Ponteiros desajustados


Capítulo 2


- Não tem muito para dizer sobre mim na infância. Não era uma criança de muitos amigos, mas era bastante feliz com isso. Meus pais eram severos e carinhosos, souberam me educar e me amar. Na escola nunca tive problemas, acho que eu era um dos orgulhos dos professores, embora eles nunca tenham dito isso em alta voz. Não tinha problema com outros familiares, não mais do que qualquer pessoa.

- Houve alguma implicância na família que o marcou?

- Nada realmente relevante. Minha tia Umi tinha como esporte favorito humilhar a família inteira e, graças a ela, os encontros que tínhamos não eram agradáveis. Mas todos ignorávamos o caso com relativo sucesso. Ela só queria se livrar da vergonha que foi ver a filha fugir de casa para começar uma carreira de artista.

- Não restou nenhum trauma das retaliações feitas a você?

- Nenhum. Quando era adolescente, paramos de visitar a família por um longo tempo. Raramente nos víamos, acho que nessa época me afastei das minhas primas, coisas de adolescente mesmo.

- Coisa de adolescente que perdurou até hoje?

- Não, naquela época era diferente.

- O que era diferente?

- Eu tinha meus próprios assuntos e me achava adulto demais para minhas primas, mesmo que Hinata não tenha mais de um ano de diferença de mim.

- "Coisa de adolescente"? - ela repetiu.

- Com certeza.

Ela não disse a ele, mas escreveu algo em um bloco de anotações:

"Qual é seu problema 'não-adolescente' de hoje, Hyuuga?"

Simplesmente mudou o foco da conversa. Sua intenção não era perguntar aquilo, mas que ele respondesse inconscientemente.

- Então, jovem Hyuuga, você diria que foi o "filho-modelo", tudo que seus pais poderiam esperar de um filho?

- Não sei se diria isso, mas acho que correspondi à maioria das expectativas deles.

- Houve alguma em especial que tenha lhe causado arrependimento não atender?

- Arrependimento? Não, acho que não. Eles se preocupavam com aquilo e até conversávamos bastante sobre aquilo, mas, no final, diziam que eu era responsável o bastante para saber o risco que eu corria e as consequências de um erro.

- Podemos conversar sobre esta época de sua vida, se não se importar?

Ele pareceu hesitar pela primeira vez, o que não escapou da mulher. Rabiscou algo em suas folhas e não insistiu em perguntar, esperou que ele respondesse.

- Tudo bem... Mas, vou avisando, embora não seja algo que me cause trauma, não é algo do qual me orgulhe.

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Em casa, Neji Hyuuga era um filho agradável. Não respondia aos pais, raramente os desobedecia e ajudava como podia. Tanto o pai quanto a mãe costumavam dizer que o maior problema foi aceitar que o rapaz não cortaria o cabelo, mas foi uma crise passageira, visto que o pai também aderira ao visual e, logo depois, o tio.

Na escola, era queridinho de muitas garotas. Adoravam-no por seu jeito recluso e calado, seu "ar de mistério". Gostavam de seu talento para esportes, de suas boas notas – de seu estilo que não lembrava os "nerds" da época. E, principalmente, amavam o desafio que Neji representava. Arrancar o mais ínfimo e infame dos sorrisos de Neji representava uma alavancada garantida para a popularidade colegial.

Ainda na escola, era ora rival, ora orientador dos garotos. Quem quisesse – pelo preço adequado – poderia ter ajuda de Neji nos estudos – o que era fundamental para certos jogadores dos times da escola manterem-se nestes times. Entretanto, a fama razoável que o moreno possuía era o bastante para atrair olhares invejosos e, com isso, algumas briguinhas escolares.

Mas havia um lugar, mais do que qualquer outro, onde Neji era rei. Um lugar em que, mais do que qualquer outro, as tentativas de derrubá-lo do trono eram contínuas.

Os pais não comentavam fora de casa o pequeno passatempo do filho, mas nunca deixavam de, no conforto e no segredo do lar, externar sua preocupação e desaprovação.

Neji Hyuuga era praticamente o garoto-modelo. Tinha bons modos, era bom nos esportes e nos estudos, era belo e dono do visual mais "descolado" da época, mas, acima de tudo isso, Neji Hyuuga era um adolescente com necessidade de se afirmar como pessoa e era nas ruas que ele fazia isso. Porque, quando o rapaz estava dentro do carro turbinado, as ruas imploravam para ser seu destino.

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- Então você participava de corridas de carro aos dezesseis anos?

- É isso mesmo, senhorita Mitarashi.

- Parece algo meio rebelde para o "estilo perfeição" que você fazia, não acha?

- Acho, sim. Por isso não costumo falar dessa época com ninguém.

- Tem certeza de que ela não o marcou negativamente?

- Talvez – interrompeu-se brevemente. Não sabia se queria mesmo contar sobre aquilo, mas a certeza de que a mulher não sairia contando para qualquer pessoa o ajudou a decidir por contar. – Talvez tenha uma determinada etapa, que começou durante uma dessas corridas, de certa forma, ainda me atormentando.

- Sob que forma este tormento veio se manifestar nos dias atuais?

- Afastamento.

- Não se sente mais à vontade com as pessoas?

- Não é questão de estar ou não à vontade. Eu sinto receio.

- Receio de ser traído, talvez?

- Não, de forma alguma – foi enfático. – Receio de trair.


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Olá de novo, personas.

Segundo capítulo, né? Mas com cara de primeiro ainda... Yep, fracasso total. Yo lo sé. MAS estamos caminhando e eu prometo que melhora. (Huhul, não faça promessas que não pode cumprir). Enfim, o que mais eu posso dizer?

Bom, primeira coisa, tem aquele trecho "destacado" com a "descrição" do antigo Neji - se é que se pode chamar assim.
Explicação: um psicólogo geralmente vê cada paciente seu durante uma hora por semana, quando o caso não é grave, pelo menos os que eu tive eram assim. Isso é um problema, porque seria chato, pra mim, perder o embalo da escrita tentando encaixar as coisas num "tempo" adequado.
Explicação 2: um psicólogo só tem acesso ao que o paciente fala. Por que isso é um problema? Primeiro porque seria o Ó ficar lendo um diálogo infinito de perguntas e respostas como os que eu tinha no consultório da Dra. Regina! Segundo porque a visão somente do Neji seria parcial e muitos detalhes se perderiam.
Solução: intercalar cenas do passado, não só sob a óptica do Neji, com as conversas entre ele e a psicomaníaca dele! Plano brilhante! Mas não muito! E ainda por cima sem originalidade! Foi o que deu pra fazer. Torcendo para dar certo.

Segunda coisa: tem uma cosita que eu queria contar a vocês, mas ainda não é a hora, pois isso pode gerar spoilers e especulações. Essa cosita tem tudo a ver com a fonte da inspiração para esta pequena fic e ela receberá seus devidos créditos no fim da história, mas acho melhor deixar em off por enquanto. Se alguém perceber a relação das coisas (e tiver lido este apelo drmático), por favor, não conte a ninguém!

Terceira coisa: eu vou me despedir agora, só deixando uma espécie de anotação (infame) minha sobre o que eu já expliquei na "primeira coisa".
Eu devia escrever mais nos capítulos e menos nos comentários. Desculpas várias.

Beijinhos&AtéOPróximoCapítulo ;D


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"Nossa curiosidade é apressada e detalhista. Ela quer chegar longe e o mais rápido que puder. Ela vai voltar no tempo por nós, vai revelar grande parte do passado que Neji oculta, sem nos poupar dos detalhes – incluindo aqueles que ele próprio desconhece.

Captaremos tudo aquilo que pudermos, mas sem revelar de uma vez tudo que se passou na cabeça do pobre Neji aos dezesseis. Ele deve contar de vontade própria. É por esta razão que permitiremos que a senhorita Mitarashi faça seu trabalho também. Afinal, ela foi a pessoa escolhida para conhecer e até desvendar o verdadeiro Neji. Nós somos meros curiosos, invadindo uma sessão que não deveríamos."