"Behind the Shadows"

AUTORA: LarysaM

BETA: Fabinho

FANDOM: J2, Padackles

NOTA: Os atores de Sobrenatural, ou quaisquer outros atores de quaisquer outros seriados, não me pertencem *sad face*. Sou apenas uma fã que gosta de brincar com as inúmeras possibilidades que se apresentam na relação dos mesmos. Meus textos não têm fins lucrativos.

ADVERTÊNCIA: Homofobia, bullying, preconceito e violência.

RESUMO: Jared tinha uma vida normal, mas sua mãe o abandonou, seu pai arranjou uma nova namorada, Sarah, e uma gangue da escola vive pegando no seu pé e nos de seus amigos. Já não bastasse a relação complicada com o pai, o sobrinho de Sarah, agora órfão, vai morar com eles. Jared quer distâncio de Jensen, um garoto estranho, calado e que parece ter medo da própria sombra. Na verdade, Jared só quer que sua vida volte a ser como antes. – Padackles AU

Capítulo 2

Jared acordou tarde e ficou na cama, pensando na sua última discussão com o pai. Ele odiava brigar com seu velho, mas isso estava acontecendo cada vez com mais freqüência e ele sabia que era sua culpa. Acontece que ele odiava mudanças, sua vida estava tão bem antes delas acontecerem e elas não lhe trouxeram nada de bom, na verdade, lhe tomaram. Mas mesmo quando sua mãe foi embora, seu pai e ele tinham um ao outro. Havia sido os dois contra o mundo na esperança de tudo voltar a ser como era antes. Mas seu pai tinha que tentar substituir sua mãe... E ele não conseguia evitar de pensar que seu pai queria lhe substituir também.

Ele podia ouvir o pai no quarto ao lado, provavelmente arrumando-o para o órfão do Ackles. E seu pai queria que ele simplesmente aceitasse ser colocado para escanteio daquele jeito?

– Não! – Jared falou para ninguém em especial e se levantou. – Eu não vou aceitar isso. Os Ackles podem ir para o inferno!

Já trocado de roupa, Jared pensou em como poderia contrabandear comida até seu quarto sem ter que se encontrar com seu pai quando um pensamento lhe ocorreu e rumou para o quarto em que este se encontrava. Não havia muita coisa no cômodo – uma cama, um guarda-roupa e uma escrivaninha –, mas os olhos de Jared estavam nesta última.

– Bom dia, filho. – Jeffrey seguiu o olhar de Jared e suspirou.

– O que você está fazendo? – Jared tinha as mãos fechadas em punhos com raiva.

– Como você pode ver, arrumando o quarto para o Jensen. Ele deve estar chegando a qualquer momento, já que é quase meio-dia. Quer me dar uma mãozinha? – Jeffrey perguntou esperançoso.

– Esse é escrivaninha da mamãe! – Jared finalmente virou-se para o pai. – Você não pode dar a ele a escrivaninha dela!

– Primeiro, maneire o tom. – Jeffrey passou a mão pelo rosto cansado. – Segundo, essa escrivaninha só vem acumulando poeira lá no sótão. Então, eu não vejo problema em passá-la para Jensen.

– Então, vai ser assim? – Jared estava sendo petulante e irritante, talvez até um pouco mimado, mas ele não podia evitar a raiva que constantemente o acompanhava. – Daqui a pouco serão minhas coisas que você vai dar a ele!

– Eu espero que você divida algumas coisas com ele, sim, mas isso caberá a você. – Jeffrey realmente não queria começar mais uma briga com o filho.

– Eu o quero longe de mim! – Jared deu um passo em direção ao móvel. – E ele não vai ficar com a escrivaninha da mamãe. Ela pode...

– Jared, sua mãe não vai voltar por causa de uma mesa, isso se ela voltar, o que eu duvido. – Colocando-se na frente do filho, Jeffrey tentava explicar mais uma vez que a mãe provavelmente não voltaria. Não é que ele gostasse de ver o filho machucado, mas doía ainda mais ver o filho idolatrando uma mãe que nunca sequer ligou para saber como ele estava.

Jared sentia as lágrimas e isso só o deixava ainda mais irritado, ele estava cansado de chorar. – Você não sabe disso. E ela vai voltar!

Balançando a cabeça, Jeffrey se sentia meio perdido. – Jared...

– Tudo bem, ele pode ficar com a maldita escrivaninha e, se quiser, dê logo meu quarto a ele também. – Querendo acabar com a conversa antes que as lágrimas caíssem, Jared virou-se. – Eu vou tomar meu banho.

E sem dar nenhuma chance ao pai, Jared entrou no banheiro e fechou a porta. Respirando fundo, olhou-se no espelho e se recusou a deixar as lágrimas rolarem. Mas, assim que a água caiu sobre o seu corpo, ele sentiu toda a angústia invadir-lhe o peito e ele se sentiu pequeno e com medo. Ele não podia evitar se sentir como se tivesse afastado, primeiro, a mãe e, agora, estava fazendo o mesmo com o pai.

Distraído e tentando fazer o banho durar o máximo possível, Jared nem percebeu a campainha tocar. Desligou o chuveiro, vestiu a roupa e saiu do banheiro, deixando o aroma do almoço afastar seus pensamentos e medos. Porém, assim que desceu as escadas, Jared parou na entrada da sala de estar, onde seu pai e Sarah estavam com um garoto e uma outra mulher. Franzindo a testa, Jared se aproximou do grupo.

– O que está acontecendo aqui? – Jared perguntou, mesmo sendo óbvio.

– Jared, eu falei que Jensen chegaria para o almoço. – Jeffrey encarava seu filho com ar preocupado. – Jensen está se mudando…

– Não! – Jared não prestou atenção ao jeito como o garoto tinha se encolhido. – Vocês decidiram isso e minha opinião não importou. Mas é assim que as coisas são agora, não é mesmo? O que eu quero não importa.

– Jared, não seja injusto! – Jeffrey suspirou e passou uma mão pelos cabelos. – Filho, sua opinião é importante para mim, mas esta ainda é minha casa e eu estou construindo uma família com Sarah.

– Oh, é, eu esqueci que sua antiga família não é mais suficiente para você. – Jared podia sentir seu coração bater acelerado. – Por que você tinha que estragar tudo? Isso é sua culpa!

– Jared, olhe como fala e se comporte! – Jeffrey se levantou, mas Jared deu um passo para trás. – Eu não vou aceitar má-criação! E eu já tomei minha decisão. Jensen e Sarah vão ficar.

Jared balançou a cabeça. – São eles ou eu?

– O que isso deveria significar? – Jeffrey olhava surpreso para o filho. – Jared, será que não vê que eu não quero substituir você ou, até mesmo, sua mãe?

– Jeff, eu e Jensen podemos voltar para minha casa. – Sarah tentou interferir.

Jeffrey sorriu e pegou a mãe dela. – Não, Sarah. Nós somos uma família agora. Jared tem que entender isso.

– Ok. – Jared parecia conformado. – Eu vejo que você fez sua escolha.

– Jared! – Jeffrey chamou, mas seu filho já tinha alcançado a porta da frente e desaparecido.

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Jensen tinha permanecido em silêncio o tempo todo com a cabeça baixa. A única coisa que demonstrava que ele tinha escutado a discussão eram suas mãos, que seguravam a beirada do sofá com força. Sarah se aproximou, mas, quando tentou tocar seu ombro, ele se sobressaltou e se encolheu mais ainda.

– Senhor Padalecki. – A agente social falou pela primeira vez desde que Jared aparecera. – Eu não quis interromper a cena que presenciei. E eu realmente aprecio o jeito que o senhor está disposto a aceitar Jensen, mas... eu não sei se isso será possível.

– Senhora Ferris, Jared está passando por uma fase difícil, mas ele é um bom garoto e tenho certeza que, lhe dando tempo, ele aceitará Jensen. – Jeffrey sentou do outro lado de Jensen, mas não tentou fazer contato. – Quem sabe eles não se tornam amigos? Eu posso ver que Jensen precisa de um.

A Senhora Ferris examinou Jeffrey com incerteza. – Eu não sei, senhor Padalecki. Jensen precisa de estabilidade no momento. O garoto... – ela pareceu hesitar por um instante e suavizou a voz –... encontrou a mãe morta e ainda está em choque. – Então, Ferris pareceu tomar sua decisão e pegou sua bolsa. – Honestamente, eu acho que você precisa lidar primeiro com seu filho antes de tentar ajudar Jensen.

Sarah se levantou e foi até a mulher. – Senhora Ferris, por favor. Ele é meu sobrinho e agora, mais do que tudo, você sabe que Jensen precisa da sua família e não ter que lidar com o sistema. – Sarah pegou as mãos de Ferris e a olhou nos olhos. – Por favor, nós somos o melhor para Jensen.

A Senhora Ferris suspirou, pensou por alguns instantes, mas deu um pequeno sorriso no final. – Ok, mas... – ela olhou de Sarah para Jeffrey – eu vou visitá-los a cada quinze dias para ter certeza de que Jensen estará indo bem.

– Isso é tudo o que pedimos. – Sarah abraçou a assistente social. – Obrigada. – Então, virou-se para Jensen. – Você ouviu isso, Jensen? Você vai ficar! – Mas Jensen nada falou, nem se moveu.

Samantha Ferris observou Jensen e respirou fundo. O garoto não tinha falado uma única palavra desde que ligara para emergência, pedindo ajuda para sua mãe. Voltou-se para o casal, ela realmente tinha gostado de Sarah e Jeffrey, mas Jared poderia fazer mais estragos que bem. Rezou para ter feito a escolha certa, porque Jensen realmente precisava de um ambiente em que pudesse se sentir seguro e bem-vindo.

– Ok. Então, eu acho que vou pegar a estrada. – Ela sorriu para Jensen, depois aceitou as mãos de Sarah e Jeffrey. – Espero estar fazendo a escolha certa aqui.

– Você está, Senhora Ferris. – Jeffrey estava ao lado de Sarah com um braço ao redor dos seus ombros num meio abraço. – Você verá. Eu lhe acompanho até a porta.

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Apesar de tudo, Sarah era só sorrisos. Ela olhava para Jensen como se não pudesse acreditar que tinha um sobrinho, um lindo garoto. Embora Jensen mantivesse a cabeça baixa, ela podia ver que ele tinha olhos verdes como sua irmã, bem como o cabelo loiro. Sarah só o achou muito magro, mas, fora isso, Jensen parecia bem.

– Bem, Jensen, seja bem-vindo! – Sarah falou animada. – O que você quer fazer? Conversar? Comer? Assistir TV? É só dizer!

Mas Jensen não pareceu contagiado com a animação dela, sussurrando: – Você não precisa falar comigo. Eu sou problema.

– Isso não faz sentido, querido. – Sarah sentou-se ao lado dele. – Você não é problema algum. Jared irá entender, você vai ver. E, além do mais, nós somos uma família e é para isso que a família serve.

Jensen somente concordou com a cabeça e continuou em silêncio, o que deixou Sarah incomodada. E ela estava começando a ficar realmente preocupada.

– Então? – Sarah perguntou, por fim. – O que vai ser?

– Eu pos... – Jensen mordeu os lábios, nervoso. – Eu posso só ir para o quarto em que vou dormir, senhora?

– Claro, querido. – Sarah tentou acariciar Jensen, mas ele recuou novamente. – Ok, venha. Eu mostrarei seu quarto.

Quando eles chegaram às escadas, Jeffrey estava entrando. Ele aparentemente havia tido outra conversa com a Senhora Ferris e parecia preocupado, apesar de sorrir quando os viu.

– Aonde estão indo?

– Jensen está cansado e eu vou mostrar seu quarto. – Sarah devolveu o sorriso, enquanto Jensen olhava atentamente para seus sapatos. – Algum problema?

Jeffrey balançou a cabeça e se aproximou dela para dar-lhe um beijo. – Não, nós só conversamos um pouco sobre Jared. Vá e ajude Jensen a se acomodar. Então, nós conversamos ok?

– Ok, então. – Sarah sabia que Jeffrey não queria conversar na frente de Jensen, então, ela se virou para subir. – Venha, Jensen.

No primeiro andar, Sarah guiou Jensen até o primeiro quarto à direita e abriu a porta. – Bem, esse é o seu quarto, Jensen. – Sarah depois indicou a porta ao lado do seu quarto no fim do corredor. – Aquele é do Jared. Jeffrey e eu estamos no último à esquerda e o banheiro é logo aqui, atravessando o corredor.

– Ok – veio o sussurro em resposta.

– Jeffrey já colocou sua mala no guarda-roupa. – Ela apontou para a velha mobília ao canto. – Eu sei que não é nova, mas a madeira é boa. Espero que você goste daqui.

– Está bom, obrigado. – Jensen respondeu sem nem olhar para o quarto.

Sarah lhe deu um triste sorriso e começou a se virar. – Ok, então. Vou deixá-lo descansar. Se precisar de qualquer coisa é só chamar, ok?

Mas Jensen não estava escutando. Ele adentrou no quarto e deitou na cama com as costas para Sarah, que suspirou mais uma vez e fechou a porta ao sair.

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Jensen esperou até escutar a porta ser fechada para se virar e sentar na cama. Ele olhou todas as coisas no quarto: o guarda-roupa, a cama, a escrivaninha, onde havia um objeto estranho em cima. Suspirando, se levantou, indo até o guarda-roupa. Ele não conseguia entender porque tanto empenho em lhe fazer sentir-se bem-vindo. Não era como se ele merecesse. A verdade é que ele só queria que parassem o fingimento e as palavras carinhosas, e começassem a tratá-lo como deveria ser. Jensen não queria ter esperança de que agora seria diferente. Não, ele sabia bem como era.

Abrindo o guarda-roupa, ele levou sua mala até a cama, onde a abriu e procurou escondido debaixo das roupas até encontrar um colar de contas. Ele o colocou ao redor do pescoço e fechou os olhos como se só o contato do objeto com sua pele, aliviasse um pouco o aperto em seu peito. A recordação da única pessoa que havia sido gentil com ele. Jensen se deitou e não prestou atenção às lágrimas que molhavam o rosto até cair num sono inquieto.

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Sarah encontrou Jeffrey na cozinha bebendo café, mas com os olhos distantes e preocupados. Ela sorriu tristemente e se aproximou do homem, que se assustou.

– Me desculpe. – Ela falou suavemente enquanto sentava em seu colo.

– Não, eu estava com meus pensamentos em outro lugar. – Jeffrey colocou os braços ao redor da cintura de Sarah e repousou a cabeça em seu ombro.

– Eu sei e estou preocupada com Jared também. – Ela lhe deu um beijo na testa. – Eu odeio ser a causa dessa tensão entre vocês.

– Não é sua culpa, Sarah. – Jeffrey suspirou e fechou os olhos. – Jared ainda não aceitou que sua mãe nos abandonou e, às vezes, eu acho que ele pensa ser sua culpa, como se ele conseguisse fazer a coisa certa, sua mãe voltaria num passe de mágica. E é obvio para mim que ele se sente ameaçado com sua presença e a de Jensen. Se a culpa é de alguém, é minha, que não consigo dar segurança a ele.

– Jeffrey… – Sarah abraçou seu amante, vendo a dor em seus olhos

– Eu só… eu me sinto tão distante dele, e não sei como consertar isso. – Jeffrey respirou fundo. – A Senhora Ferris disse que eu deveria procurar ajuda profissional, mas eu tenho medo de que isso só piore as coisas.

Sarah se levantou e tirou a caneca da mão de Jeffrey, levando-a até a pia. – Eu acho que você deveria conversar com ele, sabe? Sem ordens ou gritos, só conversar. Faça ele te escutar. E eu acredito que seja minha culpa também porque, se ele se sente ameaçado, eu devo estar me impondo sem nem perceber. Vá até a casa do Chad. É lá que ele está, não é? – Jeffrey confirmou com um balançar de cabeça. – Ok. Vá e converse com ele, depois eu terei uma conversa com ele também.

– Eu não sei. Talvez ele precise de tempo pra se acalmar primeiro. – Jeffrey não olhava para Sarah.

– Do que você está com medo? – Sarah virou-se e encostou-se à pia.

– Ele estiver realmente com raiva de mim. – Jeffrey levantou as mãos aos olhos.

– Você não acredita nisso. – Sarah se aproximou e pegou suas mãos. – Você realmente acha que ele estaria tão chateado se não gostasse tanto de você? Ele está com medo e você precisa ir lá e provar que ele está errado.

– Obrigado. – Jeffrey lhe deu um beijo calmo e profundo.

– Ok. Agora vá e traga nosso filho de volta. – Sarah o empurrou quando Jeffrey se levantou.

– Nosso…? – Jeffrey parou no caminho da porta. Essa era a primeira vez que Sarah chamava Jared assim.

– Não diga a ele que o chamei assim. – Sarah piscou para Jeffrey, que, por sua vez, sorriu.

– Eu te amo.

– Eu te amo também.

Eles ficaram se encarando por alguns segundos até Jeffrey se virar e ir atrás de Jared.

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Jared tinha corrido até a casa de Chad. Essa já era uma cena comum toda vez que um deles tinha problemas em casa. Tanto que Jared entrou pela porta dos fundos sem nem bater, ignorando o "olá" que a Senhora Murray lhe endereçou e correu pelo caos da casa, desviando-se das crianças brincando pelo chão. Quando ele chegou ao quarto de Chad, Jared simplesmente pulou na cama e jogou um travesseiro sobre o rosto.

– Vejo que seu dia começou bem. – Chad estava jogando no computador e só se virou quando seu personagem morreu. – O que aconteceu dessa vez? Sua madrasta foi má com você?

– Cala a boca, Chad! – Jared tirou o travesseiro do rosto só para jogar no amigo. – Minha vida está virando um inferno.

– Eu desisto. – Chad se levantou e foi se sentar ao lado de Jared. – O que está acontecendo?

Jared se sentou e dobrou os joelhos para que pudesse abraçá-los. – Já não bastava a Sarah morando com a gente! Agora, meu pai decidiu adotar o sobrinho dela também.

– Espera! Você tem um irmão agora? – Chad tirou onda de Jared. – Então ele será o irmão mais velho ou o irmãozinho?

– Eu não dou a mínima! – Jared se levantou e começou a andar pelo quarto. – Eles estão acabando com minha vida!

Chad encarou o amigo calmamente. – Ele é tão terrível assim?

– Eu não sei. – Jared se jogou na cadeira que Chad havia desocupado. – Eu não falei com ele, mas ele parece ser esquisito.

– Então por que você acha que ele será um problema? – Chad estava tentando entender.

– Porque ele não devia estar aqui para começo de história. – Jared sussurrou. – É tão difícil entender que minha vida estava melhor do jeito que estava?

– Em outras palavras, você e seu pai esperando por sua mãe. – Jared mordeu os lábios e desviou o olhar para o chão. – Jay… Ok, você quer jogar?

– É, isso seria bom. – Jared lançou um sorriso para o amigo em agradecimento.

– Então, eu espero que você esteja preparado, porque eu vou acabar com você. – Chad sentou ao lado de Jared e entregou ao amigo um controle.

Jared riu pela primeira vez desde que havia chegado. – Vai sonhando.

E os dois começaram a jogar, tirando onda um do outro e rindo como sempre faziam.

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Jeffrey estacionou a caminhonete em frente à casa dos Murrays e saiu para encarar seu filho. Ele tocou a campainha e esperou até a Senhora Murray abrir a porta com uma criança no colo.

– Oi, Jeffrey! – A senhora Murray deu espaço para Jeffrey entrar. – Algum problema?

– É, mais ou menos. – Jeffrey sorriu e entrou. – Eu suponho que Jared esteja aqui.

– Sim, ele está lá em cima com Chad. – A mãe de Chad colocou sua caçula no chão. – Vá brincar com seu irmão, querida.

Jeffrey observou a pequena garota correr até a sala. – Olha, não quero incomodar, mas eu poderia subir e falar com Jared?

– Claro, Jeffrey. – Ela sorriu e acariciou inocentemente seu braço. – Você sabe que Jared sempre será bem-vindo aqui. Eu gosto da amizade dele com o Chad.

– Obrigado. – Jeffrey concordou com a cabeça e seguiu em direção às escadas.

– Oh, você pode dizer ao Chad que eu preciso dele na cozinha? – A Senhora Murray falou e começou a seguir até os fundos. – E o quarto do Chad é o terceiro à esquerda.

– Claro. – Jeffrey sorriu para ela em gratidão. – Obrigado.

Jeffrey subiu as escadas com o coração batendo em descompasso. Quando parou em frente à porta do quarto, respirou fundo antes de bater e a abrir.

– Oi, garotos! – Jeffrey deu um pequeno sorriso aos meninos que pararam de jogar quando escutaram sua voz. – Me desculpem por interromper, mas eu preciso falar com Jared.

Chad olhou para Jared, que concordou com a cabeça, para então se levantar e seguir até a porta.

– Chad... – Jeffrey parou o loiro antes de ele sair do quarto. – Sua mãe pediu para avisar que está precisando de sua ajuda na cozinha.

Chad suspirou desanimado e lançou um olhar encorajado para o amigo. – Ok. Obrigado, Senhor P.

Jared, com a cabeça baixa, olhou de relance para seu pai quando este seguiu até a cama.

– JT...

– Eu não mudei de ideia – Jared se apressou em dizer. – Eu não os quero lá.

– Você pode parar de ser egoísta? – Isso chamou a atenção de Jared e ele encarou o pai. – Não consegue ver como está tornando as coisas difíceis.

– Foi você quem começou a mudar tudo. – Jared sentiu a velha raiva emergir. – Por quê? Eu não sou o suficiente?

– Claro que você é, filho! – Jeffrey, por sua vez, falou com calma. – Eu não sei como teria lidado com o abandono de sua mãe se eu não tivesse você.

– Então, por que mudar tudo? – Jared tinha o olhar cansado.

– Filho, você é a pessoa que mais amo no mundo. – Jeffrey se levantou e ajoelhou em frente a Jared. – Eu faria qualquer coisa por você, mas não consegue ver que Sarah me faz feliz? Que ela está me fazendo confiar meu coração a alguém depois do que sua mãe fez?

– Esse é o problema. Esse é o lugar da mamãe. – Jared suspirou, evitando os olhos do pai.

– Jay... – Jeffrey levantou o rosto de Jared. – Mesmo que sua mãe volte algum dia, as coisas entre nós dois nunca voltarão a ser as mesmas. Eu amo a Sarah agora, mas isso não significa que ela tem que ocupar o lugar da sua mãe para você.

– Eu não a chamarei de mãe. – Jared podia sentir as lágrimas caindo.

– Nem eu estou pedindo que faça isso e eu sei que a Sarah também não. – Jeffrey tomou o rosto de Jared nas mãos e beijou sua testa. – Eu só quero que você dê uma chance a ela e Jensen, uma chance para serem amigos.

– Eu não quero que sejamos amigos – Jared sussurrou, teimoso.

Jeffrey respirou cansado e soltou o rosto de Jared. – Ok, se é isso que você quer... – Ele, então, se levantou. – Vamos. Estamos indo para casa.

Jared mordeu o lábio inferior nervoso e evitou o olhar triste do pai. – Ok.

– Jared… – Jeffrey chamou o filho mais uma vez. – Você pode tentar pelo menos ser educado e conhecê-los? Por mim?

Jared pensou em dizer não, mas ele não queria continuar machucando o pai. – É. Eu vou tentar.

Jeffrey puxou o filho para um abraço apertado. – Obrigado, filho. Eu te amo. Nunca duvide disso.

Jared abraçou o pai de volta com força, sentindo-se um pouco mais leve. – Eu te amo também, pai.

Jeffrey beijou Jared mais uma vez na testa antes de soltá-lo. Então, os dois desceram, despediram-se de Chad e sua mãe e foram para a caminhonete.

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Quando Jeffrey e Jared chegaram em casa, podiam sentir o cheiro do almoço preenchendo a casa. Então, foi sem surpresa que encontraram a mesa da cozinha posta.

Jeffrey se aproximou de Sarah, que estava ao fogão, e tentou furtar algo da panela. – Isso está cheirando muito bem.

Sarah, porém, acertou sua mão com uma colher de madeira. – Ficará ainda mais gostoso se você não me interromper e esperar que eu coloque na mesa.

Jared estava se sentindo mais leve depois da conversa do pai, mas ainda não totalmente à vontade. Porém, ele não conseguiu evitar sorrir diante da cena. – Você está ficando devagar, velho.

– Oi, Jared! – Sarah só o cumprimentou nesse momento, percebendo-o ali.

Jared lançou um breve olhar na direção do pai antes de responder: – Oi, Sarah.

Isso fez com que ela lhe lançasse um enorme sorriso e seu pai balançou a cabeça alegre. – Bem, o almoço está quase servido, apesar da hora tardia. Por que você não vai se lavar? – Jared concordou, mas, antes de ir, Sarah o parou. – Espere, Jared. Você pode também avisar o Jensen?

Jared parou por um momento, mas lembrou-se da promessa que tinha feito. – Ok.

No andar de cima, Jared parou em frente à porta do quarto de Jensen e hesitou por um minuto antes de bater. Sem resposta, Jared bateu novamente, mas nada. Suspirando, ele tentou a maçaneta e a porta abriu. Observando o interior do quarto, viu Jensen dormindo.

– Ei! – Jared tentou chamá-lo, mas o outro continuava dormindo. Então, entrou no quarto e o tocou no ombro. – Acorda.

Tão logo sua mão tocou Jensen, este pulou assustado e empurrou Jared, que, pego de surpresa, perdeu o equilíbrio e caiu. Jensen olhou ao redor assustado e demorou alguns segundos para lembrar onde estava e o que tinha acontecido.

– Me desculpa. – Jensen olhava assustado para Jared.

Jared se levantou e gritou para o loiro. – Qual é o seu problema?

– Desculpe, eu estava sonhando... Eu não quis... – Jensen tentou explicar.

– Tanto faz. – Jared balançou a cabeça e foi até a porta. – Eu só vim avisar que o almoço está pronto.

Jensen observou Jared desaparecer, mas ele ainda conseguiu escutar quando o moreno o chamou de "esquisito". Respirando fundo, Jensen se recriminou pela reação e, sentando na cama, pensou que era melhor descer logo antes que fizesse mais alguma coisa errada.

Continua...

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N/A: Segundo capítulo saído do forno. Espero que curtam e como prometido já tem mais Jensen e a tendência é a presença dele aumentar cada vez mais. Reviews, como sempre, são bem-vindas xD

N/A: Lene, muito obrigada pela review. E olha o Jensen aparecendo mais! Pode ter certeza que eu não vou mais esconder o loiro. E sim, Jared está tendo um pouco de difilcudade em aceitar sua nova vida, mas, apesar de tudo, ele realmente é um bom garoto. Obrigada, beijos