Diário
Boas notícias: eu tenho um diário! Não é como se fosse um diário propriamente dito, mas mesmo assim, já é algo. Nessa manhã, eu acordei com o meu caderno em cima da mesa-de-cabeceira. Porém, ele estava adaptado em um livro, e na capa estava escrito 'Lily Evans'. Cara! Foi tão emocionante e tão simples que eu ri de alegria.
"Não sei como você não havia pensado nisso antes, tão banal." Michele, olhando com desprezo, disse.
"Ora, sua mala, a cabeça do grupo é você, esqueceu?" Ela riu. Desde o primeiro ano, após nos metermos em um problema por estar na seção restrita sem permissão no qual a Michele teve plano para sairmos de lá sem que o Filch nos visse e eu tive que executa-lo, eu digo que eu sou o Pink e ela é o Cérebro. Ela não entendia no começo, é claro, pois a trouxa aqui sou eu, mas quando eu expliquei, ela concordou.
"Nossa, quantos anos nós não falamos isso, hein?" Ela sorria com uma cara daquelas nostálgicas.
"Bom, desde que você virou monitora e tem que dar exemplo." Eu respondi. Michele sabia que não era por isso, nós tínhamos crescido, amadurecido, com as curiosidades cessadas e ponto. "Obrigado, você é um anjo." A abracei. Ela não é daquelas sensíveis que tem momentos de fraqueza, pelo contrário, Michele era um pilar de ferro. Por dentro e por fora. Diferente de mim, que só era assim por fora.
"Eu heim, sai pra lá Evans." Ela disse brincando. "Estou descendo pra tomar café, te encontro mais tarde."
Teria sido uma manhã perfeita, se a noite passada não tivesse deixado seqüelas. Potter. Acho que não tem como fugir desse assunto, afinal de contas.
O Potter é... meu carma. Não é como se ele fosse totalmente chato, se bem que eu nunca conversei muito tempo com ele para saber. Para as outras garotas, ele e Black são tipo deuses. Coitadas, como são vazias... para mim e Michele, eles são ridículos. Talvez não para Michele, porque eu já a vi conversando com eles muitas vezes. Potter me chama para sair com ele desde o quinto ano eu acho, tenho que admitir que o garoto é persistente. Não sei o que eu fiz para merecer isso, sinceramente não. Eu sempre fui educada com ele, mas nunca que isso quer dizer que eu quero sair com ele. Não sei da onde ele possivelmente viu isso, mas também, vai entender cabeça de Potter. Ele é o tipo de garoto que as garotas olham, mas como elas só pode ver isso! É tão claro que por dentro ele só tem...bom, não tem nada, que até um cego poderia ver! Ele é todo arrogante, com aquele ego que é capaz de dar voltas no mundo, só porque joga bem quadribol. É, eu tenho que admitir isso também. Ele tem talento, nunca vi a grifinória perder uma taça com ele no time. Mas daí ficar brincando com um pomo por todo canto, já é demais! Tá... eu nunca mais vi ele fazendo isso pelo menos. Além de tudo, ele sai azarando qualquer um que o incomode. E ainda por cima, usa as garotas como se elas fossem um produto! Black é igual, exceto que não joga quadribol. E o que mais me aborrece, é que os profesores gostam deles, isso vai totalmente além da minha capacidade de compreensão. Como um professor poderia gostar de alunos que tocam o terror na escola? Detenções, são uma por dia. "Eles são inteligentes Lily, você tem que admitir mais isso." Michele disse, ela tinha subido pra pegar o casaco e estava olhando por cima do meu ombro.
"Isso não justifica nada." Respondi irritada.
"Lily! Existem tantos erros nesse seu último parágrafo, que eu nem saberia por onde começar." Fiz a maior cara de descrente do mundo. Onde tinha qualquer erro ali?
"Você é tão exagerada. Eles são engraçados, e os primeiros da classe junto com a gente. Como os professores não podem gostar deles? Eles são pessoas boas Lil!"
"Não sabia que azarar pessoas só porque são mais fracas qualificava uma pessoa de 'boa'!" Respondi mal-criada.
"Você sabe que não é mais assim, hoje em dia eles só são assim com quem faz por merecer, e você sabe do que eu estou falando."
"Com quem faz por merecer? Michele! O que o incapacitado do Snape poderia fazer!" Ela levantou uma sobrancelha. "Tá, não tão incapacitado assim." Levantou a outra. "Tá, capacitado. Mas não justifica!" Ela riu.
"Lily, você sabe que os interesses do Snape são para deixar qualquer um revoltado." Ela se referia ao gosto muito estranho que ele tinha com artes das trevas. "E também não é como se ele fosse um santo, você sabe que ele e o James se odeiam desde sempre."
"Isso não faz dele melhor. E as garotas? O que você tem a dizer sobre isso?" Há! Isso ela tem como justificar.
"Elas são umas tolas, mas desde que começou o ano, não vi o James com ninguém e ele nem te perturba mais."
"Michele, as aulas começaram segunda, hoje é sábado. Não é de impressionar que ele não tenha nenhuma garota!"
"Essa não é a resposta, é porque ele só quer uma!" Ah não, de novo não.
"O que você está falando?" Eu perguntei já com raiva.
"Se você não sabe não sou eu que vou te dizer." Ela disse me imitando, e desceu para o salão. Quando estava saindo, eu gritei:
"Você está passando tempo demais com o Remus!"
"E isso não é bom?" Ela riu. Eu fiquei surpresa. Não é todo dia que se vê Michele admitindo a coisa assim.
Voltando ao Potter (não que eu queira falar sobre ele, mas sobre ontem a noite.). Eu entrei na cozinha, mas demorei algum tempo pra reparar que eu não estava sozinha. Olhei por cima daquele mutirão de elfos ao meu redor me servindo comida, e vi o dito cujo sentado na mesa (adivinha quem é?). Pensei em meio segundo, as maneiras mais dolorosas de matar o Remus. Mas por mais que eu não queira admitir, Potter me olhou e pareceu tão surpreso quanto eu (embora a idéia de matar o Remus seja sempre legal, quero dizer, ele tão calmo que seria bom ver ao menos uma vez ele desesperado. Credo, Lily Evans! Que maldade!). Ele sorriu, eu não sorri de volta. Fui até a mesa dele, nadando por cima daqueles pequenos elfos.
"O que você está fazendo aqui?" Perguntei áspera. Eu sempre tentei ser educada, eu conseguia várias vezes manter uma conversa de um segundo civilizada com ele, mas não sei por que, algo me irritou.
Ele olhou para a torta que estava em sua frente, olhou pra mim, e respondeu como se eu fosse estúpida: "Comendo!" Ok, admito que eu fui estúpida, mas não era sobre isso que estava falando.
"Não, Potter. Eu quero saber o que você faz aqui, nesse instante." Só faltava ele não entender de novo.
"Ah." Ele sorriu, olhou pra mim marotamente. "Por quê? Interessada no que eu faço?"
"Claro que não, deixa de ser presunçoso!" E depois a Michele ainda o defende.
"Bom, já que te interessa," Eu já ia gritar, quando ele disse: "Brincadeira!" Odeio as brincadeiras dele. "Eu estou voltando do treino de quadribol, só isso." Fiz um 'Ah' somente com os lábios, e ele continuou a falar. "E o que você está fazendo aqui?"
Resolvi fazer o mesmo jogo que ele, só não sabia que ia se virar contra mim. "Por quê? Interessado no que faço?"
"Sempre." Ele respondeu isso de uma maneira tão firme, e olhando nos meus olhos de uma maneira tão madura que eu me assustei. Como se não bastasse, aproveitando do meu momento de reflexão inesperada, ele continuou com aquelas típicas frases que são feitas para entrar na sua cabeça e não sair mais. "Sabe Lily, a gente vai acabar junto."
"Há! Como que é, Potter?" É incrível a presunção do garoto.
"Simples assim, daqui a muito pouco tempo o Rem e a Michele vão ficar juntos, e vai ser inevitável a gente não andar junto." Concluiu triunfante. Aquele inapto. Quantos 'junto' ele consegue usar em um diálogo?
Tenho que dizer que nunca pensei por esse lado, e embora eu não concordasse com o que ia dizer, eu disse.
"Ora, se vai, Potter."
"Paga pra ver, Evans." Olhei nos olhos dele, brilhando em desafio. Infelizmente, pra ele, isso não seria uma boa coisa.
"Não tente me dizer o que fazer Potter." Falei entre dentes.
"Eu não estou dizendo nada, Lil." Eu nunca havia dado a ele permissão pra me chamar assim! "Só estou fazendo você enxergar o inevitável."
"Agradeço, Potter, mas eu consigo enxergar as coisas por minha conta." Argh! Eu juro que tive que controlar todas as células do meu corpo para não voar no pescoço dele.
Ele deu um sorriso desdenhoso, e ainda sorrindo, olhou fundo nos meus olhos. E eu nos dele.
"A srta. sente, sim?" Dizia a elfa, eu e Potter olhamos assustados pra ela. Jogando-me na cadeira em frente à dele, ela me serviu um pedaço de bolo. Comecei a comer, olhando pro teto, tentando digerir todas as informações. Quero dizer, o que foi aquilo? Quem ele pensa que é, pra manter contato visual comigo? Arrisquei uma olhada rápida, e vi que ele continuava olhando pra mim.
"Então, como foram suas férias?" Que raios você quer, Potter?
"Foram boas, e as suas?"
"Ótimas." Que bom, pelo menos ele não é que nem aqueles garotos que não saber a hora de parar uma conversa indesejada. "Mas senti sua falta." Bonito? Se não fosse o Potter, seria.
"Pra quantas mais você falou isso?" Tentei parecer relaxada, mas já tinha me sentido corar.
"Por que é tão difícil pra você acreditar!" Eu assustei, nunca tinha visto antes ele gritar comigo. Geralmente era o contrário. A voz dele ia se elevando a cada palavra, e, de repente, todos os elfos estavam olhando.
"Por quê?" Já que era assim, vamos gritar também. Não, brincadeira, eu realmente fiquei irritada àquela hora. "Porque você tem tantas garotas, que eu nem sei mais se o que você diz é ao menos autêntico!"
"Você nunca nem se importou Evans! O que te faz achar que é tão especial assim, pra ter alguma coisa autêntica!" Ele disse isso mais cafajeste do que nunca. Não que eu tenha me importado com o que ele disse, mas eu saí de lá puta da vida, pisando fundo. Eu sabia que eu tinha alguma coisa especial, não era o que o Potter dizia que iria me abalar.
Por isso sexta-feira não é um dia bom. Discutir é sempre legal, agora fazer isso com Potter, é diferente. Falar com ele é diferente. É maçante. E cansativo.
Desci para tomar café, após escrever tudo aquilo acima. Sábado. Sábado sempre é legal. Ninguém não gosta de sábado. Apesar de todos os fatos ocorridos na noite anterior, eu esperava coisas boas de sábado.
Encontrei Michele lendo um livro em uma poltrona do salão comunal.
"Vamos?"
"Onde?" Ela me olhou como se eu fosse um alienígena. Eu ia áte falar isso pra ela, mas quando lembrei que ela não sabia e que eu teria que explicar, deixei quieto.
"Tomar café." Respondi com um tom óbvio. A coisa era óbvia também.
"Lil, querida, não sei se você perdeu a noção do tempo, mas o tanto que ficou lá no quarto, já está na hora de almoçar." Uau! Realmente eu perdi a noção do tempo.
"Então vamos? Estou com fome." Eu sempre tenho fome. O que fazer quando não tem nada pra fazer? Comer. Ideologia minha. Eu devo ter formulado isso quando eu era pequena, e retardada. Não sei, só sei que não é muito coerente.
"Você está sempre com fome." Não disse? "Mas vamos, hoje eu pretendo visitar Hagrid à tarde." Era muito estranho ver a Michele falando aquilo, geralmente era eu quem falava pra gente ir. Hagrid nos tinha como amigas, e os marotos como amigos. Eu acho. Pois já vi muitas vezes Potter e Black saindo da casa dele, embora já tenha me passado muitas vezes pela cabeça que isso só sirva como um caminho para sair da floresta proibida sem que ninguém repare. Inteligente, mas ilegal.
"O que você quer fazer lá?" Perguntei. Como já disse, não era todo dia que a Michele falava aquilo.
"Bom, vamos indo em direção ao salão, sim?" Nós fomos. Muito estranho, eu nunca via Michele mudar de assunto.
"O que foi Michele?" Merlim! Depois de sete anos ela acha que consegue me enganar.
"Nada oras! Não posso ir visitar um amigo?" Estava tentando parecer convincente, quase ri do esforço inútil dela.
"Pode, claro que pode." Tentei fingir que acreditava, porque tirar algo da Michele que ela não quer falar, exige muito fôlego.
Chegando pra almoçar, nos sentamos no final da mesa, como de costume. O salão já estava meio cheio, só que estranhamente quieto. Olhei ao redor, e vi que isso de dava pelo fato de que os marotos não haviam chegado, você sempre sabe quando eles estão por perto – acredite, é fácil de saber. – com a barulheira que fazem. As brincadeiras, as risadas escandalosas (Potter), o comentários maldosos (Black), e por fim, o silêncio quando vão embora. Especialmente nas refeições, eles são mais aparecidos. Sinceramente, não sei como uma pessoa pode gostar tanto de atenção. Eu já me incomodo quando sou vítima de olhares de uma única pessoa, imagine da escola toda! Pobre Remus, tem que agüentar isso todo dia. Se bem que vejo ele rindo também. Não há nada demais em rir, só quando você faz isso exageradamente. E o Peter então? Aquele lá é o verdadeiro pobre coitado, quantas vezes eu já não vi ele engasgando com comida, enquanto tentava rir e engolir tudo junto!
Eu e Michele discutíamos isso frequentemente, hoje não foi diferente, ele também notara a falta deles.
"Sabe Lil, eu tenho uma dúvida quanto ao Peter." Começou ela.
"Bom, eu tenho várias dúvidas, mas vai lá." Eu tinha minhas dúvidas sobre a masculinidade dele. Não ri! Eu e Michele já vimos ele muitas vezes fora do dormitório altas horas da madrugada, embora eu não pense que exista qualquer garota que tenha tamanha coragem!
"Será que..." Ela olhou pra ele no meio da mesa maldosamente (eles haviam chegado há poucos segundos), eu já me preparava pra rir. "Será que o fato dele comer tanto..." Lá vinha besteira. "Se dá pela semelhança dele com um rato?"
Não foi diferente, eu ri muito! Não por causa da semelhança, mas porque aquela era a teoria mais estúpida que eu já tinha ouvido em toda minha vida! Michele percebeu isso também, claro, porque começou a rir comigo. Quando percebi, toda mesa olhava para nós como se fossemos loucas.
"É uma pergunta bem interessante, Mi. Devemos anotar e discuti-la no jantar." Paramos de rir, quando as pessoas inconvenientes mais perto de nós, perguntaram o que tinha acontecido. Odeio esse tipo de pessoa que quebra o clima!
"Oh, claro que devemos! Vou até perguntar ao Remus." Michele e eu sempre anotávamos as histórias interessantes, pra serem discutidas depois. "HEI! REM!" Como eu amo a minha amiga! Ela não é discreta?
"Não agora, Mi!" Sibilei entre dentes. Pronto! Se antes tínhamos as pessoas perto de nós olhando, agora tínhamos mais uma vez, a mesa inteira. Em minha opinião, aquela era somente mais uma desculpa para falar com Remus. Os marotos (e toda mesa) olharam quando ela gritou pra ele. Como ele é provido de inteligência, teve a gentileza de andar até e sentar do lado da Mi, ao invés de gritar.
"Garotas."
"Olá! Tudo bem com você?" Respondi educadamente, ele ia responder se Michele não tivesse começado a falar.
"Rem, você já notou alguma vez a semelhança de Peter com um rato?" Não sei por que, ele ficou preocupado.
"Por quê? Vocês notaram alguma coisa?"
"Notamos." Falei intrigada. Michele e eu nos entreolhamos. Remus olhou para seus amigos ansiosamente, e eles, que já estavam olhando antes, agora nem piscavam.
"Olha, não sei o que vocês pensam. Mas foi por uma boa causa."
Michele e eu nos entreolhamos novamente. Ou ele era maluco, ou a gente não estava na mesma freqüência.
"Rem," Michele disse. "Do que você está falando?"
"Do que vocês estão falando?" Nós estávamos realmente confusos.
"Bom," eu comecei. "A gente só estava tentando achar uma explicação do por que o Peter come tanto."
"Ah." Ele parecia tão aliviado, que se animou rapidamente. "Deve ser genético."
Ele voltou ao seu lugar, e eu Michele tivemos a impressão de que havia algo muito errado ali. Observando a reação dos marotos enquanto Rem falava, eles fizeram exatamente a mesma coisa: primeiro preocupados, depois aliviados.
"Muito estranho." Michele disse com um ar detetive, eu ri.
"Vai lá, Sherlock." Disse brincando, mas logo depois lembrei que ela não iria saber. "É um detetive literá..."
"Eu sei, tá! Também não sou burra!" Uau! Chocante.
Terminamos o almoço em um minuto, e fomos para a beira do lago esperar a Michele ter a boa vontade de ir ver o Hagrid. Meia hora depois de nada pra fazer, nós fomos. No meio do caminho, já avistando a casa de Hagrid, Michele começou a se justificar.
"Não fica brava, mas é que Hagrid pediu pra não falar, porque senão você não viria." Oi? Alguém mais não entendeu absolutamente nada? Vendo minha cara de 'tipo, você é louca ou o que?', ela recomeçou. "Bom, ele disse que era uma coisa importante, e não queria que ninguém faltasse, e se eu falasse você iria faltar." Ah, entendi tudo agora, Michele. "Você vai ver quando chegar lá."
Não gostei dessa última sentença dela. Foi muito desconfortável. Chegando naquela cabana, que ele chama de casa (já oferecemos várias vezes um lugar no dormitório, embora eu saiba que essa é uma idéia bem sem-noção.), batemos na porta e eu pude perceber que ele não estava sozinho.
"Meninas! Entrem!" De todas as coisas mais estranhas que já aconteceram na minha vida, desde que eu passei a fazer parte da sociedade bruxa, ser amiga de uma meio-gigante foi definitivamente a mais louca delas. Hagrid só tinha tamanho, precisava tanto de afeto como qualquer outra pessoa, senão mais (provavelmente mais). Após ele ter quebrado todas as minhas costelas, eu entrei.
Como se num passe de mágica, tudo fez sentido."Lily, pelo Hagrid." Michele sussurrava no meu ouvido. Sentados na poltrona do Hagrid, que cabia folgadamente umas cinco pessoas, estavam eles. Remus, fofo. Peter, comendo. Sirius, impaciente. Potter, me olhando afetado. Se fosse eu a dizer aquelas coisas pra uma pessoa, como ele me disse, eu nunca mais chegaria perto dela. Possuidora de um QI, eu iria entender que seria a minha morte. Mas ele não entendeu, claro. Ele não tem QI. Eu não me importo com o que Potter pensa de mim, e sinceramente, aquilo não me impressionou nada. Eu sabia que não era verdade.Mas a petulância dele em falar! Imagina, se eu não era especial! Fingindo não ligar (eu não estava de qualquer forma.), eu sentei ao lado de Michele em uma cadeira da mesa de Hagrid. Ele estava passando um chá para nós. Que lindo!Não querendo ser rude,mas nada que venha do Hagrid e possa ser digerido,é bom.
"Eu tomei uma decisão." Hagrid disse solenemente. Imediatamente, todos se entreolharam. Isso não é bom.
"E isso é bom?" Potter perguntou cautelosamente. Nunca era bom.
"Oh! É!" A não ser pro próprio Hagrid, era sempre bom. "Gostaria que vocês conhecessem, o Alberto." Ele foi até uma cômoda, e de lá tirou um ovo. É um ovo, que se chama Alberto. Definitivamente não era bom.
"Hagrid," Sirius foi o primeiro a falar o que todos queriam. "O que, diabos, é isso?"
"Um ovo! Um filho de Aragogue!" Merlim! Aquela coisa ainda estava viva? Hagrid sempre insistia para nós irmos visitá-la. Visitar uma aranha gigante era só o que me faltava. O ovo também era gigante, porque a aranha era gigante (Não brinca, Lily!). Foi então que eu vi Peter falar a coisa mais inteligente de vida dele.
"Mas Hagrid, se Aragogue já tem um monte de filhotes, por que você quer um ovo?"
"Não, é que esse eu vou criar. Aqui, comigo." Pensando agora, as reações foram muito engraçadas, até. Rem tinha levantado, Peter estava em choque, Sirius e Potter estavam com reação dos anteriores, só que tudo junto. Eu? Pasma, sem palavras. Michele foi a que falou esganiçada.
"Você não pode Hagrid. Isso vai contra todas as regras. Além do mais, esta coisa poderá te matar."
"Não! Elas são inofensivas!" Hagrid é muito emotivo, precisa ter cuidado com o que você fala pra ele, eu não tive.
"Inofensivas? Elas são uns monstros, gigantes! Que podem fazer mal a qualquer outro, é do seu instinto Hagrid!" Ok, eu fui meio rude. Mas também! Ele queria o que! Aranhas gigantes domésticas!
Ele me olhou com lágrimas nos olhos, partiu meu coração. Sem contar todos os presentes que me olharam como se eu fosse desprovida de sentimentos. Tudo bem, minha culpa. Tentei me desculpar desesperada.
"Olha, desculpa, eu não quis dizer isso. É só que eu fiquei surpresa." Ele tinha sentado, comigo em volta dele, e mais algumas pessoas que eu nem tive tempo de identificar.
"Hagrid, não culpe a Lily. Você sabe que ela só quer o seu bem. E o que ela falou faz sentido sabe? Essa...aranha...nunca faria mal a você, mas e as outras pessoas que viriam até aqui?" Para minha desgraça, Potter veio em minha defesa. Eu olhei pra ele abobada, que tipo de idiota pensa que com isso vai se redimir do que falou antes?
"É, simplesmente não dá, cara." Por sua vez, Sirius veio em defesa do amigo.
"Mas você poderá ir visitar toda família na floresta! Ia ser legal, não ia?" Falei o que falaria para consolar uma criança, e surtiu efeito. Ele reprimiu um soluço e balançou a cabeça em concordância. Sirius olhou pra mim com uma cara de 'tá bom aí, mãe'. Mas tudo bem, funcionou.
"Obrigada, crianças." Crianças? "Vocês são muito especiais pra mim." Oh! Que bonitinho! Eu e Michele fizemos aquele 'ohhhhh' de emocionadas. Mas Hagrid também muda de humor fácil. "Agora vão! Vão! Já está escurecendo, e se pegarem vocês vão ficar encrencados!" Quando dei por mim, já estávamos todos na soleira da cabana dele. Não era verdade que iríamos ficar encrencados, tínhamos os dois monitores-chefes conosco, e mais um grupo de garotos que sempre eram vistos fora do castelo.
"Então..." Remus começou pra quebrar o gelo. "Fim de tarde bonito." Que raios era aquilo? Realmente estava um fim de tarde bonito, mas que assunto de velho!
"Cala a boca, Rem." Michele disse de uma maneira dengosa.
"Na boa, vamos sair daqui." Potter disse. Foi uma coisa inteligente, pois estávamos no mesmo lugar em que Hagrid tinha nos deixado. "Hum...Lily, eu quero falar com você." Não. No way. De jeito nenhum. Acho que ele percebeu isso, porque antes de me deixar tempo para responder, ele veio em minha direção.
"Esperem por mim!" Gritei para o resto do bando que estava indo em direção ao castelo. Claro que eles não esperaram. Potter parou na minha frente, com as mãos no bolso, e cabelos ao vento. Seria até meio fofo, se não fosse ele.
"Desculpa." Ele disse simples, e sincero. Foi sincero, mesmo. "Você merece tudo de autêntico Lil. Você é especial."
"Tudo bem, desculpas aceitas." Desculpas aceitas? O que está acontecendo com você, Lily Evans! Que diabos de desculpas aceitas! Se ao menos Potter soubesse que minha fala é contraditória ao meu pensamento. Olhei para o chão envergonhada. Não me pergunte! Eu também não entendi essa. Vi de rabo de olho, que ele tinha um meio sorriso nos lábios. Não sei se foi isso que me motivou a falar, mas acontece que eu falei.
"Bem, me desculpa por ter falado que você não era autêntico. Você deve ser, eu acho." Nããããããão!
"Nem esquenta." Agora ele sorria por inteiro. E eu ainda estava em choque. Eu tentei abrir minha boca pra falar pra ele não levar em consideração, já que minha fala era contraditória a minha mente, mas não saía som algum. "Então, acho que a gente devia voltar." Quando ele falou, parecia que eu tinha voltado de um devaneio.
"Ah... aham." Sem que eu desse por mim, estava ao lado do Potter voltando para o castelo. Por Merlim, ele não falou nada, parecia concentrado demais no vento (Entendeu? Não? Já vai). "O que você está fazendo?"
"Ah," Ele riu, talvez pelo tom de voz que eu estava usando, aqueles que você usa para falar com loucos. "Só vendo que hoje daria um bom dia para jogar quadribol."
"Hum." Grande coisa. Na boa, o que ele vê em quadribol? "Potter, o que você vê em quadribol?"
"O que você não vê em quadribol?" Agora ele quem usava o tom de voz para loucos. "O vento batendo no rosto, a sensação de que nada pode te deter, você livre, leve e solto." Essa foi a minha vez de rir, acredite, se vissem a cara de sonhador dele.
"Pode rir, um dia eu te levo pra dar uma volta e você vai ver do que eu estou falando." Uau! Espera aí, garotão. Pra disfarçar meu rosto vermelho, eu ri mais ainda.
Chegamos ao salão comunal, e encontramos todos lá. Bom, tirando o fato de que eu aceitei desculpas do Potter, pedi desculpas ao Potter, e conversei com o Potter, até que sábado foi um dia legal.
N/A: Bom, capítulo naum tão legal qnto gostaria, mas foi o q saiu. E perdoem qlqr erro de português! Obrigada pelas reviews. E mandem mais! Eu preciso saber da opinião de vcs! Jehssik: não é a primeira fic, mas a primeira q eu tomo vergonha na kra e resolvo postar. Sobre as atualizações, eu gostaria de poder te dar um tempo específico, mas naum tem jeito naum. Prometo q naum vai ser mtu tempo entre um capítulo e outro, já q eu tbm odeio esperar! Gra Evans: Acertou! E acertou tbm qndo disse q a Lily é paranóica, mtu paranóica! O resto do pessoal q falou q gostou da fic, tks a lot!
Beeejo
