Capítulo 1 – Filhos do Destino
O mundo de Teos estava dividido. A guerra assolava as fronteiras das terras das duas grandes facções. Elfos e humanos guardados pelo Amor da Deusa da Luz. Vails e nordeins impulsionados pelo Ódio da Deusa da Fúria.
Em uma noite, sem muito de especial, dois irmãos, filhos da própria Deusa da Fúria, nasceram. Logo quando nasceu, o primeiro apresentou traços mágicos, e isso muito orgulhou a Deusa. "Querido filho, tu serás grande e poderoso, minha imagem e semelhança. Será chamado Bolt". O segundo, quando nasceu, não chorou, nem demonstrou nenhuma reação. Expressões Frias. A Deusa não o viu como filho, mas o adotou como um poderoso soldado. "Está aqui um que vai me ser útil! Será chamado Spark".
Conforme envelheciam iam descobrindo afinidade para o combate. Ainda criança, Bolt iniciou um árduo treinamento em magia, e, logo no início, já mostrava talentos assombrosos, até mesmo para os Pagãos mais poderosos. Ele possuía cabelos lisos cor de esmeralda, sempre penteados e trançados, e profundos olhos azuis escuros que lhe davam um ar de sempre enxergar a alma das pessoas. O segundo desenvolveu certo prazer em causar dor a qualquer criatura viva, tomou gosto por derramamento de sangue, e logo quando criança já era mais furtivo e letal que muitos guerreiros antigos em Teos. Logo foi iniciado como Assassino, e seu desenvolvimento era surpreendente. Spark, por sua vez, tinha um rosto anguloso, cabelos lisos e desgrenhados cor e gelo, o qual sempre deixava solto e por sobre o rosto, escondendo parte de suas feições, seus olhos verdes contrastavam com a pele escurecida. Eram opostos, feito dia e noite... O mais velho crescia sábio e inteligente, poderoso e influente. O mais novo, sempre arrogante e orgulhoso, se tornava cada vez mais mortífero e inabalável. Irmãos gêmeos. Opostos. Inseparáveis. As fraquezas de um eram os fortes do outro. Lutavam juntos, sangravam juntos, matavam juntos. Formavam uma dupla implacável. E a cada dia que passava eles se tornavam mais poderosos e mais conhecidos. Seus nomes já eram falados pelas grandes cidades.
Quando seus treinamentos estavam próximos do fim, os dois conheceram um Oráculo que também estava terminando seus treinamentos de cura e encantamentos, chamado Walt. Como teste final de graduação receberam uma prova que nenhum deles esperava. Precisariam, os três, ir até o fundo das Ruínas Amaldiçoadas de Argilla, uma antiga fortificação élfica, que agora era dominada por mortos-vivos e espíritos sedentos por vingança. O filho mais velho, sempre inteligente, imaginou logo que não seria um desafio qualquer... Mas o filho mais novo vibrava e sorria, insano, pela possibilidade de enfrentar um adversário de força inimaginável. Então partiram em sua jornada. Esta seria a primeira incursão dos três às Ruínas, estavam apreensivos sobre o que encontrariam pelo caminho. Assim que entraram, espíritos e fantasmas, zumbis e esqueletos vivos os atacaram, seu entrosamento era perfeito, seus ataques implacáveis, exterminaram tudo e todos a sua volta. Quanto mais penetravam àquele inferno, mais confiantes ficavam. Estavam tão confiantes que não notaram as vibrações no chão, o cheiro de podridão ou os ruídos de uma respiração rascante que enchia o ar. Invadiram uma sala ampla sem se preocupar com o que encontrariam...
Mas o que encontraram foi demais para eles... Um Cavaleiro morto-vivo, de pelo menos 5 metros de altura... Cada passo dele fazia a terra tremer. Seu escudo era maior que um homem, sua espada era mais larga que um javali. Naquele momento, um sentimento nunca antes visto em Spark transpassou seu rosto. Não medo... Mas um sentimento de prepotência e dúvida. Vendo a força monstruosa de seu inimigo ele não conseguia mais enxergar a própria.
Tudo o que pensava era "Existem forças mais avassaladoras que eu imaginava... Como lutar contra uma besta destas?".
Mas então um grito longe lhe trouxe de volta a si. A criatura havia começado uma investida contra os três, e eles precisavam agir. Pensando rápido, Bolt invocou raízes do solo e prendeu o monstro ao chão e antes da primeira magia acabar ele já conjurava mais duas. Com a criatura presa, Spark atacou, ágil e esquivo como um coiote, transpassou as defesas do monstro por baixo do escudo, rolou por baixo de suas pernas e saltou no ar. Sua lâmina acertou a criatura pelas costas e atravessou um ponto onde sua armadura não o protegia, que apenas o jovem assassino havia notado. A ponta da lâmina saltou pelo peito do monstro. Um golpe fatal para qualquer ser vivo. Mas o Cavaleiro não era um ser vivo. Por dentro daquele monstro não existiam órgãos ou sangue. Apenas carne podre e ossos duros. Mas o golpe serviu para uma coisa... Deixou o Cavaleiro furioso, e com toda sua força avassaladora, rompeu as raízes e tentou agarrar Spark. Conjurando o mais rápido que seu conhecimento em magia proporcionava, Bolt lançou uma bola de fogo do tamanho de uma melancia que atingiu o morto-vivo em cheio no rosto. Ele desequilibrou. Antes de recuperar sua posição, um raio que surgiu de algum ponto no teto atingiu o peito do monstro e o derrubou ao chão. Preciso como sempre, Spark soltou sua adaga e pulou para o lado no exato segundo que o monstro gigante caía sobre o local onde estava. Muita poeira se levantou, e a visibilidade se tornou difícil.
Spark ainda estava abaixado tentando ver onde o gigante caíra quando um enorme braço o agarrou antes que este pudesse se esquivar. A pressão imposta pela mão imensa do monstro foi demais para o corpo frágil do vail. Spark sentiu suas costelas se partirem. A dor atravessou seu peito como uma adaga congelada. Ainda assim se manteve frio... Inabalável. A criatura o arremessou e ele colidiu com a parede 15 metros à frente. O jovem oráculo correu em auxílio enquanto Bolt dava cobertura, conjurando de uma só vez todos os feitiços que sua energia lhe permitia, mas ainda assim a criatura se levantava. Walt curava os ferimentos de Spark, mas a arte da cura era trabalhosa e demorada, e ele ainda não tinha terminado seus treinamentos... A energia de Bolt estava chegando ao fim... Tudo dependia de uma última magia... Concentrou todos os seus esforços para gerar uma bola de fogo e lançou. Ela explodiu no peito da criatura. Fumaça e clarão bloquearam a visão de todos na sala... Aos poucos a visibilidade foi melhorando. O choque que se seguiu congelou o sangue de Bolt. A criatura continuava de pé. Spark ainda estava caído, Bolt não tinha energia, ofegava, se manter em pé era difícil...
Só um pensamento imperava naquela situação "Chegou o fim.".
Mas a Deusa ouviu o lamento de seus filhos e veio em auxílio. Sua presença encheu Spark de vitalidade e Bolt de energia. Cada magia lançada pelo jovem pagão não tinha peso sobre seu corpo, e a dor havia sumido de Spark. Rindo de como a situação havia mudado, Spark se voltou para o gigante morto-vivo e disse:
- A sorte agora está do nosso lado, grandão. Você cairá, e todos nestas terras saberão que foi a minha lâmina que causou sua queda!
Então, aproveitando a distração do inimigo que partia enfurecido contra Spark, Bolt lançou uma bola de fogo nas costas do Cavaleiro. O impacto fez com que a lâmina de Spark, que ainda estava presa ao peito da criatura, fosse arremessada para frente. Rápido e preciso como nunca, Spark saltou, agarrou sua lâmina em pleno ar, e com um giro suave, fez a lâmina descer em direção ao pescoço apodrecido do gigante. O barulho seco que a enorme cabeça fez ao bater no chão sem um corpo foi assustador, até ultrajante. Até os mais corajosos em Teos teriam se acovardado diante da cena. Mas não Spark. Ele sentou sobre o corpo mutilado do Cavaleiro, cansado e ofegante, mas com um sorriso de prazer que superava todas as outras coisas boas do mundo. Bolt também estava feliz. Após tantos anos junto do irmão, havia se acostumado com seu prazer por sangue e morte. Mas Bolt já estava com o pensamento nos próximos passos. Sem hesitar correu até o corpo do Cavaleiro e começou a revirar sua armadura.
"Tem que haver algo de valor aqui!", pensou Bolt franzindo o cenho apalpando uma bolsa de couro presa à cintura do monstro.
Depois de algum esforço, conseguiu juntar uma pequena bolsa com ouro, o suficiente para dividirem os três e ficarem despreocupados por algum tempo. Encontrou também uma adaga brilhante, polida e curva, mas não deu interesse. Os dois irmãos estavam em êxtase por suas conquistas naquele dia. Passariam no treinamento, o mais velho conseguiu ouro e itens, com os quais conseguiria ficar rico, e o mais novo havia decapitado o inimigo mais poderoso do qual se tinha ouvido falar. Mas Walt ainda estava apavorado com o comportamento sádico e com o horror da batalha. Seu espírito não era o mesmo que havia entrado na Ruína. Seu olhar era perdido, sua expressão era vazia. Mas a bênção que sua mãe lhes havia concedido estava acabando. Os efeitos da batalha começaram a serem sentidos. A mente de Bolt falhou, e ele caiu inconsciente. De repente olhou em volta, estava parado no escuro, um círculo de luz o iluminava. Não sentia dor, nem cansaço, nem frio e nem fome. E então ouviu uma voz, a voz mais bela e doce que jamais imaginou ouvir.
- Meu filho, você me deu orgulho hoje. Sabia desde o dia em que nasceu que você teria sangue mágico. No calor da batalha, encontrou força para salvar seus companheiros. Provou ser digno das habilidades que lhe concedi. Preciso que faça algo por mim.
- Peça mãe, e se estiver a meu alcance, realizarei. – disse Bolt.
- Esta guerra precisa acabar. As forças da Luz crescem a cada dia, e as nossas só diminuem. Soldados como seu irmão são armas poderosíssimas, mas sua personalidade não o deixa diferenciar amigo de inimigo uma vez que entra em seu caminho, e a arrogância cresce em nosso meio. Você precisa unir os vail e os nordein sob uma única voz. Seja essa voz. Você criará um grupo, um esquadrão. Dei-lhe a inteligência e o discernimento para realizar esta tarefa. Você é influente para com todas as pessoas. Conquiste-os. Só assim poderemos mandar a escória da Luz de volta para o lugar de onde veio.
Ele começou a sentir frio e dor. Abriu seus olhos e viu que Walt estava do seu lado conjurando feitiços de cura. Seu irmão estava em pé mais adiante, olhando para frente irredutivelmente, como se nada tivesse acontecido. Bolt sabia que ele sentia mais dor, mas ainda assim, suas expressões eram frias, duras e indiferentes. Levantou com dificuldade e se apoiou em Walt, e juntos foram se encaminhando para a saída. Spark estava tão orgulhoso que sozinho ia abrindo caminho por entre os inimigos restantes. Até aqueles que tentavam fugir dele eram perseguidos e exterminados. Não porque ameaçava a vida do grupo, mas simplesmente porque ele não deixava inimigos vivos. Nunca. O ar puro invadiu seus pulmões quando saíram da Ruína e rapidamente se encaminharam para encontrar os mestres de seus treinamentos. Em todos os três casos, a surpresa dos veteranos foi incabível. Esta missão dada aos calouros era apenas para forçá-los a entender que existiam forças no mundo das quais eles não podiam nem imaginar. Nenhum outro calouro em treinamento tinha sido capaz de derrotar o enorme Cavaleiro até então.
Seus nomes já eram conhecidos na capital da região, a enorme Gliter. Pessoas davam 'Bom dia' e 'Boa noite' calorosos quando os viam. Já havia passado uma semana desde sua aventura nas Ruínas, e Bolt ainda não conseguia entender o pedido de sua mãe. Não sabia nem se tinha sido real. Um dia, chegando a Gliter, presenciou o final de uma disputa envolvendo seu irmão e um enorme nordein, cujo machado era do tamanho da envergadura de Spark. Tudo aconteceu rápido demais. O guerreiro brandiu o machado e golpeou em direção ao chão. Spark esquivou, saltou para o lado e paralisou o oponente com um chute no abdômen. O guerreiro perdeu o ar e se encolheu. Spark subiu em suas costas, e com um golpe único, fincou sua lâmina na nuca do adversário. Bolt percebeu que aquela já era uma de muitas lutas, pois havia muitas marcas de sangue por Gliter, e uma quantidade enorme de pessoas parava para assistir o pequeno assassino recém-formado que aniquilava os oponentes, fossem quantos fossem, em treinamento ou veteranos de guerra. Ao ver aquilo, a visão de sua Mãe veio clara como lua cheia em noite sem nuvens. "Isso precisa acabar!" pensou ele. Então, entrou no meio do circulo de soldados e gritou.
- Já chega! Estão se comportando como animais! Somos aliados... Nossos verdadeiros inimigos estão batendo a nossa porta, e vocês brigando como cães raivosos!
Houve um breve período de silêncio, e então, todos em volta começaram a rir. E as risadas se intensificavam. E com elas, a zombaria. Spark, mesmo rindo e sem entender o que seu irmão queria, elevou a voz e gritou.
- Comportem-se como homens que são! Ouçam o que meu irmão diz! Devíamos parar de lutar, matar nossa própria raça e focar em destruir aqueles que invadem nossas terras. Por hoje chega!
Quando Spark se calou, ninguém mais ria. Todos estavam de cabeça baixa, nenhum havia prestado atenção às palavras em si, mas ao soldado que as falava. Naquele instante Bolt percebeu um diferencial que nem mesmo sua Mãe havia previsto "Poucos são os que respeitam conhecimento e sabedoria entre nossa raça... A maioria são soldados, brutos e violentos... Eles não me respeitariam como líder. Só seguirão um verdadeiro soldado." Com isso em mente, Bolt chamou seu irmão, foram juntos até um lugar onde poderiam conversar sem serem interrompidos, respirou fundo e encarou seu irmão. Spark, impaciente e arrogante como sempre, iniciou a conversa.
- Do que se trata isso irmão? É porque eu ri do que aconteceu agora a pouco? Perdão, mas você precisa entender que aquilo foi realmente imprudente da sua parte, e poderia ter acabado em sérios problemas. E foi engraçado ver você se dirigir a todos aqueles guerreiros cruéis e sanguinários como se eles fossem apenas filhotinhos de leopardo.
Bolt interrompeu a grande gargalhada de seu irmão. Seu rosto era sério e Spark percebeu que a situação era mais grave do que imaginava. Então Bolt falou...
- Precisamos criar um grupo... Feito de pessoas como nós.
Notinha:
E aiii galera! Tudo tranquilo? Aqui é o Rasemifrag (ou Igor se preferirem... Acho q eu prefiro Rase mesmo! Enfim, foco!) Gostaram até aqui?
Um monte de nomes estranhos né? Vails, nordeins... E pq os magos chamam "pagãos" e os curandeiros chamam "oráculos"? kkkk então, não sei dizer kkkkkkk pra ficar bonito na estética, sei lá kkkkkkk
A cada 5 capítulos eu posto uma nota esclarecendo todo esse tipo de nomenclatura q apareceu nos capítulos anteriores. Ahh, tmb responderei algumas duvidas que surgirem de vcs (e minhas tmb, acontece... As vezes vou relendo, entro no meu personagem favorito e penso "será q ele vai mesmo ser capaz daquilo? Ele é tão idiota!" e isso me castiga... Ahh FOCO!)
Enfim galera, espero de verdade que vocês curtam. Um agradecimento muito especial para a Fkake e a Ladie que tem me dado dicas muito bacanas para organizar esse conto de modo lindamente bonito (tipo eu!).
Ahh galera, pra quem gostou muuito do prólogo, queria dizer q ele não é de autoria inteiramente minha rsrs eu só fiz as adaptações e mudanças necessárias para se encaixar na poética do conto. Na verdade, esse prólogo é a história inicial do jogo, quando vc vai criar sua conta =] só q modifiquei em alguns pedaços pra ficar mais bonitinha kkkk
Enfim galera, não sou maluco! Até a próxima Notinha, daqui a 5 capítulos! (Ou talvez eu apareça antes, sou desses!)
