"O que sabemos é uma gota, o que ignoramos é um oceano" (Isac Newton)
Era para ser um dia de verão como outro qualquer. Bárbara Henklain e Nathalie Poltier voltavam do shopping carregadas de compras e discutindo, alegremente, sobre o filme que acabaram de comprar. O que Bárbara queria, realmente, era contar a sua amiga sobre o sonho que tivera com O'Neel essa manhã. Porém, esse assunto parecia estar enterrado em algum lugar distante e obscuro de sua mente. Algo natural, pois ela tinha em suas mãos os tão desejados dvds da trilogia "O Senhor dos Anéis". E o fato do ator mais lindo que Bárbara já vira na vida fazer o papel de Aragorn, o Gostoso, contribuía (e muito!!!) para esquecer seu sonho esquisito.
Nathalie, uma garota de cabelos vermelhos como o fogo, falava animada sobre Legolas, sua paixão. Seus olhos azuis brilhavam por trás dos óculos à medida que descrevia e encenava, minuciosamente, cada cena em que seu amado aparecia. Ela tinha uma queda (para não dizer obsessão) por elfos piratas. E o fato de Legolas não ser pirata não diminuía nem um pouco a admiração que possuía por ele.
Quando chegaram perto da padaria, elas se separaram. Nathalie atravessou a rua e entrou no Restaurant Le Soleil, enquanto Bárbara, morrendo de preguiça, continuou seu caminho, descendo pela rua Pryde.
Meia hora depois, ela já podia avistar seu extenso bairro. Seria impossível, até mesmo para um energúmeno, não reconhecer aquelas casinhas, perfeitamente iguais, aquelas árvores enormes e aquelas pessoas com suas vidas pacatas e tranqüilas.
Tranqüilas????? Nossa! Como ela era bondosa! Bárbara duvidava se algum dia essas pessoas já tivessem ouvido falar em movimento. Ficava muito surpresa pelo fato de nenhum morador cometer suicídio. Se bem que isso não seria uma má idéia. Imagine só: um cadáver, polícia, sirenes, movimento, pessoas assustadas, os jornalistas da TV! Quem sabe até, com um pouco de sorte e charme, ela não conseguiria dá uma entrevista?
Ao chegar em casa, Bárbara abriu a caixa dos correios e pegou as cartas que ali se encontravam. Ficou, extremamente, chateada quando viu que não recebera nenhuma carta. Todas destinadas a sua mãe: algumas contas e outras, que estavam em um envelope amarelo, ela não sabia o que eram. Acreditava que sua mãe fizera uma assinatura de uma revista sobre moda, mas com vergonha de assumir (ou quem sabe não querendo ouvir nenhuma piadinha sarcástica de sua filha), pedira para ser entregue em envelopes amarelos.
Quando entrou em casa, Bárbara deixou-as em cima da mesa da cozinha e decidiu tomar um sorvete de flocos, afinal, não havia nada melhor para se refrescar em dias quentes. Após se servir, Bárbara dirigiu-se para sala a fim de assistir alguma coisa na TV, por mais idiota que fosse, para se distrair. Por sorte, passava uma entrevista com a famosa Feiticeira Cassandra Storm, uma mulher que se tornou uma celebridade há cinco anos graças a seus truques mágicos que ninguém conseguia desvendar, fazendo com que crianças e adultos de toda Inglaterra acreditassem que magia era algo possível. Bárbara acreditava que ela era uma grande charlatona, no entanto, por mais que tentasse, nunca conseguia deixar de escapar exclamações de espanto quando assistia aos shows de Cassandra. Agora, no entanto, a garota não prestava atenção em nada do que passava na TV, pois seus pensamentos vagavam a esmo. Tudo por culpa de um sentimento que, embora ela recusasse admitir, vinha assombrá-la a cada segundo: o medo
Sim! Isso mesmo! Medo! Um medo chamado "Novo Colégio". Afinal, ela iria estudar com Nathalie em uma nova escola, graças as suas súplicas e falsas promessas ("Vou arrumar o meu quarto!", "Não passarei mais do que 7 horas na internet"). Sempre que ficava algum tempo sozinha, Bárbara costumava perguntar-se como seria a nova escola. Não poderia ser ruim, poderia??? Tirando o fato de ela ter que acordar cedo, aturar um bando de professores lecionando matérias tediosas e "queimar" alguns filhinhos de papais, não tinha nada que pudesse estragar... ou tinha??? "Ah não!" pensa indignada "Estou sendo imbecil de novo! Afinal, não deve ser tão ruim. É só um colégio"
Após terminar o sorvete, Bárbara desligou a TV e estava indo para a cozinha, quando escutou um barulho estranho. A princípio, pensou que não era nada, porém o barulho repetia-se, cada vez mais forte. Então, concluiu: um ladrão!.
Assustada, pegou uma vassoura atrás da porta e subiu a escada, lentamente. Seu medo aumentou ainda mais (se é que isso era possível) quando descobriu que o barulho vinha do seu quarto.
Ela engoliu em seco e segurou a vassoura com firmeza. Seu coração batia mais rápido e um estranho calafrio subia pela espinha. Precisava se acalmar. Se o ladrão estava em seu quarto significava que ele não fazia idéia de que Bárbara estava em casa, ou seja, tinha uma certa vantagem. Então, se abrisse a porta, subitamente, e desse uma vassourada no sujeito, com certeza, o acertaria, já que ele não a esperava. Depois, ligaria para polícia e, pela primeira vez na vida, veria movimento em seu bairro. Um plano que a garota resumiu em uma palavra: P-E-R-F-E-I-T-O! Modéstia à parte, é claro.
Bárbara respirou fundo, tentando ignorar o arrepio e o suor frio que aumentava a cada instante. Abriu a porta com um chute, fechou os olhos, subitamente, levantou e abaixou a vassoura, rapidamente, várias vezes. Porém, o grito de dor que esperava ouvir, não aconteceu. Juntando toda a coragem que tinha, abriu os olhos e ficou muito desapontada quando viu seu quarto organizado como sempre (se é que podemos chamar aquela bagunça de organizado). Na esperança de achar um bandido correndo, desesperadamente, pela rua, Bárbara aproximou-se da janela. Mas, ela apenas viu o seu bairro entediante, com aquelas casinhas perfeitamente normais.
- Mas que droga! Se não era um ladrão, o que fez tanto baru...?- ela parou ao notar que em cima de sua cama repousava uma coruja cinzenta, bastante cansada- Quem é você?
"Ah, graaaaaaaaaaaaaaaande!" pensa a garota, com rispidez "Como se a coruja fosse virar para mim, se apresentar e depois me convidar para dançar o tango com ela"
Bárbara saiu do seu quarto, desceu as escadas bufando "Liiiiiiiindo! Um ladrão invade minha casa e eu vou pará-lo com uma vassoura! Parado aí ou eu te varro!" e guardou-a no lugar que a encontrou. Depois, pegou duas tigelas, uma garrafa de água e um pedaço de pão. Subiu de novo as escadas, ainda, se criticando sarcasticamente, e entrou em seu quarto. Colocou um pouco de água em uma tigela e na outra uns pedacinhos pequenos de pão e entregou à coruja. Enquanto a observava comer, Bárbara notou que em sua cama havia um envelope grosso e pesado, feito de pergaminho amarelado, endereçado a "Senhorita B. Henklain, Segunda Porta a Esquerda", lacrada com um brasão de cera púrpura: um leão, uma águia, um texugo e uma cobra circulando uma grande letra "H". Bastante curiosa, ela abriu a carta e notou duas folhas de pergaminho. Pegou a primeira e leu:
ESCOLA DE MAGIA E BRUXARIA DE HOGWARTS
Diretora: Denub Daiwon
(Ordem de Merlim, Primeira Classe, Grande Feiticeira, Bruxa Chefe, Cacique Suprema, Confederação Internacional de Bruxos)
Prezada Senhorita Henklain,
Temos o prazer de informar que V.S.a. tem uma vaga na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts. Estamos anexando uma lista de livros e equipamentos necessários.
O ano letivo começa em 1° de setembro. Aguardamos a sua coruja até 31 de julho, no mais tardar.
Atenciosamente,
Cornélia Chiram
Diretora Substituta
Pasma, Bárbara começou a ler a segunda página:
ESCOLA DE MAGIA E BRUXARIA DE HOGWARTS
UniformesOs estudantes do primeiro ano precisam de:
ês conjuntos de vestes comuns de trabalho (preta)
chapéu pontudo simples (preto) para uso diário
par de luvas protetoras (couro de dragão ou similar)
capa de inverno (preta, com fechos prateados)
LivrosOs alunos devem comprar um exemplar de cada um dos seguintes:
Livro Padrão de Feitiços (1ªsérie) de Miranda Goshawk
História da Magia de Batilda Bagshot
Teoria da Magia de Adalberto Waffing
Guia de Configurações para Iniciantes de Emerico Switch
Mil Ervas e Fungos Mágicos de Filda Spore
Bebidas e Porções Mágicas de Arsênio Jigger
Animais Fantásticos e seu Habitat de Newton ScamanderAs Forças das Trevas: Um Guia de Autoproteção de Quintino Trimble
Outros Equipamentos1 varinha mágica
1 caldeirão (estanho, tamanho padrão 2)
1 conjunto de frascos
1 telescópio
1 balança de latão
Os alunos ainda podem trazer uma coruja OU um gato OU um sapo.
LEMBRAMOS AOS PAIS QUE OS ALUNOS DO PRIMEIRO ANO NÃO PODEM USAR VASSOURAS PESSOAIS
- Definitivamente, essa é a coisa mais ridícula que eu já vi na vida!- exclamou espantada. Bárbara não conseguia acreditar no que acabara de ler. Seria, realmente, verdade?? Seria possível a existência dessa escola? Ela nunca ouviu nenhum comentário a respeito dela.
A garota releu, várias vezes, a carta tentando compreender algo. Porém, quanto mais lia, mais e mais dúvidas surgiam em sua cabeça. Por fim, cansou-se e resolveu guardar a carta para mostrar a sua mãe. Ela, provavelmente, acharia alguma explicação para aquilo.
- Espero que ela não demore muito hoje!- desejou intimamente. Khristine Henklain, a mãe de Bárbara, era médica, ou seja, tinha vezes que chegava cedo em casa, outras tarde por causa dos plantões que era obrigada a dar. Ela nunca sabia quando ela ia aparecer em casa (o que a incentivava a aprontar alguma coisa. Era o que Bárbara definia como viver perigosamente: você nunca sabe se sua mãe irá lhe pegar ou não).
Cansada de tanta loucura, Bárbara resolveu conectar-se na internet e encontrou Walkyrya Valhalla, sua ex-vizinha viciada em X-Men, on line. Ela, Bárbara e Nathalie eram amigas de infância, entretanto, no início das férias de verão, Walkyrya retornou para a Bulgária, sua terra natal. A única forma que elas encontraram para manter contato foi através de e-mails e MSN, algo que incomodava muito Bárbara, apesar de ela não entender muito bem a razão.
Após contar sobre a carta, Walkyrya começou a ridicularizá-la de forma elegante, utilizando palavras complicadas. Bárbara já esperava por isso. Afinal, sua amizade com ela era assim: sincera, pacata e amável. Uma prova disso estava nos seus apelidos carinhosos: Vaquinha Orgulhosa (que Bárbara deu a Walkyrya) e Monstra (Apelido que Walkyrya deu para Bárbara). Não querendo ficar para trás, Bárbara começou a esculhambar sua amiga com seus comentários sarcásticos. E assim passou a tarde divertindo-se.
Quando deu oito da noite, os latidos de Akasha anunciaram a chegada de Khristine. Bárbara despediu-se de sua amiga, desligou o computador, pegou a carta estranha e desceu a escada. Ignorando o fato de a coruja estar dormindo em sua cama, ela entrou na cozinha e começou a esquentar o jantar enquanto sua mãe tomava um bom banho. Quando tudo estava pronto, Bárbara deu seu costumeiro grito de "Tá na mesa! Venha logo ou eu como tudo!" e se sentou. Não demorou muito para sua mãe juntar-se a ela.
O jantar deveria ser igual aos demais. Bárbara contaria sobre o que aprontou com Nathalie e Wlakyrya, enquanto Khristine falaria do seu dia cansativo no hospital. Porém, três coisas o tornavam especial: a carta estranha, o dvd de Senhor dos Anéis e, é claro, seu sonho com O'Neel. Bárbara optou por contar sobre o filme, deixando a conversa cheia de hobbits, magos, anões, elfos, ents, orcs e outros seres estranhos.
- Hum... -começou ela.
- O que foi?- indagou Khristine. Conhecia muito bem a sua filha e sabia que quando ela usava seu "hum" significava que aprontara alguma.
- Sabe... hoje pela manhã, eu recebi uma carta estranha..
- Eeeeeeeeee?- perguntou sua mãe, com um estranho brilho em seus olhos, o que lembrou a Bárbara como ela andava estranha nas ultimas semanas. Vivia cantando músicas de seu tempo e quando Bárbara perguntava o que foi, ela respondia que em breve descobriria. Será que isso tinha alguma ligação com a carta?
- Estranha não só pelo o que tinha escrito nela, mas também na forma com que recebi!- a garota pegou a carta, entregou a sua mãe e começou a contar como a recebeu, omitindo, obviamente, a parte do ladrão, da vassoura e das perguntas idiotas. Para sua surpresa, Khristine não parecia assustada, intrigada ou irritada. Ao contrário, lia a carta com naturalidade e um certo... orgulho???
- Para completar - continuou a menina- a coruja ainda está lá em cima. Como se... se... se estivesse esperando minha resposta! Parece que foi bem treinada!
- Claro que foi bem treinada!- explicou a sua mãe, normalmente - Pertence à Hogwarts!
- Ah! Certo! Então... Hogwarts é um circo que treina animais?
- Não, Babsl! Hogwarts é uma escola de bruxos. Você é uma bruxa!- disse Khristine, como se isso explicasse tudo.
- Hãããã...acho que exagerei no sal!- comentou Bárbara.CONTINUA...
