House acordou com o despertador tocando, estranhou porque ele nunca deixava o despertador ligado, muito menos antes das 10h.
Levantou da cama um pouco tonto e com dor de cabeça, era como se estivesse de ressaca, mas não se lembrava de ter bebido nada na noite anterior, a única coisa que se lembrava era de um sonho estranho. Excesso de Vicodin poderia ter causado isso, mas ele também não se lembrava de ter tomado tanto.
Foi até a cozinha beber um copo de água e decidiu relaxar na banheira antes de ir ao hospital. Um novo quebra-cabeças seria bom para distraí-lo.
UMA SEMANA ANTES
"Eu já estou ciente de todo o procedimento e dos riscos. Onde assino?"
"Doutor House, o senhor precisa saber..."
"Eu não preciso saber de mais nada. Onde eu assino?"
"Não poderá ser revertido.."
"Sim, eu li essa parte no contrato, só quero saber onde eu posso assinar pra poder começar o procedimento o mais rápido possível."
Doutor Wikison entregou o termo de compromisso a ele e pediu que levasse todas as coisas materias que poderiam ser associadas a ela, no dia seguinte. Ele ficaria internado durante uma semana e o procedimento final seria feito em sua casa para que ele não se lembrasse de ter participado disso.
House juntou fotos, roupas, cartões, bilhetes, apagou todas as mensagens de sua caixa postal, procurou por músicas que lembrassem ela e levou os discos.
Eles usaram esses materiais para mapearem as lembranças de Cuddy através de um aparelho em sua cabeça. Durante todo o período em que esteve internado, tomou remédios e fez uma lista com todas as pessoas que trabalhavam com ele junto de outros funcionários do Princeton Plainsboro, ninguém poderia cometer o deslize de comentar sobre o relacionamento que tiveram.
A equipe médica mandaria cartas à todos os envolvidos explicando como deveriam tratá-lo.
Algumas lembranças dos últimos doze anos em que trabalhou com Cuddy seriam substituídas, para ele não sentir nenhum branco.
No último dia de internação, House voltou para casa e esperou a equipe médica fazer o trabalho.
Eles precisariam apenas da primeira lembrança de Cuddy, o resto o computador acharia sozinho.
"É só você se lembrar do dia em que se conheceram."
House fechou os olhos e mergulhou na lembrança mais antiga que tinha. Ela era a menina mais linda da faculdade, ele a viu na aula de Endocrinologia e se apresentou para ela no mesmo dia, na festa dos veteranos.
"Já encontramos, pode relaxar sua mente. O processo vai começar agora."
Primeira lembrança deletada.
Ao chegar no hospital, House atraiu a atenção de alguns enfermeiros, mas nada muito estranho. Era normal as pessoas se indignarem com o horário que ele chegava no trabalho.
Wilson estava conversando com Foreman quando viu ele chegar, os dois estavam preocupados com os danos que a cirurgia poderia causar, Foreman, como neurologista, achava que o procedimento era muito perigoso. Eles aproximaram de House tentando ser o mais natural possível, para sondar como estava sua memória.
"Hey House, tudo bem com você?"
"Tudo ótimo comigo, Wilson. Mas é estranho você me perguntar isso, já que você só pergunta se eu estou bem depois ter acontecido alguma coisa."
House continuava observador. Ele era esperto demais pra qualquer pessoa tentar enganar, lidar com ele seria mais difícil do que imaginavam.
"Não eu... Eu só queria saber porque te liguei ontem e você não atendeu."
"Eu devia estar bêbado demais pra atender o telefone."
"É... Foi o que imaginei."
Wilson ainda estava nervoso porque nunca conseguia enganar House, achou melhor sair dali antes que ele percebesse alguma coisa. Foreman entregou a ficha do novo caso e foram para o escritório.
Durante aquele dia, todos ficaram atentos em suas ações, até então, não havia nada de errado com ele. A personalidade e inteligência continuavam as mesmas, como se nada tivesse acontecido.
Antes de ir embora House foi para a sala de Wilson, entrando sem bater como sempre fazia.
Wilson conversava com uma moça bem saudável para ser sua paciente, ela se assustou quando ele entrou e tentou disfarçar o nervosismo.
"To interrompendo alguma coisa?"
Wilson se levantou e o apresentou a ela imediatamente.
"Essa é a...nova diretora do hospital."
"E o que aconteceu com a velha diretora do hospital?"
"Ela foi...embora."
"Engraçado, eu não me lembro de ter conhecido nenhuma diretora."
Ele se aproximou dela enquanto ela se levantava para se apresentar.
"Gregory House."
Disse, estendendo sua mão. Wilson estranhou a gentileza e ficou preocupado por achar que essa mudança de humor pudesse ser alguma desorientação mental.
"Lisa Cuddy."
Ela segurou rapidamente em sua mão e disse que estava atrasada para resolver alguns assuntos.
"Nós conversamos depois, Wilson."
Assim que ela saiu, Wilson perguntou a ele porque tinha sido tão gentil em se apresentar.
"Você viu o tamanho daqueles peitos? Não era bem a mão dela que eu queria apertar."
Wilson deu um longo suspiro, ele continuava o mesmo cretino de antes.
Cuddy saiu do escritório de Wilson mais abalada do que imaginou que pudesse ficar.
Uma corrente de ódio percorria o seu corpo, ela deveria ficar feliz por ele, mas não estava.
Era crueldade demais querer que ele sofresse eternamente por ela, mas isso não era justo, ele sempre resolvia seus problemas com atitudes infantis e impensadas, era fácil demais apagá-la de sua mente e ficar bem enquanto ela sofria por amar alguém tão difícil há mais de vinte anos.
Ela estava tão brava que nem reparou em Foreman e tropeçou nele, na porta do escritório de House.
"Hey... Calma, Cuddy. Algum problema?"
Ela viu que toda a equipe de House ainda estava lá e decidiu entrar para saber como ele estava.
Foreman disse que seu cérebro já estava recuperado, a dor de cabeça não durou muito tempo e o sarcasmo continuava intacto, assim como o mau humor devido à dor na perna, mas eles perceberam que ela doía bem menos que antes. Chase chamou atenção para o lado emocional, dizendo que ele estava bem mais leve e que a convivência com ele estava bem mais fácil.
"É claro que ele ta mais leve, apagou 25 anos de memória."
"Desculpa Cuddy, não foi isso que eu quis dizer.."
"Você quer saber uma coisa? Bom pra ele! Eu espero que ele seja feliz na ignorância, ele não me merecia..."
"... E mais, não quero mais saber de nada da vida dele, aliás, eu nem o conheço."
Ela saiu irritada do escritório e quase bateu a porta na cara de Chase.
"Será que ela ficou brava porque eu disse que sem as lembranças dela era mais fácil de conviver com ele?"
House tinha ido ao escritório de Wilson para convidá-lo pra jogar boliche e beber alguma coisa, disse que sua perna estava boa, então eles poderiam se divertir e pegar algumas prostitutas.
Wilson aproveitou o assunto pra perguntar a ele sobre relacionamentos e tentar entender como sua mente estava reagindo.
"House... Você já se apaixonou por alguém? Digo, depois da Stacy.."
"Você quer falar de amor Wilson? Pelo amor de Deus, vamos embora logo."
"Não, é... Eu tenho essa curiosidade."
"Eu não sei, talvez eu seja ferrado demais pra isso ou não encontrei alguém que eu pudesse amar por completo. Se nem com a Stacy eu cheguei ao ápice do amor, com quem mais chegaria? Agora já é tarde."
"E antes?"
"Também não. Eu transei com 70% da faculdade, e quando digo faculdade, falo das duas, e nunca tive vontade de ligar pra ninguém no dia seguinte..."
"... Mas porque essa curiosidade agora? Você não convive comigo todos os dias? Não está cansado de saber que meu coração é uma pedra?"
"É, eu to... esquece. Vamos embora."
A mente dele reagia como se nada tivesse acontecido entre ele e Cuddy. Por mais impossível que parecesse, essa idiotice tinha dado certo.
Quando saíam do hospital viram Cuddy saindo de sua sala, ela continuava irritada e passou reto por eles, quase derrubando House.
"Qual é o problema dela? Será que o namorado não ta comparecendo?"
Wilson deu uma longa gargalhada.
"É... provavelmente."
