Capitulo II
Um novo eu
Ginny acordou, numa manhã cinzenta de domingo com uma grande dor de cabeça. Passara todo o sábado a chorar, fechada no seu antigo e pequeno quarto da Toca, até que adormecera, já de noite, sobre a sua cama.
Levantou-se lentamente, pois sentia-se fraca. Andou até à janela e olhou para o horizonte. Um enorme raio cortou o céu nesse momento dando início a uma impetuosa chuva. Ginny olhou para esta triste imagem, mas não deixou de sorrir. Tinha tomado uma decisão. Ia parar de sentir pena de si própria. Ia lutar por aquilo que queria e uma das coisas que mais queria naquele momento era tirar Harry Potter da sua cabeça e principalmente do seu coração.
Olhou pela janela para todo aquele cenário tenebroso, que para Ginny era simplesmente belo. Não se lembrava de alguma vez ter ficado tanto tempo à sua janela, a olhá-lo, pois parecia que só agora o via realmente.
Sentiu alguém no seu quarto e ao voltar-se viu Hermione.
- Bom dia Ginny. Desculpa não ter batido, mas pensava que ainda estavas a dormir.
- Não faz mal – disse voltando a olhar para o exterior.
- Como é que estas?
Ginny olhou para Hermione e deu um grande sorriso. Hermione sabia que aquele sorriso era para esconder a profunda tristeza que sentia. – Não te vou mentir Hermione. Estou completamente desfeita, mas tomei uma decisão. Vou esquecê-lo e vou lutar por aquilo que eu quero.
- E o que é que tu queres?
- Quero acabar o meu curso e ser aquilo que eu sempre sonhei vir a ser. Uma boa medibruxa. Também quero ser feliz e vou lutar para que isso possa acontecer. Vou aproveitar as oportunidades que surgirem e caso isso não aconteça, vou criá-las. Não me vou limitar a esperar que elas me batam simplesmente à porta.
- Gosto de te ouvir falar assim. E se achares que podes vir a precisar de alguma ajuda para atingir esses teus objectivos, fica a saber que eu vou estar sempre por perto.
-Eu sei! Obrigado – disse Ginny dando um grande abraço a Hermione.
- Vá, vá – disse Hermione, dando algumas palmadinhas nas costas de Ginny. - Vai tomar um bom banho e desce para comeres qualquer coisa. Deves estar faminta, desde de sexta que não comes nada. Além disso os teus pais e irmãos estão a ficar preocupados contigo. Eu ontem consegui evitar que a tua mãe cá entrasse. Disse-lhe que estavas a estudar e que não querias ser incomodada. Acredita que não foi fácil impedir a Sra. Weasley de cá entrar.
- Obrigado Hermione. Obrigado por tudo.
-Deixa-te de coisas e vai lá tomar banho. A tua mãe já está a preparar os ovos. É melhor despachares-te.
Ginny entrou na banheira, onde corria água quente. Depois do banho vestiu-se rapidamente e desceu para tomar o pequeno-almoço.
- Então filha. Como é que estás? Estás a sentir-te bem? Ontem não desceste. Fique preocupada, mas a Hermione disse-me para não ir ao teu quarto porque estavas a estudar – disse a Sra. Weasley, colocando uma mão sobre a testa de Ginny.
- Eu estou bem, mãe. Não te preocupes.
- É verdade mãe, o Harry perguntou se existia algum inconveniente haveria mal se a Cármen viesse jantar connosco na sexta – Ginny ficou pálida e deixou cair a torrada, ao ouvir o que o irmão acabara de dizer.
- Claro que pode, querido. Ela pode vir cá sempre que quiser.
"Ainda bem que já não vivo nesta casa." Pensou Ginny enquanto apanhava a torrada.
- É verdade, Ginny jantas cá hoje?
- Não, mãe. Infelizmente não janto, nem almoço. Tenho... er… umas coisas a tratar. Desculpa, mas não vai dar.
Ginny acabou o pequeno-almoço, mais rapidamente do que esperava. Despediu-se dos pais e irmão e aparatou num beco por detrás do prédio onde vivia. Em Londres ainda não chovia, embora o céu estivesse muito escuro, ameaçando a chegada de chuva a qualquer momento.
- Bom dia, senhora Aida – disse Ginny, a uma senhora de cabelo grisalho, que estava sentada por detrás de um pequeno balcão, no hall do seu prédio.
- Bom dia, minha querida – respondeu-lhe um rosto amável e cansado. – Então, passou-se alguma coisa? Ontem fui ao seu apartamento para falar um bocadinho consigo e não estava lá ninguém. Fiquei um pouco preocupada.
Ginny sorriu. Gostava da senhora Aida como de uma avó. Desde que Ginny alugou o seu apartamento à senhora Aida, há quase 4 anos. Era rara a semana em que esta não lhe leva-se um bolo, ou umas bolachinhas feitas por ela. – Não vale a pena preocupar-se D. Aida. Eu fui passar o fim-de-semana a casa dos meus pais.
- Fez muito bem menina. E está tudo bem com os seus paizinhos?
- Sim, está tudo bem com eles.
- Ainda bem. Qualquer dia tem de lhes dizer para voltarem cá para me fazerem uma visita. São pessoas um pouco estranhas, mas muito boas pessoas.
- Não se preocupe, eu digo-lhes – Ginny sorriu e começou a subir as escadas lembrando-se da última visita que os seus pais lhe fizeram. Era normal que a D. Aida achasse os seus pais um pouco estranhos. Nessa visita, o seu pai não parava de perguntar coisas à velha senhora, desde como é que funcionava o dinheiro muggle, os cartões de crédito, os telemóveis e os elevadores, o que levava a Ginny a dar razão à D. Aida, por esta os considerar estranhos.
Mal entrou no seu apartamento colocou a mala em cima do sofá e foi para o quarto. Sentia-se exausta, pelo que se deitou sobre a cama, onde adormeceu passado pouco tempo.
Só a meio da tarde é que acordou sobressaltada com o som de um trovão.
" A trovoada deve estar perto"
Levantou-se e dirigiu-se à cozinha, onde preparou um chá. Quando a água começou a ferver, outro trovão fez-se ouvir, fazendo com que todo o edificio abana-se. Colocou o chá numa caneca, onde este fumegava e dirigiu-se para a sala onde ia preparar-se para ver um pouco de televisão.
Quando chegara ao apartamento, e se deparara com este estranho objecto, pensara que as televisões podiam funcionar quase como uma lareira e a rede de pó de Floo. Esse receio fez com que Ginny a evitasse ao máximo tendo, inclusive, colocado o aparelho, sob vários feitiços, até que Hermione lhe explicou como é que esta funcionava.
Ginny posou a caneca em cima da mesa e procurou o comando. Quando já estava farta de o procurar decidiu fazer o feitiço para o chamar. Só nessa altura é que viu uma pequena folha de pergaminho no chão, perto da porta de entrada. Apanhou-a e viu que se tratava de uma carta.
Era do Kevin.
" Oi, bela Ginny. Fui ai a tua casa mas não estavas, por isso, deixei o bilhete que estas a ler. Pelo menos eu espero que sejas tu, bela Ginny. Bem, o que eu fui aí fazer foi convidar-te para sairmos amanhã, domingo. Era giro ir à noite muggle. Vai ser como uma festa de final de curso. Eu sei que ainda faltam umas duas semanas, ou três, mas bem, tu percebes a ideia. Vai lá estar a escola em peso. Vou-te buscar às 20 horas. Adeus, bela Ginny. Daquele que sofre do coração por tua causa, Kevin."
Ginny acabou de ler o pergaminho e sorriu. " Saída hoje, para toda a escola, num lugar cheio de muggles. Um grupo de feiticeiros a beber com os muggles. Vai ser bonito, vai. Não sei de quem é vou ter mais pena. Se dos muggles ou do pessoal da minha escola. Não vou!"
- E, daí, porque não? – Disse Ginny olhando para o relógio.
Ainda faltava cerca de duas horas o que dava muito tempo para Ginny se prepar.
Foi tomar um duche rápido e depois foi para o quarto escolher a roupa. Não demorou muito até a sua cama estar coberta desta. Ginny não costumava demorar muito tempo a escolher a roupa quando queria sair, mas nessa noite não queria estar apenas bonita. Queria arrasar. Queria sentir os olhares das outras pessoas, queria ser a mais bonita do grupo.
Sem saber o que vestir, começou a experimentar toda a roupa. Decidiu usar umas jeans de cintura descaída, que lhe ficavam muito justas nas ancas,
acentuando a silhueta, e um top preto de atar ao pescoço e que lhe ficava ligeiramente por cima do umbigo.
Esticou o cabelo, deixando alguns fios caírem-lhe para a cara, e depois pintou os olhos com uma sombra branca e contornou-os com lápis preto, o que lhe realçava os seus olhos castanhos. Aplicou um pouco de blush para dar um pouco de cor à sua pele branca e ao mesmo tempo para disfarçar as sardas. Aplicou gloss nos lábios, o que os tornava maiores e mais volumosos.
Ginny olhou-se ao espelho. Não parecia ela. Ao observar o seu reflexo, Ginny já não via a rapariga frágil que dava tudo por um olhar de Harry Potter. Ela agora via uma mulher lutadora, que se preocupava mais consigo do que com qualquer outra pessoa.
Kevin bateu à porta pouco passava das 20 horas. Ginny correu para lhe abrir a porta. Nesse momento Kevin olhou para Ginny e ficou sem reacção.
- 'Tás linda – balbuciou Kevin ao ver Ginny.
- 'Brigada Kevin. Tu também estás muito bonito. Vamos?
Kevin assentiu com a cabeça e juntos começaram a descer as escadas. Ele não parava de olhar para Ginny, como se só agora ele a conseguisse ver, como se só agora visse a verdadeira Ginevra Weasley.
- Ginny, nós vamos jantar fora e só depois é que nos juntamos com o resto da turma, pode ser?
Ginny olhou desconfiada para Kevin, mas aceitou, porque não era nada que ela já não estivesse à espera.
Apanharam um táxi, o que deixou Ginny impressionada, pois o carro era diferente dos carros a que ela estava habituada. Este tinha umas luzes em cima e tinha uma caixa que ia falando com o condutor a dizer que tinham telefonado e de onde é que o tinham feito, entre muitas outras coisas que Ginny não cpnceguia perceber.
O táxi parou em frente a um restaurante com grandes letras brilhantes em cima, onde se podia ler "Império". Ginny já sabia que essas letras eram iluminadas por electricidade, tal como todas as luzes da cidade, embora ainda não conseguisse perceber exactamente o que era electricidade.
O condutor virou-se para trás e disse que eram 10 libras. Embora tivesse algum contacto com o dinheiro muggle, ainda ficava muito confusa e demorava algum tempo a contar o dinheiro, mas Kevin não. Parecia estar completamente à vontade nesse assunto. De facto, parecia que tudo era normal para ele.
Entraram os dois juntos no restaurante e diram-se a um senhor com ar sisudo, que estava atrás de uma mesa alta. Kevin falava com o homem enquanto Ginny olhava em volta. O restaurante era pouco iluminado, tendo pequenas velas no
centro de cada mesa, o que tornava o ambiente muito romântico. Podia sentir-se um leve aroma a rosas que pairava no ar.
- Queiram-me acompanhar por favor – disse o mordomo, indicando uma mesa.
Kevin colocou-se por detrás de uma cadeira e fez sinal a Ginny para esta se sentar. Ginny estranhou o comportamento de Kevin, mas sentou-se. Este sentou-se, em seguida, em frente a esta.
- Gostas? – perguntou Kevin ao reparar no olhar de Ginny que percorria toda a sala.
- Kevin, tudo isto é lindo. Acho que nunca tinha ido a um sítio assim tão … encantador.
Kevin sorriu.
- Ainda bem que estás a gostar.
- Os senhores já sabem o que vão escolher? - perguntou um mordomo entregando um cardápio a Ginny e outro a Kevin.
- Sim. Eu quero salmão – disse Kevin olhando para a ementa.
- E para beber?
- Pode ser vinho da casa Ginny?
- Sim, sim por mim tudo bem.
- Muito bem. E a senhora, o que vai desejar para comer.
- Hum … têm pizzas?
- Lamento minha senhora, mas penso que não poderei satisfazer o seu desejo – ao ouvir isso Ginny olhou para Kevin que tapou a cara com a mão para esconder o riso. Nesse momento Ginny corou violentamente. - Mas posso aconselhar-lhe o bife da casa que esta divinal – acrescentou o mordomo, simpaticamente.
- Sim, pode ser – disse Ginny olhando para as mãos.
Quando o mordomo se afastou Kevin não aguentou mais e desatou-se a rir.
- O que é que foi? Perguntou inocentemente Ginny.
- Ginny, nós estamos num restaurante requintado, como já te deves ter apercebido, logo aqui não há pizza.
- Mas eu não sabia – defendeu-se Ginny corando ainda mais, apertando o guardanapo entre os dedos.
- Pois, afinal és uma puro-sangue. É normal que não saibas muitas coisas sobre os muggles e as suas comidas.
- Pois… E tu, Kevin, como é que sabes tanto sobre os muggles? Primeiro foi o táxi, depois o dinheiro muggle e agora aqui no restaurante. Como é que sabes tanta coisa?
- É que eu sou filho de muggles. Sempre fui criado à margem do mundo mágico e só fiquei a conhecer este mundo depois de receber a carta de Durmanstrang.
- Não fazia ideia – admitiu Ginny.
- Ficaste desapontada Ginny?
- Porquê? Por teres estudado em Durmanstrang? Claro que não. A escola tem fama mas eu até conheço algumas pessoas que estudaram lá e são muito simpáticas – disse Ginny, que só agora se apercebia que mal conhecia Kevin.
Kevin sorriu timidamente.
– Não é isso Ginny. Eu quero saber se ficaste desapontada por eu não ser como tu, por eu não ser um puro-sangue?
- O quê? Mas é claro que não! – disse Ginny espantada com a pergunta de Kevin – Fica sabendo que uma das minhas melhores amigas, e que por acaso é mulher do meu irmão, é filha de muggles e provavelmente não vais encontrar melhor feiticeira que ela.
Kevin sorriu timidamente. Estava-se a sentir estúpido por ter feito aquela pergunta.
– Gostavas de comer uma pizza? – Perguntou Kevin na tentativa de mudar de assunto.
- Sim, adorava. A Hermione e o Harry passavam a vida a dizer-me que piza é óptimo e eu sempre quis ir a um restaurante muggle para poder comer uma, mas nunca tinha vindo a um restaurante muggle e …
- E ficaste desiludida por o primeiro restaurante muggle que vens não ter?
- Não diria desiludida, mas um pouco baralhada. Porque é que só alguns restaurantes muggles é que têm pizza. É rara?
Kevin não pode deixar de se rir ou ver a inocência de Ginny – Sabes Ginny, piza não é propriamente rara, muito pelo contrário. Mas fica descansada, que eu para a próxima levo-te a uma pizzaria.
"Quando chegar a casa tenho de ir ver o que é uma pizzaria:" pensou Ginny sorrindo para Kevin, para que este não se apercebesse que ela não percebia nada de muggles.
Os pedidos não tardaram a ser servidos. Ambos comeram e conversaram ao longo do jantar. Kevin ia explicando como é que funcionavam muitas das coisas muggles que Ginny ia vendo nas outras mesas, como um telemóvel, embora não percebesse como é que era possível uma pessoa falar para um caixa e outra pessoa, que estava longe, conseguia ouvir e responder, principalmente porque aqueles eram mais pequenos e não tinham nenhum fio como os telefones que Ginny estava habituada a ver.
- Kevin, já são quase 21h30. A que hora é que ficamos de nos encontrar com o resto da turma?
- Er … sabes Ginny. Em relação a festa com a turma, acontece que …
- Por acaso não me vais dizer que ficaram todos doentes e que cancelaram à ultima da hora, pois não? É que se for isso ou qualquer coisa dentro desse género fica já a saber que eu não acredito.
- Er … pois é que, sabes eles … eles…
- Podes confessar. Inventaste a saída da turma para me convenseres a sair contigo?
- Pois … basicamente foi mais ou menos isso que aconteceu – disse Kevin timidamente.
" Já era de esperar. Será que ele nunca aprende?" Pensou Ginny.
- Ficaste chateada comigo?
- O que é que achas?
- Desculpa, Ginny. É que eu queria muito sair contigo, mas sempre que te convidava tu dizias sempre que não e eu pensei que talvez assim tu aceitasses – confessou Kevin.
Ginny olhou seriamente para Kevin e depois sorriu. Percebia a atitude de Kevin. Ela não costumava sair. Passava grande parte das noites a estudar ou então a fazer serões em casa de Cândida, uma das suas melhores amigas da faculdade. Contudo, Ginny prometera a si própria que iria aproveitar todas as oportunidades que lhe surgissem à frente e estava determinada a esquecer Harry. Por isso sabia que iria aceitar aquele convite, mesmo sabendo que seria só com Kevin. Mas este não precisava de saber isto, pelo menos, por enquanto.
- Não te preocupes mais com isso. Estou a gostar muito e não quero estragar a noite por um simples erro de cálculo no número das pessoas que supostamente deveriam cá estar – disse Ginny levantando o seu copo para fazer um brinde.
Oi.
E aqui fica mais um capitulo postado.
Espero que estejam a gostar. Eu estou a adorar escrevela.
Quero agradecer ao Miguel, por me "betar" a fic. LOL.
Estou à espera de reviews.
Jinhos fofos.
