Why Not?
Item: Declaração
"Jay, não podemos"
Foi tudo que ele respondeu quando eu disse que o amava, pela sexta vez. Seis vezes, seis respostas iguais. Ele sempre olhava para os próprios sapatos tentando não me encarar e eu sabia que ele não seria tão firme na resposta caso levantasse o olhar, porque ele também me amava. Eu sabia o quanto ele queria dizer "sim", mas não dizia por achar que estaria traindo a confiança do meu pai caso se envolvesse comigo. A pior parte é que depois de cada recusa ele ficava miserável, seu cabelo perdia a cor e ele só aparecia lá em casa em horários que sabia que não me encontraria.
Às vezes eu odiava o fato dele ser afilhado do meu pai, odiava o fato dele ter crescido conosco, porque tornava tudo tão difícil. Tão complicado. Quer dizer, complicado na cabeça de Teddy. Nunca vi toda essa complicação da qual ele vivia falando. Eu o amava, ele me amava e pronto. Simples assim. Mas não! Com ele tudo tinha que ser pensado, medido, planejado. Eu já estava ficando cansado de me declarar de seis em seis meses e receber um "não podemos" como resposta. Não podemos o caramba.
E justamente por estar de saco cheio dessa situação resolvi que me declararia pra ele na frente da família inteira. Se o problema todo era Harry Potter, ele não teria mais desculpa nenhuma para me recusar. E foi exatamente o que eu fiz. No meio do jantar virei pro meu pai e disse que amava Teddy e que nós iríamos ficar juntos, ele aprovando ou não.
A mesa inteira parou de comer esperando a reação do patriarca dos Potters, embora ninguém parecesse realmente surpreso com a informação, nem mesmo a lesma do Albus. Já Teddy estava quase se escondendo debaixo da mesa, seus cabelos mais vermelhos do que nunca e nem mesmo quando meu pai aprovou o namoro - e disse que Teddy era o melhor genro que ele poderia ter – eles voltaram a cor normal.
No fim, Teddy aceitou o pedido de namoro. Embora tenha passado uma semana reclamando sobre como eu sempre fazia as coisas sem pensar nas conseqüências e que eu não podia tomar decisões importantes como aquela sem falar com ele primeiro, principalmente se o assunto em questão fosse fazê-lo passar por momentos constrangedores.
Os sermões eram os mesmos de antes, com a diferença de que agora eu podia calá-lo com um beijo – e era exatamente isso que eu fazia todas às vezes.
Drabble escrita para o projeto All Colors da seção Teddy/James S. do fórum Ledo Engano.
