Disclaimer: Saint Seiya não me pertence. Escrevi a fic por diversão, não ganho nada com isso, além dos comentários de vocês.
Aviso: Esse capítulo contém yaoi (relacionamento entre homens).
Boa leitua!
Falling in Love
Capítulo 2: Uma Longa Noite
Sabe-se lá o que eles esperavam do chalé, mas certamente não era uma casa daquele tamanho. Sala confortável, três quartos, a cozinha era do tipo americana, mas bem espaçosa e um único banheiro. Não era muito a definição de um "chalé", estava mais para casa de campo. Máscara da Morte explicou que sua família era grande e aquela "casinha" chegava a se tornar pequena para todos eles.
O chalé era bem decorado, todos os móveis de madeira escura, assim como o piso. Tinha bastante janela, apesar de estar frio e ninguém agüentar abrir nenhuma delas. A cozinha era equipada com uma geladeira – que o italiano ligou assim que entrou – um fogão, um forno de microondas e uma mesa grande o bastante para oito pessoas.
Afrodite, que já conhecia a casa, chegou logo escolhendo o maior quarto e largando suas malas. Estava exausto de não fazer nada dentro de um carro. Além de morto de fome, é claro. Era impressionante o que esse pisciano podia comer.
Máscara da Morte mostrou aos amigos todos os cômodos e parou nos quartos também, onde havia uma cama de casal em cada um e um armário de duas portas para acomodarem as malas. Os aposentos eram como o resto da casa, paredes brancas, mobília de madeira escura e edredons na cor marfim nas camas.
Era um chalé bastante agradável e que jamais poderia ser associado a Máscara da Morte, era claro demais, bonito demais, normal demais. Dava até para se sentirem em casa, não fosse a belíssima vista de colinas verdejantes, bosques e passarinhos, que em nada se assemelhavam com a Grécia.
Kamus vinha carregando suas bagagens e as de Milo, esbarrou em todo mundo no caminho e escolheu um quarto para si, ao lado do quarto de Afrodite e Máscara da Morte. Isso significava que Mu e Aioria ficariam com o quarto ao lado do banheiro.
O francês largou suas malas e olhou em volta aprovando o lugar. Milo também entrou se jogando na cama e fez sinal de positivo para o italiano, que estava parado junto à porta.
– Gostei da casa, Mask! – O grego comentou com um sorriso infantil no rosto.
Mu foi o único que fez cara feia. Dividir o quarto com Aioria já era ruim, ter que dividir a cama seria ainda pior. O tibetano tinha manias estranhas na hora de dormir – não só na hora de dormir – e não queria ter nenhum amigo seu assim tão próximo nessas horas. Esse amigo sendo o grego seria ainda mais estranho, sabia que Aioria vinha olhando para ele de forma diferente nos últimos dias.
E se o baterista roncasse? Seria um caos aquela semana! Ele precisava de boas horas de sono, espaço e silêncio – não subestimem uma preciosa noite de sono.
– Temos um problema, – ele comentou de braços cruzados e os amigos o encararam, preocupados – só sobrou um quarto.
Afrodite sorriu de orelha a orelha e puxou o ariano e o grego pelas mãos. Colocou-os perto da cama e ajudou o tibetano a retirar aquela mochila pesada dos ombros. Depois se encaminhou para porta, ainda sorrindo – isso é muito importante – com um ar de inocência.
– Vocês vão dividir o quarto. Boa sorte. – E virou-se para deixar o aposento. – Amor, eu to morto de fome! Vamos fazer alguma coisa para comer.
Mu e Aioria se entreolharam com uma expressão entre feliz e preocupada. O leonino foi o primeiro a desistir da troca de olhares e abrir uma porta do armário para largar sua mala.
– Aioria! Você fica na SUA metade da cama e não ouse ultrapassar esta linha!
– Que linha? – Perguntou o grego preocupado com a imaginação fértil do guitarrista.
– A imaginária. Ela divide a cama ao meio.
Ótimo... Temos um meridiano dividindo nossa cama agora.
– E aquela metade – Mu apontou a parte da cama mais próxima da janela – é minha!
Claro... Você fica com o Ocidente e eu com o Oriente. Espero que os fusos não sejam diferentes também, seria um problema.
O leonino riu e concordou com a cabeça, depois deixou o quarto, afinal de contas, também estava morto de fome. O tibetano, enquanto isso, retirava todas as suas roupas da mochila, arrumando-as nas gavetas de sua parte no armário – usar mochila de camping não é uma idéia muito boa, as roupas amassam.
Na cozinha, Kamus, Milo e Afrodite confabulavam sobre o complô formado para juntar Aioria e Mu e assim que o dito grego entrou no recinto eles se calaram e continuaram a comer amendoins. Aioria percebeu a estática do pensamento deles no ar, mas achou-os inofensivos. Sentou-se à mesa e puxou a garrafa de cerveja que Milo bebia.
– Ei! Essa é minha!
– Sério? – O leonino terminou de beber a cerva e devolveu a garrafa ao amigo, com um sorriso irônico nos lábios. – Pronto. Pode ficar.
Milo abriu a boca para dizer algum possível palavrão, mas o francês não estava a fim de briga e preferiu levantar-se para buscar mais duas garrafas de cerveja.
– Não briguem aqui, sim? – Ambos concordaram com a cabeça e pegaram suas respectivas cervejas, Milo deixando a sua o mais longe possível de Aioria.
– Sobre o que falavam? – Perguntou Aioria, decidindo ignorar os olhares desconfiados de Milo.
Kamus tentou disfarçar – pessimamente, por sinal – Milo desviou seu olhar – finalmente – e deu um grande gole na bebida recém-saída da geladeira. Coube, então, a Afrodite bolar uma rápida mentira para satisfazer aquela repentina curiosidade do grego.
Esses dois filhos-da-puta tinham mesmo que me deixar nessa sinuca?
Sem deixar transparecer um pingo de sua indignação ou preocupação, o sueco sorriu inocentemente e pousou sua taça de vinho tinto na mesa. Delicado, como sempre, colocou um amendoim na boca e sentou-se ao lado de Aioria, ainda sorrindo.
– Sobre você, é claro.
Milo engasgou com a cerveja e começou a tossir com vigor, enquanto Kamus – que havia dado um pulo de susto no banco – dava tapinhas em suas costas tentando fazê-lo respirar normalmente. Essa cena acusadora, contudo, não delatou o segredo que eles tentavam esconder dos olhos curiosos daquele baterista.
Quem conhece um leonino sabe que o lema deles é "falem mal, mas falem de mim". Ser o centro das atenções era o sonho mais escancarado de um leonino. Por que deveria Aioria fugir à regra?
Obviamente o grego adorou saber que era tópico da conversa dos três amigos e agora sorria satisfeito, bebendo sua cerveja. Milo finalmente se acalmara e teve que mandar Kamus parar de bater em suas costas, porque o francês ainda estava estático, movendo o braço mecanicamente.
– E sobre o que falavam? – Afrodite encarou Aioria deixando transparecer um pouquinho sua irritação com a pergunta, contudo, o amigo não notou isso.
– Bem... – Kamus e Milo prenderam as respirações com medo de que o sueco desse com a língua nos dentes. – Isso não é da sua conta, fofoqueiro.
Não era a saída que eles esperavam vindo de Afrodite, mas pareceu surtir efeito, pois Aioria encolheu os ombros e focou sua atenção aos amendoins que descansavam em um pote em cima da mesa.
– Se falavam de mim é da minha conta.
– Não era nada, Aioria. Estávamos comentando apenas como você vai sofrer dormindo com Mu esses dias – o francês disse rápido antes que o pisciano recomeçasse a falar.
– Ah... Foi isso. Nem me falem. To até com medo de entrar naquele quarto – o leonino balançou a cabeça como se estivesse transtornado. – Vocês acreditam que Mu traçou um meridiano na cama para dividi-la?
Milo riu nervosamente e terminou sua bebida em um gole só.
– Esse é o Mu que conhecemos! – Disse ele.
Os outros dois concordaram e trataram de mudar o assunto, falando sobre banalidades como o tempo, ou o que iriam fazer no dia seguinte. Ainda precisavam preparar o jantar e Máscara da Morte acabara de retornar trazendo uma garrafa empoeirada de vinho.
No porão da casa, a família do italiano fizera uma pequena reforma e transformara o sombrio lugar em uma adega – a qual se encontrava lotada de vinhos e espumantes dos mais diversos lugares do mundo. O pai de Máscara da Morte viajava muito a trabalho e gostava de presentear a esposa, que ficava na Itália sempre, com vinhos diversos para sua coleção.
Aliás, isso funcionava muito bem, pois ela reclamava menos de sua ausência dessa forma. O único empecilho era que eles quase nunca iam ao chalé e os vinhos acabavam envelhecendo junto com o tempo que passavam longe.
– Esse vinho aqui veio da região de Bordeaux, você é de lá, certo, Kamus? (1)
O francês levantou-se sorrindo e pegando a garrafa empoeirada das mãos do italiano. Tinha uma expressão nostálgica no rosto ao ler o rótulo em sua língua natal.
– Oui – respondeu em um murmúrio. – Considero um dos melhores vinhos que já bebi. E esta foi uma excelente safra! – Exclamou levando a bebida até a mesa.
– Pois então abra logo para bebermos. – Afrodite levantou-se rapidamente, buscando o abridor e entregando-o ao amigo, que rapidamente livrou o vinho de sua rolha.
Kamus colocou um pouco do líquido em uma taça vazia e estudou seu aspecto, antes de provar do aroma... Avinagrado?
– Ei! Máscara, acho que virou vinagre – ele concluiu tristemente, esticando a taça ao amigo, que provou um gole e fez uma careta.
– Tem razão, isso ta horrível!
Os outros três ficaram calados, parecia que uma inevitável melancolia se instalara no ambiente. Foi quando Mu adentrou pela cozinha com um bom humor que provavelmente estivera guardado no fundo da mala, porque só se manifestara recentemente.
– Então, estou morto de fome. O que há para comer? – Ele olhou para os cinco calados amigos, enquanto procurava onde poderia estar a comida.
Bem, na verdade só havia alguns tomates cortados, um pacote de macarrão esperando para ser cozinhado, talheres e panelas espalhados. Sem falar na garrafa de vinho aberta na mesa.
– O que foi gente? Que caras de enterro!
– O vinho estragou – comentou Kamus com uma nota de tristeza na voz.
– E daí? Tem um monte de vinho no porão, cerveja, licor, tequila e mais um monte de álcool que vocês trouxeram. Abre outra garrafa. – Ele disse com simplicidade, sentando-se ao lado de Aioria, comendo os amendoins.
– Não é assim! Você não entende a gravidade da situação, Mu! Um vinho Bordeaux acabou de virar vinagre e você sugere que abra outra garrafa?!
O tibetano encolheu os ombros com medo. O que ele tinha dito de tão errado? Parecia ter ofendido o íntimo do francês de alguma forma.
– Ahn... Kamus, acalme-se, é só um vinho... Bastante velho, por sinal – comentou Milo lendo a data no rótulo. – É comum vinhos velhos demais estragarem... Algumas vezes. Relaxe.
– É... Acho que há outro vinho francês lá embaixo, já volto.
Máscara da Morte saiu novamente para procurar outra bebida, enquanto Afrodite se livrava do vinho estragado. Kamus voltou a sentar-se e puxou a outra garrafa de vinho, que estava pela metade ainda. Encheu sua taça e deu um grande gole.
Mu ainda não tinha entendido o problema do vinho, afinal, era apenas um vinho! Não cabia em sua cabeça a importância daquela garrafa velha.
– Então... Macarrão? – Aioria perguntou apontando o pacote de massa.
– Pois é! Esqueci! Vamos, Kamus, me ajude com o molho.
O francês levantou-se relutante da mesa para ajudar o amigo, enquanto os outros três trataram de mudar de assunto rapidamente.
OoOoO
Kamus ficou esquisito com a história do vinho. Alias, tenho notado uma certa melancolia por parte dele. Nem sempre ele transparece algo assim, mas ultimamente não tem sido difícil de perceber que Kamus gosta cada vez mais de passar algum tempo sozinho.
Seja pensando, lendo, ouvindo música... Ele parece precisar de cada vez mais tempo para passar consigo mesmo, perdido em um mundo que eu não posso entrar.
Tenho ciúmes desse mundo, porque é só dele. Porque eu não posso segui-lo por lá, não posso abraçá-lo, beija-lo, estar junto. Sinto-me só quando Kamus se fecha dessa forma e isso tem se tornado freqüente.
Creio eu, que seja normal. Desde criança ele tinha uns momentos de repentina rebeldia, como o próprio pai dele dizia. Eram momentos em que ele não tolerava estar próximo a nenhum outro ser humano além de si mesmo. Parecia precisar recompor suas energias para continuar vivendo e, assim, nós o respeitávamos.
Porém, agora vejo o quão difícil é ter que deixá-lo sozinho, sem saber o que ele sente, sem poder ajudá-lo de qualquer forma que seja. Sinto-me impotente.
Sei que há algo de errado com Kamus e preciso descobrir o que é.
OoOoO
Aioria já estava deitado na cama, quando o tibetano adentrou o quarto para buscar sua escova de dente e fez o maior barulho com a porta do armário. Mu tinha essa mania de achar que estava em casa, porque até para andar ele produzia ruídos altos, esquecendo-se que o grego estava ali tentando dormir.
Achando melhor não começar uma discussão, o leonino apenas mudou de posição na cama, ficando de bruços com o travesseiro em cima da cabeça. Isso não abafou os sons de armário fechando com força, nem de gavetas ou roupas sendo remexidas, mas ajudou a deixá-los mais baixos. Assim que o guitarrista deixou o quarto, ele voltou a relaxar e fechou os olhos.
Fazia um friozinho bom ali dentro, o aquecedor ajudava a manter a temperatura estável nos vinte graus, tornava o ar agradável e dava uma vontade enorme de ficar escondido debaixo do edredom para sempre.
O silêncio no quarto se tornou quase palpável pelos instantes que o ariano passou no banheiro e Aioria começou a pegar no sono. Em sua mente as imagens do dia que passaram juntos se misturavam com as expectativas do dia seguinte e coisas que nem ele sabia existirem em sua mente. Aos poucos, sentia seu cérebro desligar as funções conscientes e seu metabolismo desacelerar, até se encontrar em estado latente.
O leonino estava cochilando, se aproximando do sono profundo. Tinha uma expressão calma no rosto e uma quietude relaxante na respiração lenta. Nada mais se movia naquele quarto, exceto pelo peito do grego que subia e descia devagar, sem produzir ruído algum.
Tudo estava quieto. Contudo, essa inércia foi quebrada, estilhaçada e pisoteada quando Mu chutou de leve a porta do quarto para entrar e abriu sem cuidado a do armário. Aioria levou um susto e deu um pulo na cama, de certo uma guerra estava começando na Itália e eles precisavam fugir com toda a rapidez possível, se não, que barulheira era aquela?
O leonino, então, se deu conta de que não era guerra alguma. Era apenas aquele tibetano inconveniente que guardava suas coisas no lugar e fechou a porta com força, fazendo mais barulho ainda.
– Ei! Você sabia que eu estou tentando dormir? Faz menos barulho, porra!
O guitarrista fitou o grego e não disse nada. Deitou-se na cama e puxou todo o edredom para si, enrolando-o a sua volta. Aioria ficou observando a cena sem acreditar. Uma vez enrolado, Mu retirou toda a sua roupa e jogou no chão mesmo, ficando completamente nu por baixo das cobertas.
– O que está fazendo? – O baterista perguntou com incredulidade, achando que provavelmente estava sonhando.
– Estou só me ajeitando.
Mu virou-se de costas para o outro, puxando o lençol para se cobrir melhor, mas na realidade o ariano parecia um rolinho empanado naquele cobertor grosso. Aioria o encarou com profundo desgosto por estar com frio agora e puxou o cobertor com força.
– AAAAAAAAH! Aioria Kontopulos, seu maníaco, tarado! Devolve!
Mu literalmente pulou em cima do grego, tentando arrancar o cobertor das mãos de um leão que gargalhava. Ainda mais irritado, o tibetano resolveu apelar e deu uma joelhada bem entre as pernas do amigo.
– AAAAAAAAAAAAAAAAAH! Mu!!! Doeu, animal!!!
– Isso é pra aprender a não rir de mim e NÃO PUXAR MEU COBERTOR DURANTE A NOITE!!!
– Não tenho culpa de você dormir pelado! O tarado aqui é você, que ta tentando me perverter! – O grego ainda estava com as mãos entre as pernas, gemendo de dor, vendo o amigo novamente parecer um rolinho dentro do edredom.
Contudo, o ariano não dava sinais de se arrepender do que fizera, mostrou a língua para ele e escondeu o rosto dentro das cobertas, de modo que apenas seu cabelo tingido de lilás aparecia no meio de tanto pano.
– Eu não consigo dormir de roupas, não enche! – Ele murmurou irritado.
– Está bem...
O baterista levantou-se e pegou outro cobertor que estava dentro do armário. Parecia que finalmente conseguiriam dormir agora. Mu tinha seu casulo de edredom e Aioria um cobertor quentinho. Porém, o silêncio reconfortante não demorou muito a desabar novamente.
– SEU TARADO NINFOMANÍACO!!!
Mu arregalou os olhos e saiu de dentro de seu casulo, colocando só a cabeça para fora. Aioria estava sentado na cama o encarando como se sentisse profunda raiva.
– Hein? – Ele piscou, confuso com o xingamento.
– Você ta querendo me perverter! Tirou a roupa para me tentar, não é?! Pois seus planos fracassaram! – Mu ainda estava sem entender. – Eu não vou cair no seu joguinho Mu! Não vou dormir com você!
– Você que puxou meu cobertor – disse Mu em uma voz calma. – E se bem me lembro, eu disse para que você ficasse do seu lado da cama e deixasse o meu lado em paz, seu leão estúpido!
Aioria deitou-se de volta, cruzando os braços, irritado. Ele realmente tinha uma paixonite por Mu e andava observando demais o amigo, que já percebera tudo e tentava agora desestimular suas tentativas frustradas de aproximação.
Só que agora era diferente. Aioria não sentia mais apenas uma atração pelo guitarrista bonitinho, ele sentia era um fogo absurdo que o fez jogar os cobertores para o chão. Mu estava dormindo ao seu lado sem nenhuma peça de roupa sequer. Ta bem, ele estava enrolado em um cobertor, mas mesmo assim, por baixo daquilo estava nu!
Queria ser esse cobertor.
Não era possível e era melhor dormir antes que Milo aparecesse ali dizendo que o chalé estava sendo atacado por alienígenas.
E ele conseguia dormir? O ariano estava enclausurado dentro do rolinho, mas o grego se remexia tentando pegar no sono e não conseguia se desligar da imagem do amigo sem roupas. Aquele corpo lisinho e bem proporcionado era muito tentador.
– Mu? Está dormindo? – Ele cutucou o casulo de cobertores com medo de levar outro chute, mas forte o bastante para fazer com que um mal humorado ariano colocasse a cabeça para fora de novo.
– Estava! O que quer agora? Me agarrar de novo?
– Seu... Seu... Eu não estava tentando te agarrar! Eu...
– Aaaah... Estava tentando o quê, então!? Me estuprar!?
– Não diga besteiras, seu idiota! Eu só estava te provocando!
Até os grilos cantavam mais alto que a conversa naquele quarto. Mu estreitou os olhos para o baterista, contando os minutos para se acalmar ou matá-lo. O leonino, por sua vez, olhou em volta procurando ajuda e como não encontrou, pegou seu cobertor do chão, se levantando.
– Acho melhor eu...
– Tudo bem... – o tibetano respondeu entre dentes.
– Boa noite.
Mu virou-se de costas para ele, se escondendo novamente. Aioria saiu dali carregando o travesseiro e os lençóis e foi dormir no sofá desconfortável da sala. Era melhor assim, afinal, não sabia se confiava em si o suficiente para dormir do lado daquele tibetano sem roupas.
OoOoO
O que estaria acontecendo? No meio de seu sono Aioria sentiu alguma coisa bater em seu rosto. Por que Mu batia nele? Estava tão bom, tão gostoso... Por que agora estava apanhando?
Alguma coisa errada estava acontecendo.
– Hum... Não me bate, Mu... – reclamou.
– Ih... Ferrou, Kamus, ele ta sonhando com o Mu!
– Acorde ele, Milo. Não importa com quem está sonhando, vai ficar com uma dor horrível de coluna.
– Aioria?
Outro tapa. O leonino se remexeu no sofá, sentindo as costas reclamarem, mas não acordou, apenas se agarrou ao travesseiro, como se tivesse sentimentos especiais por ele.
– Hum... – ele gemeu sorrindo.
– Vamos tirar uma foto, Kamus, por favor!
– Milo! – Kamus encarou a cena daquele homem enorme dormindo em um sofazinho de dois lugares, agarrado a um travesseiro, enquanto dizia que o amava. – Ta bem, mas deixa que eu tiro, você é muito ruim nisso!
Milo soltou um muxoxo, mas não iniciou uma discussão com o namorado. Deixou que o ruivo trouxesse uma câmera digital e preparasse o melhor ângulo. Mas justamente na hora de apertar o botão, Mu aparece na frente da cena cômica.
– O que houve? Pra quê a foto?
– Sai da frente... Aioria está abraçando um travesseiro pensando que é você.
O rosto do tibetano ficou tão quente que parecia pegar fogo. Ele atrapalhou-se tentando sair dali, mas tropeçou no tapete e acabou caindo sentado na barriga de Aioria.
Nem precisa dizer que o pobre grego acordou assustado, tossindo, mas, assim que viu Mu em cima de si com cara de interrogação, abraçou-o apertado.
– Mu! Não foi um sonho?!
– Aaaaah! Seu tarado! Maníaco sexual! Fique longe de mim!
Kamus riu e preparou sua câmera, pegando cada movimento de Mu, enquanto este estapeava Aioria com o travesseiro. E o leonino apenas reclamava que estava doendo e perguntava o que tinha feito.
É... Seria uma longa semana.
Continua...
Nota da autora:
(1)Bordeaux é uma região na França, produtora de vinhos, assim como tem a região de Champagne, que produz espumante e também vinhos. Dizem que os vinhos de lá são muito bons, mas eu não entendo nada disso. XD
Bom, já perceberam que o Kamus vai arrumar um jeito de ganhar seu lugar ao sol nessa fic também, né? E eu não consigo impedi-lo... Tenho coração mole quando se trata desse francês. XD
Espero que estejam gostando desse Mu briguento, que só sabe dar trabalho. No que diz respeito ao Aioros, como respondi a muitos vocês, ele até tenta destruir o apartamento do Máscara da Morte, mas ele tem um espanhol como babá que vai tentar remediar todas as desgraças. Depois eu conto o que ele anda aprontando na Grécia, ta!?
Obrigada a todos vocês que leram o primeiro capítulo e deixaram um comentário pra mim: Narcisa, Lady Yuuko, Gue (meu amigo liiindo), Ilía, Ia-chan, Maguenha, Shina, Ansuya, DW03 e Cherry. Fiquei muito feliz ao recebê-los. Quero agradecer especialmente à Ansuya e à Ophiuchus no Shaina, que fizeram o imenso favor de revisar esse capítulo pra mim. Obrigada pela ajuda meninas!
Continuem lendo e me enviando review, ou e-mail, vou esperar o feedback de vocês para atualizar a fic. Quero saber se to fazendo alguma coisa certa, né? XD
Bejus!!!
Nota da beta substituta (Ansuya): qualquer erro por aqui é culpa minha, Ansuya, que está betando essa fic. Espero não ter deixado passar muita coisa. Kissus.poss a sua o mais lo e pegaram suas respec
