- Descobriram algo? – pergunta o presidente à Rouge e à Kiandra, ambas sentadas em cadeiras em frente a sua mesa. Aparentavam cansaço.
- Mais ou menos. – diz Kiandra, estendendo o chip ao seu superior, que o coloca em seu computador.
- Eram muitos os eggbots, e não pude ajudá-la...
- Mas este aqui...
- Eu sei – Kiandra responde, - não é o que procurávamos, mas achei ele interessante, já que se parece um pouco com o atual. Não acha? São robôs criados a partir de animais de Mobius, planeta natal de Eggman. Acredito que ele tenha se baseado nele.
- Tem razão Kiandra. Muito bem! Mas não estou achando nada sobre o atual...
- Er... Não deu tempo, sabe? – ela mexia no cabelo, sem jeito.
- Eggman chegou e viu o que estávamos fazendo – Rouge diz – Acredito que agora seja mais difícil ainda conseguir outra informação...
- E quanto ao questionário que lhe dei?
- ?? Questionário? – a camaleoa ficava sem entender.
- Ah, claro! Está aqui. – Rouge o retira do bolso, entregando-o ao presidente, que o dá a Kiandra.
- Consegue responder à alguma das questões?
- Acho que sim. Como: o nome do projeto eu consegui ler. É "Projeto E-1000 M. I. A."
- E-1000 deve ser a numeração de mais um eggbot dele – complementa Rouge. – Mas M. I. A... Eu não faço a menor idéia!
- Também tem mais – Kiandra dá uma última lida no questionário, devolvendo-o à Rouge. – Além de Eggman, mais dois robôs dele parecem agir por conta própria estão ajudando-º São um cinza baixinho e um amarelo magricelo. Os nomes deles são...
- Bocoe e Decoe! – diz Rouge, rapidamente.
- Bocoe e Decoe? – indaga o presidente. – Acho que me lembro deles...
- Já são capangas de Eggman há muito tempo. – a morcega responde novamente.
- Então a participação deles talvez não seja incomum. – o presidente tinha a mão no queixo, de forma a estar pensando seriamente sobre o assunto. – Quero que vocês voltem lá e consigam mais informações. Um animal que esteja sendo usado, um robô de alta tecnologia... Qualquer coisa!
- Robô acho que podemos conseguir. – Rouge diz. – Os eggbots com os quais lutei pareciam ser avançados. Talvez eu possa trazer algum.
- Pois então voltem lá ainda hoje à noite. Amanhã ás nove horas estarei lhes esperando. Tragam-me o robô e mais alguma informação.
- Quanto ao robô senhor – diz Rouge, - Não seria melhor que um helicóptero pudesse ir buscá-lo? É que a máquina não é nada leve...
- Se não puderem traze-lo, deixem para outro dia. Mas quero mais respostas. Aliás, estão dispensadas.
Rouge e Kiandra se levantam, ambas agradecendo ao presidente. Quando Kiandra sai da sala, Rouge diz que ela poderia ir indo, pois ficaria para dizer algo pessoalmente ao seu "chefe".
- Rouge... Não se importa se eu a ficar esperando, não é?
- Não. Afinal, tenho que ajudá-la com uma roupa adequada, lembra-se? Mas realmente preciso falar com ele à sós, se é que me entende...
- Tudo bem! Estarei lá fora. – quando ela sai, Rouge dá meia volta, chamando a atenção de seu superior.
- Quer algo, Rouge?
- Saber porque estou tendo a ajuda de alguém que nem lutar com eggbots sabe!
- Já deve ter notado que ela é nova, não é?
- Isso não justifica! Qualquer um que passe pelo teste de aprovação tem que saber o básico. Lutar com eggbots É básico!
- Você também deve ter reparado que ela é doce e ingênua demais.Estou mandando ela ir com você para que seja treinada. Por isso aceitei lhe dar uma segunda chance. Agora vá.Vocês duas estão muito cansadas, mas ainda quero que voltem lá à noite.
- Humf! Então eu vou, mas saiba que não há razão alguma para desconfiar de mim!
- E não desconfio. Por isso lhe dei esta "segunda missão". Até amanhã.
De costas, Rouge põe a mão na cintura, a qual joga para o lado. – Até! – rebolando, sai da sala.
Do lado de fora do prédio, ela encontra Kiandra a esperando.
- Rouge, não se importa se eu lhe perguntar algo?
- Pode perguntar.
- Veremos ainda hoje aquilo da minha roupa/
- Mas é claro! E vamos a gora mesmo.
Rouge leva Kiandra ao atelier de costura mais famoso e luxuoso da cidade. Eram muitos os profissionais dispostos a ajudá-las, e antes mesmo de serem tiradas as medidas, Kiandra tinha muitas opções de modelos.
- Está gostando? – pergunta Rouge.
- Sim, mas... É tudo preto!
- Qual o problema?
- Não gosto muito de preto.
- Mas vermelho e outras cores são chamativas de mais! Você que conhece de camuflagem deve saber que o preto certamente se confunde fácil com aquele laboratório. Se não preto, cinza, e creio que este seja mais fúnebre ainda!
- Hum... Então está bem, você tem toda razão Rouge. Mas tem que ser tudo colan?
- Por quê?! Não gosta também?
- Estou acostumada com algo mais solto, como o vestido que uso.
- Anh... Então eu já sei! Pode deixar, que irá sair daqui magnífica!
Já eram dez horas da noite quando Rouge e Kiandra chegam ao laboratório de Eggman. Enquanto a morcega usava sua tradicional roupa de sempre, Kiandra tinha um estilo novo e próprio: usava um vestido preto (muito parecido com o seu antigo), acompanhado de uma meia-calça, também preta. Seu cabelo estava preso num longo rabo de cavalo, e suas luvas chegavam até os cotovelos. Além disso, amarrado ao pescoço, um lenço escuro cobria sua boca e narinas, impedindo que sua respiração a denunciasse quando estivesse invisível. Uma bota preta com a sola bem macia (o que impedia barulho) era o último, mas não menos importante item do "uniforme" da camaleoa.
As duas seguem pelo longo corredor novamente, mas dessa vez ele parecia estar "diferente".
- Não me lembro de passar por aqui na última vez em que viemos. – diz Kiandra, olhando para os lados.
- Ainda bem que não sou a única a pensar isso! Mas pelo mapa tecnológico, nós estamos no térreo deste espiral quadrado. O que quer dizer que ainda faltam sete andares.
- E este aparelho diz quantas salas há por aqui?
- Seria bom, não acha?
- Facilitaria. Aiai...
- Bom, vamos seguir até que encontremos uma sala. Afinal, nosso "chefe" quer mais do que simples informações.
- Pois vocês irão conseguir bem menos que isso! – pelo seu computador Eggman vigiava as duas espiãs. Ao seu lado, dois robôs (um cinza e outro amarelo), ainda estavam caídos no chão, sem terem recebido qualquer apoio do cientista. Eles "gemiam", olhando para ele. – Vocês merecem! É eu sumir por um minuto e meu computador é hackeado! Isso é para aprenderem a serem mais úteis. Mesmo porque, acho que nunca mais precisarei de vocês. Com os E-1000, eu serei invencível! Huahahahahahaha!!!
Rouge e Kiandra chegam ao primeiro andar. Era mais "confuso" que o térreo, dando a elas mais de duas opções de caminhos.
- Por qual deles, Rouge?
- Segundo este mapa, o primeiro e o segundo são os possíveis caminhos. Vamos ter que ir pela sorte!
- Kiandra dá uma olhada no aparelho que Rouge segurava nas mãos.
- Mas parece que ambos têm o mesmo destino.
- Nada é o que parece, Kiandra. É bem capaz que isso seja só uma armadilha, e um dos caminhos não tenha saída.
- Sendo assim, acho que realmente teremos que ir pela sorte, então.
Nu "ímpar ou par", as duas parceiras optam pelo segundo caminho. Era um corredor bem estranho, totalmente diferente de todos os outros pelos quais elas já haviam passado antes. As paredes davam a impressão de terem sido feitas às pressas, sendo que não eram de metal. Alguns musgos pareciam começar a brotar dela, e o chão possuía certas falhas.
- Será que finalmente chegamos a algum lugar? – Kiandra vê logo à frente uma esquina, o que não havia visto até então naquele corredor.
- O que quer dizer que temos que tomar cuidado. Vai ver há algum eggbot por aí.
- Opa! – a camaleoa se camufla novamente, já temendo o que poderia estar por vir.
Enquanto isso, na sala que Eggman chamava de "Torre Tecnológica", um cientista tentava identificar o local onde ambas as espiãs se encontravam.
- Esse corredor... Não me lembro dele.
- Ele cria e não consegue se lembrar. É mole!? – Decoe cochicha para seu companheiro. Ambos já estavam desamarrados. – Não seria o corredor da sala onde guardamos os animais, doutor?
- Os animais? Ah, mas é claro! Agora me lembrei! Mas se elas estão mesmo neste corredor...
- Quer seu novo baralho, doutor? – o robô cinza trazia um monte de cartas em uma bandeja. Eggman as pega e, em sorteio, escolhe uma.
- E-1010! Quero só ver o que irão achar desse! Huahahahahahahaha!!!
Quando passam da curva, as duas avistam uma sala, e vão correndo de encontro a ela.
- O que será que tem nela?
- Não sei, mas é melhor você não aparecer ainda.
As duas se aproximam da porta, e esta abre automaticamente. Elas se entreolham, sem compreender a "facilidade". Quando seus olhares voltam à sala, elas vêem animais presos em jaulas. Eram muitos, deixando-as surpresas.
- Nossa! – diz Kiandra.
- Como será que ele conseguiu todos esses? – Rouge começa a entrar na sala, sendo seguida pela camaleoa, por menos que soubesse.
- Acho que teremos sucesso com o... – antes que Rouge pudesse terminar sua fala, um eggbot a arremessa contra algumas jaulas, fazendo com que uma delas se abra. O coelho que dela se solta sai correndo, e Kiandra o pega.
- Mas o que é isso?! – Rouge tentava se recuperar do golpe, notando que agora estava lutando com um avançadíssimo robô.
E-1010 se parecia muito com os eggbots comuns de Eggman, mas era maior e mais forte, aparentando ser também muito mais resistente. Mas não foi isso tudo que surpreendeu Rouge, e sim a capacidade de falar do eggbot, falar como um ser humano, sem voz robótica.
- Então você é a famosa Rouge The Bat? Huh! Pensei que fosse mais forte!
- E eu que você fosse mais bronco! – Rouge golpeia o eggbot, que não tem dano algum. Quando a morcega ia golpeá-lo novamente, ele segura sua mão, e a torce, fazendo com que Rouge grite de dor.
- Largue-a! – Kiandra grita, desesperada.
O eggbot olha na direção do grito, constatando pelo coelho que alguém estaria ali. Ele joga Rouge para longe, indo até Kiandra. Assustada, a camaleoa solta o coelho e sai correndo. Confuso, E-1010 pára de "segui-la", olhando para os lados tentando encontrá-la. Quando Rouge se levanta, pega o coelho no colo.
- Vem Kiandra!
O eggbot olha para traz, e volta a seguir Rouge. Olhando pros lados e correndo em sua maior velocidade, ela pergunta pela camaleoa.
- Estou aqui. – ela responde, ainda invisível. – Não quis ficar e lutar por quê?
- Acha mesmo que nós podemos com ele?
O robô se aproxima, quebrando uma parte da parede de metal e assim assustando Kiandra, que começa a correr mais rápido. Notando que correr não era seu porte, Rouge alça vôo, distanseando-se mais ainda do eggbot. Em pouco tempo, ela e Kiandra chegam ao térreo, e a fuga se torna mais fácil ainda.
- Kiandra, ainda está aqui?
- Estou. Será que chagamos a tempo?
- Só se você começar a correr mais rápido! – Rouge aumenta ainda mais a velocidade, chegando até a saída. Quando Kiandra alcança a amiga, tem uma enorme surpresa: a porta estava fechada!
- E agora?
Rouge olha para traz, encontrando uma resposta à pergunta de Kiandra.
Vendo que havia encurralado as duas, o eggbot pára de correr, e aponta o braço direito na direção delas.
- Agora eu peguei vocês, mocinhas! – seu braço se transforma em um canhão, e uma bala é lançada em direção a elas. Quando ele abre os olhos, vê que as havia soltado.
- Você quem pensa, seu robô bronco! – Rouge sorria, saindo pela cratera que o eggbot abrira. Kiandra sai logo atrás.
Revoltado e sabendo que estava proibido de sair do laboratório, o robô quebra mais uma parede.
Como combinado, no dia seguinte Rouge e Kiandra compareceram ao prédio do presidente, ás nove horas da manhã, com o coelho em mãos. Ele já as estava esperando, mas não se surpreendeu ao ver o progresso delas, sendo que não parou o que estava fazendo.
- Chegamos presidente.
- E veja só senhor – Kiandra mostrava o coelho a ele, contente. – Conseguimos um dos animais! Aliás, temos muito o que lhe dizer.
- Sentem-se e vão contando.
- O laboratório foi reformado desde ontem, quando o explodimos. – diz Rouge, sendo a primeira a se sentar. – Está bem diferente. Agora consiste no térreo e em mais SETE andares!
- E nós passamos do térreo senhor.
- Sim. Foi então que o caminho ficou mais estreito. Haviam sempre mais de um caminho.
- Nós até encontramos um corredor diferente de todos os outros: as paredes não eram de metal, e até tinham musgos (nham!), e o chão era um tanto quebrado.
- Que estranho... Que tipo de corredor seria esse?
- Não sabemos. – responde a morcega. – Mas foi nele que encontramos a sala onde Eggman guarda os animais.
- E eram muitos! Acho que mais de cem!
- Segundo os números, deve dar um total de... – ele mexe em seus papéis, encontrando o que queria. -...200 animais.
- Garanto que estavam todos lá, então.
- E por que vocês só trouxeram este, já que havia tantos?
- Não deu. Um eggbot apareceu e começou a me atacar. Por mais que eu revidasse não conseguia vence-lo. Ele era muito forte, então decidimos fugir com o coelho. E o senhor nem vai acreditar: ele tinha voz de humano, sem falhas e tons robóticos como as de eggbots normais!
- Mas como?
- Não sabemos. Mas afinal, o senhor vai ou não vai levar o coelho para o laboratório? – Kiandra estendia o animal para o presidente, que o recusa.
- Não é preciso. Já há quatro no laboratório.
- O quê? – Rouge se sobressalta, desencostando-se do encosto da cadeira. – Mas acabamos de traze-lo...
- Só que trouxeram um gato, dois hamisters e um poodle antes de vocês.
- Quem? – pergunta Kiandra, menos sobressaltada.
- Ora, eu disse à Rouge que havia enviado outros antes de dar a ela uma segunda chance. Além de vocês, mais três espiões estão trabalhando no caso.
- E quem são eles? – as duas perguntam.
Antes que uma resposta pudesse ser dada, três rapazes entram na sala: um crocodilo com fones de ouvido, uma abelha bem extrovertida e um camaleão ninja. Eram os Chaotix, e Rouge logo os reconheceu. Ela e Kiandra se levantam, ficando de frente para eles; porém, não são percebidas, já que eles estavam conversando e não prestaram atenção em mais nada. Até que Espio vira-se para elas, e, ao ver Kiandra, fica parado a olhando, pasmo, como se já a conhecesse...
Continua...
