Shounen Ai, POV point of view - Lei

Cap 2 – Um presente?

Hum... Sim, eu me lembro daquele dia nos mínimos detalhes, como poderia esquecer o dia em que conheci meu amo, mestre Jeile? O dia em que descobri este novo sentimento que é o amor.

Tudo começou quando meus talentos finalmente foram reconhecidos pela rainha de Aster. Mesmo sendo uma criança, ela me chamou para seu castelo, e lá fui eu.

A primavera sempre fora minha estação preferida, mas aquele dia em especial, estava lindo.

Caminhei pelos jardins do castelo real, admirando todo aquele paraíso de flores recém-desabrochadas. Suspirei me distraindo um pouco.

Mas logo, notei que estava sendo observado. Virei-me para trás, e vi a figura de um garotinho, que parecia meio bobo, inocente. Porém, não deixava de ser atraente. Ele parecia não saber o que falar, ou o que fazer. Notei como seu rosto estava levemente corado, e eu realmente não sabia o que ele estava querendo.

Perguntou qual era o meu nome, e eu lhe respondi. "Lei." Sorri em seguida, tentando quebrar o gelo. Ele parecia ter gostado de meu sorriso, e aquilo me deixou um tanto quanto feliz.

Não tive tempo para esperar uma retribuição do sorriso, dei-me conta de que estava atrasado para o encontro com a rainha. Definitivamente não poderia perder aquela oportunidade que aquela bondosa mulher me ofereceu.

Estava preste a deixar o jardim, quando ouvi a voz do garoto novamente. "Espere!" Parei, olhando o que ele fazia. "Para você." Ele esticou o braço, com uma rosa na mão. Senti meu rosto corar de leve, mas parecia que ele não havia notado. Era melhor assim. Aceitei a flor com gratidão, e repousei-a entre meus cabelos. O garoto ficou vermelho, e parecia satisfeito.

Infelizmente fui obrigado a deixar o jardim.

Uma das serviçais do castelo me indicou aonde era o aposento da rainha, e lá fui eu. Bati na porta, e entrei no enorme e belo quarto.

"Com licença." Falei, um pouco inseguro.

"Seja bem-vindo, Lei." Disse ela gentilmente.

Conversamos durante algum tempo, e ela me explicou sobre a situação em que estava vivendo. Alam, seu filho, necessitava de um "guarda-costas", alguém que pudesse cuidar dele como uma babá. Devido aos meus poderes e habilidades mágicas, fui o mais indicado para este serviço.

Fomos interrompidos por alguém que abriu a porta sem bater antes. Virei para trás, e novamente vi o garoto do jardim. Ele parecia novamente sem ação. E eu estava um pouco surpreso também. Mas eu não podia demonstrar fraqueza diante da rainha.

O garoto se aproximou de nós, prestando atenção no resto do diálogo.

Ele parecia estar passando mal, ou algo parecido. Estava corado, e parecia meio confuso. A rainha perguntou-lhe o que se passava, e o garoto respondeu coisas sem sentido, deixando a mulher mais confusa ainda.

Eu não poderia deixar que ele atrapalhasse meus planos, então o interrompi, contando que ele me presenteara com uma rosa. O garoto corou novamente, eu permaneci calmo.

A rainha explicou que a partir daquele momento eu cuidaria de Alam. Fiquei feliz em saber que apesar do que aconteceu, o cargo seria meu.

Não havendo mais nada para discutir, retirei-me do aposento. Quando já estava longe das vistas deles, sorri satisfeito.

Na realidade, eu sempre soube o que aconteceu. Não era a primeira vez que alguém me confundia com uma garota, mas seria doloroso demais conviver com Jeile-sama, principalmente quando ele não saía da minha cabeça.

Ainda não compreendo porque aquele sentimento conseguia ser tão doce, e ao mesmo tempo tão proibido.