Nota: Os personagens de Saint Seiya não me pertencem, pertencem ao mestre Masami Kurumada e empresas licenciadas.


Uma boa leitura a todos!

Blue Sky

Capítulo II: Absolvição

-Poxa vida Marin, como você está distraída hoje, hein? –disse Shina após derrubar a amiga na arena pela segunda vez naquela manhã de treinos.

Era engraçado... Haviam sido uma espécie de 'rivais' no passado por conta do discípulo de quem ficaria com a armadura de bronze de Pégaso e agora, bem, agora se davam bem melhor que no passado, sem dúvida alguma. Marin era um boa mestra, uma boa amazona e uma boa amiga também. Havia aprendido a apreciar a sua companhia e não só durante a rotina de treinos. Treinar com ela era, sem sombra de dúvidas, muito melhor do que treinar com o idiota de Escorpião, por exemplo, que parecia tentar lhe passar a mão em vez de se defender ou atacar.

Nota mental: Homens são mesmo todos uns idiotas...

A amazona suspirou cansada. Lutar com determinados Cavaleiros de Ouro na arena só se fosse pra pisar neles. Pegar leve? Nem pensar! Shura que viesse com aquela tática idiota de Milo pra ver. Levaria uma surra tão boa quanto ao que o inseto havia levado. Havia combinado de treinarem mais tarde na praia do Cabo, mas com ele... Bem, com ele era diferente.

-Desculpe-me Shina, eu estou distraída hoje e; a ruiva não terminou de falar. Um sorriso maroto crispou os lábios da amazona de cobra. –O que foi? –indagou Marin sem entender o motivo daquele sorriso.

-Será que a causa da sua distração tem alguma ligação com aquele... Grego bronzeado e sarado, com seus lindos olhos verdes que... Não para de olhar pra você?

Shina apontou para a arquibancada e Marin acompanhou seu olhar. Lá ela viu Aiolia, Kamus e Afrodite. Aiolia acenou para si quando olhou e ela acenou de volta, gesto também repetido pelos demais, mas... O sorriso maroto de Shina se alargou como se o Cavaleiro de Leão houvesse feito uma declaração de amor e gritado-a aos quatro ventos naquela manhã.

-Então quer dizer que eu estou certa?

-Shina; Marin respondeu pausadamente diante da sobrancelha arqueada da outra. –Quantas vezes eu vou ter que te repetir que Aiolia e eu somos somente amigos? –a ruiva fez questão de frisar.

-Sei, acredito; Shina cruzou os braços na frente do corpo e sorriu.

-É sério Shina! Eu não dormi direito a noite passada...

-Não vai me dizer que o Saga te prendeu a noite toda dentro daquela biblioteca claustrofóbica? –indagou Shina com ares de indignação diante de tal informação. Havia dado graça aos deuses por ter escapado de tal tarefa maçante.

-Fiquei lá a tarde toda; respondeu Marin. –Mas a causa de não conseguir dormir não foi o excesso de trabalho e sim o próprio Saga; a ruiva completou, mas no mesmo instante se arrependeu diante do largo sorriso da amiga. –O que foi agora Shina?

-Saga hein? Quem diria, só não deixa o Leo saber disso; Shina zombou diante dos olhos serrados da amazona.

-Shina por Zeus! Depois dizem que o Milo é quem é o pervertido daqui; Marin balançou a cabeça e Shina sorriu ainda mais. –Sabe, acho que seus 'românticos passeios noturnos' com o Shura, pela praia do Cabo têm influenciado o seu comportamento...

Era a hora do arrevanche!

-Engraçadinha; Shina serrou os olhos pra ruiva que agora sorria. –Não vejo nada de romântico nele voltar pra casa todo cheio de hematomas; ela completou como se não desse importância ao comentário.

-Nossa! Não sabia que o lance de vocês era tão... Selvagem; Marin zombou. Agora era a sua vez de fazer piadinhas. Também tinha esse direito, principalmente agora que viviam uma época de paz. Tinham tempo pra isso, pelo menos até outro deus psicótico tentar destruir o planeta.

-Hahaha! Estou morrendo de rir. Que bela comediante você é Marin, já percebeu? –Shina revirou os olhos antes de continuar. –Mas é sério, que história é essa do Saga não lhe deixar dormir?

-Ele ainda se sente culpado Shina; murmurou a amazona e a outra se surpreendeu. –Culpado pelo passado, pelo que ele foi e por tudo que fez; completou a ruiva.

-Bem, imagino que não deva ser nada fácil pra ele Marin; respondeu Shina e não restava nem um fragmento de sorriso em seus lábios agora. Estava tão séria quanto à amiga. –Por pecados menores que os dele eu me atormentei por anos de minha vida; ela completou.

-Eu sei Shina, mas o que o Saga tem que entender é que todos nós erramos. Não é como se ele fosse a pior pessoa do mundo, entende? Às vezes é como se ele quisesse se punir. Ele parece ocultar o homem brilhante que é, por que não se acha digno de usar desse talento para o bem, agora que se redimiu de seu passado.

-Acho que ele pensa estar sendo julgado o tempo todo; murmurou Shina. –Subir ao posto de Grande Mestre depois de tudo o que aconteceu no passado deve ter mexido muito com ele.

-Sim, mas quer prova maior da nossa amizade e crença nele do que isso? Aiolos e Mu abdicaram desse posto porque o consideraram digno de tal cargo e os demais aprovaram inclusive Athena.

-É tem razão; Shina murmurou pensativa para então explodir num rompante. –O Saga é mesmo um idiota! Mas sabe, não há nada que possamos fazer com relação a isso, porque antes de perdoar e de ser perdoado o Saga tinha que ter aprendido 'a se perdoar'; ela completou tocando o ombro da amiga.

-Espero que ele realmente consiga fazer isso um dia; murmurou uma cabisbaixa e preocupada Marin.

-Ele vai sim, pode ter certeza. Se eu consegui superar a vergonha de ter feito um papel ridículo e perseguir o seu discípulo idiota por anos, bem... O Saga consegue superar o problema com o seu passado obscuro também. Vai ser fichinha, garanto! –Shina sorriu divertida arrancando um meio sorriso da ruiva. –Agora, vamos voltar aos treinos...


Seus olhos fitavam um ponto distante pela janela. Escondia-se por detrás da cortina e dali observava o Coliseu, uma mancha indistinta e escura longe dali. Há quanto tempo não descia pra treinar? Nem ao menos saberia dizer. Desde que se tornara oficialmente o Grande Mestre, acabara se afastando de tudo, se fechara dentro daquele templo e do trabalho que teria ali. Mas aí ela... apareceu...

Droga! Ainda não conseguia acreditar no acontecido a noite passada. Sarah, aquela mulher em seu quarto, só agora se recordava bem dela... Ela era nova ali, uma serva, uma moça que haviam contratado há pouco tempo. Ela sempre lhe direcionava olhares estranhos, cobiçosos, mas já pudera vê-la fazer o mesmo a Kamus, e outros dos amigos em determinadas situações também.

Como é que podia tê-la confundindo com Marin?

Mais uma vez se sentia sujo. Odioso. Que sentimento era aquele afinal? Como podia desejar tanto uma mulher a ponto de vê-la em outra pessoa?

Realmente não era digno de tê-la...

Nesse instante a porta se abriu ruidosamente. Nenhuma batida, nenhum aviso. Das duas umas: ou era o folgado do Escorpião com aquela tremenda cara de pau ou o seu querido e adorado irmão. Acertou na segunda hipótese.

-Olá querido irmãozinho! Como vai? –Kanon sorriu jocoso, sua marca registrada.

-Bem melhor antes de ter que ver essa sua cara, acredite; respondeu Saga. O outro sorriu e se aproximou sentando-se num sofá perto da janela em que estava. –O que quer Kanon?

-Nossa! Mas que humor hein? –Kanon zombou fazendo-se de ofendido. –Eu venho aqui nas melhores das intenções e...

-Fala logo! –Saga o cortou. Ele e Kanon terem algo em comum? Era raro, e quando vinha com aquela de irmãzinho querido ou queria induzi-lo ao seu pior lado ou queria dinheiro emprestado.

Não estava a fim de uma coisa ou de outra. Jamais voltaria a ceder ao seu lado obscuro e maligno e tão pouco tinha cara de otário pra fazer empréstimo a alguém que jamais devolveria o dinheiro emprestado. Já havia superado essa fase há muito tempo. Não era mais 'ingênuo'.

-Saiba que fez um trabalho mal feito à noite passada...

-O que? –Saga indagou sem entender.

-A pobre da serva, a Sarah; Kanon sorriu maroto diante do olhar chocado do irmão. –Saiba que tive trabalho para consolá-la a noite passada... A noite toda...

Saga revirou os olhos levando uma das mãos à cabeça.

-É sério Saga, porque destratou a moça daquele jeito? Vim ontem à noite até aqui pra falar com você e me deparei com a pobre em prantos pelo corredor. Saga, Saga... Que decepção! Será que conviver muito com o Afrodite tem afetado sua opção sexual também? Em outros tempos, naqueles tempos, você jamais dispensaria uma mulher bonita como aquela...

-Aqueles tempos; Saga murmurou pensativo antes de se voltar para o irmão. –Aquilo é tudo o que quero esquecer! Mas, já que você faz questão de recordar, devia ter se recordado também que como naqueles tempos você continua sendo a segunda opção; o geminiano sorriu maldoso vendo os olhos do outro cintilarem de raiva.

-Pelo menos eu ainda tenho sangue nas veias e ainda sou capaz de satisfazer uma mulher; revidou Kanon enquanto se levantava do sofá e o irmão vinha pra cima de si.

Saga o segurou pelo pescoço e o outro riu. Estava se divertindo... Como antigamente. Kanon segurou as mãos do irmão presas em seu colarinho e o empurrou para se soltar.

-É vejo que ainda tem sangue nas veias, mas; ele ponderou e seu sorriso de sarcasmo ainda mantinha-se presente, tão largo quanto a principio. –É sério, tenho andado preocupado com você, meu irmão.

-Jura? –Saga arqueou a sobrancelha no mesmo tom se sarcasmo. –Tanto que se preocupa até com quem eu ponho na minha cama ou não? Me poupe Kanon!

-Você não é um deus Saga! –o outro respondeu sério.

De novo aquela frase...

-Também lhe é permitido errar, não se esqueça disso; continuou Kanon se aproximando do irmão que havia voltado até à janela.

-O que quer dizer com isso? –Saga se voltou para o irmão.

-Que se quisesse ter dormido com aquela serva ontem e hoje sequer quisesse olhar na cara dela, você podia ter feito; ele respondeu.

-E suponho que isso seja o que você fez? –Saga revidou num meio sorriso. –Bancou o canalha sem escrúpulos como sempre?

Kanon sorriu.

-Ao contrário, levei o café da manhã pra ela na cama, fizemos amor de novo e combinamos de nos encontrar na próxima quinta. Vou levá-la pra jantar naquele restaurante no centro. E sabe por que eu fiz isso? Porque eu gostei dela, gostei de fazer amor com ela e achei que podia conhecê-la melhor.

-É mesmo? Bem, aí quem sabe você descubra que ela já quis fazer o mesmo com cada um dos doze Cavaleiros de Ouro; Saga rebateu irônico.

-E se sim? –Kanon deu de ombros. –Eu também já quis ter uma noite de sexo selvagem com a Shina e nem por isso eu tive; o geminiano sorriu. –Isso se chama fantasia Saga. Enfim, toda essa conversa, está me levando pra longe da minha idéia inicial e...

-E qual era essa brilhante idéia? Por acaso pretende me dar aulas de como conquistar belas servas, ou quem sabe bancar o psicólogo e dar orientação sexual ao seu querido irmão desvirtuado? Por Zeus Kanon! Arrume outra pessoa pra atazanar pelo menos de vez em quando e me esquece!

Kanon riu alto e desdenhosamente deixando o irmão ainda mais fulo da vida, mas então se calou e ficou impressionantemente sério.

-Lembre-se Saga, você está vivo... Lembre-se disso!

-O que quer dizer com...

-A única coisa que eu tenho a lhe dizer é que deveria ser mais grato a essa nova chance que Athena lhe deu e aproveitar melhor a sua nova vida. E isso inclui ter uma vida social também caso não saiba.

Saga apenas franziu o cenho sem entender. O que era aquilo afinal? Porem o irmão continuou como se lesse seus pensamentos após alguns instantes de silencio.

-Você é um homem Saga... Você sangra, você chora, você ri, você erra e você deseja. Não pense que por conta dos seus pecados passados você tenha que se punir por toda a eternidade e ser o seu próprio algoz. Cabe aos deuses fazerem tal coisa. Aliás, acho que já pagamos por muitos dos nossos pecados apenas por termos escolhido o destino incerto de cavaleiros. E mais, se depois de tudo, Athena ainda nos achou dignos de usufruir de sua bondade e poder divino nos dando uma nova vida, isso quer dizer não há mais pecado pelo qual nos culparmos. Está livre Saga, livre da culpa...

Saga não soube o que dizer, apenas acompanhou a figura indecifrável do irmão lhe dar as costas e caminhar até a porta do salão. Sim, Kanon lhe era alguém indecifrável naquele momento, chegara até ali com uma conversa enfadonha e cheia de sarcasmo e ela terminava daquele jeito?

-Viva a sua vida Saga e pare de se culpar pelo que sente...

Essas foram as ultimas palavras do gêmeo que se foi sem se voltar para trás e fechando a porta ruidosamente.

Era como se ele soubesse... Soubesse sobre... Ela? Sobre Marin?

Sarah teria lhe dito alguma coisa? Não sabia, só sabia que se sentia estranho após ter ouvido as ultimas palavras do irmão. Sentia o peito apertado. Estava... sufocado. Olhou pra tudo ao seu redor... O grande salão do mestre, o trono, tapetes, cortinas... Janelas fechadas. Estava preso, mas sabia onde se encontrava a chave de sua cela. Estava guardada dentro do peito de onde não poderia tirar. Não queria. Ou será que queria? Ou melhor, podia?

Aquelas vestes... seda que se arrastava pelo chão.

Não era um deus!

Suas mãos prenderam-se fortemente sobre seu peito. Rasgou o tecido da túnica azul marinho, bordada com fios de ouro. Tudo o que restara agora, era o que realmente era: um homem...


Marin atravessou os longos corredores que a levariam até o salão do Grande Mestre, ele estava vazio e silencioso como uma tumba. Passou pelo salão, igualmente vazio e então caminhou para o escritório, onde também ficava a biblioteca. Foi até o mesmo lugar pra onde ia todas as tardes nos últimos meses.

Ainda pensava na conversa que havia tido com Shina mais cedo. Será mesmo que não poderia fazer nada quanto aquilo? Quanto àqueles olhos azuis e tristes? Às vezes eles lhe pareciam tão vazios... Era como se sua alma sangrasse e mais uma vez derramasse lágrimas de sangue.

A amazona adentrou o escritório e ele aparentava estar vazio. Havia uma pilha de papéis em cima da mesa que ficava no canto dos aposentos, o que denotava, que estava enganada. Provavelmente Saga os havia posto ali para trabalharem juntos. Mas a onde é que ele estava?

Nesse instante ela o ouviu chamar seu nome.

-Marin, é você quem está aí? –ele gritou.

Voltou-se e percebeu que o som da voz do cavaleiro vinha da porta entreaberta da biblioteca no canto esquerdo da sala.

-Sim, sou eu. Precisa de ajuda? –ela indagou aproximando-se da porta.

-Ficarei grato se puder; ele respondeu e a amazona atendeu ao seu pedido.

Marin adentrou a biblioteca. Ela era enorme, cheia de estantes e mais estantes carregadas de livros e documentações antigas, mas isso se encontrava no segundo andar daquela sala. Havia uma escada em caracol no centro dela que levava a um patamar de madeira também cheio de estantes e era lá que Saga estava apesar de não poder vê-lo dali de baixo.

Saga estava literalmente com a cara enfiada numa pilha de papéis antigos sobre uma estante empoeirada e parecia sequer notar que a amazona já estava há alguns passos de si. Marin achou-o no mínimo diferente aquela tarde. Ao invés da tradicional túnica, que deixava bem claro qual era a sua posição, a mais alta ali após Athena, que era a de Grande Mestre, ele usava uma camisa de linho branca com os primeiros botões abertos e uma calça cáqui. Aquele tido como a personificação de um deus, hoje, jazia como um homem comum.

-Acho que essa biblioteca precisa de uma faxina não?

Saga se finalmente se voltou se deparando com o sorriso divertido da amazona que havia passado o dedo indicador sobre uma das prateleiras e fazia uma careta de desaprovação.

-É, precisa sim; ele sorriu. –Acho que a ultima faxina que isso aqui teve foi em eras mitológicas.

-O que estava procurando aqui em cima? Me disse ontem que íamos cuidar de uma papelada referente a chegada de uns novos pupilos.

-Sim, por isso mesmo tive que vir até aqui procurar por informações contidas em registros antigos; respondeu Saga puxando mais uma pasta de couro envelhecida e pondo-a no monte que tinha nos braços e levaria para baixo.

-Quer ajuda? –indagou Marin, mas já pegando algumas das pastas.

-Obrigado; respondeu Saga e então sorriu. –O que seria de mim sem você Marin?

Marin tentou ignorar o fato daquele sorriso tão espontâneo, charmoso, diria que até mesmo sedutor ter mexido consigo mais do que deveria. Desde quando tinha aquele tipo de pensamento em relação a ele? Bom, talvez aquilo se devesse ao fato de ser a primeira vez que o via sorrir desde que haviam recomeçado suas vidas no Santuário após as guerras.

-E no que essa documentação antiga vai nos ajudar? –ela indagou enquanto caminhavam até a escada em caracol para voltarem ao escritório.

-Se lembra que há alguns meses atrás mandaram pra cá um garoto que mais parecia um filhote de gigante para concorrer à armadura de Ouro de Peixes?

-Sim, lembrava muito o antigo discípulo da Shina, Cássios. Lembro-me que o Afrodite ficou fulo da vida porque já estava treinando um aprendiz pra isso há cerca de dois anos; respondeu a ruiva e Saga sorriu.

-Fulo? O Afrodite faltou chutar o garoto escadaria a baixo. Disse que jamais permitiria que um ogro como aquele vestisse a sua armadura, a mais bela entre as constelações. E bem, depois quando fomos averiguar a história, vimos que aquilo foi um engano. As informações que temos a respeito de cada armadura disponível a um novo aprendiz são arquivadas na nossa biblioteca e esses dados são repassados a informantes e aliados nossos em todo canto do mundo, mas...

-Louvada seja a internet! Por todos os deuses; a ruiva sorriu divertida ao pensar em como aquilo tudo era repassado nos tempos antigos.

-Com toda a certeza; Saga sorriu de volta. –Mas como estava dizendo às vezes esses dados não são conferidos pelos nossos correspondentes em que vivem a procurar novos talentos, aí acontece aquilo que aconteceu com o Afrodite. Por isso, agora antes de nos mandarem os futuros aspirantes a cavaleiros, eles nos mandam uma carta, uma espécie de informativo. Aí vemos a qual armadura ele concorrerá e a qual signo ele pertence para então o admitirmos no Santuário como aprendizes ou não. Por isso preciso da papelada antiga. Pra ver quais são as armaduras disponíveis; ele completou.

-E não dá pra gente usar a tecnologia a nosso favor pra cuidarmos disso também? –a ruiva conteve um espirro enquanto punha as pilhas de papeis antigos sobre a mesa.

-Infelizmente não; Saga respondeu com um olhar cansado repetindo o gesto da amazona e pondo a pilha de papeis empoeirados sobre a mesa. –Nós somos a fonte, nosso registro é único e temos apenas a tarefa de repassar as informações a eles. Não podemos simplesmente reduzir séculos de história a um programa de computador que arquive tudo isso e grave num CD; o cavaleiro sorriu divertido.

-Não, mas seria ótimo. Ocuparia bem menos espaço e nós teríamos menos doenças respiratórias também; a ruiva sorriu contendo outro espirro.

A verdade era que estava surpresa e ao mesmo tempo encantada com aquele: novo Saga. Ele não lhe parecia mais distante e o mais estranho era que aquela tristeza profunda que via nos olhos dele parecia ter sumido, pelos menos temporariamente.

E porque estava tão... Fascinada pelo seu sorriso?

-Marin? –ele a chamou indicando-lhe a pilha sobre a mesa. –Vamos ao trabalho?

-Claro.

Continua...