Retratação: "Eu não possuo os direitos sobre Saint Seiya, ou sobre qualquer de seus personagens. Todos os direitos cabem ao Masami Kurumada, criador e desenhista do manga series. Apenas os utilizo para a redação de fanfics."

"Pós batalha de Hades. Saori dá sua vida por Seiya e está entre a vida e a morte. Para salva-la, ele precisa juntar as sete pedras preciosas e devolver-lhe sua imortalidade de deusa. Romance/Aventura. Seiya e Saori."

AVISO: Não contém spoliers, nem muito menos ligação com a Saga do Céu.

Sua impossível chance

Capítulo 01 – Recomeço

Depois do grito, a sua mente voltou a funcionar. Sentia várias sensações ao mesmo tempo, a primeira vinha do seu coração que parecia tocar uma música, batendo forte em seu peito. Havia levado um tremendo susto que o acordou naquela ensolarada manhã de terça-feira.

Estava dormente e seu corpo ainda não lhe obedecia completamente, a sua mente clamava por sair dali e correr atrás da sua deusa. Não tinha bons pressentimentos. Entretanto o máximo que conseguiu foi franzir o cenho. Havia mais alguém no quarto, ele conseguia sentir o cosmo fraco e suave, levemente angustiado como se o seu dono estivesse passando por um grande sofrimento. E ele conseguia reconhecer esse cosmo, era o da sua irmã mais velha.

"Saori..." foi apenas o que sua mente conseguiu transformar em som. Havia sussurrado o nome dela, fato que não passou despercebido por sua irmã que saiu em disparada atrás da enfermeira chefe, que estivera cuidando dele durante os últimos dois anos.

Com muito custo conseguiu abrir levemente os olhos, enxergando apenas uma faixa estreita de luz que o deixou cego obrigando-o a fechá-los novamente. Isso porque havia muito tempo que suas retinas não enxergavam a luz. Tentou novamente e enxergou o teto branco sob si, olhou ao redor e percebeu que o quarto onde estava era bem agradável, a pesar de se parecer com um leito de hospital.

A porta rangeu suavemente e duas figuras vestidas de branco entraram. Uma delas, ele reconheceu era sua irmã Seika, com quem havia sonhado durante todo o tempo em coma.

- Há quanto tempo ele acordou? – perguntou a enfermeira.

- Alguns minutos atrás... logo que percebi, corri para lhe chamar. – Seika colocou a mão sobre o peito, em sinal de alívio. Um discreto sorriso acompanhado de uma algumas lágrimas teimosas enfeitavam o alvo rosto da moça.

- Peço que fique com ele e não permita que se movimente. Irei chamar o doutor para examiná-lo. – a enfermeira depositou o laudo médico na mesinha de cabeceira da cama dele e saiu às pressas em direção a sala do médico.

- Seiya... eu-eu estou tão feliz!

Ele olhou para a sua irmã e sentiu que a vida havia voltado novamente. Com muito custo e determinação conseguiu perguntar: - Como estão todos? – olhou com preocupação.

Ela arregalou os olhos e falou em tom doce: - Ikki não é visto desde o final da batalha, mas mandou noticias. Apenas quer permanecer recluso em seu esconderijo secreto...

- A cara dele... – um leve sorriso se esboçou em seu rosto.

Ela continuou e puxou uma cadeira para mais perto da cama. Ele estava em um quarto dentro do hospital, não respirava mais com auxílio de equipamentos e o coma, segundo os médicos era permanente, pois suas funções vitais eram normais, mas as cerebrais permaneciam adormecidas. Sua expressão era a de quem estava dormindo profundamente.

- Seika... e os outros? – falou tirando-a de seus pensamentos.

- Aham! Sim... o Hyoga, ele está na Sibéria novamente. O Shun está morando no orfanato junto com a Minu, June, eu, e o Tatsume. – observou as sobrancelhas do irmão se levantarem ao ouvir este nome. – Sim, ele está lá para administrar o orfanato. Estamos trabalhando junto com ele, servindo de voluntários.

- E o Shiryu?

- Ele voltou para a China junto com a Shunrei e estão vivendo bem felizes, Shun me disse que estão namorando... – ela abriu um imenso sorriso. – Formam um lindo casal, não?

- Sim...

- Bem, o restante dos cavaleiros de bronze está no Santuário para tentar consertar as coisas por lá, enquanto não encontram nenhum grande mestre, eles formaram uma espécie de conselho para poder impor ordem lá...

- O Jabu e aqueles molengas dirigindo o Santuário? Hahah.. Essa eu quero ver.

Ela sorriu. – Bem, no mais, estão todos bem.. Ah! A Marin e a Shina estão recrutando novos garotos para preencher as vagas dos cavaleiros mortos na guerra santa...

- E os cavaleiros de ouro? – Seiya abafou a voz.

- Eles estão mortos, Seiya. Mas todos os moradores do Santuário e os cavaleiros restantes, dizem que quando os cavaleiros da esperança se juntarem novamente, não vão precisar mais de cavaleiros de ouro.

- Como assim? – indagou.

- Bem, quando você acordasse e o Ikki voltasse, vocês seriam os novos guardiões do Santuário. – ela olhou para as mãos e respirou fundo. – Vocês, agora possuem as armaduras mais fortes que as de ouro. Foi o que me contaram.

Seiya balançou a cabeça em afirmação. Ele sabia que precisava agradecer a Atena por isso, pois sem o Ikhor(1), eles teriam morrido bem antes de salva-la. Mas havia algo que o perturbava, ela havia mencionado a todos, menos Saori. Será que ela não queria lhe preocupar... teria seu esforço sido em vão?

- Seika... e a Saori, como ela está?

- A Saori... bem... – foi interrompida pelo médico que entrou em passos rápidos e apressados. A enfermeira pediu para que ela se retirassse. Acenando para o irmão, ela se retirou.

- Muito bem, Sr. Seiya, como se sente?

- Bem, eu acho... Mas muito entediado, quando poderei sair?

- Em breve, depois dos exames de rotina, o senhor será liberado após a observação de 72 horas.

- É muito... Eu precisava sair logo dessa cama... – ele tentou se levantar mais uma forte tontura o acometeu na cama novamente.

- Não faça nenhum estrago que será irreversível para sua saúde. Sra. Enfermeira traga uma boa refeição para o paciente e depois o prepare para os exames. Ainda não compreendo como ele acordou sem nenhuma seqüela aparente depois de mais de dois anos em coma.

Seiya arregalou os olhos a afirmação do médico. Dois anos?? Quanto tempo ele perdeu depois da batalha, precisava sair logo dali. Um barulho conhecido o tirou de sua perplexidade, seu estômago clamava por trabalhar novamente, afinal se alimentar de soro durante dois anos teria sido muito para ele.

- E o faça com rapidez, por favor. – o médico sorriu. – Agora pode chamar a Senhorita Seika para fazer companhia ao paciente.

Depois do médico e da enfermeira, Seika voltou para perto da cama dele. Ela não ousou encara-lo, e permaneceu em silencio até que ele perguntou:

- E a Saori? Onde ela está?

- Ela... – ponderou por uns instantes e como não havia alternativa contou: - Ela está... morta.

Aquela palavra ressonou em sua mente durantes incontáveis segundos. Até que sua garganta embargada com a notícia abafou um grito de desespero que insistia em revelar-se para os quatro cantos daquele hospital. Talvez tivesse sido melhor continuar no coma, acreditando viver uma vida feliz sem mortes nem tristezas. Seus olhos arderam com força e não conteve as lágrimas.

Ela se aproximou do irmão e fez-lhe um cafuné na cabeça e falou com delicadeza e ternura: - Foi ela que salvou sua vida, Seiya.

Ele soluçou baixinho e olhou para a irmã. – O que disse?

- Que ela deu sua vida e sua imortalidade para te salvar da morte. Ela se sacrificou por você, assim como você o havia feito por ela. Ela te amava mais que a própria Terra, e pagou por seu erro...

- Por que ela tinha que fazer isso.. eu não importaria em morrer para que ela vivesse... – soluçou de novo.

- Eu disse, o amor dela é mais forte do que qualquer coisa. – ela voltou para a cadeira. Suspirou. – Foi quando a guerra terminou, estávamos no Santuário a espera de vocês. Jabu sentiu um cosmo enorme se movimentar para o Star Hill, quando olhamos para lá vimos cinco bolas de energia pousando lá.

- Eu-eu não me lembro...

- Você já estava desacordado, Seiya. A espada de Hades havia ferido seu peito e sua vida estava por um fio. – ela continuou. – Quando chegamos lá, vimos vocês todos ensangüentados e feridos. Ela, Saori o carregava nos braços. Sua expressão era de dor e sofrimento. Depois de deitar seu corpo no chão ela pediu para que todos se afastassem dali, pois ela iria fazer algo que só ela poderia fazer. Ainda lembro de suas palavras... finais: "Não tentem me impedir. Não posso deixar que ele morra por ter me salvado, eu sou Atena, e não permitirei que ninguém se sacrifique mais por mim. Saiam. Deixem-nos a sós." Depois disso, nós descemos para o Templo e vimos um grande clarão no topo do Star Hill.

- Ela transferiu o cosmo para mim... – ele olhou para as mãos magras e pálidas. Na situação em que estava não dava para acreditar nisso, estava fraco e debilitado.

- Sim, exatamente, Seiya. E agora você vai se levantar daí e procurar ser feliz, porque foi esse o desejo dela. – ela deu volta pelo quarto e parou na janela contemplou a rua pelo vidro e voltou-se para ele. – Mas... eu tenho a impressão de que seu cosmo se despedaçou, pois do clarão de energia que todos virão saindo de lá, saiu algo como uma bolas que se dispersaram em várias direções... não sei se alguém percebeu...

Ele a olhou com curiosidade. O cosmo dela havia se partido? Uma das partes está agora compondo seu próprio cosmo? Não ele não sentia assim... era diferente, estava diferente. Saiu dos devaneios e perguntou: - Como vocês a encontraram depois disso?

- Bem, ela estava caída ao lado com uma das mãos sobre o seu peito, no local do ferimento provocado por Hades que havia se fechado milagrosamente. Você ainda estava desacordado, mas respirava com mais firmeza e parecia mais vivo. Ela, no entanto, estava morta. – abafou um soluço e continuou: - Depois, deixamos seu corpo lá mesmo no Star Hill, dentro da tumba onde havia o corpo da antiga representação de Atena na Terra.

Antes que ele pudesse falar algo mais, a porta se abriu e a enfermeira entrou com um carrinho de refeições, parando-o próximo a cama dele.

- Senhor Seiya, espero que goste da refeição. – sorriu. Em resposta, o estômago dele gruniu com rudez.

xOx

Havia se passado uma semana desde que ele havia tido alta no hospital. Estava com a saúde mais forte do que nunca, palavras do próprio médico. E com os cuidados adicionais de Minu, ele não poderia estar melhor. Aliás, ela parecia mais atenciosa do que antes, talvez por medo de uma recaída ou por que ela sabia que sua estadia no orfanato da fundação era por pouco tempo.

- Seiya. – ela chamou.

- Sim? – respondeu. Estava sentado observando os garotinhos jogar uma boa partida de futebol. Ele já tinha condições de enfrentar uma bela partida, mas não o fazia para não contrariar a garota.

- Eu... eu estava pensando, você não vai morar no Santuário, não é?

- Não sei... – continuou fixando o olhar nos garotos com a bola no pé. – Estou pensando nisso e acho que meu lugar é lá.

- Mas Seiya... – ela apertou as mãos em prece. – A guerra terminou, não haverá mais inimigos, a Terra está em paz e...

- Não tente me convencer do que não pode Minu. Fico grato por sua atenção, mas eu nunca deixarei de ser um cavaleiro de Atena e, meu lugar é lá no Santuário.

- Seiya... – ela olhou para o jogo. Alguns meninos haviam começado uma briga por causa de umas canelas chutadas. Nada fez, pois Shun que estava como juiz da partida apartou a briga.

O rapaz de cabelos verdes correu até eles com um sorriso estampado em seu semblante. Assim que olhou para a garota seu sorriso se esmaeceu e perguntou apreensivo: - O que está havendo?

- Shun... Nós vamos para o Santuário amanhã mesmo! – Seiya deu-lhe um amigável tapinha nas costas. – Preciso rever os outros!

- Hã?! – engasgou-se ele. – Como disse?

- Vamos voltar! E se você não for, irei sozinho. – ameaçou.

- Voltar? Mas eu pensei que você iria ficar por aqui com sua irmã, a Minu, as crianças...

- Meu dever é servir Atena como um cavaleiro dentro de seu santuário... – ele sorriu. – E pode crer tenho certeza de que estão precisando de nós lá!

Shun ficou imóvel, perplexo. Ele só podia estar maluco! Voltar ao lugar onde havia sinais de guerra, destruição e ainda por cima a sombra da morte ainda pairava sobre aquele sítio. Era como sair do paraíso e entrar no inferno. Olhou para a garota que insistentemente segurava uma teimosa lágrima em seu olho direito. Abaixou a cabeça e por fim falou: - Eu vou com você! Também tenho saudades daquele lugar.

- Seiya... espero que você volte para me ver depois... eu-eu vou sentir saudades suas... – deixou a lágrima escapar e rolar por sua face. Ele a secou com um toque.

- Sempre voltarei para lhe visitar Minu. – ele sorriu. – Não duvide. - A garota sorriu e apertou a mão dele que ainda estava em sua face.

Seiya voltou-se para o amigo e gritou: - Hora de partir!

xOx

Algumas muitas horas mais tarde...

- Seiya, ainda não me falou nada da Saori... er... quero dizer, você não mais falou sobre a sua morte e tal... – comentou meio sem jeito.

- Para mim, ela não está completamente morta.

Shun parou de caminhar e olhou fixamente para o amigo: - Você deve estar maluco!

- Não, não estou. Sabe que só acredito vendo. – ele olhou para Shun e reclamou: - Se você ficar parado aí, não vamos chegar nunca! E esse sol está me matando...

"Deve estar te cozinhando os miolos mesmo... falando uma asneira dessa!" pensou o garoto segurando com mais força as alças da caixa da armadura. Havia carregado a sua do Santuário e a guardado consigo para o caso de precisar. Estavam em paz, mas não conseguia se separar dela, era como uma parte de si.

Assim como Seiya, Shun também era um simples garoto de 16 anos que já havia passado por momentos muito difíceis e muitas dificuldades para poder estar vivo ali, servir a Atena não foi tão fácil quanto ele imaginou. Tudo isso o havia lapidado e amadurecido, nem de longe apresentando a idade que tem.

Depois de se recuperar da batalha a mais de seis meses atrás, ele voltou a morar no orfanato junto com June, amazona de camaleão que havia enfrentado o árduo treinamento junto com ele na Ilha de Andrômeda. Fazia apenas dois meses que ele havia começado a namorar com ela. Logo voltaria para vê-la.

- Seiya, estamos quase chegando... – olhou de soslaio para o amigo que parecia caminhar em pleno deserto. – Não está tão quente assim... você só perdeu o costume...

- Sim... quero muita água depois.

Passaram mais alguns minutos em silêncio quando, adentraram o perímetro do Santuário. A paisagem era de um grande canteiro de obras, mesmo depois desse tempo passado, os moradores ainda não haviam voltado para a normalidade. Muitas casas, templos e até mesmo as doze casas estavam destruídas. Poucos eram os lugares onde a reconstrução havia parado.

Seiya observou o lugar atentamente, ele não havia imaginado quão desastrosa havia sido a batalha. Além de perder quase todos os cavaleiros e até mesmo sua deusa, o Santuário havia perdido muito de suas construções e conservava ainda muitas das cicatrizes.

Shun também se assustou um pouco com o cenário, porém não mais que o pégaso. Olhou para ele e perguntou: - Onde quer ir primeiro?

- Essa é muito fácil! Onde estará a Marin?

- Aqui atrás de você, Seiya!

Os dois pularam para trás ao ouvir a voz da amazona. Ambos com a mão no peito perguntaram em uníssono: - Quer me matar?!?!

Ela soltou uma gostosa gargalhada. Estava em trajes de treino e suas mãos estavam sujas de terra e cimento, ela estava ajudando na reconstrução da ala dos pupilos, uma série de quartos onde as crianças aptas a conquistar uma armadura deveriam morar.

- O que o traz aqui pégaso? Vejo que se recuperou do coma...

- Eu queria te ver, Marin. – abraçou a antiga mestra. – Como estão todos?

- Muito bem. – ela olhou para ele dos pés a cabeça e falou: - Então está se sentido novo em folha? – ele sorriu para ela. – Você não veio apenas para me ver... Tenho uma idéia do que pretende, vamos logo até o Star Hill.

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- Minu? Onde está o Seiya?

A garota que estava ocupada em supervisionar a refeição das crianças na cozinha se surpreendeu ao ver o rapaz loiro de olhos azuis encostado a soleira da porta, com suas tradicionais polainas laranjas.

- Hyoga... – ela sorriu. – Como estão as coisas lá na Sibéria? E a Eiri como vai? Tenho sentido muita falta da ajuda dela aqui no orfanato... se não fosse a June...

- Ela está muito bem. – sorriu. – E onde estão os outros?

- Foram para o Santuário. – olhou para o chão. – Seiya acha que deve viver lá, pois ainda é um cavaleiro.

Hyoga arqueou as sobrancelhas. – Ele bateu a cabeça?

- Você sabe que não!

- Mas o Santuário está uma bagunça agora... Ainda nem temos um Grande Mestre...

- Como você sabe?! – ela arregalou os olhos.

- Estive me correspondendo com a Marin, caso ela precisasse de ajuda eu estaria de prontidão. Queria vir antes para o Japão, mas a Eiri precisou muito de mim... – seu sorriso aumentou e se tornou mais radiante.

- Por que?

- Ela... teve um bebê. Uma linda cisnezinha... – abriu um sorriso maior que antes.

Minu sorriu emocionada e abraçou o cavaleiro. – Qual o nome dela?

- Natasha... igual a minha mãe e tão bela quanto ela.

- Oh... que lindo! Quero depois que traga as duas aqui para passar uns dias comigo! Será maravilhoso!

Ele sorriu e assentiu com a cabeça. – Certamente. Bem, vejo que não devo perder muito tempo, preciso contar a novidade aos outros. Estou a caminho do Santuário. Até mais Minu!

xOx

Depois de uma longa caminhada e muitos, mas muitos degraus mesmo, eles chegaram até o Star Hill, o local onde havia sido colocada a sepultura da última reencarnação de Atena na Terra.

- Saori... – ele correu até a tumba lacrada.

Marin olhou para Shun e ambos voltaram para o Salão do Grande Mestre. Esse momento seria só deles, Seiya e Saori.

O garoto de cabelos escuros e pele bronzeada ajoelhou-se ao lado da sepultura e tocou a superfície fria e marmorizada da lápide. Era desesperador. Nunca escondeu sua admiração e seu amor por ela. O destino é que nunca os havia unido, deusa e cavaleiro. E quando as coisas estavam em paz, ela não poderia estar em seus braços, ou ele poderia tocar-lhe, pois ela havia atravessado a fronteira da morte. Fato somente possível a partir de seu último desejo: salvar a vida do homem que mais amou em toda a sua existência. E o seu preço: sua imortalidade.

Ele contemplou a escrita grega na pedra e com as duas mãos afastou a tampa da sepultura e encarou o pálido semblante da jovem envolvida com suas longas madeixas roxas e várias rosas mais alvas que sua pele enfeitavam o seu corpo.

Estava intacta e parecia apenas dormir naquele caixão de pedra. Era estranho, não tinha odor nem marcas de deterioração. Ao contrário, exalava um delicado perfume de flores que só ela sabia ter.

Sentiu uma dor forte em seu peito. E seus olhos pareciam imersos em um nevoeiro desabando em milhões de lágrimas e soluços. Era bom mesmo que ninguém o visse ali, desolado ao lado do corpo de sua deusa, a qual tantas vezes deu sua vida para salva-la. Se pudesse mudar o tempo, se estivesse em si naquele momento, a teria impedido.

Desejou fortemente tê-la viva de novo com o seu lindo sorriso a iluminar sua vida, seus gestos graciosos e sua delicada voz a lhe chamar. Apenas sonhos.

Afastou-se dali e contemplou as estrelas no alto do Star Hill, dali elas estavam mais perto do em qual quer lugar e pediu ajuda, sentindo seu cosmo se acender pela primeira vez desde que havia se recuperado.

Fechou os olhos e gritou em sua mente, pois o grito não saia por sua garganta, estava engasgado e preso desde a hora em que a vira naquele estado.

"Seiya... seiya abra os olhos." Ouviu a doce melodia das palavras próximas a si e voltou-se imediatamente. Teriam os céus se compadecido de sua dor? Ou estaria tendo alucinações resultado de tanto tempo fora si no hospital...?

- Saori... – o som que saiu de sua boca era fraco e debilitado, tal qual a imagem que via próxima a sepultura dela. Sim, era uma imagem de Saori, um tanto esmaecida como se estivesse apagada pelo tempo.

"O que vês é meu espírito. Apenas para ti me revelei cavaleiro. Não precisa se assustar, não estou completamente morta e só você pode me salvar, Seiya."

- Como disse...? – seus olhos se abriram mais diante da revelação.

"Minha alma imortal foi repartida em sete pedaços transformados em pedras preciosas e espalhadas por entre os outros deuses. Esse foi o meu castigo por ter lhe dado uma nova vida."

- Por-por que fez isso?

"Porque eu o amo Pégaso, e não podia viver em minha imortalidade com sua ausência, sabendo que nunca mais o veria."

Ele conteu a respiração por alguns segundos e algumas lágrimas caíram de seu rosto. – Eu também a amo, Saori... mais que minha própria vida...

"Agora, você precisa resgatar as partes de minha alma para que eu possa voltar a viver, Pégaso. Só você pode fazer isso... confio em você, Seiya..." a imagem foi esmaecendo cada vez mais. Correu até ela para tentar tocá-la, porém ao chegar mais próximo, a imagem desapareceu. Ela estava sorrindo e algumas lágrimas caiam de seus olhos.

- SAORIIIIIIIIIIII!!!!!!!!!!!! – gritou para o alto caiu de joelhos mais uma vez ao lado de seu corpo.

Contemplou a expressão suave dela deitada naquele lugar e notou algo que não estivera lá: uma pedra um pouco maior que uma goiaba, uma pedra roxa com um brilho rosa, uma ametista.

Segurou a pedra em suas mãos e observou curioso a pedra se tornar uma massa de luz e cosmo e entrar suavemente no peito dela, fazendo-a mexer o peito lentamente, como se voltasse a respirar...

Continua...

xOx

N/t:

1 – Ikhor: sangue sagrado dos deuses, que confere a imortalidade. Vide Episódio G.

xOx

N/a:

Oie! Mais um capítulo! Até que foi bem rápido... o que umas merecidas férias não fazem com a mente criativa de alguém, hein:P

Bem quero esclarecer uma coisa... exatamente a cerca da idade dos cavaleiros de bronze. No meu entender (me corrijam se eu estiver errada!!!) na época da saga das casas, eles tinham cerca de 13 e 14 anos, aí depois com a saga de poseidon que deve ter se passado depois de mais ou menos um ano ou um ano e meio (nesse meio tempo eles enfrentaram os guerreiros deuses), eles deviam ter entre 14 e 15 anos. Então, com a Saga de Hades, que para mim se passou depois de um ano, eles deveriam ter cerca de 15 e 16 anos. A minha história se passa depois dessa saga mais uns seis meses (quando o Seiya acorda do coma), então o Seiya deve estar com 16 anos e os outros com 17 anos. Mesmo com pouca idade, eu quis dar a eles uma vida mais adulta...

Outra nota a ser esclarecida: acredito que o espírito seja a imagem mental da pessoa e a alma sua fonte de vida. Quando a pessoa morre, a alma pode reencarnar em outro corpo e possuir outro espírito. E o espírito pode continuar a vagar até que encontre o descanso ou um corpo para se apoderar. Essa teoria (descrita por mim de forma meio louca) seria a base do espiritismo, espero não estar errada... e achei que seria interessante coloca-la na história para sustentar a idéia de imortalidade da Deusa Atena e efemeridade da persona Saori.

Quero pedir desculpas se os personagens estão um tanto OOC, pois estou meio desfamiliarizada com o anime... tenho até vergonha de admitir... heheheh XD

Muito obrigada a todos que me mandaram seus comentários, fiquei muito surpresa ao ver a quantidade em tão pouco tempo!! O.o E fico com mais vontade de atender aos anseios de todos vocês... ai ai... isso será muito trabalhoso... XD

Bem até o próximo capítulo então. Que Zeus me ajude para que demore pouco tempo! XD

Lady Kourin

Novembro/2007