Disclaimer: Infelizmente, nenhum desses personagens me pertence T.T' e eu não estou ganhando nada por escrever isso. É tudo dela. Da J.K.
"Aí você para e pensa: Puxa! Por que eu não pensei nisso antes?"
:.Brincadeiras do Doutor Destino.:
Destino... ...é apenas uma criança, um monge, um Doutor. Sem noção de seus atos, ou talvez usando de uma inteligência inquestionável e perfeita, ele vaga pelos lugares mais sombrios da Terra. Nosso universo é seu quintal, e nele, Destino, o pequeno, brinca com nossas vidas, moldando-as de forma inusitada.
...diz respeito a ordem natural estabelecida do universo. Geralmente é concebido como uma sucessão inevitável de acontecimentos provocados ou desconhecidos.
Capítulo 1 : O Salgueiro encrenqueiro.
Véspera de Natal. Hermione revirou-se na cama pelo o que seria a sexta vez naquela noite. Ela se sentou impaciente e massageou o nó entre os olhos apertando-os com força. Que tipo de amiga ela era? Abandonando Harry e Rony na hora em que eles mais precisavam: na hora em que o Sr. Weasley, o pai de Rony, estava internado no St. Mungus; na hora em que Harry, deduziu ela, se sentia confuso e talvez a pior pessoa do mundo...
A garota esticou a mão e apanhou o relógio. Apertou os olhos. Eram quase 2 da manhã. Lá fora, uma camada espessa e branca cobria todo o gramado, o grande salgueiro lutador ainda se agitava algumas vezes incomodado com o peso da neve sobre seus galhos e tudo estava vazio. Um silêncio mórbido. Nas camas ao lado da sua, todas já dormiam profundamente, e Hermione se sentiu tentada a fazer o mesmo. Ela puxou mais os cobertores para se proteger do frio cortante e pensou em como estariam os dois agora.
Sua mente divagava por pensamentos de auto-repreensão e imagens fantasiosas envolvendo um certo alguém. Então, como a poção polissuco toma a cor verde quando as sanguessugas são adicionadas...não. A poção fica amarela! Ou será que é alaranjado? Digo...Ah, deixa isso pra lá. Continuando, como a poção polissuco MUDA DE COR quando as sanguessugas são adicionadas, seus pensamentos tomaram uma forma diferente, e a levaram a um novo "lugar". A última vez em que vira seus amigos se tornou mais nítida em sua memória: Rony sentado em uma das poltronas da sala comunal, em frente à lareira, terminando seu trabalho de Transfiguração, e Harry... Harry? O que ele fazia mesmo? Ela não se lembrava. Na verdade, era só de Rony que ela se lembrava. Ou queria se lembrar, talvez. Seu coração palpitou mais rápido e ela sorriu quando se lembrou da cara aborrecida que o ruivo fez quando ela contou que estava escrevendo para Vítor.
Ela queria passar o Natal com Rony, Harry, Gina, Fred, Jorge... Ela queria passar o Natal com Rony. Queria consola-lo, ajuda-lo. "Afinal", pensou ela, "...Ron está com problemas e eu, como amiga-apenas AMIGA-, devo ajudar!". Ela queria estar ao lado de todos eles... mas tinha certeza de que seus pais não deixariam. Nunca permitiriam que a filha passasse o Natal longe da família. Ela teria que ir esquiar com eles, não teria escolha. Não teria... a menos que...
- O vira-tempo!!
Hermione Levantou-se em um salto, correu até seu malão e começou a procurar algo dentro dele. Ela revirou seu vestido verde favorito, seu cachecol, sua nécessaire, seus pijamas, seu sutiã preto rendado,... Algum tempo depois, retirou triunfante uma minúscula ampulheta pendurada em uma corrente dourada, brilhante e muito fina. "Achei", sussurrou voltando para cama. Imediatamente ela agradeceu aos céus mil vezes por, meses antes, ter pedido de volta o vira-tempo para a Profª. McGonagall para que tivesse tempo suficiente para estudar todas as matérias, além de fazer todos os trabalhos e os deveres passados pelos professores no ano dos N.O.M.'s.
Enfim, seu plano era simples: passaria o Natal com os pais, e então, voltaria para o dia da viagem e iria para o Largo Grimmauld no Nôitibus. Oh, sim! Era simplesmente perfeito! E já estava decidido. Ela beijou o vira-tempo com entusiasmo e novamente o colocou no malão, deitou e dormiu logo em seguida.
Ao acordar, Hermione tentou inutilmente se lembrar de seu sonho. Ela via imagens confusas, nada mais do que meros borrões coloridos e um contorno: O contorno retorcido de uma pessoa que ela não conseguia reconhecer... A garota se levantou, apanhou a toalha e foi tomar seu banho matinal.
Horas mais tarde, tudo já estava pronto e ela já estava confortavelmente protegida do frio. Saiu do castelo com toda a sua bagagem e quando percebeu, já estava nos portões de Hogwarts. Ela estendeu o braço direito e um ônibus arroxeado de três andares se materializou bem à sua frente. Ignorando o rapaz que havia saltado para fora, Hermione foi entrando no ônibus junto com uma outra pessoa estranhamente familiar que vestia uma longa capa marrom com um capuz que lhe cobria o rosto, e só deixava aparecer uma mecha castanha encaracolada. Ela se sentou em uma das cadeiras ao fundo e a viajem começou. Já estava perto de seu destino quando algo veio deslizando e bateu em seu pé. Hermione se abaixou, segurando o malão com dificuldade, e puxou a correntinha. Era dourada e algo como um pomo de ouro estava pendurado nela. Hermione se levantou e logo ia comunicar seu achado aos outros passageiros quando Lalau anunciou:
- Londres! Estação King Kross. Próxima Parada: Largo Grimmauld...
Hermione se assustou. Desajeitadamente, pegou seu malão e a gaiola de Bichano, enfiou o pequeno pomo no bolso do casaco, desceu os poucos degraus e começou a procurar seus pais.
A noite de Festa não havia sido tão ruim... Hermione ganhou muitos presentes -entre eles uma nova embalagem cheia de novelos de lã de várias cores mandada por sua avó, que ficara muito orgulhosa em ter uma neta tão interessada em aprender a tricotar- e aproveitou uma ceia maravilhosa, sem falar naquela paisagem linda. Porém, isso já não a satisfazia mais. O que ela mais queria era a chance de sair dali e voltar para o castelo para ter um segundo Natal, dessa vez junto com seus amigos. Na mesma manhã em que abriu os presentes, a garota já anunciou aos pais sua volta a Hogwarts, e mesmo com uma pontinha de insatisfação, depois de muita conversa e muita insistência por parte da garota, eles permitiram.
A bruxa não conseguia conter sua felicidade, e talvez por isso a viajem tenha se tornado tão longa! Durante o breve cochilo, ainda conseguiu sonhar com a sua chegada à casa de Sírius na véspera de Natal. Estava ansiosa, e quando finalmente chegou ao seu destino, foi direto para os jardins do castelo, tentando retirar o vira-tempo do decote das vestes enquanto segurava e arrastava seu malão e a gaiola de Bichano pela neve alta usando apenas uma mão. Sem sucesso, ela parou no meio do caminho, colocou a gaiola em cima do malão e puxou o vira-tempo. Uma grande quantidade de neve caiu às suas costas, e indiferente a isso, ela deu algumas voltas na ampulheta e apanhou o malão, sorridente. Mas aconteceu algo que Hermione não esperava. Enquanto girava o vira-tempo distraída...ou melhor, enquanto andava distraída pelos jardins, acabou parando bem aos pés do antigo Salgueiro Lutador. Agora um galho imenso vinha em sua direção. Assustada ela não teve muito tempo para pensar. Apenas segurou firme a mala e a gaiola com uma das mãos, e instintivamente levou a outra mão à frente para tentar se proteger... mas não a tempo- o que foi uma boa coisa, pois a árvore poderia ter quebrado seu braço...
O Salgueiro Lutador acertou seu estômago em cheio, e um CRAQUE alto se ouviu nitidamente. Um estranho som de vidro sendo estilhaçado se propagou grave e lentamente enquanto Hermione caía, e as coisas ao seu redor se tornaram um único borrão. Tudo parecia um grande show de imagens, e ficava claro e escuro a uma velocidade incrível. Borrões que imitavam a forma humana deslizavam rapidamente para todos os lados. Durante algum tempo aquela situação prosseguiu, o que incomodou a garota. Alguma coisa estava errada, e ela SENTIA isso. Sim, ela sentia. E sabia: aquilo não era normal! Além disso, também sentia uma forte dor no estômago e uma falta de ar terrível...
De repente, tudo aquilo cessou, e Hermione pôde, finalmente, terminar de cair. Um baque surdo se ouviu quando ela se chocou com a grama verde e bem cuidada, e a garota ainda deslizou um pouco. A mala caiu ao seu lado e a gaiola de Bichano bateu contra o tronco da árvore - agora bem mais fino do que de costume - e abriu, libertando o gato. Ela deixou escapar um gritinho e colocou os braços em "X" na frente do rosto para se proteger do ataque fulminante da árvore quando percebeu que ainda estava bem embaixo dela... mas nada aconteceu.
Hermione abriu um dos olhos e viu os galhos da árvore completamente imóveis acima de si. E não era só isso! A neve... toda aquela neve! Onde tinha ido parar? A grama estava verde, o céu limpo. Apenas uma brisa suave soprava calmamente. "O que...?"
-Hey! Você está bem?
Uma voz conhecida ecoou até os ouvidos da garota e a fez estremecer. Rapidamente ela se virou para a fonte da voz e viu, incrédula, um garoto de pele clara, olhos castanhos e cabelos escuros e desarrumados, de corpo esguio e de certa forma trabalhado, parado bem à sua frente... um garoto que ela conhecia muito bem.
-Harry! – ela se levantou com dificuldade e foi até ele, abraçando-o com força.– o que está fazendo aqui? Ah. Que pergunta idiota... Mas que dia é hoje? E que horas são? Deve ser quase uma hora... Por acaso você não está matando aula, está? Nossa! Você não imagina o que acabou de acontecer! Eu pedi para a McGonagall...Ai...-Hermione se apoiou no tronco imobilizado da árvore, sentindo uma forte dor nas costelas. Ficou preocupada, será que tinha quebrado alguma coisa?
-Espere, espere! – o garoto afastou alguns passos e olhou assustado para Hermione, que ainda mantinha a expressão animada (e abobada) cravada no rosto, mesmo enquanto tateava as costelas para ter a certeza de que estava tudo bem- Acho que você está me confundindo.
-Como assim, Harry? AH! Já entendi! ... Droga!...Eu não deveria ter deixado você me ver! Onde eu estava com a cabeça? Olhe, Harry... tudo bem, eu devo ter acabado de aparecer em algum lugar, mas isso não significa, que... – Antes, ela franziu a testa pela dor e suspirou-...não significa que você deve se preocupar, não está ficando louco! É só que eu peguei emprestado aquele meu antigo...
-OW!-o garoto gritou e estalou os dedos algumas vezes para chamar a atenção de Hermione que não parava de tagarelar. Ele suspirou também- Meu... nome... não... é... Harry! –Sibilou ele, como se falasse com uma criança mal criada.- Mas... Você não parece bem, foi o salgueiro?- Ele se aproximou, receoso.
Mais uma vez ela estranhou. O que ele queria dizer com aquilo? Seu nome era Harry, sim!
-Que brincadeira é essa, Harry? - ofegou ela, começando a ficar assustada.
Um pigarreio alto se ouviu ao lado deles, e quando se viraram, mais dois garotos estavam parados observando a cena. O mais alto estava à frente, e era tão, se não mais bonito do que o suposto Harry: quase um palmo mais alto, de corpo igualmente definido, os cabelos pretíssimos, bem cuidados e levemente ondulados caindo graciosamente até seus ombros. Tinha três mexas mais curtas, duas emoldurando o rosto e uma terceira mexa fina que despencava de uma das outras e insistia em lhe cobrir os olhos... Olhos penetrantes, quase prateados...olhos que ela conhecia de algum lugar.
-Bonito hein, Pontas? Deixando os amigos de lado para ficar dando em cima de uma garota?! E depois EU sou o cafajeste por aqui!
-Ora, cale a boca Almofadinhas! –disse ele entre risos- Eu só estava ajudando. Parece que ela levou um belo soco do Salgueiro lutador... e parece que ficou maluca! – ele completou baixinho levando uma das mãos até a altura da cabeça e a cutucando com o indicador –, ou talvez esteja me confundindo com alguém, sei lá.
-Sinceramente, Harry! –devolveu Hermione- Eu não sei quem são os seus amiguinhos, mas... eu não esperava isso de você! Já... é hora de parar, não é? Ai... Que... brincadeira mais idiota...Ai! – Hermione caiu de joelhos, já não agüentando mais a dor causada pelo ataque da árvore.
Um terceiro garoto tomou a frente dessa vez, no rosto uma expressão preocupada. Olhos fundos, cor de mel, cabelos castanho-claro sem corte definido, e um ar inocente que rondava à sua volta; corpo franzino, magro, que o fazia parecer indefeso e talvez até mesmo um pouco doentio. Ele caminhou vagarosamente e se agachou ao lado da estranha.
-Ah...Você está bem? Olha, ficar perto do Salgueiro lutador não é lá uma boa coisa. Eu acho que você deveria ir ver Madame Pomfrey. –Ele segurou o braço da garota e a ajudou a se levantar – vem, eu te ajudo. Rabicho! Segure o nó mais um pouco!
Hermione ouviu um "Pode deixar" às suas costas, e os dois começaram a andar em direção ao castelo, seguidos de perto pelos outros dois, que pareciam no mínimo confusos.
-Não, espere! Eu... eu não posso! Quem são vocês?! ... Harry, o que...?
Os quatro riram. Hermione parou e olhou para trás, percebendo que agora mais um havia se juntado ao grupo. Um garoto baixo e gordinho de cabelos castanhos. Não tinha bem um atrativo, apenas uma face simpática e sorridente; e mesmo que parecesse um pouco deslocado, parecia não se importar.
-Bem, já vi que você realmente não nos conhece... – começou o garoto que a estava apoiando.
-O que já é bem estranho. -cortou o de cabelos pretos, sendo seguido por algumas risadinhas.
-...então vamos nos apresentar.-terminou o primeiro.- Sou Remo Lupin, muito prazer!
-Sírius Black –disse o garoto alto de cabelos pretos-...encantado! -e forjou uma reverência.
-Pedro Pettigrew –disse o baixinho, um pouco envergonhado.
-E... Tiago Potter. TI-A-GO.- ele sorriu, divertido.- Porém, somos mais conhecidos como "Os Marotos"! Muito prazer.
Hermione sentiu sua cabeça dar voltas e mais voltas, seu estômago se embrulhar e seu queixo cair descontrolado. Ela se sentiu em uma daquelas montanhas-russas dos parques trouxas. Seus olhos se arregalaram e ela ficou um bom tempo os encarando. Não era possível! Não... Não podia ser verdade. Ela, Hermione, junto com todos eles...os marotos!?
-Não pode ser! – esganiçou ela, completamente pasma. – Não, não! Eu não acredito. Acorde, Hermione, acorde...-ela disse baixinho enquanto fechava os olhos com força e novamente apertava o nó entre os olhos. Deu alguns tapinhas leves em seu rosto e suspirou profundamente, repetindo seu "É apenas um sonho. Acorde Hermione!" bem baixinho, como se fosse um mantra.
-É...eu acho que ela finalmente nos reconheceu! – disse Tiago Potter com um sorriso arrogante no rosto enquanto se aproximava.- Hey, pode ficar tranqüila! Não vamos fazer nada. –Hermione o olhava com uma estranha cara assustada, fazendo Black rir baixinho e Pettigrew se segurar para não dar uma boa gargalhada. Lupin apenas sorria de olhos baixos.
"Não pode ser! Ele... ele... é o pai de Harry! E ele está... MORTO! O que será que está acontecendo?! Será ... será que eu MORRI?"
-Só pode ser isso –disse ela, sussurrando- Eu morri. –agora começava a aumentar a voz- Foi quando o Salgueiro Lutador me acertou da primeira vez! –nesse ponto a garota já gritava a plenos pulmões, e todos os quatro começavam a se preocupar com o escândalo da bruxa- Estou morta e vim parar em algum lugar estranho. EU MORRI!! E agora meu corpo deve estar JOGADO em algum lugar no meio daquele monte de neve! Ah, que desgraça... –ela escondeu o rosto com as mãos- É NISSO QUE DÁ! É nisso que dá fazer coisa errada. Que desgraça, que desgraça! –levantou as mãos em direção ao céu- É NISSO QUE DÁ QUEBRAR AS REGRAS!!!
Todos os garotos a fitaram com estranheza, trocando olhares confusos logo em seguida. "Eu disse que ela era louca" sussurrou Potter para Lupin, que estava ao seu lado e parecia começar a concordar com o amigo. "Foi emoção demais nos conhecer pessoalmente.", sussurrou Sírius.
-Ah...-Começou Pedro receoso- Você não está morta!
Hermione virou-se para ele com os olhos mareados, como se suplicasse para que ele não confirmasse sua suspeita. Suplicando, sim, para que ele repetisse aquilo quantas vezes fossem necessárias, até que ela mesma concordasse em acreditar. O baixinho olhou para os amigos, pedindo-lhes ajuda.
-É verdade, moça. Você... não PODE estar morta.- continuou Tiago com simplicidade, pousando uma das mãos sobre o ombro da garota assustada.
-É, sim. Não pode mesmo. Olhe para você! Seria um pecado se morresse ainda tão ... jovem e tão...Ai! -Lupin deu uma cotovelada nas costelas de Sírius, que já começava a olhar para a recém-chegada com malícia e presunção, e que agora simplesmente levantava os ombros com um sorriso sacana, como se dissesse "Sinto muito, Aluado; não posso me conter, você sabe!".
-É sim –disse Lupin apressado, empurrando Sírius para o lado.-Além disso, estamos vivos, nós quatro, e disso eu tenho certeza! – Ele sorriu para a moça que agora já parecia mais calma.
"É verdade –ela pensou- Remo, Sírius e Pettigrew não poderiam estar aqui, não estão mortos!…Mas como estão diferentes! E Lupin? E Sírius! Meu Deus... Sírius...Sírius é tão... tão!! Ah! Acalme-se, Hermione. Acalme-se, logo, logo você vai acordar e vai ver que isso não passa de um sonho bonito. Mas essa mão...é tão quente!"
Sem perceber, Hermione havia pegado a mão de Tiago, e agora a examinava de perto e minuciosamente, ignorando a expressão de estranheza do rapaz. Ela o olhou com as sobrancelhas arqueadas, cutucou sua bochecha algumas vezes, soltou a mão do garoto assustado e voltou para a posição inicial. Fechou os olhos e respirou fundo.
-Eu só posso estar maluca. – disse, de repente.- Será que eu voltei no tempo...demais?- questionou-se em voz baixa.
-Olha...eu realmente estou acreditando nisso! O que há com você? – Perguntou Tiago puxando sua mão.- ah...Quer dizer...você está toda agasalhada. Não pode estar sentindo tanto frio!
-É o vira-tempo, eu tenho certeza. O vira-tempo!?- Hermione sussurrou, e como se algo tivesse iluminado a sua lembrança, ela arregalou os olhos e começou a retirar os montes de agasalhos, jogando-os na grama e formando uma pequena pilha. Quando só restava sua camiseta e ela fez menção de tirá-la, Lupin segurou seu braço.
-Ei, ei! Vá com calma!
-Aluado, seu GRANDE estraga prazeres!- Berrou Black aborrecido, recebendo um olhar de censura do garoto.
-M-meu! Meu vira-tempo! Onde está? - gaguejou a garota, ignorando os dois, já começando a fungar-Deve ter caído quando...quando aterrissei! É isso!
-Vira tempo? –perguntou Pettigrew
-É... é um objeto mágico. Só que eu não lembro o que ele faz...-respondeu Lupin com uma cara pensativa.
-Peraí, ela disse que ATERRISSOU?! – perguntou Tiago com um misto de assombro e divertimento.
A bruxa se desvencilhou do braço de Lupin, que a estava apoiando, e como se sua dor houvesse sumido, pôs-se a correr de novo para baixo do Salgueiro Lutador.
"Está lá, eu tenho certeza!"
Ela ainda pôde ouvir as vozes dos outros gritando para que ela voltasse, mas Hermione não queria ouvi-los. Alcançou o salgueiro com a idéia fixa de conseguir seu "precioso".
A grande árvore fazia seus galhos dançarem com raiva, e a garota se esquivava como podia. De relance ela viu o brilho dourado da correntinha, e imediatamente se abaixou para apanha-la. Finalmente tinha achado! Mas... alguma coisa estava errada: o vidro da ampulheta estava quebrado, e uma parte do aço estava retorcida e cortada pela metade. A areia rala da pequena ampulheta caiu na mão e por entre os dedos da garota, que sentiu um nó se formar em sua garganta, os olhos embaçarem e a boca se abrir para um grito sufocado de tristeza. A vontade de chorar aumentava a casa segundo.
"E agora? Será que não vou mais poder voltar? Maldição! Hermione, sua gárgula! Como pôde deixar ele cair? COMO PÔDE!?" pensou, com raiva.
-CUIDADO!!!
Hermione levantou-se rapidamente e olhou para Sírius, reconhecendo sua voz. Ele corria em sua direção, e quando virou de volta, um galho enorme seguia velozmente em sua direção, seguido de muitos outros. Ela sentiu o sangue congelar em suas veias e uma fraqueza tomou conta de seu corpo. Não teria tempo de correr: não podia! Suas pernas não a obedeciam, e tudo o que ela conseguiu fazer foi arregalar os olhos. Os galhos se aproximavam numa velocidade alucinante. Seria a qualquer segundo! Ela fechou os olhos. Sabia que quando os abrisse novamente, talvez estivesse atirada ao chão. Ela baixou a cabeça, e esperou o momento certo para gritar de dor...
O momento se estendeu. "O que está...?" e ela abriu os olhos, estagnada. Nada acontecia. À sua frente, o monstruoso galho e todos os outros, completamente imóveis. Um pássaro desceu dos céus e pousou em um dos galhos da árvore, piando alto. Uma lágrima escorreu do olho da garota, ainda chocada. O que teria feito a árvore parar tão de repente?
-GAROTA!! PELAS BARBAS DE MERLIN! Você é mesmo maluca... você está bem?-berrou Potter, correndo até ela, segurando seus ombros e a chacoalhando.
-Pare, Pontas! – gritou Lupin enquanto corria até os dois.
Logo, todos os outros três também se aproximaram. Enquanto Remo e Sírius conferiam se a garota estava bem, Pedro foi até o outro lado da árvore.
-Hey, caras! Venham ver isso.
Hermione já tinha se entregado às lágrimas, e agora estava prestes a se jogar de joelhos no chão quando Lupin a puxou pelo ombro. Foram andando até o outro lado; até uma raiz exposta bem alta da árvore. Ali estava um gato corpulento e laranja, que pressionava um nó da raiz do salgueiro com as duas patas dianteiras.
-BICHENTO! Ah, Bichento...!
-Uau! Gato esperto.– comentou Sírius.
Hermione fez menção de se abaixar para apanhar o bicho, mas ele a interrompeu com um miado atiçado. Ela se levantou e...
-Ah... Hey, garota, isso aqui é seu?
Quando Hermione se virou, viu seu malão jogado no chão. Estava aberto, todo desgastado e arrebentado...suas roupas jogadas pelo chão. Sírius levantava um sutiã particularmente rendado, preto e de certa forma... "Ousado, só isso!" berrou Hermione "Mas me devolva agora mesmo e... e... HEY! Parem de olhar!!", completou ela, muitíssimo corada, correndo para juntar todas as coisas enquanto todos riam.
-Muito obrigada –Disse Hermione um tanto envergonhada, sentada junto com os outros entre as árvores perto do Campo de Quadribol. Perto o suficiente para Tiago poder ficar observando-o e, na hora certa, contar sobre sua incrível partida contra Corvinal no último jogo antes do campeonato.-, por me ajudarem...
Uma brisa corria pela Floresta suavemente e o Sol brilhava entusiasmado no céu. O silêncio entre os cinco já se propagara tempo demais, e Hermione começou a pensar que talvez sua presença os estivesse incomodando. Potter deu um tapinha nas costas da garota e sorriu para ela a exemplo dos outros.
-Bom. Imagino o que você está pensando.-Disse Sírius de repente.
-Ah... Imagina, é? -Admirou-se Hermione, realmente aliviada.
-Sim. –continuou Sírius em tom sonhador, olhando insignificativamente para o horizonte.-Mas eu não sou tão cafajeste assim como todos dizem. E também não vou tentar nada com você, eu juro...se você não quiser, é claro.-completou com uma piscadela.
-SIRIUS!–Hermione gritou e enrubesceu violentamente. – Quem te viu quem te vê hein, Sírius! Hahaha! Harry nunca acreditaria se eu contasse que...
A garota já ia começar a rir ainda mais quando se lembrou de seus amigos. Sentiu, de repente, um grande desespero e uma vontade imensa de ver seus pais. Queria sair correndo...queria acordar agora mesmo! Ela baixou a cabeça desanimada e suspirou demoradamente. O vento soprava cada vez mais forte, assobiando entre as árvores e algumas folhas escapavam vez por outra para fazer companhia aos visitantes.
- Afinal... er...garota...Bem, primeiramente, qual seu nome afinal? -Disse Tiago
visivelmente irritado.
-Nossa! Que falta de educação a minha! Não me apresentei. Mamãe iria ficar roxa de raiva! Meu nome é Herm...-Ela parou. Não podia deixar que eles soubessem seu nome! Iria interferir no futuro, com certeza. Eles se lembrariam dela. Não podia...- Herm...Erm...Ermie! Isso! Ermie!
-ERMIE?! Que nome é esse? – perguntou Pedro, exasperado, para logo em seguida levar um cutucão de Tiago.
-Ah...não é bem o meu nome. –disse ela sinceramente- é só um...er...apelido. É um apelido! Hahaha! –ela riu, nervosa.
-Apelido estranho esse...- concluiu Rabicho.
Todos riram, e a partir desse ponto a conversa seguiu animada. Os quatro faziam várias perguntas à Hermione sobre os seus gostos, e o contrário também. Ela e Lupin se deram muito bem, principalmente quando começaram a discutir sobre suas matérias favoritas... Enfim, tudo corria muito bem. Quando o céu ganhou um tom avermelhado, todos se levantaram, prontos para voltarem ao castelo. Hermione sentiu seu estômago gelar por completo: onde iria dormir? E o que aconteceria se alguém a descobrisse? Filch, McGonagall...ou o próprio Dumbledore! O que ela faria?! E COMO não havia pensado nisso antes?
Potter, Black e Pettigrew já estavam bem à frente, e Hermione se sentiu sozinha. Estava, de fato. Colocou as mãos em seus ombros, formando um "x", como se abraçasse a si mesma. Afinal, isso trazia algum conforto.
Maldita hora em que ela teve aquela idéia maluca de usar o vira-tempo! Foi por não cumprir as regras. Esse era seu castigo: vagar por uma época que não era a sua, condenada a nunca mais ver seus amigos ou sua família novamente. Ela sentiu uma mão pousar levemente em seu ombro, e imediatamente se virou, assustada.
-Ah...Lupin!
-Não, não! Pode me chamar de Remo – sorriu.
E "que sorriso encantador." , "Ermie" pensou. Certamente ele era muito atraente...porém quando sorria, sua aparência doentia parecia se desfazer para dar lugar a um outro Remo Lupin; carismático, ainda mais bonito, e feliz.
-Remo...-ela repetiu com os olhos baixos, ainda preocupada.
-Muito bem! Agora, você disse que é da Grifinória, não é Ermie?
Ela consentiu com a cabeça enquanto continuavam andando, lado a lado, pelos jardins.
-Estranho, nunca te vi por aqui! –continuou o garoto.- E olhe que você, sendo do quinto ano também e da mesma casa, não passaria despercebida.
Hermione riu divertida.- O que quer dizer com isso, Remo?
-Ora, eu? Nada! Absolutamente nada! Mas o Sírius...
Ele nem precisou completar a frase. Riram juntos enquanto adentravam o saguão do enorme castelo. Finalmente a garota pôde suspirar aliviada: pelo menos aquele lugar ela tinha certeza de conhecer.
Teve o enorme prazer de se sentir "confortável"...por míseros segundos, pois quando estavam subindo as escadas para a torre da Grifinória, foram interrompidos por uma risada alta e um tom de voz afetado.
"Ora, ora!" dizia a voz. "Veja só quem temos aqui!..."
Ermie e Remo subiram apressados os últimos degraus do primeiro andar, e ao alcançarem o patamar, viram quatro garotos no final do corredor.
-Ah, não...-sussurrou o meio-loiro, preocupado.- de novo não!
O garoto correu apressado até os três enquanto Hermione ia caminhando apreensiva. Viu quando o "corajoso Lupin" foi até eles. Ela não poderia ter deixado de notar o distintivo de monitor preso em suas vestes, mas não entendia por que ele não fazia nada. Ela correu também, agora muito preocupada.
-Saia do meu caminho, Potter.-disse o quinto, com um tom de voz grave e nada amigável.
-Uau! Como você 'tá corajoso hoje! Não é, Pontas?
-Pois é...que pena que a Evans não esteja aqui pra te defender, né? Você vai ter que se virar sozinho!
O garoto desconhecido, de costas para Hermione, estava cercado pelos outros quatro: no centro, Sírius e Tiago estavam de braços cruzados, em suas melhores poses de mafiosos, Pedro rindo à direita e Remo à esquerda, um pouco aflito. Ela pensou ter ouvido o desconhecido engolir em seco. Estava decidida: iria parar com aquilo! Como um animal acuado, ele recuou alguns passos:
-Não ousem nada contra mim, ouviram bem? Ou então... vão... vão se arrepender! –gaguejou ele.
"Essa voz..." Pensou, se aproximando cada vez mais.
-Você está nos ameaçando? Hahaha!! Não acredito...
"Eu sei... sei que já a ouvi em algum lugar"-Fique longe!
"É! Eu tenho certeza!"-Está com medo?
"Era isso, eu sabia!"-N-não... não se aproximem!
"É o...!!!"-Eu avisei!!! ESTUPE...
-PROFESSOR SNAPE?!
(Continua no próximo capítulo...)
N/A: E então? O que acharam? Bom? Uma droga? pééééssimo? Dá pra ler?
Sinceramente... Eu não sei de onde surgiu a idéia dessa fic! xD Deve ter sido em uma das visitas à minha boa e velha pia cheia de loça suja. Bem, de coração, espero que vocês que leram tenham gostado e se divertido! E que tenham vontade de me deixar um review! xDDD Sabe como é, né? Aquela coisa de "incentivo aos novatos"...
Principalmente eu, que sou lerdinha, tontinha e péssima em organização. (e parece que esse último é INDISPENSÁVEL aqui no FF oo').
Enfim, espero que vocês possam me acompanhar nessa nova aventura! ;D (cara! Isso ficou muito xoxo! xP)
Beijinhos e até a próxima!
Lili
