Ironia do Destino
Primeiro Capítulo
Humanos são tolos.
O tique-taque do relógio passava despercebido, por causa do barulho, uma coisa comum no hospital público de Konoha. Porém, o lento movimento de seus ponteiros não. Shizune encarava o relógio, cansada. Faltava meia hora para seu turno acabar, mas o relógio parecia ir contra ela, e seu turno parecia não acabar nunca!
"Droga, assim nunca chegarei a tempo para meu encontro com Iruka-san!", pensou Shizune e suspirou. De repente, um calafrio percorreu suas costas e ela sentiu uma mão em seu ombro.
- Ah! – fez ela se virando e dando de cara com uma pessoa. – Itachi-san!
- Desculpe, Shizune-san – fez o rapaz com um leve tom de arrependimento. – Desculpe pelo susto. Eu só queria dizer que você já pode ir pra casa, eu te cubro.
Ele sorriu, simpático. Fazia três meses que Uchiha Itachi havia chegado ao hospital. Bonito, dedicado, simpático e uma grande promessa para o futuro da medicina, Itachi conquistou cada pedaçinho do hospital, até entre os pacientes. A única coisa estranha em seus atos, era que ele só fazia o turno da noite.
- Oh, obrigada, Itachi! Você caiu do céu! – falou Shizune e pulou no rapaz, fazendo-o gargalhar baixinho. – Eu prometo que depois eu te cubro! Oh, obrigada!
Ela mandou um beijo e saiu correndo, ansiosa em direção à sala de descanso dos médicos, antes que algo acontecesse e impedisse-a de ir ao encontro de seu paquera.
- Hehe, humanos – murmurou Itachi e sorriu, simpático. "são tão tolos. Ficam felizes por tudo." Ele então parou de divagar, sorrindo e se virou para olhar o quadro do hospital que como sempre, estava lotado.
- Ai, meu Deus! – falou ele olhando o quadro. – Eu me sinto doente, só de olhar esse quadro. Chamem um médico!
- Hihihi! – riu uma das enfermeiras, Rin, que se aproximou e se postou ao seu lado, com as mãos na cintura e uma expressão insinuante para o jovem médico. Ela sorriu para ele com segundas, terceiras, quartas, quintas intenções, quantas precisasse para ter aquele médico lindo e jovem amarrado em sua cama. Ele devolveu o sorriso, assustando Rin, que jurou que viu os olhos dele ficarem vermelhos do nada. Ela levou as mãos à boca, assustada com a visão. Itachi virou o rosto e sorriu, escondendo os dentes pontiagudos e tentando controlar sua excitação ao ver os humanos assustados... quando a porta da frente se escancarou, revelando dois paramédicos trazendo mais um paciente.
- Vamos lá, Rin! – chamou Itachi e foi correndo em direção à maca e os dois paramédicos. A moça balançou a cabeça, ainda assustada, mas pensou que talvez fosse só a iluminação que causou aquele efeito nos olhos de Itachi e o seguiu.
- Haruno Sakura, 22 anos, com tumor cardíaco – falava o paramédico, enquanto empurrava junto a Itachi, Rin e seu parceiro a maca. – Segundo a amiga, estava esperando uma cirurgia no coração para conter o tumor; teremos que fazê-la imediatamente agora!
- Rin, ligue para a Cirurgia e reserve uma sala, precisamos operá-la rapidamente! – falou Itachi, agindo. – Contate o Dr. Shikamaru e peça-lhe para iniciar a cirurgia.
- Pode deixar, Dr. Itachi – falou Rin e pegou a maca sozinha e levou até o elevador. Esperou por alguns minutos e depois entrou com a tal de Sakura nele, apertando o botão de fechar portas na mesma hora. Itachi se virou e minutos antes da porta se fechar, ele pode vislumbrar o rosto da sua paciente e sentiu um arrepio. A morte era uma coisa tão terrível e sofrida... mesmo que ele nunca houvesse morrido, ele podia vê-la destroçando cada partícula do ser de seus pacientes, da maneira mais terrível possível. Assim que o elevador se fechou, ele deu meia-volta e saiu dali para atender outras pessoas, enquanto aguardava noticias da menina de cabelos cor-de-rosa.
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Eram nove horas da manhã do dia seguinte, quando Itachi recebeu noticias de Sakura; ele estava andando pelo corredor do hospital, quando Shikamaru, um cirurgião cardiologista se aproximou dele, com algumas radiografias na mão.
- Precisamos conversar – falou Shikamaru se aproximando de uma moldura iluminada e colocando as radiografias nela e apontando com a caneta. – É um saco explicar, por isso, observe bem...
Itachi observou, surpreso. Suspirou, pesaroso. A situação estava bem critica ali.
- Isso está muito feio, Nara – falou Itachi, pesaroso. – Quanto tempo de vida você acha que ela ainda tem?
- Uma ou duas semanas, depende de como esse câncer se espalhar – falou Shikamaru. – O máximo que podemos fazer agora é deixá-la confortável...
- Entendo – falou Itachi e pegou as radiografias. – Ela está acordada?
- Quarto 502 – falou Shikamaru.
- Obrigado, Nara.
- Ah... não precisa agradecer, é problemático demais – falou Shikamaru e foi embora deixando Itachi sozinho com seus pensamentos. Então ele suspirou e voltou a andar.
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Itachi entrou no quarto 502 e encontrou a menina de cabelos rosados conversar tranqüilamente com uma moça de cabelos castanhos presos em dois coques laterais, mas assim que perceberam a presença do médico no quarto pararam de falar e se viraram ansiosas para ele.
- Então, doutor? Está tudo bem?! – perguntou a moça de cabelos castanhos. – A Sakura está curada agora?
- A senhorita é parente dela? – perguntou Itachi.
- Não, mas sou como tal – falou ela. – Sou Mitsashi Tenten, melhor amiga da Sakura. Eu que cuido dela, ela não tem parentes.
- Bem, então vai você mesmo – falou o Uchiha e apontou para o lado de fora. – Podemos conversar lá fora?
Tenten o encarou nervosa e começou a tremer. Sakura que observava tudo pelo canto do olho, falou num sussurro:
- Pode me falar... eu sei que vou morrer.
- Sakura... – falou Tenten se virando para ela, com as lágrimas começando a cair.
- Sakura – falou Itachi e se aproximou dela, pegando em suas mãos. – Eu quero que seja forte agora. O seu tumor, na verdade era um câncer maligno que se espalhou pelo seus outros órgãos. E... infelizmente, ele não foi descoberto há tempo e agora não poderemos fazer mais nada por você.
- Tudo bem – falou Sakura, e para o espanto de Itachi, ela estava muito tranqüila. – Eu já sabia disso há algum tempo... – ela olhou nos olhos dele, e ele sentiu como se aqueles olhos pudessem ver sua alma. – Quanto tempo de vida eu ainda tenho?
- Duas semanas – falou o rapaz com a voz firme. – Eu sinto muito.
- Tudo bem – tornou a falar Sakura, mas uma lágrima quebrou o timbre que sua voz queria passar, e ela escondeu o rosto entre as mãos e caiu em prantos, soluçando. Itachi sentiu então uma dor e perguntou-se o que era aquilo, então ele lembrou-se que ainda tinha um coração, e aquela dor o lembrou do que era ser humano. Ele largou as mãos de Sakura e se afastou, dando passagem a Tenten, que abraçou a amiga, fortemente, querendo lhe passar segurança. As duas ficaram ali, abraçadas, então Itachi saiu do quarto, para dar privacidade a elas, e pela segunda vez naquele dia, pensou: "Humanos são tolos... muito tolos".
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N/a: Aff, desculpem pela demora, é que 1) o capítulo não saia de jeito nenhum, e eu tinha que dar mais atenção a Teenagers e ANBU-GIRL; e 2) eu mandei pra uma beta, mas ela demorou taanto! Ela ainda não betou, mas é que eu não quero castigar vocês e como eu sei que vocês vão viajar... presentinho de Natal! ;D Espero que gostem! E desculpem não responder as reviews dessa vez, é que eu estou com pressa! (!!!!!!!!!!!!!)
P.S. Ficou uma confusão no capítulo, porque primeiro a Sakura tem um tumor, depois ele vira câncer? Como assim? Bem, deixem-me explicar. Um câncer pode ser considerado um tumor, mas nem todo tumor é um câncer, sabe? Então, primeiramente acharam que o tumor não era do tipo maligno, e por isso podia ser curado com a cirurgia; mas então descobriram que não era bem só um tumor benigno, e sim um câncer que havia se espalhado pelo corpo (metástase).
