Capítulo 2
Sakura acordou sem problemas no outro dia, já iam longe os dias em que se atrasava, agora ela dormia menos, devido às suas noites de vigília, mas mesmo assim estava sempre alerta. Talvez pelo fato de sua magia ter aumentado a proporções assustadoras.
Ela teria que dar uma aula de Educação Física às 9:00hrs, tinha bastante tempo. Era professora em seu antigo colégio, e muito adorada pelos alunos.
Arrumou seu café da manhã e de Kero. Agora eram só os dois. Seu irmão estava na Inglaterra fazendo pós-graduação, junto com Yukito, este hesitara muito antes de ir, mas Sakura o convenceu de que ficaria bem com Kero e afinal eram só por dois anos, e eles já estavam lá fazia mais de 1 ano, logo estariam de volta,
E seu pai, havia morrido há 3 anos, em uma escavação que desabara. Sakura ainda se culpava por não ter podido salvá-lo, mas ele estava muito longe e só coube a ela sentir a perda de seu pai.
Sozinha em casa, não tinha ninguém para vigiar seus passos, quando saía à noite, Toya com certeza faria um belo sermão se soubesse o que ela andava fazendo, e Yue provavelmente iria junto, com aquela cara sempre séria. Nem Tomoyo sabia de suas aventuras noturnas. Aliás, Tomoyo não se cansava de perguntar se ela estava namorando, a resposta de Sakura era sempre a mesma, não estava interessada em namoros. Tomoyo sabia muito bem o porque, Sakura ainda não esquecera Shaoran, só não entendia porque ela havia terminado tudo. Nem para sua grade amiga Sakura havia contado a verdade. Nem a Kero ela havia dito. Somente outra pessoa sabia, a pessoa a quem ela havia feito a promessa de jamais contar a Shaoran o porque de estar acabando tudo com ele.
Tirando essas reminiscências da cabeça, Sakura pegou seus patins e foi para a escola. Ela adorava ir patinando para a escola, esse horário da manhã era seu preferido, o sol filtrando seus raios pelos galhos das árvores, as flores caindo, enquanto ela passava, tudo parecia lindo e simples, e por alguns segundos Sakura se esqueceu de sua existência vazia, sem Shaoran.
- Shaoran...- Sakura pronuncia seu nome baixinho, a tristeza de novo presente em seu olhar.
Ela não está aqui
(KLB)
Tá difícil esquecer
Tirar você de mim
Nos meus olhos dá pra ver
Seu adeus doendo assim
Não pensei que esse amor
Me pudesse machucar
E uma lágrima de dor
Hoje cai do meu olhar
Baby, te vejo tão longe
De mim tão distante
Além do horizonte
Baby, eu grito seu nome
Saudade responde
Ela não está aqui
Quando o Sol vem me tocar
Parecendo um beijo seu
Deixo o sonho me levar
Pra acordar nos braços seus
Baby, te vejo tão longe
De mim tão distante
Além do horizonte
Baby, eu grito seu nome
Saudade responde
Ela não está aqui.
Shaoran ergue de repente a cabeça. Estava treinando quando parou de repente com a impressão de ter ouvido alguém lhe chamar. Olhou em volta e viu que estava sozinho. Era ela, ele sabia, sentia em todo o corpo o seu chamado. A tristeza, o abandono, ele sabia de sua vida solitária, Tomoyo o deixava a par de tudo o que acontecia com ela, ele só não sabia o porque de sua existência vazia.
Ele tentara, Deus era testemunha de como tentara esquecê-la, mas foi em vão, seus olhos verdes, seu sorriso, o perseguiam onde quer que fosse. Acordado ou dormindo, seus pensamentos eram para ela. Sakura, sua flor-de-cerejeira, seu cheiro ainda estava entranhado nele, seu toque, uma carícia que mulher nenhuma conseguira substituir, se bem que ele não procurara a companhia de outras mulheres. Sua mãe bem que tentara, lhe apresentar várias moças e ele sempre inventava alguma desculpa, sempre se esquivando dos encontros arrumados. Ela insistia em que deveria se casar, afinal era o líder do Clã Li, e precisava de um herdeiro, mas ele dizia que tinham tempo. Quanto mais adiasse essa decisão, melhor, porque seria difícil colocar outra mulher para ser a mãe de seu filhos, quando ele só queria Sakura.
Ele não se esquecera de que ela havia dito que não o amava, mas hoje, pensando mais friamente no assunto, ele duvidava disso. Porque ela vivia sozinha? Porque ele sentia que ela o chamava? Mas seu orgulho o impedia de fazer essas perguntas a ela cara a cara. Tinha medo de se magoar de novo.
Enquanto ele pensava em tudo isso, o tempo passou, e chegou o horário de se reunir a sua mãe para o café da manhã. Ele se lavou e foi ao encontro de Yelan, provavelmente ela viria de novo com aquele papo de noivado.
- Bom dia, mãe. - ele entrou na varanda, e cumprimentou distraidamente sua mãe.
Yelan observou a expressão no rosto de seu filho. Não precisava de seus poderes mágicos para saber onde seus pensamento estavam. Mais uma vez pensou se o que havia feito no passado, tinha sido certo, mas tão rápido quanto veio, o pensamento se foi. Aquilo era passado, melhor esquecer.
- Bom dia, meu filho - ela respondeu, sem deixar transparecer o que lhe ia na alma. - Eu preciso lhe falar Shaoran.
Ele apenas franziu as sobrancelhas sem dizer nada.
- A família Wong, é tradicional e antiga, e eles têm uma filha em época de se casar. Eu os convidei para jantarem aqui essa noite, gostaria que você estivesse presente. - Yelan esperou a reação de seu filho.
Shaoran demorou o que pareceu horas para responder. Olhava para fora, direto para a cerejeira em flor, plantada há 10 anos quando ele voltara do Japão para completar seu treinamento, na época aquele era seu refúgio, hoje olhar para aquela árvore doía-lhe na alma. Sua mãe quisera cortá-la quando o noivado fora rompido, mas ele proibira qualquer um de tocá-la, seria a eterna lembrança da mulher que não o quis.
Finalmente ele se virou para sua mãe.
- Às 9:00 horas está bem para a senhora?
Yelan mal podia acreditar que ele concordara, e mais do que depressa disse que o horário estava ótimo.
Shaoran deu mais uma olhada para a cerejeira, com suas flores caindo lentamente no gramado, e saiu rapidamente. Não custava nada conhecer a moça, mas casar, talvez isso nunca acontecesse. Seu coração ainda sangrava, por aquela que ele tinha certeza, ainda o chamava.
Continua
