capitulo 2 ~.~

"Pai.." – eu o vejo olhando pra televisão sem piscar. – "pai?" – balanço seu braço.

"Oi..." – ele sorri e passa a mão no meu cabelo.

"Eu queria brincar com o Barney agora..." – me levanto empolgada e corro desligando a televisão. – "Você brinca comigo?"

"Agora?" – ele se levanta do chão. – "agora é tomar leite e cama.." – ele se aproxima e me coloca no colo tirando minha alegria.

"E historinha?" – recosto minha cabeça em seu ombro enquanto ele me leva pro meu quarto.

"Coloca a camisola que já já a gente lê uma historia..." – ele me coloca no chão e sai do quarto – "qualquer coisa to na cozinha.. já volto..."

~.~

São mais ou menos três anos que eu levo essa vida praticamente sozinho. Tive a companhia dela por um tempo, mas logo aconteceu.. aquilo. Acho que preciso explicar algumas coisas complicadas nessa historia. Muita gente deve estar se perguntando. Sim, você tem uma filha, até essa parte eu entendi. Mas quem seria a mãe dela?

4 anos atrás...

"To cansada disso tudo!..." – ela chorava de um canto e eu engolia as minhas lagrimas do outro – "não dá mais.."

"Se você teima em achar que eu fiz merda.. é problema seu..." – digo me afastando dela - "sempre é assim.. quem deveria estar cansado sou eu.. não posso sair um dia a noite que no outro você fica de mal humor e começa as desconfianças..."

"Talvez seja porque você me dá motivos?"

E o pior que uma vez, somente uma maldita vez eu quase estraguei tudo. Mas ela não esquecia e acho que nunca o faria.

"Não cheguei a fazer nada demais.. quantas vezes vou ter que repetir isso Lea?" – me aproximo dela que vira o rosto.

"Não fez mais ia fazer..." – vejo as lagrimas rolando do seu rosto.

Fiquei em silencio. O que eu iria falar? Uma vez eu prometi a ela que nunca a faria chorar e eu sabia que tinha falhado nisso. Nessa hora senti uma pontada no meu peito. Porque as coisas tinham que ser assim? Só foi a gente começar a comentar e falar pra imprensa sobre o nosso romance que começaram as brigas. Tais quais as que tínhamos quando ainda estávamos tentando algo.

"Eu já perdoei uma vez.. não sei se seria capaz de novo..."

Foi praticamente a ultima frase que eu ouvi. Foi quando eu vi o chão desaparecer dos meus pés e já não consegui suportar. Olhei mais uma vez no seu rosto. Passei de leve meus dedos pela sua bochecha. Confesso que ainda tentei lhe roubar um beijo, mas ela virou o rosto me evitando.

"Precisamos de um tempo.. pra pensar.. pra ver se vai funcionar..."

O que eu poderia fazer? Eu somente pude concordar com ela. Talvez precisássemos de um tempo. Talvez já era parte do destino. Nunca de verdade eu vou saber como seriam as coisas caso eu tivesse insistido um pouco mais. Porque eu sabia fazê-la esquecer de tudo e cair nos meus braços. Mas eu estava cansado. Cansado de tudo. E foi ai que eu decidi também dar o nosso tempo.

~.~

Sabe qual a frase que eu mais odeio que eu já disse em toda a minha vida?

"Precisamos de um tempo.. pra pensar.. pra ver se vai funcionar..."

Por vezes fecho meus olhos e parece que eu volto praquele dia. Pro mesmo momento. Eu talvez só queria um abraço dele. Coisa que não recebi.

"Ok.. faremos assim como deve ser.. vamos dar um tempo..."

Ele me encarou com os olhos cheios d´água e o meu coração partiu em dois. Naquele momento eu não sabia se aquela era a decisão correta. Talvez eu já pressentia que aquela maldita cena mudasse de vez nossos destinos.. e logo naquela época que estávamos tão felizes. Nunca ninguém entendeu nada. Eu nunca tive muita paciência de explicar.. porque de uma hora para outra o chão se abriu na minha frente e eu já sabia que não iria alcançá-lo. Não mais. Nunca mais.

~.~

Eu não estava para festa quando me arrancaram de casa. Disseram que eu tinha que esquecer que eu estava novo demais pra ficar chorando ou esperando mulher. Não fui com intenção de fazer nada demais. Pensei em ir, espairecer e logo voltar pra casa. Mas infelizmente eu comecei a beber mais do que devia e quando vi no outro dia eu estava acordado ao lado de uma menina que eu mal conhecia. Mal conhecia porque ela era amiga de uns amigos. Mas mesmo assim. Me senti o maior cretino o mais idiota do mundo e eu sabia que caso ela soubesse, ai que ela jamais me perdoaria. Foi nesse momento que eu chorei mais uma vez.

A vi mais uma vez nas festas, mas até ela era despreocupada e me disse que compreendia bem as coisas. Se culpou por também estar bêbada e nem mais duas semanas se passaram quando chega meu amigo contando a novidade que mudaria para sempre a minha vida.

~.~

Certo dia me encontrei de novo com uma esperança no coração de que retomaríamos tudo. Eu já estava convencida de que aquilo foi uma idiotice que nunca deveria ter acontecido. Mas eu não encontrei o Cory que eu esperava encontrar. Ele me apareceu cabisbaixo e eu já sabia que a noticia que eu iria receber não era nada boa. O vi ele passando as mãos uma na outra, respirar fundo e me olhar de uma maneira que ele jamais tinha me olhado.

"Vim falar pra você antes que qualquer outra pessoa lhe conte..."

Eu ainda me lembro que cada palavra que ele falava eu sentia que o meu coração ia parando de bater. Quase desmaiei aquela hora. Foi uma das piores sensações que eu já senti em toda minha vida. Eu não podia falar nada. Eu já não podia fazer nada. Eu somente me calei e o abracei.

~.~

Ela me apoiava da forma que ela podia. Nunca mais voltamos a ser nem os amigos que éramos antes. Tivemos que esquecer nossos sentimentos e nos lembrar que agora, provavelmente, nada mais entre nós iria funcionar.

Eu sou um homem de palavra, de promessas que odeia deixar as pessoas na mão. Não cheguei bem a me casar com a May. Nos juntamos, a apoiei em tudo e a levei para o meu apartamento. Ainda estávamos nos conhecendo e vendo se as coisas iriam ou não funcionar entre nós.

Mas infelizmente quando tudo parecia talvez já estar indo bem. Ocorreu aquele acidente.

Foi quando eu me vi sozinho com uma filha de três meses para cuidar. E por mais uma vez ela veio e me ajudou.

~.~

Quando soube da noticia não sei porque eu me sentia na obrigação de ir vê-lo e saber como tudo estava. Verdade que mal nos falávamos e que eu sabia mais dele pela Naya e pelos programas de fofoca do que por qualquer pessoa.

Cheguei naquela tarde ao seu apartamento e o vi arrasado. Acho que nunca o tinha visto assim. Ele somente me olhou e me puxou para um abraço que durou longos minutos ate que ele foi interrompido pelo choro de um bebê.

"Você quer vê-la?" – ele me olhou com os olhos já vermelhos de chorar. Sinalizei com a cabeça e fui acompanhando-o ate um quarto devidamente decorado na cor azul bebe. Fui entrando lentamente e vi aquela coisinha pequena, loirinha chorando desesperada querendo um pouco de colo. Tomei a liberdade de colocá-la nos meus braços e ver se podia ajudá-lo pelo menos acalmando-a.

~.~

Quando eu a vi segurando a minha filha não suportei e tive que sair daquele
quarto. Se as coisas tinham acontecido assim talvez era porque provavelmente era uma chance para ficarmos juntos. Mas infelizmente ela já estava com outro. E por mais uma vez eu soube que as coisas não acontecem mesmo por acaso.

Lavei o meu rosto e bebi um pouco d´água voltando para o quarto. Ela estava recostada no berço passando a mão nela que tinha parado de chorar.

"Preciso ir..." – ela disse sem me encarar. – "no que precisar me chama...ok?"

"Ok..." – falei meio sem jeito – "obrigado por vir..."

~.~

Enfim.. as coisas são complicadas e muito cheias de detalhes. Esquento a sua mamadeira e volto pro seu quarto onde ela já estava deitada na cama somente esperando que eu fosse ler algo. Era mais ou menos uma rotina. Ela tomar leite, eu ler algo e logo depois ela cair no sono.

Pego um de seus livros prediletos. A Cinderela. Não sei como ela não enjoava
daquela historia que eu já tinha lido no mínimo 40 vezes.

"Aaaa..." – ela empurrava o lençol com os pés cada vez que eu lia uma cena que
ela amava – "tadinhaaa ficou sem sapatooo... mas ela poderia comprar depois um novo ne, pai?!"

"Ou andaria descalça.." – disse colocando o livro de lado olhando pro relógio. – "esta ficandoo tarde.. amanha eu leio o resto..." – me aproximei dela e beijei de leve sua testa.

"Mas.. já?" – como sempre ela reclamava.

"Já são quase 10 horas.. e eu tenho o que fazer..." – falo desligando a luz do quarto e deixando somente a da luminária – "boa noite princesa.."

"Boa noite meu príncipe..."