A benção de uma maldição!
Harry virou mais uma esquina, então reconheceu o quadro da bruxa caolha que enfeitava o corredor que levava à sala de jantar. Fez uma rápida gravação no gravador que carregava consigo e abriu as portas duplas da sala.
- Está atrasado, Potter. – Draco "cumprimentou", fechando o Profeta Diário que estava lendo.
"Me perdi. " – A voz de Harry no gravador ecoou pelo cômodo, fazendo Draco pular na cadeira e Narcisa deixar a colher de açúcar cair com estrépito.
- Já falei para não usar essa porcaria trouxa na minha casa, Potter.
Harry voltou um pouco a fita.
"Quantas vezes vou ter que repetir que é um dos poucos meios que eu tenho pra me comunicar?!"
- E quantas vezes eu vou ter que replicar que você estar mudo é uma benção, não uma maldição?! De qualquer forma, só você mesmo para se perder, Potter. Mas eu até te entendo, você passou tempo demais naquele cubículo que os Weasley chamam de casa.
Harry estreitou os olhos e contou até dez para não avançar naquele idiota. Quando já ia erguendo uma mão para fazer um gesto a Malfoy, Narcisa interrompeu.
- Já chega, vocês dois. – Falou sem aumentar a voz, mas num tom que ninguém se atreveria a retrucar. Harry achou que de repente ela parecia muito com a senhora Weasley. – Vamos tentar tomar o café da manhã em paz. E guarde esse 'falador', Potter, por favor.
Harry não achou seguro desobedecer, então guardou o aparelho no bolso da calça.
Os três tomaram o café em considerável silêncio, que só era quebrado quando Narcisa pedia para passarem algo para ela ou perguntava a Draco alguma coisa sem importância. Harry tentou não prestar atenção na conversa, mas era praticamente impossível.
- O que vai fazer hoje, Draco?
- Hunf! Tenho que continuar a pesquisa sobre essa benção – Harry bufou - que caiu sobre o Potter, não? Shacklebolt mandou eu reportar todos os dias o andamento das pesquisas...
- Oh... eu estava pensando em sair... – Narcisa falou em voz baixa.
Quando nenhuma resposta veio de Draco, Harry se atreveu a erguer a cabeça do prato de cereais que estava comendo. Os Malfoy estavam em silêncio, apenas se encarando. Harry sentiu que havia naquele olhar mais entendimento do que ele imaginava.
- Acabou o seu café, Potter?
Dessa vez foi Narcisa quem perguntou, parecendo irritada, sem nem ao menos olhar na direção de Potter.
Harry apenas descansou seu talher e acenou com a cabeça.
- Bem, eu vou subir. – Draco falou, levantando-se. – Se a senhora... sair, não volte tarde, por favor. E tome cuidado. – Acrescentou, quando começou a se afastar.
- Certo... Vou me vestir. – Narcisa falou depois que o filho já tinha saído da sala. – Er... sinta-se a vontade, senhor Potter. Se precisar de algo, fale... digo... bem, nós temos elfos domésticos.
Harry acenou com a cabeça e assistiu a mulher se afastar.
Que merda ele faria agora, sozinho naquela casa enorme?!
Levantando-se, Harry decidiu que um tour pela mansão seria útil se ele não quisesse mais se atrasar para as refeições. Ele tinha passado praticamente todos os seus dias na casa, trancado em seu mais novo quarto. Ele não podia acreditar em tudo o que estava acontecendo em sua vida. Há uma semana tudo estava perfeito, seu trabalho, seus amigos... sua vida amorosa andava um pouco devagar, mas isso não impedia Harry de ser feliz. Ele podia não estar namorando agora, mas... bem, ele sabia que encontraria alguém e isso não era relevante no momento. O que estava deixando o moreno com muita, muita raiva, era ter que conviver com o Malfoy.
Como a vida era injusta, meu Deus!
À noite, fora chamado por um elfo para se juntar a Narcisa e Draco no jantar. A princípio, ele pensou em não comparecer e continuar trancafiado no quarto, mas como bom rapaz que era, resolveu que não seria educado de sua parte. Ah, mas como ele estava arrependido. Draco parecia ainda ter quinze anos, e não perdeu uma oportunidade de zoar com a cara do moreno.
Mesmo assim, Narcisa pediu que Harry ao menos descesse para as refeições, e que se sentisse a vontade para visitar – alguns – cômodos da mansão. Harry teve o bom senso de escrever o agradecimento em sua caderneta, ao invés de usar o gravador.
E agora, lá estava ele, sozinho naquela casa enorme e fria. Quer dizer, não completamente sozinho, uma vez que Draco estava em algum lugar lá em cima. Mas Harry sentia-se solitário, ainda que só estivesse há dois dias na mansão. Desde que conhecera Ron e entrara para Hogwarts, se acostumara a ter pessoas e barulho à sua volta. A mansão Malfoy era tão silenciosa que chegava a ser triste.
Subindo uma comprida escadaria de mármore preto, Harry entrou no corredor do primeiro andar. Encontrou duas salas de visitas, um pequeno escritório vazio, e um jardim de inverno. Subiu mais um lance e chegou num corredor muito mais largo que o primeiro, e que terminava numa porta dupla. Olhando para os dois lados, Harry seguiu pelo corredor e girou a maçaneta, empurrando as portas.
Harry se surpreendeu por perceber que o local era bem claro, ao contrário dos outros cômodos da casa. E no segundo andar da mansão, diga-se de passagem, pois ele estava imaginando ter que entrar novamente nas masmorras úmidas e escuras e não estava gostando da idéia. Mas o lugar era uma sala ampla e com poucos móveis, apenas o essencial.
Algumas mesas com tampo de mármore ao canto direito, longe da janela, tinham expostas alguns frascos, alguns com poções coloridas, outros vazios. Por todas as paredes haviam prateleiras suspensas e pequenos armarinhos; objetos dos mais variados ocupavam aqueles próximos à mesa com os recipientes, enquanto os do outro lado da sala estavam repletos de livros e uma bacia de prata que Harry suspeitou ser uma penseira.
No centro da sala, havia apenas duas poltronas relativamente simples, se comparadas às dos outros cômodos da mansão, separadas por uma mesa baixa onde estavam dispostos um tinteiro, uma pena e vários pergaminhos.
Potter caminhou até a parede repleta de livros e começou a ler os nomes em suas lombadas. Todos tinham a ver com maldições, azarações, contra-maldições, poções... Foi então que Harry se deu conta. Olhando ao redor, e para todos os instrumentos estranhos que ocupavam mesas e prateleiras, além das inúmeras pastas e anotações espalhadas pela sala, Harry entendeu que ali só podia ser:
- O que está fazendo no meu laboratório, Potter? – Malfoy perguntou indignado, saindo de uma porta nos fundos da sala.
Harry, é claro, não respondeu, apenas ficou o olhando com uma expressão envergonhada.
- Pare de fazer essa cara de peixe morto, por Merlin! Você estava fuçando as minhas coisas?!
Com isso, as reações de Harry voltaram e ele estreitou os olhos raivosamente para Malfoy.
- O que você quer aqui, hein?
Harry pegou uma caderneta de seu bolso e rabiscou rapidamente.
"Me perdi."
Draco rolou os olhos.
- Maldito! Não me venha com essa desculpa idiota de novo. Confesse logo que estava
bisbilhotando!
Harry bufou e deu de ombros.
- Tão típico, Potter. Sempre metendo essa cicatriz ridícula nas coisas, não é? Incapaz de confiar que alguém possa ser melhor em alguma coisa do que você.
A boca de Harry se escancarou em indignação, mas ele desistiu de continuar a "discussão". Não valia a pena perder tempo com aquele idiota.
Deu as costas ao loiro para sair da sala quando o outro o chamou.
- Aonde pensa que vai?
Harry rabiscou algo no caderno: "Colher flores."
- Idiota! Já que está aqui, vamos começar logo com isso...
O moreno continuou parado no mesmo lugar, observando Draco pegar uma prancheta de cima de umas mesas e voltar para onde Harry estava. O loiro, porém estancou, ao ver Potter ainda parado ali, parecendo confuso.
- Está esperando um convite formal para se sentar, Potter? - Disse o loiro, com uma sobrancelha levantada.
Harry sentou-se em uma poltrona e Draco se surpreendeu do moreno obedecê-lo assim, de tão boa vontade, mas isso não durou muito, porque Harry já rabiscava algo em sua caderneta, e mostrava para o loiro com um sorriso nos lábios.
" Você continua sendo um imbecil!"
- Não tem o mesmo impacto escrito num papel! – O loiro falou com deboche. – Certo, Potter, chega de conversinhas e vamos resolver logo esse seu "problema".
Draco sentou-se na poltrona em frente a Harry, pegou sua prancheta e uma pena.
– Vou te fazer umas perguntas, comece me contando como tudo aconteceu.
Harry olhou meio desconfiado para Draco, que tinha assumido uma postura completamente profissional. Ele sacudiu a cabeça e começou a escrever. Ele escrevia, rabiscava, voltava a escrever e isso já estava acabando com a paciência de Draco.
- Pára, pára! Pára com isso, Potter. Está me irritando. – Ele tomou a caderneta da mão do moreno. - Fale.
Harry fez a tão conhecida cara de peixe morto que tirava o loiro do sério. Draco rolou os olhos e suspirou.
- Eu sei leitura labial, Potter, é só falar devagar.
Draco chegou sua poltrona para mais perto de Harry e se concentrou no que o moreno "dizia". A princípio, Harry ficou um pouco sem jeito, mas Draco estava realmente fazendo seu trabalho. Por incrível que pareça ele não zombou do moreno, prestava atenção em tudo o que ele dizia. Bem, mas ele era Draco Malfoy, isso não podia durar muito.
- Acho que já é o suficiente. – disse Draco depois de uma série de perguntas. Harry já estava se levantando quando ele o fez parar.
- Potter, você tem a língua presa, seus "erres" são estranhos, tente melhorar isso.
Harry crispou os olhos e saiu batendo a porta com força. Draco sorriu e voltou-se para dar andamento a sua pesquisa a partir do que o moreno lhe falou.
oOo
Potter e Malfoy entraram numa estranha rotina. Harry fazia todas as suas refeições junto da família Malfoy, logo depois do café da manhã ele caminhava um pouco pelos jardins da mansão, depois fazia seu relatório do dia anterior e enviava para Hermione. – A morena o obrigou a relatar tudo o que se passava com ele durante o dia. - Na parte da tarde, ele ficava junto de Draco no laboratório e observava o rapaz trabalhar, enquanto lia alguns livros das estantes do loiro. Já haviam passado duas semanas desde que Harry fora amaldiçoado e uma semana que estava morando com Draco Malfoy.
Os aurores ainda tentavam a todo custo localizar Josh, mas parecia que o homem simplesmente tinha evaporado. Hermione vivia mergulhada em livros, buscando algo que falasse sobre essa maldição. Era incrível como ninguém nunca tinha ouvido falar disso.
Por mais que doesse muito em Harry admitir, ele tinha que dar o braço a torcer porque, ainda que Draco continuasse sendo um imbecil mimado, quando se tratava do trabalho, ele se empenhava pra valer.
Já passava de meia noite quando Harry resolveu descer e ir até o jardim, naquele dia. Ele já não agüentava mais rolar na cama e lutar contra sua maldita insônia. Quem sabe um pouco de ar puro o faria bem.
Harry resolveu descer para o jardim de inverno, à parte da casa que mais gostava. Abriu as portas duplas de vidro e o que viu, o fez parar estático.
Draco estava sendo prensado contra a parede por um rapaz negro. O loiro tinha as mãos agarradas no pescoço do amante enquanto o outro estava com a mão enfiada em sua calça. Os dois se beijavam de uma forma que deixou Harry sem fôlego só de olhar.
O moreno queria sair dali, mas suas pernas estancaram no lugar. Não era como se Harry nunca tivesse visto dois caras se pegando, isso era até meio comum no mundo mágico, principalmente quando se era amigo de Ron e Wood. O que deixou Harry surpreso fora descobrir que Malfoy era gay. Ele nunca poderia imaginar. – Por mais que Ron tivesse passado sua vida escolar falando isso...
Mas ele precisava sair dali. O que Malfoy pensaria se o visse ali, assistind- ... Ops, tarde demais. Draco acabara de separar sua boca do pescoço do outro rapaz e abriu os olhos, olhando bem em sua direção. Ficou sem reação por alguns segundos, mas logo se recompôs. E a cara que fez não era boa.
- Potter, o banheiro fica para o outro lado. Posso continuar, ou você está querendo participar? - O loiro ergueu uma sobrancelha, enquanto o outro rapaz – que agora Harry reconhecia como Blaise Zabini- o olhava com cara de espanto.
Harry não esperou por mais nada, e em poucos segundos já estava fora da visão de Draco e Blaise.
- Draco... aquele era o Potter? Harry Potter?
- Você conhece algum outro testa partida, Blaise? - Disse Draco irritado, se desvencilhando de Blaise e indo se sentar em uma das mesinhas do jardim, sendo acompanhado pelo outro.
- Me conte essa história Draco. O que diabos Potter está fazendo aqui?
- Certo, certo, vou te contar. Sente-se, essa é uma longa história...
Harry trancou a porta do quarto e sentou-se na cama, ainda perdido em pensamentos e sensações que a cena que acabara de ver estava lhe causando.
Sim, Harry estava excitado.
O moreno deitou-se de costas e suspirou, levando as mãos ao rosto. Meu Deus, ele nunca... pensara em sentir aquilo. Não com dois homens.
Harry já tinha visto Ron e Oliver se beijando muitas vezes, mas nada tão intenso quanto o que ele tinha acabado de ver. Se bem que Harry desconfiava que todo o embaraço dos amigos se resumia a quando estavam cercados de Weasleys curiosos. Ele podia imaginar como os dois deviam ficar, quando estavam sozinhos...
Harry arregalou os olhos.
Oh, meu Deus! Agora ele estava pensando em seu melhor amigo fazendo... coisas. Ele começava a achar que a tal maldição tinha outros efeitos além de sua incapacidade de falar. Afastando as imagens das mãos de Oliver deslizando pelas costas de Ron, se concentrou em seu real problema.
oOo
No dia seguinte, Harry tomou seu café da manhã sem nem levantar a cabeça do seu prato de cereal. Assim que terminou, seguiu para seu quarto e lá ficou até que um elfo o viesse chamar a mando de Draco.
Sem nenhuma vontade de encarar o loiro, Harry demorou o quanto pode em seu banho, mas não tinha jeito de evitar o encontro.
Harry entrou no laboratório e foi direto pegar um livro e sentar-se numa poltrona. Durante todo o trajeto do moreno, ele foi seguido por um par de olhos acinzentados, mas ignorando completamente, ou fingindo ignorar, ele sentou-se numa das poltronas e começou a ler...
Draco deu uma olhada por cima do ombro para ver Harry enterrado no sofá, o rosto completamente coberto por um grosso e pesado livro. Livro que estava de ponta cabeça.
- Encontrei algo sobre a maldição - Falou, voltando a misturar poções em um recipiente.
- Não é muita coisa, mas já é um começo...
Silêncio.
- Tinha um livro na biblioteca particular do meu pai, um apanhado sobre maldições antigas, suas causas e efeitos... Encontrei a "bendita" lá.
...
- Você tem um mês, Potter. Se não resolvermos seu problema em um mês, a maldição não vai ter mais volta. - Draco parou de enrolar, dando as costas a sua mistura e voltando-se para ver a reação de Harry.
Nenhuma.
Isso porque Potter não estava ouvindo meia palavra do que o loiro falava. Na verdade, ele estava com os pensamentos na noite anterior, no que o Malfoy estaria pensando sobre ele, se estava achando que ele era homofóbico ou coisa parecida. Não que ele ligasse pro que o loiro pensava sobre ele, mas, e se ele estivesse pensando que ele era um idiota ou...
- O gato comeu sua língua, idiota? – Malfoy perguntou, arrancando o livro das mãos de Harry e conseqüentemente, arrancando-o de seus devaneios.
Harry levou um susto ao se deparar com Draco a sua frente.
"Você falou alguma coisa?" Disse Harry bem devagar para que o loiro o acompanhasse.
- Potter, você realmente é um idiota, eu estou aqui me matando pra achar a cura pra essa benção de maldição e você está aí, no mundo da lua. No que você está pensando, Potter?
"Er...desculpe, pode repetir?" Harry se sentiu completamente envergonhado de saber que provavelmente Malfoy nem deu a mínima sobre ele ter visto o que viu, enquanto ele não parava de pensar nisso.
- Potter, eu não acredito que você está com vergonha por ter me visto com o Blaise. Já te falaram que você é patético? Ou por acaso você é homofóbico? Sabe-se lá, você viveu com trouxa por tanto tempo que pode ter esses preconceitos idiotas que eles têm, quanto a pessoas do mesmo sexo ficarem juntas.
"Eu não sou preconceituoso, Malfoy" Harry disse com raiva.
- Não foi o que pareceu ontem, você tinha que ter visto a sua cara, Potter, você estragou o que poderia ter sido uma ótima noite sabia?
"Você namora com o Zabini?"
- Não, eu não namoro. Eu não sei se você percebeu, Potter, mas eu estou preso dentro dessa casa, não acho que um namoro daria certo nessas circunstâncias. Mas então, você não é "preconceituoso"? - Disse Draco, se divertindo com o constrangimento de Harry ao falar nesse assunto.
"Meu melhor amigo é gay, Malfoy, eu apenas fiquei surpreso com o que vi, só isso."
- E você gostou do que viu Potter? - Disse Draco, chegando mais perto do moreno, que automaticamente foi se encolhendo na poltrona. Malfoy chegava mais perto enquanto Harry arregalava os olhos, Draco estendeu uma mão para tocar o moreno que estava ficando meio pálido quando resolveu parar no meio do caminho.
- Eu daria tudo para ter o Colin Creevey aqui nesse momento, olha a sua cara, Potter, patético. – Draco revirou os olhos e voltou-se para sua poção, rindo da cara de Harry.
Harry ainda ficou parado com cara de besta por um momento, até que a ficha de que Draco estava zoando com sua cara caiu, e ele levantou num rompante e já ia saindo quando a voz do loiro o fez parar no caminho.
- Potter, seu idiota, você realmente não escutou nenhuma palavra que eu te disse? – Harry permaneceu parado de costas para Draco.
- Temos duas semanas pra resolver tudo ou você ficará mudo para sempre, o que não seria ruim é claro, mas tem pessoas que gostam de ouvir sua voz de taquara rachada, fazer o que.
Harry voltou-se para o ex sonserino com uma cara preocupada.
" Do que você está falando Malfoy?"
- Eu não costumo me repetir Potter, mas vou fazer uma caridade dessa vez, venha, sente-se. – Harry revirou os olhos mais foi sentar-se junto de Malfoy.
- Eu estava pesquisando em um dos livros da biblioteca de meu pai e encontrei um que falava sobre essa maldição. Não falou nada sobre a cura, era um livro que citava algumas maldições antigas e o que elas faziam. Mas já deu para saber algumas coisas e com isso eu já posso parar de jogar no escuro. – Harry ouvia tudo atentamente, ele não disse nada então Draco continuou. – o nome dessa maldição é Silens Intemporaliter, silêncio para sempre em latim.
"Para sempre?"
- Bem, no livro diz que se não for feito o contra-feitiço em um mês, a pessoa que sofreu a maldição fica muda para sempre. – Harry levou as mãos à boca e arregalou os olhos.
- Calma Potter, nós vamos dar um jeito nisso, eu já estou com algumas idéias, vou precisar falar com a minha mãe, preciso pedir ajuda para uma coisa. – Disse Draco já se levantando e indo em direção a porta.
Harry levantou logo a trás e para chamar a atenção do loiro o tocou em seu ombro o fazendo virar e encarar o moreno com uma sobrancelha erguida.
- O que foi, Potter?
"Obrigado, Malfoy."
- Não me agradeça, Potter, eu não faço isso por você.
"Eu sei, mesmo assim eu agradeço."
- Certo, agora se me der licença. - Disse Draco, apontando com a cabeça para a mão de Potter que ainda estava pousada em seu ombro.
Harry imediatamente tirou as mãos do ombro de Draco e saiu apressado, passando a sua frente e indo em direção a seu quarto.
"A Pansy sempre ficava falando na minha cabeça que os caras com carinha de anjo são os piores... Ela tinha que me fazer ficar pensando essas coisas sobre o Potter... E por que eu lembrei disso agora? E por que diabos o Potter rebola enquanto anda?" – Draco arregalou os olhos para seus pensamentos e sacudiu a cabeça, como se quisesse espantá-los. Achou melhor falar com Narcisa de uma vez.
oOo
Harry passou os dois dias seguintes praticamente sozinho na mansão, Narcisa passava quase que o dia todo fora, e quando chegava se trancava com Draco em seu quarto. Já o loiro, ficava trancafiado em seu laboratório e em nenhum momento o chamou para mais interrogatórios, como era de costume.
Essa noite, enquanto jantava com os Malfoy, Harry percebeu uma certa tensão no ar.
Narcisa falava com Draco como se estivesse falando em códigos. Os dois trocavam olhares enigmáticos a todo instante, e ele já estava se sentindo desconfortável à mesa. Comeu rapidamente e, assim que pôde, saiu.
O que esses dois estavam armando? – Pensava Harry, algumas horas depois, deitado em sua cama. Era óbvio que estavam escondendo algo, por mais que quisesse, ele ainda não conseguia confiar em Draco. Mas... até que o loiro estava se esforçando. Ele mereceria um voto de confiança?
É claro que não, ele é um Malfoy. – Disse uma voz em sua cabeça, muito parecida com a de Ron.
Ele é alguém que errou e está tentando consertar seus erros, todos merecem uma segunda chance. Falou outra voz, dessa vez muito parecida com a de Dumbledore.
Harry sacudiu a cabeça para espantar seus pensamentos, Se já estava ouvindo vozes era porque as coisas não estavam boas. Essa maldita insônia que nunca o deixava! Será que Malfoy não teria uma poção para dormir? Como fazia várias vezes desde que chegou a mansão, Harry levantou-se e foi dar uma volta.
Ele estava descendo para os jardins quando encontrou um loiro aparentemente perturbado, andando de um lado para o outro diante da porta e olhando a todo o momento para um grande relógio na parede oposta. Harry se aproximou, tentando fazer todo o barulho possível para que o rapaz notasse sua presença ali. E deu certo, porque Draco parou de andar e virou-se olhando diretamente para ele.
- O que faz acordado a essa hora, Potter?
"Insônia" – Harry mexeu os lábios.
- Certo, essa mansão é enorme, dá para você me deixar sozinho? - Disse o loiro, olhando mais uma vez para o relógio.
Harry parou na sua frente para que o loiro visse o que ele falava.
"O que houve, Malfoy?"
- O que houve o que, Potter? - Respondeu Draco, visivelmente irritado.
"Você está nervoso, andando pra lá e pra cá, e isso não é de hoje. O que está havendo?"
- O que te importa, Potter?
"Porque você é sempre tão agressivo? Qual o seu problema? Quantos anos ainda acha que...
Draco deu as costas a Harry para assim evitar entender o que o outro estava tentando lhe dizer.
Harry deu um passo, passando à sua frente, e segurou seu rosto, fazendo-o encará-lo. Disse bem devagar para Draco entender.
"Nós não estamos mais na escola, Draco, Não precisamos ser inimigos, você não entende isso?"
Draco ficou ainda um tempo olhando para o outro. Harry mantinha ambas as mãos segurando o rosto do loiro. Enfim, Malfoy suspirou, sentindo-se meio confuso - agora não apenas pelo que vinha deixando-o preocupado. Desviou o olhar.
No mesmo instante, Harry percebeu e corou.
"Olhe... Desculpe... Eu.."
- Não precisa se desculpar. Eu até agora não consegui praticamente nada sobre essa maldição e... E não tem exatamente a ver com querer ser seu inimigo... É só que...
Draco ergueu os olhos para ele. – Eu realmente queria... fazer alguma coisa...
Harry olhou para ele por um momento, tentando absorver o que Draco acabara de lhe falar. A voz de Dumbledore falando sobre segundas chances voltou a ecoar em sua cabeça. Harry a sacudiu.
"Olhe, você está fazendo o que pode, tá legal? Vai... vai ficar tudo bem..."
Draco deu as costas a ele mais uma vez, e começou a falar enquanto sentava-se em um dos sofás.
- Não é só isso, Potter. Eu realmente estou preocupado com minha mãe. Já era para ela estar de volta. Eu não devia tê-la deixado ir sozinha... mas não era como se eu pudesse ir junto.
Harry sentou-se de frente para Draco.
"Onde ela foi?"
- Isso não é relevante... mas me diz, você tem tido mais algum sintoma além de não poder falar? Essa sua insônia constante...
"Por acaso você está tentando mudar de assunto? Você sabe que não tem mais nenhum sintoma."
- Eu não tenho porque mudar de assunto, Potter, está delirando agora?
" Eu tenho percebido a troca de olhares entre você e sua mãe, vocês tem conversado por horas, depois de ela passar boa parte do dia na rua... Está me escondendo algo, Draco?"
- Nada que você precise saber... Não agora. – Draco disse, remexendo-se na cadeira e olhando para Harry, torcendo para que o moreno aceitasse e mudasse o assunto.
Harry continuou sentado, mantendo o olhar fixo de Malfoy. Ele decidiu deixar o assunto morrer, mas não podia deixar de pensar em como essas poucas semanas de convívio com Malfoy lhe mostrara um outro lado dele, um lado interessado e concentrado em seu trabalho. Além do lado do filho que se importa e preocupa. Lógico que Draco ainda era o mesmo mimado que conhecera, mas... Ele não era tão ruim de se conviver, como ele sempre pensara. Harry bem que queria poder confiar nele, mas como? Como confiar em alguém que faz questão de esconder coisas de você?
- Ah, que é isso, não é como se eu pudesse lhe contar tudo, Potter. – Falou Draco, olhando em seus olhos.
Harry demorou alguns segundos para entender que não, ele não tinha falado aquilo. Ele só estava pensando, o que queria dizer que Draco leu... Leu seus pensamentos?!
O moreno arregalou os olhos ao mesmo tempo em que Draco deixava escapar um 'Ops!' e engolia em seco. Isso foi o bastante para Harry levantar-se da cadeira e dar um passo à frente, agarrando o loiro pela frente de sua camisa cara e impecavelmente bem passada.
"Ops?! O que você quer dizer com 'Ops!'??? – A boca de Harry abria e fechava agora tão rápido, que Draco teve que inclinar-se um pouco para frente para tentar acompanhar o que Potter estava "dizendo". Esse tempo todo você tem feito eu soletrar tudo para você que nem um babaca, e você é a droga de um legilimens?! Seu filho da mãe! Malfoy, se você fez isso só para tirar uma com a minha cara, eu...
E então, não havia mais contato visual, muito menos a possibilidade de Harry soletrar raivosamente, uma vez que sua boca agora estava aprisionada contra a de Malfoy.
A primeira reação de Harry foi tentar se afastar, mas a mão de Malfoy encontrou sua nuca e não o deixou escapar. A segunda reação de Harry foi considerar o quão macia era a boca de Malfoy.
Após o que pareceram horas, dias, ou talvez um minuto, Draco se afastou. O loiro tinha as bochechas vermelhas e os olhos brilhando com algo que Harry não conseguiu compreender. Então, quando Draco abriu a boca para começar a se explicar, Harry inclinou-se e o beijou.
Ele estremeceu quando suas línguas se encontraram. Harry desejou que todas aquelas sensações que estavam passando por seu corpo jamais acabassem. Decepcionou-se quando as portas duplas da sala se abriram.
Narcisa.
Draco o empurrou para longe, endireitando-se na poltrona. Harry ficou apenas parado, sem ter muito que fazer na verdade, uma vez que a matriarca dos Malfoy tinha pego os dois se beijando no meio de sua sala de estar. Com aquele pensamento, Harry imaginou que ele devia estar mais vermelho que os cabelos de Ron.
Continua...
NA: Olá pessoinhas pervas! Postei mais cedo, gostaram?
Querem mais no findi? Então continuem a campanha: "faça uma autora feliz!" Review ^_^
