2- Can't break free

Bellatrix invadia todos os meus sentidos. Seu cheiro doce, sua pele alva, seus beijos, seu toques. Seus cabelos negros espalhados pelo lençol. O som de sua risada, de seu gemido. Eu me deliciava com cada detalhe dela. Então percebi que não era eu que me deliciava, era ele. Não era a mim que ela tocava, que ela beijava, não era para mim que ela gemia. Era para ele, para o Lorde das Trevas. Tive a mais terrível visão, o corpo perfeito de Bellatrix entrelaçado no magro e pálido do lorde, movendo-se numa dança apaixonada.

- Nããããooo! - acordei gritando e suando frio.

Não, eu não queria ver aquilo, eu não queria pensar naquilo. Mas não pude evitar que aquelas imagens inundassem minha cabeça quando olhei para o lado e vi o colchão vazio onde Bella deveria estar. Enterrei meu rosto em seu travesseiro, absorvendo o resquício do cheiro dela no tecido. Ela passava cada vez mais tempo longe de mim, cada vez mais tempo com o Lorde das Trevas. É claro que Bellatrix não me dizia que estava com ele, mas eu sabia. Nas reuniões, eu percebia os olhares que eles trocavam, de extrema intimidade e cumplicidade.

Nunca, nem em meus sonhos mais loucos, eu imaginaria que isso fosse acontecer. Eu tinha consciência de que Bella era apaixonada pelo Lorde, sabia que ela se dobraria a cada desejo dele. O que eu não imaginava era que ele fosse desejá-la. Sim, minha Bella era maravilhosa, mas a ponto do próprio Lorde das Trevas cair em seus encantos? Não, Bella sempre fora sua melhor guerreira, e eu achei que milorde nunca misturaria trabalho com prazer. Achei que eu sempre a teria para mim, porque o homem que ela amava era o único que não podia amá-la de volta. Parece que eu estava enganado.

Eu não me importava que ela me traísse, nunca esperei que Bella fosse um exemplo de moralidade, pois eu também não o era. Mas ela resolveu me trair logo com um homem que era superior a mim, um homem que tinha seu amor. O Lorde era o único que eu não podia superar, que eu não podia enfrentar. Se Bella tinha antes meu coração nas mãos, agora ela o tinha sob seus pés e pisava nele sem dó, prefurando-o com o salto fino.

Adormeci novamente pensando nela, e acordei na manhã seguinte decidido a esquecê-la. Eu não podia deixar que aquela mulher me destruísse daquela forma, sem ao menos lutar para me libertar dela. Chifre trocado não dói, não é o que dizem? Pois então eu ia fazer o meu parar de doer. Na noite seguinte, fui atrás Rabastan. Ele conhecia todos os melhores lugares para se sair no mundo bruxo. O encontrei no Três Vassouras com McNair, e tive a impressão de estar interrompendo alguma coisa, mas não me importei.

- Vamos sair hoje, Rabastan. Me leve para um daqueles lugares, um que tenha muitas mulheres. - eu disse, sem nem me preocupar com cumprimentos.

- Ora, Rold, achei que uma mulher como Bellatrix seria capaz de saciar esse seu apetite. - respondeu meu irmão, arqueando as sobrancelhas.

- Digamos que meu apetite é muito mais por variedade do que por qualidade. - falei, com minha melhor voz de cafajeste. Rabastan não devia saber meus motivos, eu não queria ser alvo de fofocas dos Comensais.

Ele negou com a cabeça, revirando os olhos exasperado. Levantou-se contrariado e pagou sua conta no balcão antes de voltar até mim e abrir seu casaco, retirando de lá um pequeno frasco de bebida e o estendendo a mim. Abri a tampa, receoso, e senti o cheiro do líquido que havia ale dentro. Poção Polissuco, reconheci.

- O que diabos? - perguntei para meu irmão, que sorriu de lado.

- Você é um homem casado agora, Rold, não vai querer ser reconhecido no lugar para onde nós vamos. - disse Rabastan, e tive que admitir que ele estava certo. Mas havia um detalhe sobre isso que ainda me incomodava.

- Com que aparência eu vou ficar?

- Não se preocupe, nada muito feio. - ele respondeu sorrindo. Arqueei uma sobrancelha, e ele percebeu que aquela não era minha preocupação. - Não, não é uma mulher! Dá para confiar em mim ao menos uma vez e beber logo isso?

Eu não tinha muita escolha, então dei dois grandes goles da poção, para em seguida Rabastan segurar meu braço e o de McNair e aparatar conosco. A sensação da poção fazendo efeito somada à aparatação acompanhada foi nauseante, mas eu já havia aguentado coisas piores. Aparecemos em frente à porta do Barrete Vermelho, e eu sorri de lado. Rabastan sempre sabia o clube certo para o meu humor. Entramos no lugar e fomos imediatamente cercados pela penumbra das luzes avermelhadas e pela música pesada e envolvente. ( wwwPONTOyoutubePONTOcom/watch?v=Z4d4yB-cm6E )

Rabastan e McNair desapareceram na pista de dança, em meio aos corpos de bruxas e bruxos que se moviam com a música quase como se fizessem amor. Fui para o lado do clube onde ficava o bar e pedi uma dose de uísque de fogo. Do outro lado do balcão do bar, havia um espelho no qual eu podia ver meu reflexo e, eu tinha que admitir, Rabastan não havia me sacaneado. Eu tinha a aperência de um rapaz alto, de olhos muito claros e cabelos cor de cobre.

Antes que eu chegasse na metade do meu uísque de fogo, uma mulher se aproximou de mim, sua linguagem corporal muito mais que sugestiva. Ela era loira e bonita, e eu correspondi às suas insinuações. Passei minha segunda e terceira dose de uísque com ela, seus beijos em meu pescoço e a lap dance que ela fez me deram um tipo estranho de satisfação, como se estivesse provando para Bellatrix que, se ela não me queria, qualquer uma podia preencher seu lugar. Dei vários galeões à loira, mas minha mente não estava realmente nela, e chegou um ponto em que não pude mais me enganar. Ela não era Bellatrix, e não podia preencher seu lugar.

Deixei-a de lado e me juntei às pessoas dançando. Mas que merda! Eu tinha ido ali para me esquecer dela, e eu acabava pensando cada vez naquela maldita mulher. Eu não queria amá-la, eu nunca quis me apaixonar, por que diabos Bellatrix tinha que mudar isso? Eu sempre soube que ela era problema, eu sempre soube que ela não me amava, mas continuei me afundando nela, ignorando a consciência que me dizia que aquilo não acabaria bem. Não pude evitar cair em sus encantos. Não havia muito tempo que eu diria que Bella era meu amor e eu nunca queria deixar esse amor acabar. Agora eu estava tão ferido que tudo que eu mais queria era que aquilo acabasse. Eu sabia que nunca me libertaria dela enquanto não deixasse o que eu sentia ir embora, mas quem disse que eu conseguia fazer isso? Bella não era só meu amor, ela tinha se tornado minha droga, um vício que eu estava tentando desesperadamente deixar, mas não conseguia.

Já que ela era um vício, eu tentei substituí-la por outra droga, a bebida. Dancei por um bom tempo, tendo sempre a companhia de um copo de uísque de fogo. Fui beijado e tocado em diversos lugares por todo tipo de gente, e o clima pesado e quente do clube foi tudo que ocupou minha mente inebriada por esse tempo. Tive a ilusão de tê-la esquecido, até que vi se aproximar de mim uma mulher de cabelos negros e sedosos moldados em cachos largos, pele alva e pálpebras pesadas. Meus olhos, já um pouco turvos, acompanharam cada movimento seu. Ela se parecia tanto com Bella, tanto... Eu sabia que meu objetivo ali era me libertar de Bellatrix, mas eu já estava por de mais ébrio para me lembrar disso.

Fui até ela, percebendo que era muito jovem, vinte anos no máximo, a idade que eu aparentava com a Polissuco. Mesmo embriagado, eu pude perceber que ela tinha o sangue puro, seu jeito de falar e andar indicava isso. Será que teria algum sangue de Black correndo nas veias? Eu não duvidaria, pela sua aparência. Descobri seu nome depois de alguns beijos e outras carícias. Yasmin Bruke. Com certeza tinha parentesco com os Black, mesmo que distante. O resto da noite foi um borrão, apenas alguns flashes do que aconteceu permaneceram em minha memória. A música. A fumaça da turma de adolescentes fumando folha de mandrágora. Yasmin nua gemendo sob mim.

Acordei no dia seguinte com uma Cruciatus concentrada apenas em meu crânio. Tentei abrir os olhos, mas tudo que vi foi uma janela aberta pela qual entrava a luz de mil sóis. Tampei o rosto com o travesseiro e resmunguei algum impropério, ainda incapaz de pensar racionalmente. Mesmo com as pálpebras cerradas, percebi que o ambiente ficara mais escuro, e tentei abrir os olhos novamente. As cortinas haviam sido fechadas. Pude finalmente olhar em volta, e vi que estava em um quarto pequeno, infinitamente menor que meu quarto na Mansão Lestrange. Onde diabos eu estava? Com as pesadas cortinas fechadas, o lugar era escuro e não tinha a aparência de ser visitado diariamente por elfos domésticos.

- Que lugar é esse? - murmurei, ainda meio sonolento.

- É um dos quartos para alugar do andar de cima do Barrete Vermelho, é claro.

É claro. Virei-me para quem dissera aquilo e vi uma mulher vestida apenas com um sutiã e uma calcinha de renda negros, com uma das pernas apoiada no assento de uma cadeira que havia no canto, subindo lentamente uma meia calça por esse perna. A bruxa tinha cabelos castanhos escuros, quase negros, sua pele era clara e ela o olhava por trás de pestanas compridas. Quando vi a mulher, um pedaço de memória da noite anterior passou em minha cabeça. A imagem vívida de seu belo rosto contorcido em prazer, gritando sob minhas estocadas fortes.

- Diga que é minha. - eu dissera, mas ela continuara apenas gemendo. Minha mão ergueu- se e desceu de uma vez em sua bunda. - Diga que é minha, sua vadia!

- Oh Merlin, Lestrange! Sou sua! - ela gritara, à beira do orgasmo.

- Ah Bella... - eu gemera, deixando-me gozar dentro dela.

Mas ela não era Bella, era Yasmin Bruke. De volta ao presente, eu via que a luz que entrava da fresta da cortina iluminava os cabelos da mulher, tornando-os castanhos escuros, e não negros. E essa não era a única diferença ente a mulher vestindo-se à sua frente e a bruxa com a qual eu me casara.

- Merda. - resmunguei, levantando-me para procurar minhas roupas. Eu havia saído na noite anterior com o objetivo de esquecer Bellatrix, e acabara na cama com uma cópia mal feita dela.

- Bom dia para você também, Monseur Lestrange. - falou a mulher, com um leve tom irônico, enquanto subia o zíper de seu vestido.

- Alguém me viu assim na boate? Com esse corpo? - perguntei, vestindo minhas calças.

- Não. Você não perde totalmente a cabeça quando está bêbado, sabia? Quando a poção começou a perder o efeito, você me trouxe aqui para o quarto. Seu segredo está seguro comigo, Lestrange.

Eu ri daquela última frase, já começando a vestir minha camisa.

- É claro que está. É com esse tipo de frase que surgem os boatos... - ironizei, enquanto ela amarrava os saltos. Ela soltou uma risada, negando com a cabeça.

- Acha que sou louca? Não sei como é seu relacionamento com Madame Lestrange, mas termo aquela mulher acima de qualquer amor que eu possa ter por fofoca, a última coisa que quero é a ira dela sobre mim.

Não pude deixar de sentir uma pontada de orgulho de Bella ao ver o tipo de medo que ela conseguia causar até mesmo entre os sangue puro.

- O quarto já está pago? - perguntei, desviando do assunto.

- Sim, você o pagou na entrada. - respondeu, distraída com as amarras de seus sapatos.

- Ótimo.

Vesti minha capa e encontrei minha varinha em um dos seus bolsos. Saquei-a silenciosamente e a apontei para Yasmin. Ela levantou a cabeça para me encarar e arregalou os olhos ao deparar-se com minha varinha. Vi o espanto e o medo em seus olhos escuros, e gostei de saber que também eu era temido. Não dei tempo nem para que a moça reagisse, estuporei a coitada com um simples aceno, e então a obliviei. Seria melhor assim.

Aparatei em seguida na mansão Lestrange, extremamente consciente de que eu nunca havia feito uma coisa dessas depois e me casar. Comecei a senti-me culpado, mas então lembrei a mim mesmo que tudo aquilo era culpa de Bellatrix e seu caso com o Lorde das Trevas. Ela provavelmente nem estava em casa ainda. Provavelmente nem notaria minha escapada. Amargurado com esse pensamento, abri na sala da mansão uma estante em que guardávamos poções úteis já preparadas. Peguei um frasco de poção para dor e virei-lhe na garganta de uma só vez, para acabar logo com aquela ressaca.

Atravessei a sala sem olhar muito em volta e fui em direção às escadas, com a intenção de tomar um banho para tirar de mim os vestígios de o que quer que eu tenha feito na madrugada anterior. Quando estava quase chegando aos pés da escadaria, ouvi atrás de mim o barulho inconfundível de um feitiço de fogo se acendendo na ponta de uma varinha. Voltei-me assustado e dei de cara com Bellatrix, sentada majestosa em uma poltrona de veludo escuro, de frente para mim.

Ela segurava a varinha em sua frente, uma pequena chama brilhava em sua ponta e refletia em seus olhos, onde queimava uma chama negra muito mais perigosa. Naquele instante, entendi perfeitamente porque minha esposa era tão temida, e experimentei daquele medo. Nossos olhos perderam-se um ao outro, e eu fiquei simplesmente paralisado ali. Ela abaixou lentamente a mão que segurava a varinha, até que a pequena chama pousasse em um objeto na mesinha ao lado da poltrona.

Só então reparei no que havia ali: um copo de absinto puro, com uma colher própria equilibrada em suas bordas e um torrão e açúcar quadrado em cima desta. A chama acendeu o açúcar, formando uma luz azulada que soltava uma fumaça impregnante. Aos poucos, o açúcar derretido pingava no absinto, as gotas claras serpenteando pelo líquido esmeralda e dissolvendo-se a ele lentamente como a fumaça acima do copo dissolvia-se no ar.

- Eu chego em casa de madrugada... - começou a falar, sua voz baixa mas carregada de ironia. Sua mão pegou o cabo da colher e virou-a, fazendo o açúcar cair dentro do copo, aumentando ainda mais as chamas. - cansada do trabalho, procurando meu marido para matar saudades, e o que encontro? A casa vazia até essa hora, e meu querido maridinho voltando pela manhã com as roupas abarrotadas, cheirando a álcool e a sexo. Por que não me chamou para sair também, Rold? Eu queria me divertir... - Ela largou a colher e pegou um copo de água gelada que havia ao lado, derramando um pouco no absinto, apagando as chamas e rescendendo a fumaça.

Ah era tão irônico que aquela situação estivesse acontecendo comigo, eu que tantas noites passara em claro enquanto ela se divertia... Talvez fosse bom que Bella provasse do próprio veneno.

- Você não tem me chamado para suas diversões com o Lorde das Trevas, então achei que não apreciasse mais minha companhia - rebati, com amargura na voz.

Ela sorriu, a fumaça da bebida emoldurando seus olhos de forma sedutora. Merlin, eu devia estar mesmo muito bêbado na noite anterior para achar Yasmin remotamente parecida com ela. Não havia ninguém que pudesse chegar aos pés de Bella.

- Do que está falando, Rold? - ela disse, com falsa inocência. A fumaça se esvaiu e ela pegou o copo, bebendo um longo gole como se fosse subo de abóbora, quando eu sabia que todo aquele processo deixava a bebida não só mais saborosa, mas muito mais forte. - Minhas reuniões com o Lorde são puramente profissionais. - eu podia sentir de longe a zombaria em sua voz.

- Claro, havia me esquecido que sua função como Comensal é ser a puta do Lorde. - eu disse, enfurecido com o cinismo da mulher.

Rápida de mais para que eu pudesse reagir, ela levantou-se e me atirou no chão com um feitiço. Gritei quando senti a dor da Cruciatus que bateu no meio de meu peito e se espalhou pelo corpo em ondas da mais pura angústia. Ouvi seus passos se aproximando e senti o bico de sua bota pressionar-se levemente em meu pescoço.

- Nunca mais diga isso Rodolphus. - ela sibilou, sem cessar a maldição. Quando não respondi, ela apertou um pouquinho mais o pé em meu pescoço e aumentou a intensidade da maldição. - Ouviu? - sua voz assumiu um tom alto e maníaco. Lágrimas saíram dois meus olhos sem que eu pudesse as impedir. Assenti, quase desesperado, e ela cessou a maldição. Seu pé saiu de meu pescoço e ela veio se ajoelhar ao meu lado. - Onde estava, Rodolphus? - ela perguntou, sua voz agora baixe e quase doce, se eu não soubesse melhor.

- Ten...tentando te esquecer. - gaguejei, ainda dolorido pela força da Cruciatus, e me levantei trêmulo, sentando-me no chão. Nossos rostos ficaram próximos, e eu me encontrei como sempre arrebatado pela beleza de minha mulher, o poder brilhando em seus olhos. Ela dissera que eu cheirava a sexo, mas eu conseguia sentir nela também esse cheiro, o cheiro dele.

- E você conseguiu?

- Não. Nem por um segundo. - Ah como eu queria dizer que sim, que não havia gastado nem um pensamento nela, queria dizer que qualquer prostituta podia substitui-la, queria ferir seu orgulho. Mas como mentir para ela? Eu não sabia.

Então ela me beijou, compartilhando o gosto do absinto, nossas línguas travando por nós a batalha que tínhamos a travar, toda a raiva que sentíamos expressa naquele beijo. E era indescritível como aquela Cruciatus e aquela pisada no pescoço haviam excitado a nós dois. Ela me puxou pelo colarinho e partiu o beijo, levantando-se e me trazendo junto. Assim que fiquei em pé, tomei novamente os lábios dela, mas Bella me afastou e empurrou-me para a poltrona em que ela me esperara. Eu mal havia me sentado e ela já estava montada em cima de mim, uma perna de cada lado do meu corpo.

Minhas mãos foram direto para sua bunda, apertando sem delicadeza. A mão dela fechou-se de súbito em meu pescoço, com força o suficiente para causar apenas um pequeno desconforto e estimular-me ainda mais.

- Não quero saber de você fazendo isso de novo, "tentando me esquecer". Você é meu, mesmo quando eu não te quero. - ela murmurou contra meus lábios, e eu soltei um suspiro. Aquela mulher sabia exatamente como me enlouquecer.

- Você gosta, não é? - falei no mesmo tom, minha voz um pouco falhada pelo seu aperto. - Gosta que eu seja seu, que eu te ame, mesmo que não sinta o mesmo, gosta de saber que é amada. E ele, gosta que você o ame?

A mão dela apertou mais ainda meu pescoço, suas unhas afundando em minha pele, e ela levou os lábios até meu ouvido.

- Isso, querido, não é da sua conta. - ela sussurrou, e começou a distribuir chupões e mordidas perto da minha orelha.

Sua mão soltou meu pescoço e começou a abrir minha camisa. Minha mão desceu por sua coxa até chegar ao joelho, e então tornou a subir, entrando dessa vez por baixo da fenda do vestido e acariciando sua pele. Meus dedos tocaram sua calcinha no momento em que Bella abriu o último botão da minha camisa, e ela mordeu o lábio inferior.

- Tudo a seu respeito é da minha conta, porque eu te amo, Bella. - falei, afastando sua calcinha e roçando meus dedos nela muito levemente, só para provocar. A mão dela foi para cima de minha, forçando meus dedos a tocarem-na com mais força, ditando o ritmo.

- Me ama, Rold? - ela disse, com um tom de escárnio em sua voz. Suas unhas arranharam com força meu peito enquanto ela aproximava os lábios do meu ouvido, para sussurrar nele. - Pois é bom que saiba que eu nunca vou te amar. - as palavras machucaram, por mais que eu soubesse que eram verdade. Mas sadomasoquismo era mesmo o tema dia, e eu aumentei mais ainda o ritmo entre suas pernas, colocando três dedos de uma vez dentro dela. Bella soltou um pequeno gemido, e minha mão livre subiu por seu corpo,, percorrendo cada curva.

- E é bom que saiba que ele nunca vai te amar. - falei, minha mão encontrando o zíper de seu vestido e o abrindo de uma só vez. A mão de Bella, que estava sobre a minha em sua intimidade, foi até a mesinha ao lado do sofá e pegou o copo de absinto, bebendo um longo gole e apertando os olhos. Eu curvei meus dedos dentro dela, quando terminou de engolir a bebida, e a bruxa soltou um gemido alto. Ela pousou o copo na mesa, enquanto a outra mão puxava meus cabelos com força.

- Estamos no mesmo barco, não é? - ela falou, a zombaria se misturando à excitação em sua voz.

Sem deixar de puxar meu cabelo, sua mão levou minha cabeça até seus seios, e eu os mordi e chupei com fúria, meus dedos indo cada vez mais fundo nela. Bella gemia e rebolava em meus dedos, eu sentia suas contrações aumentando cada vez mais. Quando percebi que ela estava quase no ápice, tirei meus dedos dela, levei a mão ao copo de absinto e bebi um gole, o copo quase escorregando da minha mão molhada com sua excitação. Bella me olhou indignada, levantando uma sobrancelha.

- Que foi, querida? Fiquei com sede. - eu disse, com meu tom mais sacana, e o olhar dela endureceu. Mal pousei o copo novamente na mesa, senti as costas de sua mão estalando contra eu rosto.

- Esqueceu quem manda aqui, Rodolphus? Acha que só porque eu sou de outro você deixou de ser meu? - Ela falou, puxando novamente meus cabelos, fazendo-me encará-la dessa vez. - Deixe eu te lembrar de uma coisa: eu sempre fui dele, e você sempre vai ser meu. Não se esqueça disso.

Com essas palavras, Bellatrix pegou sua varinha e com um feitiço arrancou de uma vez meu cinto e abriu finalmente minha calça, libertando meu membro pulsante. Outro feitiço fez surgirem correntes que prenderam minhas mãos aos braços da poltrona, e suspirei. Sua boca foi para o meu pescoço, seus dentes arranhando e cravando-se em minha pele, o resquício do absinto em sua boca ardendo em minha pele. A mão dela que não segurava a varinha foi para sua intimidade, mas em vez de continuar o que eu estava fazendo, apenas rasgou sua calcinha, e ela então juntou nossos quadris.

- Ele deixa isso, Bella? - perguntei, enquanto ela cavalgava meu membro de olhos fechados. - Ele deixa que você o amarre, que o domine dessa forma?

Achei que eu fosse ganhar outro tapa, estava até esperando por isso, mas sua mão ainda segurava a varinha e ela apenas a apontou para mim, um raio vermelho me atingindo na barriga. Joguei minha cabeça para trás e urrei, sentindo pela segunda vez a dor da Cruciatus, dessa vez submersa no prazer de tê-la montada em mim, movendo-se em um ritmo alucinante. Merlin, eu daria tudo para poder tocá-la em toda parte, poder colar nossos corpos o máximo possível, mas estava preso.

Estaria sempre preso, percebi, preso a ela. Eu não conseguia me libertar daquele amor, por mais que ele me machucasse. E, no final das contas, o que eu mais amava era me machucar. Há algo de errado comigo? No fundo, não me importo.

-x-

N/A: Oi gente, tive um pequenoo bloqueio e acabei demorando um pouco mais que o planejado com esse capítulo, mas cá está ele. =) Talvez o 3 vá demorar um pouco tb, porque minhas aulas recomeçam agora, mas espero que não tanto como esse. Bom, espero que gostem desse aqui, e comentem mesmo que n tenham gostado!

como prometido, tá nesse capítulo uma homenagem à pervertida Hellie Lestrange ;) E um agradecimento especial pra , que me deu a maior força, como !