AMAR É UMA FRAQUEZA ?

Capitulo 2

Desde o primeiro dia aquela garotinha me seguia por todo os lados, eu sabia que tinha que fazer alguma coisa, mas não exatamente o que. Então, fiz a única coisa que pude pensar naquele momento, fugi. Para o único lugar que eu sabia que ela não iria 'Meu quarto' .

Eu não podia suportar a presença dela, aquele olhar tinha algo me queimava por dentro, parecia derreter o gelo que tinha no meu peito, e eu não podia permitir. Eu não queria sentir isso, não queria gostar dela, afinal Amar e uma fraqueza, não podia me permitir ser fraco novamente!

Bem, isso funcionou. Por um tempo eu me senti aliviado por não ter que vê-la o tempo todo, eu quase esqueci sua presença. Mas com o passar dos meses, cansei de ser prisioneiro em minha própria casa. Aquele quarto parecia se tornar menor a cada dia, estranho pois quando minha mãe morreu, passei três anos ali e nunca me senti assim. Mas agora, me sentia sufocado. Então, reuni toda coragem que tinha e resolvi enfrenta-la, afinal não devia ser difícil ignora-la, ou trata-la com ela como os outros.

Fácil não e ? Afinal, eu fazia isso com todos que conhecia porque não com ela ? Bem nem tudo e como pensamos...

Eu voltei a minha antiga rotina, o que não era muito, afinal eu nunca saia da casa. As outras crianças estavam sempre nos jardins e eu não queria me aproximar delas, mas, as vezes eu as observava pela janela da biblioteca, e sem querer isso se tornou um habito. Estava sempre procurando por ela, cheguei a pensar que poderia vê-la brincando com os outros, mas isso não aconteceu. Aparentemente, ela nunca saia da casa também. Estranho, afinal ela era humana como os outros devia estar lá fora brincando, se divertindo.

Depois de quase um mês, me senti tolo por ter passado tanto tempo me escondendo, pois aparentemente ela tinha desaparecido. Me senti decepcionado, por não vê-la mais e... Oi decepcionado ? Não , eu devia me sentir alegre, afinal eu queria me livrar dela. Não e?

Os dias passaram, e voltei a minha vida normal, parei de me preocupar com ela, ao menos foi o que disse a mim mesmo. Mas todas as tardes eu ficava na janela, olhando as crianças brincando, procurando.

Bem, esse parecia ser apenas mais um dia normal, cheguei da escola e depois de colocar as coisas no meu quarto, desci para a biblioteca para fazer meu dever de casa como sempre. Quando terminei, virei a cadeira para a janela, e como sempre fiquei observando as crianças lá fora. Sem perceber o mesmo pensamento voltou a minha cabeça, não conseguia entender Onde diabos ela esta ? me assustei com o som da minha voz, acho que pensei em voz alta dessa vez. Mas e dai, não tem ninguém aqui mesmo. Mas, meu susto foi maior quando ouvi alguém me respondeu.

- Quem você esta procurando ? - essa voz, eu conheço essa voz. Espere, eu conheço esse cheiro, antes mesmo de girar a cadeira eu sabia quem era. Olhei para a garotinha parada na porta da biblioteca, irritado. Não sabia exatamente com quem. Se com ela por estar ali ou com aquela pequena parte de mim que tinha ficado feliz por vê-la. Eu não devia ficar feliz por vê-la!

- O que diabos você esta fazendo aqui, pirralha ? Bisbilhotando ? - Perguntei de modo brusco, ignorando a pergunta dela, eu não podia responder que estava procurando por ela, nao e ? Apenas olhei naqueles olhos azuis, estreitei os olhos esperando uma resposta.

Ela não pareceu se importar com isso, na verdade ela nem piscou, apenas se aproximou da minha cadeira dizendo.

- Minha mãe sempre diz que não se deve responder uma pergunta com outra, só pessoas sem educação fazem isso. ela parou ma minha frente.

- Eu não tenho que responder suas perguntas, bruxa. Ao contrario de você, sou o dono da casa ! eu disse, enquanto a encarava

- Um dos, você quer dizer. - ela disse sem desviar os olhos dos meus. Garota irritante, por que não sai correndo assustada como os outros ? Fechei os olhos antes de desvia-los, era difícil olhar dentro daqueles olhos azuis. E inútil me esforçar, já que ela parecia não se importar com isso.

- Você não acha que esta sendo um pouco desrespeitosa com um dos patrões, bruxa ? - escutei um riso abafado, e não pude evitar de olhar para ela, meus olhos arregalados - Do que esta rindo, BAKA ? - estreitei os olhos novamente, ela não podia estar rindo de mim.

- De Você ! - ela disse e não conseguiu mais se controlar, explodiu em uma gargalhada. Eu simplesmente fiquei ali, em choque! Não podia acreditar, e claro que já fui alvo do riso dos outros, mas já fazia muito tempo desde a ultima vez. Ha anos que eu só via os outros tremerem por minha causa, eles tinham medo de mim, e era isso o que eu queria ! Mas antes que eu pudesse pensar em algo para dizer , ela parou de rir e falou - Não fique bravo, foi engraçado você se corrigir, Gomen! Não vou fazer de novo ! - o rosto dela se tornou serio, antes que ela continuasse. - Parece que você não vai responder minha pergunta, então eu vou responder a sua. Eu não estava bisbilhotando, acabei de voltar da escola e tenho que fazer a lição, seu irmão disse que eu podia fazer aqui já que nunca tem ninguém. Quando abri a porta escutei você falando, pensei que era comigo por isso perguntei.

- Certo, Vamos fingir que você não estava bisbilhotando, bruxa - por isso eu não percebi o cheiro dela antes, ela não tinha entrado, era bom saber que meus instintos não estavam falhando. Mas, por outro lado, não podia admitir um erro, não podia dar outro motivo para ela rir de mim. - Você vai ter que voltar depois, garota. Como pode ver, EU estou aqui agora ! E não quer... - parei de falar quando a ouvi ela dizer alguma coisa - Como e ?

- Kagome, eu disse que meu nome e Kagome. - Eu olhei confuso, e ela continuou - Estou lhe dizendo meu nome, porque aparentemente você não sabe, pois não para de me chamar bruxa, garota ou pirralha .

- Eu sei qual e o seu nome, mas posso chama-la do que quiser.

- Certo, mas não espere que eu atenda ! - ela disse, parecendo irritada, andando pela biblioteca. - E por que não posso ficar aqui ? E bem grande e... eu não deixei que ela terminasse de falar

- Por que não quero você aqui , bruxa ! - fiz questão de enfatizar a ultima palavra para provar que podia chama-la do modo que quisesse, ela estreitou os olhos, antes de ignorar o que eu tinha acabado de falar e continuou.

- Tenho certeza que podemos dar um jeito de...

- Você e surda, pirralha ? Eu disse que não quero você aqui ! - ela respirou fundo, antes de olhar pra mim, os olhos parecendo queimar com raiva.

- Vou explicar de novo, caso você não tenha entendido. - eu abri a boca para falar mas ela levantou a mão para me impedir de continuar. - Ouça! Eu lhe disse meu nome, não quero que fique me chamando por nomes. Eu disse que ia ignora-lo se me chamasse assim novamente !

- E eu disse que chamaria você como quisesse! - me encostei na cadeira e cruzei os braços no peito olhando para ela, antes de continuar - Não me importa o que você quer! - girei a cadeira, ficando de costas, antes que ela tivesse uma chance de responder, escutei ela bufando e passos. Ótimo, agora ela vai emb... , espere os passos estão se aproximando e não se afastando! De repente , ela estava parada ao meu lado, os olhos brilhando com raiva.

- Escute aqui, seu teimoso sem educação ! Nunca te ensinaram que não deve tratar os outros assim ? Principalmente garotas! - eu estava chocado demais para responder Ninguém nunca falou comigo assim antes ,ela deu mais um passo em minha direção e continuou. - Bem, pois eu estou dizendo, baka! Juro, que da próxima vez que me chamar de alguma coisa que não seja meu nome, eu acerto você! - Apesar do choque, não pude deixar de sorrir com a ultima frase. Isso pareceu deixa-la mais irritada e ela começou a gritar - NÃO.DUVIDE.DE.MIM - ela deu mais uma passo para perto de mim, e não pude evitar de ficar assustado - NUNCA DUVIDE DE MIM! - ela terminou de falar e me acertou no estômago com um soco, que foi bem forte para uma garotinha humana, depois saiu da biblioteca pisando duro.

Não tive reação, estava sem ar. Não pela pancada, mas pelo que ela tinha acabado de acontecer ! Ninguém nunca me bateu antes !

N.A. - E ai ? O que acharam , bom, ruim ? espero que me digam.

Arigato ao pessoal que me mandou reviews.

Beijos, ja ne.