CAPITULO DOIS
O loiro não saiu de seu quarto até Katie chegar. Jared fez o mesmo: Durante o resto da tarde, ficou trancado em seu ateliê.
Durante o jantar especial que Genevieve preparou, a mando da patroa, para Jensen, ele e Jared jantavam e conversavam animadamente com Katie que parecia não perceber os olhares do marido para o irmão.
Jared buscava nos gestos e nas palavras de Jensen alguma pista de que talvez o loiro voltara por ele, para ele. Vez ou outra o olhava nos olhos, buscando neles uma resposta que não veio.
Ao fim do jantar, Katie sugeriu que todos, inclusive Genevieve, assistissem um filme. Jensen relutou mas acabou aceitando o convite. Jared e Katie num pequeno canto sofá, Genevieve no outro e Jensen numa confortável poltrona.
Katie e Genevieve estavam antentas ao filme e Jared... bom, Jared estava atento a Jensen que parecia assistir o filme, mas estava com a cabeça em outro lugar.
Em meio ao filme, a loira começa com carinhos discretos em Padalecki, que logo passaram para beijos demorados, deixando Jensen desconfortável por estar alí.
O loiro deu uma desculpa qualquer e subiu para o seu quarto.
Definitivamente, essa foi a pior ideia de todas.
J2
Quase uma semana se passou desde a chegada de Jensen. Ele evitava Jared quase que o tempo inteiro, mas o moreno não desistia. Para ele, Jensen ainda o amava.
Naquela tarde, Jensen estava no seu quarto mexendo em seu computador. Estava deitado na cama com uma camiseta preta apertada, uma calça jeans surrada e descalço. Realmente parecia relaxado.
- Pode entrar, está aberta. – o loiro disse, referindo-se a porta, após ouvir as batidas delicadas de Genevieve.
- Desculpe incomodar, senhor Ackles. – a morena abriu a porta e parou na entrada do quarto. – O Jared pediu para que chamasse. Ele terminou um quadro e gostaria que o senhor fosse ver. – ela sorriu, timidamente.
- Ah... – Jensen não sabia o que dizer. Queria ir, mas algo nele diria que não era uma boa ideia. E de ideias ruins, o loiro já estava cheio. – N-Não posso ir agora, Gen. – Ele continuou. Conversava bastante com Genevieve quando ela estava sem serviço e já se acostumara a chamá-la pelo apelido, como ela fez questão.
- Ele disse que o senhor diria isso. – Ela sorriu mais aberto. – Disse que devo insistir e pra dizer que ficará ofendido se não for.
- Então...
- Assim aproveito e arrumo seu quarto. Quando o senhor disse que costumava deixar as coisas jogadas por aí, não pensei que fosse tanto. – Ela riu discretamente, referindo-se a uma das conversas com o irmão da patroa.
- Ok. – Jensen deu um sorriso e fez um aceno positivo com a cabeça.
Fechou a tampa do computador, levantou-se da cama e deixou Genevieve com seus afazeres, rumando o ateliê de Jared. Deu duas batidas na porta e entrou. Jared não estava lá e não havia nenhum quadro terminado que Jensen não tivesse reparado anteriormente.
O loiro se perguntou onde Jared estaria, porque não estava lá e o que ele queria de fato, já que não havia nenhum quadro para apresentar a ele. A resposta que Jensen imaginou para a última pergunta fez o loiro tremer da cabeça aos pés.
Não demorou muito para que Jared entrasse no ateliê e fechasse a porta atrás de sí, Jensen olhou um pouco assustado.
- O que... – Antes que o loiro pudesse terminar a frase, Jared o agarrou pela cintura e lhe roubou um beijo. A língua de Jared explorava cada canto da boca do loiro que tentava, em vão, soltar-se dos braços fortes do cunhado mas ainda sim dava passagem para a língua travessa dele.
Jared encostou o loiro na parede, o prensando fortemente contra ela. A essa altura Jensen já havia desistido de lutar contra Jared e contra uma parte de sí mesmo.
Ao perceber que o loiro já estava entregue, o Padalecki finalizou calmamente o beijo, encostando sua testa na de seu cunhado, o olhando nos olhos com um sorriso no rosto.
- Jay... – Jensen fechou os olhos gemeu, ainda recuperando o fôlego.
- Como eu senti falta... – Jared também fechou os olhos tentando evitar que eles ficassem chorosos. – Como eu senti falta de você. Como eu senti falta dos seus lábios, da sua pele, dos seus olhos, da sua voz... Como eu senti falta de ouvir você me chamar de 'Jay'... Meu amor, eu senti tanto sua falta...
Ouvir as últimas palavras do marido de sua irmã o fizeram Jensen 'despertar'. Colocou as mãos nos ombros do cunhado e o empurrou sem muita força, apenas para se soltar dos braços do moreno. Jared lhe deu passagem e observou enquanto o loiro andava vagarosamente até a porta. Seus olhos estavam cheios de lágrimas, mas o moreno não pôde ver.
O loiro parou diante da porta e levou umas das mãos ao rosto, sem conseguir conter o choro baixo.
- Eu... – Jared ficou sem ação quando percebeu que o loiro chorava. – Jensen... Eu disse algo... errado? – o tom de voz do moreno indicava preocupação.
- Você fez. – Jensen respondeu, choroso. – Você fez tudo errado, Jared. – ele virou-se para o cunhado. – O que pensa que está fazendo, Jared? Porque está fazendo isso?
- O que? D-Do que... Do que está falando, Jensen? - Jared realmente não entendia. A alguns segundos Jensen estava toltamente entregue á ele, não podia acreditar que havia se arrependido. – Eu realmente senti saudades de você.
- Mas a escolha foi sua. – Jensen respondeu sério, tentando controlar as lágrimas que ainda insistiam em cair. – Eu era completamente seu, Jared. Eu te amava e tudo que te pedi foi que parassemos de nos esconder, mas você tinha vergonha. – Jensen enchugou o rosto com as costas das mãos, estava ficando exaltado. – E o que você fez? Você foi lá e pediu...
- Jensen, eu ... – Jared tentou se explicar.
- VOCÊ PEDIU A MINHA IRMÃ EM CASAMENTO! – Jensen o interrompeu, gritando. Seu rosto estava vermelho e molhado devido ao choro. – Você pediu a minha irmã em casamento e queria que eu fosse seu amante! – Jensen continuou, com a voz elevada.
- Isso nunca foi problema pra você quando eu namorava com ela! – Jared rebateu com a voz elevada também.
- Acontece que... – Jensen falou baixo e agora encarava seus pés. – Acontece que você havia prometido, Jay. Você disse que ficariamos juntos e que Katie era passageira. Você me jurou que só... estava com Katie pra despistar seus pais. E era mentira!
- Jensen, eu não... Eu não podia! Não naquela época, o que meus pais iriam pensar?
- Seus pais? Vai usá-los como pretexto? – O loiro voltou a encará-lo. – Você não queria admitir para sí mesmo que amava um homem, Jay.
O moreno não respondeu. No fundo, ele sabia que parte daquilo era verdade. Ele não podia, não queria acreditar que era gay. Mas ele era apenas um adolescente confuso. Abriu a boca como se fosse falar e pensou em uma boa resposta para dar ao loiro, mas ainda não tinha nada pra dizer. O que ele fez não era justo com o loiro, de fato.
- Nunca mais toque em mim. – Foi a última coisa que Jensen disse, antes de dar as costas e abrir a porta, saindo apressado rumo ao seu quarto.
Jared desabou em um dos banquinhos que costumava usar para sentar enquanto pintava. Apoiou os cotovelos nos joelhos e colocou as mãos na cabeça. – O que eu fiz com a minha vida? – o moreno perguntou a sí mesmo.
O clima estava bem quente para uma noite de inverno. Jensen estava no seu quarto, vestido impecavelmente. Calça jeans preta com cinto e sapatos da mesma cor, uma camiseta vermelha com uma estampa chamativa e uma jaqueta de couro também preta. Estava esperando Jared, aquele dia eles fariam dois anos de namoro secreto.
Olhou pela janela e viu um fusca cor de aborora que Jared havia ganhado dos avós estacionado. Desceu pela janela estrategicamente como sempre fazia e correu até o carro do moreno que acelerou assim que seu amado entrou e sentou no banco ao seu lado, colocando o cinto de segurança.
- Onde vai me levar? – Ele estava curioso.
- Um lugar especial. – Jared o olhou e sorriu. Jensen deu-lhe um selinho rápido.
Enquanto Jared dirigia, Jensen lhe contava como fora a semana. O moreno havia viajado para a casa dos tios em São Francisco e eles não haviam se visto durante os últimos dias. Após alguns minutos, Jared estacionou e eles desceram num restaurante muito conhecido em Dallas e muito especial para o casal. Se conheceram alí.
- Jay... Eu não acredito! – Jensen deu um largo sorriso.
- Vamos lá. – Jared estava monossilábo aquele dia, o que deixou Jensen um pouco irritado. Mas o loiro esqueceu completamente a irritação diante da surpresa. A quase um ano não iam mais ao tal restaurante.
Depois de fazerem seus pedidos e de comerem enquanto Jensen contava mais sobre sua semana, Jared parou o que fazia e o encarou sério.
- Jen... Preciso te contar algo.
- O que foi? – Jensen estava assustado. Pensamentos nada alegres começaram a invadir sua mente. A viagem de Jared e seu comportamento aquela noite só podiam indicar...
- Pra começar, quero que você saiba que eu te amo. E não é pouco, Jen. – Jared estava um pouco nervoso. – Nunca conheci alguém como você, alguém...
- Jared Tristan Padalecki! Pare de enrolar e diga de uma vez. – Jensen interrompeu. Aquele discurso era típico de quem iria terminar o relacionamento e, se Jared fosse fazer isso, o loiro queria que ele o fizesse de vez.
- Ei... – Jared não entendeu o nervosismo do namorado.
- O que foi? Me trouxe aqui no nosso restaurante para terminar comigo? É isso?- Dean não se segurou.
- Jen... – Jared riu. – Jensen, não. – No mesmo momento, o moreno tirou do bolso uma caixinha e abriu, mostrando um par de alianças de ouro brilhante. – Eu comprei isto para nós, Jen. Quero... Quero que todo mundo saiba que você é meu.
Jensen ficou completamente envergonhado pelos pensamentos que tivera. Jared discretamente pegou sua mão e colocou a aliança no devido dedo. Jensen fez o mesmo com ele.
- Eu te amo. – Ele sussurou e soltou a mão do namorado. Haviam se sentado numa mesa escondida, mas ele não queria arriscar.
Já era tarde da noite e Katie já havia chegado em casa, estava dormindo na cama do casal. Jared estava na varanda do quarto com as roupas de dormir lembrando-se deste momento, com um sorriso triste e lágrimas escorrendo pelo seu rosto. Em uma de suas mãos ele segurava duas alianças, a sua e a do seu amado.
- Eu vou ter você de volta. – Ele disse, decidido. Falava mais pra sí mesmo do que para o loiro. – Você sempre foi e sempre será meu, Jensen.
O moreno resolveu que queria dizer aquilo para o próprio Jensen. Saiu do quarto sem acordar a esposa e foi ao quarto do loiro, mas esitou em bater na porta.
- Boa noite, senhor. – Jared assustou-se ao ouvir a voz doce de Genevieve.
- B-Boa No-Noite, Gene. - Ele respondeu se perguntando porque Genevieve estava acordada ainda aquela hora.
A morena estava pronta pra dormir, parecia ter vindo do andar de baixo. Ela deu um sorriso em resposta e continuou. – Se está procurando por seu cunhado, ele saiu já faz uma hora, senhor.
Jared realmente ficou surpreso. – Saiu? – Perguntou, curioso. Onde Jensen estaria até uma hora daquelas? – Para onde ele foi, Gene? Você sabe?
- Bom, senhor... Não quero ser indiscreta com seu cunhado. – Ela parecia insegura quanto a contar. Se Jared não sabia, obviamente era porque Jensen não quis contar.
- Não será, Gene. Ele não vai saber que você me contou nada. Garanto. – Jared respondeu. – Ele é... meu... cunhado... Eu me preocupo, sabe?
- Ok, senhor. – Ela sorriu. Jared havia conseguido convecê-la sem muito insistir, até.
- Já lhe disse que fora do expediente você pode me chamar apenas de Jared. – Ele sorriu mais aliviado ao saber que a morena contaria.
- Hm... Ok, Jared. – Ela sorriu mais aberto. – Eu converso muito com o Jensen, sabe? Ele me disse que seu casamento não ia bem. – Jared parecia realmente estar interessado, a julgar pela suas feições curiosas. – Mas ele ainda não sabe se quer se separar da esposa, entende? Mas mesmo assim ele disse quer conhecer gente nova.
As duas últimas palavras de Genevieve fizeram o moreno tremer da cabeça aos pés.
- Ele me disse que iria á um bar hoje... – Ela continuou, estranhando o fato de Jared ter ficado desconfortável. – Pra conhecer algumas moças ou uns caras... Me chamou... pra ir com ele. – Jared percebeu que Genevieve sorriu mais aberto ao dizer a última pra frase. Ela estava interessada no seu Jensen? Não podia ser. – Mas eu disse que não. Tenho que levantar cedo amanhã para deixar a mesa pronta para a sua esposa... né!? – Ela completou.
- Onde fica... esse bar? – Jared perguntou. Estava nervoso. Como se já não bastasse todos esses anos que o moreno se torturara imaginando seu Jensen nos braços de Rachel – com quem Jared parecia realmente não se dar – agora ainda teria que competir com outros?
Genevieve a muito contra gosto e curiosidade deu o endereço a Jared que saiu praticamente correndo atrás do cunhado. – Se Katie acordar e perguntar por mim... - Jared não precisou completar, a morena respondeu com um aceno positivo com a cabeça, indicando que sabia o que fazer.
Jared estacionou e desceu do carro com muita pressa. Queria entrar lá e puxar Jensen pelos cabelos e levá-lo para casa, dizendo a quem estivesse com o loiro que pertencia a ele, mesmo que não quisesse. Mas sabia que iria ter que ir com calma, não era dessa forma que o pintor iria reconquistar seu amado.
Jared entrou no bar olhando para todas as mesas procurando pelo seu loiro, até que o viu sentado num banco em frente ao balcão, conversando animadamente e muito próximo de um moreno de olhos azuis. Próximo demais. Jared começou a andar em direção aos dois. Fechou as mãos pronto para socar alguém quando viu o moreno pousar a mão sobre a de seu Jensen
