Capitulo II – Aquele que a sombra esconde

Terajima não chegou a entrar na parte escura da praça, contentou-se por escutar a melodia no ultimo local onde ainda havia um feixe de luz. Conseguiu identificar o instrumento musical, se tratava de um violino. Por ter uma prima profissional nesta área da musica, sabia que não se tratava de qualquer violino, pois o som era realmente belo, diria até que perfeito. O violino era raro e muito caro, um exuberante Stradivari.

Antiga... Tranqüila... Um som refinado e belo... Assim, era a melodia.

Esta musica lhe trazia muitas lembranças, pois sua mãe a cantava quando era bebe. Ao entrar no ginásio, sua mãe faleceu e a única coisa que tinha dela, eram as fotos, uma carta e a partitura com a letra desta música.

Sentou-se no local mais próximo do musico, onde ainda havia um pouco de luz, passou assim, a cantarolar a musica, enquanto inúmeras imagens de sua mãe sorrindo, lhe vinham pela cabeça.

Only Human

Na margem do outro lado da tristeza
Dizem que se encontra um sorriso
Quando chegarmos lá
O que será que nos espera?

Naquele dia distante, parti para uma viagem
Em busca do sonho, e não para fugir

Se enxergasse amanhã, não estaria suspirando
Como um barco contra a correnteza
Agora siga em frente

No lugar onde termina o sofrimento
Dizem que a felicidade nos espera
Ainda procuro o girassol
Fora da época

Com as mãos fechadas espero o sol nascer
E vejo o brilho das lágrimas caídas
Na marca vermelha das unhas

Quando nos acostumarmos com a solidão
Vamos voar com as asas sem plumas
Vá mais para frente

Quando não houver mais nuvens de chuva
Vai brilhar a rua molhada
Só a escuridão nos ensina
O forte clarão
Com força, siga em frente.

Ao invés de se sentir triste por não poder mais compartilhar suas felicidades ou tristezas com sua mãe, sorriu, pois suas lembranças eram preciosas e sabia que tudo que lhe era valoroso nunca iria ser esquecido. Ou esse sorriso era apenas uma forma de esconder o que realmente sentia? Sim, ser forte é ótimo, mas mentir para si mesmo, é desprezível.

You Terajima: Bem, ainda são oito horas e não tenho mais nada para fazer, então vou ver como é esse musico...

Por alguma razão desconhecida, esse músico o atordoava, seria apenas curiosidade? Ou algo mais? Terajima entrou na penumbra, onde nada via. Quanto mais entrava na penumbra, mais a música se tornava escassa e uma essência forte de perfume misturado com sangue se fazia presente. Esse forte odor, que cada vez se intensificava mais ao entrar na penumbra, fazia com que sua visão ficasse turva.

Além da escuridão não deixa-lo enxergar, o cheiro forte lhe causava náuseas. Andava cambaleando com os braços estendidos para caso esbarrasse com alguma coisa, até que sentiu algo gélido tocar lhe as pontas dos dedos.