— Você não se acha muito nova para trabalhar como empregada? — a senhora que estava cuidando da entrevista perguntou.
O nome dela é Esme.
Ela já tinha seus quase 50 anos, mas parecia ter ainda menos de 40.
Era bastante nova e cheia de saúde. Ela tinha olhos verdes conhecidos e cabelos castanhos claros.
Sua expressão era bastante gentil e ela não tinha sido menos que educada desde que a moça, a única candidata que tinha vindo para a entrevista, tinha chegado.
— Bem eu tenho 22 anos, mas sou perfeitamente capaz de cuidar de um lar — a moça jovem disse tentando não soar nervosa ou desesperada.
Aquele emprego tinha que ser seu.
Afinal era essencial para que tudo desse certo.
— Você não tem família? Não quer estudar? Não almeja ser alguém na vida? — perguntou curiosa — Afinal a maioria dos jovens na sua idade devem estar estudando numa faculdade, almejando algo melhor.
A moça morena suspirou.
Ela era baixa e magra, tinha a pele branca um pouco bronzeada. Seus olhos eram castanhos assim como seus cabelos. Ela era bem bonita.
Se ajeitou na cadeira se arrumando melhor. Estava vestida com uma calça jeans velha e uma blusa vermelha de manga, bem simples e não combinava em nada com o lugar cheio de luxo que estava.
Tinha se preparado tanto para aquele momento.
Era agora.
Ela odiava falar sobre aquilo.
Mas sabia que era necessário.
Ela se envergonhava pelo seu passado.
Mas era exatamente isso que ele era, passado.
Ela tinha que ter muito orgulho por estar saindo daquela vida.
Por ter sido forte suficiente para fugir daquilo tudo e está buscando ser uma pessoa melhor.
Por que para ela era muito melhor ser empregada do que o trabalho que tinha antigamente.
Com certeza muito mais digno.
E se desse certo aquele trabalho precisava que a mulher soubesse a verdade, não queria esconder aquilo dela.
Não mesmo.
Podiam ir atrás dela afinal.
— Esme — ela disse suspirando, a mulher tinha permitido ela a chamar assim — Eu não queria vim aqui falar sobre isso, mas a senhora foi tão gentil, que eu vou ser sincera. Olha eu fui vendida por meu pai quando eu tinha 16 anos para um cafetão — Bella falou.
Isabella Swan era seu nome, mas ela preferia Bella, sempre lembrava de sua mãe quando alguém a chamava assim e gostava.
— Ah meu Deus! — exclamou Esme horrorizada.
Como um pai podia fazer aquilo com uma filha?
Com certeza aquilo não era um pai.
— Bem... sim... Como você pode imaginar eu era obrigada a trabalhar para ele. Só agora criei coragem suficiente e fugir de lá. Isso era em Seattle eu peguei o primeiro ônibus e vim para cá. Eu estava numa cafeteria quando vi o anúncio em um jornal e decidir tentar, foi o único que não exigia experiência. Eu só quero uma chance, só isso. Eu não quero ser mais uma prostituta me sentia tão suja, tão mal. Não quero mais isso para minha vida e sinto que esse trabalho pode me ajudar a construir um pouco da minha dignidade de volta — Bella disse fungando, deixando algumas lagrimas deslizarem por seu rosto.
— Ah querida não chore shi... — Esme a abraçou sentindo pena da pobre garota.
Que passado horrível.
Mal conseguia imaginar o que aquela menina deveria ter passado.
Ser obrigada a se prostituir tão nova assim.
Que pai faria algo assim com sua própria filha?
— Desculpe — Bella disse fungando e tirando as lágrimas do seu rosto —Por favor só me dê uma chance eu preciso desse emprego...por favor
— Mas é claro que vou dar eu vou te ajudar. Não se preocupe com isso — Esme disse sorrindo com compaixão.
— Sério? Ah meu Deus muito obrigada muito obrigada — Bella disse abraçando a mulher e ficou feliz quando a mulher retribuiu.
A quanto tempo não recebia um abraço assim?
Finalmente sentia que as coisas dariam certo na sua vida.
Finalmente.
Tudo estava indo conforme tinha planejado.
Naquele dia Bella conheceu a linda casa que iria trabalhar.
Era muito maior que Bella tinha imaginado.
Era uma casa grande, espaçosa e cheia de luxo, mas sem ser brega ou feia.
Era simplesmente linda e ela se encantou por cada detalhe.
Bella ficaria com a limpeza total da casa, deveria limpar o chão, tirar as poeiras das estantes, lavar e passar roupa, e enquanto Esme iria trabalhar na cozinha, cuidando da alimentação, do jardim e do dono da casa.
Bella ficou muito feliz com o quarto que foi dado a ela, Esme morava com o marido, Carlisle, que era o motorista, em uma casa pequena que ficava atrás na mesma propriedade.
Bella moraria em um quarto perto da cozinha.
Com uma cama de casal, armário e um banheiro.
Era tudo simples, mas ela não pode se sentir feliz.
Com certeza era muito melhor do que aquele quarto sujo que já tinha morado.
E o salário era muito maior do que qualquer quantia que já tinha tido em sua vida.
Ela estava se sentindo tão feliz e realizada.
Tudo daria certo, afinal.
...
Durante o jantar ela conheceu o famoso Emmett McCarty e Carlisle.
Bella foi chamada para jantar com eles na mesa e ficou surpreendida pelo convite.
Emmett parecia muito solitário e ter a companhia de Esme, Carlisle e agora Bella, parecia alegra-lo um pouco mais.
Duas semanas se passaram rapidamente.
E Bella fazia seu trabalho sorrindo de orelha a orelha, mesmo quando tinha que limpar um vaso sanitário. Depois de tudo que já tinha sido obrigada a fazer aquilo era uma maravilha e um trabalho muito digno para ela.
Ela se tornou amiga de Esme, que a tratava muito bem e sempre conversavam sobre tudo. Elas se tornaram confidentes e partilhavam tudo, Bella se divertia com as histórias de Esme e ria para valer.
Carlisle era muito bonito. Era loiro e tinha olhos claros, ele parecia mais um galã do que um motorista.
E pelo pouco que Bella conversou com ele, pode ver que ele era incondicionalmente apaixonado por Esme.
Ela sentiu um pouquinho de inveja com aquilo.
Sabia que nunca teria alguém para amar assim e que iria ama-la de volta.
Emmett tinha um espirito jovem mesmo com seus mais de noventa anos de
Ele era um velho muito engraçado e esperto.
Ficou bastante feliz com a contratação de Bella.
Ele vivia brincando com ela e a cantando, dizendo que se ele fosse mais novo com certeza ela não resistiria a ele. Bella levava tudo na esportiva, sabia que era brincadeira dele, já que ele era bem galanteador, mesmo sendo um senhor de idade.
O homem ainda amava sua esposa que tinha morrido há dois anos de câncer.
Rosalie, era o nome dela. Ela era bem bonita, Bella pode vê-la em fotos e já assistiu alguns filmes antigos com ela. Ela teve o prazer de escutar como eles tinham se conhecido e se apaixonado perdidamente, quando ambos ainda eram bem novos.
Eles tinham superado muitas coisas para ficar juntos, inclusive paparazzis que os seguiam a todo instante, querendo uma foto do casal que se transformou no queridinho da América.
Bella tinha visto várias fotos antigas deles.
Formavam um casal tão bonito.
Ela invejou aquilo também.
Estava rodeada de belas histórias de amor.
Uma história de amor, era algo que ela sabia que nunca teria.
Afinal ela era uma ex-prostitua e por mais que tivesse se livrado desse passado sabia que seria para sempre aquilo.
E ninguém nunca, iria namorar uma pessoa que já tinha se deitado com vários e vários, homens.
Mesmo com ela tendo sido obrigada a fazer aquilo.
Ela ficou muito triste quando, soube que eles tinham perdido sua única filha. Mal podia imaginar a dor que deveria ter sido para eles enterra-la junto com o marido.
Não pode ficar com raiva quando soube que ele tinha um neto que morava em Londres e que tinha cinco anos que não via o avô.
Como podia existir alguém assim?
Ele não tinha ido nem para o funeral de sua avó e deixou seu avô sozinho pra lidar com a dor. Esme contou aquilo para ela com certa revolta.
Disse que Edward sempre foi um menino rebelde e cheio de problemas, com a morte dos pais precoce, já tinha se envolvido com drogas e já tinha sido até preso.
Mas nos últimos dias, pelo que Esme tinha escutado, ele vivia ligando para seu avô e conversando com ele, para sua felicidade.
Emmett parecia bem mais feliz.
Mas mesmo assim, Bella já não gostava do neto dele que nem conhecia.
Não podia entender como alguém podia deixar a única família que tinha tão sozinho, ainda mais quando a cada dia que passava ficava mais perto de sua morte.
Enquanto ela, que realmente não tinha ninguém, faria de tudo para ter um avô, avó, uma tia, qualquer pessoa que pudesse chamar de família.
Ela mal podia imaginar que aquela estava prestes a ser sua nova família.
Notas da Autora:
Só basta uma palavra, continuo?
