Uma das coisas que sempre deu esperanças aos humanos nesses milhares de anos era saber que, não importa o quão ruim o inverno pudesse ser, ele sempre terminaria em uma radiante primavera, onde a grama verde se espalharia pelos campos, as flores renascendo, e o frio se afastando. Talvez também seja assim com pessoas, eu imagino, e por isso mesmo, tenho paciência comigo.
Dói, ainda, pensar em você e lembrar das suas mentiras. Dói, a cada passo por perto de um dementador, ouvir sua voz no meu ouvido, como se você nunca tivesse partido. Dói, quando os outros cochicham e falam sobre mim. Vai passar, eu digo para mim mesma, e espero pelo momento em que as folhas rasgadas da minha infância perdida entre teus sussurros vão se renovar em um verde glorioso, me permitindo ser, novamente, só Ginny, sem nenhuma marca de Tom.
De todas as coisas que você me roubou, o que nunca conseguiu levar foi o consolo de ver a compreensão em olhos verdes, que agora vêem todas essas coisas que aconteceram entre eu e você e não me julgam. Ele sabe, como eu sei, o que é estar em suas mãos, e por isso, somos perfeitos juntos. Todo o seu esforço para que nós jamais pudessemos ser acabou por nos unir de forma que ninguém poderia separar. E, a cada olhar dele, o gelo se afasta um pouco mais, você se afasta um pouco mais, o medo se afasta um pouco mais, e juntos, caminhamos para uma nova primavera, lutando para terminar seu inverno de terror, sabendo o que nos aguarda do outro lado. E, do outro lado de sua existência, a grama certamente será mais verde para todos nós.
(Eu só queria que ele pudesse ver que não sou dele, sou minha, mas talvez seja pedir demais. Eu sempre fui de alguém, afinal.)
