Severo andava pela escola a passos rápidos, se detinha para não sair correndo. Olhou para trás, depois de um tempo caminhando pelos corredores, e percebeu que os tinha mesmo deixado para trás. Seus caminhos percorridos já estavam ficando cada vez mais calmos, sem ninguém por perto; quando deixou escorrer uma lágrima, uma lágrima de cansaço, de dor. Não sofria tanto por ser Potter, ou Black; mas por ser alguém, ele não tinha muitos momentos bons, e seus momentos ruins que já eram bastante constantes eram prolongados por aquele ser desprezível que era James; um homem sem tradição, zombador, sem grandeza, que usava da pouca felicidade dos outros para se usufruir, e a deixar (a pessoa) apenas com seu sofrimento vazio e continuo.

Era injusto, como um garoto como Potter era amado como um ídolo, um exemplo. Potter não era exemplo para ninguém, nem ele era. Contudo, eles o amavam e o idolatravam; faziam todas as coisas idiotas que ele fazia para agradá-lo; isso era deveras irritante e temível. Todos começavam a agir que nem idiotas como se fosse bonito, legal ou certo. Ele gostava de magia negra, por que poucos a dominavam, ela causava dor, sim, é verdade, mas poderia ser usada para um bom propósito, pelo menos de início...

Enquanto isso, Potter ria no salão comunal de sua casa, conversando com seus amigos e colegas:

- Você viu como ele ficou? Enlouqueceu. – dizia entre gargalhadas que todos reproduziam, sorrindo para ele. Todos, depois do choque, voltaram a olhar James como o apanhador fantástico do time de Quadribol da Grifinória; um ídolo.

- Ele mostrou suas garras. – disse Remo, com seus óculos de leitura caídos sobre o meio de seu nariz, folheando uma revista ilustrada que chegara a pouco tempo do correio de corujas.

- Ele não é uma águia, ele é uma cobra, Remo. – sorriu James, Remo deu um sorrisinho amarelo, sem muitas perspectivas. – Enfim, mas o livro dele ainda está comigo – continuo James. – Vamos entregar o livro de uma forma especial – Não é, Sirius?

- Hum?

- Sirius? O que houve com você? Levou um balaço perdido?

- Ah, não. Mas o que você disse?

- Eu disse que vamos entregar o livro do Sebosinho de uma forma muito especial, e carinhosa.

- Ah, tudo bem...

- SIRIUS?

- QUE?

- Nada, nada...

- Ta...

Sirius se levantou e disse:

- Meus queridos, eu vou dormir, estou com sono, quero dormir o máximo que posso. – deu um riso cansado, e apertou os ombros de James. – De um tempo pro Ranhoso. Depois o encheremos, ok?

James fez uma carreta de contrariação, mas pensando bem, concordou, mesmo com um pouco de aversão. Era delicioso a ele, sacanear Snape o máximo que conseguia. Sirius piscou para Remo, que disse que ia dormir também:

- Ora, todos vocês vão? Por quê? Eu quero vocês aqui. – e fez um bico de menino mimado, tanto Sirius quanto Remo riram, e fizeram gracinhas em seus cabelos, bagunçando-os ainda mais do que já eram.

- Temos sonhos para sonhar. – respondeu Remo com aquela voz rouca, aquela paciência, e aquele olhar perdido de quem era um lobisomem.

James concordou e começou a falar de Quadribol, enquanto os dois subiram, e entravam no dormitório.

Ao mesmo tempo em que essas coisas aconteciam no salão comunal da Grifinória; Snape entrava devagar no seu salão comunal, passando os olhos rápidos pelos rostos virados para ele. Todos, aos poucos, ficaram sabendo da grande fúria que Snape descarregará em cima de Potter. Os sonserinos estavam orgulhosos, realmente, muitos o olhavam de uma forma diferente; é verdade que nunca o deixaram de respeitar, mas agora tinha um brilho a mais, um respeito de acenos, e consentimentos mudos:

- Olá, Severo! Como vai você? – disse Lestrange, se aproximando, e dando-lhe a mão para um comprimento; cheio de sorrisos, e aquele artificialismo de sempre.

Snape o cumprimentou por mera formalidade, fez um aceno, e o respondeu lacônico com um "Ótimo", e pediu licença, sem esperar resposta e se dirigiu a seu dormitório.

Sentou-se em sua cama, exausto, inclinou as costas em direção as pernas, e apoiou seus braços nelas, mais especificamente os cotovelos, apoiando seu rosto em suas mãos. Não sabia o que fazer, estava pensando em dormir, mas ainda tinha alguns trabalhos para terminar; então se decidiu por fazer uma fácil poção para dor de cabeça, para se sentir mais calmo para, enfim, poder terminá-los.

Enquanto vazia a poção, e a esperava chegar ao ponto; decidiu-se por tirar seu sobretudo, e as roupas mais pesadas, ficando de meias, camisa e calça social. Desabotoou um pouco a camisa, pois sentia o ambiente, do seu quarto, abafado, ou se sentirá assim por qualquer coisa; que talvez dissesse algo de seus sentimentos, ou talvez fosse a mera e plena interpretação da realidade.

Em algum momento de seus devaneios, a porta se abriu, e um homem loiro, pálido, rijo, se encontrou na moldura onde a porta havia a pouco tempo estado:

- Severus... Que excelente notícia! – disse entrando, espalhafatoso, soberbo, como um pavão, com um sorriso exultante nos lábios; contentíssimo. – Foi o melhor ato de...digamos, de...Ah, honraria a nossa linda casa Sonserina. – disse-lhe Lucius, abraçando fraternalmente, como nunca o fizera antes. Mesmo que já tivesse um contato expressivo com seu colega moreno, nunca havia o tratado dessa maneira.