Década de 1900, Março.
Música: Ours-Taylor Swift
Botões de elevador e ar da manhã
O silêncio dos estranhos me faz querer ir pelas escadas
Se você estivesse aqui nós riríamos dos olhares vagos deles
Mas agora meu tempo é deles
Querido Diário, hoje nós fizemos uma longa viagem da França ate a Áustria. Dentro da carruagem, estava eu, tia Hilda e Oscar. Oscar passou parte da viajem concentrado na leitura de um livro e tia Hilda me contava como iam às coisas na família, enquanto eu contava sobre minhas ultimas viagens. Tia Hilda dissera que o tio Herman continuava preso devido a tudo que tinha feito contra a família e ao ter tentado me matar. Mamãe e meu padrasto Albert continuavam bem e felizes morando em sua mansão, perto da mansão do meu avô, Duque Preminger e o vovô continuava impossível e rigoroso.
Nadja-E... A senhora tem noticias do Sr. Francis Harcourt ou do Rosa Negra?
Foi difícil fazer essa pergunta. Fazia quase dois anos que eu não via nenhum dos gêmeos, desde o baile em que eu dissera que iria seguir viajem com a Compania Dandelion. Houve um silencio dentro da carruagem e pude senti o olhar de Oscar sobre mim. Afinal, não era segredo que eu e Francis éramos muito ligados.
Hilda-Bom, o Rosa Negra nunca mais apareceu e o herdeiro dos Harcourts continua em Londres, trabalhando com o pai e fazendo caridade. Mas não, não tive noticias.
Nadja-Ah.
Oscar-Você e o Sr. Francis já se conhecem há um tempo, não é?
Nadja-Ah sim, eu o conheci durante um baile e depois ele me ajudou muito, principalmente a encontrar minha mãe durante minha viajem.
Hilda-Francis é um jovem extremamente inteligente e gentil, sempre preocupado com a família e as pessoas ao seu redor.
Eu sorri ao ouvir a descrição de Francis, mas senti um aperto no coração. Ele estava tão longe, Inglaterra... Oscar notou o meu silencio e apertou minha mão discretamente. Eu me espantei com o ato, arregalando os olhos, mas não retirei sua mão. Ele então mudou de assunto.
Oscar-A senhora quem vai ficar encarregada das aulas de etiqueta da Srta. Nadja?
Hilda-Oh sim, a Colette me pediu para dar as aulas em sua casa, mas vou precisar da sua ajuda filho, eu vou estar ocupada com os preparativos do baile, você se incomodaria de me ajudar?
Oscar-De forma alguma mãe, não tenho muito trabalho agora.
Nadja-Com licença, mas como seriam as aulas de etiqueta?
Hilda-Bom, são coisas como tomar chá, regras de jantares, como se portar em publico, valsa, apesar de que você sabe dançar...
Oscar-Em que posso ajudar?
Hilda-Gostaria que você a ajudasse com a valsa e com algumas regras de etiqueta.
Eu sorri olhando a paisagem pela janela, ao me imaginar valsando. 1, 2, 3, 1, 2, 3... Ah, a valsa é linda.
Oscar-Será um prazer ajudar.
Parece que ha sempre alguém que desaprova
Eles vão julgar com se eles soubessem algo sobre você e eu
E o veredito vem daqueles que não tem mais nada o que fazer
O juri esta dispensado, mas a minha escolha e você
O sol começava a se por no horizonte e faltava pouco para chegarmos a Viena. Tia Hilda havia adormecido, Oscar tinha voltado à atenção a seu livro e eu mexia no meu caleidoscópio, olhando com ele para a paisagem, formando vários fragmentos de imagens alaranjadas e depois olhei com ele para Oscar, que estava sentado ao meu lado.
Só então percebi que ele olhava de volta e eu fiquei vermelha, pedindo desculpas. Ele riu baixinho e disse que não tinha problema. Eu então resolvi conversar com ele, enquanto continuava a observá-lo pelo caleidoscópio.
Nadja-Você mora em Viena também?
Oscar-Sim, eu moro na mansão Colorado com minha mãe, perto dos Preminger.
Ele deixou seu livro de lado e me fitou, seus olhos verdes nos meus azuis, e então eu abaixei o caleidoscópio.
Oscar-Você é igualzinha a tia Colette em um quadro que eu vi.
Nadja-Hehehe, obrigada.
Eu sorri feliz, já que eu admirava bastante minha mãe.
Nós finalmente chegamos à entrada da mansão Waltmüller, de minha mãe e eu sorri animada. A mansão era branca com enormes portões à frente. Dava para ver o lindo jardim na frente, cheio de rosas e uma fonte. O mordomo desceu, abrindo a porta de nossa carruagem e Oscar desceu primeiro, estendendo a mão para sua mãe e depois para mim.
Eu desci e corri ate a entrada, onde a porta se abriu e uma mulher linda, de cabelos loiros presos em um coque elegante, olhos azuis e um vestido azul e chapéu apareceu. Minha mãe, Colette Preminger. Eu corri para seus braços.
Nadja-Mamãe!
Colette-Oh minha Nadja!
Nós terminamos de nos abraçar e ela me olhou, sorrindo.
Colette-Você cresceu tanto desde a ultima vez, esta tão bonita.
Nadja-Hehe, obrigada mamãe.
Colette-Oh, Hilda, obrigada por ter ido ate Parias.
As duas se cumprimentaram e tia Hilda sorriu.
Hilda-Foi um prazer.
Colette-E obrigada a você também Oscar querido, e por ter escolhido o presente para Nadja.
Oscar se aproximara da mamãe, lhe cumprimentando e sorrindo.
Oscar-Não foi nada tia.
Colette-Bom, vamos entrar por que quero saber as novidades.
Nós fomos ate a sala, um lugar lindo e espaçoso, com varias poltronas e uma mesinha. Havia um tapete e vários quadros espalhados pelas paredes claras. As enormes janelas estavam cobertas por cortinas. Nós nos sentamos nos sofás e uma das empregadas vieram servir o chá.
Hilda-E cadê o Albert?
Colette-Está resolvendo alguns assuntos de negocio, mas daqui a pouco estará de volta.
Nadja-E como ele esta?
Apesar de ele não ser meu pai, era meu padrasto e eu sabia que ele era um homem gentil e que fora amigo de infância da mamãe.
Colette-Ele esta bem, feliz com a noticia que você iria vir para cá. Mas e como esta a Compania Dandelion?
Eu sorri, lembrando da ultima apresentação.
Nadja-Esta todo mundo ótimo e mandaram lembranças.
Após nos quatro conversarmos e contar as novidades, tia Hilda e Oscar pediram licença e se retiraram.
Hilda-Adeus querida Nadja e Colette. Voltaremos amanha para começarmos as aulas.
Oscar-Adeus tia Colette. Foi um prazer Nadja.
Ele então beijoi minha mão e saiu com sua mãe.
Colette-Então vou te levar ate seu quarto.
Eu sorri para minha mãe e ela me acompanhou junto de uma das empregadas. Nós subimos uma enorme escadaria e passamos por um corredor cheio de portas, com uma janela no fim. Ela parou perto de uma delas.
Colette-Esse é seu quarto. Fica em frente ao meu.
E ela abriu a porta e me mostrou meu antigo quarto. As paredes eram em tons de amarelo e havia uma cama enorme de dossel. Do lado havia uma mesinha de cabeceira com um abajur.
Havia uma janela enorme com cortinas, que levava a sacada. Havia um guarda-roupa, uma penteadeira e pequenas poltronas espalhadas. Eu me sentei na cama junto com minha mãe, tirando meu chapéu e comecei a desfazer minha mala.
Colette-Oh, são os vestidos que você usou? Que lindos!
Um deles era branco e azul com estampas de rosas azuis.
Nadja-Esse eu usei em um baile na casa dos Gonzáles. Foram Leonardo e Tierry que mandaram fazer.
Havia um outro, branco com detalhes rosa e uma rosa cor de rosa.
Colette-E esse aqui, se eu me lembro bem, é o vestido que eu usei no meu primeiro baile, certo?
Nadja-Certissima. Eu o usei no meu primeiro baile na Mansão Harcourt e depois que a Rosemary o rasgou, eu o refiz e o usei de novo.
Colette-Ficou lindo filha.
Junto com os dois vestidos de baile, estavam os tutus e roupas de dança que eu usava na compania Dandelion, o rosa e azul, o vestido vermelho de Flamenco, a roupa da Tirolesa e meus uniformes Applefield. Lá na mala estavam os dois diários, a caixinha de musica, meu guarda-chuva e meu caleidoscópio. Mamãe sorriu ao ver o seu antigo diário e o meu novo.
Colette-Você gostou de seu novo diário?
Nadja-Sim. Antes eu escrevia no seu.
Colette-Foi ideia do Oscar, nós fomos à loja juntos e ele que escolheu. E isso é um caleidoscópio? O que o Keith lhe deu?
Nadja-Ele me deu. Era da mãe dele.
Mamãe pegou a caixinha de musica sorrindo, a abriu e a Waltz 5 começara a tocar, e nós nos perdemos em lembranças.
Colette-Ah... O meu primeiro baile.
Minha mãe me abraçava, enquanto ambas sorriamos.
Nadja-Me conte mais mamãe.
Colette-Ah, o meu primeiro baile foi aos 16 anos lá na mansão Preminger. O salão e a entrada estavam todas iluminadas e decoradas, carros chegando e eu usei aquele vestido que te dei, e dancei com vários homens. Um deles foi o Sr. Alphonse Jean Maley, que era um pintor e naquela noite estava na mansão mostrando seu trabalho. Depois dancei com o Senhor Conde Capuletti e o professor Harrison. Eu me lembro que mais tarde, eu fiquei cansada e fui ate a sacada observa as estrelas e tomar um ar.
Nadja-Foi ai que você conheceu o papai? Como ele era?
Colette sorrindo-Foi lá. Ele tinha cabelos ruivos e olhos azuis. Ele era muito gentil e dedicado a sua musica e a família. Eu ouvi uma musica de piano vindo de algum lugar. Foi ai que eu vi seu pai, Raymond, tocando um piano em uma sala vazia. Nós nos conhecemos então e dançamos nossa primeira valsa. Foi lindo.
Então ouvimos alguém bater na porta e meu padrasto, Albert estava de volta. Ele é um homem de cabelos cor de mel e olhos cinzentos. Ele é gentil e ama bastante a mamãe e sempre a apoiou a me procurar. Ele se aproximou da mamãe e beijou sua testa.
Albert-Ola querida.
Colette-Oh querido, estava te esperando, Nadja acabou de chegar.
Ele se aproximou de mim sorrindo e me abraçou.
Albert-Ola Nadja, que bom tê-la aqui novamente.
Nadja-Obrigada, eu também estou feliz de estar aqui.
Nós três jantamos juntos, conversando e após o jantar, subi para meu quarto. Essa noite, antes de dormir, eu fui ate a sacada, mas não havia ninguém lá, como da ultima vez, então fechei as cortinas com um suspiro e me deitei.
Então não esquente a cabeça
As pessoas jogam pedras em coisas que brilham
E a vida faz o amor parecer difícil
Os riscos são grandes, a água é agitada
Mas esse amor é nosso
