Sr & Sra Uchiha.

Do filme produzido pela Twentieth Century Fox.

Escrito por Sakura Haruno e Sasuke Uchiha, conforme relatos enviados à Dra. Tomoyo Roxton.

Adaptado do roteiro de Simon Kinberg.

SEGUNDA SESSÃO, SR. E SRA. UCHIHA

Nota: Clientes não comparecem.

A sra. Uchiha telefone mais tarde, desculpando-se. Diz que tiveram um imprevisto. Prefere não marcar um novo horário. Diz que precisa consultar o marido. Telefonará mais tarde.

Uma hora depois, o Sr. Uchiha telefone, desculpando-se. Diz que a sra. Uchiha precisou fazer uma pequena viagem inesperada. Prefere não marcar um novo horário. Diz que precisa consultar a mulher. Telefonará mais tarde.

A sra. Uchiha telefone no dia seguinte.

Quer saber se pode vir na terça-feira.

Sozinha.

Interessante...

SEGUNDA SESSÃO, SRA. UCHIHA SOZINHA

Senhora Uchiha, segunda sessãção completa de nossa conversa, acrescida de minhas notas.

A sra. Uchiha entra, hesitante, desculpando-se. Senta-se, cruza as pernas. Descruza as pernas. Inclina-se para a frente. Recosta-se. Gira a aliança repetidas vezes.

A mulher parece cansada. Confiro minhas anotações: a sra. Uchiha trabalha para uma firma de consultoria técnica na área de informática. Atende a grandes empresas da cidade, que visita frequentemente para resolver problemas. Horários imprevisíveis, ocasionais chamadas de emergência no meio da noite. Viaja muito, não tem filhos. Uma vida atribulada.

Mas seu cansaço não parece ser apenas físico. Percebo uma profunda fadiga emocional. Os olhos parecem cansados. Vazios. Tristes.

Como de hábito, remexo nos meus papéis, esperando que ela relaxe. Ofereço café e chá, e ela agradece.

Por ora vamos cuidar do casamento.

Podemos começar.

Eu: Então me diz, sra. Uchiha. Por que resolveu voltar aqui sozinha?

Sra. Uchiha: (dá de ombros, desvia o olhar) Na verdade, não sei. Não creio que tenhamos um problema. Quer dizer, amo o meu marido, minha casa, nossa vida...

Nota: Ela não termina a frase. Há um grande "mas" pairando no ar, esperando para ser dito. Seja o que for, ela aparentemente não sabe como continuar.

Eu: (Incitando-a) Mas..

Nota: A sra. Uchiha assume um ar distante. Decerto está mentalmente revivendo cenas de seu casamento, coisas que a deixam triste.

Mas depois apenas sacode os ombros.

Eu: E no entanto você veio. Sozinha. Não se trata mais de um lote-surpresa arrematado num leilão por mero capricho... Não se trata de uma simples conferida no óleo, não é mesmo?

Nota: A sra. Uchiha olha para as próprias mãos, balança a cabeça.

Eu: Está claro que você sente a necessidade de falar sobre alguma coisa.

Nota: Sorriso forçado. Insisto no assunto.

Eu: Então, qual é o problema?

Nota: A sra. Uchiha olha para a janela. Tenho a impressão de que é uma dessas pessoas que trancam tudo dentro de si. Não será fácil para ela compartilhar os sentimentos mais íntimos. Especialmente em voz alta.

Por fim ela se volta para mim.

Sra. Uchiha: Há um buraco entre nós, um buraco que vai sendo preenchido com tudo aquilo que deixamos de dizer um ao outro. Que nome você dá a isso?

Eu: (Com sarcasmo) Casamento.

Nota: A sra. Uchiha reflete um pouco.

Sra. Uchiha: Às vezes ele está ali, bem na minha frente, mas é como se estivesse... em outro planeta.

Eu: Pode dar um exemplo?

Nota: A fita cassete chegou ao fim; Mas ela mencionou algumas coisas. Uma discussão sobre cortinas. Falta de assunto durante o jantar... Algo sobre passar o sal, pequenos atritos sobre o lado da mesa em que é colocado o saleiro...

Coisas sem a menor importância.

Mas ao mesmo tempo importantes. Não por causa da natureza delas. O comportamento à mesa, a decoração da casa, quem dorme de que lado da cama.

Essas coisas são importantes porque são sintomas: podem se tornar pequenos campos de batalha para os problemas reprimidos que até mesmo as pessoas envolvidas não conseguem compreender e expressar a contento.

Enquanto remexo no gravador, deixo-a falar até não ter mais o que dizer.

Ela parece aflita, frustrada. Sabe que está tento dificuldade para expressar o problema.

Nota: A gravação recomeça.

Eu: Até que ponto você é sincera com seu marido?

Nota: A sra. Uchiha assume a expressão de um cachorro perdido na estrada, diante das luzes de um caminhão.

Olhar vago.

Sra. Uchiha: Bastante sincera. Não que eu minta pra ele. Acontece que... Tenho certeza de que nós dois guardamos os nossos segredos. Todo mundo tem segredinhos, não tem?

Nota: Respondo com os ombros, sem demonstrar nenhum tipo de censura. Tenho a impressão de que a sra. Uchiha esconde um bocado de coisas do marido. Talvez até algo importante.

Eu: Olha, vou lhe passar um pequeno dever de casa.

Nota: Ela ri nervosamente.

Eu: Nada complicado, eu garanto. Quero que vá para casa e escreva sobre os seus sentimentos.

Sra. Uchiha: Bem, Dra. Roxton, não sou lá uma grande escritora. E o trabalho...Meu tempo é muito corrido e...

Eu: Compreendo. Mas não precisa se preocupar. Não se trata de uma redação para escola. Não é necessário caprichar na gramática. Nem mesmo terminar as frases. Além disso, só você verá o resultado.

Sra. Uchiha: Nem a você?

Eu: Nem a mim. Claro, pode mostrar a mim, se quiser. Mas o principal objetivo desse exercício é fazer com que você se abra para si mesma, de modo a perceber melhor onde está o problema. Ás vezes, para conhecermos nossa própria história, precisamos contá-la a nós mesmos.

Nota: A sra. Uchiha está pensativa.

Sra. Uchiha: Ninguém precisa ver.

Eu: Ninguém.

Sra. Uchiha: Nem mesmo... Sasuke.

Eu: Nem mesmo o Sasuke.

Sra. Uchiha: (Balançando os ombros) Vou tentar.

Eu: Ótimo! Acho que isso vai ajudá-la bastante.

Sra. Uchiha: Hummm... Você quer um tipo especial de caderno, de caneta...?

Eu: (Sorrindo) Faça do jeito que quiser.

Sra. Uchiha: Como devo começar?

Eu: Que tal começar pelo começo? Escreva sobre como se conheceram. Tente se lembrar, antes de mais nada, dos motivos que a fizeram se apaixonar por ele...

Nota: A sra. Uchiha olha vagamente através da janela. Finalmente um sorriso. Está se lembrando de algo muito agradável.

Sra. Uchiha: Foi na Colômbia. Em Bogotá. Seis anos atrás.

Nota: Ouço com atenção, satisfeita. Pela expressão no rosto dele, posso concluir que...bem, alguma brasa ainda arde sob as cinzas desse casamento.

Eu: (Encorajando-a) Muito bem. Comece com isso. Ah, gostaria muito que seu marido fizesse o mesmo exercício. Acha que seria possível?

Sra. Uchiha: (Surpresa) Sem chance! Quer dizer, tenho a impressão de que ele não vai voltar mais aqui. Além disso, bem, a senhora sabe como são os homens. Sasuke não curte muito...esse tipo de coisa. E, na verdade...

Eu: Na verdade?

Sra. Uchiha: (Leve sorriso) Não disse a ele, ainda, que viria aqui sozinha. Não queria deixá-lo preocupado. Nem que pensasse que existe algum problema realmente sério. Queria apenas...que isso ficasse entre nós.

Nota: Ah, sim. Mais um segredinho.

[Ao que parece, o Sr. Uchiha também guarda alguns segredos. Sem que a mulher soubesse, telefonou, ele também, para marcar uma consulta individual]