Onmyou Oni

Twist 2 – A noite de cada um

Música de entrada: Bonds Kizuna by Antic Café

Shinsei se encontrava na casa de seu mestre, eles discutiam sobre uma estranha criatura que atacara no dia anterior. Apesar dos protestos do rapaz, Maxwell insistia em explicar a natureza por trás da criatura. Uma vez que a explicação abriria novos horizontes sobre a percepção do mundo do discípulo. Porém, Shinsei intervém.

- Eu até imagino que você vai falar que são entidades mágicas que controlam o destino da humanidade e todo um blá blá blá sobre deuses e demônios. – Para a surpresa de Maxwell, estava bem próximo da realidade.

Porém, o rapaz continua, demonstrando ceticismo e, antes que ele pudesse continuar, Shinsei é chutado pelo mestre. Porém, apesar de haver uma relação com os deuses e demônios, Maxwell afirma que essas criaturas não são senhores do destino, uma vez que cada indivíduo constrói a própria história. O que realmente havia é uma enorme manipulação de informações.

A OZ é uma organização que faz o trabalho por baixo dos panos, enquanto as forças militares se encarregam de manipular informações. "Ataques terroristas", "brigas de gangue", "balas perdidas" e muitos outros tipos de incidentes que ocorrem são causados por, como eles mesmos denominam, Onis. Apesar de serem denominados como Oni, é apenas uma nomenclatura, no começo eles eram chamados de "monstros", mas, houve uma ocasião em que uma testemunha conseguiu falar na mídia. Por acaso, era um senhor japonês que dizia ter visto um "oni" revirando seu lixo, após ter atacado uma pessoa. Na época ele foi ridicularizado, já que a polícia já havia dito que aquilo fora obra de delinquentes, mas parece que a própria OZ gostou da história e passou a utilizá-la. Maxwell finaliza dizendo que esta denominação era provavelmente por causa do atual presidente da OZ. Ele acrescenta afirmando que campiros, ogros, elfos, fadas, diabos, anjos, qualquer tipo de criatura mágica que você possa nomear são onis.

- Ah, tipo... O seu cabelo? – Shinsei se desvia de um chute – Hah! Não me pegou des... – Então ele leva uma coronhada na barriga.

Maxwell então afirma que o treinamento de Shinsei a partir de então tomaria um novo rumo. Uma vez que o garoto se encontrara com um oni e ter chamado a atenção da OZ, ele precisaria de habilidades que as pessoas comuns não possuem.

- Tipo o que? Vai me ensinar a voar?

- Tá achando que é quem? O super-homem? Para poder voar, você teria que ser aerodinâmico. E com essa cabeça enorme, você não é nem um pouco!

- QUER MORRER?

- Heh! Vejo que você está bem animadinho, isso é bom, porque os treinos que você teve até hoje, não passaram de piada.

Ele chamara de piada os treinos, mesmo sabendo que invariavelmente os treinos quase mataram o rapaz de exaustão. Mas como ele duvidava, o mestre o desafiou a duelar para que então ele pudesse mostrar as limitações das habilidades de Shinsei. Apesar de tudo, Maxwell estava preocupado com a repercussão que o oni teria sobre o rapaz, mas, depois da conversa, se surpreendeu com a resiliência mental do rapaz.

Um pouco mais cedo, Eiji e Kojirou Yamada acabavam de chegar, quando encontram tudo escuro, exceto por algumas velas enfileiradas que seguiam até os fundos da casa, onde existe um pequeno templo. Eiji se pergunta se seus pais tinham se esquecido de pagar a conta de luz, mas logo descobre que não, pois Kojirou acende um abajur. Mas se havia energia, para quê as velas? Elas poderiam causa um incêndio. Pensando assim, os irmãos resolvem apagar as velas. Assim que chegam aos fundos, onde havia o templo, a mãe dos dois os recepciona, vestindo trajes cerimoniais.

- Ih mãe, o evento já acabou, num adianta fazer cosplay!

- Baka! – Diz a mãe dos dois, batendo com um sino na cabeça de Eiji. – Seu pai quer falar com vocês, lá dentro.

Eles perguntam por que eram esperados, mas ela apenas diz para perguntarem ao pai deles. Os dois entram no templo, que estava todo escuro. Assim que passam pela porta, esta se fecha e, instantaneamente, a sala se ilumina. Inúmeras velas se acendem ao mesmo tempo. Porém, os irmãos não têm tempo de se impressionar com isso. Pois as luzes revelam cinco criaturas de aparência grotesca que os fitam e partem para cima deles.

- Ih! Sai pra lá bicho feio!

- Iiiik! Sai daqui!

Apesar de falarem isso, ambos se defendem e conseguem derrotar as cinco criaturas, com um certo esforço. Após a queda do quinto oni, o pai dos rapazes cai do teto, onde estava escondido. Ele admite ter sido quem soltou os onis pelo templo. Eiji questiona o motivo pelo qual ele estava criando aquelas coisas, mas seu pai responde que ele capturou-os naquele dia mesmo, só para testá-los e se eles falhassem, morreriam. Ao perceber que os garotos se irritaram, ele confessa que iria salvar o traseiro deles, como um herói. Mesmo dizendo isso, ele estava bastante confiante de que seus filhos seriam capazes de passar no teste, já que eles haviam recebido uma certa carta.

Então, o senhor Yamada mostra dois envelopes lacrados, idênticos ao de Shinsei. Ele entrega os envelopes aos filhos. O conteúdo era o mesmo que Shinsei recebera e, tanto Eiji, quanto Kojirou, perguntam se aquilo era fake ou piada do pai. Mas logo foram lembrados das feridas que receberam na luta. Eles haviam visto e sentido. Não havia como negar. Então Eiji pergunta se o pai já conhecia essa "OZ".

- É claro que sim, senão eu não teria preparado tudo isso sem ler a carta de vocês!

- Ah, você ia ler se não soubesse? – dizem Eiji e Kojirou juntos.

- Basicamente, o que vocês precisam saber é que não existem deuses, fantasmas, demônios, youkais, etc. tudo se resume a "oni", é claro, isso é apenas o nome que eles deram oficialmente, mas qualquer definição se encaixa.

- Só isso que a gente precisa saber? Tá, então a gente vai dormir.

- Esperem! – diz o senhor Yamada mudando o tom de voz – Vocês acharam que eu ia armar toda essa coisa só pra falar isso? Fiquem sabendo que amanhã, esse tipo de onis que vocês tiveram tanta dificuldade para enfrentar hoje, não vai passar de peixe pequeno.

- Como assim?

- Eu quero dizer que esta noite, eu e sua mãe iremos treiná-los para purificar este mundo de onis!

- Vocês que gostam de anime devem conhecer várias terminologias para esse tipo de treinamento. "Ki", "força espiritual", "sohma", "cosmo", "energia espiritual", "poder mágico", entre outros. Mas basicamente, a idéia é, além de fortalecer, aprender a expelir de seu corpo essa energia que existe em vocês, para que vocês possam utilizá-la para atacar, defender, curar, fazer o que lhes for útil. Infelizmente, o procedimento é um tanto drástico, mas vocês agüentam o tranco.

- QUE! – e o grito dos dois ecoa pela noite.

Na casa de Kyoshiro Maeda, tudo parecia tranqüilo. Ele estacionara o carro na garagem e subia pelo elevador, quando o porteiro lhe avisa que havia uma correspondência lacrada para ele. Kyoshiro passa pela portaria e recebe o mesmo envelope que seus amigos. Ele abre e lê enquanto espera pelo elevador. Assim que o elevador abre, ele acidentalmente enfia a cara nos peitos de uma mulher. Ela tinha cerca de 1,80m, cabelos negros e curtos, usava óculos escuros e carregava algum tipo de equipamento de treino.

Kyoshiro se desculpa, mas a moça nervosa e chamava-o de tarado enquanto batia nele com a sua pesada bolsa. Ele eventualmente cai, derrubando tudo que carregava. A garota nota o envelope e pega-o. Kamo afirma que ler a correspondência alheia é crime, mas ela simplesmente o ignora e pergunta-lhe se ele havia participado de algum evento estranho no dia anterior. Kyo, sem saber do que se tratava a pergunta, responde que estava em um evento de anime. Mais uma vez ela pergunta, mas o rapaz simplesmente começa a falar de um sushi estranho que ele comeu. Finalmente, ela grita impacientemente se ele havia visto um oni. Por ter gritado algo tão estranho, as pessoas ao redor deles começaram a encará-los. Ela fica vermelha e começa a se desculpar. Então ele responde que tudo que viu foram pessoas comuns e animais comuns. Mas ela afirma que ele nunca receberia aquela carta se não tivesse encontrado um oni e pergunta qual foi o animal mais estranho que ele vira no dia anterior, exceto por ele mesmo, no espelho. Ele se irrita com a piada, mas diz que os únicos animais estranhos que vira foram os amigos e um gato de 1,60m. A garota fica surpresa por ele ter mencionado os amigos antes de um gato de 1,60m.

- Então, você encontrou um oni. OK. Vem comigo. A OZ não é muito confiável.

- Hâ? Eu tenho que ir pra casa e...

- Você vem co-mi-go! – a moça faz uma expressão que faz Kyoshiro achar melhor ir.

- T-tá.

Ela o leva até o carro dela e o faz entrar. Durante o percurso, ela não fala nada, só murmura algo sobre a tal OZ. Kyoshiro fica se perguntando para onde estariam indo, nunca havia ido para aqueles lados da cidade. Era um bairro quieto. Não parecia ser perigoso, mas não era muito movimentado também. Havia algumas pessoas andando na rua, era um bairro bem familiar mesmo.

Eles finalmente chegam, Kyo pergunta se é algum tipo de boate, só para deixar a garota irritada. Ela diz que aquele é o lugar onde ele iria receber o treinamento apropriado para a reunião com a OZ, apesar de ele nem estar considerando comparecer, era mais que óbvio que se tratava de um trote. Mas ela afirma que se alguém brincasse com o nome de OZ, certamente seria caçado pelo governo, ainda mais pelo fato de o envelope ter o padrão da OZ, a assinatura, o selo, tudo.

- Ah, mas eu nem sei o que é essa OZ, nunca apareceu em noticiário, Internet, nada. Então eu não ia a essa reunião de qualquer jeito.

- Pode ter certeza que se você não fosse, eles mesmos iriam buscar.

- Ah tá.

- Venha logo. Se a OZ te mandou uma carta, com certeza esse velho já sabe.

- Hâ? Não é você que vai me treinar?

- Não. Não, eu ainda não tenho experiência o suficiente para treinar alguém. – diz ela abrindo a porta de uma das casas, um tanto quanto modestas.

A casa em si era normal, exceto por alguns itens decorativos meio excêntricos, mas bem, quem não tem um ou outro? A garota o guiara até os fundos da casa. Se a casa parecera comum, isso foi apenas a primeira impressão, pois nos fundos havia uma espécie de academia. Diversos apetrechos como pesos, bastões, bokens, entre outros tipos de armas para treino.

- Oshou-sama! Cheguei! – Grita a garota.

Um senhor de uma idade avançada está sentado no chão, parecia já esperar a garota. Ele fita os recém-chegados e sorri.

- Vejo que você trouxe um amigo, Karen.

- Ah, não é bem um amigo. Eu acabei descobrindo que ele recebeu uma carta da OZ.

- OZ? Ah sim, provavelmente foi um dos rapazes que foi atacado por Funjata.

- Funjata? P-peraí, mas então como ele está vivo? Funjata não poderia ter sido derrotado por pessoas normais, nem que fosse um grupo de cinqüenta pessoas!

- Ora essa, certamente que seu convidado não é comum. Afinal, a OZ se interessou por ele. Eu gostaria de conhecer os outros três, mas enfim, tenho certeza que o Aoyama e os Yamada, Kensuke e Nobuko, vão saber o que fazer.

- A-aoyama? Você quer dizer o Max? Aquele mal-educado que você diz ser um sem-noção?

- Exatamente.

- Droga, eu queria ter encontrado com o garoto que vai ser treinado por ele, não com isso aqui.

- "Isso aqui" tem nome viu?

- Oh sim, meu jovem, apresente-se!

- "Apresente-se?" Como assim? Eu fui arrastado até aqui e ainda tenho que me apresentar?

O velho ri e se pede desculpas. Ele estava curioso sobre o rapaz que foi capaz de ferir funjata mesmo sem jamais ter recebido treinamento. Mas como ele sabia que Kyo nunca havia treinado? Bem, ele conhecia os Yamadas e mesmo nunca tendo encontrado o Max, ele conhecia Shinsei que treinava sob sua tutela.

- Você até poderia ter algum treinamento, mas se você tivesse, eu saberia, pode ter certeza disso.

- Saberia? Como?

- A sua aura. Pessoas que possuem algum treinamento, por menor que seja, possuem uma aura estável. Pessoas que nunca tiveram contato com o treinamento adequado possuem uma aura instável. É simples assim.

- Aura? Ce bebeu?

- Idiota! Não fale assim do mestre!

- Calma, Karen. Ele ainda não possui a percepção para enxergar a aura. Mas até amanhã, ele vai estar conseguindo controlar a grande aura que possui ohohoho! Mas bem, deixe-me apresentar. Meu nome é... MIIIIIIIIIYAMOTOOOOOO MUUUSAAAAAASHIIII!

- CÊ BEBEU É? – Gritam os dois juntos.

- Como vocês são maus! Era só brincadeirinha! Meu nome é Kazuya Muramasa. A garota que te trouxe aqui se chama Karen Musashiro. Muito bem, agora diga o seu nome, meu jovem.

- Ah, eu sou... Isami Kondou!

- Ce é bobo? Fica repetindo a piada dos outros.

- CREC! Como vocês descobriram?

- É tão óbvio quanto o velho ser Miyamoto Musashi! Pior que isso só se eu dissesse que era Hidetori Tokunaga! Mas o velho já disse meu nome.

- Por que você voltou a me chamar de "velho", hein? Sua pirralha superdotada!

- Não me chame de pirralha superdotada, seu velho tarado!

Kyoshiro acha que a situação estava ficando estranha, Kazuya, ao notar isso, assegura que ele somente iria deixar aquela casa bem treinado ou morto. Karen diz para não assustar o rapaz, mas ele afirma estar apenas dizendo a verdade. A garota afirma estar tão segura que ele irá morrer no processo que era melhor se ele nem pensasse na possibilidade.

- QUE? Entãããão, acho que vou emboooora, minha mãe tá me chamando e...

- Garoto – diz Kazuya sorrindo gentilmente – agora, você não foge mais!

- Fudeeeeeeu!

E pela noite toda, em três cantos da cidade, podia-se ouvir os gritos desesperados de quatro jovens que sofriam com um terrível treinamento. Como foi esse treinamento? Vocês querem sabem? Por acaso vocês são sádicos é? Ah... Eu também! Mas isso vai ficar para o próximo capítulo!

Música de encerramento: Black Jack by Janne da Arc.