando por você, Trista.
- Dindinha...
- Está linda! Que saudade dos meus quinze anos... - Suspirou a deusa, com as melanes mais curtas, pouco abaixo dos ombros e o rosto jovial.
- Até eu, tenho. – Suspirou Ana. – Então vamos!
- Mãe... – Pegou no braço dela.
- Está linda, filha. Vamos!
Tatsume, usando um microfone, pediu a atenção de todos.
- Senhores e senhoritas, a aniversariante: Trista Myles.
Salva de palmas, assovios, gritos, por parte dos amigos doidos dela, classificação, essa, dada por Saga, podiam ser ouvidos. Trista entrou lentamente no salão, envergonhada. Se não fosse o tom da pele, estaria da cor do vestido da mãe. Os cabelos negros estavam presos por uma delicada tiara de brilhantes. O vestido era um tomara que caia, verde folha ,que descia rente ao corpo e abria na altura dos joelhos, com uma pequena calda. O pescoço estava emoldurado por uma gargantilha também de brilhantes. Os olhos ficaram ainda mais verdes por causa do vestido. Apesar de ser nova, o corpo já era bem estruturado, com belas curvas.
- Trista, você está linda! – exclamou Dohko. – Muito gata.
- Cala a boca! – Saga deu um pedala nele.
- Papai...- o olhou feio. – Obrigada tio Dohko.
- Está mesmo. – Kiki surgiu do nada. – Vem, vamos dançar!? – pegou a garota e arrastou para pista. O jovem ariano contava com 29 anos. Seu ar sapeca ainda prevalecia, mas ganhou ares de homem e estava seguindo os mesmos caminhos do quarteto pervertido. Os cabelos crescidos batiam até o ombro.
Alguém a observava de longe, como estava linda.
Trista dançou um pouco com Kiki e, logo, foi cumprimentar os convidados. Em seguida seguiu para a mesa onde seus pais estavam.
- O que foi pai? – Sorriu, diante da expressão séria dele.
- Nada.
- Sua filha está tão feia assim? – Ana provocou.
- Não é nada disso, - Virou o rosto. - Ela está linda. É esse bando de urubus.
- Liga não. – disse Ana.
- Eu sei, já me acostumei. Mas cadê o tio Shaka, o tio Mu, o padrinho, o tio Miro, Urin?
- Assim que você entrou, Shaka e Mu foram para a varanda. Alegaram barulho demais. O Miro e o Urin estão por aí e, seu padrinho, andando atrás da Amanda.
- Coitada. – suspirou. – Vou procurá-los.
Assim como o referido, Shaka e Mu estavam sentados numa varanda próxima.
- Quem diria que esse templo seria palco de um aniversario da filha de um Cavaleiro de Ouro.
- Estamos ficando velhos, Mu. – Shaka sorriu. – A vida continua. Saga, MM, Aioria que será pai... quem será o próximo?
- Se Kamus, Shura e Aldebaran cansarem do banho maria, creio que serão eles. Se não, a fabrica vai fechar.
- Eu sei que não gostam de barulho, mas nem no meu aniversario?
- A festa é para jovens Trista, passamos da idade. – Recebeu um abraço do virginiano.
- Que isso, tio Shaka, estão enxutos. Tio Mu, nem se fala.
- Bondade a sua. – Respondeu o ariano um pouco rubro.
Shaka havia cortado um pouco os cabelos, que agora andavam só presos, devido a tom claro os fios brancos estava disfarçados. Já Mu, não mudara nada, uma dádiva por pertencer a Lemuria. Não era mais o guardião da primeira casa, passando o cargo para Kiki. Mas querendo ser útil, continuava a consertar armaduras.
- Fiquem pelo menos lá dentro.
- Nós vamos entrar daqui a pouco. Vá se divertir!
- Está bem. – Aorriu. – Ate logo. – acenou, saindo.
- Pode-se dizer que é a Ana que estava na nossa frente. – Observou o guardião da sexta casa.
- Elas são muito parecidas, se tirar os olhos verdes, ficam iguais.
- Você a treinou, como é seu cosmo?
- Grande, e todos terão uma surpresa ao senti-lo.
- Vai me contar?
- Shaka curioso?! Isso não acontece todo dia.
- O que não acontece todo dia? – Kamus entrara.
- Shaka ficar curioso.
- Realmente.
- E onde está a Marie? – Indagou o virginiano, querendo mudar de assunto.
- Hoje é dia de plantão dela. Não tinha como deixar o hospital. – Kamus continuava praticamente o mesmo, os cabelos apenas mais curtos e alguns fios brancos. Namorava a certo tempo com Marie, uma medica, e como Aldebaran, levava o relacionamento em banho maria.
Trista voltou para o salão e pos a procurar por seu padrinho, encontrando-o numa mesa ao fundo.
- Por que está aqui sozinho?
- Não gosto de multidão.
- Até parece. – Puxou uma cadeira e sentou. – Porque está com essa cara?
- Porque minha menina cresceu, não vai ficar mais agarrando as minhas pernas, nem vou poder carregá-la mais no colo.
- Oh "padinho"...
- Aqueles bons tempos acabaram. E a tendência é só piorar, quando fizer 40 anos vai casar...
- Quarenta?!
- Quarenta não, 45.
- Padrinho, - levantou parando ao lado dele, dando-lhe um terno abraçado. – vou sempre ser sua afilhada, não importe quantos anos eu tenha.
- Eu sei.... – sorriu. – Não se preocupe comigo, é a idade.
- Está um quarentão enxuto! Varias Amazonas se jogam aos seus pés.
- São seus olhos. Vá aproveitar a festa.
- Fique perto dos outros.
- Está bom aqui.
- Viu o Urin?
MM a olhou atravessado.
- Seu namorado esquisito?
- Ele não é meu namorado, muito menos esquisito.
- Ainda bem que, pelo menos para isso seu pai presta.
- Padrinho!
- Ele é assim mesmo! - cruzou os braços contrariado. – Não vi o sagitariano.
- Vou procurá-lo.
- Se encontrar Amanda, diga que a quero aqui comigo!
Trista sorriu. Coitada da ruiva. Seu padrinho pegava mesmo no pé dela. Acenou positivamente e, saiu rapidamente.
Circulou pela festa olhando atentamente entre as pessoas passando pela mesa onde estava Aioria e Marin.
- Tio Oria, você viu o Urin?
- Não.
- Se ele tiver ido embora eu mato ele!
- Sabe como ele é, Trista.
- Eu sei, tia Marin. – suspirou. – Paciência. E o nosso bebezinho, como está? – agachou diante da ex amazona.
- Bem, pena que ainda não sabemos o sexo.
- Poderia ser uma menina.
- De jeito nenhum! – manifestou Aioria. – já tive experiências com duas e foi traumático.
As duas começaram a rir.
- Seja o que for ,o importante é que tenha saúde. – disse a ruiva, que ainda preservava os tons vermelhos do cabelo e corpo em forma, devido aos anos de esforço físico. Aioria também praticamente era o mesmo e, com a ajuda dos fios claros, o branco quase não aparecia. Marin havia se tornado enfermeira da enfermaria do Santuário e, Aioria, a ajudava nos momentos vagos, mas devido a gravidez, a ex Amazona, diminuiu o ritmo de trabalho.
- Isso mesmo. – levantou. – não reparem, vou procurar o Urin.
- Fique a vontade, Trista.
Novamente olhava atento por todo o recinto, encontrando-o no ponto mais isolado do salão. Aproximou lentamente, ocultando seu cosmo e de repente tapou os olhos do rapaz.
- Já sei quem é. – uma voz grossa ecoou. – a única pessoa que brinca assim comigo. Senhorita aniversariante.
- Você é sem graça. – Trista agarrou seu pescoço. – o que faz isolado aqui?
- Barulho demais, gente demais.
- Urin, O Excluído. – O soltou, parando na frente dele
- Cadê aqueles dois descontrolados?
- Juntos. Kiki e Amanda não se desgrudam.
- Eles têm algo.
- Assim como nós. – deu um sorriso.
- O verde ficou bem em você.
- Mamãe insistiu.
- Tudo que sua mãe diz é certo.
- Vamos dançar?
- De jeito nenhum. – Cruzou os braços. – Não invente.
- Sem graça. – Fechou a cara. – Mas eu ainda te pego.
- Vai circular. – A dispensava. – Anda!!
- Não vai escapar de mim. – Sorriu divertida. – Viu o tio Miro?
- Na ultima varanda.
- Ate mais.
Urin sorriu. Desde que chegara ao Santuário, Trista era sua única amiga. Tinha respeito pelos demais, principalmente pela mãe dela e Kanon, mas só se sentia a vontade perto dela. Muitas vezes, devido a essa aproximação, pensavam que eles tinham algo mais, mas eram só boatos. O jovem era o novo Cavaleiro de Sagitário, tinha longos cabelos acinzentados e olhos azuis. O rosto alvo, não demonstrava emoção alguma. Era raríssimo, ele sorrir ou se comunicar abertamente com alguem.
O Escorpião estava desbruçado na grade, com um olhar vago.
- Tio Miro?
Assustou ao escutar seu nome naquela voz.
- Algum problema? – Trista tocou no ombro dele.
- Não... – sorriu. – Só estou tomando ar.
- Sempre gostou de festa.
- Estou velho para isso. Aquele Miro festeiro, não existe mais.
- É porque não viu minhas amigas.
- Trista...
- Faz muito sucesso com elas.
- Sei que continuo irresistível.
- E o convencimento o mesmo.
Riram.
- Aproveite sua festa. – tocou nos ombros dela de forma carinhosa.
- Sim.
- Você está muito bonita. Alias, você é muito linda. – A abraçou. –Aproveite ao maximo.
- Obrigada. Depois vamos ir dançar.
- Te achei! – Amanda apareceu na porta. – Atena está te procurando.
- Vai. – Miro a soltou.
- Entre depois. – Se aproximou da amiga.
- Ate logo. - Amanda acenou.
Miro as fitou, ate desaparecem no salão.
- "Como queria está ao seu lado."
- Atena está ali. Vai enquanto eu pego uma bebida.
A deusa estava conversando com um rapaz que, a principio, não reconheceu.
- Você está aí. – pegou a mão da afilhada, trazendo-a para perto. – Acho que não se lembra dele, pois era muito pequena da ultima vez que o viu.
Trista o olhou, o belo rosto não era estranho.
- Você é Julian, a reencarnação de Poisedon.
- Tem uma boa memória. Como vai?
- Bem, obrigada por ter vindo.
- Jamais iria perder uma festa como esta, ainda mais de quem é. Você herdou as melhores características de seus pais.
- Obrigada.
- Cadê a Amanda? – Atena tentava localiza-la. – Se lembra dela? – voltou a atenção para Julian.
- É a filha do Cavaleiro de Câncer.
- Sim. Onde foi parar...? Achei. Amanda!. – acenou. – Amanda!
A garota, que pegava uma taça de champanhe, se aproximou do grupo.
- Seu pai viu isso? – Trista a olhou, apontando para a taça.
- Sou maior de idade.
- Amanda, lembra do Julian?
Julian virou ao ouvir seu nome. Amanda inclinou um pouco o rosto para vê-lo.
Seus olhos se cruzaram e ali permaneceram por segundos. Uma eternidade para Amanda.
Julian sorriu docemente. De fato aquela menina crescera. E como crescera. Era uma bela menina. Um rapido pensamento veio: "poderia ser uma sereia".
Riu internamente ao pensar isso.
- Seus olhos são identicos ao de seu pai – Comentou.
- Identicos – Trista sorriu. Olhou discretamente para Atena, que permanecia indiferente. Sera que era a única que estava percebendo.
Amanda limitava-se a sorrir. Não conseguia tirar os olhos daquele homem. Seus olhos azuis bem claros, sua boca bem feita, cabelos ainda longos e azuis, contrastando com a pele, pouco bronzeada. Aquele homem só poderia ser um deus.
Mal sabia Amanda, que ele era 18 anos mais velho, pois seu rosto, conservava traços juvenis.
- Mas deve ter um pouco da mãe, imagino – Ele disse tudo o que não poderia ser dito. Amanda de imediato perdeu o sorriso.
Não gostava de lembrar da mãe, pelo simples fato de nunca a ter visto. Isso só lhe lembrava do fato, de que ela teve que morrer para que nascesse.
Julian, Trista e Atena, perceberam a gafe do rapaz. Ficaram desconcertados.
A moça, voltou a rir sem graça.
- Ham – Trista pensou rapido – É verdade, Amanda. Seu pai estava te procurando.
Athena fez cara de surpresa, mas depois compreendeu.
- Então não deixem ele a espera. Ele deve estar preocupado.
- Com certeza – Amanda não conseguiu deixar de exagerar na ironia, o que fez Julian estranhar.
Com um rapido "com licença", se retiraram.
Julian viu a moça de cabelos arruivado, se afastar na companhia da mais nova, com certo peso na conciencia.
-Não devia ter falado na mãe dela – Atena comentou.
- Realmente foi um erro.
- Não foi por querer. Ela entendeu.
Julian sorriu. Ela já tinha uma expressão triste, mas conseguiu fazer uma cara que lhe meteu medo que ela começasse a chorar.
Agora teria que se redimir. Iria achar um jeito.
Amanda era arrastada entre as pessoas, por Trista. A mais nova queria afastá-la daquele homem. Que comentario mais estupido. Não queria voltar a ver Amanda com aquela cara, principalmente no seu aniversario.
- Espera, Trista! – Amanda parou de repente.
- O que foi? – Trista voltou-se para tras.
- O que foi? Pergunto eu.
- Foi um comentario estupido.
A ruiva sorriu.
- Não faz mal. Ele não fez por mal.
- É impressão minha ou você gostou dele?
Amanda conseguiu corar, fazendo Trista rir.
- Gosta de quem? – Uma voz masculina veio de tras de Trista.
Trista voltou-se de imediato.
- De ninguem – Amanda ficou branca.
- Eu estava brincando com ela, Dinho – Trista, tentava não gaguejar.
- O que foi que eu te disse, Amanda – Mascara da Morte se mostrava impaciente.
Era assim que sempre fora na presença da filha. Todo amor e compreenção que mostrava pela afilhada, renegava a Amanda. Para ela, ele era Mascara da Morte. Aquele que metia medo em servos e outros cavaleiros.
Amanda baixou os olhos. Mascara da Morte inclinou mais a cabeça.
- Ela estava com Athena...
- E agora vai ficar comigo – Mascara da Morte interrompeu a afilhada – Vá se divertir, Trista.
A moça não contrariou. Não queria piorar a situação daquela que conciderava prima. Olhou discretamente para Amanda e saiu para falar com um grupo de amigos, mas ao canto.
Mascara ficou um tempo olhando para Amanda. Já não era uma menina, era uma mulher. Sim,uma mulher lindissima. Ultrapassara suas expectativas e, isso, não lhe agradava.
Discretamente se aproximou e agarrou no braço dela, assustando-a.
- Vamos! – sussurrou.
Quando Amanda deu por si, estava diante da mesa onde Kanon, Miro, Dohko e Shura estavam sentados. Falavam alegremente, quando os dois param na borda da mesa.
- Fique aqui, até eu voltar – Mascara da Morte ordenou, sobre a mira do olhar dos de mais, que se calaram.
Amanda nada disse. Ainda de olhar baixo, sentou do lado de Miro. Os quatro viram MM se afastar.
- O que ele fez, desta vez? – Kanon olhava Amanda, que levantou os olhos em sua direção.
- Nada – Ela sussurrou.
Kanon odiava ver o modo como MM agia com Amanda. Queria se meter, mas Saga dizia que ele não devia. A final, ele era o pai. E se convencera que tudo aquilo era ciumes.
Amanda estava se tornando uma mulher, daquelas de tirar o folego e, isso lhe causava um certo ciumes, mesmo sem ser pai dela.
Se colocava no lugar do MM e, aí, até parecia compreender.
- Você está linda, Amanda – Shura chamou a atenção da moça.
- Obrigada – disse baixo, sorrindo.
- As verdades, são para serem ditas – Dohko respondeu, levando o copo de vinho a boca.
- Se eu fosse seu pai, não te deixaria andando por aí sozinha – Miro disse sorrindo – Eu entendo o Mask.
- As vezes parece que ele me odeia – Amanda comentou, fazendo todos perderem o sorriso.
Miro a abraçou.
- Não diga besteira – Sussurou no ouvido dela.
Amanda ia retrucar, mas viu Kanon levantar de repente, e se aproximar.
Viu a mão do irmão de Saga ser estendida em sua direção:
- Venha! – Ele disse com um sorriso. Os outros apenas fitavam a cena.
- Eu não posso.
- Eu digo que pode. – disse convicto.
Amanda vacilou.
- Ele vai brigar…
- Não vai, não – Dohko disse sorrindo – Vá se divertir, Amanda.
- Ficar rodeada de velhos, não te leva a lado nenhum – Miro disse serio, espantando os outros. Não podia ser Miro falando.
Amanda riu.
- Queriam muitos serem velhos como vocês – Disse se levantando.
- Então, casa comigo – Shura brincou.
Kanon fez má cara, tirando a moça dali.
Miro a olhou. De fato estava a ficar velho. Amanda já tinha 19 anos e…Trista. Trista tinha 15. Era uma menina. Ele não podia continuar apaixonado. Não podia. Iria ficar maluco deste jeito.
Ate porque tinha consciência que não tinha chance alguma, a diferença de idade era gigantesca e, nunca, ela se interessaria por ele.
- "Desiste Miro. – dizia a si mesmo. – aqueles tempos não voltam mais."
Os dois foram para o meio do salão, com o olhar atento de Amanda a procura do pai, ele era bem capaz de fazer um escândalo e, não queria estragar a festa da amiga. Para sorte dela, ou não, já que MM não ia com a cara do ariano ruivo, Kiki a chamou, levando-a para fora do recinto.
Kanon não se incomodou, pois já havia reparado em um par de olhos castanhos que o fitavam. Resonvera que Kiki, por agora poderia safar Amanda, se MM se zangasse.
- Eu mandei ela ficar aqui – MM disse incrédulo com a desobediência, quando voltou para a mesa.
Os homens na mesa, Shura e Dohko, pois Miro já havia saído para dar uma volta, ficaram sérios.
- Ela foi se divertir, MM – Dohko falou calmamente.
- Deixe a menina, seu chato – Shura não se conformava. Porque ele tinha que ser assim com a filha. Tudo bem que ela era sua filha, mas o jeito que ele tratava-a era retaliação.
- Isso não é com vocês – MM respondeu ríspido. Não gostava quando se metiam no seu relacionamento com a filha. A filha era sua. Eles que se metessem na própria vida.
Vasculhou cada canto, encontrando Kanon, conversando com uma menina, na porta que dava para os banheiros.
Não ia se aproximar. Esse era o código dos solteirões: não atrapalhar na conquista de cada um. Esse código era para ser cumprido.
Iria continuar procurando na festa.
Em vão, pois Amanda havia saído da parte principal da festa ,na companhia de Kiki.
Ambos pararam na escada que dava para a Casa de Peixes.
Sentaram no primeiro degrau.
- A final, o que você queria falar? – Amanda desconfiou das intenções do amigo.
Kiki era seu melhor amigo, mas a perversão as vezes falava mais alto. Com 29 anos já era corrido entre as Amazonas mais assanhadas. E este não perdia uma oportunidade para fazer brincadeiras maliciosas para o lado de Amanda. Brincadeiras leves, pois Kiki, tinha respeito por aquela menina e, um profundo carinho.
- Diz logo, Kiki!? – Amanda perdia a paciência, ao ver que este queria fazer mistério.
Os olhos violetas do rapaz, cruzaram com os de Amanda e ali permaneceram.
Amanda corou.
- Quer se casar comigo? – Disse serio.
- Ham? – A moça fez sem entender, muito desconcertada.
O rapaz caiu na gargalhada, levando logo de seguida, um tapa de leve, no ombro.
- Quer me matar do coração?
- Você tinha que ter visto a sua cara.
- Para! – Deu mais um pequeno tapa. – Eu já disse pra parar, Kiki!
- Esta bem, parei – Disse se controlando e limpando as lagrimas – Eu tive uma idéia.
- Iiii – Amanda fez, revirando os olhos – Se for para aprontar para cima de alguém, não alinho.
- Não é nada disso – Kiki fez indignado – É uma surpresa para Trista.
Os olhos de Amanda se iluminaram. Kiki riu.
- O que é?
- Lembra daquele fim de tarde, no coliseu? – Ele começou. Amanda estranhou – Aquele!
---- Flashback-----
Sentados na arquibancada do coliseu, estavam Amanda e Kiki. Amanda havia acabado de chegar das aulas e, kiki, já havia terminado seu treinado. Ela sentara ali, com seu violão negro. No objet,o estava pintada uma rosa vermelha, em homenagem a quem lhe havia oferecido aquele presente.
Enquanto os outros se retiravam, Kiki sentou do lado da menina, que contava com 15 anos.
- Então?
- A musica já está completa – Amanda disse com um sorriso.
O ruivo sorriu também.
- Deixa eu ver!?
Amanda abriu a mochila azul clara e tirou um papel amassado.
- Você não tem cuidado nenhum, né!? – Kiki constatou, pegando na folha.
- Da para ver a letra, não dá!? – Amanda disse, irritada, com o comentário do amigo. – o que você acha?
- Ficou bom – o rapaz disse com um sorriso, enquanto lia a letra – Vamos cantar?
Amanda não disse nada, apenas posicionou o violão e, rapidamente, começo a tocar.
O som, enchia o recinto de harmonia, junto com a bela voz da moça em contraste com a voz do ruivo. Não perceberam que eram observados por grandes olhos verdes.
A menina de dez anos, se aproximou de vagar e, sentou, um pouco a cima do casal. Estava adorando a musica, de uma tal maneira, que esquecera que tinha vindo avisar aos dois que o jantar era na sua casa.
Sonhava acordada, imaginando que quando tivesse a idade de Amanda, seria como ela e, teria um namorado como Kiki. Sim, iria ser assim. Sorria ao som da bela musica, não percebendo que o sol já havia se escondido no horizonte.
Apenas pararam quando ouviram Kanon chamar. Só então, o casal percebeu a presença de Trista no coliseu.
Ela pedira diversas vezes para eles cantarem, mas estavam sempre ocupados.
Assim os anos passaram e, a menina foi esquecendo.
---- Fim do Flashback-----
- Está na hora de cantarmos essa musica de novo – Kiki disse sorrindo.
Amanda sorriu. Sim, estava na hora.
- Vou buscar meu violão… - Amanda se levantou
Kiki concordou, levantando.
- Eu irei aprontar o resto – piscou os olhos.
- Ai não! – Amanda falou de repente, fazendo o rapaz, que já estava pronto para partir, virar de imediato. – Eu tenho que ajudar a tia Ana com a valsa.
Kiki revirou os olhos.
- Ei, essa mania é minha – Amanda falou divertida.
Kiki bufou.
- Eu pego o violão e trato de tudo. O que seria de você sem mim – Disse se aproximando lentamente. Amanda recuou – Mas quero uma recompensa.
Rapidamente Amanda se aproximou e lhe deu um beijo na bochecha, deixando o ruivo sem reação.
- Ai está a sua recompensa – Disse rindo, enquanto se afastava – Não demore, você vai dançar com a Trista.
- Pode deixar – respondeu vendo a ruiva se afastar.
Sorriu.
"Só você mesmo" – pensou, para em seguida, se teletransportar para a Casa de Câncer.
Quando Amanda entrou no salão, viu Tatsume pegar o microfone.
- Senhores e senhoritas, se aproximem! Está na hora da valsa.
Ouve um clamor, Trista estava atrás da mãe morrendo de vergonha. Dançar na frente de todos?
- Não quero não mãe... – murmurou baixinho.
- Lógico que quer. Já pode ir para o meio. Amanda, já sabe o que fazer?
- Claro. – sorriu de forma marota, sumindo no meio do povo. A missão dela? Reunir todos os tios, padrinho, Kiki e Urin. Nesse ultimo encontrou resistência.
- Não vou. – disse frio.
- É pela Trista, por favor.
- Não.
- É pela Trista, pela tia Ana e pelo tio Kanon. Tia Ana vai ficar muito triste, se não for.
Urin a olhou atravessado.
- Está bem.
Fizeram uma roda, os Dourados concentraram-se num canto, como Amanda e Ana tinham planejado.
Trista estava encolhida, perto da mãe.
- Vamos Trista?
- Pai... eu... – o fitou temerosa.
- Vai negar uma dança com seu pai? – sorriu.
- Golpe baixo. – bufou sorrindo.
- Por favor.
Saga estendeu a mão direita para ela. Trista depositou a sua de forma delicada, deixando-se levar pelo salão. Os dois posicionaram-se no centro.
- Lembra da sua formatura do pré-primário?
- Lembro. – ela riu. – pisei no seu pé, inúmeras às vezes.
- Mas acho que hoje não irá fazer isso. – sorriu divertido.
- Não...
Trista colocou a mão esquerda no ombro do pai. Saga passou a dele pela cintura dela. A musica começou. Iniciaram os passos precisos, todos olhavam admirados, pois a postura deles era impecável dignos de membros da realeza. Saga com seu porte imponente arrancava suspiros das mulheres ali presentes e Trista dos rapazes.
Estavam de olhos fixos um no outro e o geminiano teve vontade de chorar. Já passara por tantas batalhas, tantos erros e agora estava ali dançando com sua filha fruto da mulher que mais amava. Era felicidade demais para uma pessoa só. Trista notou os olhos marejados do pai.
- Pai, não vai chorar!
- Não vou. – disse sério. – mas é melhor essa musica acabar logo.
A musica não acabou, mas Kanon surgiu, parando ao lado do casal.
- Posso? – dirigiu-se a Saga.
- Pode. Seja muito feliz. – disse depositando um beijo na mão da filha.
Ela sorriu. Kanon pegou na mão dela, reiniciando o ritual.
Amanda observava Saga deixar Trista com Kanon, quando Kiki apareceu ao seu lado.
- Que susto – Amanda disse sorrindo.
- Teu pai? – Kiki não olhava Amanda, apenas fitava a dança.
- Vai dançar agora – Amanda pereceu amargurada.
Kiki percebia.
- Pegou o violão?
- Sim. – Disse sorrindo. Amanda reparou.
- Só o violão, né!?
- E na tua gaveta de calcinhas – Ele disse rindo.
Amanda esbugalhou os olhos e abriu a boca, voltando-se para ele.
Kiki voltou-se para ela, rindo.
- Eu estou brincando – Disse lhe abraçando. Rezando para que MM não visse.
- Seu estúpido – Amanda o chamou, abafado pelo abraço. Ria.
Kiki lhe soltou.
- É a vez dele – Disse sussurrando.
Amanda olhou.
Kiki se afastou dela e, se reuniu com os outros.
Antes da musica acabar MM apareceu ao lado do geminiano, que lhe deu uma ligeira ignorada.
- Não me ignore. – MM disse, apenas para os dois ouvirem.
- Tio Kanon...
O geminiano torceu a cara, mas concordou. Passando a mão dela para ele.
- Só estão fazendo isso por ela. – frisou.
- E eu me importo? Anda, sai.
- Vocês dois. Alguém pode ouvir.
Kanon saiu. Segurando na cintura dela iniciaram a dança. Os dois sorriam. Perto dali, Amanda os observava. Não teve uma festa como a de Trista, por imposição do pai, e ele sequer dançou valsa com ela. Por que com Trista o tratamento tinha que ser outro? Não tinha raiva da prima, muito menos inveja, mas...
- Você está muito linda. – disse por fim.
- Obrigada.
O próximo foi Aioria. MM depositou um beijo na fronte dela e saiu. O canceriano parou perto da filha que o fitava com cautela. MM percebeu, logo, o olhar.
- O que foi?
- Não dançou comigo, nem de brincadeira. – disse com voz melancólica. – e com a Trista..
- Não está grandinha para isso? E alem do mais, vocês duas são diferentes.
Amanda calou-se. É, se esquecera que o tratamento nunca foi igual e nem nunca seria. Tentou disfarçar a tristeza, afinal era uma festa, dando um sorriso ao ver Aldebaran dançar com Trista. E depois foi a vez de Shaka, Mu, Aiolos, Shura, Kamus, Afrodite, Shion e Dohko.
Com pose, o ariano ruivo se aproximou do casal.
- Minha vez. – disse sorrindo.
- Não vai pisar no pé dela. – Dohko passou a mão para ele.
- Claro que não. – fechou a cara.
Ele não ia errar. Durante toda a valsa, ficou acompanhando os passos dos dourados, para não dar vexame.
- Estou dançando bem? – perguntara pela terceira vez.
- Pisou no meu pé cinco vezes.
Corou.
- Brincadeira, está dançando perfeitamente bem.
Deu um sorriso maroto.
- Quando sorri assim... está aprontando.
- Imaginação sua. – sorriu ainda mais.
Urin estava encostado numa pilastra vendo-os, achava tudo uma chateação e pura perda de tempo. Se pudesse iria embora.
Ainda restava ele e o Escorpião. Miro não queria dançar de jeito nenhum, qualquer aproximação dela ,era um perigo. Recuou um passo. Sairia de fininho e, depois ,alegaria que havia bebido de mais.
- Fugindo de uma dança? – Urin tinha os olhos fixos no casal ao meio.
- Claro que não. – disse o Escorpião, parando. – só não estou me sentindo bem.
- Será? – o olhou de maneira fria.
Miro não ia muito com a cara dele, ainda mais quando estava perto de Trista. Eles eram "amigos" demais.
- É melhor ir. – voltou o olhar para o centro. – é a sua vez.
Miro engoliu a seco. Não tinha como recuar. A passos lentos, aproximava de sua pequena deusa.
- Não podemos dançar mais uma? – Kiki tinha gostado.
- Depois. O tio Miro já vem.
- Que pena.
- Depois do Urin dançamos.
- Não vai dá. – sorriu de maneira enigmática.
- Kiki de Appendix, o que está aprontando?
- Nada. – sorriu ainda mais. – o Miro já chegou.
- Acho que é minha vez. – disse.
- Claro. Ate loguinho. – Disse, sumindo no meio das pessoas
Trista ficou olhando o amigo, sem entender nada.
- Trista.
Virou o rosto. Miro lhe estendia a mão com um sorriso nos lábios. A garota sorriu de volta, aceitando o pedido. O Escorpião enlaçou a cintura dela, sentindo o coração vibrar. Como era raro, momentos como aquele.
Ela depositou a mão no ombro dele, o olhando, sorrindo.
- Está muito linda. – disse.
Iniciaram a dança, com movimentos precisos. Miro não queria olhá-la, mas não conseguia, os olhos verdes dela eram hipnóticos. Lembrou de tudo que aconteceu a eles anos antes, queria que aqueles tempos não ficassem no passado. Trista o fitava de maneira terna, gostava muito dele era seu companheiro de travessuras e não queria que ele ficasse mais sozinho, já havia reparado que ele andava meio triste e casbibaixo.
- Tio Miro.
Ouvir "tio" doía.
- Diga.
- Precisa arrumar uma namorada.
A olhou surpreso.
- Anda muito triste e, não gosto de vê-lo assim. Eros precisava flechá-lo.
- Ele já fez isso.
- Então, já tem alguém. – sorriu. – e quem é?
- Não a conhece.
- Mas eu preciso conhecer a mulher que laçou o mais pervertido do Santuário.
Sorriu.
- Quem sabe algum dia. Veja, o Urin já vem.
O rapaz parou ao lado.
- Obrigado pelo momento. – beijou lhe a mão. – me fez feliz.
Ela o fitou sem entender.
- Vamos logo. – Urin pegou na mão dela.
Miro se afastou, parando pouco atrás. Foi rápido, mas por leve minutos a teve em seus braços.
- Seu impaciente. – reclamou a garota.
- Não sei por que me prestei a isso.
- Porque gosta de mim. – deu um belo sorriso. – eu sei que você tem uma atração fatal por mim.
Ele a olhou, mais frio que o normal.
- Adoro quando faz essa cara.
- Mais uma gracinha e vou embora.
Trista mirou ao redor, pensativa.
- O Urin ficou muito bonito. – disse Ana a Aiolos.
- Foi um custo ele vir.
- Imagino.
- Não gosto desse cara. – disseram ao mesmo tempo Saga, Kanon e MM.
- Pois seria ótimo se eles namorassem. – Ana alfinetou. – formam um belo casal.
- Eu o mato, antes. – disse Kanon.
- E penduro a cabeça dele na minha casa. – foi a vez de MM.
Aiolos e Ana riram.
Mas não era só Ana que achava que eles formavam um belo casal. Com exceção de Amanda e Kiki todos os presentes achavam, inclusive ,certo Escorpião, que olhava tudo a distancia, com ciúmes.
Trista ficou calada, sabia que ele era capaz de fazer aquilo.
- Essa musica não acaba?
- Pode ir se quiser, só me leve ate meu pai.
E iria fazer aquilo, mas... deu um sorriso malicioso. Por que não provocar certas pessoas?
- Não farei isso. – a trouxe mais para si.
Colaram os rostos deixando a aquariana sem entender e, quatro ali presentes, bufando.
- Abusado. – Saga deu um passo.
- Fique calmo, Saga. – Ana o segurou. – não está acontecendo nada de anormal.
- Ele está agarrando ela.
- Estão dançando mais próximos. Só isso.
Miro estava com o punho cerrado. A qualquer hora partiria a cara dele.
- Ficou doido? – Trista sussurrou.
- Por quê?
- Não é disso.
- Sou uma caixinha de surpresas.
- Te conheço. – sorriu. – não faz nada, sem premeditar.
- Não posso querer ficar junto de você? – a olhou.
- Não. – respondeu um pouco envergonhada, os olhos dele estavam cravados nela.
- Está me rejeitando?
- Sim.
Ao redor, todos tentavam escutar a conversa deles.
- Se ele tiver dizendo coisas obscenas, eu o mato. – MM estreitou o olhar.
- Não duvido. – disse Kiki, querendo ver o circo pegar fogo.
- Fique calado. – Amanda o beliscou.
- Ai.
Urin arqueou a sobrancelha.
- Está?
- Estou.
Seguiu alguns segundos de silencio. Trista não agüentou começando a rir.
- Sua cara foi ótima.
- Não brinque comigo. – disse sério.
- Foi você que começou. Vê se me interessaria por você. – era a vez dela brincar.
- Deveria experimentar primeiro. – aproximou do rosto dela.
Se não fosse por Ana, Urin levaria um "Atena Exclamation."
- Está querendo sabotar minha festa. – sorriu.
- Queria ver o circo pegar fogo.
- Você é mal. – riu.
- Um pouco. – sorriu, o que era raríssimo.
Aiolos fitou o discípulo, surpreso. Jamais vira-o sorrir daquele jeito.
- Só a Trista para conseguir uma proeza dessa. – disse. – ele não é disso.
- Por isso, acho que os dois deviam namorar. – completou Ana.
- Não me diga que eles... – Saga olhou a esposa imediatamente.
- Seria bom se sim.
- Só depois da minha morte. – Kanon cruzou os braços contrariado.
Outro que fazia interpretações erradas, era Miro. Se pudesse, lançaria o Antares nele. Estava prestes a interceder, quando viu os dois sorrindo e de quebra...
- Formam um casal tão lindo. – disse uma convidada a outra. – são perfeitos.
- Ate a idade combina, parece que ele tem 24. – comentou a segunda.
- Espero que eles dêem certo.
Miro abaixou o punho. Não tinha o direito de dizer nada. Trista tinha uma nova vida e, nessa vida, não tinha espaço para ele. Deixou o salão.
A musica terminou. Urin a conduziu ate Saga, que o olhava atravessado.
- Entregue.
- Obrigada.
Limitou a olhar saindo em seguida.
- Não gosto desse cara. – disse MM.
- Mas eu sim.
Saga olhou a filha. Parecia que aquela festa não acabava nunca.
Continua...
