Capítulo 2 - Months have passed, but for me it was just a day.

Alphonse levou as minhas malas, para o quarto em qual eu iria ficar, depois de muita insistência da parte dele. Eu falava que não precisava levar as minhas malas, mas ele disse que fazia questão. Por fim tive que concordar, porque a casa era dele, e porque se não ele não iria parar de encher o saco. Me acomodei, e por ali fiquei. Nossa, que frase de efeito.

Eu era Jeniffer Rockbell. Nunca me achei tão baixa, mas era com certeza mais alta que Edward (Espero que ele não leia pensamentos. Pensando bem, se ele lesse, todos nesse mundo já teriam se reduzido a pó). Eu tinha cabelos castanhos avermelhados, minha família nunca entendeu direito o porquê. Todos eram loiros, e eu a única que não. Eles falavam que eu puxei mais o lado da Pinako. Meus olhos eram meio diferentes. O direito era verde e o esquerdo azul. Nunca fiquei me perguntando o porquê disso, mas sabia que as pessoas ficavam. E meus lábios eram rosados. Resumindo, eu era uma pessoa perfeitamente normal. Eu acho.

Os dias foram se passando, e eu ficava cada vez mais apegada por aquele mundo. Era a coisa que eu mais temia. Me apegar. Eu tentava resistir, mas havia algo em meu coração que impedia. Eu sabia que algum dia iria retornar para o meu verdadeiro mundo, disso não tinha duvida. Edward prometera para mim, e para ele mesmo. Eu tentava ser azeda, não conhecer nem me envolver com ninguém, só usar as regras da educação. Mas aquele mundo me recebia de braços abertos. Eu tentava escapar, mas ele sempre me puxava de volta. Sabia que um dia iria sofrer para deixá-lo. Era inevitável.

Estava calor aquele dia, então resolvi sair um pouco de casa. Edward já havia saído, dizendo que iria resolver alguns assuntos. Botei uma camiseta e uma calça. Estava pegando as chaves, sim eu tinha as chaves da casa, quando Alphonse apareceu.

- Vai sair?

- Aham. Está muito quente hoje, vou dar uma volta. Quer vir?

- Er... Não sei. Tenho bastante coisa pra fazer...

- Você anda trabalhando muito. Para um pouquinho para relaxar.

- Mas eu preciso ajudar meu pai, e...

- Ele vai ficar bem sem você por um dia. E também tem seus irmãos para ajudá-lo.

- Bom...

- Ah, vamos...

- Ta bom. Espera só um minuto que vou pegar meus sapatos.

- Claro.

Ele subiu correndo, e eu aproveitei para tomar uma água antes de sair. Logo quando saímos de casa o sol já nos esquentava. Iríamos até o parque, onde havia sombras frescas. Caminhamos em silencio. Mas com Alphonse o silencio não era aquele constrangedor, e sim confortável. Depois de alguns minutos já podíamos avistar o parque. Senti uma brisa refrescante bagunçando meus cabelos.

- O parque é realmente fresco. – Disse Alphonse sorrindo.

- É. Vamos nos sentar ali – Apontei para um banco embaixo de uma árvore. Outra brisa bagunçou nossos cabelos.

- Como você e o Edward se conheceram? – Essa pergunta repentina, havia me pego de surpresa. E agora? O que eu iria fazer? E se eu dissesse uma coisa, mas Ed já havia dito outra? Tinha que pensar rápido.

- Bom, nós... Er... Éramos... Meio que... Vizinhos! Isso, nós éramos vizinhos!

- Ah, claro. E vocês eram bem próximos?

- Bem... Éramos. Eu tenho uma irmã e Ed um irmão, então nós quatro brincávamos sempre juntos. – Boa Jen!

- Ah é? Vocês têm irmãos? E onde eles estão? – Droga Jen!

- Er... Eles saíram de casa também. Não sei onde eles estão agora.

- Entendo. Ed sempre brincava dizendo que o irmão dele era de outro mundo. Ele sempre me divertia com as suas historias.

- É? Hehe, legal. Ele é bem... Criativo, né?

- Ele é. – Bateu outra brisa refrescante. Paramos um pouco de conversar para relaxar com a brisa. O vento batia nos meus cabelos que voavam para todo lado. Eu havia fechado os olhos, mas abri ao escutar Alphonse tossindo. O olhei preocupada. Mas ele sorriu.

- O que houve?– Perguntei assustada.

- Nada. – Sorriu de novo. Ele tentou disfarçar que se divertia ver meus cabelos voarem.

- Jen... – Ele perguntou depois de algum tempo.

- Sim?

- Eu não... – Só que não deu tempo de ele continuar, porque Edward estava vindo para juntar-se a nós.

Sua cara estava terrível. Ele estava com aquele mau humor horrível. Nem eu e nem Alphonse tivemos coragem de perguntar o que tinha acontecido.

- Malditos cobradores. – Resmungou. Então era aquilo novamente. Edward havia resolvido comprar umas peças para seu braço mecânico numa lojinha desconhecida. Mas só porque ele pagou uma semana depois, os donos falavam que ele tinha que pagar juros. Mas Edward não concordava e se recusava a pagar. E então essa confusão estava até agora.

Edward nem perguntou por que estávamos ali. Depois de um tempo ele disse.

- Alphonse, eu preciso que você vá comigo na loja do , lembra?

- Ah, claro. Vamos então. – E os dois se levantaram – Espera Edward. E você vai fazer o que Jen?

- Bem, eu vou à biblioteca. – Sorri.

- Ah, obvio. Você esta sempre na biblioteca. O que faz por lá?

- Nada demais Alphonse. Eu fico pesquisando coisas. E também não vou ficar muito tempo lá não. Preciso ir trabalhar para a Dona Emma. – Disse enquanto levantava. A Dona Emma era uma senhora muito boa, e trabalhava numa floricultura. Mais por ela já estar muito velinha, não podia ficar muito tempo em pé, e nem fazer as entregas. Então eu trabalhava para ela. O salário não era muita coisa, mas era o suficiente para mim pagar o Alphonse.

- Jeniffer! Você ainda esta trabalhando lá? Eu já disse que não precisa me pagar. – Alphonse disse censurando-me.

- Deixa de bobagem. Eu moro na sua casa e quero lhe pagar pelas despesas. E o Ed também te paga trabalhando como motorista.

- Mas eu também disse pra ele que não precisava.

- Então eu acho que puxei isso dele. – Disse sorrindo enquanto virava e ia em direção à biblioteca.

- Vem logo Alphonse! – Gritou Ed já longe.

- Vocês dois. – Ele resmungou, e depois foi em direção aonde Edward estava. – Já estou indo!

E fui rindo sozinha e silenciosamente até chegar à biblioteca. Ela estava meio vazia, mas isso era bom.

- Bom dia Jen. – Disse a , a bibliotecária.

- Bom dia .

Fui à seção de sempre, e peguei o livro que havia escondido no dia anterior. Mas não precisava ter feito, porque ninguém ia ali nunca. 'Alquimia, ciência avançada' Era o título do livro.

Eu não havia mentido para o Alphonse, apenas omitido. Disse que estava fazendo pesquisas, e estou mesmo. Mas não disse que era sobre alquimia. Eu e Edward estávamos tentando voltar para o nosso mundo, como havia prometido. Ele viajava entre cidade a procura de pessoas, arquivos, alguma coisa que desse alguma pista. E eu passava o dia com a cara enfiada nos livros. Mesmo depois de meses nós não achamos nada. Mas nunca desistíamos. O que foi bom, porque aquele dia ia fazer toda a diferença.

Passei 2 horas na biblioteca e novamente não encontrei nada. Estava na hora de ir para a floricultura da Emma.

- Não vai levar nada hoje Jen? – Perguntou a .

- Hoje não. Tchau Maga.

O dia na floricultura tinha sido parado. Haviam aparecido cinco pessoas e só três compraram flores. Já estava escurecendo quando voltei para casa. Tirei os sapatos e estava indo para meu quarto. Mas na hora em que dei a curva para subir a escada, já havia alguém a descendo. Foi um lindo encontrão.

- Me desculpe – Disse caída no chão, antes de ver quem era.

- Tudo bem Jen. – Era Alphonse.

- Ah, é você. – E começamos a rir da nossa situção. Depois do nosso ataque de risos ele me deu a mão para me ajudar a levantar. Vi o livro que ele estava carregando caído no chão e peguei.

- 'Cozinhando em casa'? Um livro de culinária? – Perguntei.

- Er... Bem... – Ele estava começando a corar. E muito. – Eu resolvi fazer uma coisa diferente para nós comermos hoje. Edward sempre fica reclamando que só compramos comida pronta.

- Umm, comidinha do Alphonse. – Brinquei. – Estou doida pra provar hein. Ele ficou mais corado ainda. Vi que Ervin Penfield era o nome do autor.

- Ervin Penfield? Eu já ouvi esse nome em algum lugar... – Disse meio que para mim mesma.

- Deve ter ouvido sim. Ele é famoso por ter sido um alquimista. Escreveu vários livros sobre alquimia. Mas ninguém sabe por que ele escreveu um único livro de culinária. Então me disseram que era muito bom, e resolvi pegar na biblioteca.

- Esse cara já morreu?

- Ninguém sabe. – Respondeu Alphonse fazendo ar de mistério. – Ele sumiu misteriosamente em pleno dia. Mas ninguém viu. Não se sabe mais nenhuma noticia dele.

- Nossa. Que emocionante e misterioso. Por isso que você sabe a historia desse cara – Ri.

- É. – Admitiu ele. – Bom, vou indo pra cozinha.

- Vai lá. – E continuei meu caminho ao quarto. Logo que cheguei, desabei na cama. Eu estava exausta. Fechei os olhos e tentei cochilar um pouco, mas não consegui. O nome Ervin Penfield ainda estalava em minha cabeça. Ervin Penfield, Ervin Penfield. Aonde eu havia escutado esse nome? E então deu um estalo em minha mente.

- Ervin Penfield! –Pulei da cama que nem um sapo.

- O único homem que havia passado pelo portão durante uma transmutação humana e voltado vivo! Mas é claro! Todo mundo em nosso mundo o conhece! – Berrei o texto decorado. Sabia que já tinha escutado esse nome. Tudo agora fazia sentido. Ouvi a porta da frente batendo, e depois a voz de Edward. Sai do quarto que nem uma maluca e praticamente me joguei da escada.

- EDWARD! EDWARD, CADE VOCÊ? – Berrei mais alto ainda.

- Jen? Pirou? – Ele estava na porta da cozinha.

- Não, mas você que vai pirar quando escutar o que eu tenho para dizer. – O arrastei escada a cima e praticamente o taquei dentro do meu quarto. Tranquei a porta. Mais ninguém podia escutar aquilo.

- Você quer me matar de vez Jen? – Gritou Ed.

- Não. Agora cala a boca e presta atenção. – Ele ia retrucar mais eu o cortei antes que o fizesse. – Quando eu voltei para casa hoje, acabei esbarrando com o Alphonse na escada.

- Po... Legal... – Disse Ed sem emoção.

- Shiu. E então o livro que ele estava carregando caiu no chão. Era um livro de culinária. Eu li o nome do autor, mas na hora não me veio na cabeça quem era. Agora, minha cabeça deu um estalo, e tudo fez sentido.

- Legal, agora me conta.

- O nome do autor era Ervin Penfield. – Disse com minha voz tremendo de emoção. Quando eu disse o nome dele, a cara de Edward não mudou. Precisou de uns 5 minutos até ele assimilar o nome á pessoa.

- NÃO ACREDITO! JEN! NÃO ACREDITO! – Ele berrou.

- Eu sei! Eu também não acreditei. Estava o tempo todo em baixo do nosso nariz!

- Como não pensei nisso antes! Tão óbvio! Tão ridículo! Temos que procurar todos os livros de alquimia que ele escreveu! – Disse Ed.

- Acho que não precisamos procurar nada.

- Você já esta com os livros?

- Não. Mas o Alphonse sim.

- O Alphonse?

- Aham. Eu não disse que o autor daquele livro de culinária era o Ervin Penfield?

- Mas... Ah!

- Sim meu caro. Como eles dizem "Alquimia nasceu da cozinha.". – Edward fez uma cara de iluminado. Era obvio demais. Ervin Penfield já havia morrido de velhice depois de uns meses quando ele retornou ao nosso mundo. Suas ultimas palavras foram 'Atravessei o Portão e voltei. Mas lá deixei um livro para os merecedores. Assim eles poderão retornar. Como eu.".

O único problema, é que não tínhamos todos os livros e dicionários necessários nesse mundo para decifrar o livro, mas íamos conseguir. Tinha certeza. Afinal eu tinha o gênio do Edward comigo. Descemos as escadas correndo e entramos na cozinha.

- O que aconteceu com vocês? Eu ouvi berros lá em cima – Disse Alphonse lavando as mãos.

- Não foi nada. Alphonse, você ainda esta usando o livro? – Perguntei.

- Na verdade, começar a usar agora. Vou fazer um assado. Porque? – Eu e Ed nos entreolhamos.

- Deixa. Mas quando você terminar de usar, me empresta?

- Claro Jen.

- Falou. – E fomos pra sala, deixando Alphonse com o seu assado.

Ed sentou no sofá. Estava com uma cara de satisfeito quando o olhei.

- Ta de bom humor, é? – Perguntei

- Claro. Você queria que eu estivesse de mau?

- Não. É só que é meio estranho.

- O que é estranho?

- Deixar esse lugar. Acho que quando voltarmos vamos sentir falta daqui.

- É claro que vamos. Mas sentimos agora mais falta do nosso mundo, não é? Eu gosto daqui, mas prefiro voltar. Voltar para todos que deixamos lá. – Sorriu Ed. E eu sorri também. Ele estava certo.

- É. Eu também... – Suspirei – Eu também.

Alphonse entrou na sala, e então o assunto sobre alquimia e outros mundos morreu.

- Cadê o seu assado? – Perguntou Ed.

- Ta assando. – Respondeu Alphonse ironicamente. Abafei umas risadas.

- Haha, hilário. – Disse Ed. Senti um aroma de assado vindo da cozinha. Pelo cheiro estava bom.

- Umm, o cheirinho esta bom em Alphonse. – Brinquei. Ficamos conversando por mais uns minutos, até o jantar ficar pronto. O pai e os irmãos de Alphonse apareceram para jantar. Foi uma noite muito divertida.