- Onde estou...?

Com a cabeça latejante de dor e vendo tudo rodando ao seu redor, Sakura tentou identificar o lugar em que se encontrava e a pessoa que estava do seu lado sem muito sucesso.

A pessoa se aproximou dela e falou alguma coisa, mas não conseguiu entender com clareza, logo depois a pessoa se afastou, ouviu o som de uma porta sendo aberta e depois fechada, estava confusa e sua cabeça, que doia muito, pesava como chumbo.

Aos poucos começou a focalizar melhor as coisas ao seu redor.

Estava em uma cama, num quarto muito branco e espaçoso, de seu corpo saia vários fios interligados com uma máquina do seu lado direito, que fazia um barulho incomodo, a sua esquerda tinha uma cômoda lotada de vasos com vários tipos de flores, cartões e ursinhos, uma janela com cortinas brancas e uma poltrona também branca, onde até a pouco fora ocupada pela pessoa que saiu de seu quarto, a sua frente uma televisão desligada num suporte no teto.

Com dor em tudo quanto era parte de seu corpo, notou que tinha vários machucados, sua perna direita e seu braço esquerdo estavam engessados, arranhões no outro braço e, ao tocar no ponto em sua cabeça que doia muito, percebeu que estava enfaixada.

"O que aconteceu comigo?", se perguntou tentando se lembrar de como acabara naquela situação, mas nada lhe vinha a mente, sentia como se tivesse espuma no cérebro.

Fechou os olhos com força quando uma dor intensa a deixavou tonta.

Um tempo depois ouviu novamente o som da porta sendo aberta e fechada, duas mulheres se aproximaram dela, uma baixinha morena, de olhos e cabelo preto, trajando um vestido branco e uma loira, alta de olhos cor de avelã, vestia calça e jaleco branco. Não sabia quem era a morena, mas a loira identificou na hora.

- Madrinha...?Onde estou...?O que... aconteceu...?

Sentia a garganta seca, sua língua parecia pegajosa e sua fala saia com dificuldade.

Tsunade se aproximou da afilhada com um sorriso de alívio.

- Estamos no hospital, querida.- Segurou a mão dela com força.- Você ficou em coma por uma semana após o acidente, deixou todo mundo apavorado.- Sua voz transmitia preocupação e reprovação ao mesmo tempo.- No que estava pensando, Sakura? Você sabe muito bem o quê acontece com quem dirigi em alta velocidade, podia ter ferido outras pessoas ou morrido. Não faça isso novamente, eu te proíbo.

Como médica, Tsunade sabia que devia confortar os pacientes, mas aquela jovem não era só mais uma paciente, era sua pupila, afilhada e filha de sua melhor amiga, que falecera num acidente semelhante ao de Sakura, tinha que colocar um pouco de juízo na cabeça dela.

- Acidente...? Que acidente...?- O que sua madrinha falava não fazia nenhum sentido para Sakura.- Não sei de acidente nenhum...

- Não se preocupe, é normal esquecer alguns fatos após tanto tempo em coma, aos poucos você se lembrara do acidente.- Tsunade acenou para a morena.- Essa é sua enfermeira particular Sakamoto Mizu.- Apresentou antes de declarar sorrindo.- O Uchiha fez questão de contrata-la pra ficar sempre do seu lado, ele está realmente preocupado com você.

Tsunade esperou que isso deixasse sua afilhada contente, afinal o mundo dela girava em torno do marido, mas Sakura parecia não entender bem que importância isso teria pra ela.

- Uchiha?!Quem é Uchiha?!

Os olhos de Tsunade se estreitaram, abriu a boca pra falar alguma coisa, mas nesse momento um homem alto, porte imponente, pele clara, cabelos e olhos negros, vestindo blusa social branca, calça preta e paletó da mesma cor, entrou no quarto e a olhou de um modo intenso e estranhamente muito íntimo.

- Vim o mais rápido que pude.

O homem se aproximou dela e tentou abraça-la, mas Sakura se afastou, sentia o corpo fraco e mole, mas mesmo assim conseguiu colocar as mãos na frente do corpo, num ato de proteção contra aquele estranho. Algo em seu interior lhe mandava ter cuidado com ele, que era perigoso deixar que ele a tocasse, talvez fosse por não ter a mínima idéia de quem ele seria e porque pretendera abraça-la.

- Ainda está zangada.- Ele parecia nervoso, seu tom de voz seco.- Sakura, vamos parar com essa briga estúpida, já disse que...

- Não sei do que o senhor esta falando, nem te conheço, como sabe meu nome?- O interrompeu um pouco assustada pelo jeito que ele falava com ela.

O homem a encarou confuso, seus olhos negros a encarando fixamente como se quisesse ler seus pensamentos, aumentando a sensação de que ele era uma pessoa perigosa, de que tinha que afasta-lo pra bem longe.

- Sasuke, acho melhor que me espere em minha sala.- Tsunade pediu praticamente o empurrando pra fora.- Conversaremos daqui a pouco.

Sakura observava tudo sem muita noção do que estava ocorrendo ali.

Sua madrinha retornou pro seu lado o olhar atento.

- Qual é o último fato importante de que se lembra, Sakura?

Ao pensar no assunto, Sakura sentiu a mente embaralhada, a cabeça pesava e novamente uma dor imensa quase a fez desmaiar.

- Fato importante... como assim?- Perguntou com as pálpebras fechadas, massageando a fronte com a mão.

- Aniversário, formatura, enterro, batizado ou um... casamento.

Não entendeu muito bem o porque, mas tinha a impressão que sua madrinha dera muita ênfase na última palavra.

Tentou lembrar de algum fato importante, sua mente estava meio lenta mas por fim lembrou de algo.

- Bem... teve a festa de pijama na casa da Ino...- Olhou pra cima pensativa antes de continuar a falar.- Ela conseguiu ser aprovada em matématica ou fisíca... não sei ao certo... sei que tinha várias garotas do colégio... comemoramos ouvindo música e dançando.

- Hum...! Ino...?!

Sua resposta pareceu não agradar sua madrinha, que fez uma careta de desgosto.

- Sabe em que ano estamos, Sakura?

Essa pergunta era fácil.

- 1999.

Novamente cara de desgosto, pelo jeito essa resposta também não agradara, mas não houve mais perguntas, Tsunade falou alguma coisa com a enfermeira, a mulher saiu e quando voltou entregou um vidrinho pra sua madrinha, que lhe deu um comprimido e um copo de água.

- Tome esse remédio e descanse um pouco, quando nos vermos novamente teremos muito que conversar, Sakura.

Obedeceu, tanto pelo tom de comando de Tsunade, que nunca aceitava não como resposta, quanto pelo fato de que sentia o corpo pesado.

Tomou o medicamneto, se endireitou na cama e fechou os olhos, descansar um pouco parecia uma ótima idéia afinal.


Andando de um lado pra outro no escritório de Tsunade, Sasuke Uchiha estava com todos os seus pensamentos voltados pra esposa.

Quando recebera a notícia que Sakura despertara, através da enfermeira que deixara com a esposa, tinha largado uma reunião muito importante e dirigira pro hospital o mais rápido que lhe era permitido por lei, ansioso em rever os brilhantes olhos esverdeados e resolver definitivamente os problemas entre eles. Devido ao que ocorrera antes do acidente não esperava um recepção agradavél da parte dela, que tinha a péssima mania de transformar tudo em uma tragédia grega, mas o que vira estampado na face dela não fora raiva ou ressentimento, longe disso, Sakura realmente parecia não reconhece-lo.

Ouviu o barulho da porta sendo aberta e viu Tsunade entrar na sala que ocupava como diretora do hospital particular Senju, que se situava no centro de Tóquio e era o hospital mais famoso e prestigiado da região.

- O que há com a Sakura?- Quis saber se colocando na frente da médica.

Mesmo compreendendo o Uchiha, afinal ele tinha grande parte da culpa pelo que ocorrera a Sakura, Tsunade não gostou do jeito que ele lhe abordou, parecia um policial interrogando um criminoso, se o gênio do Uchiha era ruim o seu era bem pior, mas deixaria passar, por Sakura.

- Creio que teve uma perda parcial de mémoria.- Seu tom era profissional e distante, quando por dentro estava bem preocupada.- É comum após um longo tempo inconsciente, principalmente se levarmos em conta que estava sobre forte estresse na hora do acidente e feriu a cabeça.- "Por sua culpa", pensou em acrescentar.

Não simpatizava com o Uchiha, por causa dele Sakura perdera o amor próprio, passara a viver em função de sempre agradar o marido, mesmo que isso significasse esquecer que também precisava ser agradada as vezes. Duvidava que a afilhada soubesse o que era ser amada de verdade.

- Comum?! Como perder a mémoria pode ser considerado "comum".

- Ás vezes a mémoria volta em algumas semanas, meses...- A voz profissional falhou fazendo Sasuke a encarar interrogativo.

Percebeu que havia algo a mais que Tsunade queria evitar lhe contar.

Toda aquela situação, que se formara ao ser comunicado que sua esposa saíra da sua empresa em alta velocidade, o deixava nervoso, estressado e, não conseguia mais negar, preocupado.

- Se tem algo a mais a dizer, o faça logo.- O tom imperativo de um homem acostumado a ser obedecido.

Tsunade contornou sua mesa e se sentou em sua poltrona marrom, fazendo um sinal em direção a cadeira a sua frente e ao lado de Sasuke, para que ele também se sentasse, o que o Uchiha fez visivelmente irritado.

- Devo prepara-lo pro fato de que pode demorar anos pra isso ocorrer.

Essa informação fez Sasuke gelar.

- Está me dizendo que ela nunca se lembrará de nada?

- Na verdade, só parte da memória foi apagada, o que aumenta as chances de que logo se recorde de tudo ou pelo menos boa parte do que esqueceu.

- E o que ela realmente esqueceu?- Algo lhe dizia que não iria gostar da resposta.

- Dos últimos dez anos.

E não gostou mesmo. A dez anos atrás, ele, seu tio Madara e seu irmão Itachi, se mudaram de Tóquio para uma pequena cidade chamada Konoha, lá conheceu várias pessoas, entre elas, Sakura, sua esposa.

- Dez anos...? Então... então ela não lembra... de mim!

"Bela conclusão, Uchiha" pensou Tsunade, estava gostando de ver a expressão normalmente indiferente ficar totalmente surpresa, confusa e até um pouco apavorada.

- Temos de ter esperanças...

Sasuke se levantou furioso e bateu o punho fechado na mesa de Tsunade.

- Esperanças? Estou tendo essa merda de esperança a uma semana, estou farto de ouvir todos me dizendo pra ter esperanças.

A diretora do hospital também se levantou irada. Aquilo já era demais, não era obrigada a aturar os ataques daquele imbecil que se achava o dono do mundo, nem ao menos gostava dele, então não precisava ser gentil com aquele esnobe.

- Compreendo que esteja nervoso, mas se descontrolar não ajuda em nada.- Estava praticamente gritando.- Sakura vai precisar de nós, todos nós, quando se der conta do que está acontecendo, e se um de nós perder o controle quem sofrerá será ela.- Tsunade voltou a sentar, respirou fundo e recobrou o tom calmo e profissional, mas com um toque frio e cheio de cinismo.- Creio que você, mais que qualquer um, não quer que isso aconteça, estou certa, Uchiha?

Sasuke se deixou cair pesadamente de volta na cadeira.

- Sim está.- Falou apertando os punhos com força.- Droga! A culpa é minha, se eu não tivesse permitido que ela saisse da minha sala nervosa...

- Não é hora de achar culpados.- Interrompeu Tsunade.- Nesse momento temos de ser fortes, por nós e por Sakura.

Mesmo dizendo isso achava que o Uchiha tinha a maior parte da culpa, a outra parte era da própria Sakura, por dirigir feito louca só porque se tocara que casara com um iceberg.

- Droga...!- Resmungou o Uchiha.

Cobrindo o rosto com as mãos, Sasuke tentava não se culpar, mas não conseguia, sabia que se não tivessem brigado por mais um motivo absurdo e sem sentido, Sakura jamais sairia dirigindo em alta velocidade.

Porque sempre afastava ou perdia as pessoas que lhe eram importantes?

- E se ela nunca se lembrar de mim?

Ver o Uchiha sofrer de culpa ou algo semelhante, fez Tsunade sentir um pouco de pena dele. Talvez, bem lá no fundo de seu coração congelado e do seu modo, Sasuke realmente amasse Sakura.

- Ela vai lembrar, Sakura te ama.- Disse para conforta-lo um pouco.

O Uchiha levantou a cabeça, nos lábios um sorriso triste de canto.

- Ela se esqueceu disso.

Tsunade deu um sorriso singelo, estendeu sua mão direita até a esquerda de Sasuke e bateu seu dedo indicador na aliança de casamento do Uchiha.

- Mas você não.


Muito tempo depois que tomara o remédio, dormira e despertara, Sakura viu Tsunade entrar em seu quarto junto com o homem moreno que tentara abraça-la, ele estava muito sério.

Foi novamente examinada e respondeu a novas perguntas, percebendo que a cada resposta que dava a cara do sujeito ficava mais e mais carrancuda.

- Bem, a não ser pela perna e o braço engessado, fisicamente você está ótima.

- Então posso ir embora?- Queria ir logo pra casa.

Tsunade segurou sua mão e Sakura previu que algo não devia estar certo.

- Daqui uns dias, sim.- Tsunade percebeu que aquele era o momento de revelar a situação pra Sakura.- O problema é que você perdeu uma boa parte de sua memória, querida.

- Você disse que esquecer o acidente era normal.

- Acontece que você esqueceu muito mais do que só o acidente.

Sakura estreitou os olhos esmeraldas confusa.

- O que eu esqueci?

- Fatos que ocorreram após 1999, estamos em 2009.

Sorriu com desconfiança, aquilo só podia ser uma brincadeira, mas o olhar sério de sua madrinha não deixava dúvidas de que era verdade e isso a assustou.

- Minha mãe... eu quero a minha mãe.- Pediu num murmurio.

- Infelizmente ela morreu ha cinco anos.

Fechou os olhos e tentou conter a vontade de chorar.

- Não é verdade, não pode ser...- Abriu os olhos e fitou Tsunade desolada.- Como aconteceu? Quando?

- Foi num acidente de carro, um motorista bêbado e em alta velocidade colidiu com o carro dela, infelizmente ela morreu na hora.

Sentiu uma dor intensa no peito e não conseguiu conter o choro.

Sempre fora só ela e sua mãe, nunca conhecera seu pai, que fugiu pra não assumi-la, e não tinha parentes próximos, Tsunade não contava, pois era só uma amiga de sua mãe que aceitara ser sua madrinha, não tinha qualquer obrigação com ela.

- Não tenho mais ninguém então?

- Tem a mim.

Sasuke se aproximou da cama onde Sakura estava, mas não tentou toca-la dessa vez.

A voz grave e profunda do sujeito desconhecido, fez Sakura sentir um arrepio estranho subir por sua espinha, principalmente pelo que ele dissera.

- Você... quem é você?

Sasuke olhou pra Tsunade num pedido mudo, queria ele mesmo contar que eram casados, a médica percebeu e fez um gesto de permissão.

- Eu sei que será difícil de compreender agora...

- Tudo está sendo incompreensivél.- Murmurou mais pra si mesma, e Pela primeira vez desde que o vira, prestou atenção nele.

Era um homem muito bonito, mas muito sério, pelo seu porte, seu jeito de andar e falar, o pouco que falara, parecia achar que o mundo girava ao redor dele, odiava pessoas assim, metidas. Seu corte de cabelo era bem diferente, com mechas longas de cada lado do rosto e arrepiado atrás, algo em seu íntimo lhe dizia que seria gostoso deslizar os dedos pelos fios negros.

Sentiu a face esquentar ao perceber que rumo seus pensamentos tomaram.

Também se deu conta que ele lhe falara algo importante e que esperava alguma reação dela, pois a encarava intensamente.

- Desculpe, o que disse?

- Que nos casamos a quatro anos atrás.

Estava absolutamente chocada.


N/A - De início pretendia fazer a Sakura esquecer tudo, até o próprio nome, mas depois percebi que a história original, onde só ha perda parcial da memória, seria muito mais interessante, porque tipo praticamente ela só esqueceu dele, Sasuke, e isso meio que vai doer mais na consciência dele. Sou cruel admito u_u, mas ao longo da fic verão que ele merece o castigo.

Agradecimentos

bah - O Sasuke tá se sentindo possuído de culpa pode ter certeza. Também gosto de vê-lo sofrer, acho que é um modo de me vingar por ele ter matado o Itachi, nossa ainda tô de luto Q.Q

Elara-chan - Quem pede sempre alcança, e a Sakura alcançou, mas isso só vai complicar as coisas, pelo menos pro maridão, hehehe.

izaaa - Primeiro capítulo postado, espero que goste

UcHiHa-DaRk-AnGeL - Espero que ame esse capítulo também

mah - Pra acabar com sua ansiedade capítulo prontinho.

Thais14 - Que vc adore esse primeiro capítulo também.

stelar - Acho que saiu bom também, mas me fale se vc gostou ou não, só pra ter certeza. =)

nanda - Ansiedade acabada, capítulo fresquinho saindo do forno.

Thami-Uchiha - Ao longo da fic vai dar pra se ter uma idéia de como era a relação do casal Uchiha, antes do acidente, e assim imaginar o que aconteceu na sala do Sasuke, o que aconteceu de verdade só no finalzinho mesmo.^^

Hanae Ichihara - Que bom que vc gostou do prólogo, que realmente estava bem triste, esse primeiro capítulo também tá tristinho, só que dessa vez pro lado do Sasuke.

Dany Uchiha - Se ele a ama? Essa é a principal pergunta que Sakura vai se fazer ao longo da fic, ainda mais quando for morar debaixo do mesmo teto do Uchiha. XD

E a todos que leram e por algum motivo preferiram não deixar uma review.